terça-feira, 31 de julho de 2018

Agrotóxicos desregulam perigosamente os nossos hormônios


Excelente reportagem, feita com informações fornecidas por quem entende do tema, a Dr. Tânia Bochega, endocrinologista e professora da USP.

Vale a pena ler: https://luciahelena.blogosfera.uol.com.br/2018/07/17/agrotoxicos-desregulam-perigosamente-os-nossos-hormonios/

Melatonina por Dr. Bruno Halpern

A melatonina, ao contrário do que muitos pensam, não é o “hormônio do sono”, mas sim a “expressão hormonal da noite”. Em todas as espécies, a melatonina é produzida à noite, seja a espécie diurna ou noturna, e sua função é sincronizar o nosso relógio biológico interno com o relógio do meio ambiente (Basta pensar que, desde o surgimento da vida, há bilhões de anos, existe algo que se repete com regularidade: um dia seguido de uma noite, e todos os organismos vivos evoluíram e se adaptaram com essa certeza. A luz elétrica, porém, com menos de dois séculos de existência, interferiu com essa biologia básica e sua presença à noite confunde nossos ritmos internos, reduzindo a secreção noturna de melatonina e desregulando nosso relógio biológico, que fica "confuso", sem saber se é dia ou noite.

Não é difícil imaginar que isso traz consequências para o organismo: vários estudos sugerem que trabalhadores noturnos tem mais risco de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e mesmo cânceres; mas não é preciso trabalhar à noite: somente a exposição à luz noturna já se associa a risco de ganho de peso e doenças metabólicas, segundo alguns estudos. Trago aqui três figuras simples, que me foram fornecidas pelo Dr. José Cipolla-Neto, um dos maiores pesquisadores do mundo nesse assunto, que co-orienta minha tese de doutorado, que trata indiretamente sobre isso.



As figuras apenas mostram de maneira esquemática nossa produção de melatonina diária e como a luz no início da noite atrasa sua secreção e, mais interessante, como um pouco de luz durante toda a noite (como ocorre com aparelhos de TV mesmo desligados que contém uma luz embaixo, ou relógios digitiais, etc), podem também interferir com a secreção do hormônio.

Concluo dizendo que a espécie humana é uma espécie diurna, feita para trabalhar e se alimentar preferencialmente durante o dia e descansar à noite. Ao invertermos esse ritmo, ou prolongarmos o trabalho para noite, corremos o risco de diversos problemas de saúde. Fiquem atentos! #melatonina #sono #obesidade #endocrinologia

Fonte: Facebook do Dr. Bruno Halpern - https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

Não há comprovação científica de que multivitamínicos beneficiem saúde do coração

Muito interessante esse estudo. Vai de encontro com o que defendo há quase 1 década: uso de polivitamínicos e multiminerais (PVM) deve ser restringido a grupos de risco para deficiências (bariátricos, gestantes, doenças de má-absorção).

Sempre explico para meus pacientes que a utilização de PVM pode ser arriscada, já que tudo dependerá do solo local (ex. solo do cerrado é rico em cobre, manganês, alumínio) e da dieta base do indivíduo. Sendo assim, muitas vezes o produto pode ser deletério, já que há um risco de ingestão excessiva de determinado micronutriente e com isso afetar a absorção de outros. 

Portanto a dica que dou é: NÃO  se automedique !

Além disso uma coisa que os estudos tem mostrado há quase uma década, é que muitas vezes um nutriente parece ser benéfico para algumas doenças, mas quando pesquisadores estudam as formas sintéticas elas parecem não mostrar os benefícios creditados. Exemplo clássico: ômega 3 e saúde cardiovascular. 

Há estudos mostrando bons desfechos clínicos com a utilização de ômega 3 encapsulado, assim como há meta-análises mostrando o contrário. Porém a grande maioria dos estudos que correlacionam ingestão (in natura = peixes, oleaginosas) e risco cardiovascular, mostram benefício. Ou seja, in natura pelo menos de acordo com os estudos mais recentes, tem se mostrado muito superior. 

Não há comprovação científica de que multivitamínicos beneficiem saúde do coração

O uso de suplementos multivitamínicos e minerais não previne infarto do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) ou morte por doença cardiovascular, apontou a revisão de uma meta-análise abrangente feita com pesquisas relevantes.

"A lição é simples: não há evidências científicas de que os suplementos multivitamínicos e minerais beneficiem a saúde cardiovascular. Esperamos que o nosso artigo contribua para resolver a controvérsia sobre o uso de suplementos multivitamínicos e minerais para a prevenção da doença cardiovascular", declarou ao Medscape o primeiro autor do estudo, Dr. Joonseok Kim, da University of Alabama em Birmingham (EUA).

O estudo foi publicado on-line em 10 de julho no periódico Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes.

"Quase metade dos adultos americanos toma suplementos vitamínicos e minerais, mas poucos benefícios foram comprovados", disse a Dra. JoAnn Manson, chefe da medicina preventiva no Brigham and Women's Hospital, e professora de medicina na Harvard Medical School, ambos em Boston, Massachusetts (EUA). A Dra. JoAnn não participou do estudo.

"No que se refere a multivitamínicos e doenças cardiovasculares, especificamente, nem estudos observacionais nem ensaios clínicos randomizados revelam benefícios claros para a prevenção primária ou secundária", disse a Dra. JoAnn ao Medscape.

"É importante ressaltar que os médicos devem ser claros ao dizer aos pacientes que suplementos vitamínicos nunca substituirão uma alimentação saudável e balanceada, o que contribui muito para a saúde vascular. Além disso, os micronutrientes dos alimentos são mais bem absorvidos pelo organismo do que os suplementos", alertou.

Dr. Kim e colaboradores fizeram uma revisão sistemática e uma meta-análise de 18 estudos com mais de dois milhões de adultos (média de idade de 57,8 anos), com uma média de acompanhamento de 11,6 anos. Destes, 11 estudos foram feitos nos Estados Unidos, quatro na Europa e três no Japão. Apenas cinco estudos especificaram a dose e o tipo de suplemento multivitamínico e mineral utilizado.

No geral, não houve associação entre o uso de suplementos multivitamínicos e minerais e a mortalidade por doença cardiovascular, informaram os pesquisadores.

Também não houve vínculo entre suplementos multivitamínicos e minerais e doença cardiovascular ou mortalidade por doença coronariana nos subgrupos pré-determinados categorizados por média de acompanhamento; média de idade; tempo de uso dos suplementos; sexo; tipo de população; exclusão de pacientes com história de doença coronariana; e ajuste por alimentação, tabagismo, prática de atividades físicas e centro do estudo.

