sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Consulta: SOMENTE PRESENCIAL

Hoje fui avisado que estão aplicando um golpe utilizando o nome de alguns profissionais da área da saúde, médicos e nutricionistas. Os golpistas agem via instagram, prometendo consultas online com nutrólogos e nutricionistas, via whatsApp. Então uma pessoa que comprou um desses pacotes, entrou em contato comigo, perguntando se eu conhecia esse perfil: https://www.facebook.com/gouveia.sci
Que tal perfil estava anunciando no facebook que trabalhava no meu consultório. 

Esclareci que tal pessoa nunca trabalhou comigo, expliquei que consulta somente presencial, que tal prática é proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Tive que fazer um boletim de ocorrência e agora dar entrada com investigação na delegacia de crimes cibernéticos e a minha advogada entrará com denuncia no Conselho Regional de Medicina, para que apurem melhor os fatos e alertem os médicos sobre esse tipo de golpe.

Portanto, peço aos meus leitores e seguidores do blog: Não caiam nesse tipo de golpe. Médico decente respeita as regras do Conselho Federal. Se virem algum perfil anunciando esse tipo de serviço: consulta online, denunciem o perfil. 

Peço a todos que também denunciem esse perfil no facebook. As medidas judiciais cabíveis ja estão sendo tomadas.

att


Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 | RQE 11.915 - Médico nutrólogo 



segunda-feira, 26 de novembro de 2018

VITAL: vitamina D e ômega 3 não trazem benefícios para doença cardiovascular ou câncer

Mais pesquisas não mostram nenhum benefício significativo da suplementação com vitamina D para a prevenção da doença cardiovascular (DCV) ou de câncer – e pouco benefício com os suplementos de ômega 3 , visto que os dois esquemas terapêuticos não alcançaram seus desfechos primários.

O Vitamin D and Omega-3 Trial (VITAL) é um dos maiores ensaios clínicos randomizados controlados com placebo examinando essas associações em uma população diversificada. O estudo teve quase 26.000 participantes, dos quais 5.100 eram negros.

Os dois desfechos primários foram o câncer invasivo de qualquer tipo e os eventos cardiovasculares maiores, representados por um composto de acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) e morte por causas cardiovasculares. Nem os participantes que receberam 2.000 UI por dia de vitamina D3, nem os que receberam 1 g por dia de ácidos graxos marinhos n-3 (ômega 3) apresentaram incidência significativamente menor de qualquer desfecho ao longo de cinco anos de acompanhamento em comparação com os que receberam placebo.

De acordo com pesquisas anteriores, essas descobertas não foram tão surpreendentes, disse a primeira autora do estudo, Dra. JoAnn E. Manson, médica do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School em Boston, Massachusetts (EUA), ao Medscape.

As notícias foram um pouco mais otimistas para alguns dos desfechos secundários, com uma redução de 28% do risco de infarto agudo do miocárdio isolado em todo o grupo recebendo ômega 3, e uma redução de 77% do risco de infarto agudo do miocárdio entre os participantes negros no grupo ômega 3.

"Então, houve fortes evidências neste estudo de que o ômega 3 estava reduzindo o risco de infarto agudo do miocárdio", disse a Dra. JoAnn.

"Os ácidos graxos não reduziram o risco de acidente vascular cerebral e, por isso, o desfecho primário composto não foi alcançado, mas acho que é importante observar cada componente separadamente".

Houve também um sinal de redução da morte por câncer entre os participantes que receberam vitamina D, acrescentou a pesquisadora.

Convidado a comentar, o Dr. Steven E. Nissen, médico e diretor do Department of Cardiovascular Medicine at the Cleveland Clinic em Ohio, disse que não estar impressionado com nenhuma das observações, constatando que os únicos benefícios dessas substâncias foram encontrados em "subanálises de subanálises ou em desfechos secundários, sendo consideradas geradoras de hipóteses em vez de evidências científicas" de algum tipo de benefício.

"Os resultados são interessantes, porém especulativos, e não devem levar a alterações das diretrizes ou a outras mudanças importantes na prática clínica", disse ao Medscape o Dr. Steven, que não participou da pesquisa.

Dito isso, o comentarista observou que o estudo de fato estabelece bases para futuras pesquisas, especificamente sobre a suplementação com óleo de peixe e seus efeitos para os participantes negros.

"Eu certamente encorajaria que isso fosse feito. Esses tipos de estudos que geram hipóteses, sejam bem-sucedidos ou não, sempre levantam boas questões", disse.

Os resultados foram apresentados em 10 de novembro no American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2018 e foram simultaneamente publicados on-line em dois artigos no periódico New England Journal of Medicine.

Projeto fatorial dois-a-dois

Os pesquisadores inscreveram 25.871 participantes saudáveis (50,6% mulheres; com média de idade de 67,1 anos) e os acompanharam por uma média de 5,3 anos. No desenho fatorial dois-a-dois, os participantes foram aleatoriamente designados para um dos quatro grupos de tratamento:


  1. Dois ativos: 2.000 UI/dia de vitamina D3 (colecalciferol) mais 1 g/dia de ômega 3 em suplementos de óleo de peixe (Omacor/Lovaza, GlaxoSmithKline);
  2. Vitamina D ativa mais placebo de ômega 3;
  3. Placebo de vitamina D mais ômega 3 ativo ou;
  4. Só placebos.


Além dos desfechos coprimários mencionados, o estudo teve vários desfechos secundários, como componentes isolados dos principais eventos do composto de eventos cardiovasculares; eventos expandidos de doença cardiovascular, que acrescentaram revascularização coronariana; e mortalidade global por câncer.

No total, 12.933 participantes receberam ômega 3 ativo em comparação a 12.938 que receberam placebo. Dentre eles, 386 dos primeiros e 419 dos últimos tiveram algum evento cardiovascular importante, o que não diferiu significativamente (hazard ratio, HR, de 0,92; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,80 a 1,06). Não houve redução significativa do risco de câncer.

Entre os desfechos secundários pré-especificados, houve redução do infarto agudo do miocárdio total com o tratamento (HR = 0,72; IC 95%, de 0,59 a 0,90; P nominal = 0,003). No entanto, não houve diferenças significativas entre os grupos de expansão do composto de doença cardiovascular, total de acidente vascular cerebral ou morte por doença cardiovascular.

Em outras análises, o consumo de ômega 3 foi associado a uma redução significativa de intervenção coronariana percutânea (HR = 0,78), infarto agudo do miocárdio fatal (HR = 0,50) e doença coronariana em geral, definida como infarto agudo do miocárdio + revascularização coronariana + morte por causas coronarianas (HR = 0,83). Embora estes desfechos tenham sido considerados como de interesse, não foram pré-especificados, então a Dra. JoAnn lembrou que devem ser interpretados com cautela.

Entre os subgrupos, houve uma redução de 40% do risco total de infarto agudo do miocárdio entre os membros do grupo do ômega 3, que consumiram menos de 1,5 porções de peixe por semana (P = 0,048), e uma redução de 19% dos principais eventos cardiovasculares.

"Acho que isso oferece respaldo adicional para a plausibilidade biológica" do suplemento, disse a Dra. JoAnn.

Além disso, a HR do total de infarto agudo do miocárdio foi de 0,23 para os participantes negros tomando ômega 3 em comparação com o placebo (número de eventos, 9 vs. 39, respectivamente; P = 0,001).

"Se essa descoberta for confirmada e reproduzida, isso poderá indicar uma abordagem muito promissora para a redução do risco coronariano entre os afro-americanos", disse Dra. JoAnn em um comunicado à imprensa.

A vitamina D ativa foi administrada em 12.927 dos participantes em comparação com 12.944 que receberam placebo. Não houve redução significativa dos desfechos de doença cardiovascular ou da incidência de câncer. Após a exclusão dos dois primeiros anos de acompanhamento (para levar em conta o período de latência do câncer), houve uma redução de 25% da morte por câncer entre os que receberam vitamina D (número de eventos, 112 vs. 149; P nominal= 0,02).

Por fim, não houve eventos adversos significativos com nenhum dos suplementos, nem aumento do risco de hipercalcemia com a vitamina D, nem aumento do risco de sangramento com o ômega 3. A média de adesão foi de 80% para todos os tratamentos ativos e os placebos.

Descobertas espúrias e especulativas

Após a apresentação da Dra. JoAnn em uma coletiva de imprensa, a Dra. Jane Armitage, médica da University of Oxford, no Reino Unido, observou que, embora este tenha sido um estudo bem conduzido e com poder estatístico adequado, uma população com diversidade étnica e um bom período acompanhamento, em geral foi expressivamente negativo.

"Me parece que precisamos aceitar que este foi um bom teste da hipótese de que a suplementação universal com uma dose decente de vitamina D não vale a pena", disse a Dra. Jane.

