sexta-feira, 25 de julho de 2014

Hormônios bioidênticos por Paulo Gentil



Ah tá! E você acreditou? Fala sério!?

Estou vendo uns Liars vendendo os hormônios bioidênticos com promessas que vão do antienvelhecimento à melhora da estética e do bem-estar. Em primeiro lugar, as variações "bioidênticas" poderiam ser um retrocesso em termos de qualidade farmacológica em muitos casos, pois muitos medicamentos foram produzidos justamente para minimizar efeitos indesejados enquanto maximizam os positivos, tanto que diversos estudos apontam que os "bioidênticos" são menos eficientes que os hormônios vendidos regularmente.

A Sociedade de Endocrinologia dos EUA adverte que a fabricação individualizada de hormônios é uma falácia e os endocrinologistas sérios alertam que deve-se procurar os produtos produzidos com tecnologia de ponta, ao invés das famigeradas manipulações, que não tem sua qualidade assegurada e não são controladas por órgãos fiscalizadores, como ANVISA.

E dizer que bioidênticos são novidade é mentira, pois hormônios idênticos aos produzidos pelo corpo, como tiroxina, progesterona, testosterona e hormônio do crescimento são usados há muitas décadas. Deve-se ressaltar também que o excesso de hormônio pode causar problemas de saúde, independente de sua origem, tanto que a produção excessiva de hormônio pelo próprio corpo pode levar a problemas como hipertiroidismo, acromegalia, hiperinsulinemia, hiperandrogenia, Síndrome de Cushing, aldosteronismo, etc.

Enfim, os hormônios bioidênticos não tem qualidade superior aos demais, não são isentos de risco e não devem ser prescritos por qualquer um. Além disso, sua administração para melhorar performance, estética ou evitar envelhecimento é uma prática condenada pelas principais associações de saúde do Mundo, mas que vêm sendo empurrada para população por meio de afirmações falsas e incoerentes! Então vamos usar nosso conhecimento, senso crítico e nosso bom senso, para não cair em mentiras e tampouco espalha-las.

Referências:




  1. Boothby LA, Doering PL. Bioidentical hormone therapy: a panacea that lacks supportive evidence. Curr Opin Obstet Gynecol. 2008 Aug;20(4):400-7. doi: 10.1097/GCO.0b013e3283081ae9.
  2. Files JA, Ko MG, Pruthi S. Bioidentical hormone therapy. Mayo Clin Proc. 2011 Jul;86(7):673-80, quiz 680. doi: 10.4065/mcp.2010.0714. Epub 2011 Apr 29.
  3. Korownyk C, Allan GM, McCormack J. Bioidentical hormone micronized progesterone. Can Fam Physician 2012;58:755.
  4. McBane SE, Borgelt LM, Barnes KN, Westberg SM, Lodise NM, Stassinos M. Use of compounded bioidentical hormone therapy in menopausal women: an opinion statement of the Women's Health Practice and Research Network of the American College of Clinical Pharmacy. Pharmacotherapy. 2014 Apr;34(4):410-23. doi: 10.1002/phar.1394. Epub 2014 Jan 4.
  5. Pattimakiel L, Thacker HL. Bioidentical hormone therapy: clarifying the misconceptions. Cleve Clin J Med. 2011 Dec;78(12):829-36. doi: 10.3949/ccjm.78a.10114.

sábado, 5 de julho de 2014

10 perguntas sobre o glúten e 10 respostas baseadas em evidências



1. O que é o glúten? 

Ele é uma proteína presente naturalmente em muitos cereais, como o trigo, o centeio e a cevada. Ou seja, não é uma invenção da indústria moderna, por exemplo, como foi o caso da gordura trans, só para fazer uma comparação. O glúten confere elasticidade na receita de diversos alimentos, caso típico do pão: ao sovar a massa, o padeiro cria as redes de glúten, estruturas capazes de aprisionar o gás carbônico expelido pelas leveduras do fermento. Assim, o pãozinho cresce e fica macio. "E o pão, você já sabe, é um dos alimentos mais antigos da humanidade, que se multiplicou e evoluiu sem problemas por consumi-lo", lembra o nutrólogo Mauro Fisberg, professor da UNIFESP.

2. O glúten poderia causar algum problema de saúde? 

Cerca de 1% da população mundial possui a doença celíaca. Nesse tipo de alergia, o glúten não é bem aceito pelo intestino. Quando ele chega ao órgão desses pacientes (e só neles), desencadeia uma reação do sistema imunológico, que destaca células de defesa para atacar a região. Nessa briga, acaba sobrando para as vilosidades intestinais, estruturas que são responsáveis por absorver os nutrientes da comida. Com as vilosidades inflamadas, claro que ela não é aproveitada da forma como deveria, bagunçando completamente o trânsito intestinal, para não dizer o estado nutricional daquele indivíduo. "Os sintomas mais comuns são diarreia, dor, distensão abdominal e inchaço", lista o gastroenterologista Alexandre Sakano, do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, na capital paulista. Mas, atenção, porque aqui estamos falando de uma doença específica que atinge uma em cada 100 pessoas. Histórias fantasiosas de que o glúten engorda até atrapalham a vida desses portadores. Imagine um doente celíaco que afirma, no restaurante da empresa, que não pode comer itens com glúten. Na toada das boatarias, esse sujeito é tomado como alguém interessado apenas em emagracer e não como portador de um problema que merece respeito e atenção.

3. Como a doença celíaca é detectada? 

O primeiro passo é procurar o médico, diante de sintomas como diarreia constante. Se for criança, o certo é levar ao pediatra. Se for adulto, o clínico-geral. Esses profissionais vão começar a investigação, fazendo a análise clínica do paciente. Se houver suspeita de doença celíaca, vale procurar um gastroenterologista, o especialista no sistema digestivo. Ele vai pedir um exame de sangue, para verificar a presença de anticorpos típicos da doença, e uma biópsia do intestino. Caso o distúrbio seja detectado, aí não tem jeito: é preciso cortar todos os alimentos com glúten da dieta. E o acompanhamento de um nutricionista é importante a fim de evitar desfalques de nutrientes importantes para a saúde.

4. Tem gente que acusa o glúten de estar envolvido com alergia, intolerância, sensibilidade, doença celíaca... A cada hora, usam um termo. Qual é o certo?

Quando se fala em doença celíaca, o uso do termo intolerância é equivocado. "Hoje em dia, intolerância ou sensibilidade ao glúten são palavras utilizadas para pacientes que apresentam mal-estar ao consumir alimentos com glúten e que não são celíacos", explica a nutricionista Mariana Del Bosco, mestre em ciências da saúde pela Universidade de São Paulo. Normalmente, quando um não celíaco se queixa depois de comer alimentos com glúten, como macarrão, cerveja e pão, recebe o diagnóstico de intolerante ao glúten. Diagnóstico, no mínimo, polêmico. “Isso porque não existe um consenso sobre as características desse distúrbio e ninguém pode nem sequer afirmar que ele existe”, completa Mariana. Ou seja: tem gente que se sente estufado depois de comer um macarrão, por exemplo. Ou de devorar um bolo. Mas pode ser que o problema seja causado pelos molhos e recheios gordurosos. Aliás, é bem mais provável.

5. Afinal, existe ou não existe intolerância ao glúten? 

O assunto é controverso. Alguns especialistas dizem que sim, mas muitos outros garantem que não. Um estudo recém-publicado da Universidade de Monash, na Austrália, levanta questões sobre a existência da tal intolerância ao glúten. Os cientistas recrutaram 37 voluntários que se diziam sensíveis à proteína do trigo e da aveia. Na primeira semana, todos receberam uma dieta rica em carboidratos de difícil digestão. Na semana seguinte, eles foram divididos em três grupos. O primeiro recebeu uma alimentação cheia de glúten, o segundo, refeições com pouco glúten e o terceiro fez uma dieta com zero da proteína. Detalhe: ninguém sabia em qual das turmas tinha caído. No período da experiência, os participantes das três turmas reportaram piora dos sintomas gastrointestinais - mesmo aqueles que não haviam travado contato com uma mísera molécula de glúten. Os autores desse trabalho sugerem com veemência que um forte efeito psicológico possa estar por trás da tal intolerância tão divulgada por aí. E o mais curioso é que o autor da pesquisa, o gastroenterologista Peter Gibson, havia conduzido uma experiência em 2011 que havia comprovado a existência da tal sensibilidade ao glúten. Mas nem ele, que foi um dos primeiros a levantar essa bola, estava satisfeito com os resultados. Sim, a cabeça também conta muito na hora de sentir a barriga pesar. Principalmente quando todo mundo fica encontrando um réu por aí.

