segunda-feira, 30 de março de 2020

5 locais com estratégias bem-sucedidas de combate ao coronavírus




Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Singapura e uma pequena cidade na Itália aplicaram medidas que ajudaram a mitigar a expansão dos contágios e mortes em seus territórios. 

É difícil encontrar alguém que não considere a pandemia da covid-19 a pior crise global desde a Segunda Guerra Mundial. 

Enquanto alguns países sofrem as piores consequências (China, Espanha, Itália e Estados Unidos), outros implementaram estratégias que retardaram a expansão do novo coronavírus.

E as estratégias são variadas: vão da massificação dos testes de vírus ao extremo isolamento social, quarentenas localizadas e até monitoramento da população mais vulnerável. Selecionamos essas "histórias de sucesso". Alerta de spoiler: todas fazem testes em massa, não apenas em pacientes graves. 

1. Por que a Alemanha tem um número tão baixo de mortes por covid-19 em comparação a outros países? 

Apesar de ser o quinto país com o maior número de infecções no mundo pela covid-19, o número de vítimas fatais do vírus é muito menor do que o de outros países que relataram números semelhantes de infecções, como Espanha, Itália ou Reino Unido.

"Embora não saibamos o motivo exato, a verdade é que recomendamos, a partir do momento em que ficamos sabendo da emergência, expandir o número de exames entre a população e, assim, reduzir a possibilidade de contágio", informou o Instituto Robert Koch de Virologia, responsável pela estratégia alemã contra a covid-19, quando consultado pela BBC. Uma das chaves para a baixa taxa de mortalidade pode ser a identificação precoce de portadores de vírus, o que retarda a propagação da doença. As autoridades alemãs indicaram que são capazes de realizar 160 mil testes de diagnóstico por semana. Outros países que também têm dezenas de milhares de infecções confirmadas reservam exames laboratoriais para confirmar quem tem o vírus para pacientes com sintomas mais preocupantes, e não testam aqueles com sintomas leves.

2. Como o Japão conseguiu controlar a covid-19 sem recorrer ao isolamento geral obrigatório ? 

Confrontado com a pandemia da covid-19, o Japão era um terreno fértil para o vírus causar estragos sérios: tem a maior proporção de pessoas com mais de 65 anos no planeta e um alto nível de consumo de tabaco, o que torna sua população mais vulnerável a doenças respiratórias.

Mas, ao contrário de outros países que recorreram ao isolamento social para limitar a propagação do vírus, os japoneses optaram por continuar se aglomerando em eventos públicos, como ao redor das famosas cerejeiras que começam a florescer nesta época do ano. Embora recomendem o distanciamento, as autoridades não impuseram à população as mesmas medidas extremas adotadas na China, Espanha ou Itália nas últimas semanas.

Comparado à China e à Coreia do Sul, as taxas de contágio e mortalidade do Japão são muito menores. Uma das razões por trás desses números pode ter sido a reação rápida do país para identificar focos de infecção e proteger a população mais vulnerável, bem como seu foco em "grupos de contágio". Segundo Kenji Shibuya, diretor do Instituto de Saúde da População do King's College, em Londres, o Japão é muito eficiente em testar pessoas em busca do vírus, identificar grupos de contágio e isolá-los. "A única maneira de lidar com qualquer pandemia é testar e isolar. E muitos países não ouviram. No Japão, eles estão desesperados para rastrear os infectados. E estão indo bem em termos de de identificar e isolar os grupos doentes", disse à BBC News Mundo (serviço da BBC em espanhol).




domingo, 22 de março de 2020

Nutrientes e o sistema imunológico -



Vídeo educativo elaborado pela Associação Brasileira de Nutrologia, mostrando o papel dos nutrientes no nosso imunológico.

domingo, 15 de março de 2020

Novo corona vírus (Covid-19): Prevenção, Nutrologia baseada em evidências e soroterapia.



Com a declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS) que o novo corona vírus (Covid-19) tornou-se uma pandemia, “brotaram” na internet uma quantidade imensurável de fake news. E para piorar a situação, alguns profissionais da área da saúde começaram a propagar que aplicam em seus consultórios, soros endovenosos com finalidade de aumentar a imunidade. O que me deixa revoltado é saber quem há pessoas que gastam mais de 5 mil reais nessas aplicações, com a ilusão de que infusão de vitaminas, minerais e aminoácidos vão realmente potencializar a imunidade e protegê-las de uma possível infecção pelo Covid-19. Nas redes sociais surgiram inúmeros falsos nutrólogos divulgando esse tipo de terapia. O que levou a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN) a emitirem pareceres sobre o tema.



Sendo assim, eu como médico Nutrólogo me vejo no dever de deixar claro para os meus pacientes, e para quem me acompanha no blog, site e redes sociais minha opinião sobre o tema. É revoltante ver colegas da área da saúde se aproveitando de um momento tão crítico como esse. Profissionais vendendo ilusões. Fico indignado por saber quem sempre existirá quem pagará para ser enganado. Assim como pagam por prescrições de Anabolizantes, dieta hCG, uso de hormônios sem necessidade, exames sem validação científica.



Meus posicionamentos:
1) NÃO existe soro endovenoso para imunidade. Vários nutrientes podem ter ação sobre o sistema imunológico: Zinco, Vitamina C, Vitamina D, Vitamina A, Selênio, Cobre, Ácido fólico, Fibras, Aminoácidos, Carboidratos e Ácidos graxos. Mas devem ser utilizados pela alimentação e se de acordo com os exames laboratoriais (existir deficiência) ou baseado no inquérito alimentar o Nutrólogo/Nutricionista detectar que a ingestão de determinado nutriente está baixa, aí sim postula-se a suplementação. Exemplo: vegetarianos com baixo consumo de Ferro, B12, Zinco e ômega 3. Ou pacientes submetidos a cirurgia bariátrica.