A médica acrescentou que, antes do início deste estudo, havia dados promissores provenientes de ensaios clínicos com o ômega 3, como uma metanálise de 10 grandes estudos e quase 78.000 participantes publicada em janeiro no periódico JAMA Cardiology.


Embora seus resultados não tenham mostrado redução significativa de nenhum evento de doença coronariana, como o número de infartos do miocárdio fatais ou não, alguns resultados ficaram próximos, disse a Dra. Jane.

No entanto, o desfecho negativo global dos grandes eventos cardiovasculares no estudo atual "foi um bom teste da hipótese, e praticamente refuta os benefícios que foram observados nos estudos observacionais", comentou.

"Embora o total de casos de infarto agudo do miocárdio tenha diminuído, esse é um desfecho secundário e, então, aprofundar isso é motivo de preocupação, porque me parece que sempre existe o risco de obter resultados espúrios", acrescentou a médica.

Dr. Steven ecoou estes comentários em uma entrevista para o Medscape, observando que o estudo, embora feito com rigor, mostrou benefícios apenas especulativos.

"Se você estudar um número suficiente de desfechos ou subgrupos secundários, encontrará sempre algo positivo. Portanto, essas análises de subgrupos e desfechos secundários não são evidências científicas confiáveis de benefícios", disse.

O Dr. Steven acrescentou que o estudo avaliou uma dose baixa de ômega 3, indo ao encontro de outros estudos que mostraram que "baixas doses de óleo de peixe dadas a pessoas que não são selecionadas por terem triglicerídeos altos não têm um efeito favorável nos desfechos cardiovasculares".

Ainda assim, o comentarista classificou este estudo como importante e disse estar feliz por ele ter sido realizado, especialmente por causa do grande número de norte-americanos que toma vitamina D todos os dias na esperança de se proteger do câncer ou da doença cardiovascular.

Dr. Steven acrescentou que "a ideia de que baixos níveis de vitamina D são, de alguma forma, deletérios, pode ser apenas um reflexo de que as pessoas com baixos níveis de vitamina D não tomam sol suficiente ou não saem de casa e se exercitam o suficiente. Não sabemos a resposta, mas sabemos que a administração da vitamina D neste grande e muito bem feito estudo não demonstrou nenhum benefício".

"As expectativas eram altas"

No editorial que acompanha o estudo, o Dr. John F. Keaney Jr., médico da University of Massachusetts Medical School, em Worcester, e o Dr. Clifford J. Rosen, do Maine Medical Center Research Institute, em Scarborough, escreveram que os resultados do estudo são oportunos e relevantes, especialmente por causa da inadequação dos dados de ensaios sobre os efeitos dos suplementos de ômega 3 na prevenção primária da doença cardiovascular para a população geral.

"O estudo VITAL preencheu essa lacuna de conhecimento", escreveram os editorialistas. Além disso, "as expectativas eram altas de que o VITAL, com poder estatístico de detectar uma incidência 15% menor de novos casos de câncer com o tratamento ativo comparado ao placebo, e que incluiu 10 vezes o número de participantes dos outros estudos, pudesse fornecer uma resposta definitiva".

Embora os desfechos primários não tenham sido alcançados, os editorialistas escreveram que "outros aspectos deste estudo são dignos de nota", incluindo o fato de a suplementação não ter demonstrado benefícios para a saúde em uma ampla gama de níveis séricos de vitamina D.

Os editorialistas acrescentaram que "os desfechos secundários, sem dúvida, chamarão a atenção", mas alertam contra considerar esses resultados como evidências.

"A literatura médica está repleta de desfechos secundários empolgantes que fracassaram quando foram subsequentemente testados formalmente como desfechos primários em ensaios clínicos randomizados adequados", escreveram Dr. John e Dr. Clifford.

Portanto, "é prudente concluir que a estratégia da suplementação alimentar com ácidos graxos n-3 ou vitamina D como proteção contra eventos cardiovasculares ou contra o câncer tenha sofrido com a deterioração dos sinais do VITAL", escreveram os editorialistas.

O estudo foi copatrocinado pelo National Cancer Institute and the National Heart, Lung, and Blood Institute, com financiamento adicional do Office of Dietary Supplements, do National Institute of Neurological Disorders and Stroke e do National Center for Complementary and Integrative Health. A Dra. JoAnn Manson informou ter recebido subsídios do National Institutes of Health e suporte não financeiro das empresas Pharmavite LLC, Pronova BioPharma e Quest Diagnostics. Os possíveis conflitos financeiros dos outros autores do estudo estão listados no artigo original. A Dra. Jane Armitage informou ser pesquisadora-chefe do estudo ASCEND, que avaliou o ômega 3 comparado ao placebo, e que as doações de pesquisa foram feitas diretamente à University of Oxford pelas empresas Solvay, Abbott, Myland e Bayer para o ASCEND e da empresa The Medicines Company para o ensaio clínico ORION 4. O Dr. John F. Keaney  Jr. e o Dr. Clifford J. Rosen são editores associados do New England Journal of Medicine. O Dr. Steven E. Nissen informou não ter relações financeiras relevantes, mas informou ser responsável por um estudo com 13.000 pacientes avaliando altas doses de outro tipo de ômega 3.

American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2018. Session LBS.01. Apresentado em 10 de novembro de 2018.

N Engl J Med. Publicado on-line em 10 de novembro de 2018. 

Estratégia para manutenção do peso perdido

No tratamento do excesso de peso e obesidade, muito mais complicado do que emagrecer é manter o peso perdido.

Sempre digo que as estratégias de perda são diferentes das estratégias de manutenção, e que a manutenção é um processo ativo e não passivo.

Entre as inúmeras estratégias que cientificamente se mostram eficazes está o auto-monitoramento do peso.

Muita gente não gosta de se pesar, mas para essa difícil parte do tratamento que é a manutenção, se pesar é fundamental, pois permite reconhecer padrões que são engordativos ou não, mas o mais importante, permite que se perceba uma tendência de recuperação de peso antes que ele se torne muito grande.

Alguns estudos sugerem que esse “peso alerta” deva ser cerca de 2 kgs acima do peso de manutenção, mas isso varia de indivíduo para indivíduo. E é claro que não adianta se pesar, se não houver estratégias claras para perder o peso quando se chegar ao alerta.

De toda forma, se pesar e estabelecer o peso alerta talvez seja uma das estratégias mais fáceis da manutenção de peso, mas mesmo assim muito eficaz.

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico endocrinologista

FDA aprova a alegação de prevenção de doenças cardíacas para óleos com altos teores de ácido oleico

Azeite e alguns óleos vegetais e de sementes recebem alegação de saúde qualificada

O consumo de óleo com elevado teor de ácido oleico pode reduzir o risco de doença cardíaca coronária quando substitui a gordura saturada, anunciou a FDA.

A alegação de saúde qualificada, que não atingiu o nível de uma alegação de saúde autorizada devido a evidência científica limitada, será permitida em rótulos de embalagens de alimentos para óleos comestíveis contendo pelo menos 70% de ácido oleico, anunciou a agência em um comunicado da FDA, comissário Scott Gottlieb, MD.

A gordura monoinsaturada é encontrada no azeite de oliva, no óleo de girassol com alto teor de oleico, no óleo de cártamo com alto teor oleico, no óleo de canola rico em oleico e no óleo de alga oleico elevado.

A alegação especifica que "evidências científicas de apoio, mas não conclusivas, sugerem que o consumo diário de cerca de 1 1/2 colher de sopa (20 gramas) de óleos contendo altos níveis de ácido oléico, pode reduzir o risco de doença cardíaca coronária".

Também deve incluir o aviso de que o benefício advém da substituição de gorduras e óleos por gorduras saturadas, sem aumentar o número total de calorias consumidas.

A base para a alegação foi a constatação em seis dos sete pequenos estudos clínicos avaliados que o consumo de alto teor de óleo de ácido oleico baixou os níveis de colesterol se substituiu outros tipos de gorduras e óleos mais ricos em gorduras saturadas.

"Ao permitir tais alegações em rótulos de produtos alimentícios, nós da FDA também esperamos encorajar a indústria alimentícia a reformular produtos", disse Gottlieb em comunicado.

Os óleos com alto teor de ácido oleico não são relacionados ao Olestra, uma gordura artificial usada como aditivo alimentar que se tornou infame por causar diarréia intensa e vazamento anal.

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Metas muito altas de perda de peso afastam obesos de médicos

Não é fácil ser gordo. No trabalho, as pessoas pensam que você não vai ser tão produtivo quanto elas, já que não consegue dar conta nem de gerenciar o próprio corpo; na academia, que você não se esforça o suficiente para perder o excesso de peso; amigos e familiares enxergam uma espécie de fraqueza psicológica que impede que você siga regras simples, como comer menos e se mexer mais. 

Esse estigma não ajuda a maioria dessas pessoas a obter tratamento. Ao contrário, provoca isolamento —e são raras as pessoas que oferecem ajuda. Barreiras como essa estão cada vez mais presentes em debates travados por especialistas durante eventos como a Obesity Week, que aconteceu em Nashville (EUA) na semana passada.