6. Há um aumento do número de casos de doença celíaca, o único motivo real para cortar o glúten? 

Seria por isso que agora todo mundo parece passar mal com essa proteína ou ficaria imaginando passar mal? Os médicos entrevistados por SAÚDE não percebem um crescimento dos diagnósticos de celíacos. "A taxa de indivíduos com a doença permanece completamente estável", analisa o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, professor da Universidade Federal de São Paulo e do Hospital Infantil Sabará, na capital paulista. "O que aumentou foi a qualidade dos testes e exames que detectam o problema", explica. Mas nem isso, diga-se, fez as taxas subirem...

7. Vale cortar o glúten do cardápio sem consultar um médico? 

De jeito nenhum. De acordo com os especialistas, alimentos ricos em glúten, dentro de uma dieta equilibrada, trazem inúmeros benefícios para a saúde. "Eles ajudam a controlar a glicemia e os triglicérides, aumentam da absorção de vitaminas e minerais, melhoram a flora intestinal e deixam o sistema imunológico mais forte", lista o endocrinologista Marcello Bronstein, professor de endocrinologia e metabologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Quem gostaria de perder esse pacote de vantagens? O segredo está no equilíbrio das porções. Retirar o glúten só é indicado quando o médico mandar, isto é, no caso de doença celíaca.

8. Alimentos livres de glúten são mais saudáveis? 

Nem sempre - apesar de parecerem, no imaginário das pessoas. Pesquisadores da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, mostraram que acrescentar palavrinhas mágicas nos rótulos - "antioxidante", "orgânico" e, claro, diante de tanto bafafá sem base científica, "livre de glúten" - torna o produto mais saudável do que ele realmente é, pelo menos na cabeça do consumidor. "E o fato de um alimento ser livre de glúten não significa que ele seja menos calórico", faz questão de observar Bronstein.

9. O glúten pode estar por trás da obesidade, supeita que andou sendo levantada por aí?

Cortar o glúten da dieta emagrece. Ora, o indivíduo vai deixar de comer as principais fontes de carboidrato de sua dieta, como pão, bolo, doces... Uma ingestão menor de calorias vai resultar em decréscimos na balança. Ou seja, diminuir calorias faz diminuir quilos na balança. E não por retirar o glúten. Você poderia emagrecer do mesmo jeito se retirasse açúcar, gorduras, qualquer outra substância muito presente em... comida que tende a ser mais calórica, claro. "Dietas sem glúten são modismos puros", diz Bronstein. Por outro lado, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, realizado no ano passado, dividiu ratinhos em dois grupos: o primeiro recebeu uma dieta rica em glúten, enquanto a segunda turma passou por uma dieta livre da proteína. Ao final da pesquisa, aqueles que não travaram contato com os cereais tiveram uma redução na gordura, inflamação e resistência à insulina. Vale lembrar que a experiência foi pequena e novas investigações serão necessárias para comprovar a tese. E é um dos únicos trabalhos do planeta nessa linha. "A obesidade é uma doença multifatorial. Se ela fosse causada por uma única proteína, como o glúten, resolveríamos o problema facilmente", explica Fisberg. Pena, então, que a missão de emagrecer um mundo cada vez mais rechonchudo parece ser mais complicada.

10. O glúten mudou nas últimas décadas? 

Uma das explicações usadas para banir o glúten da dieta diz que a proteína sofreu algumas modificações maléficas a partir da década de 1960. O pai da teoria é o cardiologista americano William Davis, autor do livro “Barriga de Trigo”, que já vendeu mais de 1,8 milhão de exemplares e figura há algum tempo na lista de mais vendidos do jornal New York Times. De acordo com a versão, os cruzamentos de espécies de trigo realizados pelo agrônomo Norman Borlaug (1914 – 2009) causou drásticas - e prejudiciais - alterações na estrutura do glúten. Essas mudanças estariam aumentando os casos de diabete, pressão alta e obesidade. “Porém, não existe a menor evidência científica sobre isso. Nenhum trabalho demonstrou que essa hipótese seja verdadeira”, critica Fisberg. É outra voz isolada no universo da ciência. Mas uma voz que tem conseguido espaço para se fazer ouvida. É válido, dentro de um contexto, conhecendo todos os estudos a respeito.

Fonte: http://m.mdemulher.abril.com.br/saude/10-perguntas-gluten-10-respostas-serias-ciencia-788594

terça-feira, 1 de julho de 2014

DETOX: como funciona uma detox de verdade ? Verdades e mitos...



Atualmente fala-se muito em dieta detox, programas de detoxificação, desintoxicação e etç. Afinal, o que é verdade e o que é mito ? Existe um capítulo sobre o tema na principal referência de farmacologia (GONZALES, FJ, et al. Metabolismo de fármacos. In: BRUNTON L, CHABNER, B, KNOLLMAN,  B. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. Cap 06,  p.123-142. ) O "Goodman" é adotado pela maioria das universidades de medicina e farmácia de todo o mundo. Então sejamos científicos.

Primeira pergunta: Detox existe?

Sim, existe, não da forma como é propagada, de maneira sensacionalista. O termo mais correto seria destoxificação.  Na destoxificação podemos eliminar tanto xenobióticos, fármacos quanto substâncias endógenas (exemplo hormônios, neurotransmissores). O termo desintoxicação ficaria mais ligado a desintoxicação metabólica de drogas = Metabolic Detoxication, Drugs: “redução da atividade farmacológica ou da toxicidade de uma droga (ou outra substância estranha) por um sistema vivo, geralmente por ação enzimática”.

Segunda pergunta: As pessoas querem desintoxicar de que ? 

Drogas? Vai pra clínica de reabilitação.
Metais tóxicos?  Hospitais fazem processo de quelação.
Venenos? Toxicologistas são especialistas nisso.

Agora Desintoxicar de "Jacadas" de final de semana, carnaval, feriados, final de ano? Isso seu organismo faz muito bem, sozinho, sem custo nenhum, basta você fornecer os substratos para que as reações ocorram.

Mas me falaram...

Ah te falaram que você tem xenobióticos e que eles podem causar doenças, então você precisa fazer DETOX? Os tais falados xenobióticos são substâncias estranhas ao nosso corpo e nosso corpo sabiamente consegue por mecanismos eficazes metabolizá-los e eliminá-los.

O processo de Destoxificação

O tal processo de DESTOXIFICAÇÃO englobaria 3 estágios: 2 fases de metabolização e 1 fase de eliminação.

Geralmente esses xenobióticos são APOLARES, ou seja, substâncias lipossolúveis (hidrofóbicas) e para que sejam excretadas precisam sofrer adição de algum componente químico para se tornarem POLARES, Hidrossolúveis, portanto facilmente excretadas via BILE (via intestinal), Renal (urina) e com um peso molecular menor.

Resumindo Destoxificação: “Trata-se de um processo que envolve múltiplas reações bioquímicas com a utilização de múltiplos substratos e dependente de cofatores enzimáticos” Ou seja, no meio desses cofatores entram vários nutrientes que nosso corpo necessita, teoricamente aí que entraria a tal dieta detox.

Mas será que precisamos mesmo de uma Dieta para metabolizar tais substâncias. A resposta é SIM. Precisamos de uma dieta EQUILIBRADA (aqui não inclui suplementos, é apenas alimentação), com todos os nutrientes para que o nosso corpo consiga fazer o tal Detox. Mas não só com nutrientes se faz uma detox.

