domingo, 7 de setembro de 2014

Mineralograma capilar: Pra que serve?


Muita gente me pergunta pra que serve o mineralograma capilar (MC), exame do cabelo vulgarmente chamado.

O MC consiste em um exame que visa determinar (no cabelo ou pêlos pubianos) elementos tóxicos. O excesso de elementos tóxicos é incorporado à raiz do cabelo durante o estágio inicial de seu crescimento. Diferente da amostra de sangue e urina, o cabelo é um monitor biológico capaz de registrar uma intoxicação ao longo de um período de meses ou até anos. É o melhor exame para detectar intoxicação crônica, sendo assim o Conselho Federal de Medicina na Resolução 2.004/12 libera o seu uso apenas para esta finalidade: Detecção de metais tóxicos.

COLETA: Paciente tem que ficar preferencialmente 3 meses sem pintar o cabelo, durante 15 dias deve suspender o uso de xampus anticaspa, evitar nadar em piscinas ou usar qualquer produto químico. Por 7 dias deverá lavar o cabelo apenas com xampu de pH neutro, isento de zinco ou selênio. A coleta deve ser feita com tesoura de aço-inoxidável, específica para essa finalidade. Retira-se na região da nuca vários tufos até totalizar 1g, sendo que os fios devem ser retirados o mais próximo da raíz.

A amostra é armazenada em uma embalagem de plástico e enviada para análise. A amostra após uma dissolução, é analisada através de espectrometria de massa, com fonte de plasma (ICP-MS), uma técnica extremamente sensível. #Mineralograma #MetaisTóxicos

Licopeno



"Segundo estudo realizado pelas Universidades de Cambridge, Oxford e Bristol, o tomate deve ser recomendado para prevenir câncer de próstata. A pesquisa revelou que os homens que consumirem mais de dez porções do fruto por semana, podem reduzir em 20% os riscos de ter esse tipo de câncer. Os pesquisadores analisaram a alimentação e o estilo de vida de aproximadamente 20 mil britânicos com idade entre 50 e 70 anos. De acordo com os resultados, aqueles que ingerem cinco porções de frutas e legumes, ou mais, por dia podem diminuir em 24% o risco de apresentar a doença no futuro"

DICA: O licopeno do tomate tem maior biodisponibilidade quando aquecido. Portanto é válido cozinhar o tomate (por cerca de 1 hora) preparando um molho e acrescentar 1 colher de sopa de óleo de girassol (Vitamina E). O mesmo pode ser congelado e ser utilizado posteriormente. Antes que me perguntem, o licopeno não será perdido no aquecimento, a receita acima aprendi com uma professora da ABRAN, pesquisadora da Unifesp. Foi testada em laboratório e diminuiu o tamanho de tumores do trato genitourinário.
Conclusão brilhante do meu amigo @marceloekeylanutri


Câncer é uma doença hereditária ?


O câncer não é uma doença prioritariamente hereditária, muito longe disso. Na verdade, apenas 1 em cada 10 tumores diagnosticados tem relação comprovada com herança familiar. Com isso, acredita-se que 9 em cada 10 casos da doença estão ligados à interação do ser humano com o meio ambiente, seja por hábitos nem sempre saudáveis, seja por meio da exposição a fatores e agentes de diferentes origens.

A doença tem uma base genética, mas as alterações gênicas envolvidas no câncer ocorrem de forma hereditária em apenas 10% dos casos. Em todos os outros casos, essa alteração genética pode ser causada pelo cigarro, álcool, raios solares, alimentação carregada de conservantes, contatos com substâncias químicas nocivas e até mesmo por inúmeros vírus ou bactérias como HPV, Hepatites B e C, dentre outros.


Dr. Luiz Paulo Kowalski - CRM 36404
Diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço

Fonte: http://www.accamargo.org.br/saude-prevencao/mitos-e-verdades/o-cancer-e-hereditario/115/

Umami por Dr. Edison Credidio

Sabor 'umami' pode ajudar a controlar o apetite, diz estudo. O umami é descrito como agradável sabor salgado, presente em alimentos como os cogumelos.

Você provavelmente está familiarizado com os sabores salgado, doce, amargo e azedo.O umami,considerado o quinto sabor que, além de diferente, foi apontado por um novo estudo como um agente benéfico para o apetite.

As informações são do site Health. De acordo com o novo estudo, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, a adição do glutamato a uma sopa, por exemplo, estimula o apetite e também impulsiona a saciedade. Os cogumelos são boa fonte natural de umami

Energéticos e risco de eventos cardiovasculares


Os energéticos, bastante consumidos por jovens, podem levar a problemas no coração, diz estudo apresentado neste domingo durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que acontece em Barcelona. Segundo o autor da pesquisa, Dr. Milou-Daniel Drici, da Faculdade de Medicina de Nice, na França, o consumo em excesso dessas bebidas pode “levar a condições adversas incluindo angina, arritmia cardíaca e até mesmo morte súbita”. Cerca de 96% dessas bebidas possuem cafeína, com uma lata típica de 250ml (= 02 cafés expressos).

A Cafeína é um potente ativador dos canais de cálcio sensíveis a rianodina encontrados nos retículos endoplasmáticos e sarcoplasmáticos, levando à liberação de cálcio intracelular dentro das células cardíacas, o que pode favorecer arritmias.

O estudo analisou diversos casos associados ao consumo de energéticos entre 01/2009 a 11/2012, teve a participação de 15 especialistas, incluindo cardiologistas, psiquiatras, neurologistas e fisiologistas. Durante o período, foram reportados 257 casos, sendo que 212 forneceram informações suficientes para análise.

Os especialistas informaram que, dos casos reportados, 95 apresentaram sintomas cardiovasculares, 74, psiquiátricos; e 57, neurológicos, com sobreposição em alguns. Paradas cardíacas ou mortes inexplicadas aconteceram em ao menos 8 dos casos, enquanto 46 pessoas apresentaram arritmia, 13 tinham angina e 3, hipertensão.

O médico recomenda que pessoas que já apresentam algum problema no coração devem evitar o consumo de energéticos, pois a cafeína pode “exacerbar a condição com consequências fatais”. Drici também alerta sobre o risco de consumo dessas bebidas durante exercícios físicos ou misturadas com álcool

10 coisas que você precisa saber sobre Anabolizantes e hormônios erroneamente denominados de Bioidênticos


O uso de anabolizantes vem se tornando, a cada dia, um hábito comum, principalmente pelas pessoas que praticam esportes, para aumentar a competitividade, ajudar na cura de lesões ou simplesmente por questões estéticas. Obviamente as pessoas sabem que o uso sem indicação médica é arriscado e pode gerar danos irreparáveis. 10 coisas que você deve saber sobre os anabolizantes.

1- Os esteróides androgênicos anabólicos, mas conhecidos como anabolizantes, é um produto derivado principalmente da testosterona, hormônio responsável por muitas características que diferem homem e mulher. Eles atuam no crescimento celular e em tecidos do corpo, como o ósseo e o muscular.

2- O uso de anabolizantes gera efeitos colaterais, tanto em homens e mulheres, como: aumento de acnes, queda do cabelo, distúrbios da função do fígado, tumores no fígado, explosões de ira ou comportamento agressivo, paranóia, alucinações, psicoses, coágulos de sangue, retenção de líquido no organismo, aumento da pressão arterial.

3- No caso das mulheres, o uso de anabolizantes pode gerar características masculinas no corpo, como engrossamento da voz e surgimento de pêlos além do normal. Além disso, aumento do tamanho do clitóris, irregularidade ou interrupção das menstruações, diminuição dos seios e aumento de apetite.

4- Nos homens, o excesso de anabolizantes pode causar aparecimento de mamas, redução dos testículos, diminuição da contagem dos espermatozóides e calvície.

5- Em adolescentes, as consequências podem ser piores, como comprometimento do crescimento, maturação óssea acelerada, aumento da frequência e duração das ereções, desenvolvimento sexual precoce, hipervirilização, aumentos dos pelos púbicos e do corpo.

6- Esses hormônios podem ser usados clinicamente e, ocasionalmente, serem prescritos sob orientação médica para repor o hormônio deficiente em alguns homens. Nos casos de necessidade clínica, os pacientes são indicados a tomarem apenas doses mínimas para apenas regularizar sua disfunção.

7- O uso das injeções de anabolizantes esteróides pode levar ao risco de infecção pelo HIV e vírus da hepatite, se as agulhas forem compartilhadas. Esteróides Anabólicos obtidos sem uma prescrição não são confiáveis, pois podem conter outras substâncias, os frascos podem não ser estéreis e, além disso, é possível que nem esteróides contenham.

8- Usar anabolizantes, sem orientação médica, é proibido, além de ser de grande risco para a saúde. Entretanto, por aumentarem a massa muscular, estas drogas têm sido cada vez mais procuradas e utilizadas por alguns atletas para melhorar a performance física e por outras pessoas para obter uma melhor aparência muscular.

9- Tem um estudo de 2007 que traçou o perfil do usuário de anabolizantes no mundo. De acordo com os dados, o usuário típico não é o adolescente ou o atleta, mas o homem de cerca de 30 anos, bem educado e com renda alta. Foram pesquisados 2.663 homens e mulheres de 81 países, indicando que o motivo principal para o uso desses compostos é o aumento da musculatura.

10- Muitos atletas consomem anabolizantes a fim de conseguirem uma melhora na performance dentro do esporte. Os anabolizantes, quando entram em contato com as células do tecido muscular, aumentam o tamanho dos músculos do corpo humano. Porém, isso é caracterizado Doping, e o esportista pode ser punido por isso, como já ocorreu em inúmeros casos. Dependendo da situação, o atleta pode ser banido do esporte.

Deficiência de Magnésio

Quais são as consequências da deficiência de magnésio?

Estudos têm sugerido que a baixa ingestão de magnésio e seus baixos níveis sanguíneos estão associados com diabetes tipo 2, síndrome metabólica, proteína C-reativa elevada (um dos marcadores de inflamação), hipertensão, doença vascular aterosclerótica, morte súbita cardíaca, osteoporose, enxaqueca, asma e câncer de cólon.

Além disso, outras pesquisas demonstram que os níveis séricos de magnésio são inversamente proporcionais aos níveis de proteína C-reativa em pacientes com sobrepeso/obesidade, pacientes em hemodiálise ou com insuficiência cardíaca.