Contra a obesidade parece que a discriminação é aceitável e não há vergonha em agir dessa forma. Dizem que a pessoa é preguiçosa. Esse sentimento é internalizado e fica ainda mais difícil promover mudanças”, diz Olivia Cavalcanti, diretora da Federação Mundial de Obesidade.

O preconceito contra as pessoas com sobrepeso e obesidade, afirmam os especialistas, não se sustenta se considerada sua fisiologia.

Mesmo quando uma pessoa perde peso, a tendência é que organismo reduza o gasto calórico e que a fome aumente, uma força de reação a todo o esforço realizado. Alguns dos estudos mais longos de dietas já conduzidos apontam que, mesmo em casos de sucesso, quase todo peso perdido é recuperado após alguns anos.

Depois de emagrecer a pessoa que era obesa ainda tem alterações no organismo que não deixam a doença ser apagada, diz o endocrinologista Bruno Halpern, que participou da Obesity Week, da mesma forma que uma pessoa não deixa de ser hipertensa por estar controlando a pressão com medicamentos.

“As pessoas pensam que, quando alguém emagrece, resolveu o problema e, se engordar de novo, será como engordar pela primeira vez. Não é. A tendência fisiológica é sempre engordar”, diz Halpern.

Ou seja, simplesmente adotar uma alimentação com menos calorias —uma das primeiras sugestões que especialistas e leigos dão ao obeso— é apenas parte da resposta.

“O gordo não tem culpa de engordar. Pouquíssimas pessoas sustentam o peso perdido só mudando padrão dietético e fazendo exercício —a taxa de sucesso é perto de zero. A pessoa se esforça, gasta dinheiro, se lasca, passa fome, mas ela acaba comendo mais e engordando porque é alavancada pelo instinto”, afirma o endocrinologista Antonio Carlos Nascimento.

MEDICAMENTOS

Drogas antiobesidade também têm eficácia limitada, com efeitos que chegam a até 9% do peso nos melhores casos —em média, as pessoas desejam perder 20%. Mesmo assim, muitos benefícios são observados em quem perde 10% do peso, como redução de risco de doenças cardiovasculares, melhor qualidade de sono e melhor controle das taxas de açúcar no sangue.

Apesar dos benefícios, o tratamento medicamentoso é 15 vezes mais raro entre pessoas com obesidade do que nas com diabetes, mesmo sendo doença subdiagnosticada e subtratada, diz Halpern.

Ou seja, há também um estigma ligado a essas drogas. Aí cria-se a oportunidade para suplementos alimentares que alegam benefícios na perda de peso —embora estudos robustos não mostrem benefício nesse sentido. “Muitas vezes o paciente toma remédio e não conta para ninguém, nem para outro médico, que não é a favor desse tratamento”, diz Nascimento. 

“O congresso foi uma excelente oportunidade para ver como a regulação fisiológica é complexa. Esquecemos que a pessoa, quando come menos, tem mais fome —e esquece de tratar a fome”, diz Halpern.

O tratamento da fome e outros que têm como alvo mecanismos cerebrais que controlam o gasto energético estão na mira da indústria e, se funcionarem, podem ser lançados daqui alguns anos, diz Kevin Grove, chefe da área de pesquisa em obesidade da farmacêutica Novo Nordisk. Os estudos, porém, estão ainda em fase bastante incipiente.

Uma pesquisa patrocinada pela empresa (apelidado de Action - Awareness, Care and Treatment In Obesity maNagement) e conduzido nos EUA com 3.600 pessoas aponta que, embora 71% dos obesos tenham procurado ajuda médica nos cinco anos anteriores para tratar do peso, apenas pouco mais da metade recebeu um diagnóstico formal de obesidade. E, no fim, apenas um quarto marcou retorno para tratar do assunto.

“Às vezes o paciente vai no ortopedista, no cardiologista, e eles falam para perder 20 kg. Parte dos médicos acham que, se não der certo, a falha é do paciente —e ele não volta ao médico, já que não perdeu o peso. Não se deve julgar o paciente, e sim acolhê-lo e tratá-lo”, afirma Halpern.

No estudo Action, mesmo entre os profissionais de saúde, há quase 30% que não se consideram responsáveis por auxiliar o paciente na briga contra o excesso de peso.

Idealmente, diz Halpern, deveria haver um acompanhamento pelo profissional para tentar manter o paciente motivado. “Muitas pacientes vão por um, dois, três meses no consultório. Vão muito bem e depois desaparecem. Todo mundo se acha entendido de obesidade. Vem o amigo e diz que há um jeito melhor… As pessoas dão muito palpite.”

“Muitas vezes o paciente pensa que vai ser acompanhado pelo médico por três meses e depois ir embora. Está errado. Não tem jeito: se o caso for grave, ou vai para a cirurgia ou vai ser um big brother com o profissional da saúde”, diz Nascimento.

Para especialistas, a melhor maneira de acabar com o estigma é por meio da educação, ao mostrar, com base em conjuntos de estudos, para profissionais e para o público, que a obesidade é muito mais complicada do que parece. 

Cerca de um terço dos adultos no mundo, ou 2 bilhões de indivíduos, têm obesidade ou sobrepeso.  O sobrepeso se dá quando o índice de massa corpórea (massa, em kg, dividida pelo quadrado da altura, em metros) é igual ou maior que 25 kg/m²; e a obesidade se o índice é igual ou maior que 30.

Sim, exercício físico realmente desempenha um papel na perda de peso

"O exercício não é realmente importante para a perda de peso" tornou-se um sentimento popular na comunidade de perda de peso. "É tudo sobre dieta", dizem muitos. "Não se preocupe tanto com exercícios."

Essa idéia surgiu em meio a infinitas teorias sobre dietas e perda de peso, e rapidamente ganhou popularidade, com apenas um artigo citando 60 estudos para apoiar e disseminar essa noção como um incêndio.

A verdade é que você absolutamente pode - e deve - colocar o exercício no seu caminho para a perda de peso. Então, por que alguém está dizendo o contrário?

Há 10 anos venho estudando a epidemia de tentativas frustradas de perda de peso e pesquisando o fenômeno de centenas de milhões de pessoas que estão embarcando em tentativas de perda de peso - depois desistindo. Enquanto isso, o exercício continua sendo a prática mais comum entre pessoas de rastreamento nacional que são capazes de manter a perda de peso com o tempo. 

Noventa por cento das pessoas que perdem peso significativo e conseguem manter o peso alcançado fazem exercício pelo menos uma hora por dia, em média.

Existem algumas razões que o exercício para perda de peso pegam uma fama ruim.

Primeiro, o público está procurando, em grande parte, uma solução rápida - e a indústria de dieta e perda de peso explora esse desejo do consumidor por uma solução imediata.

Muitos estudos demonstraram que o exercício altera a composição do seu corpo, melhora o seu metabolismo em repouso e altera as suas preferências alimentares. Esses fatos simples e simples resistiram ao teste do tempo, mas passam amplamente despercebidos em comparação com a maioria dos produtos dietéticos sensacionalizados (a mudança através do exercício ao longo do tempo é uma venda muito mais difícil do que uma “limpeza” de cinco dias). Além disso, muitas pessoas consideram que uma hora por dia para o exercício não é razoável ou pode ser impraticável, e procuram uma solução mais fácil em outro lugar.

Em segundo lugar, o desconhecido. Médicos e nutricionistas fizeram um péssimo trabalho em explicar a ligação entre exercício e hábitos alimentares, talvez porque eles geralmente existam como campos separados.

O exercício altera diretamente os nossos hábitos alimentares, o que significa que, na verdade, temos mais facilidade em fazer escolhas mais saudáveis ​​quando nos exercitamos ao longo do tempo. Sem exercício, mudanças abruptas nos hábitos alimentares, especialmente se resultarem em restrições calóricas, são muito difíceis de sustentar. Além disso, quanto mais tempo fizermos essas escolhas saudáveis, mais provável será que se tornem hábito.

Por exemplo, quando uma mulher de 42 anos de idade, com 1m65cm e 110 kg, decide perder peso por conta própria, é provável que ela se esforce para mudar abruptamente suas escolhas alimentares para legumes e peixe assado, principalmente porque sentir dores de fome esmagadoras (mas também por outras razões, como fadiga, dor, depressão e irritabilidade, entre outras coisas). 

Mas se levarmos essa mesma pessoa e aumentarmos a capacidade de exercício dele para um ponto crítico, essas escolhas se tornarão muito mais fáceis de suportar.

Em terceiro lugar, capacidade limitada. 

Exercício originalmente foi rebaixado após uma série de estudos que envolveu pessoas com sobrepeso ou obesidade procurando perder peso que tinham capacidade limitada para exercitar. 