As fases da destoxificação

Fase 1: nela ocorre uma  biotransformação ou bioativação.
Objetivo: introduzir um novo grupo funcional para modificar o grupo existente, além de fazer a exposição do receptor para a conjugação da fase II.
Nessa fase utiliza-se principalmente de um sistema de enzimático chamado Citocromo P450. Ele é composto por várias isoenzimas e que para funcionarem bem, precisam principalmente dos seguintes nutrientes:

  1. Ferro (principal fonte  são as carnes)
  2. Colina (principal fonte é o ovo), 
  3. B2 (principal fonte é fígado bovino, além de aveia (vixi tem glúten) e amêndoa), 
  4. B3 (principais fontes são as carnes e amendoim)

Tem um adendo importante com relação ao Citocromo P450. Muitas das substâncias fitoquímicas utilizadas nos chás “detox” podem alterar o funcionamento das isoenzimas (CYPs) e com isso alterar de forma negativa o processo natural de detoxificação.  É muito comum utilizarem o chá verde na detox. Seria interessante isso? Usado milenarmente somente agora os pesquisadores estão mostrando que esse chá pode ter seus riscos. Pode por exemplo levar a insuficiência hepática aguda. Pode também por conter cafeína causar agitação, insônia. Quem metaboliza a cafeina é uma isoenzima do citocromo P450 chamada CYP1A2. Algumas pessoas possuem uma baixa de detoxificação pela CYP1A2 e com isso apresentam um aumento nos sintomas de insônia e agitação após o consumo de cafeína.

Após a fase 1 forma-se metabólitos intermediários que levam a produção de radicais livres, dano aos tecidos e precisam ser neutralizados. Mais uma vez: Dieta balanceada dá conta do recado.

Nutrientes envolvidos:
  1. Betacaroteno (Fontes: cenoura, abóbora)
  2. Vitamina C (Fontes: acerola, laranja, todas as frutas cítricas)
  3. Vitamina E (Fontes: óleo de gérmen de trigo (vixi, tem glúten), oleaginosas)
  4. Selênio (Fonte: Castanha do Pará)
  5. Zinco (Fontes: carne, ostras, oleaginosas)
  6. Manganês (Fontes: gérmen de trigo (vixi, mais glúten), oleaginosas, aveia (mais glúten).
  7. Enxofre (Fontes: alho, cebola, couve, repolho).
  8. Ácido fólico: (Fontes: fígado, lentilha, quiabo, feijão, espinafre)
  9. Vitamina B12 (Fontes: alimentos de origem animal)
Mas a detox geralmente não é sem proteína animal? E nos vegetais esses nutrientes estão em quantidade menor ? Sim, mas mesmo assim tem gente que insiste em acreditar que pílulas desses nutrientes, dieta líquida e ausência de proteína animal será mais eficiente que uma alimentação balanceada.

Fase 2: Fase na qual ocorre conjugações.
Objetivo: transformar as toxinas ativadas (metabólitos intermediários) na fase I em moléculas hidrossolúveis – BIOINATIVAÇÃO.

As principais reações que ocorrem são:
  1. Sulfatação: conjugação com sulfato inorgânico
  2. Acetilação: conjugação com acetil-CoA
  3. Acilação: conjugação com glicina, taurina, ou glutamina
  4. Glicuronidação: conjugação com ácido glicurônico
  5. Metilação: conjugação com grupo metil - SAME
  6. Conjugação com glutationa
Essas reações são dependente de enzimas que por sua vez são dependentes de nutrientes. Quem mais auxilia na conjugação é a Glutationa, uma substância formada pela junção de 3 aminoácidos: ácido glutâmico,glicina, cisteína. Fontes principais dos 3? Proteínas.  A pergunta que fica, então porque uma dieta mais líquida?

Nutrientes da fase 2: estarão relacionado a cada uma das reações.
  1. Vitamina C (Fontes: acerola, laranja, todas as frutas cítricas)
  2. Selênio (Fonte: Castanha do Pará)
  3. Zinco (Fontes: carne, ostras, oleaginosas)
  4. Molibdênio: (Fonte: lentilha, feijão, amêndoa, amendoim)
  5. Enxofre (Fontes: alho, cebola, couve, repolho).
  6. Ácido fólico: (Fontes: fígado, lentilha, quiabo, feijão, espinafre)
  7. Vitamina B12 (Fontes: alimentos de origem animal)
  8. Magnésio (Fontes: oleaginosas, caju, acelga, espinafre)
  9. Colina (principal fonte é o ovo), 
  10. B5 (Fontes: fígado de frango, oleginosas, cogumelos, cottage, ovo, abacate).
  11. Taurina: (Fontes: carnes e peixes, também podendo ser sintetizada através da cisteína combinada com B6, Zinco e manganês).
Mas não é somente Nutrientes que podem auxiliar na fase 2. Quem tem papel fundamental na melhora do processo de destoxificação? TREINAMENTO. 

Quer fazer detox e não quer malhar? FURADA, BURRADA. Ao invés de na segunda entrar na detox, opte por ir malhar (tem mais evidências científicas do que dietas líquidas, desequilibradas, laxativas). A prática regular de atividade física melhora os níveis de Glutationa e outras enzimas antioxidantes. O processo de adaptação à atividade física leva a um aumento dos níveis da Glutationa S-Transferase (essencial pro processo de destoxificação). alguns hormônios que sobem com o treinamento (como cortisol e testosterona) melhoram os níveis de Sulfotransferases, essenciais pra fase 2.Além disso, a prática regular de atividade física associado a dieta equilibrada (rica em cisteína e zinco (carne novamente?)) favorece a formação de Metalotioneínas que são substâncias que poupam a sua glutationa e auxiliam na fase 2. Fontes científicas existem várias:
  1.  LEEUWENBURGH,C.et al. Adaptations of glutathione antioxidant system to endurance training are tissue na muscle fiber especific. Am J Physiol.
  2. 272:363-369-1997
  3. LAUGHLIN,M.H. et al.Skeletal muscle oxidative capacity, antioxidant enzymes, and exercices. J Appl Physio, 68(6):2337-2343,1990
  4. MAITI,S.et al. Stress regulation of sulfotransferases in male rat liver. Biochem Biophys Res Commun, 323(1): 235-242,2004
  5. CARLI,G. ET AL. Changes in the exercise-induced hormone response to branched chain amino acid administration. Eur J Appl Phys,64:272-277,1992.
  6. PENKOWA,M. et al.Exercise –induced metallothionein expression in human skeletal muscle fibres. Exp Physiol, 90(4):477-486,2005.
  7. HAIDARA, K. ; MOFFATT. P; DENIZEAU,F. Metallothionein induction induction attenuates the of glutathione depletors in rat hepatocytes. Toxicol Sci, 49(2):297-305,1999.
Fase de excreção

Na fase de eliminação (excreção) o peso molecular determinará por onde o metabólito sairá, se:
  1. Peso molecular >500 daltons sairá pela Bile (depois fezes)
  2. Peso molecular <500 daltons sairá pela Urina
Mas e quem interfere no nosso processo natural de destoxificação? 
  1. Jejum 
  2. Dieta de baixa caloria (Dieta detox é de baixíssima caloria)
  3. Dieta pobre em proteínas (Dieta detox geralmente restringe proteína animal)
  4. Deficiência de aminoácidos, vitaminas e minerais (Dieta detox é deficiente principalmente em vitamina B12 e se for sem carne terá uma quantidade bem menor de determinados aminoácidos cruciais para o processo)
Justamente o que mais se vê nas dietas detox. Então elas estariam auxiliando ou atrapalhando o processo natural de destoxificação ?

Que o processo de destoxificação existe: OK, há evidências científicas sólidas.
Que esse processo é dependente de nutrientes: Ok, tanto na fase 1 quanto na fase 2 eles entram como co-fatores de todo o processo.
Que esses nutrientes podem ser adquiridos apenas com alimentação: Ok, visto as fontes de maior biodisponibilidade

Mas e os estudos que mostram que alguns compostos podem agir na fase 1 e na fase 2? Como o quadro abaixo lista, a maioria dos estudos de referência foram realizados em ratos. Será que podemos extrapolar para humanos? Menos mal que esses fitoquímicos estão em diversos vegetais e frutas.