O uso de suplementos multivitamínicos e minerais pareceu estar associado a menor risco de incidência de doença coronariana (risco relativo, RR, de 0,88; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,79 a 0,97). No entanto, esta associação não permaneceu significativa na análise de subgrupos agrupados de ensaios clínicos randomizados (RR = 0,97; IC de 95%, de 0,80 a 1,19).

"Tem sido excepcionalmente difícil convencer as pessoas, inclusive os pesquisadores em nutrição, a reconhecer que os suplementos multivitamínicos e minerais não previnem doença cardiovascular", disse o Dr. Kim em um comunicado à imprensa.

"Espero que os resultados do nosso estudo contribuam para reduzir o frenesi em torno dos suplementos multivitamínicos e minerais, e incentive as pessoas a usarem métodos comprovados para reduzir o próprio risco de doença cardiovascular – como comer mais frutas e legumes, fazer exercícios e evitar o tabaco".

A American Heart Association não recomenda o uso de suplementos multivitamínicos e minerais na prevenção de doença cardiovascular.

"Prática plausível, porém inútil"

No editorial que acompanha o estudo, a Dra. Alyson Haslam e o Dr. Vinay Prasad, ambos da Oregon Health & Science University, em Portland (EUA), observaram que as práticas em biomedicina costumam ser adotadas porque "apelam às nossas esperanças e por existir plausibilidade biológica".

No caso dos multivitamínicos, faz sentido que algumas vitaminas possam reduzir o risco de doença cardiovascular, por serem anti-inflamatórias ou, mais amplamente, por melhorarem a saúde e o bem-estar. No entanto, neste caso, parece que o não fazem, assim sendo, o uso de multivitamínicos para doença cardiovascular entra para a lista de práticas plausíveis, porém inúteis em cardiologia", concluíram.

Embora as doses dos multivitamínicos tendam a ser moderadas e, provavelmente, mais seguras do que as altas doses dos suplementos alimentares separadamente, "não são completamente isentas de risco para todos os pacientes", afirmou a Dra. JoAnn ao Medscape.

Por exemplo, os suplementos alimentares podem interagir com alguns medicamentos, como a vitamina K e a varfarina, interferir nos resultados de alguns exames laboratoriais, como a dosagem dos níveis de biotina e troponina, e também causar efeitos colaterais, como sintomas digestivos, em alguns pacientes, explicou.

"Assim, a suplementação multivitamínica de rotina não é recomendada para a população em geral, embora uma abordagem direcionada seja apropriada em certos momentos da vida e para os grupos de alto risco", disse a Dra. JoAnn.

Alguns exemplos de momentos pertinentes são durante a gestação, quando a suplementação com ácido fólico e vitaminas do pré-natal apresenta resultados positivos, e na meia-idade ou para os idosos – destes, alguns podem se beneficiar da suplementação de vitamina B12, vitamina D e/ou cálcio. Os grupos de alto risco, como as pessoas com síndromes de má absorção, dietas restritivas, osteoporose, anemia perniciosa e degeneração macular relacionada à idade, bem como as pessoas que fazem uso prolongado de metformina ou inibidores da bomba de prótons, também podem se beneficiar dos suplementos alimentares, afirmou.

A Dra. JoAnn também observou que o Physicians' Health Study II, um ensaio clínico randomizado em larga escala sobre multivitamínicos para homens, revelou que esses suplementos podem reduzir discretamente a incidência de câncer. Este resultado está sendo estudado mais profundamente no ensaio clínico COSMOS, que está testando se os multivitamínicos, com ou sem flavonoides do cacau, podem reduzir o risco de câncer e de doença cardiovascular em homens e mulheres idosos.

"Os resultados do COSMOS são esperados para daqui a dois anos, portanto, fiquem atentos", recomendou a Dra. JoAnn.

Os autores declararam não receber financiamento externo nem possuir conflitos de interesse relevantes. O Dr. Vinay Prasad recebeu royalties por seu livro Ending Medical Reversal e remuneração por contribuições ao Medscape.



segunda-feira, 9 de julho de 2018

O que é a Nutrologia ? O que faz um nutrólogo ?


Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.
O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou em 1932 com o médico Josué de Castro que estudou problemas relacionados a nutrição no Brasil, influenciado pelo Nutrólogo argentino Pedro Escudeiro (o pai da Nutrição médica na América Latina). Dr. Josué foi responsável pelo primeiro estudo de inquérito alimentar no Brasil. Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil por 10 anos. Foi diretor cientifico dos Arquivos Brasileiros.
Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Ele foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico e desde a década de 50 atua em nosso país. Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)
A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Uma associação médica que foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian).
É importante salientar que o termo Nutrologia, proposto pelo Prof. Dr. José Evangelista, e aprovado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB), tem também as denominações correspondentes como: Nutrologia Médica, Nutrologia Funcional, Nutrição Médica, que são sinônimos e representam por definição e analogia o termo Nutrologia.
Posteriormente vários médicos deram continuidade ao projeto do casal Evangelista, dentre eles o Prof. Dutra e seus “discípulos” da divisão de Nutrologia do HCFMUSP-RP.
Dr. Hélio Vanuchi:
Dr. José Ernesto dos Santos:
Dr. Júlio Sergio Marchini:
Dr. Fernando Bahdur Chueire:
Dra. Vivian Marques Miguel Suen:

Porém só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM).
Atualmente o presidente da ABRAN é o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico, endocrinologista e Nutrólogo.
Muitos profissionais ligados à área de Nutrição médica não se intitulam nutrólogos, nem são filiados ou titulados à ABRAN, mas merecem o nosso reconhecimento pelos feitos na área, dentre esses profissionais temos:
Prof. Dr. Dan Waitzber (GANEP): Médico cirurgião e profº associado do deptº de Gastroenterologia da FMUSP, Coordenador do Laboratório de Metabologia e Nutrição em Cirurgia Digestiva – Metanutri da FMUSP, Coordenador da Comissão de Nutrologia do Complexo Hospitalar Hospital das Clinicas da FMUSP. Diretor do Ganep Nutrição Humana.
Prof. Dr. José Eduardo de Aguilar-Nascimento (UFMT): Médico, especialista em Cirurgia do aparelho digestivo. Mestre e doutor em Gastroenterologia Cirúrgica pela UNIFESP. É responsável pelo grupo de pesquisa Nutrição e Cirurgia da UFMT e pelo projeto ACERTO (www.projetoacerto.com.br).
Prof. Msc. Maria de Lourdes Teixeira da Silva (GANEP): Médica, especialista em nutrição parenteral e enteral (BRASPEN), Mestre em Gastroenterologia e diretora do GANEP.
Dr. Antônio Carlos L. Campos (UFPR): Professor Titular de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coordenador do Programa de Pós-graduação em Clínica Cirúrgica da Universidade Federal do Paraná. Ex-Presidente da SBNPE e da FELANPE.
Prof. Dra. Isabel Correia (UFMG): Médica e professora de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG. Coordenadora do grupo de Nutrição do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG.
Dra. Maria Cristina Gonzales (UCPEL): Médica, especialista em Gastroenterologia e Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN). Professora Titular no Programa de Pós-graduação em Saúde e Comportamento da Universidade Católica de Pelotas, RS. Professora Colaboradora no Programa de Pós-graduação em Nutrição e Alimentos da Universidade Federal de Pelotas, RS. Editora do BRASPEN Journal.
Dra. Melina Castro (BRASPEN): Médica, especialista em Nutrologia pela Faculdade de Medicina da USP. Doutora pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenadora da EMTN do Hospital Mario Covas – Faculdade de Medicina do ABC. Coordenadora da Pós-graduação de Terapia Nutricional em doentes graves do Hospital Israelita Albert Einstein.
Dr. Paulo Cesar Ribeiro (BRASPEN): Médico cirurgião geral. Especialista em Proctologia, Medicina Intensiva e Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN).  Mestre em Cirurgia Geral pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Responsável pelo Serviço de Terapia Nutricional Artificial do Hospital Sírio Libanês.
Dr. Rodrigo Costa (BRASPEN): Médico, especialista em Clínica médica, Nefrologia, Medicina intensiva e Nutrologia. Coordenador da EMTN do Hospital de Urgências de Goiânia. Professor do Comitê de Terapia Nutricional da AMIB.
Dr. Haroldo Falcão (BRASPEN): Médico, especialista em Medicina intensiva e Nutrologia (ABRAN). Professor do Comitê de Terapia Nutricional da AMIB.
Dr. Diogo Toledo (BRASPEN): Médico intensivista e especialista em Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN). Presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). Coordenador do Comitê de Terapia Nutricional da AMIB.
ABRAN realizou o 1º. Curso Nacional de Atualização em Nutrologia (CNNutro) em 2003. O mesmo nos primeiros anos ocorreu na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. Nos últimos anos, o CNNUTRO vem sendo realizado em São Paulo-SP. Atualmente a ABRAN promove também o Curso Nacional de Nutrição enteral e parenteral (CNNEP). Para maior intercâmbio entre os afiliados e o público interessado em Nutrologia, a ABRAN criou o Nutro News (NN), um informativo trimestral e a Revista Científica de Nutrologia (International Journal of Nutrology), de distribuição gratuita para os afiliados. Anualmente promove o Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBNutrologia) e jornadas regionais de Nutrologia.
GANEP que é uma instituição aberta para médicos que atuam na área de nutrição médica e para nutricionistas possui uma pós-graduação em Nutrição clínica, Residência Médica no Hospital da Beneficência Portuguesa e organiza anualmente um congresso, o GANEPÃO.
BRASPEN é a entidade responsável por emitir os títulos na área de atuação em Nutrição Parenteral e Enteral. Organiza vários cursos em todo o país e anualmente tem o seu congresso nacional.
No Brasil a Especialidade relacionada à Nutrição médica é a Nutrologia. Porém há áreas de atuação dentro da Nutrologia. São elas:
  • Nutrição Parenteral e Enteral
  • Nutrição Parenteral e Enteral Pediátrica
  • Nutrologia Pediátrica
No Brasil há pouco mais de 1600 Nutrólogo titulados. Nos últimos 5 anos a Especialidade cresceu exponencialmente, porém poucos ainda são nutrólogos verdadeiramente, ou seja, titulados e registrados no CFM. Quando um profissional se intitula algo sem possuir o título, ele está cometendo infração ética perante o Código de Ética Médica que rege a medicina. Portanto, antes de se consultar com um profissional que se diz Nutrólogo, verifique se o mesmo é, realizando uma pesquisa simples no site do CFM ou dos CRMs regionais.
Acho importante salientar que na atualidade alguns profissionais estão levando a uma deturpação do que é realmente a Nutrologia. Pessoas confundindo terapias como Ortomolecular, Anti-aging, Nutriendocrinologia ou Medicina Integrativa com a Nutrologia.
Estas terapias até podem utilizar de elementos da Nutrologia e terem sua base calcada em fundamentos nutrológicos, mas a Nutrologia não incorpora na sua prática clínica ou hospitalar nada destas áreas, que sequer são reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina.
Mas afinal, o que faz um nutrólogo ?
O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico.
A Nutrologia estudapesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.
O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnósticoprevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida.
Nossa abrangência engloba:
  • O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos, antioxidantes, quando necessários.
  • A identificação de possíveis “erros” alimentareshábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as interrelações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  • O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  • Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.
Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentar?
Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.
Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 
Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunoostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).
Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:
  • Nutrologia pediátrica
  • Nutrologia geriátrica
  • Nutrologia esportiva
  • Nutrologia oncológica
  • Nutroterapia no paciente cirúrgico
  • Nutroterapia materno-fetal
  • Nutroterapia de doenças hepáticas,
  • Nutroterapia de doenças gastrintestinais,
  • Nutroterapia de doenças renais,
  • Nutroterapia de doenças pulmonares,
  • Nutroterapia de doenças cardíacas e vasculares,
  • Nutroterapia de doenças neurológicas,
  • Nutroterapia de doenças reumatológicas,
  • Nutroterapia de doenças osteomusculares,
  • Nutroterapia de doenças ginecológicas,
  • Nutroterapia de doenças hematológicas,
  • Nutroterapia de doenças alérgicas.
Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.
Quais doenças e situações nutrólogos tratam ?