Pedir a alguém com capacidade limitada de se exercitar para perder peso usando exercícios é como dizer a alguém para esvaziar uma piscina cheia de água com um copo de plástico. Não pode ser realizado em qualquer quantidade razoável de tempo. Então, quando você mede quanto peso eles podem “queimar” ao longo do tempo, a resposta não é muito, porque a maioria dos pacientes sedentários pode queimar 500 ou menos calorias por semana. 

Como resultado, a conclusão instável de que o exercício era menos importante para a perda de peso surgiu e foi rapidamente sensacionalizada.

O que falta nessa lógica, no entanto, é que as pessoas podem mudar a capacidade de exercício. À medida que a capacidade de exercício aumenta para um indivíduo sedentário e se aproxima de uma pessoa magra, a capacidade de perder peso com o exercício muda drasticamente.

É como dar ao participante de nosso exemplo de esvaziamento da piscina um balde ou até mesmo uma mangueira. 

A capacidade de correr por 30 minutos ininterruptos, ou andar de bicicleta por 60 minutos, é o que separa tantos supostos dietistas de suas contrapartes magras e é responsável pelas tentativas de perda de peso mais experimentadas e que falharam. 

Além disso, uma vez que a pessoa atinge um ponto crítico de capacidade de exercício, a experiência do exercício se torna mais agradável, e a experiência pode até ser divertida.

Então, você pode exercer o seu caminho para a perda de peso? 

Absolutamente. É claro que restrições abruptas de calorias resultarão em perda de peso a curto prazo, mas é extremamente difícil para as pessoas manter essa restrição por longos períodos de tempo, e a maioria acaba desistindo ou recuperando o peso perdido. 

Exercício, no entanto, é uma maneira testada e verdadeira de tornar as mudanças na dieta mais toleráveis. 

Concentrar-se no exercício e mudar a capacidade de exercício primeiro torna mais fácil, em última análise, fazer melhores escolhas alimentares e desfrutar de uma vida limpa, o que significa perda de peso significativa que pode ser mantida ao longo do tempo.

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Atividade física matutina mais comum entre adultos que mantêm a perda de peso

Adultos que mantêm a perda de peso têm padrões semanais mais consistentes de atividade física e são ativos no início do dia em comparação com outros grupos, de acordo com dados apresentados na reunião anual da ObesityWeek.

Os médicos devem estar promovendo a atividade física diária para quase todo mundo ”, disse Seth A. Creasy, PhD, um colega de pós-doutorado do Campus Médico da Universidade do Colorado em Anschutz, ao Endocrine Today. “A atividade física é particularmente importante para indivíduos que estão tentando gerenciar seu peso corporal. Os médicos podem usar essas informações para informar suas recomendações. ”

Creasy e seus colegas examinaram os padrões de atividade física de três grupos, concentrando-se em padrões diários e padrões temporais.

Na análise diária, os grupos foram compostos por mantenedores de perda de peso (n = 30; IMC médio de 23,7 kg / m²), que consistentemente mantiveram uma perda de pelo menos 13,6 kg por um ano ou mais; adultos com peso normal (n = 29; IMC médio de 22,7 kg / m²) e adultos com sobrepeso ou obesidade (n = 21; IMC médio de 32,9 kg / m²). A atividade física foi medida durante as horas de vigília por acelerômetro.

Diariamente, os participantes dos grupos mantenedor da perda de peso (P = 0,003) e peso normal (P = 0,002) tiveram menos tempo sedentário nos finais de semana em comparação com o grupo sobrepeso / obesidade. Os mantenedores de perda de peso também tiveram quantidades semelhantes de atividade física durante a semana e o fim de semana, enquanto os do grupo sobrepeso / obesidade tiveram um declínio na atividade física de dias úteis para dias de semana (P = 0,011).

Os pesquisadores também analisaram a atividade física por hora entre esses três grupos. Eles observaram que os mantenedores de perda de peso não apenas se envolviam em mais atividade física diária em comparação com os grupos de peso normal e sobrepeso / obesidade, mas também tinham um aumento significante na atividade dentro de 3 horas de acordar. Os mantenedores de perda de peso também estavam mais ativos no início da manhã e no início da tarde durante a semana e significativamente mais ativos durante a maioria de cada dia de final de semana.

Ficamos surpresos ao ver como os mantenedores ativos da perda de peso estavam no início da manhã. Embora especulativo, isso pode sugerir que o envolvimento na atividade pela manhã leva a níveis mais altos de atividade física diária ”, disse Creasy. “Você pode imaginar que uma pessoa que planeja fazer uma atividade à tarde pode ter barreiras que surgem e proibi-los de fazer sua atividade à tarde. Descobrimos também que os indivíduos que estão mantendo uma perda de peso significativa tomam quantidades semelhantes de passos nos dias úteis e fins de semana. Essa consistência no comportamento pode ser importante ”.

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O que os brasileiros sabem (e não sabem) sobre diabetes

Vale a pena ler a reportagem sobre uma pesquisa realizada acerca do tema: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-os-brasileiros-sabem-e-nao-sabem-sobre-diabetes/

Por que o risco de diabetes aumenta na gravidez? Que cuidados tomar? Por Cintia Cercato

Na semana do Dia Mundial de Diabetes, comemorado em 14 de novembro, acho importante falar sobre o diabetes gestacional. Trata-se de uma condição cada vez mais frequente, visto o aumento da obesidade entre as mulheres. O diabetes gestacional, como o próprio nome diz, é aquele que se inicia durante a gravidez. Mas por que na gestação aumenta o risco de diabetes?

Durante a gravidez, a placenta produz uma grande quantidade de hormônios que são importantes para o desenvolvimento fetal, mas que podem causar aumento na resistência à ação da insulina, principalmente nos dois últimos trimestres de gestação. O diabetes gestacional costuma aparecer por volta da 26ª semana de gravidez, quando a placenta começa a produzir maior quantidade desses hormônios

Algumas mulheres têm maior predisposição que outras para desenvolver o problema. De acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, são considerados importantes fatores de risco:

  1. Idade materna avançada;
  2. Sobrepeso, obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual;
  3. Deposição de gordura corporal na região abdominal;
  4. História familiar de diabetes em parentes de primeiro grau;
  5. Crescimento fetal excessivo, aumento do liquido amniótico, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual;
  6. Antecedentes obstétricos de abortamentos de repetição, malformações, morte fetal ou neonatal, macrossomia (bebês nascidos com mais de 4 kg) ou diabetes gestacional;
  7. Síndrome de ovários policísticos;
  8. Baixa estatura (menos de 1,5 m de altura).

Como identificar?

É muito importante que as novas mamães saibam que já na primeira consulta pré-natal deve ser solicitado o exame de glicemia de jejum. Se o valor encontrado for maior ou igual a 126 mg/dl, será feito o diagnóstico de diabetes mellitus franco na gravidez. Se a glicemia em jejum for maior que 92 mg/dl e menor que 126 mg/dL, será feito o diagnóstico de diabetes gestacional. Mas se a glicemia for 92 mg/dL, a gestante deve ser reavaliada no segundo trimestre.

Por volta da 24ᵃ e 28ᵃ semanas, costuma-se realizar um teste de sobrecarga oral de glicose para as gestantes que tiveram seu exame inicial abaixo dos 92 mg/dl. Nesse teste é dosada a glicemia de jejum e depois a paciente toma líquido contendo 75 g de glicose (açúcar). Após uma e duas horas, a glicemia é analisada. Se um único resultado vier alterado, já é feito o diagnóstico do diabetes gestacional.

Que cuidados tomar?

Uma vez diagnosticado é fundamental iniciar o tratamento. A boa notícia é que a maioria das mulheres consegue controlar a doença com uma dieta adequada e atividade física regular. Deve-se dar preferência ao consumo de carboidratos complexos de baixo índice glicêmico, como alimentos integrais, ricos em fibra.

A melhor maneira de saber se tudo está correndo bem é monitorar a glicose no jejum e após as refeições. Isso é realmente muito importante. Se o controle estiver inadequado será necessário iniciar tratamento farmacológico.

No geral, as mamães são supercuidadosas nessa fase, afinal estão protegendo o seu maior tesouro. E vale a pena! O controle adequado do diabetes na gestação evita complicações obstétricas e fetais. E hoje em dia sabemos que o ambiente uterino interfere na saúde futura do bebê.


Níveis sanguíneos mais altos de ômega-3 estão associados a um envelhecimento saudável

Altos níveis séricos de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (AGPI n-3) estão associados ao envelhecimento saudável em adultos – definido como sobrevida livre de doenças crônicas, tais como doença cardiovascular, câncer, doença pulmonar ou doença renal crônica grave –, segundo achados de um novo estudo.

Pesquisadores mensuraram os níveis cumulativos do fosfolipídio AGPI n-3 no plasma de 2.600 adultos por três vezes num período de 13 anos e encontraram uma associação entre maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa e uma chance 18% menor de envelhecimento não-saudável.

