sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tireóide e alimentação

Alimentar-se de forma equilibrada é importante para a manutenção de peso ideal e da saúde plena. O mesmo se aplica para as pessoas com algum distúrbio na tireoide, seja ele hipotireoidismo ou hipertireoidismo. De acordo com a Dra. Laura Ward, presidente do Departamento de Tireoide da SBEM (Gestão 2011-2012), embora certos alimentos, quando ingeridos em excesso e por longos períodos, possam interferir com o metabolismo da tireoide, sua proibição não é usual para quem tem problemas com a glândula. “Apenas em situações especiais, como antes da realização de alguns exames ou tratamentos específicos, é que uma dieta direcionada é orientada. No geral, o ideal é que se mantenha uma alimentação saudável e balanceada em todos os nutrientes”, afirma.

Segundo a especialista, quem tem problemas na glândula deve ficar atento a excessos de determinados tipos de alimentos. “O ideal é que o paciente não coma sal em grande quantidade, já que o sal é iodado e o excesso de iodo pode piorar um distúrbio de tireoide latente (não manifestado clinicamente ainda) ou já em tratamento. Isso desregula totalmente o metabolismo do indivíduo”, alerta.

A endocrinologista chama atenção ainda para os alimentos que podem causar bócio, os chamados bociogênicos, ou que contenham isoflavonas em grande quantidade. “Alimentos como repolho, nabo, soja e couve podem ser consumidos uma ou duas vezes por semana, mas não todos os dias”, alerta Dra. Laura.

Atenção para a Soja

De acordo com Dra. Tânia Bachega, presidente da Comissão Nacional dos Desreguladores Endócrinos da SBEM, a partir da aprovação da rotulagem de alimentos com soja como protetores para doença coronariana pelo Food and Drug Administration (FDA), em 1999, o consumo destes produtos vem aumentando a cada dia. “Com o aumento no consumo de soja, cresceram as preocupações se este alimento poderia afetar o equilíbrio da função tireoidiana. Estudos in vitro demonstraram que os fitoestrógenos presentes na soja, além de diminuírem a ação periférica dos hormônios tireoidianos, também afetam a sua síntese por inibição da tireoperoxidase, uma enzima chave na síntese dos hormônios tireoidianos. Eles induzem ainda a proliferação dos tireócitos, predispondo ao hipotireoidismo e bócio”, explica. “É muito discutida a hipótese de que a ingestão da soja por indivíduos predispostos ao desenvolvimento de doença tireoidiana poderia desencadear ou acelerar a evolução para franco hipotireoidismo”, alerta.

Segundo dados de uma pesquisa, comentados pela especialista, em uma análise de mulheres com hipotireoidismo subclínico, observou-se que o consumo diário de 16 mg/dia de isoflavona, equivalente ao ingerido pelos vegetarianos, aumentou em três vezes o risco para o desenvolvimento de hipotireoidismo franco. “Este hipotireoidismo não foi reversível com a suspensão da ingestão de soja, sugerindo que as isoflavonas também possam atuar através da modulação do processo autoimune”, explica. “Outro aspecto importante que merece ser enfatizado é que os fitoestrógenos podem diminuir a absorção tanto do hormônio tireoidiano como do iodo, havendo a necessidade de um fino ajuste da dose da terapia com levotiroxina, especialmente nos portadores hipotireoidismo congênito”, reitera.

Em relação ao consumo ideal de soja, Dra. Tânia explica que não é possível determinar qual seria a dose isenta de efeitos nocivos: “Baseando-se no mecanismo de ação dos desreguladores endócrinos, doses pequenas podem alterar o funcionamento da tireoide, especialmente nos indivíduos de maior suscetibilidade: fetos, lactentes e adolescentes”, explica. Os fitoestrógenos podem também ser encontrados em outros alimentos como cevada, centeio, ervilha e algas.

