sábado, 9 de fevereiro de 2019

15 estudos que desafiaram os dogmas da medicina em 2018

Os meus estudos favoritos são aqueles que desafiam o conhecimento corrente ou o dogma. Aqui estão 15 artigos que o fizeram em 2018, em ordem aleatória. (Alguns são do final de 2017).

1. Talvez o útero não seja estéril no final das contas, de acordo com uma notícia publicada no periódico Nature. https://www.nature.com/articles/d41586-018-00664-8

2. Probióticos (com antibióticos) podem protelar a cicatrização do intestino, em vez de acelerá-la, mostrou um artigo do periódico Cell. https://www.cell.com/cell/pdf/S0092-8674(18)31108-5.pdf

3. São as mutações somáticas que aumentam o risco de câncer quando envelhecemos, ou o declínio do sistema imunitário, como argumenta este artigo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)? https://www.pnas.org/content/115/8/1883

4. O "gene da fala e da linguagem", que se acreditava ter se tornado proeminente em humanos através da seleção positiva, pode não ser específico aos humanos, revelou este artigo do periódico Cell. https://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(18)30851-1

5. O diabetes do tipo 1 está sendo diagnosticado até os 60 anos de idade, muito depois da idade que se considerava inicialmente, de acordo com este estudo publicado no The Lancet. https://www.thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(17)30362-5/fulltext

6.  Os benefícios da quimioterapia combinada vão além de aditividade e sinergia, mostrou um estudo no periódico Cell (2017). https://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(17)31318-1

7. "Focar nos custos do final da vida não necessariamente significa 'desperdício'", demonstrou uma nova análise na Science. http://science.sciencemag.org/content/360/6396/1462

8. Laticínios: não são tão prejudiciais para a saúde? (The Lancet). https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(18)31812-9/fulltext

9. Ácido acetilsalicílico em baixa dose não protege contra eventos cardiovasculares e pode, na verdade, aumentar o risco, de acordo com um estudo publicado no New England Journal of Medicine. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1805819

10. O consumo de sal pode ser perigoso para pessoas com risco de eventos cardiovasculares e acidente vascular cerebral, mas apenas nas populações que consomem mais de 5 g de sal por dia, afirmou um estudo publicado no The Lancet. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(18)31376-X/fulltext

11. O diclofenaco, muito usado como analgésico, "confere risco para a saúde cardiovascular comparável ao não-uso, ao uso de paracetamol e ao uso de outros anti-inflamatórios não-esteroides", revelou um estudo publicado no BMJ. https://www.bmj.com/content/362/bmj.k3426

12. Não estava clara a função dos macrófagos no coração, mas, aparentemente, eles exercem algum papel na condução e no remodelamento cardíaco, de acordo com um estudo publicado nos periódicos Cell (2017) e Nature Medicine . https://www.cell.com/fulltext/S0092-8674(17)30412-9

13. Ela tem as mitocôndrias do pai: estudo publicado no periódico PNAS sugere que o DNA mitocondrial não é transmitido apenas através dos óvulos. https://www.pnas.org/content/115/51/13039

14. Vitamina D para prevenção de fraturas ósseas? Talvez não, afirmou uma metanálise publicada no The Lancet Diabetes & Endocrinology. https://www.thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(18)30265-1/fulltext

15. "Uma nova narrativa celular para doenças das vias respiratórias": o que está acontecendo na área de fibrose cística? (Nature). https://www.nature.com/articles/s41586-018-0393-7

13 dicas para ter mais autoestima

autoestima


  1. substantivo feminino: qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e demonstra, consequentemente, confiança em seus atos e julgamentos.


Como anda a sua autoestima? Você acredita na sua capacidade de realização? Se ama e se aceita como é? Tem vontade de assumir novos desafios? Para manter o equilíbrio e o foco no empreendedorismo, é importante ter a autoestima lá em cima. 

Empreender envolve encarar desafios, aprender a mexer com novas ferramentas, a administrar uma agenda com vários compromissos, dar atenção à família, aos projetos pessoais. E na correria do dia a dia, com mil atividades novas, muitas vezes não temos tempo suficiente para pensar, nem cuidar de nós mesmas.

É normal se sentir perdida, não saber por onde começar. Bate a dúvida se é isso mesmo que você quer fazer, se esse trabalho te faz feliz. Mas essa confusão de sentimentos surge quando deixamos nossa autoestima cair, quando deixamos de acreditar em nós mesmas. 

Manter a autoestima lá em cima é um trabalho diário. Quem nunca acordou querendo jogar tudo para o alto? Quem nunca quis passar o dia na cama simplesmente por não querer encarar o mundo lá fora? Autoestima não tem botão de liga e desliga. É preciso batalhar para conquistá-la. 

Mas também não é impossível. A autoestima é constituída pelas crenças que temos acerca de nós mesmos. Essas qualidades, capacidades, e modos de agir e gerir as nossas emoções formam o nosso ser, e são elas que constituem a nossa autoimagem.

A autoestima é o principal alicerce sobre o qual o nosso crescimento pessoal e emocional é formado. Assim, dependendo de como você se sente sobre si mesmo, ela afeta positiva ou negativamente as outras parcelas que constituem a sua vida: o trabalho, as relações e as razões pessoais mais importantes. 

A autoavaliação que fazemos todos os dias das nossas vidas de forma inconsciente é necessária e importante, pois é onde reside a origem da decisão de investir ainda mais, ou não, nos nossos talentos e realizações pessoais.

As pessoas que possuem uma autoestima alta e positiva são capazes de superar qualquer situação que traga uma dificuldade ou desafio todos os dias. No outro lado da moeda, quem mantém uma autoestima baixa só se permite limitar e fracassar.

13 dicas para ter mais autoestima

1 - Dê valor às suas vitórias

Essa é uma das melhores formas de melhorar a nossa autoestima pessoal. Para isso, tome consciência dos seus sucessos e conquistas já realizadas, e repasse aquilo que deseja alcançar no futuro.

Para ter uma boa autoestima, é necessário reconhecer em nós mesmos a capacidade de fazer as coisas bem feitas nas diferentes parcelas que compõem a nossa vida. E nunca podemos nos esquecer de nos esforçarmos para conseguir alcançar os nossos objetivos.

2 - Acredite em você

Nunca se esqueça de agir de forma coerente com o que você pensa e sente. Acima de tudo, nunca deixe de confiar em si mesmo. Lembre-se de que cada um de nós temos a nossa própria percepção da realidade, e por isso não precisamos nos preocupar tanto com o que os outros pensam.

E se você pensa demais na opinião dos outros, certamente já deixou de fazer muita coisa. Quais sonhos você tem deixado de lado por medo dos julgamentos alheios? Quais objetivos você deixou para trás por medo de fracassar?

3 - Concentre-se no positivo

Acostume-se a perceber e a valorizar as características boas que você tem e das quais sente orgulho. Os seus pontos fortes e fracos são um tesouro, pois fazem com que você seja extraordinário e único para qualquer outra pessoa. 

Por isso, evite pensamentos negativos e autodestrutivos. Foque no lado bom das coisas. Foque em dar o seu melhor todos os dias. E mesmo diante das dificuldades e desafios, concentre-se nos seus objetivos e valores mais nobres. 

4 - Pare de se comparar aos outros

Todos nós somos diferentes uns dos outros. Cada um com as nossas características que nos tornam únicos e especiais. Ninguém é melhor do que ninguém. A busca incessante pela comparação só enfraquece nossa autoestima. 

Só vale a pena fazer comparações se a finalidade for para obter uma aprendizagem positiva e prática. Compare-se com o que você era ontem! 

5 - Procure ser cada dia melhor

Concentre-se em melhorar aquilo que você considera que não está bom, que não está te fazendo feliz. Esta é uma boa forma de aumentar a sua autoestima pessoal, já que permite evoluir tanto interna como externamente. Identifique o que você gostaria de mudar ou conseguir.

Em seguida, trace um plano de ação para começar a avançar nas mudanças necessárias para alcançar seu objetivo. Isso vale para vida pessoal e profissional. Quais problemas da sua vida pessoal você precisa resolver para ficar em paz? O que você pode aprender de novo na sua área? Seja uma versão cada vez melhor de você mesmo.

6 - Elogie-se mais

Tente se fazer um elogio todos os dias. Você perceberá como o seu dia será diferente, como você se sentirá diferente. Elogie seu cabelo, sua pele, seu corpo, suas roupas, sua personalidade, seu jeito alegre, sua forma de analisar as coisas. Não importa, apenas elogie-se!

Parece bobo, mas é um exercício forte de autoconfiança e autoestima. Faça disso um hábito regular e você vai sentir-se muito mais segura. Pare de se menosprezar e se sentir inferior às outras pessoas. Isso só te faz mal!