Problemática da dieta detox

1. Dietas líquidas ou pastosas: na grande maioria das vezes nutricionalmente desequilibradas.
2. Retirada de proteínas animais: o que leva a déficit de proteínas. Faz detox e perde massa magra.
3. Efeito laxativo pela alta ingestão de refeições líquidas/pastosas (daí muita gente acreditar que sente-se mais leve. É ÓBVIO que sente-se mais leve. Tenha uma diarréia pra ver se não se sente mais leve! Facilite a sua digestão utilizando alimentos semi-digeridos, obviamente terá a sensação de leveza.
4. Perda de peso: Muito diferente de emagrecer. Perde-se líquido via retal (amolecimento das fezes e muitas vezes diarréia = efeito laxativo) e massa magra. Somado a isso há o aumento da diurese pela alta ingestão hídrica e de chás com ação diurética.
5. Sensação de tranqüilidade, ilusória: Jacou o final de semana inteiro, tem que arrumar uma forma de se martirizar e aliviar a culpa (criando uma relação doentia com a comida). Solução? Dieta detox por 1 semana. É igual pecador que recorre ao padre pra confessar, reza e pronto, estamos quite.
6. Fraqueza/astenia: Geralmente devido à  privação de nutrientes, tais pacientes ficam fracos e não conseguem treinar nos dias em que estão no detox. Se vão treinar, podem sentir mal-estar, hipoglicemia, vertigem, náuseas.

Portanto, confie no seu corpo, ele sabe naturalmente Destoxificar. Você só precisa:
  1. BEBER ÁGUA, 
  2. COMER ADEQUADAMENTE (com o aporte de todos os nutrientes)
  3. TREINAR REGULARMENTE, 
  4. DORMIR 
  5. EVITAR SE INTOXICAR: álcool em excesso, cigarro, drogas, auto-medicação, uso de suplementos sem supervisão, ingestão de alimentos com agrotóxicos. 
Bibliografia:
  1. GONZALES, FJ, et al. Metabolismo de fármacos. In: BRUNTON L, CHABNER, B, KNOLLMAN,  B. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. Cap 06,  p.123-142.
  2. LEVIN, B. Environmental Nutrition, 1999.
  3. COZZOLINO, S. Biodisponibilidade de nutrients. 4ª Ed. Barueri – SP. Manole. 2012
  4. LISKA, J.A. The detoxification Enzyme Systems . Altern Med Rev ; vol 3, p. 187-198, 1998.
  5. WILLIAMS, D.A. LEMKE, T.L. Foye’s Principles of Medicinal Chemistry, 2003
  6. FABER, M.S.; JETTER, A.; FUHR, U. Assessment of CYP1A2 activity in clinical practice: why, how, and when? Basic Clin Pharmacol Toxicol; 97(3):125-34, 2005
  7. LEEUWENBURGH,C.et al. Adaptations of glutathione antioxidant system to endurance training are tissue na muscle fiber especific. Am J Physiol. 272:363-369-1999.
  8. LAUGHLIN,M.H. et al.Skeletal muscle oxidative capacity, antioxidant enzymes, and exercices. J Appl Physio, 68(6):2337-2343,1990.
  9. MAITI,S.et al. Stress regulation of sulfotransferases in male rat liver. Biochem Biophys Res Commun, 323(1): 235-242,2004.
  10. CARLI,G. ET AL. Changes in the exercise-induced hormone response to branched chain amino acid administration. Eur J Appl Phys,64:272-277,1992.
  11. PENKOWA,M. et al.Exercise –induced metallothionein expression in human skeletal muscle fibres. Exp Physiol, 90(4):477-486,2005. 
  12. HAIDARA, K. ; MOFFATT. P; DENIZEAU,F. Metallothionein induction induction attenuates the of glutathione depletors in rat hepatocytes. Toxicol Sci, 49(2):297-305,1999.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Análise da composição corporal por Bioimpedância em Goiânia

A Bioimpedância ou Impedância Bioelétrica (BIA) é um método de análise da Composição Corporal (CC).
Apesar de não ser considerado padrão-ouro para análise da CC foi considerado pelo Consenso Latino Americano de Obesidade como um método apurado para avaliação da CC. Com os dados dessa avaliação, é possível fazer o correto diagnóstico de peso corporal, avaliando se a pessoa está inchada (edemaciada ou retendo líquido) ou se é excesso de peso realmente.

Com base nesse exame, o cardápio é melhor elaborado e as metas são melhores atingidas.

Além disso o acompanhamento fica mais completo, já que o médico consegue acompanhar se a massa magra ou massa gorda aumentou/diminuiu.

Entretanto para que a análise seja feita correta, faz-se necessário seguir alguns protocolos.

Quais as vantagens da BIA ?
A BIA é um método não invasivo, rápido, com boa sensibilidade, indolor, usado para avaliar a CC, baseado na passagem de uma corrente elétrica (totalmente indolor) de baixa amplitude (500 a 800 mA) e de alta freqüência (50 kHz), e que permite mensurar os componentes resistência (R), reatância (Xc), impedância (Z) e ângulo de fase. Termos difíceis para um leigo, mas resumindo, de posse destes parâmetros o aparelho consegue calcular:

  1. A Real % Gordura Corporal e  o Peso Gordura
  2. A % de massa magra e Peso da massa magra corporal
  3. O peso total
  4. A % Água Corporal
  5. Taxa Metabólica Basal (TMB) – quanto você gasta em calorias por dia para manter-se vivo e em repouso.
  6. O Índice de Massa Corporal (IMC)

Como se faz a BIA ?
Existe um protocolo sugerido por pesquisadores o qual a marca InBody preconiza como fundamental para uma análise correta da CC.

  1. Suspender o uso de medicamentos diuréticos de 24 horas a 7 dias antes do teste
  2. Estar em jejum de pelo menos 4 horas
  3. Estar em abstinência alcoólica por 48 horas
  4. Evitar o consumo de cafeína ou qualquer termogênico (chá-verde, chá-mate, coca-cola, guaraná em pó, chocolate) 24 horas antes do teste
  5. Estar fora do período pré menstrual e menstrual
  6. Não ter praticado atividade física nas últimas 24 horas
  7. Ter bebido pelo menos 2 litros de água nas últimas 24 horas
  8. Urinar pelo menos 30 minutos antes da medida
  9. Permanecer pelo menos 5 -10 minutos de repouso absoluto em posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida
Durante o exame, como já dito acima, uma corrente elétrica passa pelo corpo através de dois pares de eletrodos (adesivos) colocados na mão e no pé direito. O exame é totalmente indolor. Quanto maior é o percentual de gordura, maior é a dificuldade para a corrente elétrica atravessar o corpo.

Existe alguma contra-indicação para realizar a BIA ?
Contra-Indicação absoluta para a realização do teste: portadores de marcapasso e gestantes.

Por que utilizar a BIA no emagrecimento ou quando se quer ganhar massa magra ?
A grande vantagem da BIA é nos processos de emagrecimento. Hoje ja se sabe que perda de peso não é sinônimo de emagrecimento, muitas vezes o paciente perde massa gorda (gordura), ganha massa magra e o peso não altera na balança (as vezes até aumenta). Com a análise pela BIA as chances de uma interpretação errônea é menor. Um outro exemplo é quando o paciente apresenta alto IMC, não se acha tão gordo e aí a BIA evidencia que há uma grande % de massa magra, sendo assim a quantidade de gordura a ser perdida não é a que era estimada de acordo com o IMC.

Considerações importantes sobre a BIA
Além de seguir o correto protocolo, faz-se necessário que o aparelho seja de boa qualidade e esteja calibrado. No Brasil a Ottoboni é representante da maior marca de BIA do mundo, a InBody. Portanto os aparelhos InBody possuem validação científica, sendo chancelados pelas maiores Instituições do Brasil, como a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e GANEP.

Qualquer aparelho de BIA é fidedigno para análise da CC ?
Não. Quanto maior a tecnologia (número de polos, segmentos e frequências) melhor a acurácia do teste. Nosso aparelho é da marca InBody, tetrapolar, multisegmentar, multifrequencial. O exame dura cerca de 10 minutos e o resultado é impresso na hora.




Quem realiza o exame?
Diferente da maioria das clínicas, o nosso exame é feito pelo Dr. Pedro Paulo Prudente (CRM-GO 12.744).