2) NÃO existe na Nutrologia essa prática de Soros aplicados em consultório: exceto infusão de micronutrientes específicos em situações especiais como déficit de Ferro, déficit de B12, Hiperemese gravídica, Pacientes pós-bariátricos refratários ao tratamento via oral, Pacientes com Síndrome do Intestino Curto ou qualquer outra situação na qual o trato digestivo não pode ser utilizado ou não está "funcionante". Ou seja, são situações muito específicas.

Recomendações baseada em evidências, para a prevenção da infecção pelo Covid-19:
1) Ingerir pelo menos 30ml/kg/dia de água.
2) Manter uma dieta adequada, balanceada, com o mínimo de alimentos ultraprocessados. 
3) Ter pelo menos 7 a 8 horas de sono por noite. 4) Lavar bem as mãos, várias vezes ao dia. 
5) Usar álcool gel. 
6) Passar álcool gel nas superfícies em que várias pessoas entram em contato. 
7) Evitar contato físico com terceiros e se o fizer, utilizar álcool gel. 
8) Evitar aglomerações ou reuniões. Se tiver como trabalhar via home office é recomendado. Reuniões via internet também auxiliam. Isolamento social temporário é uma medida eficaz para evitar a propagação do vírus. 
9) Quando espirrar ou tossir coloque a mão ou o braço. Se apresentar qualquer tipo de sintoma respiratório inicie o uso de máscara cirúrgica e procure uma unidade de saúde. 
10) Se você cuida/convive com idosos, utilize máscara e redobre os cuidados. 
11) Não faça jejuns ou dietas restritivas, pois podem interferir na resposta imune. Assim como atividade física extenuante. 



Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 RQE 11915

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

5 dias pro Natal e já tem paciente se martirizando...



5 dias pro Natal e já tem paciente se martirizando... Aproveitem as festas. Divirtam-se e comam de forma consciente.

Felicitações



Minha gratidão a todos vocês que acompanham esse blog desde 2013. Que sempre comentam, mandam mensagens via comentários ou redes sociais. Vocês que me motivam a continuar escrevendo e compartilhando informações de qualidade.

Desejo a todos um Feliz Natal e um excelente 2020.

Abraço

Dr. Frederico Lobo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

HIV - Em que a Nutrologia pode auxiliar ?

A AIDS é uma doença ocasionada pelo Human Immunodeficiency Virus  (HIV) ou vírus da imunodeficiência humana, que leva a uma depleção imunológica. Durante a infecção inicial, o portador do HIV passar por um breve (as vezes menos de 14 dias) período doente, com sintomas semelhantes aos da gripe. Normalmente isto é seguido por um período prolongado sem qualquer outro sintoma. À medida que a doença progride, ela interfere gradativamente no sistema imunológico, tornando a pessoa muito mais propensa a ter outros tipos de doenças, como infecções oportunistas e câncer, que geralmente não afetam as pessoas com um sistema imunológico saudável.
Antes de tudo faz-se necessário compreender, que HIV e AIDS são diferentes. Nem todo paciente HIV (soropositivo) tem AIDS mas todo paciente com AIDS é HIV. A AIDS é a depleção imunológica ocasionada pelo vírus. Ela se manifesta através de infecções por agentes (vírus, fungos, bactérias) que quando presentes em um indivíduo imunocompetente (sadio) o organismo conseguiria resolver o processo infeccioso. Ou seja, o indivíduo fica vulnerável a agentes que normalmente não são “tão patogênicos” para alguém que esteja com o imunológico saudável.
A evolução da infecção divide-se em quatro estágios:
– (1) infecção aguda pelo HIV;
– (2) infecção crônica assintomática;
– (3) infecção sintomática e
– (4) SIDA ou HIV avançado

A primeira razão para esse post é que quase semanalmente recebo no ambulatório de nutrologia (SUS) pacientes soropositivos. Eles vêm encaminhados pelo serviço de infectologia do município. Ao encaminhar o paciente, o infectologista acredita que um suporte nutricional adequado possa ser útil e que esse suporte possa alterar o curso da doença e o seu prognóstico. A segunda razão, é que há pouco material sobre o tema, até mesmo nos livros de nutrição/nutrologia.
Felizmente o suporte nutricional combinado com o tratamento convencional (médico) com infectologistas (é inegável que a terapia anti-retroviral mesmo com todos seus efeitos colaterais é um grande avanço no tratamento da doença) gera bons resultados. Vejo isso nos inúmeros pacientes atendidos ao longo desses anos. Acredito e defendo que um suporte nutricional adequado possa mudar o prognóstico da doença.
Segundo o Projeto Diretrizes publicado em 201: Terapia Nutricional na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS), de autoria da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral e a Associação Brasileira de Nutrologia: “O estado nutricional do paciente com HIV/AIDS adquiriu importância na prática clínica devido à desnutrição e aos efeitos colaterais da terapia antirretroviral. Mesmo na era HAART (terapia antirretroviral de alta eficácia/highly active antirretroviral therapy), não é pequeno o número de pacientes com perda de peso corporal e alterações importantes de composição corporal. Assim, recomenda-se atuar de imediato em qualquer indivíduo HIV+, assintomático ou na vigência de AIDS, que tenha perda de peso. Logo, deve-se instituir terapia nutricional (TN) e farmacológica, quando indicada. Essa vigilância contribui para sobrevida de pacientes HIV+, ao retardar a imunodepressão de origem nutricional e a ocorrência de infecções oportunistas. Ao manter-se a homeostase corporal e a autoestima, melhora-se também a qualidade de vida do paciente com HIV/AIDS”. 
foco da nutrologia no caso do paciente HIV+/AIDS consiste em:
1) Evitar a desnutrição, reduzir o catabolismo proteico e a perda de peso corporal
2) Minimizar o estresse oxidativo, os sintomas e prevenir as infecções oportunistas
3) Suporte nutricional adequado e balanceado de acordo com as necessidades do indivíduo
4) Evitar e tratar sinais e sintomas que acometem o trato digestivo do paciente portador de AIDS
5) Melhorar a tolerância ao tratamento antirretroviral
6) Auxiliar o paciente a manter a composição corporal;
7) Promover melhor qualidade de vida