7 - Faça uma lista dos seus pontos fortes

Quais são suas 10 melhores qualidades? Você sabe dizer sem pensar muito? Como não temos o hábito de nos elogiarmos, logo, não sabemos quais são nossas melhores qualidades, nossos pontos fortes. Tem gente que diz não ter nenhuma. Impossível!

Pegue uma folha branca e faça três listas: comece anotando 10 dos seus pontos fortes. Depois, coloque 10 de suas realizações, e, por fim, 10 coisas que você admira em si mesmo.

Elas não tem que ser grandes – um ponto forte pode ser tão simples como a capacidade de preparar um pão na chapa! Lembre-se de como você é uma pessoa legal e especial.

8 - Não seja tão dura com você

Muitas vezes nós somos muito mais exigentes com a gente do que com os outros. Se um colega de trabalho cometeu um pequeno deslize, você não vai repreendê-lo infinitamente. Mas e quando você comete o erro, parece que o mundo acabou?

Você merece o mesmo tratamento – não se abata. Em vez disso, trate-se com compaixão. Todo mundo erra. Faz parte da vida. Aprenda com os erros e tente fazer melhor na próxima vez. Ficar reclamando é perda de tempo…E o tempo de uma empreendedora é precioso.

9 - Esqueça o perfeccionismo

Você pode ser uma pessoa especial e única, mas você não é perfeita. Na verdade, ninguém é perfeito. Pense nisso! Você não pode sobreviver e prosperar sob o peso das expectativas irreais. Fique feliz pelas suas pequenas vitórias.

Não espere tudo estar perfeito e certinho para tomar uma decisão. Não espere ter todas as respostas para mudar de caminho. Simplesmente comece. No empreendedorismo, nem sempre tudo está perfeitamente pronto. Às vezes, é preciso ir na cara e na coragem.

10 - Aprenda com seus erros

Em vez de ficar se remoendo quando cometer erros, use-os como uma oportunidade de aprendizagem. Você ouve empreendedores citarem o tempo todo como fracassos se tornaram experiências de aprendizagem valiosas.

O mesmo se aplica a você, empreendedora ou não. Agora, você sabe que o não funciona, e você é melhor por isso. 

11 - Não dependa dos outros para ser feliz

Aprenda a ser feliz com você mesma. Entenda que você não precisa de ninguém para que sua vida seja boa. Não coloque essa responsabilidade no colo dos outros. Você é quem deve buscar pelo o que te faz feliz.

Se você precisa decidir algo, decida. Não espere que decidam por você. Quer viajar? Viaje. Por que esperar por alguém? Quer ir ao cinema? Vá sozinha mesmo. Quer conhecer um restaurante novo? Arrume-se agora mesmo e vá. Quer empreender? Empreenda. Você é capaz de fazer isso sozinha.

12 – Tenha metas

Se tem algo que mina com a nossa autoestima é a falta de metas. Não saber para onde ir desanima qualquer pessoa. Não saber qual caminho seguir é angustiante. Como manter a autoestima e a confiança se você não sabe nem quais são os seus objetivos?

Coloque os seus sonhos no papel e trace suas metas. Estabeleça cada passo que você precisa dar para alcançar seus objetivos. Isso será a sua motivação diária.

13 – Faça algo que você goste

O que você mais gosta de fazer? O que pode deixar o seu dia mais feliz e leve? Você gosta de correr? Relaxa fazendo yoga? Gosta de preparar um prato especial para família toda?

Procure colocar no seu dia a dia atividades que te façam feliz, que te deixam mais relaxada. Nem que sejam 10 minutos de alongamentos, uma ida rápida ao salão para fazer as unhas, ouvir aquela música animada durante o banho. Sua rotina não precisa ser chata e maçante. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Como se tornar um Nutrólogo ?

Semanalmente recebo mensagens via instagram, facebook ou aqui mesmo no blog, de profissionais médicos querendo saber o Modus operandi para se tornar um médico especialista em Nutrologia (nutrólogo.) 

A especialidade desde 2013 está em alta, tendo pouquíssimos profissionais atendendo por planos de saúdeA grande maioria dos que se intitulam nutrólogos, na verdade não o são.

Segundo o site do Conselho Federal de Medicina, somos 1047 Nutrólogos ativos e registrados no Brasil: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59#buscaMedicos



Fazer uma pós-graduação de Nutrologia somente, mesmo que na Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) não dá direito ao médico de se intitular Nutrólogo. Inclusive a própria ABRAN já se posicionou sobre o tema e publicou em seu site: http://abran.org.br/2018/07/20/obrigatoriedade-do-titulo-de-medico-nutrologo/

Do ponto de vista jurídico, aqueles que afirmam ser especialistas naquilo que não são, além de responder processo ético-profissional do Conselho Regional de Medicina, podem também ter que responder judicialmente. Já existindo jurisprudência no Brasil para esses casos, conforme divulgado pela mídia no ano passado.

Nutrólogo, Nutrologista (sim a grafia está correta) somente o é, aquele médico que fez a residência de Nutrologia ou tem o título de especialista em Nutrologia. Qualquer coisa fora disso, é aspirante a Nutrólogo ou usurpador de título alheio. 

Não compre gato por lebre. Quando for consultar com algum médico que se intitula Nutrólogo, verifique no site do Conselho Federal de Medicina se o mesmo é realmente Nutrólogo. Link: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59

Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que o Nutrólogo fará um trabalho superior ao de nutricionistas, quando na verdade é um trabalho complementar. O nutrólogo dá o diagnóstico, o nutricionista elabora o plano dietético. Essa integração promove um acolhimento melhor do paciente e um suporte mais completo. Além disso, os resultados são melhores. Experiência própria no meu consultório e no ambulatório do SUS. 

O que diferencia um médico nutrólogo de uma nutricionista é a formação (graduação). O nutricionista faz uma graduação que pode durar de 4 a 5 anos, dependendo da Instituição. Posteriormente, se quiser, faz especialização, residência multiprofissional ou pós-graduação e depois a prova de título de especialista na área.

O médico nutrólogo geralmente faz 6 anos de graduação de medicina, 2 anos de residência de clínica médica (ou cirurgia) e 2 anos de residência de nutrologia. Ou então (até 2016) o médico que tinha outra formação de base, como por exemplo endocrinologia. Ele fazia 6 anos de graduação em medicina, 2 anos de residência em clínica médica, 2 anos de residência em endocrinologia, 2 anos de residência em nutrologia OU pós-graduação da ABRAN, com posterior aprovação na prova de título de nutrologia.

O Nutrólogo não é um "nutricionista de luxo" como alguns ignorantes definem. O nutrólogo é um médico que entende de doenças nutricionais e da inter-relação dos nutrientes com nosso organismo. É o responsável por coordenar a Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN). 

Na atualidade a ABRAN possui uma pós denominada de Curso Nacional de Nutrologia (CNNutro), que ocorre anualmente em São Paulo.

Até 2016 a realização deste era praticamente obrigatória para quem desejava prestar a prova de título.

No edital da prova de 2018 tivemos uma nova mudança e na atualidade, aquele que deseja ser Nutrólogo deverá ter os seguintes pré-requisitos.

Opção 1: 
Cursar 6 anos de medicina + 
2 anos de residência de clínica médica e mais 2 anos de residência de Nutrologia (há 10 vagas no País inteiro - USP de Ribeirão Preto, USP São Paulo, UFRGS, BH).
Nesse caso não precisa prestar a prova de título. Basta ir ao CRM e solicitar o seu Registro de qualificação de especialista (RQE) em nutrologia.

Opção 2:
Fazer algum estágio ou Especialização em Nutrologia com prazo de formação mínimo de dois anos, sendo obrigatória carga horária anual de 2.880 horas (60h/semanais), distribuídas entre atendimento ambulatorial, atendimento em unidade de internação (hospitalar) e programa teórico.
SE comprovado isso, associado a uma declaração do chefe do serviço de nutrologia (titulado) e diretor clínico, pode-se prestar a prova de título.
No caso do estágio, segundo o edital o serviço tem que ser Credenciado à ABRAN. Sendo que a carga horária é de 60 horas semanais. No Brasil os únicos lugares que tem esse estágio são:
  • Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Hospital do Servidor Público Municipal): Três vagas
  • Programa de Treinamento Médico em Nutrologia do Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas de Gastroenterologia e Outras Especialidades (IBEPEGE - IGESP): Duas vagas.
  • Especialização em Nutrologia do Hospital São Joaquim da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência de São Paulo: Quatro vagas
Opção 3:
Atuar na área por 4 anos completos, em algum serviço de nutrologia que tenha atividade ambulatorial e hospitalar (obrigatoriamente) e esse serviço tem que ser reconhecido pela Associação Brasileira de Nutrologia.
Nesse caso o médico deve receber uma declaração de atuação na área durante os 4 anos completos. A declaração é emitida pelo chefe do serviço de nutrologia (o mesmo deve obrigatoriamente ser titulado em nutrologia) e pelo diretor clínico.
Muitos tem apenas a atuação em ambulatório ou consultório, não tendo a parte hospitalar conforme especificado no edital. Nesse caso, a inscrição fica a critério da AMB se aceita ou não. Além disso deve ter pontuação no currículo.  