Diversos trabalhos têm demonstrado que a ingestão dietética de magnésio por idosos é relativamente baixa. Esse baixo consumo pode ser devido a diversos fatores, incluindo falta de apetite, perda do paladar e do olfato, próteses mal ajustadas, dificuldade em fazer compras e de preparar as refeições. Além disso, o processo de envelhecimento provoca alterações no metabolismo de magnésio, levando à diminuição de sua absorção intestinal e aumento da excreção urinária. Com isso, uma dieta pobre em magnésio pode colocar essa população em risco de deficiência de magnésio e suas consequências.

O magnésio é necessário para mais de 300 reações bioquímicas no corpo humano e aproximadamente 50% de sua concentração corporal é encontrada no osso. Esse micronutriente ajuda na manutenção da massa muscular e função normal dos nervos, mantém o ritmo cardíaco regular e o metabolismo ósseo, além de melhorar o sistema imunológico. O magnésio também ajuda a regular a glicemia, promove a pressão sanguínea normal e está envolvido no metabolismo de energia e síntese de proteína.

"Vegetais folhosos verde-escuros, legumes, frutas como o caju, a banana e a maçã, cereais integrais, nozes e castanhas são alguns exemplos de alimentos ricos em magnésio", enumera Lucy Aintablian Tchakmakian, nutricionista e coordenadora adjunta do curso de nutrição do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo

Devo tomar Iodo ?


DEVO TOMAR IODO? O que vemos são trabalhos e teorias indo em sentidos opostos. A endocrinologia observou que não há em absoluto a necessidade extra de iodo, ao contrário, pode estar acontecendo um aumento dos efeitos Wolff-Charcoff (causando hipotireoidismo auto-imune) e Jod-Basedow (causando hipertireoidismo). A recomendação extra de iodo hoje se restringe às pacientes grávidas, cuja necessidade de produção de hormônio tireoidiano aumenta. Por outro lado, o uso de iodo é vangloriado pelas áreas afins como a resposta da vitalidade e da resolução de todas as doenças tireoidianas. Não consegui encontrar estudos de qualidade que confirmem este posicionamento. O fato é que tem sido comum na prática clínica pacientes com hipotireoidismo compensado clínico a laboratorialmente descompensarem com a exacerbação do hipotireoidismo por uma prescrição que receberam de iodo. Portanto, minha opinião neste caso é clara: a não ser que esteja grávida, não tome iodo. Por #DrFlávioCadegiani #iodo#riscosdoiodo #iodonagravidez #corpometria

Alimentação vegetariana segundo o nutrólogo Eric Slywich



1. Introdução à alimentação vegetariana sem dúvidas => https://www.youtube.com/watch?v=bufNOa1zHcE


2. Definições das dietas vegetarianas => https://www.youtube.com/watch?v=JTHwBLionmE



3. Conhecimentos básicos dos nutrientes => https://www.youtube.com/watch?v=Z2HEvJcNAlo&list=UUptCWTO2uq6jXcJLEvRhr8g



4. Ferro: informações gerais => https://www.youtube.com/watch?v=TJGUeK0dWEU

5. Ferro: sintomas de deficiência => https://www.youtube.com/watch?v=feJ0kaMuGdg

Capacidade intelectual e corpo


Extraído do facebook: Ei mulher, melhore

Desabafo e pedido de uma pessoa que sofre Gordofobia

Não gosto de divulgar esse tipo de coisa, mas o "desespero faz a pessoa". Enfim, quem for dono de empresa ou conhecer alguém que esteja contratando ou pretende contratar e puder me indicar, ficarei imensamente grata!
Tenho um bom currículo profissional para atuar no comércio ou em outros setores relacionados à atendimento ao cliente, mas infelizmente, ser/estar gorda não permite que eu mostre meu potencial e capacidade intelectual. Envio meu currículo para varias oportunidades de emprego (desde abril até hoje de madrugada, já foram 83 enviados), sou selecionada para as entrevistas, até ao telefone o "papo" é bem descontraído, mas pessoalmente, percebo a admiração ao me verem. Já cheguei a escutar algo do tipo: "Você está fora dos padrões estipulados pela contratante". Mas antes, na ligação me convocando, alegaram que gostaram muito do meu currículo e tal. Daí, a contratada foi uma moça de 20 anos, sem experiência e magra. Realmente, o currículo dela estava bem dentro dos padrões exigidos pela contratante...
Enfim, meu trabalho como aautônoma não está rendendo bem e eu preciso muito de um emprego com carteira assinada. Meu filho precisa do básico que uma mãe pode dar (comida, escola, vestuário...) e estou totalmente dependente de terceiros. Todos sabem, ou devem imaginar, que isso é deprimente, ainda mais para uma pessoa que sempre trabalhou (desde de criança, que é o meu caso).
Apesar de ter ultrapassado os 2 dígitos da balança e não ser mais uma "gorda aceitável" aos "padrões estipulados pelo mercado" (sim, pois eu nunca fui magra), as empresas por onde passei podem comprovar meu profissionalismo.

A sociedade é gordofóbica, estou sendo vitima disso. Não que eu seja uma coitada, mas dói ser prejudicada pelo preconceito de todos. E não venham me dizer: "Ah, mas eu não sou gordofóbico, aceito numa boa pessoas gordas". Certo, mas quando você faz piada, critica, xinga, rir ou participa disso, você é o quê?
Ora, até gordos são gordofóbicos, pois não se aceitam e se auto criticam ou fazem piada de si mesmos, no intuito de defender-se muitas vezes de algo que possa estar por vir (inclusive eu fiz muito isso, hoje não, sei do meu valor e quero respeito).
Ah, sou saudável. Oh! Está admirado? Pois é, sou gorda e com todos os exames médicos em dia e sem quaisquer alterações. Sempre fui gorda, é o meu biotipo, apenas aumentei de peso, como também posso voltar aos 80 quilos (e sim, continuarei gorda para a sociedade, mas esse é o peso que gosto e que o meu corpo fica bem), isso é se a ansiedade permitir.

Resumindo: Não tenho mais como dar nem comida ao meu filho, preciso de um emprego e de uma empresa que aceite "profissionais gordos".

Grata!

As aparências enganam...

"Existem profissionais, que se destacam pelo discurso vanguardista, que desqualifica qualquer ser humano que tenha um mínimo de ética profissional. 

Abrigados em consultórios luxuosos, verdadeiros conglomerados comerciais, que tem como foco a venda de tratamentos “revolucionários”. Suas equipes escolhem minuciosamente os "artigos científicos" para tentar dar algum ar cientificista ao discurso. Na grande maioria das vezes, os trabalhos citados são obsoletos, ou com erros metodológicos gritantes que passam despercebidos pelo público leigo que não sabe a diferença entre um estudo de corte, e um ensaio clínico randomizado duplo-cego controlado por placebo. Tudo para o leigo parece deslumbrante !!! 

As redes sociais, atualmente são mantidas por uma estrutura muito bem elaborada de marketing, com fotos lindas e impactantes, mostrando o luxo e a prosperidade de pessoas de sucesso, textos poéticos e às vezes fotos tiradas com artistas ao custo de cachês absurdos. 

Quanto aos títulos que ostentam nem se fala. Extremamente sedutores. Imagine, por exemplo, marcar uma consulta com um "ADVANCED NUTRITION SPECIALIST” da International Federation of Bodybuilding and Fitness. Este curso pode ser feito por correspondência e é aberto a qualquer pessoa. É aceito cartão de crédito e custa R$ 900,00. 

Resumindo, você não deve colocar seus sonhos nas mãos de ninguém, porque nada que pode ser vendido, tem mais força que a sua perseverança, e a sua vontade de mudar. Você é a estrela da transformação. Sei que tudo na vida tem um preço, mas o caráter de um profissional de saúde não está à venda!!! Reflitam quem é a verdadeira estrela ou o verdadeiro especialista"

Repost do colega e excelente nutricionista @valentim_nutri

Alimentação saudável é cara?



Em 2013, uma pesquisa da Universidade de Brasília (UNB) mostrou que o Brasil gastou R$ 488 milhões com tratamento de doenças ligadas à obesidade. Por que não colher os benefícios de investir dinheiro em comidas boas, em vez de gastá-lo em consultas e medicamentos? Veja a hora da refeição como um investimento em sua saúde.

Dieta do hCG: os riscos de um método comprovadamente ineficaz segundo vários estudos



Muitos ortomoleculares e nutrólogos estão utilizando no seu arsenal terapêutico a modulação hormonal e administração de Gonadotrofina coriônica humana (HCG) para fins de emagrecimento. Salientando que dieta de HCG não faz parte do arsenal terapêutico de ortomoleculares e muito menos de nutrólogos ou endocrinologistas.

Muitos pacientes, amigos, familiares  perguntam minha visão sobre o tema. Sempre deixo claro: Discordo e condeno veemente a Dieta baseado no hCG.

Por que? Discordo até mesmo dos endocrinologistas que prescrevem hormônio sem antes investigar a causa base. Na minha formação acadêmica aprendi que para qualquer alteração, existe uma explicação. Nenhum hormônio sobe ou desce de forma inexplicável. Exceto pela idade, na qual fisiologicamente há um declínio NORMAL.

Por exemplo, se a pessoa apresentam alteração laboratorial num hormônio (ex. TSH que é o que estimula a Tireóide a produzir os hormônios T3 e T4), antes devo REPETIR essa dosagem pra confirmar (já que dosagem hormonal é algo difícil de se confiar, mesmo em laboratórios excelentes). POSTERIORMENTE se confirmada a alteração, tentar dentro do quadro clínico descobrir o que pode estar INTERFERINDO na cinética adequada daquele eixo hormonal. Aí entra uma anamnese minuciosa, verificando principalmente os hábitos de vida e alimentares do paciente.

Exemplo comum: homens com sobrepeso ou obeso com baixa de testosterona. Confirmada duas vezes essa baixa de testosterona, qual a conduta adequada? Repor testosterona? NÃO !

Quando há um aumento da insulina associado a obesidade, os níveis de testosterona caem, isso é fisiologia endócrina. Se o paciente obeso receber testosterona, a chance dessa testosterona ser convertida em estrogênio (hormônio feminino) no tecido adiposo (aromatizar) é alta.