Diminuição do catabolismo proteico
A infecção pelo HIV aumenta o catabolismo proteico (é uma doença consumptiva) e com isso o paciente perde massa magra facilmente.  A desnutrição, a perda de peso e a depleção da massa celular metabolicamente ativa podem ocorrer em todos os estágios da doença. A infecção pelo HIV está relacionada a aumento do gasto energético basal (25 a 29% de aumento), por isso é classificada como uma doença consumptiva.
O norteamento do tratamento nutricional deve ser nesse sentido, combater essa perda de peso, perda de massa magra a fim de se evitar suas repercussões no sistema imune.
Alguns estudos demonstraram que 18% dos pacientes, monitorados durante um ano, perderam acima de 10% do peso corporal durante visitas seriadas, enquanto que 21% perderam acima de 5% do peso corporal prévio. 8% apresentaram Índice de Massa Corporal (IMC) 
Essa perda de massa magra, segundo inúmeros estudos está relacionada:
1) Maior mortalidade
2) Aceleração da progressão da doença
3) Perda de músculo e com isso diminuição da força muscular e piora do estado funcional do indivíduo.

Hoje já se sabe que a desnutrição tem um efeito negativo no prognóstico, independentemente da imunodeficiência e carga viral, ou seja, mesmo que o paciente esteja em TARV, com carga indetectável, deve-se combater a desnutrição.
É mandatória a realização de Bioimpedanciometria nesses pacientes, sempre que disponíveis no serviço.
Minimizar o estresse oxidativo, os sintomas e prevenir as infecções oportunistas
A infecção pelo HIV leva a um alto grau de stress oxidativo. A terapia nutrológica deve objetivar também a diminuição da produção de radicais livres. Nós orientamos o paciente a ingerir fontes de alguns minerais, aminoácidos e vitaminas que sabidamente podem minimizar esse estresse oxidativo. Quando necessário, a suplementação, desde que comprovado o déficit laboratorialmente. Além disso frisamos as fontes ambientais que estimulam a produção de radicais livres. Com aporto adequado de nutrientes associado à TARV podemos minimizar os riscos desse paciente contrair alguma infecção oportunistica.
Suporte nutricional adequado e balanceado de acordo com as necessidades do indivíduo
Nesse caso, objetivamos fornecer os nutrientes necessários para melhoria do sistema imunológico, em especial os linfócitos T-Helper (CD4+ e CD8+), especificando quais nutrientes podem favorecer melhora no quantitativo de linfócitos.
Segundo o Projeto Diretrizes devemos incluir dentro da avaliação laboratorial os “testes bioquímicos, como albumina, contagem total de linfócitos, CD4, CD8, carga viral, dosagem de testosterona total, determinar a função da tireóide, avaliação das funções renal e hepática, concentração sérica de eletrólitos, zinco, selênio, vitamina A e vitamina B12 estão associados com a progressão da doença”.
Alguns medicamentos utilizados na TARV (fumarato de tenofovir disoproxil antirretroviral da classe dos inibidores de transcriptase reversa análogo de nucleosídeos) pode levar a toxicidade renal, óssea e endócrina. Portanto o nível de Vitamina D, assim como de Paratormônio devem ser acompanhados em indivíduos que estão em TARV. Na literatura há controvérsias se  a 25-OH-Vitamina D deve ser solicitada para todos os pacientes HIV+.
Evitando e tratando sinais e sintomas que acometem o trato digestivo do paciente HIV+/AIDS
Devido ao uso das medicações na TARV ou pela própria fisiopatologia da doença, esses pacientes são vulneráveis a algumas condições: perda do apetite, náuseas, vômitos, diarréias, perda de massa magra, fraqueza. Sendo dever do médico dar o suporte adequado para tais sintomas.
Como já citado acima, o portador do HIV tem como principal característica o desarranjo da função imune, que no final leva á perda dos linfócitos T-helper (CD4+), necessitando de uma Terapia Nutricional, que possa abranger não apenas os sintomas relacionados a AIDS ou à terapia antirretroviral (TARV) instituída, mas traga ao indivíduo uma melhor qualidade de vida.
Os pacientes portadores de AIDS vivenciam um elevado grau de estresse oxidativo, ou seja, alta produção de radicais livres, por causa do déficit imunológico, combinado às constantes infecções, além de ações do próprio organismo produzindo radicais livres na tentativa de eliminar o vírus. Com isso o suporte nutrológico adequado, associado à terapia anti-retroviral tem proporcionado aos pacientes uma grande melhora de qualidade de vida.
Desde a década de 90, o Dr. Helion Póvoa, precursor da prática ortomolecular no Brasil, atende pacientes com HIV e tem uma ONG no Rio de Janeiro que visa atender pacientes carentes soropositivos. “O suporte é orientando a parte nutricional e suplementando os nutrientes deficientes (comprovados laboratorialmente)”. O Dr. quando vivo, afirmava que pacientes soropositivos que ingeriam vitaminas, minerais e aminoácidos para combater a grande quantidade de radicais livres formados na infecção pelo HIV têm a carga viral diminuída muito mais rapidamente, desaparecendo as complicações decorrentes da doença. Talvez pelo efeito antioxidante dos nutrientes. O Dr. Helion Póvoa destacava, no entanto, que a função dos antioxidantes neste caso é de coadjuvante ao tratamento convencional: “A carga viral da doença é muito grande e só se consegue diminuí-la com um tratamento tão violento quanto esse com os anti-retrovirais. Mas não há dúvida de que o uso de vitaminas e outros antioxidantes é capaz de representar melhoras espetaculares em pacientes com Aids”.
Eu particularmente sou da linha defensora de que em processos infecciosos, devemos evitar antioxidantes sintéticos, optando apenas pela alimentação (antioxidantes naturais). Na vigência de processos infecciosos, a produção endógena de radicais livres apesar de gerar alguns sintomas, é crucial na tentativa de eliminar o agente. Existe um fino equilíbrio entre antioxidantes endógenos e esses radicais livres. A partir do momento que entramos com antioxidantes sintéticos, podemos alterar a cinética e as consequências não estão ao nosso alcance. Portanto, a melhor estratégia é a utilização de alimentos, reservando os produtos sintéticos apenas para os quadros com deficit laboratorial comprovado e que não tiveram melhora com o aumento do aporte (ingestão das principais fontes daquele respectivo nutriente).
Segundo o Prof. Helion Póvoa, existe uma proteína, chamada NF-KappaB, que é produzida intensamente no organismo de quem tem o vírus da Aids, pois é fundamental à multiplicação do vírus HIV. Os antioxidantes naturais são capazes de inibir a síntese do fator NF-KappaB e assim auxiliar na inibição da multiplicação do HIV, podendo auxiliar na diminuição da carga viral no paciente e proporcionando-lhe grande melhora do estado geral. Mas nem de longe esse efeito é superior ao da TARV. Sendo iatrogenia qualquer médico que advogue contra o uso da TARV. Tenho visto médicos alegando que o uso de baixas doses de Naltrexona (uma medicação utilizada para tratar alcoolismo e dependência de cocaína) pode reduzir a carga viral e aumentar os níveis de linfócitos T CD4+. Não há estudos com evidências sólidas mostrando que esse tipo de terapia possa ser realmente eficaz na infecção por HIV. A tabela abaixo resumo os principais compostos bioativos (com suas principais fontes alimentares) com ação sobre NF-KappaB)
Os pacientes em uso da TARV também podem apresentar Dislipidemias (aumento de colesterol ou de triglicérides) e alguns alimentos combinados com a prática regular de atividade física podem ser adjuvantes ao tratamento. Dentre os alimentos que podem reduzir os níveis de colesterol LDL temos os ricos em ômega 3 (salmão, atum, sardinha, linhaça, chia), os ricos em fitoesteróis (soja). Para a redução de triglicérides temos os alimentos ricos em Niacina (vitamina B3, presente em carnes e amendoim).
A dieta deve ser avaliada quanto à adequação nutricional individual, considerando-se os sintomas associados à infecção por HIV, como:
• perda de peso
• anorexia
• diminuição dos níveis de energia
• alterações gastrintestinais,