Opção 4:
Possuir algum título de especialista +
Possuir 2 (dois) anos completos de atividade em Nutrologia em serviço hospitalar e ambulatorial em serviços reconhecidos pela Associação Brasileira em Nutrologia - ABRAN.
SE comprovado isso, com declaração do chefe do serviço de nutrologia (titulado em nutrologia) e do diretor clínico, além de ter 100 pontos de acreditação (uma espécie de currículo) o médico pode-se prestar a prova de título.

Além disso o médico deverá ter pontuação em um currículo de 30 pontos. Desde 2013 analiso a prova de título e converso com pessoas que foram aprovadas. A grande maioria leva cerca de 1 ano estudando e todos que foram aprovados tinham 30 pontos no currículo. 

O curso da ABRAN (CNNUTRO) fornece uma pontuação alta (10 pontos segundo o último edital de 2018) e vale a pena fazer. Porém somente o CNNUTRO não basta, é preciso fazer o CNNEP (8 pontos segundo o último edital) para ter uma pontuação mínima. O CNNUTRO pode pontuar duas vezes segundo a ABRAN, portanto é recomendado que se faça duas vezes o CNNUTRO e o CNNEP para ir para a prova, já com pelo menos 28 pontos de currículo. 

Além disso o médico deve comparecer aos congressos ou jornadas da especialidade e preferencialmente produzir trabalhos científicos (artigos científicos, poster em congressos, artigos de livros de nutrologia, participação em mesas redondas da área) para obter mais pontos. Pois é difícil alguém que não tem 30 pontos de currículo passar na prova. A média mínima a ser obtida na prova é 70 pontos de 100.

Ou seja, não basta apenas cursar o CNNUTRO/CNNEP, comprovar os 2 ou 4  anos de atuação hospitalar e ambulatorial, é preciso vivenciar verdadeiramente a especialidade e o principal, lutar para que ela cresça de forma ética.

Para aqueles médicos que tiverem interesse em saber como passei na prova de título de Nutrologia em Dezembro de 2017? Acesse meu site: www.provadetitulodenutrologia.com.br 
Lá você encontrar meu e-book no qual ensino toda a metodologia que utilizei para ser aprovado em terceiro lugar com 74,7% da prova. 

Sempre me perguntam se eu recebo estagiários no Ambulatório de Nutrologia (para depois fornecer a carta de atuação) que coordeno no SUS: Não!

Os únicos estagiários autorizados pela prefeitura, são os estudantes de Medicina das seguintes Universidades: IMEPAC, UNIRV, UNIFAN. 

Nesse caso é um convênio da prefeitura com as universidades e aí é um serviço de preceptoria, ao qual até o momento não estou credenciado. 

Médicos já formados não recebo no ambulatório e nem no consultório particular. 


Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico clinico geral e nutrólogo (CRM-GO 13192 | RQE 11.915)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Posicionamento CFO sobre Modulação Hormonal

No dia 29/01/2019 o Conselho Federal de Odontologia (CFO) publicou uma resolução proibindo a realização de terapias hormonais por cirurgiões-dentistas fora da sua área de atuação.

O CFO se une às entidades médicas em prol da saúde da população e corrobora com aquilo que o Conselho Federal de Medicina (CFM) vem há quase uma década lutando contra. 
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👉Link para o posicionamento do CFO:
http://sistemas.cfo.org.br/visualizar/atos/RESOLU%C3%87%C3%83O/SEC/2019/199 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Segundo as principais sociedades médicas brasileiras, em concordância com o CFM: não existe especialista em modulação hormonal. OU seja, não caia nessa! Não existe especialista em modulação hormonal e não há uma maneira segura de utilizar hormônio em quem não tem deficiência. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
👉 Para mais informações, consulte também os posicionamentos das entidades médicas sobre a “modulação hormonal” e a “medicina anti-aging”: ⠀

Conselho Federal de Medicina (CFM):
http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&id=23324)

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM):
https://www.endocrino.org.br/alerta-sbem-nao-existe-especialista-em-modulacao-hormonal/#.XC_dCrKMlik.facebook ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN):
http://abran.org.br/2018/07/04/posicionamento-sobre-a-modulacao-hormonal/ ⠀⠀

Sociedade Brasileira de Urologia (SBU):
http://portaldaurologia.org.br/medicos/destaque-sbu/nota-oficial/ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO):
https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/647-posicao-da-febrasgo-referente-ao-julgamento-da-segunda-turma-do-tribunal-regional-federal-da-5-regiao-sobre-o-tratamento-de-modulacao-hormonal-para-o-antienvelhecimento

Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBCO):
https://sboc.org.br/noticias/item/1461-posicionamento-da-sboc-sobre-o-nao-reconhecimento-de-especialista-em-modulacao-hormonal

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Posicionamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica sobre o não reconhecimento de especialista em modulação hormonal

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - SBOC segue preocupada com a divulgação de mensagens sobre o câncer por profissional autodeclarado "especialista em modulação hormonal".

A afirmação de não existência de células malignas, a atribuição do surgimento do câncer à carência de hormônio e a divulgação da cura da doença por meio do uso de reposição de testosterona são um absurdo científico e não encontram amparo em qualquer publicação médica respeitável. Mais que isso, são um desrespeito aos doentes que, na natural busca por tratamentos para seus males, veem-se sensibilizados a aceitar informações de indivíduos que oferecem promessas de cura.

A SBOC se vê na obrigação de esclarecer que a reposição de testosterora não tem ação significativa contra tumores, pode ter efeito deletério sobre o paciente em tratamento oncológico e, em alguns casos, tem mesmo a capacidade de acelerar a progressão do câncer e de aumentar o risco de morte.

A SBOC apoia o alerta emitido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM, em 4 de janeiro de 2019, sobre o não reconhecimento de especialista em modulação hormonal. O posicionamento da SBEM vem ao encontro da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1999/2012, que estipula que a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e com benefícios cientificamente comprovados.

Em face ao potencial dano da divulgação de supostos benefícios antitumorais da assim chamada modulação hormonal sobre pacientes com câncer, a SBOC acompanhará com atenção o desenrolar das denúncias já feitas junto aos órgãos criminais e de defesa profissional, com a expectativa de que tais afirmações sejam retiradas de circulação.

Dr. Sergio D. Simon
Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - SBOC

Fonte: https://sboc.org.br/noticias/item/1461-posicionamento-da-sboc-sobre-o-nao-reconhecimento-de-especialista-em-modulacao-hormonal?fbclid=IwAR2jhAe0hxfQpOpruzZsF312jB882LDcFOI6Lt3IaX2vuN6uY0iBGt9rlSg

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Atenção plena pode contribuir para a perda ponderal em obesos

Pessoas obesas tentando perder peso com os programas tradicionais poderiam ter resultados significativamente melhores se também aprendessem técnicas de mindfulness ou atenção plena, sugerem os resultados de um estudo feito no Reino Unido.

A Dra. Petra Hanson, pesquisadora do Warwickshire Institute for the Study of Diabetes Endocrinology and Metabolism no University Hospital Coventry, solicitou a mais de 50 pacientes obesos encaminhados para um programa de perda ponderal que participassem de sessões de atenção plena.

Os que completaram o curso de quatro semanas conseguiram perder significativamente mais peso em seis meses em comparação com os que não completaram o estudo ou com o grupo que não fez o curso.

Além disso, o estudo, publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em 18 de dezembro, mostrou que as pessoas que completaram o curso de atenção plena tinham maior autoestima e maior autoconfiança em relação à perda ponderal, e melhor relação com a alimentação.

Atenção plena e bem-estar

O autor sênior do artigo o Dr. Thomas Barber, também do Warwickshire Institute for the Study of Diabetes Endocrinology and Metabolism, disse em um comunicado que "a atenção plena tem um enorme potencial como estratégia para atingir e manter uma boa saúde e bem-estar".

"Com o crescente impacto das doenças crônicas no século XXI, muitas relacionadas com escolhas comportamentais do estilo de vida, é lógico que o foco seja permitir que a população tome decisões apropriadas sobre o próprio estilo de vida e capacitar as pessoas à subsequente mudança para um comportamento saudável", acrescentou.

"No contexto da obesidade e dos comportamentos relacionados à alimentação, demonstramos que as técnicas de atenção plena podem fazer exatamente isso".