Fonte: http://www.endocrino.org.br/alimentacao-e-tireoide/

Minhas considerações sobre o tema  (Dr. Frederico Lobo):
  1. Tem aumentado o número de pacientes portadores de hipotireoidismo que relatam ser portadores de Sensibilidade não-celíaca ao glúten. Não há respaldo científico (estudos conclusivos) para a retirada do glúten nesses pacientes e novos estudos devem ser feitos. Na prática o que tenho visto é que alguns desses pacientes (assim como os portadores de outras doença autoimunes) relatam melhora dos sintomas de hipotireoidismo após a retirada do glúten da dieta. Mas isso não é regra. Outra observação que tenho feito: 1) os níveis de Anti-TPO e Anti-tireoglobulina caem após a retirada de glúten em uma parcela de pacientes. 2) os níveis de TSH caem após a retirada do glúten e sobem após a reintrodução. Como salientei, NÃO há nenhum respaldo científico. É puramente observação empírica, já que os pacientes por conta própria cortam o glúten e só depois relatam. É algo a ser estudado.
  2. Chá verde, linhaça, , mandioca, batata doce, inhame, cará, nabo, rabanete e crucíferas (repolho, brócolis, couve de bruxelas, couve, couve-flor, mostarda escura) e babaçu são alimentos que teoricamente podem alterar a cinética do Iodo na tireóide. Não há estudos conclusivos respaldando a retirada deles nos portadores de hipotireoidismo. O consumo de duas vezes por semana pode ser uma alternativa. O cozimento parece reduzir esse efeito negativo, principalmente na mandioca, batata-doce, inhame. Não utilizar esses alimentos no café da manhã, pois fica próximo ao horário de tomata da levotiroxina. 
  3. Excesso de Iodo também podem ser deletério, portanto nada de suplementar Lugol. Quando se dá Lugol (solução composta por Iodeto e Iodo metalóide) os níveis de TSH se elevam e o endocrinologista perde o parâmetro do TSH. Além disso nos pacientes que não possuem processo autoimune (Hashimoto) pode ocorrer uma deflagração do processo. Já vi inúmeras vezes pacientes sem anticorpo elevado e que após utilização por conta própria de Lugol, tiveram os níveis aumentados.
  4. deficiência de Iodo pode levar ao hipotireoidismo e ao bócio endêmico. Existe uma política de saúde pública no Brasil, na qual há uma iodação do nosso sal de cozinha. Nas regiões próxima à faixa litorânea os alimentos possuem um maior teor de iodo. Quanto mais se adentra ao país, menor fica sendo o teor de iodo nos alimentos e mais baixa a ingestão das principais fontes. O iodo (pode ser encontrado na alimentação: algas marinhas, ovo, salmão, sardinha, truta, atum, linguado, pescada, bacalhau, cavala e arenque). A recomendação usual de iodo é de 100 a 150 microgramas ao dia (o que corresponde a 150g de pescada ou 150 g de salmão) para adultos. Esta concentração é adequada para manter a função normal da tireóide.
  5. Selênio é um nutriente fundamental para a saúde tireoideana. Ele auxilia na conversão periférica do hormônio T4 (inativo) em hormônio ativo, o T3. As enzimas que fazem a conversão são chamadas de deiodinase (elas removem os átomos de iodo do T4 durante a conversão) são dependentes do selênio. Como o T3 é a forma ativa do hormônio da tireoide, e níveis baixos de T3 podem causar sintomas de hipotireoidismo, faz-se necessário otimizar a conversão.  A principal fonte de selênio no nosso meio é a castanha do Pará (ou do Brasil como alguns denominam). Entretanto faz-se necessário dosas os níveis sanguíneos de selênio, já que o excesso pode ser deletério para a tireóide e inibir a captação de iodeto. Outros nutrientes que podem influenciar nas Deiodinase são: ferro, zinco, cobre, vitamina D e vitamina A
  6. Há estudo com ratos obesos mostrando que a suplementação de Zinco pode ser deletéria nesses casos (nos ratos obesos, mas não nos magros), pois diminuiria a atividade da Deiodinase-5. Assim como há estudos em humanos mostrando que a deficiência de zinco pode diminuir a atividade de Deiodinase-5. Na dúvida: coma carne e frutos do mar. 
  7. Dietas restritivas diminuem a conversão de T4 para T3. Portanto: alimente-se, nada de fazer ficar horas sem se alimentar. 
  8. Intoxicação por metais tóxicos, em especial Mercúrio, Chumbo e Níquel podem alterar a tireóide. O mercúrio faz um bloqueio na conversão do T4 para T3. Caso o médico julgue necessário, deve solicitar um mineralograma capilar. Alguns agrotóxicos levam na composição metais tóxicos, portanto estamos sujeitos à exposição. Além disso alguns agrotóxicos também promovem uma disrupção endócrina, com alterações dos eixos hormonais, dentre eles o tireoideano. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Médico pode prescrever dietas? Sim, segundo mais um parecer do Conselho Regional de Medicina

EMENTA: a prescrição de dieta é atribuição não privativa do médico. Compete aos médicos e nutricionistas, possuindo cada profissional suas atribuições específicas.