As necessidades energéticas variam dependendo do estado de saúde do indivíduo no momento da infecção por HIV, progressão da doença e desenvolvimento de complicações que prejudicam a ingesta e utilização de nutrientes.
Segundo o prof. Dr. Dan Waitzberg, os indivíduos portadores do vírus HIV desenvolvem dois modelos de desnutrição, a protéico-calórica (DPC) e a Wasting Syndrome.
A primeira se desenvolve devido à ausência ou redução da utilização do nutriente, e pode ser causada por ingestão calórica abaixo da necessidade calórica total ou má absorção de nutrientes.
Já na Wasting Syndrome é definida como uma perda de peso não intencional de 10% ou mais do peso corpóreo usual, diarréia, fraqueza ou febre por mais de 30 dias.
É comum também os pacientes em TARV apresentarem algum grau de Lipodistrofia (que é diferente da Síndrome Consumptiva). Geralmente detectamos ao exame físico a lipoatrofia na região da face, dos membros superiores e inferiores e uma proeminência das veias superficiais associadas ou não ao acúmulo de gorduras na região do abdome, da região cervical (gibas) e das mamas. Essa lipodistrofia pode ser ocasionada por fatores metabólicos: aumento sérico de lipídeos, intolerância à glicose, aumento da resistência periférica à insulina e diabetes mellitus, associados ou não às alterações anatômicas. Podendo ser tratada com uso de GH e Testosterona pelo endocrinologista.
É de grande importância à utilização de nutrientes, minerais e vitaminas envolvidos na função imunológica, já que o paciente se encontra em constante estresse oxidativo e necessita de equilíbrio nutricional; a ingesta de proteínas adequada é importante para promover o equilíbrio positivo de nitrogênio e repleção de massa magra corpórea.
A atividade bactericida e antiviral dos linfócitos e a capacidade de multiplicação e secreção de Imunoglobulinas é afetada pelos oxidantes celulares, sendo assim é fundamental no tratamento dietoterápico a introdução de alimentos que tenha nutrientes com capacidade antioxidante (exemplo açaí, chá verde, cacau, frutas vermelhas, alho, cebola, fontes de selênio e zinco).
Como o paciente soropositivo necessita de um tratamento medicamentosos que podem ter efeitos colaterais, é interessante fornecer na alimentação substâncias que ajudam no processo de destoxificação do organismo a fim de minimizar os desconfortos e melhorar a metabolização destes pelo fígado, como a utilização:
• Das brássicas: brócolis, couve flor, couve-de-bruxelas, couve e repolho
• Bioflavonóides (ex: quercetina que ativa o citocromo P450)
• Ervas e temperos naturais: alho, cebola, orégano, cúrcuma (açafrão), gengibre, alecrim, tomilho.