Em entrevista para o Medscape, a Dra. Petra disse não ter ficado surpresa com a magnitude dos resultados, já que os participantes "adquiriram outras habilidades", como a consciência dos gatilhos emocionais para comer, passaram ter mais compaixão e aceitação de si mesmos e adotaram estratégias que contribuem para retomar o controle depois de uma eventual fuga da dieta.

"Sabemos que os pacientes obesos tendem a adotar um estilo de alimentação inconsequente, muitas vezes fazendo as refeições enquanto assistem televisão, comendo quando não estão com fome, e usando a comida como escape nas situações de estresse", disse a médica.

"Enorme potencial"

Destacando que se tornar mais consciente sobre os próprios hábitos alimentares não está relacionado com nenhum tipo de alimentação específica, a Dra. Petra afirmou que a atenção plena tem um enorme potencial de contribuir para a perda ponderal em longo prazo, não apenas reforçando a autoconfiança.

O enfermeiro Dan Howarth, chefe da instituição humanitária Diabetes UK, que não participou da pesquisa, comentou que "este estudo sugere que a atenção plena pode ser uma ferramenta útil para ajudar as pessoas a perderem peso e manterem hábitos alimentares saudáveis".

Dan disse ao Medscape que o estudo Diabetes UK's DiRECT mostrou que "a perda de peso feita com rigor pode fazer regredir o diabetes tipo 2 de alguns pacientes".

"Por isso, é fundamental descobrirmos mais acerca das contribuições psicossociais à perda ponderal, como a atenção plena, a fim de tornar a remissão uma opção realista para o maior número de pessoas com diabetes tipo 2".

Atenção plena ganha destaque

A atenção plena ou se concentrar no aqui e agora, tornou-se uma técnica amplamente adotada nos últimos anos, não apenas na psicoterapia, mas também para o tratamento de dor crônica, depressão e ansiedade.

Embora as mudanças no estilo de vida permaneçam, nas palavras dos pesquisadores, o "pilar do controle da perda ponderal" para pessoas obesas, elas são difíceis de implementar e não estão associadas a sucesso em longo prazo.


Desse modo, os pesquisadores partiram para determinar se a atenção plena poderia modificar os hábitos alimentares e a relação com a comida, além da autoconfiança em relação à perda ponderal.

Detalhes do estudo

Entre 2016 e 2017, os pesquisadores recrutaram 53 adultos com índice de massa corporal (IMC) > 35 kg/m² recém-encaminhados para um serviço especializado em controle de peso terciário no hospital universitário no qual atuavam.

Os pacientes participaram de quatro sessões em grupo, nas quais foram ensinados comportamentos alimentares baseados na atenção plena.

Os hábitos alimentares informados pelos próprios pacientes e o peso corporal foram avaliados no início do estudo, após a conclusão das sessões em grupo e no sexto mês do acompanhamento.

Dos 53 participantes, 33 completaram as quatro sessões de treinamento em atenção plena.

Os participantes que completaram o curso tiveram menos probabilidade de ser do sexo masculino do que os que não completaram (definidos como tendo comparecido a apenas uma ou duas sessões), com 21,2% versus 45,0%, respectivamente, e serem um pouco mais jovens, com uma média de idade de 44,4 anos em comparação aos 47,7 anos dos que não completaram.

Os que completaram as sessões também registraram menor peso no início do estudo do que os que não completaram, com 126,3 kg em relação a 147,7 kg (P = 0,03) e tiveram média mais baixa de IMC, 46,5 kg/m² vs. 51,6 kg/m² (P = 0,05), respectivamente.

A equipe observou que os participantes perderam significativamente mais peso durante o acompanhamento, com uma perda média aos seis meses em relação ao início do estudo de 3,1 kg (P = 0,002) em comparação a 0,9 kg entre os não que completaram (P = 0,34).

A conclusão do curso de atenção plena também foi associada a melhora significativa do estilo alimentar geral informado pelos próprios participantes, de 14,3 pontos (4%; P = 0,009), que ocorreu principalmente por mudanças nas atitudes em relação a comer besteiras.

Em seguida, os pesquisadores compararam os participantes que completaram o curso a um grupo de controle retrospectivo formado por 33 pessoas que tinham sido encaminhadas ao programa de perda ponderal sem fazer o treinamento de atenção plena.

Os autores observaram que os pacientes que fizeram o treinamento até o fim perderam em média 2,85 kg a mais do que os participantes do grupo de controle (P = 0,036), que perderam em média apenas 0,21 kg no mesmo período de acompanhamento.

Os participantes do grupo da atenção plena informaram ter gostado das sessões, valorizando a interação social com os outros pacientes e disseram ter aumentado a compaixão, a estima, o respeito e valorização de si mesmos.

Os participantes que fizeram o treinamento também disseram estarem mais aptos a planejar as refeições com antecedência e se sentiram mais confiantes e no controle da sua perda ponderal.

Não foi informado nenhum financiamento ou conflito de interesse.

J Clin Endo Metab 2018: jc.2018-00578. doi: 10.1210/jc.2018-00578

Fonte: https://portugues.medscape.com/verartigo/6503088?nlid=126984_4182&src=WNL_ptmdpls_190107_mscpedit_gen&uac=217917MV&impID=1854081&faf=1

Vinho tinto encabeça a lista de gatilhos comuns da migrânea

As bebidas alcoólicas, especialmente o vinho tinto, são consideradas um gatilho comum da migrânea, sugere uma nova pesquisa.

Em um estudo transverso com mais de 2.000 pacientes com crises de migrânea, as bebidas alcoólicas foram responsabilizadas por deflagrar as crises em mais de um terço (35,6%) dos entrevistados.

Entre as várias bebidas alcoólicas, o vinho – especialmente o vinho tinto – foi identificado como o que mais provavelmente provoca a migrânea (77,8%), enquanto a vodca foi a menos provável (8,5%). No entanto, apenas 8,8% dos participantes relataram que o vinho tinto sistematicamente provocou alguma crise.

"Pacientes com migrânea devem tomar cuidado ao beber vinho tinto durante as festas, para ficarem felizes em vez de sofrer com uma crise de migrânea depois do jantar", disse ao Medscape a Dra. Gisela Terwindt, neurologista do Leiden University Medical Center, na Holanda, e uma das autoras do estudo.

Os resultados foram publicados on-line em 18 de dezembro no periódico European Journal of Neurology.

"Não é como uma ressaca"
Na pesquisa, um terço dos 2.197 participantes disse que a migrânea geralmente começa três horas após o consumo de álcool e quase 90% disseram que o início da crise ocorreu em até 10 horas, independentemente do tipo de bebida alcoólica consumida.

"O fato de as crises começarem logo após a ingestão da bebida, mostra que não é como a cefaleia da ressaca e, portanto, o mecanismo subjacente é diferente do mecanismo da ressaca", observou a Dra. Gisela.

"É provável que exista uma combinação de gatilhos, incluindo fatores adicionais como a privação do sono e o período menstrual, que provocam crises de migrânea", acrescentou a pesquisadora.

A Dra. Gisela disse que também é importante observar que o consumo de bebidas alcoólicas não provocará crise todas as vezes. Ainda assim, um quarto dos pacientes disse que parou consumir bebidas alcoólicas ou nunca começou por causa dos supostos efeitos deflagradores.

Convidado a comentar o estudo para o Medscape, o Dr. Noah Rosen, médico e diretor do Northwell Health's Headache Center, em Great Neck, Nova York, disse que "é interessante o fato de a maioria das pessoas não achar que as bebidas alcoólicas deflagram crises, e menos pessoas ainda consideram isso um evento regular, mas uma minoria significativa ainda o faz.

"Mais pessoas evitam as bebidas alcoólicas por medo de desencadear uma crise, em vez do seu risco real, provavelmente porque a migrânea é um forte reforço negativo", disse Dr. Noah, que não participou do estudo.

O estudo sugere que "as pessoas que têm migrânea devem saber que as bebidas alcoólicas podem ser um fator de risco, particularmente quando associadas a outros gatilhos comuns como estresse, desidratação, falta de sono e pular refeições", acrescentou o comentarista.

"Se você optar por beber, deve ser com moderação, intercalando com bebidas não alcoólicas e espaçadamente", disse Dr. Noah.

O estudo foi financiado pelo Netherlands Organization for Scientific Research e pela European Community. A Dra. Gisela Terwindt informou ter recebido apoio independente das empresas NWO, ZonMW, Dutch Heart Foundation, Dutch Brain Foundation e da European Community. O Dr. Noah Rosen informou não ter conflitos de interesses relevantes.