CONSULTA: médico ginecologista solicita deste Conselho parecer sobre os seguintes questionamentos:

É permitido ao médico, sob o ponto de vista legal, a prescrição de dietas?
Como deve proceder o médico que recebe algum documento advertindo-o da ilegalidade da prescrição de dietas, vindo de outros Conselhos como o Conselho Regional de Nutrição?
Como deve proceder o médico que recebe algum documento ou intimação proveniente de autoridade legal como juiz, advertindo-o da ilegalidade da prescrição de dietas por médico?


FUNDAMENTAÇÃO:  Há mais de um lustro, o CFM, através da Resolução CFM nº 826/78 reconhece Especialidade de Nutrologia, em âmbito nacional.

Em toda a prática médica a nutrição tem papel preponderante, sendo indispensável que ele conheça bem a nutrologia, para praticá-la no benefício de seus pacientes, sendo esta uma prerrogativa do exercício da medicina. Outros profissionais da saúde, em ação multiprofissional, como os nutricionistas, atuam sob orientação do médico, e, neste caso em particular, colabora na elaboração de dieta personalizada ao paciente. O Conselho de Nutrição, em que pese a Lei 8.234/1991, que regulamenta a profissão do Nutricionista, caso negue ao médico esta prerrogativa de prescrição médica de dietas, pratica cerceamento do exercício profissional do médico, que ficaria impossibilitado de tratar grande parte dos seus pacientes.

De acordo com a citada Lei, são atividades dos nutricionistas: artigo 3º,  inciso VIII “assistência dietoterápica hospitalar, ambulatorial e a nível de consultórios de nutrição e dietética, prescrevendo, planejando, analisando, supervisionando e avaliando dietas para enfermos”, e artigo 4º,  inciso VII “prescrição  de  suplementos nutricionais, necessários à complementação da dieta”.

Portanto, a prescrição de dietas cabe aos dois profissionais − médicos e nutricionistas, cada, um, contudo, com suas atribuições especificas.

A responsabilidade da indicação e prescrição médica da terapia nutricional de paciente hospitalizado ou em regime ambulatorial, quer seja enteral ou parenteral, por se tratar de ato que envolve tanto o diagnóstico quanto o tratamento, e por isso ser ato de competência médica, é de responsabilidade do médico assistente. Ao nutricionista, cabe também a prescrição de dietas, sob orientação médica, e dentro de sua competência, a elaboração de cardápio personalizado.

O consulente não se refere a uma dieta específica, o que leva esta parecerista acrescentar que em casos de nutrição parenteral (NP), equipe mínima multiprofissional deve ser composta por um  médico  (coordenador  e  responsável  técnico), uma  nutricionista,  uma  enfermeira  e  um  farmacêutico.  Outros  profissionais  podem ser  acrescidos  conforme  a  necessidade e abrangência do Serviço de Nutrição Parenteral, tendo cada membro sua atribuição bem definida na Portaria nº 272/MS – SNVS/1998.

Destaco, as atribuições do médico e do nutricionista:

São atribuições do médico:

  • Estabelecer o acesso intravenoso central, para a administração da NP;
  • Proceder o acesso intravenoso central, assegurando sua correta localização;
  • Orientar o paciente, os familiares ou o responsável legal quanto aos riscos e benefícios do procedimento;
  • Participar do desenvolvimento técnico-científico relacionado ao procedimento;
  • Garantir os registros da evolução e dos procedimentos médicos.


São atribuições do nutricionista:

  • Avaliar os indicadores nutricionais subjetivos e objetivos, com base em protocolo preestabelecido, de forma a identificar o risco ou a deficiência nutricional e a evolução de cada paciente, até a alta nutricional estabelecida pela equipe multiprofissional de terapia nutricional;
  • Avaliar qualitativa e quantitativamente as necessidades de nutrientes baseadas na avaliação do estado nutricional do paciente;
  • Acompanhar a evolução nutricional dos pacientes em terapia nutricional, independente da via de administração;
  • Garantir o registro, claro e preciso, de informações relacionadas à evolução nutricional do paciente;
  • Participar e promover atividades de treinamento operacional e de educação continuada, garantindo a atualização dos seus colaboradores.