Mais especificamente, os AGPI n-3 provenientes de frutos do mar, ácido eicosapentaenóico (EPA), ácido docosapentaenóico (DPA) e ácido docosahexaenóico (DHA), estão associados ao envelhecimento saudável.

"Observamos que níveis mais altos de ômega-3 estavam associados a maior probabilidade de envelhecimento saudável. Também vimos que pessoas com os níveis séricos mais altos de ômega-3 reportaram maior consumo de peixe; cerca de duas porções por semana", disse a autora principal Dra. Heidi Lai, Ph.D., fellow de pós-doutorado, Friedman School of Nutrition Science and Policy, Tufts University, Boston, ao theheart.org/Medscape Cardiology.

"Este estudo confirma a indicação de maior consumo de frutos do mar, contida nas atuais diretrizes nacionais", disse a autora.

O estudo foi publicado on-line em 17 de outubro no BMJ.

Importância dos biomarcadores

"Estamos vivendo mais, mas não necessariamente de forma saudável e a qualidade de vida na terceira idade está se deteriorando", disse Dra. Heidi.

"Além das preocupações com a qualidade de vida, a longevidade sem saúde aumenta os custos do setor saúde. Como pesquisadores, queremos começar a concentrar na qualidade de vida em vez de na longevidade – um conceito que chamamos de envelhecimento saudável, que significa sobrevida livre de doenças crônicas e disfunções cognitivas ou físicas", explicou.

"Sabemos que os AGPI ômega-3 encontrados, principalmente, nos frutos do mar, trazem benefícios para a saúde do coração, mas pouco exploramos a influência dele em outras doenças crônicas e no envelhecimento saudável".

A maioria dos estudos prévios foi baseada em questionários sobre alimentação respondidos pelos pacientes, e poucos utilizaram biomarcadores para prover "uma medida complementar ao relato, com menor viés de memória e erros de estimação", segundo os autores.

Além disso, os biomarcadores facilitam muito a pesquisa sobre os efeitos de AGPI n-3 específicos, que incluem EPA de cadeia longa, DHA de frutos do mar e DPA metabolizado endogenamente (de forma menos importante, também derivada de frutos do mar). Ainda incluído nesta categoria, o ácido α-linoleico das plantas.

Importante ressaltar que todos os estudos prévios com biomarcadores utilizaram apenas uma medida de AGPI n-3 em seu início, e não acompanharam tendências ou mudanças ao longo do tempo.

Por isso, os pesquisadores utilizaram medidas em série de biomarcadores AGPI n-3 do estudo Cardiovascular Health, uma coorte prospectiva multicêntrica de idosos nos Estados Unidos, recrutados a partir de amostras aleatórias de indivíduos participantes do Medicare – seguro de saúde pago pelo governo dos EUA para pacientes idosos – para estudar a associação entre níveis de fosfolípides AGPI n-3 circulantes e a probabilidade de envelhecimento saudável.

O estudo Cardiovascular Health começou com 5.888 pacientes adultos ambulatoriais, recrutados em 1992 e 1993.

Para o presente estudo, após a exclusão de participantes que faleceram, tinham informações incompletas ou não participaram do acompanhamento, 2.522 participantes (média de idade de 74,4 com desvio padrão de 4,8, anos; 63,4% brancos; 10,8% não brancos) foram elegíveis para análise.

Os pesquisadores analisaram os níveis cumulativos de fosfolípides AGPI n-3 no plasma utilizando cromatografia gasosa em 1992 e 1993, em 1998 e 1999, e em 2005 e 2006, expressas na forma de porcentagem do total de ácidos graxos, incluindo o ácido α-linoleico de plantas, EPA, DPA e DHA de frutos do mar.

As informações sociodemográficas coletadas foram: idade, sexo, etnia, local de acompanhamento, educação e renda.

Os fatores adicionais foram: índice de massa corporal, atividade física (excluindo tarefas diárias), pressão arterial, lipídeos, tabagismo, autoavaliação de saúde, história familiar de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão, drogas para controle de lipídeos, depressão, osteoporose, consumo de álcool e hábitos alimentares.

Novo estudo
Os participantes com maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa tinham mais chance de ser do sexo feminino, brancos, ter maior renda, maior nível educacional e seguir um estilo de vida mais saudável.

Os pacientes no grupo mais alto consumiram cerca de uma porção diária a mais de peixe quando comparados com o grupo mais baixo.

Ao início do estudo, os níveis de AGPI n-3 eram semelhantes entre os participantes com envelhecimento saudável e os não saudáveis (critério de exclusão).

Durante o acompanhamento de um total de 21.803 pessoas-ano, 89% dos participantes tiveram um envelhecimento não saudável e 11% envelheceram de forma saudável – um desvio positivo, segundo os autores.

Após ajuste de múltiplas variáveis demográficas, de estilo de vida, riscos cardiovasculares, hábitos alimentares e outros ácidos graxos fosfolípides, maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa foram associados a menor probabilidade de envelhecimento não saudável, apesar do ácido α-linoleico não ter mostrado esta associação.

No geral, os participantes do grupo com o nível mais alto de AGPI n-3 de cadeia longa teve um risco 18% menor de envelhecimento não saudável (IC 95%, 3% a 30%; P = 0,001), comparado com os pacientes com menor nível de AGPI n-3 de cadeia longa.

Quando os AGPI n-3 foram analisados separadamente, observou-se que os grupos com níveis mais altos de EPA ou DPA – mas não de ácido α-linoleico ou DHA – tiveram risco de envelhecimento não saudável menor em 24% (IC de 95%, de 11% a 35%; P < 0,001) e 18% (IC 95%, de 6% a 29%; P = 0,003), respectivamente, em comparação com o grupo de menor nível.

Modelos lineares revelaram que os maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa, mas não de ácido α-linoleico, estavam consistentemente associados a menor probabilidade de envelhecimento não saudável, com o risco de envelhecimento não saudável diminuindo em 15% (para cada quintil) para EPA (IC 95%, de 6% a 23%), 16%  para DPA (IC 95%, de 5% a 24%), e 18% para AGPI n-3 de cadeia longa total (IC 95%, de 7% a 28%).

Após mais ajustes para potenciais mediadores, o DHA mostrou estar associado com um risco 12% menor para envelhecimento não saudável (IC 95%, de 0% a 23%), enquanto os resultados para os outros AGPI n-3 de cadeia longa permaneceram inalterados.

"Estudos prévios concentraram na relação entre o ômega-3 e os componentes individuais do envelhecimento saudável, mas nenhum os considerou em combinação", explicou Dra. Heidi.

"Nosso estudo traz novas evidências, avançando a pesquisa no campo do envelhecimento", disse.

"A segunda novidade do estudo é o uso de exames de sangue em série, em três pontos do estudo, que capturam a mudança ao longo do tempo, comparado com pesquisas que utilizam apenas uma medida no início".

Nenhuma conclusão sobre suplementação

O Medscape convidou Yeyi Zhu, cientista da divisão de pesquisa da Kaiser Permanente Northern California e professor adjunto assistente do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da University of California, em San Francisco (EUA), para comentar o estudo. Ele não fez parte do grupo de pesquisa.

Yeyi disse que este estudo "dá uma pista sobre a relação dos ácidos graxos ômega-3 provenientes dos frutos do mar e a maior probabilidade de envelhecimento saudável".


O cientista e coautor de um editorial que acompanha a publicação, fez uma ressalva; "Nota-se que o estudo focou nos níveis de ácidos graxos ômega-3 fosfolípides circulantes no plasma; não se pode fazer nenhuma conexão direta em relação à quantidade de alimentos consumidos ou mesmo de suplementos".

Dra. Heidi relatou que pesquisas prévias mostraram que a suplementação com ômega-3 não reduz o risco de doenças cardiovasculares.

Contudo, disse que, "nosso estudo não foi sobre suplementos, em vez disso consideramos os níveis séricos de ômega-3 provenientes de frutos do mar. Descobrimos que altos níveis estão ligados a maior chance de uma vida longa e saudável".

Esta pesquisa recebeu subsídios do National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). O estudo Cardiovascular Health recebeu subsídios do National Institute of Neurological Disorders and Stroke, com apoio adicional do National Institute of Ageing (NIA).

A Dra. Heidi Lai e o cientista Yeyi Zhu declararam não ter conflitos de interesses relevantes. As declarações dos outros autores constam na publicação original.

BMJ. Publicado on-line em 17 de outubro de 2018

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Pesar-se frequentemente é mesmo uma boa maneira de evitar ganho de peso?