Eur J Neurol. Publicado on-line em 18 de dezembro de 2018.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Consulta: SOMENTE PRESENCIAL

Hoje fui avisado que estão aplicando um golpe utilizando o nome de alguns profissionais da área da saúde, médicos e nutricionistas. Os golpistas agem via instagram, prometendo consultas online com nutrólogos e nutricionistas, via whatsApp. Então uma pessoa que comprou um desses pacotes, entrou em contato comigo, perguntando se eu conhecia esse perfil: https://www.facebook.com/gouveia.sci
Que tal perfil estava anunciando no facebook que trabalhava no meu consultório. 

Esclareci que tal pessoa nunca trabalhou comigo, expliquei que consulta somente presencial, que tal prática é proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Tive que fazer um boletim de ocorrência e agora dar entrada com investigação na delegacia de crimes cibernéticos e a minha advogada entrará com denuncia no Conselho Regional de Medicina, para que apurem melhor os fatos e alertem os médicos sobre esse tipo de golpe.

Portanto, peço aos meus leitores e seguidores do blog: Não caiam nesse tipo de golpe. Médico decente respeita as regras do Conselho Federal. Se virem algum perfil anunciando esse tipo de serviço: consulta online, denunciem o perfil. 

Peço a todos que também denunciem esse perfil no facebook. As medidas judiciais cabíveis ja estão sendo tomadas.

att


Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 | RQE 11.915 - Médico nutrólogo 



segunda-feira, 26 de novembro de 2018

VITAL: vitamina D e ômega 3 não trazem benefícios para doença cardiovascular ou câncer

Mais pesquisas não mostram nenhum benefício significativo da suplementação com vitamina D para a prevenção da doença cardiovascular (DCV) ou de câncer – e pouco benefício com os suplementos de ômega 3 , visto que os dois esquemas terapêuticos não alcançaram seus desfechos primários.

O Vitamin D and Omega-3 Trial (VITAL) é um dos maiores ensaios clínicos randomizados controlados com placebo examinando essas associações em uma população diversificada. O estudo teve quase 26.000 participantes, dos quais 5.100 eram negros.

Os dois desfechos primários foram o câncer invasivo de qualquer tipo e os eventos cardiovasculares maiores, representados por um composto de acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) e morte por causas cardiovasculares. Nem os participantes que receberam 2.000 UI por dia de vitamina D3, nem os que receberam 1 g por dia de ácidos graxos marinhos n-3 (ômega 3) apresentaram incidência significativamente menor de qualquer desfecho ao longo de cinco anos de acompanhamento em comparação com os que receberam placebo.

De acordo com pesquisas anteriores, essas descobertas não foram tão surpreendentes, disse a primeira autora do estudo, Dra. JoAnn E. Manson, médica do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School em Boston, Massachusetts (EUA), ao Medscape.

As notícias foram um pouco mais otimistas para alguns dos desfechos secundários, com uma redução de 28% do risco de infarto agudo do miocárdio isolado em todo o grupo recebendo ômega 3, e uma redução de 77% do risco de infarto agudo do miocárdio entre os participantes negros no grupo ômega 3.

"Então, houve fortes evidências neste estudo de que o ômega 3 estava reduzindo o risco de infarto agudo do miocárdio", disse a Dra. JoAnn.

"Os ácidos graxos não reduziram o risco de acidente vascular cerebral e, por isso, o desfecho primário composto não foi alcançado, mas acho que é importante observar cada componente separadamente".

Houve também um sinal de redução da morte por câncer entre os participantes que receberam vitamina D, acrescentou a pesquisadora.

Convidado a comentar, o Dr. Steven E. Nissen, médico e diretor do Department of Cardiovascular Medicine at the Cleveland Clinic em Ohio, disse que não estar impressionado com nenhuma das observações, constatando que os únicos benefícios dessas substâncias foram encontrados em "subanálises de subanálises ou em desfechos secundários, sendo consideradas geradoras de hipóteses em vez de evidências científicas" de algum tipo de benefício.

"Os resultados são interessantes, porém especulativos, e não devem levar a alterações das diretrizes ou a outras mudanças importantes na prática clínica", disse ao Medscape o Dr. Steven, que não participou da pesquisa.

Dito isso, o comentarista observou que o estudo de fato estabelece bases para futuras pesquisas, especificamente sobre a suplementação com óleo de peixe e seus efeitos para os participantes negros.

"Eu certamente encorajaria que isso fosse feito. Esses tipos de estudos que geram hipóteses, sejam bem-sucedidos ou não, sempre levantam boas questões", disse.

Os resultados foram apresentados em 10 de novembro no American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2018 e foram simultaneamente publicados on-line em dois artigos no periódico New England Journal of Medicine.

Projeto fatorial dois-a-dois

Os pesquisadores inscreveram 25.871 participantes saudáveis (50,6% mulheres; com média de idade de 67,1 anos) e os acompanharam por uma média de 5,3 anos. No desenho fatorial dois-a-dois, os participantes foram aleatoriamente designados para um dos quatro grupos de tratamento:


  1. Dois ativos: 2.000 UI/dia de vitamina D3 (colecalciferol) mais 1 g/dia de ômega 3 em suplementos de óleo de peixe (Omacor/Lovaza, GlaxoSmithKline);
  2. Vitamina D ativa mais placebo de ômega 3;
  3. Placebo de vitamina D mais ômega 3 ativo ou;
  4. Só placebos.


Além dos desfechos coprimários mencionados, o estudo teve vários desfechos secundários, como componentes isolados dos principais eventos do composto de eventos cardiovasculares; eventos expandidos de doença cardiovascular, que acrescentaram revascularização coronariana; e mortalidade global por câncer.

No total, 12.933 participantes receberam ômega 3 ativo em comparação a 12.938 que receberam placebo. Dentre eles, 386 dos primeiros e 419 dos últimos tiveram algum evento cardiovascular importante, o que não diferiu significativamente (hazard ratio, HR, de 0,92; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,80 a 1,06). Não houve redução significativa do risco de câncer.

Entre os desfechos secundários pré-especificados, houve redução do infarto agudo do miocárdio total com o tratamento (HR = 0,72; IC 95%, de 0,59 a 0,90; P nominal = 0,003). No entanto, não houve diferenças significativas entre os grupos de expansão do composto de doença cardiovascular, total de acidente vascular cerebral ou morte por doença cardiovascular.

Em outras análises, o consumo de ômega 3 foi associado a uma redução significativa de intervenção coronariana percutânea (HR = 0,78), infarto agudo do miocárdio fatal (HR = 0,50) e doença coronariana em geral, definida como infarto agudo do miocárdio + revascularização coronariana + morte por causas coronarianas (HR = 0,83). Embora estes desfechos tenham sido considerados como de interesse, não foram pré-especificados, então a Dra. JoAnn lembrou que devem ser interpretados com cautela.

Entre os subgrupos, houve uma redução de 40% do risco total de infarto agudo do miocárdio entre os membros do grupo do ômega 3, que consumiram menos de 1,5 porções de peixe por semana (P = 0,048), e uma redução de 19% dos principais eventos cardiovasculares.

"Acho que isso oferece respaldo adicional para a plausibilidade biológica" do suplemento, disse a Dra. JoAnn.

Além disso, a HR do total de infarto agudo do miocárdio foi de 0,23 para os participantes negros tomando ômega 3 em comparação com o placebo (número de eventos, 9 vs. 39, respectivamente; P = 0,001).

"Se essa descoberta for confirmada e reproduzida, isso poderá indicar uma abordagem muito promissora para a redução do risco coronariano entre os afro-americanos", disse Dra. JoAnn em um comunicado à imprensa.

A vitamina D ativa foi administrada em 12.927 dos participantes em comparação com 12.944 que receberam placebo. Não houve redução significativa dos desfechos de doença cardiovascular ou da incidência de câncer. Após a exclusão dos dois primeiros anos de acompanhamento (para levar em conta o período de latência do câncer), houve uma redução de 25% da morte por câncer entre os que receberam vitamina D (número de eventos, 112 vs. 149; P nominal= 0,02).

Por fim, não houve eventos adversos significativos com nenhum dos suplementos, nem aumento do risco de hipercalcemia com a vitamina D, nem aumento do risco de sangramento com o ômega 3. A média de adesão foi de 80% para todos os tratamentos ativos e os placebos.

Descobertas espúrias e especulativas

Após a apresentação da Dra. JoAnn em uma coletiva de imprensa, a Dra. Jane Armitage, médica da University of Oxford, no Reino Unido, observou que, embora este tenha sido um estudo bem conduzido e com poder estatístico adequado, uma população com diversidade étnica e um bom período acompanhamento, em geral foi expressivamente negativo.

"Me parece que precisamos aceitar que este foi um bom teste da hipótese de que a suplementação universal com uma dose decente de vitamina D não vale a pena", disse a Dra. Jane.