Um outro exemplo clássico, que há 4 anos presencio no consultório. Pacientes com TSH acima de 5 ou 6. Muitos endocrinologistas e os chamados moduladores hormonais (geralmente tratam quando acima de 2,0), preferem iniciar com doses baixas de T4 (um dos hormônios tireoideano). Eu particularmente não faço isso. Primeiro tento descobrir o porquê desse TSH estar elevado, já que INÚMERAS condições podem elevá-lo:
  • Privação de sono, se o paciente foi dormir tarde, se o paciente é obeso, se faz uso de medicações que alteram o TSH como por exemplo um anti-hipertensivo da classe dos betabloqueadores (Propranolol), contraceptivos orais, drogas anti-arrítmicas como a Amiodarona. Outras fazem o TSH cair e uma elevação dos níveis de T4, como por exemplo a Metformina, um hipoglicemiante.
  • Deficiências nutricionais de nutrientes essenciais pra cinética correta dos hormônios tireoideanos. Por exemplo, sem Selênio não ocorre a conversão do hormônio T4 em T3 (que é a forma ativa), assim como a falta de Ferro, Zinco e Vitamina D. E essas deficiências nutricionais são MUITO COMUNS na maioria da população. Raras vezes temos pacientes mulheres com Ferritina acima de 50. Ano passado dosei o Selênio sérico em 246 pacientes e somente 3 apresentavam níveis adequados de Selênio. Vitamina D, dosei em mais de 300 pacientes e somente 3 apresentavam níveis adequados. 
Quantas vezes fiz suplementações básicas de Selênio, Vitamina D e Zinco em TSH limítrofe ou um pouco acima do normal, normalizou? Mais de 500. Diariamente faço isso e com bons resultados. 

Ou seja, primeiramente é DEVER do médico investigar a causa da alteração, tentar mudar o estilo de vida, adequar a alimentação (o que ja dá resultados excelentes, pois os alimentos conseguem modular os hormônios), suplementar substâncias naturais (vitaminas, minerais, aminoácidos) e verificar se há uma resolução do quadro. SE não resolver, aí sim, postular a reposição hormonal.

Pelo que vejo, a reposição hormonal foi banalizada e diariamente pego pacientes vítimas de iatrogenia médica. No último final de semana ocorreu uma Jornada de Anti-envelhecimento no CRM de Goiás e lá os conselheiros e especialistas deixaram claro, que a maioria das condutas dos chamados "Moduladores hormonais" não possuem embasamento científico AINDA. E o profissional que for pego prescrevendo hormônio sem a devida comprovação laboratorial da deficiência do mesmo, será punido pelo CRM, com até cassação do registro. Estimulou os médicos a incitarem os pacientes vítimas de tais iatrogenias a levarem suas receitas no CRM. O médico endocrinologistas ou outros especialistas não podem fazer praticamente nada diante da situação, apenas orientar o paciente.

Segundo os artigos 14, 112, 113 e 115 do Código de Ética Médica é vedado ao médico:

  1. praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País;
  2. divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico; 
  3. divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente; 
  4. anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina. 
Um profissional que esteja disposto a ser tão anti-ético só pode ter um conflito de interesse muito grande com a prescrição do hCG, isto é, está ganhando muito dinheiro com isso.

Outubro de 2012 o Conselho Federal de Medicina, lançou a Resolução Nº 1999 DE 27/09/2012 (Federal) na qual resolve:

Art. 1º. A reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada, de acordo com a existência de nexo causal entre a deficiência e o quadro clínico, ou de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.

 Art. 2º. São vedados no exercício da Medicina, por serem destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente, o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:

I - Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II - Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III - Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
IV - Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V - A prescrição de hormônios conhecidos como "bioidênticos" para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI - Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.

 Art. 3º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

 ROBERTO LUIZ DAVILA
Presidente do Conselho

Legislação completa: http://www.legisweb.com.br/legislacao/?legislacao=246190



Semanalmente recebo do consultório pacientes que fizeram a tal Dieta HCG, tão na moda e tão sem evidências científicas.

Afinal, o que é o HCG? 
HCG (gonadotrofina coriônica humana = human chorionic gonadotropin) é um hormônio (glicoproteína)  produzida pelas células trofoblásticas sinciciais (placenta).  É o único hormônio exclusivo da gravidez, fazendo com que o teste de gravidez pela análise de HCG tenha acerto de quase 100%. É o único exame que comprova exatamente a gravidez.

O que ele faz no corpo da mulher?
A função da HCG é manter o corpo lúteo no ovário durante o primeiro trimestre da gestação. Garante a manutenção da gestação, inibindo a menstruação, e a ausência de uma nova ovulação. Alguns tipos de câncer, como coriocarcinoma, produzem HCG. No homem, altos níveis de HCG podem indicar câncer de testículo. Já no cérebro, o HCG sinaliza ao hipotálamo para mobilizar reservas de gordura, alterando a homeostase energética (portanto altera o metabolismo)

No que consiste a dieta?
A dieta do HCG combina injeções diárias do hormônio com uma dieta de 500Kcal. Os defensores alegam que a perda de "gordura" é de 450gramas a 1,3kg  por dia. Normalmente, a dieta de HCG dura 3 semanas. Nos 2 primeiros dias da injeção você pode comer excessivamente. Após a 3ª injeção, você deve aderir à dieta de 500Kcal por até 72 h após a última injeção. Açúcares, frutas com alto índice glicêmico, alimentos processados e amidos não são permitidos.

Alguns pacientes apresentam emagrecimento mas é puramente devido a dieta de 500Kcal. Além disso a terapia não é inócua, além do risco nutricional pela dieta hipocalórica, há o risco de trombose em pacientes que fazem uso do HCG. Um dos artigos mais recentes sobre o assunto foi publicado no ano de 2013 pelo Dr. Goodbar na revista Annals of Pharmacotherapy: "Effect of the human chorionic gonadotropin diet on patient outcomes", no artigo em questão o autor mostra uma lista de efeitos adversos já relatados, que vão desde trombose até AVC e Infarto.

No link a seguir podemos ver uma endocrinologista pesquisadora da UFRGS falando sobre o HCG: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/09/uso-de-hormonio-em-dieta-para-emagrecer-causa-risco-saude-no-rs.html

Emagrecimento é um processo complexo e que envolve muita vezes 2 ou mais profissionais da saúde. Obesidade é uma doença multifatorial e portanto o tratamento muitas vezes não se resume apenas em "fechar a boca" como alguns dizem. Consulte um nutrólogo.

Histórico e evidências científicas

Ao contrário do que se imagina, a controvérsia sobre o uso do HCG para o emagrecimento já tem 60 anos. Em 1954, o Dr. Simeons (endocrinologista britânico) publicou na revista Lancet o artigo intitulado “The action of chorionic gonadotrophin in the obese”. Neste estudo, o hCG era usado em conjunto com uma dieta altamente restritiva, de apenas 500 calorias por dia, com o objetivo de se fazer perder peso sem fome e mantendo a massa muscular

Com a falta de estudos científicos que comprovassem a relação do HCG com a perda de peso, o método caiu em desuso.  Nesse meio tempo (5 décadas) a maioria dos estudos feitos para provar sua eficácia falharam. Acredita-se que a perda de peso seja exclusivamente relacionada à dieta altamente restritiva.

Em 1983, Birmingham & Smith publicaram uma revisão intitulada "HCG não tem nenhum valor no controle da obesidade", cujo último parágrafo diz: "Como a 'terapia' com HCG para tratamento da obesidade tem sido extensivamente desacreditada e consequentemente rejeitada pela vasta maioria da comunidade médica, qualquer profissional cujos pacientes experimentem efeitos colaterais indesejados como consequência dessa terapia deve ser responsabilizado civil e até mesmo criminalmente".

Já na década de 90 um grupo de cientistas holandeses fizeram uma metanálise (uma metanálise é o método estatístico aplicado à revisão sistemática que integra os resultados de dois ou mais estudos primários)  que concluíram que o uso do HCG é uma "terapia inapropriada para perda de peso"

Um estudo realizado na Universidade de Stellenbosch, na África do Sul em 1990, ( Human chorionic gonadotrophin and weight loss. A double-blind, placebo-controlled trial) duplo-cego e placebo-controlado, ou seja, os administradores e os pacientes não estavam cientes de quais participantes estavam recebendo placebo salino dos que recebiam o hormônio HCG real, com quarenta mulheres obesas alocadas em dietas idênticas e com injeções diárias durante seis dias por semana; avaliando perfil psicológico, nível de fome, circunferências de corpo, amostras de sangue, registros de alimentos e peso corporal durante o período; demonstrou que o grupo que recebeu injeções de HCG não exibia nenhuma diferença em qualquer das áreas estudadas apresentando a perda de peso semelhante a esperada em uma dieta restritiva.Um estudo realizado na Universidade de Stellenbosch, na África do Sul em 1990, ( Human chorionic gonadotrophin and weight loss. A double-blind, placebo-controlled trial) duplo-cego e placebo-controlado, ou seja, os administradores e os pacientes não estavam cientes de quais participantes estavam recebendo placebo salino dos que recebiam o hormônio HCG real, com quarenta mulheres obesas alocadas em dietas idênticas e com injeções diárias durante seis dias por semana; avaliando perfil psicológico, nível de fome, circunferências de corpo, amostras de sangue, registros de alimentos e peso corporal durante o período; demonstrou que o grupo que recebeu injeções de HCG não exibia nenhuma diferença em qualquer das áreas estudadas apresentando a perda de peso semelhante a esperada em uma dieta restritiva.

Em 2007, com o lançamento do livro HCG weight loss cure guide — a supplemental guide to Dr. Simeon’s HCG protocol, o assunto voltou à tona. E nos últimos 3 anos viu-se o método virar mania no consultório dos denominados "moduladores hormonais".

Ano passado (2013) Goodbar et al. fizeram um relato de caso sobre uma paciente que iniciou a dieta HCG e duas semanas após apresentou um quadro de trombose venosa profunda com posterior tromboembolismo pulmonar. No artigo alertam que "como a popularidade da dieta HCG continua a aumentar, também aumentam os eventos adversos potenciais associados com a indução da perda de peso por meio de uma estratégia sem comprovações"

Resumindo, com base em evidências científicas nos últimos 50 anos a Dieta HCG é considerada fraudulenta e ilegal em diversos países. No Brasil existe até resolução do Conselho Federal de Medicina vetando o uso de HCG com finalidade de emagrecimento.

Dr. Frederico Lobo
CRM-GO 13192

"Quanto mais picareta, mais se ganha dinheiro. E isso não é exclusividade do Brasil, até porque essas picaretagens não nascem aqui.