  1. Pacientes críticos e internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs), necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
  2. Pacientes restritos ao leito hospitalar e que necessitam de suporte nutricional adequado.
  3. Pacientes que serão ou foram submetidos a cirurgias.
  4. Orientações nutrológicas para pacientes oncológicos (os mais diversos tipos de câncer).
  5. Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia).
  6. Pacientes com gastroostomia ou jejunoostomia.
  7. Magreza constitucional (baixo peso), em todas as fases da vida.
  8. Sobrepeso.
  9. Obesidade em todos os seus graus: em todas as fases da vida.
  10. Preparo pré-cirurgia bariátrica.
  11. Acompanhamento pós-cirurgia bariátrica.
  12. Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
  13. BulimiaAnorexiaSíndrome do Comer NoturnoVigorexiaOrtorexia: aspectos nutrológicos. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável
  14. Aspectos nutricionais da ansiedade, depressão, insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e o nutrólogo busca déficits nutricionais ou intoxicação por substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença).
  15. Intolerância à glicose.
  16. Diabetes mellitus tipo 2  e tipo 1.
  17. Dislipidemias: hipercolesterolemia (aumento do colesterol) e hipertrigliceridemia (aumento do triglicérides).
  18. Síndrome metabólica: Obesidade acompanhada de hipertensão, aumento da circunferência abdominal ou dislipidemia.
  19. Esteatose hepática não-alcóolica (gordura no fígado).
  20. Alergias alimentares.
  21. Intolerâncias alimentares (lactose, frutose rafinose e sacarose).
  22. Anemias carenciais (por falta de ferro, de vitamina B12, de ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A).
  23. Pacientes vegetarianosveganosovolactovegetarianoscrudivoristas.
  24.  Constipação intestinal (intestino preso).
  25. Diarréia aguda ou crônica.
  26. Síndrome do Intestino Curto.
  27. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão).
  28. Alterações da Permeabilidade intestinal (leaky Gut), Disbiose intestinal.
  29. Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).
  30. Síndrome do intestino irritável.
  31. Orientações nutrológicas em Doença de Chron e Retocolite ulcerativa.
  32. Aspectos nutrológicos da Fibromialgia.
  33. Pacientes portadores de Fadiga ou Fadiga crônica.
  34. Acompanhamento nutrológico pré-gestacional e gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior e fazer suplementações necessárias).
  35. Infertilidade (aspectos nutrológicos).
  36. Orientações nutrológicas para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial).
  37. Orientações nutrológicas para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística).
  38. Orientações nutrológicas em Hiperuricemia (aumento do ácido úric0), Gota.
  39. Orientações nutrológicas em Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.
  40. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com sarcopenia (baixa quantidade de músculo).
  41. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com osteoporose ou osteopenia.
  42. Orientações nutrológicas para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca).
  43. Orientações nutrológicas em portadores de HIV em tratamento com antirretrovirais.
  44. Orientações nutrológicas para hepatopatas (Varizes esofagianas, Hipertensão portal, insuficiência hepática, Ascite, cirrose hepática).
  45. Orientações nutrológicas para nefropatas (Insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, glomerulonefrites, litíase renal).

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Será que o seu médico é realmente nutrólogo ?

Será que o seu médico realmente é Nutrólogo ?
Via de regra no Brasil só se pode intitular especialista em uma área médica no Brasil quem:
1 – Fez residência médica credenciada no MEC
2 – Tem título de especialista registrado no Conselho Federal de Medicina (CFM).
O médico que fez residência de Nutrologia, após concluí-la vai ao Conselho Regional de Medicina do seu estado(CRM) portanto o Certificado de conclusão da residência e registra-se como Nutrólogo, recebendo do CRM um número de Registro de Qualificação de Especialista (RQE), podendo então se intitular Nutrólogo.
No caso dos que foram aprovados na prova de título, basta levar o título ao CRM e pedir o RQE.
Mas e aí, como saber se o meu médico é ou não Nutrólogo?
Basta entrar no site do CFM ou no link: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59
Digitar o nome do médico, o estado e procurar. Se ao ver o nome do seu médico e não estiver especificado o RQE e a Especialidade que ele está registrado, provavelmente o seu médico não é titulado. Procure um que seja especialista.
#NutrologiaDeVerdade
#NutrologiaÉtica

Em Goiânia temos apenas 59 Nutrólogos titulados, ou seja, apenas 59 profissionais são Verdadeiramente Nutrólogos. A lista está na imagem abaixo (clique nela para aumentar) e os dados foram extraídos do site do Conselho Regional de Medicina de Goiás.

terça-feira, 22 de maio de 2018

CFM alerta: Pós-graduação não garante obtenção de título de especialista

A simples existência de um curso de pós-graduação lato sensu, ainda que reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), não habilita o médico se anunciar como especialista, tendo somente valor acadêmico. Apenas duas formas podem levar o médico a obter a  especialização: 

  1. por meio de uma prova de títulos e habilidades das Sociedades de Especialidades filiadas pela Associação Médica Brasileira; 
  2. e/ou por residência médica reconhecidas pela Comissão Nacional de Residência Médica. 

O alerta é feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que debateu o assunto em Sessão Plenária  em Brasília. “O CFM está atento a propagandas de alguns cursos de pós-graduação que induzem interpretação equivocada”, afirmou o presidente da entidade.

A Plenária do CFM ressaltou que o médico somente poderá anunciar especialidade quando estiver registrado o título no Conselho Regional de Medicina em que estiver inscrito.

Seguem algumas perguntas e respostas importantes:

1. Fiz pós-graduação lato sensu em área que não é considerada especialidade médica pelo CFM. Posso anunciá-la?
R: Não. Por terem potencial para confundir o paciente, esses títulos não devem ser anunciados.

2. Tenho pós-graduação em geriatria, mas não possuo o título de especialista. Posso inserir a palavra "geriatria" em meu carimbo?
R: Não. Para se apresentar como geriatra ou profissional de geriatria é preciso ter o título de especialista em geriatria, adquirido por meio do programa de residência médica ou por
avaliação de sociedade de especialidade reconhecida pelo CFM. O paciente deve ter absoluta clareza sobre a formação do médico que o atende.

3. Sou psiquiatra. A medicina do sono é uma área de atuação da psiquiatria. Não tenho título de sociedade relacionado a esta área, mas fiz pós-graduação lato sensu neste campo. Posso anunciá-la, já que esta área do conhecimento tem relação com a minha especialidade?
R: Não. Para anunciar-se como profissional de determinada área de atuação faz-se necessário ter título adquirido por meio do programa de residência médica ou por avaliação de sociedade de especialidade reconhecida pelo CFM. Adicionalmente, este
título deve ser registrado no CRM local. 

4. Sou cardiologista e fiz um mestrado em psiquiatria. Posso fazer referência a esse título no material de meu consultório de cardiologia, nos cartões de visita e em outras peças de
publicidade e papelaria?
R: Não. A resolução o impede associar títulos acadêmicos à sua especialidade médica quando não são da mesma área. O CFM entende que o anúncio desse título confunde o paciente. Esse tipo de anúncio induz o paciente a crer, por exemplo, que o mestrado torna o profissional um psiquiatra ou cardiologista mais habilitado, o que não é verdade. De qualquer modo, você pode anunciar todos os títulos que possui relacionados à sua
especialidade. Eles só precisam ser previamente registrados no CRM local.

5. Os treinamentos que realizei, mas que não resultaram em título acadêmico, relacionados com minha especialidade, podem ser anunciados?
R: Sim. Antes de anunciá-los, no entanto, você deve registrá-los no CRM local.