A médica acrescentou que, antes do início deste estudo, havia dados promissores provenientes de ensaios clínicos com o ômega 3, como uma metanálise de 10 grandes estudos e quase 78.000 participantes publicada em janeiro no periódico JAMA Cardiology.


Embora seus resultados não tenham mostrado redução significativa de nenhum evento de doença coronariana, como o número de infartos do miocárdio fatais ou não, alguns resultados ficaram próximos, disse a Dra. Jane.

No entanto, o desfecho negativo global dos grandes eventos cardiovasculares no estudo atual "foi um bom teste da hipótese, e praticamente refuta os benefícios que foram observados nos estudos observacionais", comentou.

"Embora o total de casos de infarto agudo do miocárdio tenha diminuído, esse é um desfecho secundário e, então, aprofundar isso é motivo de preocupação, porque me parece que sempre existe o risco de obter resultados espúrios", acrescentou a médica.

Dr. Steven ecoou estes comentários em uma entrevista para o Medscape, observando que o estudo, embora feito com rigor, mostrou benefícios apenas especulativos.

"Se você estudar um número suficiente de desfechos ou subgrupos secundários, encontrará sempre algo positivo. Portanto, essas análises de subgrupos e desfechos secundários não são evidências científicas confiáveis de benefícios", disse.

O Dr. Steven acrescentou que o estudo avaliou uma dose baixa de ômega 3, indo ao encontro de outros estudos que mostraram que "baixas doses de óleo de peixe dadas a pessoas que não são selecionadas por terem triglicerídeos altos não têm um efeito favorável nos desfechos cardiovasculares".

Ainda assim, o comentarista classificou este estudo como importante e disse estar feliz por ele ter sido realizado, especialmente por causa do grande número de norte-americanos que toma vitamina D todos os dias na esperança de se proteger do câncer ou da doença cardiovascular.

Dr. Steven acrescentou que "a ideia de que baixos níveis de vitamina D são, de alguma forma, deletérios, pode ser apenas um reflexo de que as pessoas com baixos níveis de vitamina D não tomam sol suficiente ou não saem de casa e se exercitam o suficiente. Não sabemos a resposta, mas sabemos que a administração da vitamina D neste grande e muito bem feito estudo não demonstrou nenhum benefício".

"As expectativas eram altas"

No editorial que acompanha o estudo, o Dr. John F. Keaney Jr., médico da University of Massachusetts Medical School, em Worcester, e o Dr. Clifford J. Rosen, do Maine Medical Center Research Institute, em Scarborough, escreveram que os resultados do estudo são oportunos e relevantes, especialmente por causa da inadequação dos dados de ensaios sobre os efeitos dos suplementos de ômega 3 na prevenção primária da doença cardiovascular para a população geral.

"O estudo VITAL preencheu essa lacuna de conhecimento", escreveram os editorialistas. Além disso, "as expectativas eram altas de que o VITAL, com poder estatístico de detectar uma incidência 15% menor de novos casos de câncer com o tratamento ativo comparado ao placebo, e que incluiu 10 vezes o número de participantes dos outros estudos, pudesse fornecer uma resposta definitiva".

Embora os desfechos primários não tenham sido alcançados, os editorialistas escreveram que "outros aspectos deste estudo são dignos de nota", incluindo o fato de a suplementação não ter demonstrado benefícios para a saúde em uma ampla gama de níveis séricos de vitamina D.

Os editorialistas acrescentaram que "os desfechos secundários, sem dúvida, chamarão a atenção", mas alertam contra considerar esses resultados como evidências.

"A literatura médica está repleta de desfechos secundários empolgantes que fracassaram quando foram subsequentemente testados formalmente como desfechos primários em ensaios clínicos randomizados adequados", escreveram Dr. John e Dr. Clifford.

Portanto, "é prudente concluir que a estratégia da suplementação alimentar com ácidos graxos n-3 ou vitamina D como proteção contra eventos cardiovasculares ou contra o câncer tenha sofrido com a deterioração dos sinais do VITAL", escreveram os editorialistas.

O estudo foi copatrocinado pelo National Cancer Institute and the National Heart, Lung, and Blood Institute, com financiamento adicional do Office of Dietary Supplements, do National Institute of Neurological Disorders and Stroke e do National Center for Complementary and Integrative Health. A Dra. JoAnn Manson informou ter recebido subsídios do National Institutes of Health e suporte não financeiro das empresas Pharmavite LLC, Pronova BioPharma e Quest Diagnostics. Os possíveis conflitos financeiros dos outros autores do estudo estão listados no artigo original. A Dra. Jane Armitage informou ser pesquisadora-chefe do estudo ASCEND, que avaliou o ômega 3 comparado ao placebo, e que as doações de pesquisa foram feitas diretamente à University of Oxford pelas empresas Solvay, Abbott, Myland e Bayer para o ASCEND e da empresa The Medicines Company para o ensaio clínico ORION 4. O Dr. John F. Keaney  Jr. e o Dr. Clifford J. Rosen são editores associados do New England Journal of Medicine. O Dr. Steven E. Nissen informou não ter relações financeiras relevantes, mas informou ser responsável por um estudo com 13.000 pacientes avaliando altas doses de outro tipo de ômega 3.

American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2018. Session LBS.01. Apresentado em 10 de novembro de 2018.

N Engl J Med. Publicado on-line em 10 de novembro de 2018. 

Estratégia para manutenção do peso perdido

No tratamento do excesso de peso e obesidade, muito mais complicado do que emagrecer é manter o peso perdido.

Sempre digo que as estratégias de perda são diferentes das estratégias de manutenção, e que a manutenção é um processo ativo e não passivo.

Entre as inúmeras estratégias que cientificamente se mostram eficazes está o auto-monitoramento do peso.

Muita gente não gosta de se pesar, mas para essa difícil parte do tratamento que é a manutenção, se pesar é fundamental, pois permite reconhecer padrões que são engordativos ou não, mas o mais importante, permite que se perceba uma tendência de recuperação de peso antes que ele se torne muito grande.

Alguns estudos sugerem que esse “peso alerta” deva ser cerca de 2 kgs acima do peso de manutenção, mas isso varia de indivíduo para indivíduo. E é claro que não adianta se pesar, se não houver estratégias claras para perder o peso quando se chegar ao alerta.

De toda forma, se pesar e estabelecer o peso alerta talvez seja uma das estratégias mais fáceis da manutenção de peso, mas mesmo assim muito eficaz.

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico endocrinologista

FDA aprova a alegação de prevenção de doenças cardíacas para óleos com altos teores de ácido oleico

Azeite e alguns óleos vegetais e de sementes recebem alegação de saúde qualificada

O consumo de óleo com elevado teor de ácido oleico pode reduzir o risco de doença cardíaca coronária quando substitui a gordura saturada, anunciou a FDA.

A alegação de saúde qualificada, que não atingiu o nível de uma alegação de saúde autorizada devido a evidência científica limitada, será permitida em rótulos de embalagens de alimentos para óleos comestíveis contendo pelo menos 70% de ácido oleico, anunciou a agência em um comunicado da FDA, comissário Scott Gottlieb, MD.

A gordura monoinsaturada é encontrada no azeite de oliva, no óleo de girassol com alto teor de oleico, no óleo de cártamo com alto teor oleico, no óleo de canola rico em oleico e no óleo de alga oleico elevado.

A alegação especifica que "evidências científicas de apoio, mas não conclusivas, sugerem que o consumo diário de cerca de 1 1/2 colher de sopa (20 gramas) de óleos contendo altos níveis de ácido oléico, pode reduzir o risco de doença cardíaca coronária".

Também deve incluir o aviso de que o benefício advém da substituição de gorduras e óleos por gorduras saturadas, sem aumentar o número total de calorias consumidas.

A base para a alegação foi a constatação em seis dos sete pequenos estudos clínicos avaliados que o consumo de alto teor de óleo de ácido oleico baixou os níveis de colesterol se substituiu outros tipos de gorduras e óleos mais ricos em gorduras saturadas.

"Ao permitir tais alegações em rótulos de produtos alimentícios, nós da FDA também esperamos encorajar a indústria alimentícia a reformular produtos", disse Gottlieb em comunicado.

Os óleos com alto teor de ácido oleico não são relacionados ao Olestra, uma gordura artificial usada como aditivo alimentar que se tornou infame por causar diarréia intensa e vazamento anal.

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Metas muito altas de perda de peso afastam obesos de médicos

Não é fácil ser gordo. No trabalho, as pessoas pensam que você não vai ser tão produtivo quanto elas, já que não consegue dar conta nem de gerenciar o próprio corpo; na academia, que você não se esforça o suficiente para perder o excesso de peso; amigos e familiares enxergam uma espécie de fraqueza psicológica que impede que você siga regras simples, como comer menos e se mexer mais. 