CONCLUSÃO: é permitido ao médico, sob o ponto de vista legal, a prescrição de dietas. Todavia esta atribuição não é privativa do médico.

É o parecer, SMJ.


Recife, 05 de maio de 2015.


Maria Luiza Bezerra Menezes

Consª Parecerista

Fonte: http://cremepe.org.br/2015/08/28/prescricao-medica/

domingo, 13 de dezembro de 2015

Sal Rosa do Himalaya - Mitos e verdades by Desconstruindo mitos em saúde


Frequentemente vemos pacientes contando que estão utilizando o sal do Himalaya. Qual a minha opinião? Uma perda de dinheiro. Pagar 100 vezes em 300g de sal, sendo que não existe nenhum tipo de vantagem ? Vá comprar comida de verdade que você ganha mais saúde.

Mas porque pensamos assim? É achismo, implicância com as pedrinhas rosa ou temos alguma base científica para afirmar isso ?

Desde 2008 estamos buscando artigos sobre o tema. Passaram-se SETE anos e até agora, não encontramos NENHUM artigo na Pubmed mostrando vantagens em se consumir o tal sal do Himalaya.

Compramos o bendito, fizemos uso e não vimos diferença alguma.

Mas será que esses sais diferentes são mais saudáveis ? No mercado temos o sal marinho, sal de cozinha refinado e iodado, sal kosher, sal aromatizado, fleur de sel (flor do sal ou sal cinza), Hiwa Kai, sal negro, Hawaiian Sea Salt, Kala Namak, “sal orgânico” e o famoso sal rosa do Himalaya. Todos são o mesmo produto: cloreto de sódio. Apenas as quantidades ínfimas (traços) de minerais variam de um para outro.

Primeira ilusão de quem consome esse sal. Não há minas de sal no Himalaya. Como diz a culinarista Pat Feldman "é sal demais para "Himalaya de menos". As maiores minas de "sal do Himalaya" ficam no Paquistão, a quase 500 km do Himalaya. 
O sal de mesa (o tão mal falado sal refinado) é enriquecido com iodo e é uma forma altamente eficaz para prevenir a deficiência de iodo. A política de saúde pública (iodação do sal) acaba prevenindo o bócio por déficit de Iodo, tão comum em décadas passadas, no interior do Brasil.

Uma dúvida, o sal rosa do Himalaya é tão puro que não recebe iodação, sendo comercializado sem iodo ? Mas se isso é uma política de saúde pública e a falta de iodação pode gerar repercussões metabólicas, o consumo do mesmo estaria ligado a um maior risco de deficiência de iodo? Há alguns produtos com o nome Sal do Himalaya que é iodado, mas os importados não.

A maior desculpa apresentada para se propagar os benefícios com o uso do sal do Himalaya é que ele contém 84 minerais traços e esses promovem saúde e bem-estar. Existe um site interessantíssimo que sigo: https://www.sciencebasedmedicine.org que visa desvendar alguns mitos. Recentemente postaram sobre o sal do Himalaya e provaram que não há UM único estudo comparando o sal do Himalaya com os demais.

Mas suponhamos que esses 84 minerais presentes realmente estejam na composição. Isso justificaria a sua utilização ? Não. São traços, ou seja, quantidades tão ínfimas que você adquire consumindo 200ml de água natural.

Não há nenhuma evidência publicada em revistas ou jornais ligados a área, mostrando que a substituição de sal branco por sal do Himalaya traga benefícios para a saúde. Na lista de minerais citados, você notará que uma série deles são radioativos, como Rádio, Urânio e Polônio. Também compõem a lista, minerais tóxicos, como o Tálio. Seria arriscado então consumir Sal do Himalaya ? Não, já que são traços.

Uma pergunta inversa aos defensores do seu uso: então se os vestígios de 84 minerais presentes são benéficos, porque não acreditar que os vestígios de minerais radioativos e tóxicos possam ser prejudiciais?

O site fluoridedetective.com alerta que a análise do sal extraído da maior mina de "sal do Himalaya" do mundo, no Paquistão, demonstrou concentração gigantesca de flúor, de 231 ppm (231mg de fluor por quilo de sal). http://www.poisonfluoride.com/pfpc/html/analysis.html E isso é arriscado, ou seja, ja temos evidências de que o seu uso tenho potencial efeito tóxico.