Fonte: http://www.portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21661:cfm-alerta-pos-graduacao-nao-substitui-residencia-medica-na-obtencao-de-titulo-de-especialista&catid=3

Saiba mais com a Resolução CFM nº 1634/2002:
(http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2002/1634_2002.htm).

domingo, 20 de maio de 2018

Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga plano para eliminar gorduras trans produzidas industrialmente

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na segunda-feira (14) o REPLACE, guia com um passo-a-passo para eliminar os ácidos graxos trans produzidos industrialmente do suprimento global de alimentos. A eliminação das gorduras trans é fundamental para proteger a saúde e salvar vidas. A OMS estima que, a cada ano, a ingestão de gordura trans leve a mais de 500 mil mortes de pessoas com doenças cardiovasculares.

Gorduras trans produzidas industrialmente estão presentes nas gorduras vegetais hidrogenadas, como margarina e ghee, e em salgadinhos, alimentos assados e frituras. Os fabricantes costumam utilizá-las por terem uma vida útil mais longa do que outras gorduras. No entanto, alternativas mais saudáveis podem ser usadas, não afetando o sabor ou o custo dos alimentos.

“A OMS pede aos governos que usem o pacote de ação REPLACE para eliminar os ácidos graxos trans produzidos industrialmente do suprimento de alimentos”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A implementação das seis ações estratégicas do REPLACE ajudará a alcançar a eliminação da gordura trans e representará uma importante vitória na luta global contra as doenças cardiovasculares.

O pacote de ações REPLACE fornece seis ações estratégicas para assegurar a eliminação rápida, completa e sustentada das gorduras trans produzidas industrialmente a partir do suprimento de alimentos. O guia sugere revisar fontes alimentares com gordura trans produzidos industrialmente e o panorama para as mudanças políticas necessárias; promover a substituição de gorduras trans produzidas industrialmente por gorduras e óleos mais saudáveis; e legislar ou promulgar ações regulatórias para eliminar gorduras trans produzidas industrialmente.

Outras recomendações envolvem avaliar e monitorar o teor de gorduras trans no suprimento de alimentos e mudanças no consumo de gordura trans entre a população; conscientizar sobre o impacto negativo na saúde das gorduras trans entre formuladores de políticas, produtores, fornecedores e o público; e estimular a conformidade de políticas e regulamentos.

Vários países de alta renda praticamente eliminaram as gorduras trans produzidas industrialmente por meio de limites legalmente impostos sobre a quantidade que pode estar contida nos alimentos embalados. Alguns governos implementaram proibições de óleos parcialmente hidrogenados, a principal fonte de gorduras trans produzidas industrialmente.

Na Dinamarca, primeiro país a impor restrições às gorduras trans produzidas industrialmente, o teor de gordura trans dos produtos alimentares diminuiu drasticamente e as mortes por doenças cardiovasculares diminuíram mais rapidamente do que em países comparáveis da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“A cidade de Nova Iorque eliminou a gordura trans produzida industrialmente há uma década, seguindo a liderança da Dinamarca”, disse Tom Frieden, presidente e CEO da “Resolve to Save Lives”, uma iniciativa da “Vital Strategies”. “A gordura trans é um químico tóxico desnecessário, que mata, e não há razão para as pessoas no mundo todo continuarem expostas a ela”.

“Em países de baixa e média renda, onde o controle do uso de gorduras trans produzidas industrialmente é frequentemente mais fraco, são necessárias ações para garantir que os benefícios sejam vividos igualmente em todo o mundo.

O embaixador global da OMS para doenças crônicas não transmissíveis, Michael Bloomberg, ex-prefeito de cidade de Nova Iorque e fundador da Bloomberg Philanthropies, argumentou que “proibir gorduras trans na cidade de Nova Iorque ajudou a reduzir o número de ataques cardíacos sem mudar o sabor ou o custo dos alimentos”. Segundo ele, a eliminação de seu uso em todo o mundo poderia salvar milhões de vidas.

“Uma abordagem abrangente do controle do tabaco nos permitiu fazer mais progresso globalmente na última década do que quase todos pensavam ser possível. Agora, uma abordagem semelhante à gordura trans pode nos ajudar a fazer esse tipo de progresso contra as doenças cardiovasculares, outra das principais causas mundiais de morte evitável.”

A eliminação do suprimento global de alimentos com gorduras trans produzidas industrialmente foi identificada como uma das metas prioritárias do plano estratégico da OMS, que orientará o trabalho da organização entre 2019 e 2023.

O plano está na pauta da 71ª Assembleia Mundial da Saúde, a ser realizada em Genebra entre os dias 21 e 26 de maio. Como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a comunidade global se comprometeu a reduzir em um terço até 2030 as mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis. A eliminação global de gorduras trans produzidas industrialmente pode ajudar a atingir esse objetivo.

“Por que nossos filhos deveriam ter um ingrediente tão inseguro em seus alimentos?”, questionou Tedros. “O mundo está agora embarcando na Década de Ação da ONU sobre Nutrição, usando-a como uma bússola para melhorar o acesso à alimentação e à nutrição saudáveis. A OMS também está usando esse marco para trabalhar com governos, indústria alimentícia, academia e sociedade civil para garantir sistemas alimentares mais saudáveis para as gerações futuras, inclusive eliminando as gorduras trans produzidas industrialmente.”

Nota
Existem duas fontes principais de gorduras trans: fontes naturais (nos produtos lácteos e carne de ruminantes, como vacas e ovelhas) e fontes produzidas industrialmente (óleos parcialmente hidrogenados).

Os óleos parcialmente hidrogenados foram inicialmente introduzidos no suprimento de alimentos no início do século 20 como um substituto da manteiga, e se tornaram mais populares nos anos 1950 e 1970, com a descoberta dos impactos negativos na saúde dos ácidos graxos saturados. Óleos parcialmente hidrogenados são usados principalmente para frituras e como ingrediente em produtos assados; eles podem ser substituídos em ambos os casos.

A OMS recomenda que o consumo total de gordura trans seja limitado a menos de 1% do consumo total de energia, o que se traduz em menos de 2,2 g/dia em uma dieta de 2 mil calorias. As gorduras trans aumentam os níveis de colesterol LDL, um biomarcador bem aceito para o risco de doenças cardiovasculares, e diminui os níveis de colesterol HDL, que levam o colesterol das artérias e o transportam para o fígado, que o secreta para a bile.

Dietas ricas em gorduras trans aumentam o risco de doença cardíaca em 21% e de mortes em 28%. Substituir as gorduras trans por ácidos graxos insaturados diminui o risco de doença cardíaca, em parte, melhorando os efeitos negativos das gorduras trans nos lipídeos do sangue. Além disso, existem indicações de que a gordura trans pode aumentar a inflamação e a disfunção endotelial.