MACRONUTRIENTES
As proteínas são essenciais para a manutenção da massa magra e portanto é o principal macronutriente a ser analisado na terapia nutricional do paciente HIV.
Sua ingestão varia de acordo com a fase da doença. Na fase estável da doença, a necessidade protéica deve ser 1,2 g/kg peso atual/dia. Na fase aguda, a necessidade de proteínas aumenta para 1,5 g/kg de peso atual/dia podendo chegar até a 2g/kg/dia.
Carboidrato devem corresponder a pelo menos 50% do volume calórico total (VCT). Podendo ter uma redução desse aporte caso coexista síndrome metabólica ou dislipidemia.
Habitualmente os lipídios ficam entre 30 a 35% do volume calórico total. Mas se existir dislipidemia, o recomendado é que: o paciente ingira menos de 200mg de colesterol/dia, Gorduras saturadas menos de 7 % do VCT e uma redução da gordura total para até 30% do VCT.
MICRONUTRIENTES
Não há consenso na literatura sobre os nutrientes que estão reduzidos nos pacientes HIV+/AIDS. Alguns estudos mostram que apresentam níveis diminuídos de vitamina A, E, B12, zinco e selênio. Portanto aqui, na minha opinião, os nutrientes que devem receber atenção especial na infecção pelo HIV são:
1- AMINOÁCIDOS:
A – Arginina: Whey, albumina, carnes e amendoim, suplementação
B – Cisteína: Whey, albumina, peixes, frango, suplementação
C – Ornitina: Whey, albumina, dieta, suplementação

2- VITAMINAS com ação antioxidante:
A – Vitamina A e Betacaroteno
B – Vitamina C + Quercetina (bioflavonóide)
C – Vitamina E: a suplementação pode ser deletéria, já que a elevada concentração sérica de vitamina E está associada com marcadores anormais para aterosclerose e pode aumentar risco de complicações cardiovasculares em adultos infectados por HIV.
D – Complexo B (principalmente B12, já que alguns medicamentos utilizados na TARV podem depletá-la, mas há estudos mostrando que os níveis sobem após a instituição da TARV)
E – Vitamina D: sol

3- MINERAIS com ação antioxidante:
A – Selênio: principal fonte a castanha do pará (deve-se a todo custo evitar a suplementação sintética, já que alguns estudos mostram que o risco de câncer de próstata pode aumentar)
B – Germânio: principal fonte o gengibre
C – Zinco: principais fontes: ostras, frutos do mar, carne vermelha, oleaginosas (É um mineral que comumente doso e está baixo, mesmo nos pacientes que estão ingerindo boa quantidade de proteína animal). Atenção especial deve ser dada às fontes de zinco, já que ele é um dos principais nutrientes relacionados à imunidade, em especial aos linfócitos T. Além disso o estress oxidativo aumenta a demanda de zinco.

4- L-GLUTATIONA:
A glutationa é um antioxidante tripeptídeo formado por 3 aminoácidos: Glicina,  ácido glutâmico e cisteína. Ela é o substrato da enzima glutationa peroxidase (GSH) que catalisa a redução do peróxido de hidrogênio através de um mecanismo de óxido-redução. É também a melhor forma de transporte no plasma de cisteína e dos grupos sulfidrílicos, que aumentam a atividade e a proliferação dos linfócitos T e a sua diferenciação de T para B. O paciente portador de HIV pode apresentar um déficit grande de glutationa. Ela auxilia na modulação do sistema imune. Como o corpo fabrica a própria glutationa, é possível incentivar a produção dela ingerindo alimentos que auxiliam o corpo a produzir maiores quantidades. Ou seja, deve-se estimular o consumo de proteínas magras e de alto valor biológico: carnes, ovos, leite e soja. Além disso deve-se estimular o consumo de vegetais in natura, crus, pois no processo de cocção os níveis de Glutationa dos vegetais podem decair.  As seguintes frutas e legumes contêm a maior quantidade de glutationa por porção: aspargos, batatas, pimentas, cebolas, cenouras, abacates, brócolis, espinafre, alho, abóbora, tomates, toranjas, maçãs, laranjas, bananas, pêssegos e melão. Supostamente, o composto químico cianohidroxibutano aumenta os níveis séricos de glutationa e ele pode ser encontrado em brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas e no repolho. A beterraba possui um efeito positivo sobre a atividade das enzimas GSH. Outra estratégia para aumentar a glutationa é o acréscimo de temperos à dieta. Alguns temperos, como cúrcuma, canela, cominho e cardamomo possuem compostos que ajudam na restauração de níveis saudáveis de glutationa, além de elevar a atividade das enzimas GSH. O selênio aumenta os níveis de glutationa peroxidase, ou seja, castanha do pará. O consumo de fontes de ácido alfa-lipóico (ALA), também pode elevar a glutationa, já que ele promove a síntese da glutationa no corpo. O ALA é um potente antioxidante natural, endógeno, que consegue regenerar antioxidantes já oxidados, como as vitaminas C e E. Os alimentos ricos em ácido alfa-lipóico são: espinafre, tomates, ervilhas, couve-de-bruxelas, maionese e farelo de arroz. Muitos deles já são naturalmente ricos em glutationa. A atividade física é uma outra maneira de estimular o corpo a produzir mais glutationa. Estudos tem mostrado que todos os tipos de exercícios moderados elevam os níveis de glutationa no sangue. Estão incluídos exercícios aeróbicos, musculação e a combinação entre atividades aeróbicas e musculação. Alguns fatores ambientais podem exercer um efeito negativo níveis séricos de Glutationa, tais como: Poluição ou toxinas no ar, uso de drogas, infecções bacterianas ou virais, radiação, agrotóxicos.

5- N-ACETIL-CISTEÍNA:
É uma substância endógena, formada a partir do aminoácido cisteína e que tem como uma de suas funções, reciclar os níveis de L-glutationa. Portanto todo alimento que for fonte de cisteína, favorecerá um aumento dos níveis de N-acetil-cisteína.

6 – ÁCIDO ALFA-LIPÓICO:
Ele promove a síntese de glutationa endógena. As principais fontes ja foram citadas acima.

7 – COENZIMA Q10:
Nutriente que melhora o aporte de energia na mitocôndria. É um antioxidante que auxilia no processo imunológico. As principais fontes nutricionais são: peixes, soja, germe de trigo, algas, oleaginosas, gergelim e brócolis.