HCG (gonadotrofina coriônica humana) oral + dieta de 600kcal/dia

1) Se vc faz uma dieta de 600kcal e usa HCG, vc perde peso; se vc faz uma dieta de 600kcal e toma uma pílula de homeopatia, vc perde peso; se vc faz uma dieta de 600kcal e toma uma colher de aguarraz por dia, vc perde peso.

2) O HCG é um hormônio polipeptídeo. Se usado por via oral, assim que chegar ao estômago, vai acontecer com ele a mesma coisa que acontece com qualquer proteína: pelo pH ácido e as enzimas gástricas, vai ser quebrado em aminoácidos, e cada um deles vai ser absorvido independentemente, e vão ser matéria prima para qualquer proteína que o organismo precise fazer.

3) Existem algumas doenças para as quais se usa HCG como tratamento, sobretudo o hipogonadismo hipogonadotrófico. Esse "palavrão" quer dizer que o organismo não produz o hormônio que estimula a função das gônadas - testículos ou ovários - em produzir os hormônios sexuais. Mas a gente prescreve por via intramuscular, e não é por maldade de fazer o paciente usar uma injeção em vez de um comprimido. É "só" pelo que foi dito em (2).

4) Esse (3) também se vê no "hormônio de crescimento oral". É, tratamos de crianças e adolescentes por anos e anos a fio com uma aplicação subcutânea por dia porque somos maus mesmo. Porque apesar de existir uma opção oral, queremos mesmo que ele use injeção. Blaaaa!

5) A parte mais "engraçada" do site é quando ele diz que os laboratórios não se interessam pelo HCG porque não podem patentear. Curioso que os medicamentos biológicos, obtidos por engenharia genética, dentre os quais os hormônios peptídeos, estão entre os mais caros que existem."

Abaixo, uma reportagem no jornal O Globo falando sobre o tema:

"A busca por fórmulas ditas milagrosas para emagrecer está levando mulheres e alguns homens a se injetarem hormônio de gravidez diante da promessa de perder pelo menos meio quilo por dia. Conhecida como dieta hCG, ela associa a aplicação diária de injeções de beta-hCG (sigla de gonadotrofina coriônica humana) - liberado naturalmente na gravidez e receitado como fármaco em tratamento de infertilidade feminina - à alimentação altamente restritiva: em média, 500 kcal/dia (quilocalorias). Esse programa de emagrecimento ganha cada vez mais adeptos nos Estados Unidos e até no Brasil, onde clientes o compram pela internet; mas pode causar sérios danos à saúde, como embolia.

Em forma de fármaco, o beta-hCG é receitado para estimular a ovulação em tratamento de pacientes com dificuldade de engravidar, e a ideia de usá-lo para perder quilos é antiga. O tratamento foi proposto pela primeira vez em 1954 pelo médico britânico W. Simeons, mas pesquisadores nunca encontraram evidências de que a substância atue no emagrecimento. Aqueles que defendem a dieta hCG afirmam que o hormônio ajuda a suportar os efeitos de uma alimentação quase anoréxica, que traz transtornos como dor de cabeça, problemas intestinais, fraqueza e irritabilidade.

Scott Blyer, um médico americano que oferece a dieta hCG, explica que a substância "engana o corpo, como se a pessoa estivesse grávida". Então o organismo "passa a queimar gordura para que o feto receba calorias suficientes, mas protege o músculo". Na tentativa de atrair mais clientes incautos, as clínicas que vendem o programa da dieta hCG dizem que esse tratamento queima a gordura nas áreas mais difíceis, como braços, barriga e coxas. A terapia dura de 25 a 40 dias, com a "garantia" de o paciente perder em torno de 20 quilos, ao custo de US$ 500 a US$ 1 mil por mês, incluindo consulta, suprimento de hormônio e as seringas.

Em cada etapa do programa (geralmente três) são 21 injeções. Há relatos de mulheres que perderam 11 quilos, ou mais, em 30 dias. E ainda existe a opção de aplicar o hCG em gotas, usada embaixo da língua, mas esta é uma forma menos divulgada. O americano Lionel Bissoon, com clínica em Nova York, cobra US$ 1.150 pelo tratamento da dieta hCG com injeções e afirma que "médicos de todo o país estão vendo pessoas perderem grande quantidade de peso com o programa, e não se pode ignorar isso".

Perigo de problemas cardiovasculares

A dieta começa com aplicações diárias de injeções hCG e no quarto dia o paciente começa a dieta restritiva. Uma brasileira que experimentou o tratamento contou num blog que, depois das injeções, saía para caminhar sob o sol, porque em contato com a radiação ultravioleta "o hCG prometia melhorar a pele, a libido e a fertilidade". Isto é, além de suportar a dieta de fome, ela acreditava que poderia ficar ativa sexualmente e com uma pele mais bonita. No almoço e jantar, tinha direito apenas a consumir 600 gramas: 200 gramas de proteína, 200 gramas de verduras e a mesma quantidade com frutas; sem variar, e tudo cozido, grelhado ou assado, só com sal. Pelo programa, ela não poderia usar condimentos nem alimentos gordurosos - além, claro, de passar longe dos alimentos mais calóricos, como chocolate, pizza e sorvete. E nada de lanchinho nos intervalos. Ela também teria que evitar pintar o cabelo e não tomar corticoides, restrições para grávidas.

Só no fim do programa começa a fase de "reeducação alimentar". O endocrinologista Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), diz que estudos mostraram que o beta-hCG não contribui para a perda de peso total, nem para melhorar a distribuição de gordura.

- O médico americano fornece o hormônio em seu próprio consultório, prática inaceitável no Brasil e estritamente proibida pelo Código de Ética Médica. Já existiram por aqui clínicas que faziam o mesmo, mas não tenho ouvido falar nelas - diz Meirelles.

Mesmo o FDA, o órgão americano que controla medicamentos e alimentos, alerta que "não está provado que o produto intensifique a perda de peso, que cause distribuição mais atraente de gordura ou reduza fome". E a instituição já recebeu relato sobre um paciente que faz a dieta hCG e sofreu uma embolia pulmonar. Mesmo assim, clínicas continuam oferecendo.

- Outra coisa que chama a atenção é que os médicos que vendem esse programa de dieta se propõem a tratar de pessoas que não preenchem os critérios de sobrepeso e obesidade, ou seja, que apresentem índice de massa corporal acima de 30 - comenta Meirelles. - Eles tratam de noivas interessadas em emagrecer para um casamento e mulheres com outras motivações desse tipo. Com a dieta que receitam, qualquer um emagrece. As injeções são placebo para motivar a adesão ao programa. Isto é antiético.

Efeito similar ao de um placebo

Também o endocrinologista Amélio de Godoy Matos, do Instituto de Endocrinologia e Diabetes do Estado do Rio (Iede), diz que a dieta hCG é "charlatanice" desde a década de 60 e acredita que no Brasil há clínicas oferecendo esse tratamento. Mas não há evidência de que ele funcione, tampouco alguma coerência no que afirmam os defensores desse tratamento.

- Nem se sabe o que esses médicos estão injetando em seus pacientes, pois a injeção é aplicada na própria clínica ou vendida pelos próprios interessados. Os riscos com esse tratamento podem ser altos se, de fato, for o hormônio beta-hCG, pois é um hormônio potente, que pode levar a formações de cistos nos ovários, aumentar a produção de testosterona e, com isso, virilizar, causar infertilidade e doença cardiovascular. O estranho é que o FDA não tenha até hoje punido esses médicos - diz.

Também o endocrinologista Alfredo Halpern, professor da faculdade de Medicina da USP, alerta para o perigo da dieta hCG:

- Esse programa não tem qualquer base científica para ser aplicado. Infelizmente há pessoas que gastam dinheiro com isso - critica Halpern.

- Os testes com as pessoas que usaram o hormônio hCG comparados a outro grupo com tratamento placebo mostraram que a perda de peso foi igual.

O que faz emagrecer, diz Halpern, é a dieta de 500, 600kcal, semelhante a de cardápios de spa.

- Qualquer pessoa perde peso em um programa tão restritivo assim. O hormônio hCG não emagrece - garante.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/dieta-associada-injecoes-de-hormonio-da-gravidez-vira-mania-pode-matar-2811670#ixzz22hhCTKgS "

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Dieta sem glúten e emagrecimento

Restringir o glúten da dieta favorece o emagrecimento?

Até o momento não existe nenhuma evidência científica que justifique a restrição total do glúten na dieta para promover a perda de peso de pacientes com sobrepeso ou obesidade, que não tenham doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. De maneira geral, a adesão ao padrão alimentar sem glúten pode resultar em baixa ingestão de alimentos ricos em carboidratos que, de forma indireta, pode favorecer a perda de peso.

Poucas pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de investigar o papel da restrição ao glúten no emagrecimento. Recentemente, Soares e colaboradores, em 2013, realizaram um estudo em ratos com o objetivo de avaliar o efeito de uma dieta isenta de glúten sob o peso corporal, adiposidade, perfil inflamatório do tecido adiposo e homeostase da glicose. Os pesquisadores observaram efeitos benéficos de dietas sem glúten em reduzir o ganho de adiposidade, inflamação e resistência à insulina. Entretanto, os dados ainda são preliminares para justificar uma recomendação de restrição ao glúten entre os pacientes com excesso de peso.

De acordo com o parecer do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (CRN-3), publicado em dezembro de 2011, “a recomendação de restrição de consumo de glúten deve ser destinada aos pacientes com diagnóstico clínico confirmado de doença celíaca, de dermatite herpetiforme, de alergia ao glúten, ou quando, eliminada a hipótese de doença celíaca, haja diagnóstico clínico confirmado de sensibilidade ao glúten (também denominada como intolerância ao glúten–não celíaca). Deve-se salientar que o diagnóstico clínico é de competência exclusiva do médico”. O documento ainda reforça que “o descumprimento dessa diretriz oferece indícios de infringência ao código de ética do nutricionista por desrespeito ao princípio fundamental explicitado no seu artigo 1º e pelo descumprimento do artigo 6º, inciso VI, sujeitando os infratores a processo disciplinar e às penalidades previstas na legislação”.