Autoria do texto:
  • Dr. Pedro Paulo Prudente (CRM-GO 12.744) - Médico, especialista em medicina esportiva, pós-graduando em Nutrologia Médica. Residência em Medicina do Exercício e Esporte pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Atende no Instituto de Medicina de Goiás - Rua 10, nº 707 (quase em frente à praça Tamandaré), Setor Oeste - Goiânia - GO. Fones: (62) 3215-5788 (Secretária Telma). 
  • Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13.192/ CRM-DF 18.620) - Médico, pós-graduando em Nutrologia Médica, utiliza na sua prática clínica preceitos ortomoleculares. Atende no Instituto de Medicina de Goias - Rua 10, nº 707 (quase em frente à praça Tamandaré), Setor Oeste - Goiânia - GO. Fones: (62) 3215-5788, (62) 4018-1155 (Secretária Ludmila). 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Água alcalina ? Sabe de nada inocente...


Muita gente propaga por aí que a melhor água é a com a o pH alcalino. Tenho inclusive alguns amigos que defendem que a água alcalina previne uma série de doenças. Desculpem mas eu NÃO acredito em nada disso, muito menos em teoria de alimentos ácidos ou alcalinos.

Pra mim é um profundo desconhecimento da bioquímica fisiológica e falta de percepção que por trás disso há gente querendo vender os tais filtros de água alcalina. E o pior, não há respaldo NENHUM pra isso nos livros de fisiologia, livros de nutrição.

Quem tiver por favor poste o link pra mim, a referência do livro, do artigo, seja la o que for. Eu quero entender com base em que alguns médicos alegam que as doenças se desenvolvem no meio ácido e a saúde impera no meio básico.

Resumindo o nosso estômago tem pH entre 2 e 4 (pH ácido). O meu sangue continua com pH 7,3 independente se como ou bebo algo com pH ácido ou alcalino. Tudo isso ocorre graças a um sistema Tampão que nosso corpo tem para regular o pH e manter numa faixa entre 7,35 e 7,45.  São 3 os mecanismos básicos de regulação:
1) Mecanismo respiratório.
2) Mecanismo renal.
3) Mecanismo químico (sistema tampão sanguíneo).

O mecanismo respiratório; o mecanismo renal e o mecanismo químico, representado por pares e constituído por um ácido fraco e uma base conjugada, os quais representam os tampões mais importantes. Abaixo os tipos de bases e ácidos e a qualidade relativa de porcentagem no nosso corpo:

• Ácido carbônico / bicarbonato – 64%
• Proteína ácida / proteína básica – 7%
• Hemoglobina / oxi-hemoglobina – 28%
• Fosfato monoácido / fosfato diácido – 1%

Estes são encontrados no sangue (líquido intravascular), nos tecidos (líquido intersticial) e no interior das células (líquido intracelular).

O íon bicarbonato é o principal responsável pelo tamponamento do sangue humano e é geralmente encontrado nos fluidos corporais na forma de bicarbonato de sódio. O bicarbonato mantém o pH do sangue numa faixa segura compreendida entre 7,35 e 7,45, restringindo às variações de pH para cima ou para baixo desses valores.

O mais importante sistema tampão do organismo é o sistema tampão ácido carbônico/bicarbonato, pois atua diretamente na regulação do pH, portanto, os sistemas tampões têm como função preservar o pH sanguíneo em ótimo e os demais líquidos orgânicos, veja:

- Quando um ácido (via alimentação ou de forma endovenosa) é adicionado ao sangue, o bicarbonato do sistema tampão prontamente reage com ele. Aí a reação produz um sal (formado com o sódio do bicarbonato e o ácido carbônico). Essa reação diminui a quantidade de bases e altera a relação entre o bicarbonato e o ácido carbônico. O ácido carbônico produzido pela reação do bicarbonato do tampão, se dissocia em CO2 e água; o CO2 é eliminado nos pulmões restaurante imediatamente a relação do sistema. Então a gente viu a união de 2 mecanismo o tampão sérico associado ao tamponamemto respiratório.

- Quando uma base é acrescentada ao sangue (seja via alimentação ou endovenosa) o ácido carbônico prontamente reage com ela, produzindo bicarbonato e água. O ácido carbônico diminui. Os rins aumentam a excreção de bicarbonato (base) ao invés do íon hidrogênio (ácido), reduzindo a quantidade de bicarbonato no organismo, para preservar o pH sérico.

De forma geral, quando um indivíduo tem o pH sanguíneo abaixo para níveis inferiores a 7,35 diz-se que ele está com acidose. Quando o pH sanguíneo aumenta a níveis superiores a 7,45 diz-se que o mesmo está com alcalose. Tanto a acidose quanto a alcalose podem ser de origem metabólica ou respiratória.

Os outros sistemas atuam de forma semelhante ao sistema bicarbonato. E, todos os líquidos do organismo possuem sistemas tampão para impedir alterações significativas da concentração do íon hidrogênio ou, em outras palavras, do pH. Se a concentração do hidrogênio aumenta ou diminui significativamente, o centro respiratório é imediatamente estimulado para alterar a freqüência respiratória e modificar a eliminação do dióxido de carbono. As variações da eliminação do dióxido de carbono, tendem a retornar o pH aos seus valores normais. Quando o pH se afasta da faixa de normalidade, os rins eliminam urina ácida ou alcalina, contribuindo para o retorno da concentração dos íons hidrogênio aos valores normais.

Portanto não caiam nessa de que água tem que ser com pH alcalino. Que uma dieta com alimentos "alcalinos" vai prevenir doenças. Se fosse assim tomar água com bicarbonato preveniria uma série de doenças.

sábado, 5 de abril de 2014

1 agrotóxico: 10 mil animais


No dia 23/01/14, São Paulo tornou-se o primeiro estado Brasileiro a proibir o uso de animais para avaliação de segurança de cosmético. Não apenas cosméticos, usam animais para avaliação de segurança humana, mas também medicamentos e agrotóxicos.  Agrotóxicos são considerados extremamente relevante no modelo de desenvolvimento na agricultura no País. Colocando o Brasil o maior consumidor de produtos agrotóxicos no mundo. Em decorrência da significativa importância, tanto em relação ao uso e toxicidade. (Ministério do Meio Ambiente, 2014)

Na avaliação de segurança de um único agrotóxico usa-se em torno de 10 mil animais ao fim de obter informação como: mutagenicidade, carcinogenicidade, efeitos na reprodução, irritação e corrosão dérmica - ocular, DL50 e toxicidade inalatória.
A pergunta que não quer calar: é necessário mesmo o uso de tantos animais para obtenção de informações para a humanidade? A resposta é clara e objetiva. Não! 

No mundo todo, existem agências reguladoras para a substituição de uso de animais na experimentação de produtos. Atualmente, alguns modelos de métodos alternativos ao uso de animais são validados e aprovados por diretrizes como OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e centros internacionais que coordenam e avaliam métodos com intuito de substituir testes em animais, ECVAM (Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos). E por que o Brasil não usam então esses testes para esses tipos de avaliação? Essa resposta já é um pouco complicada. A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos  em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. 

No dia 2 de Abril de 2014, Brasília-DF, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) junto ao RENAMA (Rede Nacional de Métodos Alternativos), CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), BraCVAM (Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos) e SBMALT (Sociedade Brasileira de Métodos Alternativos á Experimentação Animal) realizaram um Workshop Internacional com o objetivos de discutir maneiras de implementar esses métodos as grandes empresas produtoras de agrotóxicos, e também, solicitar um posicionamento da ANVISA frente ao grande e desnecessário uso de animais em testes.
(ANVISA, 2014): A falta de conhecimento e medo pela mudança faz com que nós tenhamos um pé atrás frente aos métodos alternativos.

É mais fácil usar um animal e observar o que acontece com ele, do que padronizar, implementar e aplicar um método in vitro. A sociedade brasileira precisa ter conhecimento sobre tais interesses políticos e econômicos ao uso indevido de tantos animais para pesquisa. Solução a academia científica tem. Interesses governamentais não.