A OMS realiza até 1º de junho uma consulta pública on-line para revisar as orientações atualizadas sobre o consumo de ácidos graxos saturados para adultos e crianças.

Crianças também "descontam" emoções na comida, diz estudo e Usar a comida para acalmar seu filho pode levar à obesidade quando ele for mais velho


Você já recorreu à comida para aliviar sentimentos ruins?  Pois bem. Esse comportamento não é exclusividade dos adultos. Um estudo realizado nos Estados Unidos* revelou que as crianças também “descontam” suas emoções na comida. Ou seja, elas também buscam prazer ao comer. 

Para chegar a essa conclusão os pequisadores ofereceram quatro tipos de snacks a 91 crianças, na faixa etária entre 4 e 9 anos de idade. Separadas em grupos, elas assistiram a diferentes cenas da animação Rei Leão. Ao fim da exibição, os especialistas notaram que o tipo de clipe assistido influenciou diretamente as escolhas alimentares dos pequenos. A pesquisa detectou ainda que, quanto mais velha a criança, maiores as chances de sua alimentação ser influenciada pelos sentimentos.

Os grupos que comeram mais chocolate foram justamente os que assistiram a cenas tristes ou felizes. Enquanto isso, os que acompanharam trechos neutros preferiram biscoitos salgados. Mas por que as crianças tendem a preferir comidas mais calóricas quando são estimuladas emocionalmente? A nutróloga Liliane Oppermann explica que isso se deve a uma questão fisiológica: "Esses alimentos estimulam a liberação de neurotransmissores, como a serotonina, que ativam áreas do cérebro relacionadas ao prazer. Além de suprir a necessidade de nutrientes, algumas comidas também podem trazer sensação de recompensa".

Porém, como o próprio nome diz, a "fome emocional" não pode ser explicada apenas pela biologia. Para Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo (SP), a alimentação impulsionada por emoções também está relacionada a fatores culturais. "Desde muito pequenos, somos ensinados que o ato de comer é prazeroso. A amamentação, por exemplo, é sinônimo de proteção e aconchego. Por isso é natural que as crianças também usem a comida como meio de buscar conforto".

Como minimizar os efeitos da fome emocional

Confira as dicas das especialistas para que seu filho desenvolva uma relação saudável com  a comida:

1. Dê o exemplo
A consciência alimentar começa com o exemplo dos pais. "Não podemos pensar que ao mudar a alimentação das crianças, o problema estará resolvido. Quando falamos em comer bem, vale a comparação com as máscaras de oxigênio dos aviões: precisamos primeiro nos proteger, para depois ajudar as crianças", explica a nutróloga Liliane Oppermann. 

2. Não compare os hábitos alimentares do seu filho aos de outras crianças
Se você tem mais de um filho, saiba que a relação que eles têm com a comida não será igual. Por isso, não faça comparações entre as crianças. As carências e as necessidades de cada uma precisam ser analisadas individualmente.

3. Não use a comida como moeda de troca
É comum que durante a infância os pais usem certos alimentos para "premiar" bons comportamentos. Essa forma de compensação pode ser um problema. Quando isso se torna um hábito, a saúde é afetada e distúrbios como a obesidade podem aparecer. Lembre-se sempre: a comida não deve ser sinônimo de recompensa emocional, ela serve apenas para matar a fome.

4. Explique a diferença entre desejo e necessidade
Para um adulto, é fácil perceber quando a fome têm origem emocional. No caso das crianças, a lógica não é tão simples assim. "Precisamos explicar que necessidade e desejo são coisas bem diferentes. A necessidade é um pedido do corpo por comida, enquanto o desejo é um luxo que traz sensação de contentamento", confirma a psicóloga Rita Calegari.

*O estudo foi desenvolvido em conjunto pelas universidades do Texas, de Michigan e do Leste do Michigan. 


Usar a comida para acalmar seu filho pode levar à obesidade quando ele for mais velho

O bebê nasce e uma das maiores preocupações dos pais é em relação ao peso. Será que está mamando o suficiente? Os meses passam e chega a tão esperada introdução alimentar. É hora de variar o cardápio e oferecer os alimentos preparados de diferentes maneiras. À medida em que os bebês ficam maiores e passam a entender que são seres diferenciados das mães surgem as descobertas e as “birras”, que acontecem porque as crianças ainda não têm maturidade suficiente para lidar com uma determinada frustração e acabam explodindo. Essa explosão vem em forma de choro incontrolável, gritos e aquela movimentação intensa difícil de conter. E é aí que mora o perigo: muitos pais já perceberam que oferecer um alimento que a criança gosta no exato momento da irritação ajuda a acalma-la, e isso passa a ser um hábito.

No entanto, essa calma, mantida à base de comida, pode até resolver o problema na hora, mas os riscos a longo prazo podem ser ainda maiores, já que afetam seus hábitos alimentares e podem levar a um ganho de peso excessivo no futuro. É o que sugere o estudo publicado pelo International Journal of Obesity, que examinou dados de 160 pares de mães e bebês.

Os pesquisadores estudaram como as mães acalmavam seus bebês aos seis meses e fizeram um acompanhamento desses bebês por um ano. Eles descobriram que certos bebês, cujas mães se voltavam para a comida com mais frequência para acalmá-los, tendiam a ganhar mais peso. Uma das autoras do estudo, Cynthia Stifter, disse ao site Science Daily que usar o alimento como calmante tende a tornar os bebês mais propensos a comer por falta do que precisam quando forem mais velhos. Segundo a pesquisadora, que também é professora de desenvolvimento humano e psicologia, comer é prazeroso, por isso, ao crescer tendo os alimentos como forma de calmante aumenta as chances de eles procurem pela comida na hora de resolver outras questões no futuro.

O estudo foi baseado em pesquisas anteriores que encontraram uma conexão entre temperamento de urgência e índice de massa corporal mais alto (e maior ganho de peso), e mostrou também como o temperamento de uma criança pode afetar o estilo de parentalidade da mãe e do pai.

"Quando os bebês respondem às coisas de uma determinada maneira, os pais percebem isso. Então, de muitas maneiras, o comportamento do bebê está influenciando o comportamento dos pais.” Na prática, significa que o bebê já espera receber um alimento em determinadas situações de choro, irritação e “birra”, e que os pais, por sua vez, já sabem que a comida irá acalma-los. Usando-a como estratégia quando outros métodos não funcionam tão bem assim.

A especialista também disse esperar que os resultados do estudo possam informar programas para educar os pais sobre o temperamento de seus filhos, e como isso pode afetar outros aspectos da vida, tanto para os pais quanto para os filhos.