Bibliografia (s)

  1. Marcason W. Is there evidence to support the claim that a gluten-free diet should be used for weight loss? J Am Diet Assoc. 2011 Nov;111(11):1786.
  2. Diamanti A, Capriati T, Basso MS, Panetta F, Di Ciommo Laurora VM, Bellucci F, Cristofori F, Francavilla R. Celiac disease and overweight in children: an update. Nutrients. 2014 Jan 2;6(1):207-20.
  3. Soares FL, de Oliveira Matoso R, Teixeira LG, Menezes Z, Pereira SS, Alves AC, et al. Gluten-free diet reduces adiposity, inflammation and insulin resistance associated with the induction of PPAR-alpha and PPAR-gamma expression. J Nutr Biochem. 2013 Jun;24(6):1105-11.
  4. Kabbani TA, Goldberg A, Kelly CP, Pallav K, Tariq S, Peer A, Hansen J, Dennis M, Leffler DA. Body mass index and the risk of obesity in coeliac disease treated with the gluten-free diet. Aliment Pharmacol Ther. 2012 Mar;35(6):723-9.
  5. Conselho Regional de Nutricionistas – 3ª Região. RESTRIÇÃO AO CONSUMO DE GLÚTEN. Colegiado do CRN 3ª Região 2011-2014.


Fonte: http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&id=781&categoria=11

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Hormônios bioidênticos por Paulo Gentil



Ah tá! E você acreditou? Fala sério!?

Estou vendo uns Liars vendendo os hormônios bioidênticos com promessas que vão do antienvelhecimento à melhora da estética e do bem-estar. Em primeiro lugar, as variações "bioidênticas" poderiam ser um retrocesso em termos de qualidade farmacológica em muitos casos, pois muitos medicamentos foram produzidos justamente para minimizar efeitos indesejados enquanto maximizam os positivos, tanto que diversos estudos apontam que os "bioidênticos" são menos eficientes que os hormônios vendidos regularmente.

A Sociedade de Endocrinologia dos EUA adverte que a fabricação individualizada de hormônios é uma falácia e os endocrinologistas sérios alertam que deve-se procurar os produtos produzidos com tecnologia de ponta, ao invés das famigeradas manipulações, que não tem sua qualidade assegurada e não são controladas por órgãos fiscalizadores, como ANVISA.

E dizer que bioidênticos são novidade é mentira, pois hormônios idênticos aos produzidos pelo corpo, como tiroxina, progesterona, testosterona e hormônio do crescimento são usados há muitas décadas. Deve-se ressaltar também que o excesso de hormônio pode causar problemas de saúde, independente de sua origem, tanto que a produção excessiva de hormônio pelo próprio corpo pode levar a problemas como hipertiroidismo, acromegalia, hiperinsulinemia, hiperandrogenia, Síndrome de Cushing, aldosteronismo, etc.

Enfim, os hormônios bioidênticos não tem qualidade superior aos demais, não são isentos de risco e não devem ser prescritos por qualquer um. Além disso, sua administração para melhorar performance, estética ou evitar envelhecimento é uma prática condenada pelas principais associações de saúde do Mundo, mas que vêm sendo empurrada para população por meio de afirmações falsas e incoerentes! Então vamos usar nosso conhecimento, senso crítico e nosso bom senso, para não cair em mentiras e tampouco espalha-las.

Referências:




  1. Boothby LA, Doering PL. Bioidentical hormone therapy: a panacea that lacks supportive evidence. Curr Opin Obstet Gynecol. 2008 Aug;20(4):400-7. doi: 10.1097/GCO.0b013e3283081ae9.
  2. Files JA, Ko MG, Pruthi S. Bioidentical hormone therapy. Mayo Clin Proc. 2011 Jul;86(7):673-80, quiz 680. doi: 10.4065/mcp.2010.0714. Epub 2011 Apr 29.
  3. Korownyk C, Allan GM, McCormack J. Bioidentical hormone micronized progesterone. Can Fam Physician 2012;58:755.
  4. McBane SE, Borgelt LM, Barnes KN, Westberg SM, Lodise NM, Stassinos M. Use of compounded bioidentical hormone therapy in menopausal women: an opinion statement of the Women's Health Practice and Research Network of the American College of Clinical Pharmacy. Pharmacotherapy. 2014 Apr;34(4):410-23. doi: 10.1002/phar.1394. Epub 2014 Jan 4.
  5. Pattimakiel L, Thacker HL. Bioidentical hormone therapy: clarifying the misconceptions. Cleve Clin J Med. 2011 Dec;78(12):829-36. doi: 10.3949/ccjm.78a.10114.

sábado, 5 de julho de 2014

10 perguntas sobre o glúten e 10 respostas baseadas em evidências



1. O que é o glúten? 

Ele é uma proteína presente naturalmente em muitos cereais, como o trigo, o centeio e a cevada. Ou seja, não é uma invenção da indústria moderna, por exemplo, como foi o caso da gordura trans, só para fazer uma comparação. O glúten confere elasticidade na receita de diversos alimentos, caso típico do pão: ao sovar a massa, o padeiro cria as redes de glúten, estruturas capazes de aprisionar o gás carbônico expelido pelas leveduras do fermento. Assim, o pãozinho cresce e fica macio. "E o pão, você já sabe, é um dos alimentos mais antigos da humanidade, que se multiplicou e evoluiu sem problemas por consumi-lo", lembra o nutrólogo Mauro Fisberg, professor da UNIFESP.

2. O glúten poderia causar algum problema de saúde? 

Cerca de 1% da população mundial possui a doença celíaca. Nesse tipo de alergia, o glúten não é bem aceito pelo intestino. Quando ele chega ao órgão desses pacientes (e só neles), desencadeia uma reação do sistema imunológico, que destaca células de defesa para atacar a região. Nessa briga, acaba sobrando para as vilosidades intestinais, estruturas que são responsáveis por absorver os nutrientes da comida. Com as vilosidades inflamadas, claro que ela não é aproveitada da forma como deveria, bagunçando completamente o trânsito intestinal, para não dizer o estado nutricional daquele indivíduo. "Os sintomas mais comuns são diarreia, dor, distensão abdominal e inchaço", lista o gastroenterologista Alexandre Sakano, do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, na capital paulista. Mas, atenção, porque aqui estamos falando de uma doença específica que atinge uma em cada 100 pessoas. Histórias fantasiosas de que o glúten engorda até atrapalham a vida desses portadores. Imagine um doente celíaco que afirma, no restaurante da empresa, que não pode comer itens com glúten. Na toada das boatarias, esse sujeito é tomado como alguém interessado apenas em emagracer e não como portador de um problema que merece respeito e atenção.

3. Como a doença celíaca é detectada? 

O primeiro passo é procurar o médico, diante de sintomas como diarreia constante. Se for criança, o certo é levar ao pediatra. Se for adulto, o clínico-geral. Esses profissionais vão começar a investigação, fazendo a análise clínica do paciente. Se houver suspeita de doença celíaca, vale procurar um gastroenterologista, o especialista no sistema digestivo. Ele vai pedir um exame de sangue, para verificar a presença de anticorpos típicos da doença, e uma biópsia do intestino. Caso o distúrbio seja detectado, aí não tem jeito: é preciso cortar todos os alimentos com glúten da dieta. E o acompanhamento de um nutricionista é importante a fim de evitar desfalques de nutrientes importantes para a saúde.

4. Tem gente que acusa o glúten de estar envolvido com alergia, intolerância, sensibilidade, doença celíaca... A cada hora, usam um termo. Qual é o certo?

Quando se fala em doença celíaca, o uso do termo intolerância é equivocado. "Hoje em dia, intolerância ou sensibilidade ao glúten são palavras utilizadas para pacientes que apresentam mal-estar ao consumir alimentos com glúten e que não são celíacos", explica a nutricionista Mariana Del Bosco, mestre em ciências da saúde pela Universidade de São Paulo. Normalmente, quando um não celíaco se queixa depois de comer alimentos com glúten, como macarrão, cerveja e pão, recebe o diagnóstico de intolerante ao glúten. Diagnóstico, no mínimo, polêmico. “Isso porque não existe um consenso sobre as características desse distúrbio e ninguém pode nem sequer afirmar que ele existe”, completa Mariana. Ou seja: tem gente que se sente estufado depois de comer um macarrão, por exemplo. Ou de devorar um bolo. Mas pode ser que o problema seja causado pelos molhos e recheios gordurosos. Aliás, é bem mais provável.

5. Afinal, existe ou não existe intolerância ao glúten? 

O assunto é controverso. Alguns especialistas dizem que sim, mas muitos outros garantem que não. Um estudo recém-publicado da Universidade de Monash, na Austrália, levanta questões sobre a existência da tal intolerância ao glúten. Os cientistas recrutaram 37 voluntários que se diziam sensíveis à proteína do trigo e da aveia. Na primeira semana, todos receberam uma dieta rica em carboidratos de difícil digestão. Na semana seguinte, eles foram divididos em três grupos. O primeiro recebeu uma alimentação cheia de glúten, o segundo, refeições com pouco glúten e o terceiro fez uma dieta com zero da proteína. Detalhe: ninguém sabia em qual das turmas tinha caído. No período da experiência, os participantes das três turmas reportaram piora dos sintomas gastrointestinais - mesmo aqueles que não haviam travado contato com uma mísera molécula de glúten. Os autores desse trabalho sugerem com veemência que um forte efeito psicológico possa estar por trás da tal intolerância tão divulgada por aí. E o mais curioso é que o autor da pesquisa, o gastroenterologista Peter Gibson, havia conduzido uma experiência em 2011 que havia comprovado a existência da tal sensibilidade ao glúten. Mas nem ele, que foi um dos primeiros a levantar essa bola, estava satisfeito com os resultados. Sim, a cabeça também conta muito na hora de sentir a barriga pesar. Principalmente quando todo mundo fica encontrando um réu por aí.

6. Há um aumento do número de casos de doença celíaca, o único motivo real para cortar o glúten? 

Seria por isso que agora todo mundo parece passar mal com essa proteína ou ficaria imaginando passar mal? Os médicos entrevistados por SAÚDE não percebem um crescimento dos diagnósticos de celíacos. "A taxa de indivíduos com a doença permanece completamente estável", analisa o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, professor da Universidade Federal de São Paulo e do Hospital Infantil Sabará, na capital paulista. "O que aumentou foi a qualidade dos testes e exames que detectam o problema", explica. Mas nem isso, diga-se, fez as taxas subirem...