“a questão não é se os animais raciocinam ou se eles podem falar, mas se eles sofrem“. Marchall Hall

Autor: Rafael Ducas ( @rafaducas ) - Farmacêutico e bioquímico. Mestrando em Toxicologia Universidade Federal de Goiás. Ênfase em pesquisa de métodos alternativos a uso de animais a experimentação

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ovo


Um estudo publicado em 2011 no European Journal of Clinical Nutrition, seguiu 14185 indivíduos ao longo de 6 anos e constatou que não havia diferenças entre os grupos estudados no que toca a doença cardiovascular (infarto agudo do miocárdio, AVC ou cirurgia cardíaca e revascularização).Os grupos foram divididos conforme o consumo de ovo: 1) nenhum ovo por semana, 2) 2 a 4 ovos por semana e 3) 4 por semana. Foram avaliados 2 vezes ao ano durante 6 anos. Após ajuste para confundidores como sexo, idade, calorias ingeridas, adesão à dieta mediterrânica e outros fatores de risco cardiovascular, não foi encontrada qualquer associação entre o consumo de ovo (muito ou pouco) e as doenças cardiovasculares

Outro estudo, publicado em 2010 no Nutrition Journal buscou verificar o efeito do uso moderado (2 a 3 ovos por dia) na função endotelial e nos níveis de coltesterol e triglicérides em pacientes já portadores de dislipidemia. O estudo conclui que uso moderado de ovos (2 a 3/dia) não alterou função endotelial e dislipidemia de adultos dislipidêmicos.

O link pros 2 estudos está aqui nesse texto do meu blog: http://www.ecologiamedica.net/2011/05/ovos-colesterol-e-risco-cardiovascular.html

Infrações éticas

Para os colegas médicos: RESOLUÇÃO CFM Nº 1.974/2011 (Publicada no D.O.U. de 19 de agosto de 2011, Seção I, p.241-244) ➡ É VEDADO AO MÉDICO : " g)  Expor a figura de seu paciente como forma de divulgar técnica, método ou resultado de tratamento, ainda que com autorização expressa do mesmo, ressalvado o disposto no art. 10 desta resolução; "

Para os colegas nutricionistas:

Sejamos éticos ! Tenhamos compaixão pelo próximo.

Da série: Charlatanices. Exame Biorressonância (VegaTest)

No último final de semana na pós de nutrologia conversando com alguns colegas e professores discutíamos o tanto de picaretagem que tem rodeado a medicina. Charlatanices dos mais diversos tipos.

Então resolvi criar uma série sobre charlatanices. Abrirei a série com o método mais esdrúxulo de todos os tempos: Bioressonância (ou VegaTest). Imagine que vegetais, minerais, animais emitam uma onda eletromagnética. Segundo o teste, todas as ondas eletromagnéticas emitidas pelos seres vivos ou por materiais da natureza vivos, ou também mortos, podem ser mensuradas e é isso que o aparelho busca fazer. É na realidade um TESTE DE RESSONÂNCIA entre o paciente e a substância ou informação a ser obtida pelo Reflexo autonômico VEJA.

No exame o examinador liga o aparelho a um eletrodo e posiciona o eletrodo em alguns pontos das mãos do paciente (início do meridiano segundo a Medicina chinesa). No aparelho há uma colméia (um recipiente que contem fragmentos de centenas de substâncias, desde metais tóxicos a lisado de órgãos.

Começa o teste e busca-se a ressonância entre o paciente e a substância testada. Para vocês entenderem: vamos testar se a pessoa tem deficiência de zinco. Se tiver ressonância a deficiência se comprova (Sem dosar no sangue, urina, cabelo). Testa-se todos os minerais, vitaminas, algumas verminoses (sim, descobre até se vc tem Giárdia via esse exame rs). O examinador também consegue descobrir qual o melhor tipo de tratamento pra vc. Acupuntura? Fitoterapia ? Também consegue falar se algum órgão seu está com deficiência. E a melhor parte é a estimativa do nível de cortisol.

Preço: 200 a 300 reais.

Tem validação científica? NÃO. O médico ou nutricionista pode realizar ? Pode, assim como qualquer profissional que saiba manejar o aparelho e queira ganhar grana. O médico pode cobrar ? NÃO. Segundo o CFM o médico só pode cobrar por exames com validação científica.

Quando o paciente chega ao meu consultório com resultado desse exame, alegando que tirou ovo, glúten, leite, determinadas frutas pq o exame acusou, a vontade que tenho é de rasgar o exame e jogar no lixo. Só não faço por educação.

#Bioressonância #VegaTest #Ortomolecular #NutriçãoFuncional #Picaretagens #Charlatanices #Ética

Glúten, mito ou realidade?

Dentro do exercício da Medicina Baseada em Evidências não há evidências científicas que a retirada do glúten da alimentação promova perda de peso. Emagrecer é uma equação entre o que ingerimos e o que gastamos, resumindo de forma simplista (claro que há inúmeras variáveis envolvidas).

Precisamos reduzir a ingestão calórica dos alimentos e/ ou aumentar exercício físico (Gasto energético), promovendo balanço energético negativo.

A questão é: NÃO existe NENHUM estudo científico confiável em humanos mostrando que o grupo que cortou glúten emagreceu mais. Apenas poucos estudos com ratos. A maioria esmagadora de artigos na área são apenas ligados a exclusão de glúten em celíacos.

Talvez esteja na hora de realizarem pesquisas em humanos. Por que digo isso? Porque a ciência fala uma coisa, mas prática clínica  muitas vezes fala o oposto. Inúmeras vezes vi pacientes perdendo peso após a retirada do glúten, mesmo em dietas com a mesma quantidade de calorias. E aí ? Tem gente que se beneficia, tem gente que não. Sem contar que muitas vezes a tal "dieta sem glúten e sem lactose" pode até gerar estresse pela restrição dietética (sim, vários pacientes relatam que ficaram estressados pois acham difícil ficar controlando a seleção dos alimentos isentos de glúten e lactose).

Cortisol e contraceptivos: O mito do falso cortisol elevado por Dr. Flávio Cadegiani

Chega muito ao meu consultório a queixa de “cortisol elevado”. Normalmente são mulheres que usam anticoncepcional e que passaram por médicos ou nutricionistas que atribuíram a elevação do cortisol ao “perfil estressado” ou com “problemas pessoais” dessas mulheres.

Contudo, existe um detalhe nestas histórias que mudam completamente o cenário. O uso do anticoncepcional. Mas como assim?

O anticoncepcional, por exemplo, diminui a libido de muitas mulheres. E pelo mesmo motivo.
Estes hormônios, principalmente via oral, aumentam as proteínas e globulinas carreadoras de hormônios. Então uma parte maior dos hormônios circulantes estarão ligadas a estas partículas. E com isso, uma pequena parte somente estará livre para agir. Somente a fração livre dos hormônios tem ação biológica.

Com isso, existe o aumento da CBG (cortisol binding globulin, ou globulina carreadora do cortisol), diminuindo a fração livre do cortisol. Assim, o corpo nota essa “baixa” do total de cortisol “ativo” e por homestase manda produzir mais. Com isso, a concentração de cortisol total no sangue aumenta, porém sem ter aumento da fração livre. Por isso o cortisol na sangue (que mede somente o total) dá alto. Nestes casos, eu sempre sugiro confirmar a falsa elevação pelo cortisol salivar, que mede praticamente só a fração livre, e é feito por todos os laboratório e coberto pelo convênio.

Do mesmo modo, ocorre aumento do SHBG (sex hormones binding globulin ou globulina carreadora de hormônios sexuais) que se ligam à androgênios e diminuem a quantidade de testosterona livre, causando queda da libido de muitas mulheres.

Abraço,

Dr. Flávio Cadegiani CRM-DF 16.219
Endocrinologista com residência médica e título de especialista pela SBEM
Fellow em Adrenal pela Unifesp

Whey virou farinha ?

Páscoa só tem uma vez ao ano e o ser inventa de comer ovo com whey. Acho sem noção essa onda de receitas com whey. Salgado com whey... o problema é proteína?

Comida de verdade tem aos montes, a tabela abaixo (baseada na TACO 2011) mostra a quantidade de proteína existente em 100g dos respectivos tipos de carne. Além de ganhar proteína ingere fibras, minerais (Zinco, Magnésio, Manganês, Molibdênio), Vitaminas (Vitamina K2, Vitaminas do complexo B em especial B12), acidos graxos (ômega 3, 6).

Daqui uns tempos existirá até pasta de dente de whey.