8 – PROBIÓTICOS:
São bactérias que vivem no intestino e que a cada dia são mais estudas, mostrando papel importante na imunomodulação. A principal fonte alimentar são os iogurtes e coalhadas. Os estudos ainda são controversos e inclusive alguns recomendam não se utilizar probióticos industrializados em pacientes imunocomprometidos. Até o momento o uso de algumas cepas de probióticos tem mostrado benefícios na faixa pediátrica, principalmente quando ocorre disfunção intestinal e queda dos linfócitos T CD4+.

9 – ÁCIDOS GRAXOS POLIINSATURADOS e MONOINSATURADOS:

Os óleos de origem vegetal, ricos em ômega 3 e 9 estimulam as célular natural Killers, que são “policiais” do nosso sistema imunológico. Alguns trabalhos têm estudado o efeito da suplementação de ácido graxos ômega-3 nas complicações metabólicas presentes em pacientes em TARV. Nessa revisão, que incluiu vinte estudos originais, foi visto que a suplementação com ácido graxo ômega-3 resultou em significativa redução nos níveis séricos de triglicérides, redução da lipogênese relacionada a síndrome metabólica.

FONTES DE NUTRIENTES
Zinco:Ostras, Arroz Integral, Ovo, Grãos integrais, sementes, amêndoas, avelãs
CobreOstras, Tofu, Ervilha, cacau em pó, salmão (Alasca), legumes, cereais integrais, frutas vermelhas, amêndoa, folhas verde-escuro, nozes, pistaches, avelã, aves, ameixas, soja.
Vitamina ABatata doce, cenoura, espinafre, abóbora, manga, damasco, brócolis, pêssego, papaia, laranja.
Vitamina C:suco de acerola, suco de laranja, kiwi, manga, melão, papaia, morango, couve-flor, limão.
Vitamina E:amêndoas cruas, batata doce, abacate, damasco, azeite de oliva extra-virgem, ovos/gema de ovo (caipira), espinafre, aspargo, pepino.
Vitamina B3:peixes, aves, avelã, nozes, amêndoa, pistaches, ovos.
Vitamina B5:Suco de l aranja, peito de frango (caipira).
Vitamina B6:banana, frango, arroz integral e outros grãos integrais. Comer preferencialmente alimentos crus, pois a vitamina B6 se perde na elevação da temperatura
Vitamina B12ostras, atum, ovo caipira, porco, peito de frango (caipira)
Ácido Fólico:espinafre, feijão, suco de laranja, brócolis, alface, repolho, banana, ovo caipira.
Vitamina D:óleo de fígado de bacalhau, arenque, slmão, sardinha, camarão, gema de ovo caipira. SOL
Enxofre:peixes, aves, ovos, legumes, verduras, algas, alho, cebola, repolho, avelã, couve de Bruxelas, amêndoa, alface, nozes, pistaches.
Silício:beterraba, repolho, alfafa, aveia integral, arroz integral, alface, pectina de frutas cítricas, confrey, folhas verde escruras, cavalinha (chá), polpa de cana, cebola.
Proantocianidinas/ Antocianidinasuva, morango, cereja, framboesa, amora, açaí.
Uso de suplementos orais em pacientes HIV+/AIDS
Segundo o projeto diretrizes, os suplementos orais estão indicados quando o paciente se alimenta por via oral, mas não o suficiente para manter suas necessidades energéticas. Para doentes sem complicações, em que se deseja aumentar o peso, o uso de suplementos orais pode auxiliar muito a ampliar a ingestão alimentar.
A suplementação oral também é benéfica em períodos de maior necessidade energética, quando o metabolismo basal está aumentado, como, por exemplo, em episódios de algumas infecções oportunistas. A via enteral deve ser considerada sempre que a alimentação oral estiver insuficiente.
Deve ser postulado seu uso naqueles casos em que houve perda de peso (>5% em
três meses) ou depleção da Massa magra corporal (>5% em três meses) ou então nos pacientes com IMC < 18 kg/m².
INTERAÇÃO NUTRIENTES COM DROGAS
Algumas drogas utilizadas na TARV têm sua absorção diminuída na presença de gorduras e portanto a sua administração deve ser sem com ou sem alimento mas sem alimentos gordurosos. Enquanto o Efavirenz tem sua absorção aumentada quando ingerido com alimentos gordurosos.
São elas: Zidovudina, Abacavir, Didanosina, Tenofovir, Estavudina, Lamivudina
A Zidovudina pode levar a anemia por depleção dos níveis de cobre e zinco, portanto os níveis devem ser dosados.
A didanosina tem risco de pancreatite quando consumida com álcool.
Efavirenz, Nevirapina, Ritonavir, Indinavir, Nelfinavir, Saquinavir, Lopinavir, Amprenavir, Atazanavir devem ser consumidos com alimentos e não devem ser consumidos com: Erva de São João (Hypericum), cápsulas de alho, Ginseng, Ginkgo Biloba, Equinácea.
BIBLIOGRAFIA
  1. ALMEIDA, et al. Consumo alimentar e dislipidemia decorrente da terapia antirretroviral combinada para infecção pelo HIV: uma revisão sistemática. Arq Bras Endocrinol Metab 2009;53:519-27.
  2. AMB, CFM, Projeto Diretrizes: Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina: Terapia Nutricional na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS).Set/2011.
  3. BAUM, et al. Micronutrientes and HIV-1 disease progression. AIDS 1995;9:1051-6.
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  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Manual Clínico de Alimentação e Nutrição Na Assistência a Adultos Infectados pelo HIV. Brasília, DF, 2006
  6. CARTER, et al. Micronutrients in HIV: A Bayesian Meta-Analysis. PLoS ONE, 10(4), 2015.
  7. COELHO, et al. Vitamin D3 supplementation in HIV infection: effectiveness and associations with antiretroviral therapy. Nutrition Journal (2015) 14:81 
  8. KOTLER, DP. Nutritional alterations associated with HIV infection. J Acquir Immune Syndr 2000;25:S81-7.
  9. WANKE, et al. Weight and wasting remain common complications in individual infected with HIV in the era of highly active antirretroviral therapy. Clin Infec Dis 2000;31:803-5.
  10. WOODS, et al. Effect of a dietary intervention and ω-3 fatty acid supplementation on measures of serum lipid and insulin sensitivity in persons with HIV. Am J Clin Nutr 2009;90:1566-78.