Seja o exemplo, sempre

Pode até parecer mais fácil (e de fato ser!) manter o seu filho quieto quando ele está comendo algo que gosta. Mas, como vimos acima, esse comportamento pode estimular problemas maiores quando ele já estiver grande. A nutricionista infantil Karine Costa Durães, nutricionista especialista em pediatria pelo Instituto da Criança, da Faculdade de Medicina da USP, explica que quando a criança começa sua história com alimentação, ela imita o que os adultos fazem. “Então, se ela está irritada porque não quer ficar na cadeirinha e ganha comida para ficar calma, o recado que ela recebe é que ela pode acalmar as angústias com a alimentação. E esse recado fica, de certa forma, memorizado na criança para quando ela for adulta." Assim, aumentam as chances dela recorrer à comida para continuar resolvendo suas questões e frustrações.

Como virar esse jogo?

A nutricionista infantil recomenda que, antes de qualquer mudança, tanto os pais quanto a criança tenham uma rotina alimentar estabelecida. “O ideal é que a criança faça entre cinco a seis refeições diárias, sendo três refeições principais e os lanches intermediários”, diz. E no intervalo dessas refeições, ou seja, quando a criança não está comendo por uma questão biológica, ela deve manter o foco em outras atividades, especialmente nas brincadeiras. Se a criança já está acostumada a ganhar um petisco, uma bolacha ou snack, por exemplo, para poder se acalmar, seja qual for a situação, é preciso ir, aos poucos, retirando esse hábito. “Nomear o que ela está sentindo também é importante, pois assim você procura as soluções de acordo com as reais necessidades. Se ela está cansada, diga a ela: “você está cansada e, por isso, está irritada. Vamos descansar um pouco aqui comigo”, orienta. Claro que nem sempre será possível achar uma solução para cada caso. E pode ser também que a criança não aceite tão facilmente a mudança de comportamento, mas é importante que ela comece a perceber que a comida não é moeda de troca.

Diferenciar a fome real da emocional também é importante

A nutricionista orienta que, a partir dos 2 anos, quando a criança já começa a entender um pouco mais sobre ela mesma, os pais ou responsáveis comecem a perguntar se ela está satisfeita com a refeição (por exemplo: a barriguinha está satisfeita, filho? Você ainda está com fome ou já comeu o suficiente?), assim, ela vai conhecendo o próprio corpo, a fim de diferencial a fome real da emocional.

Porém, vale ressaltar que, como o próprio nome diz, a "fome emocional" tem como pano de fundo fatores culturais: "Desde muito pequenos, somos ensinados que o ato de comer é prazeroso. A amamentação, por exemplo, é sinônimo de proteção e aconchego. Por isso é natural que as crianças também usem a comida como meio de buscar conforto", lembra a psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo (SP).

“Ao dar um snack ou qualquer outro tipo de alimento para a criança comer porque ela está frustrada, estamos ajudando-a a fazer uma confusão entre a fome real e emocional", diz a nutricionista. E se para um adulto é fácil perceber quando a fome têm origem emocional, no caso das crianças, a lógica não é tão simples assim. "Precisamos explicar que necessidade e desejo são coisas bem diferentes. A necessidade é um pedido do corpo por comida, enquanto o desejo é um luxo que traz sensação de contentamento", confirma a psicóloga Rita Calegari. Por fim, vale ressaltar que o comer emocional, além de não resolver o problema, vai induzir a um comportamento que pode favorecer a obesidade quando ela for maior, ou alguma ligação com os distúrbios alimentares e outros problemas de saúde. 

De acordo com Academia Americana de Pediatria, dos 2 aos 18 anos, deve-se ingerir no máximo 25 gramas de açúcar diariamente



Muitos ainda não estão convencidos, então é preciso repetir: açúcar demais não é bom – inclusive na infância. O consumo em excesso pode levar à obesidade, que vem acompanhada de uma porção de outros problemas, como níveis elevados de colesterol, doenças cardíacas e alterações ortopédicas. Apesar de todos esses pontos negativos, há cada vez mais crianças acima do peso adequado em todo o mundo. É por esse motivo que a American Heart Association (EUA) decidiu reduzir a recomendação de ingestão diária de açúcar durante a infância.

Muitos ainda não estão convencidos, então é preciso repetir: açúcar demais não é bom – inclusive na infância. O consumo em excesso pode levar à obesidade, que vem acompanhada de uma porção de outros problemas, como níveis elevados de colesterol, doenças cardíacas e alterações ortopédicas. Apesar de todos esses pontos negativos, há cada vez mais crianças acima do peso adequado em todo o mundo. É por esse motivo que a American Heart Association (EUA) decidiu reduzir a recomendação de ingestão diária de açúcar durante a infância.

Antes, a entidade afirmava que 50 gramas (cerca de 12 colheres de chá) era o máximo de açúcar que poderia ser adicionado à alimentação infantil diariamente. Agora, porém, a recomendação passou a ser de apenas 25 gramas (ou 6 colheres de chá) – e isso vale dos 2 aos 18 anos. 

“Há associação entre açúcar adicionado aos alimentos e o aumento do risco de desenvolver doenças cardiovasculares na infância”, anunciou a instituição. E o alerta prossegue: “O açúcar adicionado deve ser evitado para as crianças menores de 2 anos”. Ou seja, bebês não precisam (e nem deveriam) ingerir açúcar, a não ser, é claro, aquele que já existe naturalmente em alimentos como o leite, por exemplo.

A recomendação é americana, mas não se engane pensando que apenas as crianças dos Estados Unidos se alimentam de maneira inadequada. “Estudos mostram que na América Latina a ingestão de açúcar está acima de 60 gramas por dia, o que é um valor bastante alto”, afirma o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo o médico, as bebidas adoçadas, como suco industrializado e refrigerante, contribuem muito para isso.

Para se ter ideia, uma caixinha de suco de 200 ml costuma ter cerca de 20 gramas de açúcar. Em uma lata de 365 ml de refrigerante, há 35 gramas aproximadamente. Fisberg ressalta ainda que não só as bebidas podem ser culpadas. Além delas, é preciso lembrar que o açúcar está em toda parte: chocolates, doces, produtos industrializados e até em receitas caseiras de bolos, pudins, tortas...

“Quando se fala em diminuição, não quer dizer retirada total. Mas é preciso estar atento à frequência e quantidade desse consumo", explica o pediatra Mauro Fisberg. "Ainda nos reuniremos na Sociedade Brasileira de Pediatria para discutir essa recomendação, mas posso adiantar que adotaremos, sim, uma conduta de orientação sobre as quantidades adequadas de açúcar."

Orientação sobre sucos: dar ou não à criança?