#ComaComida #ComidaDeVerdade

Modulação hormonal - os riscos que os praticantes não contam


Muitos pacientes, amigos, familiares  perguntam minha visão sobre o tema. Sempre deixo claro: Discordo e condeno veemente. Por que? Discordo até mesmo dos endocrinologistas que prescrevem hormônio sem antes investigar a causa base. Na minha formação acadêmica aprendi que para qualquer alteração, existe uma explicação. Nenhum hormônio sobe ou desce de forma inexplicável. Exceto pela idade, na qual fisiologicamente há um declínio NORMAL.

Por exemplo, se a pessoa apresentam alteração laboratorial num hormônio (ex. TSH que é o que estimula a Tireóide a produzir os hormônios T3 e T4), antes devo REPETIR essa dosagem pra confirmar (já que dosagem hormonal é algo difícil de se confiar, mesmo em laboratórios excelentes). POSTERIORMENTE se confirmada a alteração, tentar dentro do quadro clínico descobrir o que pode estar INTERFERINDO na cinética adequada daquele eixo hormonal. Aí entra uma anamnese minuciosa, verificando principalmente os hábitos de vida e alimentares do paciente.

Exemplo comum: homens com sobrepeso ou obeso com baixa de testosterona. Confirmada duas vezes essa baixa de testosterona, qual a conduta adequada? Repor testosterona? NÃO !

Quando há um aumento da insulina associado a obesidade, os níveis de testosterona caem, isso é fisiologia endócrina. Se o paciente obeso receber testosterona, a chance dessa testosterona ser convertida em estrogênio (hormônio feminino) no tecido adiposo (aromatizar) é alta.

Um outro exemplo clássico, que há 4 anos presencio no consultório. Pacientes com TSH acima de 5 ou 6. Muitos endocrinologistas e os chamados moduladores hormonais (geralmente tratam quando acima de 2,5), preferem iniciar com doses baixas de T4 (um dos hormônios tireoideano) associadas ao hormônio T3 (sendo que não existe NENHUMA recomendação nos guidelines de tireóide, para uso de T3. Pelo contrário, contraindicam devido o efeito arritmogênico e aumento do risco cardiovascular).

Eu particularmente não faço isso. Primeiro tento descobrir o porquê desse TSH estar elevado, já que INÚMERAS condições podem elevá-lo:
  • Privação de sono, se o paciente foi dormir tarde, se o paciente é obeso, se faz uso de medicações que alteram o TSH como por exemplo um anti-hipertensivo da classe dos betabloqueadores (Propranolol), contraceptivos orais, drogas anti-arrítmicas como a Amiodarona. Outras fazem o TSH cair e uma elevação dos níveis de T4, como por exemplo a Metformina, um hipoglicemiante.
  • Deficiências nutricionais de nutrientes essenciais pra cinética correta dos hormônios tireoideanos. Por exemplo, sem Selênio não ocorre a conversão do hormônio T4 em T3 (que é a forma ativa), assim como a falta de Zinco e Vitamina D. E essas deficiências nutricionais são MUITO COMUNS na maioria da população. Ano passado dosei o Selênio sérico em 246 pacientes e somente 3 apresentavam níveis adequados de Selênio. Vitamina D, dosei em mais de 300 pacientes e somente 2 apresentavam níveis adequados. 
Quantas vezes fiz suplementações básicas de Selênio, Vitamina D e Zinco eum TSH limítrofe ou um pouco acima do normal, normalizou? Mais de 500. Diariamente faço isso e com bons resultados. SE o TSH não caiu, aí sim entro com levotiroxina (T4), mas apenas ela e não com T3 associado. No mundo todo esse tipo de associação é condenada.

Ou seja, primeiramente é DEVER do médico investigar a causa da alteração, tentar mudar o estilo de vida, adequar a alimentação (o que ja dá resultados excelentes, pois os alimentos conseguem modular os hormônios), suplementar substâncias naturais (vitaminas, minerais, aminoácidos) e verificar se há uma resolução do quadro. SE não resolver, aí sim, postular a reposição hormonal.

Pelo que vejo, a reposição hormonal foi banalizada e diariamente pego pacientes vítimas de iatrogenia médica. Final de 2012 ocorreu uma Jornada de Anti-envelhecimento no CRM de Goiás e lá os conselheiros e especialistas deixaram claro, que a maioria das condutas dos chamados "Moduladores hormonais" não possuem embasamento científico AINDA. E o profissional que for pego prescrevendo hormônio sem a devida comprovação laboratorial da deficiência do mesmo, será punido pelo CRM, com até cassação do registro. Estimulou os médicos a incitarem os pacientes vítimas de tais iatrogenias a levarem suas receitas no CRM. O médico endocrinologistas ou outros especialistas não podem fazer praticamente nada diante da situação, apenas orientar o paciente. Na mesma época o Conselho Federal de Medicina publicou uma resolução sobre o tema. Veja abaixo:

Outubro de 2012 o Conselho Federal de Medicina, lançou a Resolução Nº 1999 DE 27/09/2012 (Federal) na qual resolve:

Art. 1º. A reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada, de acordo com a existência de nexo causal entre a deficiência e o quadro clínico, ou de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.

 Art. 2º. São vedados no exercício da Medicina, por serem destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente, o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:

I - Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II - Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III - Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
IV - Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V - A prescrição de hormônios conhecidos como "bioidênticos" para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI - Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.

 Art. 3º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

 ROBERTO LUIZ DAVILA
Presidente do Conselho


Outras práticas comuns pelos ditos moduladores são:
  • Cortisol matinal abaixo de 10, consideram que a glândula adrenal está fadiga e prescrevem um corticóide, chamado Hidrocortisona. Esta quando prescrita desnecessariamente pode ocasionar elevação da pressão arterial, acne, estrias, aumento do risco  cardiovascular, risco de depressão, fragilidade capilar, elevação da glicemia, osteoporose.
  • GH: quando o IGF1 e IGFBP3 estão 25% a 50% acima do limite inferior, já indicam utilização de GH. 25 a 50% acima do limite inferior não é deficiência, está dentro do valor de referência.
O texto abaixo mostra alguns dos riscos da prática de modulação hormonal feita por não-endocrinologistas

Os riscos das terapias antienvelhecimento

Para as manchas na pele existe maquiagem. Para os cabelos brancos, tintura. Para as rugas, cremes. Mas mesmo todo esse avanço da indústria cosmética é incapaz de reverter ou impedir o envelhecimento. "Envelhecer é um processo natural do corpo e até hoje não existe nenhum tratamento ou substância capaz de mudar esse fato", afirma o geriatra Salo Buksman, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Mas a obsessão pela juventude começou a popularizar as chamadas terapias hormonais antienvelhecimento, condenadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). "Elas pregam que a diminuição dos níveis hormonais no corpo, que começa por volta dos 30 anos, seja a responsável pelo envelhecimento, enquanto que na literatura médica temos que o envelhecimento é o responsável pela diminuição dos hormônios", afirma o especialista.

Assim, sem qualquer embasamento, são receitados hormônios que vão desde a testosterona até a gonadotrofina coriônica humana, produzida durante a gestação. Conheça os perigos a que os adeptos desse tratamento estão expostos:

Câncer: Alguns cânceres, como o de próstata e o de mama, são considerados hormônio-sensíveis, ou seja, podem ter seu desenvolvimento estimulado pelos níveis hormonais no organismo. Neste caso, pela testosterona e pelo estrógeno, respectivamente. "Ainda não se sabe se eles são capazes de gerar um tumor, mas, certamente, contribuem para que lesões pré-existentes se desenvolvam", afirma o endocrinologista Amélio Godói Matos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Sabe-se ainda que pessoas com níveis de elevados do hormônio do crescimento (GH) também apresentam um risco maior de ter câncer de intestino.

Problemas cardiovasculares:  Alguns hormônios, como a testosterona e o hormônio do crescimento (GH), são bastante populares em academias por levarem ao ganho de massa muscular. O problema é que eles também aumentam o risco de problemas cardiovasculares. "Tanto a testosterona quanto o GH em excesso levam ao aumento de todo o tecido muscular do organismo, inclusive do coração, causando hipertrofia cardíaca", afirma a endocrinologista Claudia Chang, doutoranda em Endocrinologia e Metabologia pela USP. Há ainda a procaína, anestésico que promete emagrecer, mas, na verdade, leva ao aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos.