domingo, 27 de outubro de 2019

Microbioma intestinal: efeitos de uma dieta baseada em vegetais ricos em Inulina

Efeitos de uma dieta baseada em vegetais ricos em inulina na saúde intestinal e no comportamento nutricional em humanos saudáveis

Por vários anos, a microbiota intestinal tem sido apontada como um ecossistema atraente que desempenha um papel fundamental na fisiologia do hospedeiro. Alterações da composição intestinal microbiana têm sido associadas a uma ampla variedade de condições, como obesidade, diabetes tipo 2, doença inflamatória intestinal, autismo e distúrbios comportamentais. Na dieta, alguns carboidratos não digeríveis, chamados prebióticos, são fermentados pela microbiota intestinal, conferindo assim benefícios potenciais à saúde. 

Foi demonstrado que a suplementação dietética com frutanos purificados do tipo inulina (ITFs) exerce efeitos positivos na saúde em humanos, como melhora da permeabilidade intestinal, diminuição da massa gorda, aumento da produção de peptídeos de incretina no intestino que atuam na saciedade e melhora no controle do apetite. No entanto, pouco se sabe sobre o efeito da ITF no comportamento e no apetite, ao considerar o consumo de vegetais naturalmente ricos em ITF. Além disso, dados recentes sugerem que a fermentação da fibra alimentar pode levar ao desconforto intestinal, principalmente em pacientes com síndrome inflamatória intestinal.

Surpreendentemente, apenas alguns estudos tentaram analisar o impacto de prebióticos que ocorrem naturalmente em produtos alimentícios na composição e função da microbiota intestinal e na tolerância gastrointestinal. Os ITFs ocorrem principalmente nas raízes das plantas, como alcachofra-girassol , alho-poró ou cercefi, onde atuam como um polímero de armazenamento e de preservação do estresse.

OBJETIVOS DO ESTUDO

Neste estudo, foi desenvolvido um protocolo para uma intervenção dietética diária que durou 2 semanas com vegetais ricos em ITF para atingir uma ingestão mínima de pelo menos 9 g ITF/d em voluntários saudáveis. O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da intervenção nutricional na composição e atividade da microbiota intestinal, ingestão de nutrientes, comportamento relacionado a alimentos e sintomas gastrointestinais. A composição da microbiota intestinal estava relacionada aos sintomas gastrointestinais. Também foi avaliada a persistência dos efeitos 3 semanas após a conclusão da intervenção alimentar.

MÉTODOS

Um único grupo de estudos composto por 26 indivíduos saudáveis. Durante duas semanas, os participantes foram instruídos a aderir a uma dieta controlada baseada em vegetais ricos em ITF (fornecendo uma ingestão média de 15 g ITF/d). Foram organizados três dias de teste: antes e após a intervenção nutricional e três semanas após o retorno à dieta habitual. Foram avaliados a ingestão de nutrientes, comportamento alimentar, composição da microbiota fecal, fermentação microbiana e sintomas gastrointestinais.

RESULTADOS

As principais modificações microbianas durante a intervenção foram uma proporção aumentada do gênero Bifidobacterium, um nível reduzido de Clostridiales não classificados e uma tendência para diminuir as Oxalobacteraceae. Essas alterações foram revertidas três semanas após a intervenção. Os voluntários mostraram maior saciedade, um desejo reduzido de comer alimentos doces, salgados e gordurosos e uma tendência para aumentar as atitudes hedônicas em relação a alguns vegetais ricos em inulina. Apenas episódios de flatulência foram relatados durante a intervenção na dieta, enquanto o desconforto intestinal, inversamente associado ao Clostridium cluster IV e Ruminococcus callidus, foi melhorado ao final da intervenção.

CONCLUSÕES

Um maior consumo de vegetais ricos em ITF permite um aumento substancial de fibras alimentares bem toleradas, o que por sua vez pode melhorar o comportamento relacionado aos alimentos. Além disso, leva a modificações benéficas da composição e função da microbiota intestinal.

Este estudo está registrado em clinictrial.gov como NCT03540550. Am J Clin Nutr 2019; 109: 1683–1695.

A eficácia limitada do Balão-intragástrico quando não se há preocupação com o longo prazo


Muitos pacientes me perguntam se o balão intra-gástrico seria uma opção interessante para o tratamento da obesidade ou até uma alternativa à cirurgia. E a resposta é, na maior parte das vezes, não. Por que? 

👉Basicamente porque, independente da perda de peso obtida durante o período em que o #balaointragastrico está inserido (geralmente 6 meses), como a #obesidade é uma doença crônica, após sua retirada há uma tendência natural de recuperação de peso se não houver uma nova estratégia (por razões biológicas, fisiológicas, psicológicas e sociais, que sempre discuto por aqui). Um estudo Brasileiro de 2015 com mais de 3000 pacientes, mostra que 30% dos pacientes reganharam todo o peso no primeiro ano e 70% após 3 anos. 

👉E mesmo a #perdadepeso durante o período do balão é muito variável, e pode ser otimizada com um bom tratamento clínico, que raramente é realizado. Além disso, vejo muita gente sem indicação (por exemplo, com #compulsaoalimentar ou perfil beliscador clássico) colocando o balão e obtendo resultados mínimos, o que já seria esperado se houvesse uma avaliação clínica inicial. 

👉Particularmente, há sim situações em que ele pode ser usado. O balão uma opção válida em casos específicos, como uma ponte para quem precisa perder peso para uma cirurgia, ou quando há contraindicações a medicações ou pouquíssima resposta com estas em pessoas que têm indicação formal de saúde de perda de peso, porém o paciente deve entender que a colocação do balão é apenas a fase inicial de um processo de longo prazo, seguindo um tratamento clínico mantido (eventualmente com outras estratégias, inclusive medicamentosas). 