Esse estigma não ajuda a maioria dessas pessoas a obter tratamento. Ao contrário, provoca isolamento —e são raras as pessoas que oferecem ajuda. Barreiras como essa estão cada vez mais presentes em debates travados por especialistas durante eventos como a Obesity Week, que aconteceu em Nashville (EUA) na semana passada.

Contra a obesidade parece que a discriminação é aceitável e não há vergonha em agir dessa forma. Dizem que a pessoa é preguiçosa. Esse sentimento é internalizado e fica ainda mais difícil promover mudanças”, diz Olivia Cavalcanti, diretora da Federação Mundial de Obesidade.

O preconceito contra as pessoas com sobrepeso e obesidade, afirmam os especialistas, não se sustenta se considerada sua fisiologia.

Mesmo quando uma pessoa perde peso, a tendência é que organismo reduza o gasto calórico e que a fome aumente, uma força de reação a todo o esforço realizado. Alguns dos estudos mais longos de dietas já conduzidos apontam que, mesmo em casos de sucesso, quase todo peso perdido é recuperado após alguns anos.

Depois de emagrecer a pessoa que era obesa ainda tem alterações no organismo que não deixam a doença ser apagada, diz o endocrinologista Bruno Halpern, que participou da Obesity Week, da mesma forma que uma pessoa não deixa de ser hipertensa por estar controlando a pressão com medicamentos.

“As pessoas pensam que, quando alguém emagrece, resolveu o problema e, se engordar de novo, será como engordar pela primeira vez. Não é. A tendência fisiológica é sempre engordar”, diz Halpern.

Ou seja, simplesmente adotar uma alimentação com menos calorias —uma das primeiras sugestões que especialistas e leigos dão ao obeso— é apenas parte da resposta.

“O gordo não tem culpa de engordar. Pouquíssimas pessoas sustentam o peso perdido só mudando padrão dietético e fazendo exercício —a taxa de sucesso é perto de zero. A pessoa se esforça, gasta dinheiro, se lasca, passa fome, mas ela acaba comendo mais e engordando porque é alavancada pelo instinto”, afirma o endocrinologista Antonio Carlos Nascimento.

MEDICAMENTOS

Drogas antiobesidade também têm eficácia limitada, com efeitos que chegam a até 9% do peso nos melhores casos —em média, as pessoas desejam perder 20%. Mesmo assim, muitos benefícios são observados em quem perde 10% do peso, como redução de risco de doenças cardiovasculares, melhor qualidade de sono e melhor controle das taxas de açúcar no sangue.

Apesar dos benefícios, o tratamento medicamentoso é 15 vezes mais raro entre pessoas com obesidade do que nas com diabetes, mesmo sendo doença subdiagnosticada e subtratada, diz Halpern.

Ou seja, há também um estigma ligado a essas drogas. Aí cria-se a oportunidade para suplementos alimentares que alegam benefícios na perda de peso —embora estudos robustos não mostrem benefício nesse sentido. “Muitas vezes o paciente toma remédio e não conta para ninguém, nem para outro médico, que não é a favor desse tratamento”, diz Nascimento. 

“O congresso foi uma excelente oportunidade para ver como a regulação fisiológica é complexa. Esquecemos que a pessoa, quando come menos, tem mais fome —e esquece de tratar a fome”, diz Halpern.

O tratamento da fome e outros que têm como alvo mecanismos cerebrais que controlam o gasto energético estão na mira da indústria e, se funcionarem, podem ser lançados daqui alguns anos, diz Kevin Grove, chefe da área de pesquisa em obesidade da farmacêutica Novo Nordisk. Os estudos, porém, estão ainda em fase bastante incipiente.

Uma pesquisa patrocinada pela empresa (apelidado de Action - Awareness, Care and Treatment In Obesity maNagement) e conduzido nos EUA com 3.600 pessoas aponta que, embora 71% dos obesos tenham procurado ajuda médica nos cinco anos anteriores para tratar do peso, apenas pouco mais da metade recebeu um diagnóstico formal de obesidade. E, no fim, apenas um quarto marcou retorno para tratar do assunto.

“Às vezes o paciente vai no ortopedista, no cardiologista, e eles falam para perder 20 kg. Parte dos médicos acham que, se não der certo, a falha é do paciente —e ele não volta ao médico, já que não perdeu o peso. Não se deve julgar o paciente, e sim acolhê-lo e tratá-lo”, afirma Halpern.

No estudo Action, mesmo entre os profissionais de saúde, há quase 30% que não se consideram responsáveis por auxiliar o paciente na briga contra o excesso de peso.

Idealmente, diz Halpern, deveria haver um acompanhamento pelo profissional para tentar manter o paciente motivado. “Muitas pacientes vão por um, dois, três meses no consultório. Vão muito bem e depois desaparecem. Todo mundo se acha entendido de obesidade. Vem o amigo e diz que há um jeito melhor… As pessoas dão muito palpite.”

“Muitas vezes o paciente pensa que vai ser acompanhado pelo médico por três meses e depois ir embora. Está errado. Não tem jeito: se o caso for grave, ou vai para a cirurgia ou vai ser um big brother com o profissional da saúde”, diz Nascimento.

Para especialistas, a melhor maneira de acabar com o estigma é por meio da educação, ao mostrar, com base em conjuntos de estudos, para profissionais e para o público, que a obesidade é muito mais complicada do que parece. 

Cerca de um terço dos adultos no mundo, ou 2 bilhões de indivíduos, têm obesidade ou sobrepeso.  O sobrepeso se dá quando o índice de massa corpórea (massa, em kg, dividida pelo quadrado da altura, em metros) é igual ou maior que 25 kg/m²; e a obesidade se o índice é igual ou maior que 30.

Sim, exercício físico realmente desempenha um papel na perda de peso

"O exercício não é realmente importante para a perda de peso" tornou-se um sentimento popular na comunidade de perda de peso. "É tudo sobre dieta", dizem muitos. "Não se preocupe tanto com exercícios."

Essa idéia surgiu em meio a infinitas teorias sobre dietas e perda de peso, e rapidamente ganhou popularidade, com apenas um artigo citando 60 estudos para apoiar e disseminar essa noção como um incêndio.

A verdade é que você absolutamente pode - e deve - colocar o exercício no seu caminho para a perda de peso. Então, por que alguém está dizendo o contrário?

Há 10 anos venho estudando a epidemia de tentativas frustradas de perda de peso e pesquisando o fenômeno de centenas de milhões de pessoas que estão embarcando em tentativas de perda de peso - depois desistindo. Enquanto isso, o exercício continua sendo a prática mais comum entre pessoas de rastreamento nacional que são capazes de manter a perda de peso com o tempo. 

Noventa por cento das pessoas que perdem peso significativo e conseguem manter o peso alcançado fazem exercício pelo menos uma hora por dia, em média.

Existem algumas razões que o exercício para perda de peso pegam uma fama ruim.

Primeiro, o público está procurando, em grande parte, uma solução rápida - e a indústria de dieta e perda de peso explora esse desejo do consumidor por uma solução imediata.

Muitos estudos demonstraram que o exercício altera a composição do seu corpo, melhora o seu metabolismo em repouso e altera as suas preferências alimentares. Esses fatos simples e simples resistiram ao teste do tempo, mas passam amplamente despercebidos em comparação com a maioria dos produtos dietéticos sensacionalizados (a mudança através do exercício ao longo do tempo é uma venda muito mais difícil do que uma “limpeza” de cinco dias). Além disso, muitas pessoas consideram que uma hora por dia para o exercício não é razoável ou pode ser impraticável, e procuram uma solução mais fácil em outro lugar.

Em segundo lugar, o desconhecido. Médicos e nutricionistas fizeram um péssimo trabalho em explicar a ligação entre exercício e hábitos alimentares, talvez porque eles geralmente existam como campos separados.

O exercício altera diretamente os nossos hábitos alimentares, o que significa que, na verdade, temos mais facilidade em fazer escolhas mais saudáveis ​​quando nos exercitamos ao longo do tempo. Sem exercício, mudanças abruptas nos hábitos alimentares, especialmente se resultarem em restrições calóricas, são muito difíceis de sustentar. Além disso, quanto mais tempo fizermos essas escolhas saudáveis, mais provável será que se tornem hábito.

Por exemplo, quando uma mulher de 42 anos de idade, com 1m65cm e 110 kg, decide perder peso por conta própria, é provável que ela se esforce para mudar abruptamente suas escolhas alimentares para legumes e peixe assado, principalmente porque sentir dores de fome esmagadoras (mas também por outras razões, como fadiga, dor, depressão e irritabilidade, entre outras coisas). 