Resumindo: a alegação de que sal rosa do Himalaya contém 84 minerais pode ATÉ ser verdade, mas a alegação de que “promove a saúde e bem-estar” é falsa até que se prove o contrário, com estudos clínicos.

Enquanto esperamos por evidências, continuaremos utilizando o sal marinho iodado. Pelo menos sabemos que eles não contém urânio.

Caso nos perguntem qual sal ideal? O sal refinado é puramente Cloreto de Sódio com iodo, sem traços de outros minerais. O sal marinho por não ser refinado, mantém alguns traços de minerais. A questão é: traços de minerais terão impacto na nossa saúde ? Não, pois a quantidade que utilizamos é ínfima.

O que devemos adotar é uma dieta saudável, com mais alimentos in natura e menos alimentos processados. Dar preferência a vegetais (folhagens, legumes, leguminosas, cereais integrais) orgânicos, beber basta água filtrada, praticar atividade física regularmente, ter contato com a natureza, dormir bem, manter os pensamentos em ordem e cultivar bons sentimentos. Isso é infinitamente superior que qualquer traço de minerais.

Assinam o post acima os seguintes perfis no instagram:

Dr. Frederico Lobo (Clínico geral de Goiânia – GO) @drfredericolobo,

Dra. Tatiana Abrão (endocrinologista e nutróloga de Sorocaba – SP) @tatianaabrao,

Dr. Daniella Costa (nutróloga de Uberlândia – MG) @dradaniellacosta,

Dr. Reinaldo Nunes (endocrinologista e nutrólogo de Campos – RJ) @dr.reinaldonunes,

Dr. Mateus Severo (endocrinologista de São Maria – RS) @drmateusendocrino,

Dr. Ricardo Martins Borges (Nutrólogo de Ribeirão Preto – SP) @clinicaricardoborges,

Dr. Pedro Paulo Prudente (Médico do esporte de Gramado – RS) @drpedropauloprudente,

Dra. Patricia Salles (endocrinologista de São Paulo – SP), @endoclinicdoctors,

Dra. Camila Bandeira (endocrinologista de Manaus – AM) @endoclinicdoctors,

Dr. Walter Nobrega (Clínico Geral do Rio de Janeiro – RJ) @drwalternobrega.

Conheça o nosso projeto: www.desconstruindomitosemsaude.wordpress.com

sábado, 14 de novembro de 2015

Diferença entre nutrólogo e nutricionista

Talvez essa seja uma das perguntas que mais ouço ao longo do meu dia, seja no consultório particular, seja no ambulatório que trabalho no SUS.

Antes de tudo, quero deixar claro que AINDA não sou nutrólogo. Fiz pós-graduação de Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), porém apenas após ser aprovado na prova de título é que poderei me intitular nutrólogo. Médico que não fez residência na área ou não tem o título de especialista, jamais pode se intitular especialista naquilo, pois configura infração ética, perante o Conselho Federal de Medicina (CFM)

Primeira diferença: A graduação

O nutrólogo é médico e o nutricionista é nutricionista. Graduações diferentes. A formação apesar de ser dentro da área da saúde e correlata  à alimentação, possui enfoque diferente.

O médico leva 6 anos para se formar em medicina, posteriormente fica de 3 a 5 anos se especializando. O nutricionista leva 4 anos para formar (na maioria das particulares o curso dura 4 anos e nas Federais dura 5 anos em período integral). Posteriormente faz pós-graduações ou residência multiprofissional com duração média de 2 anos.

Exemplo: O médico nutrólogo faz 6 anos de graduação de medicina, 2 anos de residência de clínica médica (ou cirurgia) e 2 anos de residência de nutrologia.
Ou então o médico tem outra formação de base, como por exemplo endocrinologia. Ele fez 6 anos de graduação em medicina, 2 anos de residência em clínica médica, 2 anos de residência em endocrinologia, 2 anos de residência em nutrologia OU pós-graduação da ABRAN, com posterior aprovação na prova de título de nutrologia.

Uma nutricionista clínica faz 5 anos de graduação em nutrição e depois 2 anos de pós-graduação em nutrição clínica. Ou então uma nutricionista especialista em hematologia. Ela faz 5 anos de graduação em nutrição e posteriormente residência multiprofissional em hematologia.