7. Vale cortar o glúten do cardápio sem consultar um médico? 

De jeito nenhum. De acordo com os especialistas, alimentos ricos em glúten, dentro de uma dieta equilibrada, trazem inúmeros benefícios para a saúde. "Eles ajudam a controlar a glicemia e os triglicérides, aumentam da absorção de vitaminas e minerais, melhoram a flora intestinal e deixam o sistema imunológico mais forte", lista o endocrinologista Marcello Bronstein, professor de endocrinologia e metabologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Quem gostaria de perder esse pacote de vantagens? O segredo está no equilíbrio das porções. Retirar o glúten só é indicado quando o médico mandar, isto é, no caso de doença celíaca.

8. Alimentos livres de glúten são mais saudáveis? 

Nem sempre - apesar de parecerem, no imaginário das pessoas. Pesquisadores da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, mostraram que acrescentar palavrinhas mágicas nos rótulos - "antioxidante", "orgânico" e, claro, diante de tanto bafafá sem base científica, "livre de glúten" - torna o produto mais saudável do que ele realmente é, pelo menos na cabeça do consumidor. "E o fato de um alimento ser livre de glúten não significa que ele seja menos calórico", faz questão de observar Bronstein.

9. O glúten pode estar por trás da obesidade, supeita que andou sendo levantada por aí?

Cortar o glúten da dieta emagrece. Ora, o indivíduo vai deixar de comer as principais fontes de carboidrato de sua dieta, como pão, bolo, doces... Uma ingestão menor de calorias vai resultar em decréscimos na balança. Ou seja, diminuir calorias faz diminuir quilos na balança. E não por retirar o glúten. Você poderia emagrecer do mesmo jeito se retirasse açúcar, gorduras, qualquer outra substância muito presente em... comida que tende a ser mais calórica, claro. "Dietas sem glúten são modismos puros", diz Bronstein. Por outro lado, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, realizado no ano passado, dividiu ratinhos em dois grupos: o primeiro recebeu uma dieta rica em glúten, enquanto a segunda turma passou por uma dieta livre da proteína. Ao final da pesquisa, aqueles que não travaram contato com os cereais tiveram uma redução na gordura, inflamação e resistência à insulina. Vale lembrar que a experiência foi pequena e novas investigações serão necessárias para comprovar a tese. E é um dos únicos trabalhos do planeta nessa linha. "A obesidade é uma doença multifatorial. Se ela fosse causada por uma única proteína, como o glúten, resolveríamos o problema facilmente", explica Fisberg. Pena, então, que a missão de emagrecer um mundo cada vez mais rechonchudo parece ser mais complicada.

10. O glúten mudou nas últimas décadas? 

Uma das explicações usadas para banir o glúten da dieta diz que a proteína sofreu algumas modificações maléficas a partir da década de 1960. O pai da teoria é o cardiologista americano William Davis, autor do livro “Barriga de Trigo”, que já vendeu mais de 1,8 milhão de exemplares e figura há algum tempo na lista de mais vendidos do jornal New York Times. De acordo com a versão, os cruzamentos de espécies de trigo realizados pelo agrônomo Norman Borlaug (1914 – 2009) causou drásticas - e prejudiciais - alterações na estrutura do glúten. Essas mudanças estariam aumentando os casos de diabete, pressão alta e obesidade. “Porém, não existe a menor evidência científica sobre isso. Nenhum trabalho demonstrou que essa hipótese seja verdadeira”, critica Fisberg. É outra voz isolada no universo da ciência. Mas uma voz que tem conseguido espaço para se fazer ouvida. É válido, dentro de um contexto, conhecendo todos os estudos a respeito.

Fonte: http://m.mdemulher.abril.com.br/saude/10-perguntas-gluten-10-respostas-serias-ciencia-788594

terça-feira, 1 de julho de 2014

DETOX: como funciona uma detox de verdade ? Verdades e mitos...



Atualmente fala-se muito em dieta detox, programas de detoxificação, desintoxicação e etç. Afinal, o que é verdade e o que é mito ? Existe um capítulo sobre o tema na principal referência de farmacologia (GONZALES, FJ, et al. Metabolismo de fármacos. In: BRUNTON L, CHABNER, B, KNOLLMAN,  B. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. Cap 06,  p.123-142. ) O "Goodman" é adotado pela maioria das universidades de medicina e farmácia de todo o mundo. Então sejamos científicos.

Primeira pergunta: Detox existe?

Sim, existe, não da forma como é propagada, de maneira sensacionalista. O termo mais correto seria destoxificação.  Na destoxificação podemos eliminar tanto xenobióticos, fármacos quanto substâncias endógenas (exemplo hormônios, neurotransmissores). O termo desintoxicação ficaria mais ligado a desintoxicação metabólica de drogas = Metabolic Detoxication, Drugs: “redução da atividade farmacológica ou da toxicidade de uma droga (ou outra substância estranha) por um sistema vivo, geralmente por ação enzimática”.

Segunda pergunta: As pessoas querem desintoxicar de que ? 

Drogas? Vai pra clínica de reabilitação.
Metais tóxicos?  Hospitais fazem processo de quelação.
Venenos? Toxicologistas são especialistas nisso.

Agora Desintoxicar de "Jacadas" de final de semana, carnaval, feriados, final de ano? Isso seu organismo faz muito bem, sozinho, sem custo nenhum, basta você fornecer os substratos para que as reações ocorram.

Mas me falaram...

Ah te falaram que você tem xenobióticos e que eles podem causar doenças, então você precisa fazer DETOX? Os tais falados xenobióticos são substâncias estranhas ao nosso corpo e nosso corpo sabiamente consegue por mecanismos eficazes metabolizá-los e eliminá-los.

O processo de Destoxificação

O tal processo de DESTOXIFICAÇÃO englobaria 3 estágios: 2 fases de metabolização e 1 fase de eliminação.

Geralmente esses xenobióticos são APOLARES, ou seja, substâncias lipossolúveis (hidrofóbicas) e para que sejam excretadas precisam sofrer adição de algum componente químico para se tornarem POLARES, Hidrossolúveis, portanto facilmente excretadas via BILE (via intestinal), Renal (urina) e com um peso molecular menor.

Resumindo Destoxificação: “Trata-se de um processo que envolve múltiplas reações bioquímicas com a utilização de múltiplos substratos e dependente de cofatores enzimáticos” Ou seja, no meio desses cofatores entram vários nutrientes que nosso corpo necessita, teoricamente aí que entraria a tal dieta detox.

Mas será que precisamos mesmo de uma Dieta para metabolizar tais substâncias. A resposta é SIM. Precisamos de uma dieta EQUILIBRADA (aqui não inclui suplementos, é apenas alimentação), com todos os nutrientes para que o nosso corpo consiga fazer o tal Detox. Mas não só com nutrientes se faz uma detox.

As fases da destoxificação

Fase 1: nela ocorre uma  biotransformação ou bioativação.
Objetivo: introduzir um novo grupo funcional para modificar o grupo existente, além de fazer a exposição do receptor para a conjugação da fase II.
Nessa fase utiliza-se principalmente de um sistema de enzimático chamado Citocromo P450. Ele é composto por várias isoenzimas e que para funcionarem bem, precisam principalmente dos seguintes nutrientes:

  1. Ferro (principal fonte  são as carnes)
  2. Colina (principal fonte é o ovo), 
  3. B2 (principal fonte é fígado bovino, além de aveia (vixi tem glúten) e amêndoa), 
  4. B3 (principais fontes são as carnes e amendoim)

Tem um adendo importante com relação ao Citocromo P450. Muitas das substâncias fitoquímicas utilizadas nos chás “detox” podem alterar o funcionamento das isoenzimas (CYPs) e com isso alterar de forma negativa o processo natural de detoxificação.  É muito comum utilizarem o chá verde na detox. Seria interessante isso? Usado milenarmente somente agora os pesquisadores estão mostrando que esse chá pode ter seus riscos. Pode por exemplo levar a insuficiência hepática aguda. Pode também por conter cafeína causar agitação, insônia. Quem metaboliza a cafeina é uma isoenzima do citocromo P450 chamada CYP1A2. Algumas pessoas possuem uma baixa de detoxificação pela CYP1A2 e com isso apresentam um aumento nos sintomas de insônia e agitação após o consumo de cafeína.

Após a fase 1 forma-se metabólitos intermediários que levam a produção de radicais livres, dano aos tecidos e precisam ser neutralizados. Mais uma vez: Dieta balanceada dá conta do recado.

Nutrientes envolvidos:
  1. Betacaroteno (Fontes: cenoura, abóbora)
  2. Vitamina C (Fontes: acerola, laranja, todas as frutas cítricas)
  3. Vitamina E (Fontes: óleo de gérmen de trigo (vixi, tem glúten), oleaginosas)
  4. Selênio (Fonte: Castanha do Pará)
  5. Zinco (Fontes: carne, ostras, oleaginosas)
  6. Manganês (Fontes: gérmen de trigo (vixi, mais glúten), oleaginosas, aveia (mais glúten).
  7. Enxofre (Fontes: alho, cebola, couve, repolho).
  8. Ácido fólico: (Fontes: fígado, lentilha, quiabo, feijão, espinafre)
  9. Vitamina B12 (Fontes: alimentos de origem animal)
Mas a detox geralmente não é sem proteína animal? E nos vegetais esses nutrientes estão em quantidade menor ? Sim, mas mesmo assim tem gente que insiste em acreditar que pílulas desses nutrientes, dieta líquida e ausência de proteína animal será mais eficiente que uma alimentação balanceada.

Fase 2: Fase na qual ocorre conjugações.
Objetivo: transformar as toxinas ativadas (metabólitos intermediários) na fase I em moléculas hidrossolúveis – BIOINATIVAÇÃO.

As principais reações que ocorrem são:
  1. Sulfatação: conjugação com sulfato inorgânico
  2. Acetilação: conjugação com acetil-CoA
  3. Acilação: conjugação com glicina, taurina, ou glutamina
  4. Glicuronidação: conjugação com ácido glicurônico
  5. Metilação: conjugação com grupo metil - SAME
  6. Conjugação com glutationa
Essas reações são dependente de enzimas que por sua vez são dependentes de nutrientes. Quem mais auxilia na conjugação é a Glutationa, uma substância formada pela junção de 3 aminoácidos: ácido glutâmico,glicina, cisteína. Fontes principais dos 3? Proteínas.  A pergunta que fica, então porque uma dieta mais líquida?