Mas se levarmos essa mesma pessoa e aumentarmos a capacidade de exercício dele para um ponto crítico, essas escolhas se tornarão muito mais fáceis de suportar.

Em terceiro lugar, capacidade limitada. 

Exercício originalmente foi rebaixado após uma série de estudos que envolveu pessoas com sobrepeso ou obesidade procurando perder peso que tinham capacidade limitada para exercitar. 

Pedir a alguém com capacidade limitada de se exercitar para perder peso usando exercícios é como dizer a alguém para esvaziar uma piscina cheia de água com um copo de plástico. Não pode ser realizado em qualquer quantidade razoável de tempo. Então, quando você mede quanto peso eles podem “queimar” ao longo do tempo, a resposta não é muito, porque a maioria dos pacientes sedentários pode queimar 500 ou menos calorias por semana. 

Como resultado, a conclusão instável de que o exercício era menos importante para a perda de peso surgiu e foi rapidamente sensacionalizada.

O que falta nessa lógica, no entanto, é que as pessoas podem mudar a capacidade de exercício. À medida que a capacidade de exercício aumenta para um indivíduo sedentário e se aproxima de uma pessoa magra, a capacidade de perder peso com o exercício muda drasticamente.

É como dar ao participante de nosso exemplo de esvaziamento da piscina um balde ou até mesmo uma mangueira. 

A capacidade de correr por 30 minutos ininterruptos, ou andar de bicicleta por 60 minutos, é o que separa tantos supostos dietistas de suas contrapartes magras e é responsável pelas tentativas de perda de peso mais experimentadas e que falharam. 

Além disso, uma vez que a pessoa atinge um ponto crítico de capacidade de exercício, a experiência do exercício se torna mais agradável, e a experiência pode até ser divertida.

Então, você pode exercer o seu caminho para a perda de peso? 

Absolutamente. É claro que restrições abruptas de calorias resultarão em perda de peso a curto prazo, mas é extremamente difícil para as pessoas manter essa restrição por longos períodos de tempo, e a maioria acaba desistindo ou recuperando o peso perdido. 

Exercício, no entanto, é uma maneira testada e verdadeira de tornar as mudanças na dieta mais toleráveis. 

Concentrar-se no exercício e mudar a capacidade de exercício primeiro torna mais fácil, em última análise, fazer melhores escolhas alimentares e desfrutar de uma vida limpa, o que significa perda de peso significativa que pode ser mantida ao longo do tempo.

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Atividade física matutina mais comum entre adultos que mantêm a perda de peso

Adultos que mantêm a perda de peso têm padrões semanais mais consistentes de atividade física e são ativos no início do dia em comparação com outros grupos, de acordo com dados apresentados na reunião anual da ObesityWeek.

Os médicos devem estar promovendo a atividade física diária para quase todo mundo ”, disse Seth A. Creasy, PhD, um colega de pós-doutorado do Campus Médico da Universidade do Colorado em Anschutz, ao Endocrine Today. “A atividade física é particularmente importante para indivíduos que estão tentando gerenciar seu peso corporal. Os médicos podem usar essas informações para informar suas recomendações. ”

Creasy e seus colegas examinaram os padrões de atividade física de três grupos, concentrando-se em padrões diários e padrões temporais.

Na análise diária, os grupos foram compostos por mantenedores de perda de peso (n = 30; IMC médio de 23,7 kg / m²), que consistentemente mantiveram uma perda de pelo menos 13,6 kg por um ano ou mais; adultos com peso normal (n = 29; IMC médio de 22,7 kg / m²) e adultos com sobrepeso ou obesidade (n = 21; IMC médio de 32,9 kg / m²). A atividade física foi medida durante as horas de vigília por acelerômetro.

Diariamente, os participantes dos grupos mantenedor da perda de peso (P = 0,003) e peso normal (P = 0,002) tiveram menos tempo sedentário nos finais de semana em comparação com o grupo sobrepeso / obesidade. Os mantenedores de perda de peso também tiveram quantidades semelhantes de atividade física durante a semana e o fim de semana, enquanto os do grupo sobrepeso / obesidade tiveram um declínio na atividade física de dias úteis para dias de semana (P = 0,011).

Os pesquisadores também analisaram a atividade física por hora entre esses três grupos. Eles observaram que os mantenedores de perda de peso não apenas se envolviam em mais atividade física diária em comparação com os grupos de peso normal e sobrepeso / obesidade, mas também tinham um aumento significante na atividade dentro de 3 horas de acordar. Os mantenedores de perda de peso também estavam mais ativos no início da manhã e no início da tarde durante a semana e significativamente mais ativos durante a maioria de cada dia de final de semana.

Ficamos surpresos ao ver como os mantenedores ativos da perda de peso estavam no início da manhã. Embora especulativo, isso pode sugerir que o envolvimento na atividade pela manhã leva a níveis mais altos de atividade física diária ”, disse Creasy. “Você pode imaginar que uma pessoa que planeja fazer uma atividade à tarde pode ter barreiras que surgem e proibi-los de fazer sua atividade à tarde. Descobrimos também que os indivíduos que estão mantendo uma perda de peso significativa tomam quantidades semelhantes de passos nos dias úteis e fins de semana. Essa consistência no comportamento pode ser importante ”.

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O que os brasileiros sabem (e não sabem) sobre diabetes

Vale a pena ler a reportagem sobre uma pesquisa realizada acerca do tema: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-os-brasileiros-sabem-e-nao-sabem-sobre-diabetes/

Por que o risco de diabetes aumenta na gravidez? Que cuidados tomar? Por Cintia Cercato

Na semana do Dia Mundial de Diabetes, comemorado em 14 de novembro, acho importante falar sobre o diabetes gestacional. Trata-se de uma condição cada vez mais frequente, visto o aumento da obesidade entre as mulheres. O diabetes gestacional, como o próprio nome diz, é aquele que se inicia durante a gravidez. Mas por que na gestação aumenta o risco de diabetes?

Durante a gravidez, a placenta produz uma grande quantidade de hormônios que são importantes para o desenvolvimento fetal, mas que podem causar aumento na resistência à ação da insulina, principalmente nos dois últimos trimestres de gestação. O diabetes gestacional costuma aparecer por volta da 26ª semana de gravidez, quando a placenta começa a produzir maior quantidade desses hormônios

Algumas mulheres têm maior predisposição que outras para desenvolver o problema. De acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, são considerados importantes fatores de risco:

  1. Idade materna avançada;
  2. Sobrepeso, obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual;
  3. Deposição de gordura corporal na região abdominal;
  4. História familiar de diabetes em parentes de primeiro grau;
  5. Crescimento fetal excessivo, aumento do liquido amniótico, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual;
  6. Antecedentes obstétricos de abortamentos de repetição, malformações, morte fetal ou neonatal, macrossomia (bebês nascidos com mais de 4 kg) ou diabetes gestacional;
  7. Síndrome de ovários policísticos;
  8. Baixa estatura (menos de 1,5 m de altura).

Como identificar?

É muito importante que as novas mamães saibam que já na primeira consulta pré-natal deve ser solicitado o exame de glicemia de jejum. Se o valor encontrado for maior ou igual a 126 mg/dl, será feito o diagnóstico de diabetes mellitus franco na gravidez. Se a glicemia em jejum for maior que 92 mg/dl e menor que 126 mg/dL, será feito o diagnóstico de diabetes gestacional. Mas se a glicemia for 92 mg/dL, a gestante deve ser reavaliada no segundo trimestre.

Por volta da 24ᵃ e 28ᵃ semanas, costuma-se realizar um teste de sobrecarga oral de glicose para as gestantes que tiveram seu exame inicial abaixo dos 92 mg/dl. Nesse teste é dosada a glicemia de jejum e depois a paciente toma líquido contendo 75 g de glicose (açúcar). Após uma e duas horas, a glicemia é analisada. Se um único resultado vier alterado, já é feito o diagnóstico do diabetes gestacional.

Que cuidados tomar?

Uma vez diagnosticado é fundamental iniciar o tratamento. A boa notícia é que a maioria das mulheres consegue controlar a doença com uma dieta adequada e atividade física regular. Deve-se dar preferência ao consumo de carboidratos complexos de baixo índice glicêmico, como alimentos integrais, ricos em fibra.

A melhor maneira de saber se tudo está correndo bem é monitorar a glicose no jejum e após as refeições. Isso é realmente muito importante. Se o controle estiver inadequado será necessário iniciar tratamento farmacológico.

No geral, as mamães são supercuidadosas nessa fase, afinal estão protegendo o seu maior tesouro. E vale a pena! O controle adequado do diabetes na gestação evita complicações obstétricas e fetais. E hoje em dia sabemos que o ambiente uterino interfere na saúde futura do bebê.