AVC: O uso de testosterona a longo prazo também está associado a um risco cinco vezes maior de AVC. "Ela aumenta o número de células vermelhas no sangue, que são responsáveis pela coagulação, o que torna o plasma mais viscoso", diz o endocrinologista Amélio. O problema é que a alta dosagem pode resultar na hipercoagulação sanguínea, podendo entupir um vaso e levar a um derrame. O caso é ainda mais grave quando o paciente sofre de apneia do sono. Isso porque a má oxigenação sanguínea, decorrente dos períodos em que a respiração é interrompida, provoca uma produção maior de células vermelhas que fazem o transporte do oxigênio para os diversos tecidos do corpo.

Atrofia dos testículos: Há muito tempo, especialistas tentam desenvolver uma pílula masculina capaz de inibir a produção de espermatozoides pelos testículos. "Um hormônio que tem esse efeito é a testosterona, mas ela também leva à atrofia dos testículos", afirma o especialista Amélio. Por isso, o projeto nunca foi para frente. Assim, receitar altas dosagens de testosterona apresenta mais esse efeito colateral. "Ela cumpre o papel de inibir as células germinativas, que compõem 80% dos testículos, mas faz com que seu volume diminua".

Ganho de peso: As terapias hormonais também costumam receitar a cortisona, medicamento à base do hormônio cortisol altamente perigoso quando usado fora de suas indicações. "Um dos efeitos colaterais da cortisona é o aumento da proliferação de células adiposas, especialmente na região central do corpo", afirma o endocrinologista Amélio. O uso prolongado pode resultar ainda na síndrome de Cushing, em que o depósito de gordura se dá no tronco, no pescoço e no rosto, enquanto que braços e pernas perdem a musculatura e ficam mais finos. A consequência disso é a fraqueza do paciente, principalmente ao caminhar ou subir escadas.

Problemas hepáticos: Como o fígado é responsável pela metabolização de todos os medicamentos, ele pode ser sobrecarregado com a ingestão de altas doses de hormônios ou remédios. "A aplicação injetável tem ação direta, então, o perigo maior é em relação àqueles com indicação de consumo via oral, como um tipo de testosterona usada no passado", afirma a endocrinologista Claudia. Isso acontece porque as enzimas do órgão nem sempre dão conta de todos os hormônios consumidos, gerando nódulos que podem evoluir para um câncer.

Apnéia do sono: De acordo com a endocrinologista Claudia, o uso do hormônio do crescimento (GH) em excesso pode levar ao inchaço dos órgãos. Entre eles, a língua, problema conhecido como macroglossia. "Isso pode não só originar um quadro de apneia do sono, já que a passagem do ar fica bloqueada, como ainda pode piorar um caso pré-existente da doença". Esse agravamento também pode acontecer com altas dosagens de testosterona. E, como vários estudos já mostraram, a apneia do sono é fator de risco para diversas doenças do coração, uma vez que interrompe, ainda que por alguns segundos, a oxigenação do sangue.

Virilização: Crescimento de pelos no rosto, queda de cabelos, acne e retenção de líquidos são apenas alguns dos efeitos colaterais do uso de testosterona sem indicação adequada para mulheres. "O hormônio causa ainda alterações comportamentais, deixando a paciente mais agressiva", afirma o endocrinologista Amélio. O uso também pode levar ao engrossamento da voz e ao crescimento do pomo de adão.

Diabetes: "Como alguns hormônios levam ao ganho de peso, principalmente na região abdominal, há um risco maior do desenvolvimento do diabetes", afirma a endocrinologista Claudia. Embora a gordura seja fundamental para o bom funcionamento do organismo, ela deve ocupar uma porcentagem pequena do peso corporal e deve estar distribuída de forma homogênea pelo corpo. A gordura acumulada na circunferência abdominal aumenta a produção de substâncias que favorecem o aumento da taxa de glicose, diferente do que ocorre com a gordura acumulada embaixo da pele ou espalhada pelo corpo  esta ajuda a controlar as taxas de açúcar no sangue.

Fonte: http://www.minhavida.com.br/saude/galerias/15468-conheca-os-riscos-das-terapias-hormonais-antienvelhecimento/7


Hormônios Bioidênticos (parecer da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM)

Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro e o crescimento do número de idosos no país, cada vez mais médicos e especialistas se deparam com questões relacionadas às terapias contra o envelhecimento. Dessa forma, Uma delas é a reposição hormonal.

Muito se fala, hoje, dos chamados Hormônios Bioidênticos, substâncias hormonais que possuem exatamente a mesma estrutura química e molecular encontrada nos hormônios produzidos no corpo humano. A nomenclatura, no entanto, está sendo utilizada, indevidamente, apenas para os hormônios manipulados, como se fossem novas opções de tratamento quando, na verdade, há muito tempo hormônios bioidênticos são produzidos em indústrias farmacêuticas e estão disponíveis nas farmácias.

Para o Dr. Ricardo Meirelles, o uso do termo vem sendo feito com objetivos evidentemente comerciais, como uma forma de marketing. "Na realidade, quando um endocrinologista prescreve tiroxina (hormônio tiroidiano), estradiol e progesterona natural (hormônios ovarianos), testosterona (hormônio masculino), hormônio do crescimento e outros, está receitando hormônios bioidênticos, no sentido de que são hormônios cuja fórmula molecular é igual à dos produzidos pelo corpo humano", afirma.

De acordo com a Dra. Ruth Clapauch*, o uso dos bioidênticos pode ser apropriado, porém devem ser utilizados com cautela. "Eles são importantes para controlar os níveis hormonais no organismo, repondo o que falta no nosso corpo, mas somente um endocrinologista estará apto para receitá-los de maneira correta, na dose ideal, evitando complicações futuras", afirma. Para ela, médicos devem estar atentos e dar preferência na prescrição médica a produtos produzidos com tecnologia de ponta e não artesanalmente, onde possa estar garantido o grau de pureza, dosagem, estabilidade, absorção, eficácia e segurança. "Fórmulas manipuladas podem apresentar diferenças em relação a substâncias testadas pela indústria farmacêutica, que passaram por estudos em laboratório, em animais e em pessoas antes que fossem aprovadas  para comercialização", afirma.

A doutora relembra o posicionamento Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos. Ele adverte que a fabricação individualizada de um hormônio, a tal "customização", é praticamente impossível de ser alcançada "porque os níveis de hormônio no sangue são difíceis de medir e regular devido às variações fisiológicas". Além disso, segundo o posicionamento, não há estudos que atestem os benefícios e riscos dos bioidênticos manipulados.

A especialista concorda com o texto. "Muitos dos manipulados não são controlados pelos órgãos de vigilância sanitária, ao contrário daqueles fabricados pelos grandes laboratórios, que foram testados e estudados", afirma. "Com hormônios industrializados, fica mais fácil para que o endocrinologista individualize a reposição hormonal, já que não existem oscilações nem inconsistência na quantidade das substâncias", completa.

Embora muitos médicos defendam que os bioidênticos sejam a chave para reduzir o processo de envelhecimento do corpo de maneira natural, nada está comprovado cientificamente e a população deve tomar cuidado com tais promessas. "Alguns especialistas defendem o fato de que os bioidênticos manipulados são naturais e, por causa disso, o organismo seria capaz de metabolizá-lo da mesma forma que faria com um hormônio do próprio corpo. No entanto, eles são produzidos de maneira artificial, e sofrem alterações em sua estrutura química", alerta a Dra. Ruth.

(*)Dra. Ruth Clapauch
Formação
Residência médica + curso de especialização em Endocrinologia (IEDE)
Título de especialista em Endocrinologia
Mestrado (UFRJ) e Doutorado (UERJ)
Professora de pós graduação em Endocrinologia
 Atualmente é vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia, já tendo sido presidente deste Departamento em 2 gestões
Membro da Comissão de Educação Médica Continuada da SBEM
Autora de diversos artigos em revistas científicas nacionais e internacionais sobre reposição hormonal

Fonte: http://www.endocrino.org.br/hormonios-bioidenticos/

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