Se partirmos do pressuposto de tempo de estudo, o nutricionista é o profissional mais habilitado para a prescrição dietética e orientações nutricionais. Enquanto o médico é mais habilitado para orientar sobre doenças nutricionais.

Segunda diferença: as áreas de atuação

A Nutrologia é uma das especialidades dentro da medicina. Dividindo-se em 2 sub-especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina:

  1. Nutrologia pediátrica e 
  2. Nutrologia Parenteral e enteral. 
Porém a nutrologia pode adentrar em praticamente todas as especialidades médicas: nutrologia geriátrica, nutrologia cardiológica, nutrodermatologia, nutrologia em doenças infecto-parasitárias, nutrologia em ginecologia e obstetrícia.

Já o nutricionista é um profissional com formação generalista, humanista e crítica. É capacitado a atuar visando à segurança alimentar e à atenção dietética, em todas as áreas do conhecimento em que a alimentação e nutrição se apresentem fundamentais. Sua atuação visa a promoção, manutenção e recuperação da saúde através da nutrição. Além disso é parte essencial no processo de prevenção de doenças (em nível coletivo ou individual). A nutrição possui as seguintes áreas de atuação estabelecidas de acordo com a Resolução CFN nº 380/2005.

I - Alimentação Coletiva que se subdivide em:
1) Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN)
2) Alimentação Escolar
3) Alimentação do Trabalhador

II - Nutrição Clínica: Compete ao nutricionista, no exercício de suas atribuições em Nutrição Clínica, prestar assistência dietética e promover educação nutricional a indivíduos, sadios ou enfermos, em nível hospitalar, ambulatorial, domiciliar e em consultórios de nutrição e dietética, visando à promoção, manutenção e recuperação da saúde. Podendo o nutricionista clínico atuar em: 1) Hospitais, clínicas em geral, clínicas em hemodiálises, instituições de longa permanência para idosos e SPA; 2) Ambulatórios/consultórios; 3) Banco de leite humano (BLH); 4) Lactários/centrais de terapia nutricional; 5) Atendimento domiciliar.

III - Saúde Coletiva: Compete ao nutricionista, no exercício de suas atribuições na área de Saúde Coletiva, prestar assistência e educação nutricional a coletividades ou indivíduos sadios, ou enfermos, em instituições publicas ou privadas e em consultório de nutrição e dietética, através de ações, programas, pesquisas e eventos, direta ou indiretamente relacionados à alimentação e nutrição, visando à prevenção de doenças, promoção, manutenção e recuperação da saúde.

IV - Docência:

V - Atuação nas indústrias de alimentos:

VI - Nutrição Esportiva: necessita ser aprovado na prova de título de especialista.

VII - Marketing na Área de Alimentação e Nutrição:

Terceira diferença: o tipo de diagnóstico 

Legalmente o nutricionista fica restrito ao diagnóstico nutricional (de acordo com a Lei nº 8234 de 17/09/1991 que regulamenta a  nutrição), enquanto o médico ao diagnóstico nosológico (de doença) e instituição da terapêutica.

Quarta diferença: solicitação de exames

Ambos os profissionais podem solicitar exames laboratoriais para elucidação diagnóstica.
Entretanto o nutricionista não podem solicitar exames de imagem, eletrocardiograma, teste ergométrico, monitorização ambulatorial da pressão arterial, holter, exames laboratoriais que necessitem de monitoração médica durante a realização, polissonografia.

Mas os nutricionistas possuem competência legal para solicitar exames laboratoriais?  A resposta é Sim. Ele podem solicitar os exames necessários ao diagnóstico nutricional, à prescrição dietética e ao acompanhamento da evolução nutricional. Isso está prescrito nas seguintes normatizações: Lei Federal 8.234/91, artigo 4º, inciso VIII, Resolução CFN nº 306/03, Resolução CFN nº 380/05 e Resolução CFN nº 417/08. Exames que geralmente nutricionistas solicitam: Hemograma, Uréia, Creatinina, Ácido úrico, Glicemia de jejum, Insulina, Perfil lipídico, Transaminases, Gama-GT, Proteínas totais e frações, Dosagem sérica ou urinária de vitaminas, minerais, marcadores inflamatórios que tenham correlação com nutrientes como a homocisteína.