Uma palavra sobre os sucos:

Muitas mamães me perguntam em relação aos sucos: Dar ou não? A partir de que idade? Qual a quantidade? Fiz uma coletânea das recomendações de diretrizes nacionais e internacionais e artigos, tomei a liberdade de resumi-las aqui para vocês, e colocar as que considero mais relevantes e pertinentes. As referências estão ao final do post. Espero que ajude!

Recomendações dos principais órgãos:

Sociedade Brasileira de Pediatria – Brasil
  1. Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

Academia Americana de Pediatria – EUA
  1. Sucos não oferecem benefícios nutricionais para crianças menores de 6 meses e não devem ser oferecidos para as mesmas. (Veja os posts sobre benefícios do aleitamento materno e introdução alimentar).
  2. A fruta in natura deve ser oferecida em preferência ao suco. Sucos não oferecem nenhum benefício maior do que a fruta in natura para crianças maiores de 6 meses.
  3. Suco de fruta 100% natural pode ser parte de uma dieta saudável quando consumido como parte de uma dieta balanceada. Sucos de fruta artificiais ou de “caixinha” não são equivalentes ao suco de fruta natural e não são recomendados.
  4. Sucos não devem ser dados em mamadeiras, ou em recipientes de fácil transporte, de forma a estimular a sua ingesta ao longo do dia todo (o objetivo não é esse!)
  5. Não oferecer sucos na hora de dormir.
  6. Sucos não são apropriados para o tratamento de desidratação e diarreia.
  7. Consumo excessivo de sucos pode estar associado com diarréia, flatulência, distensão abdominal e cárie dentária, além de subnutrição.
  8. Sucos não pasteurizados podem conter bactérias (Escherichia coli, Salmonella e Cryptosporidium), responsáveis por doenças.
  9. A ingesta de suco deve ser limitada a 120 a 180ml por dia em crianças de 1 a 6 anos, e para crianças de 7 a 18 anos, de 200 a 350 ml, ou 2 copos por dia.
  10. Em crianças consideradas malnutridas, com diarreia crônica, flatulência excessiva, dor abdominal e má digestão o pediatra deve avaliar a criança e determinar a quantidade de suco consumida.
  11. A cárie dentária pode estar diretamente relacionada com a quantidade de suco ingerida, sem os cuidados necessários.

Health Canada – Canadá 
  1. Não recomenda sucos no primeiro ano. Depois de 1 ano, orientam dar suco de forma limitada e não oferecer bebida adoçadas. Se a criança estiver com sede, ofereça água a ela.
  2.  National Health and Medical Research Council – Austrália  
  3. Sucos são desnecessários e não se recomenda para crianças menores de 1 ano de idade.
  4. Bebidas adoçadas estão associadas com cáries dentárias.
  5. Chás e outras bebidas não tem benefícios conhecidos para a criança e podem ser potencialmente perigosos.

National Health Service (NHS) – Reino Unido
  1. Bebês abaixo de 6 meses não devem receber sucos de fruta.
  2. Sucos de fruta diluídos (uma parte de suco para 10 partes de água) podem ser oferecidos à criança com as refeições após os 6 meses. Gente eu coloquei isso aqui, mas por favor, não entendam mal! Não é para dar suco diluído como forma de refeição ou porção de frutas, seria mais como uma “água com gostinho” com o objetivo de hidratar (quando for dar água pode ser dessa forma…).
  3. Dica: dar água diluída com suco de fruta natural e frutas sempre in natura!
  4. Sucos in natura podem ser dados após as refeições para reduzir o risco de cárie, em pequena quantidade.
  5. O problema do excesso de suco: Excesso de suco pode levar a anemia e malnutrição (com excesso de açúcares e falta de outros nutrientes, como proteínas, carboidratos e vitaminas). Nessa situação imagine aquele bebê que se adapta perfeitamente ao suco, e acaba ficando “preguiçoso” para mastigar e comer outro alimento sólido, substituindo suco pelas refeições do dia. Nesse caso, o bebê pode ter dificuldade de ganhar peso, e ter falta de vários nutrientes importantes.
  6. O excesso de suco pode danificar o esmalte do dente, levando a cárie dentária, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  7. Excesso de suco pode provocar gases e diarréia.
  8. O consumo de mais de 350ml de suco por dia está associado a baixa estatura e obesidade.
  9. Sucos de fruta podem conter sorbitol e uma grande quantidade de frutose, que pode causar cólicas no bebê, pela produção de gases.
  10. Os açúcares podem causar problemas futuros pois mais tardiamente as crianças tem dificuldade de reduzir o carboidrato da dieta, incluído esses açúcares.
  11. Sucos têm alto índice glicêmico e crianças que ingerem grandes quantidades de suco tem risco de obesidade no futuro. É só pensarmos quantas laranjas precisamos para fazer 120ml de suco em média. Provavelmente 2 laranjas. E quantos bebês comeriam 2 laranjas inteiras assim, de uma vez?

Minha opinião como pediatra…

Prefiro a fruta in natura. Porque? A fruta in natura proporciona uma experiência muito mais interessante da criança com o alimento, com diferentes sensações: cor, cheiro, paladar, textura. Os sucos perdem isso. Além disso, as fibras são perdidas no processo de produzir o suco, bem como as vitaminas.

O suco “enche” a criança, mas não necessariamente é mais nutritivo. A tendência ainda é usar mamadeira para dar o suco (apesar de o indicado serem os copinhos de transição ou mesmo copos adaptados para criança), o que pode levar ao desmame.

Enfim, ao invés de nos perguntarmos porque não dar o suco, a pergunta deveria ser: porque dá-los à criança? Existe alguma vantagem? Espero tê-los convencido…Ah! Nem preciso dizer que isso se refere aos sucos in natura ok? Os de caixinha nem pensar!

Conclusões…
  1. A recomendação é que se dê suco para crianças acima de 1 ano, e ainda assim, numa quantidade limitada.
  2. A ingesta de suco excessiva pode contribuir para o desmame, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  3. Quando oferecida na mamadeira, principalmente à noite, pode contribuir para o surgimento de cáries.
  4. A água pode ser dada no copinho junto com suco natural diluído, como forma de hidratação e nunca como substituição da fruta in natura, na proporção de 1:10 (1 parte suco para 10 partes de água)
  5. Tudo isso só sobre suco, quanta informação! Espero ter esclarecido bem esse assunto, que tem causado muita dúvida nas mamães.  Continuem mandando suas duvidas e experiências aqui no blog, obrigada pela participação de vocês!

Espero que tenham aprendido bastante! Compartilhe para que outras pessoas também possam ter essa informação 😉

Autora: Dra. Kelly Marques Oliveira - Médica Pediatra