👉Infelizmente, a maioria das pessoas que o colocam o fazem como um processo que julgam resolutivo e comparável à cirurgia. Em geral se introduz o balão e o retira 6 meses depois, sem nenhum acompanhamento antes (para decidir indicações), durante (para otimizar o tratamento) e depois (para evitar o reganho) 

👉Ou seja, o balão intra-gástrico só será útil se for usada como parte inicial de uma estratégia de longo prazo bem definida, o que vejo que raramente é o caso! 

Ref: Busko, Brazil Study: gastric balloon valid option but outcomes not durable. Medscape2015

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/photos/a.614298932033894/1659459410851169/?type=3&theater

Associação Médica Brasileira (AMB) cria comissão para analisar questão de saúde pública que são os Anabolizantes



O uso de esteroides anabolizantes e similares (EAS), utilizados por alguns atletas de elite que visam aprimorar o condicionamento físico e por jovens que desejam melhorar a aparência, é um problema que precisa ser enfrentado pela comunidade médica. Por isso, a Associação Médica Brasileira (AMB), em parceria com Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), criou uma comissão para analisar o assunto.

O tema foi abordado durante a reunião do Conselho Científico da AMB, realizada na última terça-feira (8). De acordo com Clayton Macedo, endocrinologista e representante da SBEM, a comissão vai servir de apoio ao estudo e discussão sobre o uso de esteroides e anabolizantes. “O tema é gravíssimo e é pouco abordado como um problema de saúde pública. A ideia é que cada especialidade médica nomeie um representante e que essa comissão comece a trabalhar cientifica e politicamente a questão”.

O presidente da AMB, Lincoln Ferreira, reforça a importância da participação das sociedades de especialidade: “Como o uso de anabolizantes é um problema que traz impactos negativos para todo o corpo, muitas especialidades podem contribuir com a discussão, entre elas a psiquiatria, cardiologia, endocrinologia, nefrologia, ortopedia, medicina do esporte, pediatria e gastroenterologia”.

Um dos primeiros trabalhos da comissão será a organização de fórum, previsto para ser realizado em 2020, para debater soluções médicas e políticas para o tema. “A ideia é unir forças para combater essa epidemia”, finaliza Clayton Macedo.

#BombaTôFora

Para alertar as pessoas sobre esse grave problema, a SBEM criou o projeto “Bomba Tô Fora”, que tem como base um plano educacional de prevenção ao uso de esteroides anabolizantes e similares.

O programa fornece ferramentas de informação sobre os malefícios da utilização dessas drogas. O programa pode ser acessado no site https://www.bombatofora.com.br.  A campanha tem o apoio da AMB.

Fonte: https://amb.org.br/noticias/amb-cria-comissao-para-analisar-problemas-causados-por-anabolizantes/?fbclid=IwAR3MI2UXYxboIDMudOp81Bmta-9VIq5ZTJb8dslwqJnXbRHf9TiYraNW0c0

Mulheres com testosterona baixa. Seria uma epidemia? ⁣


Nunca antes visto, a quantidade de tal “diagnóstico” ecoa pelo mundo feminino na atualidade. Muitas, já “contaminadas” pela nova epidemia, exigem em consulta a solicitação de testosterona como exame de rotina. ⁣
E procede esse rastreio hormonal em nossas mulheres? Não. 🤦🏻‍♂️⁣
Inicialmente, vamos esclarecer fatos:⁣
O exame de testosterona apresenta um ensaio químico (processo analítico laboratorial) que tem a capacidade de detectar um limiar específico desse hormônio. Ou seja, o exame só tem precisão de avaliar a quantidade de testosterona em níveis mais altos. ⁣

Simplificando: Marcador de combustível nos carros antigos. Tanque vazio, luz de alerta acessa! Coloco 10 reais. Luz apaga? Não. 20 reais? Também não. 30 reais? Não. Até que em um determinado valor de dinheiro eu consigo “dosar” a quantidade de gasolina. Ou seja, enquanto eu não atinjo o “limiar” de quantidade de combustivel para sair da reserva (e a bendita luzinha apagar) eu não consigo saber o quanto existe naquele tanque. O combustível é a testosterona e o tanque é o ensaio clínico. ⁣

Hoje, os carros mais modernos conseguem fazer essa leitura precisa da quantidade de combustível, porém os ensaios clínicos não chegaram a essa evolução 🤷🏻‍♂️.

Sendo assim, não se solicita exame de testosterona de rotina para mulheres pois vai vir baixa!!!! E isso não significa que ela tem testosterona baixa (a não ser que seja comparadas a homens né pessoal? Embora muitas desejem chegar a níveis de testosterona masculinos - e algumas chegam- isso está longe de ser saudável)⁣

Quando se solicita testosterona para mulheres? Naquelas que apresentam síndromes hiperandrogênicas (ovários policísticos, hiperplasia adrenal, tumores ovarianos). E nesses casos a leitura do exame é fidedigna? Sim! Pois há produção excessiva dos hormônios masculinos nessas situações [por motivo de doença] a ponto de atingir o limiar de leitura do exame e o resultado ser preciso. ⁣
Alguns médicos adoram pedir testosterona para todas mulheres em consulta. Por qual motivo? Pois vai vir baixa (por uma falha de exame) e o convencimento para sua paciente usar fica muito mais fácil. Pense nisso!

Autor: Dr. Caio Villaça Carneiro - Médico endocrinologista em Sorocaba - SP

Fonte: https://www.facebook.com/endo.caio/photos/a.225174748355519/311674566372203/?type=3&theater

Portadores de TDAH talvez possam se beneficiar da prática de mindfulness

Vale a pena ler a reportagem: https://mindfulnessparaodiadia.blogosfera.uol.com.br/2018/10/17/pessoas-com-tdah-se-beneficiam-da-pratica-de-mindfulness/