Preocupação com peso corporal é algo infelizmente inserido na cultura da população como algo comum e aceitável. Eu digo infelizmente, pois ao contrário do que se imagina, a preocupação real não está relacionada à saúde ou melhora de hábitos de vida saudáveis, e sim relacionados à preocupação estética com o corpo. Assim, pesar-se em suas balanças de casa ou mesmo na balança da farmácia passou a ser um hábito incorporado em boa parte das pessoas e se tornou automático, mesmo para quem efetivamente não está preocupado com ganhos ou perdas de peso. E diante disto, para aquelas pessoas que estão insatisfeitas com seu corpo, e acreditam que perder peso seja uma solução, pesar-se se tornou uma obrigação. Acredita-se que, assim, será mais fácil manter o controle sobre o que deverá comer naquele ou no próximo dia para tentar perder ou manter o peso. Além disso, a autoavaliação de peso de forma frequente é muitas vezes recomendada por profissionais em intervenções para perda de peso, acreditando que supostamente pode prevenir o ganho de peso.

Mas será que funciona? Será que pode levar a consequências negativas?

Vamos ver o que nos dizem as evidências científicas?

Cito dois estudos que abordam este tema. O primeiro deles, uma publicação recente de agosto de 2018 por Rohde e colaboradores, que revelou que jovens adultos que se pesam mais frequentemente durante a semana apresentam maior ganho de peso que aqueles que se pesam menos frequentemente ao longo de dois anos de observação, relacionando também com maior risco de apresentarem episódios de compulsão alimentar e tendência a comportamentos compensatórios inadequados na tentativa inapropriada de promoverem de perda de peso. Estes achados sugerem claramente que a autopesagem deve ter efeitos negativos sobre a tentativa de controle de peso. Em revisão de literatura publicada em 2011 por Burke e colaboradores, em que 14 estudos que avaliaram monitorização de peso publicados entre 1993 e 2009 foram analisados, na associação entre automonitoramento e perda de peso, o nível de evidência era fraco (ou seja, monitorar-se com pesagens não determina perda de peso) por causa de limitações metodológicas. Esta revisão destacou a necessidade de estudos populacionais, para definição de medidas objetivas de adesão ao automonitoramento e estudos que estabeleçam qual o padrão necessário de autopesagem para a possibilidade de resultados bem sucedidos.

Mas, e por que será que isto ocorre?

É preciso entender que nosso peso corporal sofre influências de vários fatores comuns do dia a dia e uma oscilação diária é esperada, sem representar aumento ou diminuição real de adiposidade (tecido gorduroso). O quanto de líquidos se ingere em um dia, a frequência que se urina ou de ritmo intestinal, o grau de atividade física diária, o clima quente ou frio (que influencia nossas escolhas alimentares ou nossa hidratação) podem impactar no número exposto na balança sem representar real ganho ou perda de gordura corporal. Assim sendo, a pesagem frequente pode, por consequência de oscilações habituais de peso (sem valor clínico real), levar a insatisfações e frustrações que interferirão nos comportamento alimentar. E podem aparecer como episódios de compulsão ou exagero alimentar ou como tentativas inadequadas de compensação, como fazer restrição e jejuns ou aumentar a intensidade de atividade física, que representam sintomas de um comportamento alimentar transtornado.

Em resumo, as evidências sugerem que se pesar mais frequentemente foi associado com maiores ganhos futuros de peso e pode estar associada a um risco aumentado de início de comportamentos não saudáveis de controle de peso compensatório e posterior surgimento de comportamento alimentar transtornado. 

Autor: Dr. Alexandre Pinto de Azevedo, médico psiquiatra do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM) do IPq-HC-FMUSP

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Após o jejum intermitente, esses 3 homens não tomam mais insulina para diabetes - mas os especialistas enfatizam a cautela


Três pessoas com diabetes foram capazes de parar de tomar insulina após jejum intermitente, de acordo com um novo relatório

Mais pesquisas são necessárias para provar isso como um regime terapêutico potencial para diabetes

Especialistas não recomendam tentar uma dieta em jejum sem falar com seu médico primeiro

Três homens com diabetes tipo 2 usaram "jejum intermitente" para reverter sua dependência da insulina, de acordo com um relatório publicado na terça-feira - mas você não deve tentar sem supervisão médica, dizem especialistas.
O novo relato de caso diz que os três pacientes também perderam peso, e suas HbA1Cs, uma medida dos níveis de açúcar no sangue, melhoraram.

"Em geral, o conceito de reverter ou curar o diabetes ... não é bem aceito no campo da medicina", disse o Dr. Abhinav Diwan, professor associado de medicina, biologia celular e fisiologia na Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis. "Não é nem mesmo um objetivo terapêutico quando as pessoas começam a tratar diabéticos".

Os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças estimam que 9,4% dos americanos - cerca de 30,3 milhões de pessoas - têm diabetes, e quase um quarto deles não é diagnosticado. Noventa a 95% desses casos são diabetes tipo 2. 

Um adicional de 33,9% da população, ou 84,1 milhões de pessoas, têm pré-diabetes, diz a agência.

"O diabetes é a causa número 1 de insuficiência renal, amputações de membros inferiores e cegueira de início adulto", diz o CDC.

No estudo, os pacientes seguiram jejuns de 24 horas várias vezes por semana. 

Comiam apenas jantares nos dias de jejum, mas podiam beber água, café e caldo por toda parte. 

Eram todos homens, com idades entre 40, 52 e 67 anos, que haviam sido diagnosticados com diabetes 20, 25 e 10 anos antes, respectivamente.

Os participantes foram diagnosticados com diabetes tipo 2, que tem sido associada à obesidade e se desenvolve ao longo dos anos devido a uma combinação de genética e estilo de vida. 

Neste tipo, o corpo se torna menos responsivo à insulina, um hormônio que precisa para equilibrar a glicose na corrente sanguínea.

Isso é diferente do diabetes tipo 1, uma condição auto-imune na qual o pâncreas não produz insulina muito ou nenhuma. 

O jejum para aqueles com diabetes tipo 1 "pode ​​não ser seguro devido ao aumento do risco de hipoglicemia", disse Diwan, que não participou do novo estudo.

No entanto, ele pesquisou o jejum e diabetes em ratos, procurando pistas importantes no nível celular sobre como isso pode funcionar.

Quando se trata deste campo de pesquisa, ele disse, "estes são os primeiros dias, mas muito excitantes". 

O novo relatório não é um estudo definitivo, acrescentou ele; tem um tamanho de amostra pequeno, nenhum grupo de controle e acompanhamento limitado. 

A pesquisa existente em humanos também é difícil de comparar, porque é amplamente observacional, e como implementar o jejum não foi padronizado, disse Diwan.

"É muito claro que as pessoas que podem perder peso têm um melhor controle de açúcar no sangue ... [e] às vezes podem sair da insulina se não estiverem muito adiantadas em sua doença", disse Robert Gabbay, diretor médico do Joslin Diabetes Center. , um centro de pesquisa e assistência sem fins lucrativos em Boston afiliado à Harvard Medical School.

"O exemplo mais estabelecido disso são pessoas que fazem cirurgia bariátrica", acrescentou. 

"Eles perdem quantidades significativas de peso e alguns deles retiram todos os medicamentos".

Gabbay, que não estava envolvida no novo relatório, chama isso de "remissão" do diabetes em vez de "curar" porque, "até onde sabemos, ainda vale a pena fazer um exame oftalmológico anual, fazer uma triagem para doença renal e danos neurológicos", mesmo naquelas pessoas que normalizam seu açúcar no sangue, porque eles podem estar em risco contínuo ".

"Embora, honestamente, não haja pessoas suficientes para saber."

Especialistas como Fung estão pedindo mais pesquisas sobre este tópico, que não tem recebido muita atenção da comunidade científica em geral.

"O jejum intermitente tem estado no interior por muitos, muitos anos. Não há dados sobre isso", disse Fung, acrescentando que suas propostas para estudos maiores sobre jejum e diabetes foram negadas por dois hospitais de Toronto.

Ele disse que viu milhares de pacientes em seu programa, e o novo relatório, que levou dois anos para ser publicado e inclui apenas três pacientes, é parte de um esforço contínuo para mostrar evidências iniciais e defender estudos maiores.

O objetivo de não precisar mais de insulina não é apenas um objetivo relacionado à saúde, disse Fung; também pode significar não ter que comprar esses medicamentos, que são cada vez mais caros.

Mas, sem testes randomizados, Diwan disse que é difícil dizer quão eficaz é o jejum intermitente, qual é a melhor maneira de fazê-lo e quão sustentável pode ser a longo prazo.

No mínimo, "o jejum intermitente tem sido praticado em várias culturas", disse Diwan, citando sua própria cultura hindu como exemplo. "Então, isso te diz logo de cara que é uma coisa factível."

Gabbay disse que "há dados conflitantes" sobre dietas em jejum e perda de peso, incluindo estudos que sugerem que o jejum não é mais eficaz para perda de peso e manutenção do que a restrição calórica, e outras pesquisas mostram como algumas pessoas recuperam peso.

Nenhum dos homens no estudo teve episódios em que o açúcar no sangue caiu perigosamente baixo - conhecido como hipoglicemia - mas outros estudos sobre jejum e diabetes relataram esse risco. 