Nutrientes da fase 2: estarão relacionado a cada uma das reações.
  1. Vitamina C (Fontes: acerola, laranja, todas as frutas cítricas)
  2. Selênio (Fonte: Castanha do Pará)
  3. Zinco (Fontes: carne, ostras, oleaginosas)
  4. Molibdênio: (Fonte: lentilha, feijão, amêndoa, amendoim)
  5. Enxofre (Fontes: alho, cebola, couve, repolho).
  6. Ácido fólico: (Fontes: fígado, lentilha, quiabo, feijão, espinafre)
  7. Vitamina B12 (Fontes: alimentos de origem animal)
  8. Magnésio (Fontes: oleaginosas, caju, acelga, espinafre)
  9. Colina (principal fonte é o ovo), 
  10. B5 (Fontes: fígado de frango, oleginosas, cogumelos, cottage, ovo, abacate).
  11. Taurina: (Fontes: carnes e peixes, também podendo ser sintetizada através da cisteína combinada com B6, Zinco e manganês).
Mas não é somente Nutrientes que podem auxiliar na fase 2. Quem tem papel fundamental na melhora do processo de destoxificação? TREINAMENTO. 

Quer fazer detox e não quer malhar? FURADA, BURRADA. Ao invés de na segunda entrar na detox, opte por ir malhar (tem mais evidências científicas do que dietas líquidas, desequilibradas, laxativas). A prática regular de atividade física melhora os níveis de Glutationa e outras enzimas antioxidantes. O processo de adaptação à atividade física leva a um aumento dos níveis da Glutationa S-Transferase (essencial pro processo de destoxificação). alguns hormônios que sobem com o treinamento (como cortisol e testosterona) melhoram os níveis de Sulfotransferases, essenciais pra fase 2.Além disso, a prática regular de atividade física associado a dieta equilibrada (rica em cisteína e zinco (carne novamente?)) favorece a formação de Metalotioneínas que são substâncias que poupam a sua glutationa e auxiliam na fase 2. Fontes científicas existem várias:
  1.  LEEUWENBURGH,C.et al. Adaptations of glutathione antioxidant system to endurance training are tissue na muscle fiber especific. Am J Physiol.
  2. 272:363-369-1997
  3. LAUGHLIN,M.H. et al.Skeletal muscle oxidative capacity, antioxidant enzymes, and exercices. J Appl Physio, 68(6):2337-2343,1990
  4. MAITI,S.et al. Stress regulation of sulfotransferases in male rat liver. Biochem Biophys Res Commun, 323(1): 235-242,2004
  5. CARLI,G. ET AL. Changes in the exercise-induced hormone response to branched chain amino acid administration. Eur J Appl Phys,64:272-277,1992.
  6. PENKOWA,M. et al.Exercise –induced metallothionein expression in human skeletal muscle fibres. Exp Physiol, 90(4):477-486,2005.
  7. HAIDARA, K. ; MOFFATT. P; DENIZEAU,F. Metallothionein induction induction attenuates the of glutathione depletors in rat hepatocytes. Toxicol Sci, 49(2):297-305,1999.
Fase de excreção

Na fase de eliminação (excreção) o peso molecular determinará por onde o metabólito sairá, se:
  1. Peso molecular >500 daltons sairá pela Bile (depois fezes)
  2. Peso molecular <500 daltons sairá pela Urina
Mas e quem interfere no nosso processo natural de destoxificação? 
  1. Jejum 
  2. Dieta de baixa caloria (Dieta detox é de baixíssima caloria)
  3. Dieta pobre em proteínas (Dieta detox geralmente restringe proteína animal)
  4. Deficiência de aminoácidos, vitaminas e minerais (Dieta detox é deficiente principalmente em vitamina B12 e se for sem carne terá uma quantidade bem menor de determinados aminoácidos cruciais para o processo)
Justamente o que mais se vê nas dietas detox. Então elas estariam auxiliando ou atrapalhando o processo natural de destoxificação ?

Que o processo de destoxificação existe: OK, há evidências científicas sólidas.
Que esse processo é dependente de nutrientes: Ok, tanto na fase 1 quanto na fase 2 eles entram como co-fatores de todo o processo.
Que esses nutrientes podem ser adquiridos apenas com alimentação: Ok, visto as fontes de maior biodisponibilidade

Mas e os estudos que mostram que alguns compostos podem agir na fase 1 e na fase 2? Como o quadro abaixo lista, a maioria dos estudos de referência foram realizados em ratos. Será que podemos extrapolar para humanos? Menos mal que esses fitoquímicos estão em diversos vegetais e frutas.


Problemática da dieta detox

1. Dietas líquidas ou pastosas: na grande maioria das vezes nutricionalmente desequilibradas.
2. Retirada de proteínas animais: o que leva a déficit de proteínas. Faz detox e perde massa magra.
3. Efeito laxativo pela alta ingestão de refeições líquidas/pastosas (daí muita gente acreditar que sente-se mais leve. É ÓBVIO que sente-se mais leve. Tenha uma diarréia pra ver se não se sente mais leve! Facilite a sua digestão utilizando alimentos semi-digeridos, obviamente terá a sensação de leveza.
4. Perda de peso: Muito diferente de emagrecer. Perde-se líquido via retal (amolecimento das fezes e muitas vezes diarréia = efeito laxativo) e massa magra. Somado a isso há o aumento da diurese pela alta ingestão hídrica e de chás com ação diurética.
5. Sensação de tranqüilidade, ilusória: Jacou o final de semana inteiro, tem que arrumar uma forma de se martirizar e aliviar a culpa (criando uma relação doentia com a comida). Solução? Dieta detox por 1 semana. É igual pecador que recorre ao padre pra confessar, reza e pronto, estamos quite.
6. Fraqueza/astenia: Geralmente devido à  privação de nutrientes, tais pacientes ficam fracos e não conseguem treinar nos dias em que estão no detox. Se vão treinar, podem sentir mal-estar, hipoglicemia, vertigem, náuseas.

Portanto, confie no seu corpo, ele sabe naturalmente Destoxificar. Você só precisa:
  1. BEBER ÁGUA, 
  2. COMER ADEQUADAMENTE (com o aporte de todos os nutrientes)
  3. TREINAR REGULARMENTE, 
  4. DORMIR 
  5. EVITAR SE INTOXICAR: álcool em excesso, cigarro, drogas, auto-medicação, uso de suplementos sem supervisão, ingestão de alimentos com agrotóxicos. 
Bibliografia:
  1. GONZALES, FJ, et al. Metabolismo de fármacos. In: BRUNTON L, CHABNER, B, KNOLLMAN,  B. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. Cap 06,  p.123-142.
  2. LEVIN, B. Environmental Nutrition, 1999.
  3. COZZOLINO, S. Biodisponibilidade de nutrients. 4ª Ed. Barueri – SP. Manole. 2012
  4. LISKA, J.A. The detoxification Enzyme Systems . Altern Med Rev ; vol 3, p. 187-198, 1998.
  5. WILLIAMS, D.A. LEMKE, T.L. Foye’s Principles of Medicinal Chemistry, 2003
  6. FABER, M.S.; JETTER, A.; FUHR, U. Assessment of CYP1A2 activity in clinical practice: why, how, and when? Basic Clin Pharmacol Toxicol; 97(3):125-34, 2005
  7. LEEUWENBURGH,C.et al. Adaptations of glutathione antioxidant system to endurance training are tissue na muscle fiber especific. Am J Physiol. 272:363-369-1999.
  8. LAUGHLIN,M.H. et al.Skeletal muscle oxidative capacity, antioxidant enzymes, and exercices. J Appl Physio, 68(6):2337-2343,1990.
  9. MAITI,S.et al. Stress regulation of sulfotransferases in male rat liver. Biochem Biophys Res Commun, 323(1): 235-242,2004.
  10. CARLI,G. ET AL. Changes in the exercise-induced hormone response to branched chain amino acid administration. Eur J Appl Phys,64:272-277,1992.
  11. PENKOWA,M. et al.Exercise –induced metallothionein expression in human skeletal muscle fibres. Exp Physiol, 90(4):477-486,2005. 
  12. HAIDARA, K. ; MOFFATT. P; DENIZEAU,F. Metallothionein induction induction attenuates the of glutathione depletors in rat hepatocytes. Toxicol Sci, 49(2):297-305,1999.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Análise da composição corporal por Bioimpedância em Goiânia

A Bioimpedância ou Impedância Bioelétrica (BIA) é um método de análise da Composição Corporal (CC).
Apesar de não ser considerado padrão-ouro para análise da CC foi considerado pelo Consenso Latino Americano de Obesidade como um método apurado para avaliação da CC. Com os dados dessa avaliação, é possível fazer o correto diagnóstico de peso corporal, avaliando se a pessoa está inchada (edemaciada ou retendo líquido) ou se é excesso de peso realmente.

Com base nesse exame, o cardápio é melhor elaborado e as metas são melhores atingidas.

Além disso o acompanhamento fica mais completo, já que o médico consegue acompanhar se a massa magra ou massa gorda aumentou/diminuiu.

Entretanto para que a análise seja feita correta, faz-se necessário seguir alguns protocolos.

Quais as vantagens da BIA ?
A BIA é um método não invasivo, rápido, com boa sensibilidade, indolor, usado para avaliar a CC, baseado na passagem de uma corrente elétrica (totalmente indolor) de baixa amplitude (500 a 800 mA) e de alta freqüência (50 kHz), e que permite mensurar os componentes resistência (R), reatância (Xc), impedância (Z) e ângulo de fase. Termos difíceis para um leigo, mas resumindo, de posse destes parâmetros o aparelho consegue calcular:

  1. A Real % Gordura Corporal e  o Peso Gordura
  2. A % de massa magra e Peso da massa magra corporal
  3. O peso total
  4. A % Água Corporal
  5. Taxa Metabólica Basal (TMB) – quanto você gasta em calorias por dia para manter-se vivo e em repouso.
  6. O Índice de Massa Corporal (IMC)

Como se faz a BIA ?
Existe um protocolo sugerido por pesquisadores o qual a marca InBody preconiza como fundamental para uma análise correta da CC.

  1. Suspender o uso de medicamentos diuréticos de 24 horas a 7 dias antes do teste
  2. Estar em jejum de pelo menos 4 horas
  3. Estar em abstinência alcoólica por 48 horas
  4. Evitar o consumo de cafeína ou qualquer termogênico (chá-verde, chá-mate, coca-cola, guaraná em pó, chocolate) 24 horas antes do teste
  5. Estar fora do período pré menstrual e menstrual
  6. Não ter praticado atividade física nas últimas 24 horas
  7. Ter bebido pelo menos 2 litros de água nas últimas 24 horas
  8. Urinar pelo menos 30 minutos antes da medida
  9. Permanecer pelo menos 5 -10 minutos de repouso absoluto em posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida
Durante o exame, como já dito acima, uma corrente elétrica passa pelo corpo através de dois pares de eletrodos (adesivos) colocados na mão e no pé direito. O exame é totalmente indolor. Quanto maior é o percentual de gordura, maior é a dificuldade para a corrente elétrica atravessar o corpo.