Ele pode aumentar se as pessoas continuarem a tomar a dose habitual de insulina durante o jejum, fazendo com que seus níveis de açúcar no sangue caiam, disse Fung.

"Claramente, há necessidade de cautela, porque as pessoas diabéticas são propensas a episódios de hipoglicemia, e a hipoglicemia pode ser fatal", disse Diwan. "As pessoas não querem colocá-las em risco pelo jejum sem consultar um médico".

Especialistas dizem que pode haver outros riscos para o jejum, como dores de cabeça, fadiga, náusea e insônia. 

Também pode ser menos seguro para alguns grupos de pessoas jejuar, incluindo mulheres grávidas e aquelas que tomam certos medicamentos.

Gabbay disse que o novo trabalho cumpre sua meta de garantir mais estudos, mas, por si só, é uma história de sucesso sobre apenas três pessoas - e uma delas seria "pressionada a tirar conclusões desse tipo de trabalho".

"Sempre nos preocupamos quando relatos de resultados dramáticos são apresentados, pois podem ser mal interpretados pelas pessoas", disse ele. "No mundo da dieta e perda de peso, as coisas realmente pegam rapidamente."

“Compartilhar é se importar”
Instagram:@dr.albertodiasfilho
Tradução de: Dr. Alberto Dias Filho - Médico endocrinologista

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Diabetes e atividade física: o exercício é tão importante quanto o medicamento

Embora o diabetes geralmente seja associado apenas ao tratamento medicamentoso e à mudança dos hábitos alimentares, a prática de atividades físicas também deve ser considerada um tipo de terapia para a doença. “O exercício é tão obrigatório quanto tomar remédio”, diz João Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa, de São Paulo.

O endocrinologista comparou os cuidados da doença a uma cadeira, na qual cada pé tem sua devida importância: o tratamento, a educação do diabetes, a reeducação alimentar e o exercício físico. “Infelizmente, hoje essa cadeira não se mantém em pé no Brasil. As pessoas precisam entender que são necessários pelo menos três desses itens para conviver com a condição, e quatro deles para viver confortável com ela”, explica o médico.

A prática de exercício físico melhora o controle metabólico tanto do diabetes tipo 1 quanto do tipo 2. Isso porque a atividade expõe a célula muscular a um trabalho e automaticamente essa célula começa a captar glicose independentemente de insulina. “O diabetes é a falta da insulina, mas quando você a repõe, a glicose cai. A diferença aqui é que o exercício faz a glicose cair sozinha”, conta Salles.

O ideal é seguir a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde): fazer 150 minutos de exercício por semana. Mas não pense que, para atingir essa meta, basta caminhar 30 minutos por dia. De acordo com o endocrinologista, é preciso realizar treinos aeróbicos, como corrida e natação, e anaeróbicos, como a musculação. “Enquanto o aeróbico queima aquela glicose que está em excesso, tendo uma ação mais curta, o resistido melhora a massa muscular como um todo, que é justamente onde o corpo pega a glicose. Nesse caso, o resultado é mais duradouro.”

Segundo Marco Petti, diretor médico e chefe de pesquisa clínica da Novo Nordisk, movimentar-se também diminui o tecido gorduroso periférico, que está associado ao aumento da resistência à insulina, ou seja, o controle da doença se torna melhor. “O impacto da atividade física na terapia é nítida. Nós acompanhamos um time de ciclistas com diabetes tipo 1. Para se ter uma ideia, no dia em que eles pedalam, chegam a usar uma aplicação de insulina por dia, quando em um dia normal usam cinco”, conta ele.

Riscos e cuidados

Por causa do tratamento com a insulina, quem tem a diabetes deve tomar cuidado ao praticar atividades físicas. “Alguns tipos de insulina têm picos, o que aumenta os riscos de hipoglicemia. Como o músculo queima a glicose na hora do exercício, se o paciente aplicar uma injeção, vai sofrer uma hipo”, explica Salles.

É por esse motivo que é preciso fazer uma consulta com um médico antes de começar a se mexer, para saber quando e onde tomar — injeções na barriga podem diminuir os riscos de hipo, já que a glicose demora mais para ser absorvida do que quando é aplicada na perna– ou se deve se alimentar de outra forma antes do treino, como comer um carboidrato.

“Depende muito de cada caso, mas isso não deve impedir ninguém de sair do sofá”, garante o médico. “O problema maior é não se exercitar.”

Treino e dieta são eficientes para emagrecer? Qual é a fórmula do sucesso?

A fórmula "dieta + atividade física" provavelmente é a mais usada por quem quer perder peso. Mas volta e meia vemos pessoas discutindo se a combinação realmente é eficaz. A dúvida faz sentido, afinal, muita gente que tenta emagrecer desse jeito --mesmo que poucos quilos -- não obtêm sucesso. 

De acordo com Durval Ribas Filho, médico e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a respostas é sim. "Pela Curva de Gauss (ou distribuição normal), que expressa os fenômenos biológicos inseridos dentro de um contexto estatístico, 16% das pessoas respondem maravilhosamente bem a exercício e dieta, 16% respondem muito mal e 68%, razoavelmente bem. Então, se considerarmos que 84% têm ótimo ou bom resultado, podemos dizer que essa combinação é mesmo eficiente", afirma.

E essa eficiência toda tem explicação: é que para emagrecer, grosso modo, seu corpo precisa gastar mais calorias do que você consome, o que é possível conseguir ao praticar exercícios e manter a alimentação controlada. Ribas Filho acrescenta que esse balanço energético negativo ainda se destaca por promover uma melhora geral na saúde. "Ele é a condição básica para aumentar a longevidade e evitar, controlar ou adiar o aparecimento de doenças crônico-degenerativas, como diabetes, hipertensão e Alzheimer", relata.

O sobrepeso é um problema multifatorial e o sucesso na perda de peso não vem de uma hora para outra. Ele só é atingido com paciência, persistência e foco. Buscar ajuda médica, em especial de um endocrinologista --para checar se está tudo em ordem com a parte hormonal --, e de profissionais das áreas de educação física, nutrição e psicologia é um ponto essencial. 

"Nem todos que iniciam esse processo por conta própria o fazem da maneira certa, e aí acabam inseguros, angustiados e sem resultados. O ideal é ser bem supervisionado nos diversos aspectos", indica Luna Azevedo, nutricionista da Clínica Nutrindo Ideais.

Mais: para que o ponteiro da balança desça, é fundamental que sua vida esteja equilibrada e o estresse, controlado. Claro que conseguir tudo isso não é tarefa fácil, porém, como o auxílio de um psicólogo ou psiquiatra, é possível. "As pessoas tendem a focar só no corpo e se esquecem do emocional. O problema é que quando não há uma estabilidade, a perda de peso se torna mais complicada", analisa Azevedo. 

Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), concorda: "É realmente importante ter todas essas orientações. E, junto com elas, deve-se fugir das propostas mirabolantes --sabemos que existem muitas por aí -- e ter metas realistas. Para emagrecer com saúde é necessária uma mudança comportamental para a vida toda, e não apenas momentânea."

Poucas calorias e atividade física intensa

A quantidade de calorias que devemos ingerir por dia para alcançar o chamado balanço calórico negativo é algo muito individual. No entanto, os especialistas dizem que esse número geralmente fica entre 1.200 e 1.500 --obviamente, proveniente de alimentos saudáveis e naturais: verduras, legumes, frutas, grãos integrais e carnes magras. Como falamos, um nutricionista é a melhor pessoa para definir os ingredientes e quantidades do seu cardápio, além do número de refeições por dia.

No quesito treino, estudos mostram que é importante mesclar exercícios aeróbicos intensos e musculação. Isso porque atividades como corrida e bike proporcionam grande gasto calórico, já o treino de força favorece a manutenção e o aumento da massa muscular --e quanto mais músculos você tem no corpo, maior é seu gasto calórico em repouso, o que vai contribuir para alcançar o gasto energético negativo.

O tempo de atividade varia de pessoa para pessoa, mas geralmente o recomendado é de pelo menos 30 minutos por dia, inclusive aos finais de semana, ou entre 45 e 60 minutos cinco vezes por semana. O tipo de exercício é uma escolha individual. O importante é optar por algo que você goste de fazer, não o que está na moda. Assim, você consegue tornar o treinamento um hábito prazeroso.



Diabetes, estamos próximos da cura?

Quarta doença que mais provoca mortes no Brasil, o diabetes está entre os maiores desafios da área da saúde da saúde. O problema preocupa pois aumentou bastante nos últimos anos e sua cura ainda não foi descoberta, apesar de estar cada vez mais próxima. 

Pacientes obesos com diabetes tipo 2 relataram não ter mais sintomas após fazer cirurgia bariátrica ou de redução de estômago. Entretanto, não há evidências de que isso continuaria em longo prazo, portanto, a operação não é comprovadamente uma cura para a doença.

A conclusão é a mesma quando se trata do diabetes tipo 1. Tem-se considerado o transplante de pâncreas para esses pacientes, mas o tratamento também não pode ser considerado uma cura, já que envolve riscos e não há doadores suficientes.

Felizmente, novos estudos animam os cientistas. "Hoje existe a ideia de 'cura' com células-tronco que podem ser modificadas para células do pâncreas, para dar aos pacientes a chance de voltar a produzir insulina", explica Stephen Gough, ex-professor e líder de grupos de pesquisa sobre diabetes, endocrinologia e metabolismo na Universidade de Oxford (Reino Unido) e diretor médico da Novo Nordisk.

A empresa criou, em parceria com a Universidade da Califórnia (EUA), um laboratório para desenvolver culturas de células-tronco justamente para pacientes com diabetes tipo 1. Já com a Universidade Cornell (EUA) foi desenvolvido um dispositivo de encapsulamento que protege as células beta que são transplantadas em pacientes de ataques de seus próprios sistemas imunológicos. A empresa estima que o primeiro estudo clínico possa ser iniciado já nos próximos anos. 

"Ainda não sabemos quando essa terapia estará disponível, mas queremos fazer com que isso funcione", conta Gough.

Estudos aumentam expectativa

Um trabalho científico publicado em abril por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também aumentou as expectativas quanto a uma possível cura para a doença.

Na pesquisa, 24 pessoas com a condição fizeram transplante de células-tronco e foram comparadas a 144 indivíduos que seguiram com o tratamento convencional. "Vimos que 84% dos doentes que se submeteram ao transplante ficaram livres das injeções de insulina em algum momento, enquanto nenhum paciente em tratamento convencional deixou de administrar o remédio", declarou o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri ao Jornal da USP. Após o procedimento, o sistema imunológico para de agredir as células produtoras de insulina localizadas no pâncreas.

Mesmo sem cura, há qualidade de vida

Marco Petti, diretor médico e chefe de pesquisa clínica da Novo Nordisk, acredita que ainda falta muito para a cura, mas que os tratamentos atuais mudaram a forma como diabético vive.

"Acho difícil fazer uma previsão de cura, mas temos buscas constantes e evolução de terapias. Só de pensar que começamos com a insulina, passando por medicamentos orais, insulinas de longa duração, imunossupressão e até células-tronco, é um avanço e tanto. A tendência é que fique cada vez mais fácil tratar e controlar o problema."

O diabetes é uma doença crônica, que, no momento, precisa ser tratada para sempre. Mas hoje os pacientes podem ter uma qualidade de vida muito boa.

"Eles só precisam se tratar. Hoje, metade das pessoas com diabetes não sabe que tem a doença. Da parcela que sabe, 50% não busca tratamento. Entre os que tratam a doença, metade não o faz do jeito certo, e dos que fazem, metade ainda pode ter consequências futuras. São poucos os que fazem tudo certinho (2% a 6%). O paciente que trata direito tem uma vida normal, apenas com alguns cuidados a mais. Entender e não negar a doença é o primeiro passo", conclui Petti.

*A jornalista viajou a convite da Novo Nordisk.

Meta-análise: menopausa antes de 45 ligado ao Diabetes tipo 2

- Insuficiência ovariana primária também associada a maior risco de doença

As mulheres que tiveram menopausa precoce ou insuficiência ovariana primária tiveram um risco maior de diabetes tipo 2, relataram os pesquisadores.

De acordo com uma revisão sistemática e meta-análise, as mulheres apresentaram 15% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 quando a menopausa começou antes dos 45 anos, em relação àquelas com início natural da menopausa aos 45-55 anos (OR 1,15; IC95% 1,04- 1,26, P = 0,003).

Da mesma forma, o principal autor do estudo, Panagiotis Anagnostis, MD, PHD, da Universidade Aristóteles de Thessaloniki, na Grécia, e colegas também descobriram que as mulheres que apresentaram falência ovariana primária - considerada menopausa antes dos 40 anos - tinham 50% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com mulheres com idade normal de início da menopausa (OR 1,50, IC 95% 1,03-2,19, P = 0,033).

Ampliando a associação, esse risco aumentado de diabetes também foi observado entre mulheres com menopausa precoce ou insuficiência ovariana primária quando comparadas com mulheres que passaram pela menopausa a qualquer momento após os 45 anos, incluindo menopausa normal ou tardia (OR 1,12), para menopausa precoce, IC 95% 1,01-1,23, P = 0,019, OR 1,53 para insuficiência ovariana primária, IC 95% 1,03-2,27, P = 0,035).

Apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD), Anagnostis explicou ao MedPage Today que, embora estes resultados fossem esperados pelo seu grupo, esta foi a primeira meta-análise publicada para confirmar esta hipótese.

"Alguns estudos foram publicados durante os últimos anos, produzindo resultados conflitantes em relação ao efeito da menopausa precoce sobre o risco de diabetes mellitus tipo 2. 

Então, pensamos que uma meta-análise esclareceria melhor essa questão crucial", explicou.

As pesquisas revisaram mais de 1.800 estudos das bases de dados Medline, Central e Scopus e, em última análise, limitaram a análise de 13 estudos de caso e coorte, fornecendo dados sobre mais de 190.000 mulheres na pós-menopausa com mais de 21.000 casos de diabetes tipo 2. 

Isso também incluiu um estudo holandês publicado recentemente que relatou que mulheres que tiveram menopausa prematura tinham mais de 3 vezes mais de diabetes tipo 2 em comparação com mulheres que experimentaram menopausa tardia - considerado o início da menopausa após os 55 anos de idade.

Devido a este risco elevado, as diretrizes atuais da Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos recomendam a triagem para o histórico de diabetes da mulher no momento da menopausa, particularmente devido ao aumento adicional do risco de doença cardiovascular tanto da menopausa quanto do diabetes.

"Os achados de nossa meta-análise devem ser levados em conta na construção de modelos prognósticos para detecção precoce de diabetes tipo 2 em mulheres, especialmente naqueles em situação de alto risco, para necessitar de estratégias de intervenção no estilo de vida e potencial terapia farmacêutica", recomendou Anagnostis.

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Autor: Dr. Alberto Dias Filho - Médico endocrinologista. 

Ozonioterapia: Justiça reitera prerrogativa do CFM de validar novos procedimentos

Decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região reafirmou o direito legal do Conselho Federal de Medicina (CFM) de validar novos procedimentos médicos no Brasil. Essa prerrogativa prevista na Lei 12.842/2013 estava sendo questionada como forma de suspender os efeitos de posicionamento do CFM quanto à proibição da prática da ozonioterapia no País.

O Conselho Federal de Medicina publicou, no dia 10 de julho, a Resolução nº 2.181/2018, que estabelece a ozonioterapia como procedimento experimental, só podendo ser utilizada em experimentação clínica dentro dos protocolos do sistema CEP/Conep. Anterior a essa norma, a Autarquia havia publicado dois pareceres com o mesmo entendimento. As deliberações do CFM vieram após a análise de uma série de mais de 26 mil estudos e trabalhos científicos sobre o tema.

Com a decisão da Justiça, exarada em agosto deste ano no processo nº 0812018-96.2018.4.05.0000, os médicos permanecem proibidos de prescreverem procedimentos deste tipo fora dos critérios estabelecidos pelo CFM, salvo em caráter experimental e em pesquisas científicas. Na decisão, o Judiciário negou a antecipação de tutela pretendida pela Associação Brasileira de Ozonioterapia (Aboz), sendo que o mérito da ação será julgado posteriormente.

Decisão - No despacho, o juiz Leonardo Augusto Nunes Coutinho destaca que as decisões do CFM se fundaram na ausência de evidência científica que justificasse a incorporação da ozonioterapia como prática médica. “Ora, se a autarquia federal (a quem cabe a analisar a eficácia das técnicas experimentais) se manifestou contrária ao uso da ozonioterapia pela classe médica, não há como este Juízo deferir, em exame preliminar, o pedido de tutela antecipada (permissão de uso da técnica)”, enfatizou. Resolução foi destaque no programa dominical Fantástico, em julho deste ano
Resolução foi destaque no programa dominical Fantástico, em julho deste ano


Segundo o magistrado, é inegável a complexidade da matéria, que exige conhecimentos técnicos aprofundados e análise mais detida, a qual só será possível no curso da demanda. Em sua análise, Coutinho também disse não vislumbrar plausibilidade na tese apresentada pela Aboz, “notadamente diante da aparente ausência de respaldo científico à prática da referida técnica”.

“A prescrição indiscriminada da ozonioterapia para tratar doenças diversas sem comprovação científica pode colocar em risco a vida de pacientes que, ludibriados por falsas promessas, optem por se submeter à técnica, abrindo mão do tratamento convencional com eficácia reconhecida”, disse, ao lembrar da reportagem exibida pelo programa Fantástico em julho deste ano.