Existe alguma contra-indicação para realizar a BIA ?
Contra-Indicação absoluta para a realização do teste: portadores de marcapasso e gestantes.

Por que utilizar a BIA no emagrecimento ou quando se quer ganhar massa magra ?
A grande vantagem da BIA é nos processos de emagrecimento. Hoje ja se sabe que perda de peso não é sinônimo de emagrecimento, muitas vezes o paciente perde massa gorda (gordura), ganha massa magra e o peso não altera na balança (as vezes até aumenta). Com a análise pela BIA as chances de uma interpretação errônea é menor. Um outro exemplo é quando o paciente apresenta alto IMC, não se acha tão gordo e aí a BIA evidencia que há uma grande % de massa magra, sendo assim a quantidade de gordura a ser perdida não é a que era estimada de acordo com o IMC.

Considerações importantes sobre a BIA
Além de seguir o correto protocolo, faz-se necessário que o aparelho seja de boa qualidade e esteja calibrado. No Brasil a Ottoboni é representante da maior marca de BIA do mundo, a InBody. Portanto os aparelhos InBody possuem validação científica, sendo chancelados pelas maiores Instituições do Brasil, como a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e GANEP.

Qualquer aparelho de BIA é fidedigno para análise da CC ?
Não. Quanto maior a tecnologia (número de polos, segmentos e frequências) melhor a acurácia do teste. Nosso aparelho é da marca InBody, tetrapolar, multisegmentar, multifrequencial. O exame dura cerca de 10 minutos e o resultado é impresso na hora.




Quem realiza o exame?
Diferente da maioria das clínicas, o nosso exame é feito pelo Dr. Pedro Paulo Prudente (CRM-GO 12.744).

Autoria do texto:
  • Dr. Pedro Paulo Prudente (CRM-GO 12.744) - Médico, especialista em medicina esportiva, pós-graduando em Nutrologia Médica. Residência em Medicina do Exercício e Esporte pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Atende no Instituto de Medicina de Goiás - Rua 10, nº 707 (quase em frente à praça Tamandaré), Setor Oeste - Goiânia - GO. Fones: (62) 3215-5788 (Secretária Telma). 
  • Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13.192/ CRM-DF 18.620) - Médico, pós-graduando em Nutrologia Médica, utiliza na sua prática clínica preceitos ortomoleculares. Atende no Instituto de Medicina de Goias - Rua 10, nº 707 (quase em frente à praça Tamandaré), Setor Oeste - Goiânia - GO. Fones: (62) 3215-5788, (62) 4018-1155 (Secretária Ludmila). 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Água alcalina ? Sabe de nada inocente...


Muita gente propaga por aí que a melhor água é a com a o pH alcalino. Tenho inclusive alguns amigos que defendem que a água alcalina previne uma série de doenças. Desculpem mas eu NÃO acredito em nada disso, muito menos em teoria de alimentos ácidos ou alcalinos.

Pra mim é um profundo desconhecimento da bioquímica fisiológica e falta de percepção que por trás disso há gente querendo vender os tais filtros de água alcalina. E o pior, não há respaldo NENHUM pra isso nos livros de fisiologia, livros de nutrição.

Quem tiver por favor poste o link pra mim, a referência do livro, do artigo, seja la o que for. Eu quero entender com base em que alguns médicos alegam que as doenças se desenvolvem no meio ácido e a saúde impera no meio básico.

Resumindo o nosso estômago tem pH entre 2 e 4 (pH ácido). O meu sangue continua com pH 7,3 independente se como ou bebo algo com pH ácido ou alcalino. Tudo isso ocorre graças a um sistema Tampão que nosso corpo tem para regular o pH e manter numa faixa entre 7,35 e 7,45.  São 3 os mecanismos básicos de regulação:
1) Mecanismo respiratório.
2) Mecanismo renal.
3) Mecanismo químico (sistema tampão sanguíneo).

O mecanismo respiratório; o mecanismo renal e o mecanismo químico, representado por pares e constituído por um ácido fraco e uma base conjugada, os quais representam os tampões mais importantes. Abaixo os tipos de bases e ácidos e a qualidade relativa de porcentagem no nosso corpo:

• Ácido carbônico / bicarbonato – 64%
• Proteína ácida / proteína básica – 7%
• Hemoglobina / oxi-hemoglobina – 28%
• Fosfato monoácido / fosfato diácido – 1%

Estes são encontrados no sangue (líquido intravascular), nos tecidos (líquido intersticial) e no interior das células (líquido intracelular).

O íon bicarbonato é o principal responsável pelo tamponamento do sangue humano e é geralmente encontrado nos fluidos corporais na forma de bicarbonato de sódio. O bicarbonato mantém o pH do sangue numa faixa segura compreendida entre 7,35 e 7,45, restringindo às variações de pH para cima ou para baixo desses valores.

O mais importante sistema tampão do organismo é o sistema tampão ácido carbônico/bicarbonato, pois atua diretamente na regulação do pH, portanto, os sistemas tampões têm como função preservar o pH sanguíneo em ótimo e os demais líquidos orgânicos, veja:

- Quando um ácido (via alimentação ou de forma endovenosa) é adicionado ao sangue, o bicarbonato do sistema tampão prontamente reage com ele. Aí a reação produz um sal (formado com o sódio do bicarbonato e o ácido carbônico). Essa reação diminui a quantidade de bases e altera a relação entre o bicarbonato e o ácido carbônico. O ácido carbônico produzido pela reação do bicarbonato do tampão, se dissocia em CO2 e água; o CO2 é eliminado nos pulmões restaurante imediatamente a relação do sistema. Então a gente viu a união de 2 mecanismo o tampão sérico associado ao tamponamemto respiratório.

- Quando uma base é acrescentada ao sangue (seja via alimentação ou endovenosa) o ácido carbônico prontamente reage com ela, produzindo bicarbonato e água. O ácido carbônico diminui. Os rins aumentam a excreção de bicarbonato (base) ao invés do íon hidrogênio (ácido), reduzindo a quantidade de bicarbonato no organismo, para preservar o pH sérico.

De forma geral, quando um indivíduo tem o pH sanguíneo abaixo para níveis inferiores a 7,35 diz-se que ele está com acidose. Quando o pH sanguíneo aumenta a níveis superiores a 7,45 diz-se que o mesmo está com alcalose. Tanto a acidose quanto a alcalose podem ser de origem metabólica ou respiratória.

Os outros sistemas atuam de forma semelhante ao sistema bicarbonato. E, todos os líquidos do organismo possuem sistemas tampão para impedir alterações significativas da concentração do íon hidrogênio ou, em outras palavras, do pH. Se a concentração do hidrogênio aumenta ou diminui significativamente, o centro respiratório é imediatamente estimulado para alterar a freqüência respiratória e modificar a eliminação do dióxido de carbono. As variações da eliminação do dióxido de carbono, tendem a retornar o pH aos seus valores normais. Quando o pH se afasta da faixa de normalidade, os rins eliminam urina ácida ou alcalina, contribuindo para o retorno da concentração dos íons hidrogênio aos valores normais.

Portanto não caiam nessa de que água tem que ser com pH alcalino. Que uma dieta com alimentos "alcalinos" vai prevenir doenças. Se fosse assim tomar água com bicarbonato preveniria uma série de doenças.

sábado, 5 de abril de 2014

1 agrotóxico: 10 mil animais


No dia 23/01/14, São Paulo tornou-se o primeiro estado Brasileiro a proibir o uso de animais para avaliação de segurança de cosmético. Não apenas cosméticos, usam animais para avaliação de segurança humana, mas também medicamentos e agrotóxicos.  Agrotóxicos são considerados extremamente relevante no modelo de desenvolvimento na agricultura no País. Colocando o Brasil o maior consumidor de produtos agrotóxicos no mundo. Em decorrência da significativa importância, tanto em relação ao uso e toxicidade. (Ministério do Meio Ambiente, 2014)

Na avaliação de segurança de um único agrotóxico usa-se em torno de 10 mil animais ao fim de obter informação como: mutagenicidade, carcinogenicidade, efeitos na reprodução, irritação e corrosão dérmica - ocular, DL50 e toxicidade inalatória.
A pergunta que não quer calar: é necessário mesmo o uso de tantos animais para obtenção de informações para a humanidade? A resposta é clara e objetiva. Não! 

No mundo todo, existem agências reguladoras para a substituição de uso de animais na experimentação de produtos. Atualmente, alguns modelos de métodos alternativos ao uso de animais são validados e aprovados por diretrizes como OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e centros internacionais que coordenam e avaliam métodos com intuito de substituir testes em animais, ECVAM (Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos). E por que o Brasil não usam então esses testes para esses tipos de avaliação? Essa resposta já é um pouco complicada. A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos  em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. 

No dia 2 de Abril de 2014, Brasília-DF, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) junto ao RENAMA (Rede Nacional de Métodos Alternativos), CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), BraCVAM (Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos) e SBMALT (Sociedade Brasileira de Métodos Alternativos á Experimentação Animal) realizaram um Workshop Internacional com o objetivos de discutir maneiras de implementar esses métodos as grandes empresas produtoras de agrotóxicos, e também, solicitar um posicionamento da ANVISA frente ao grande e desnecessário uso de animais em testes.
(ANVISA, 2014): A falta de conhecimento e medo pela mudança faz com que nós tenhamos um pé atrás frente aos métodos alternativos.

É mais fácil usar um animal e observar o que acontece com ele, do que padronizar, implementar e aplicar um método in vitro. A sociedade brasileira precisa ter conhecimento sobre tais interesses políticos e econômicos ao uso indevido de tantos animais para pesquisa. Solução a academia científica tem. Interesses governamentais não.

“a questão não é se os animais raciocinam ou se eles podem falar, mas se eles sofrem“. Marchall Hall

Autor: Rafael Ducas ( @rafaducas ) - Farmacêutico e bioquímico. Mestrando em Toxicologia Universidade Federal de Goiás. Ênfase em pesquisa de métodos alternativos a uso de animais a experimentação

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