Mas porque o meu plano de saúde não libera os exames solicitados pelo seu nutricionista? Ao que me foi orientado por duas operadoras de saúde, existe uma resolução do Conselho Federal de Medicina no qual proíbe médicos patologistas (geralmente os donos de laboratórios) de executarem solicitações de exames de não-médicos (isso incluiria nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas). Com isso o plano de saúde consegue legalmente vetar a solicitação de exames por parte dos nutricionistas. É errado? Sim. Mas legalmente o patologista tem amparo do CFM. E nessa brecha os planos de saúde aproveitam e economizam.

Enquanto a solicitação de exames por parte dos nutricionistas é limitada aos aspectos nutricionais, para o médico, ela é totalmente abrangente. Sendo importante salientar que quase sempre exames não-laboratoriais são cruciais para a conclusão de alguns diagnósticos.

Quinta diferença: o arsenal terapêutico 

O nutricionista tem como arsenal terapêutico:
  1. Orientações nutricionais com educação em saúde (um dos papéis mais nobres quando se fala em prevenção);
  2. Plano dietético;
  3. Prescrição de suplementos orais desde que respeitem as doses estabelecidas pela Agência nacional de vigilância sanitária (ANVISA). Os Níveis Máximos de Segurança de Vitaminas e ou Minerais estão dispostos no anexo da Portaria SVS MS 40/1999. 
  4. Prescrição de plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos: a prescrição de fitoterápicos e preparações magistrais, a partir de 2016, será uma atribuição exclusiva do nutricionista portador de título de especialista ou certificado de pós-graduação lato sensu. A prescrição de plantas medicinais e drogas vegetais pode ser realizada por nutricionista sem especialização.
É vedado ao nutricionista a prescrição de:
  1. Produto que use via de administração diversa do sistema digestório; PORTANTO nutricionista não pode prescrever NADA que seja de uso tópico (pele), nasal, ocular, endovenoso, intramuscular. É importante salientar isso pois temos vistos nutricionistas prescrevendo Citoneurim Intramuscular para correção de anemia megaloblastica, Noripurum endovenoso e Victoza; 
  2. Medicamentos ou produtos que incluam em sua fórmula medicamentos; SOMENTE médico e dentista podem prescrever medicamentos. A nutricionista que prescreve qualquer tipo de medicamento, seja ele uma simples dipirona ou um hormônio, está infringindo o código de ética médica e isso pode ser considerado exercício ilegal da profissão; 
  3. Medicamentos à base de vitaminas e minerais sujeitos a prescrição médica; Algumas doses de vitaminas e minerais deixam de ter efeito de suplementação e passam a ter ação medicamentosa como altas doses de Vitamina B12, Vitamina B6, Ácido fólico, Vitamina D3, Vitamina A. Nesse caso somente médicos podem prescrever. 
  4. Suplementos com quantidades de nutrientes superiores aos níveis máximos regulamentados pela Anvisa ou na falta destes o Tolerable Upper Intake Levels – UL;
  5. Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica conforme a Instrução Normativa nº 5, de 12 de dezembro de 2008 da ANVISA
  6. Produtos que não atendam às exigências para produção e comercialização regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (exemplo suplementos importados que não foram aprovados pela ANVISA, por exemplo DHEA, Melatonina etç).
médico nutrólogo tem além do arsenal citado acima:
  1. Prescrição de suplementos em doses mais altas ou exclusivos para prescrição médica;
  2. Prescrição de vitaminas, minerais e ácidos graxos em doses medicamentosas, que muitas vezes excedem as doses estabelecidas pela ANVISA. Exemplo: Citoneurim fornecendo 1mg de vitamina B12. Ácido fólico de 5mg prescrito na gestação. Ácido alfa-lipóico de 600mg prescrito para neuropatia diabética.
  3. Prescrição de: antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos, antitérmicos, corticóides, hipoglicemiantes, anti-hipertensivos, antiarritmicos, antiulcerosos, psicotrópicos, medicações endovenosas, intramusculares, nasais ou tópicas.
  4. Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica conforme a Instrução Normativa nº 5, de 12 de dezembro de 2008 da ANVISA :
  • Arctostaphylos uva-ursi (uva-ursina)
  • Cimicifuga racemosa (cimicífuga)
  • Echinacea purpurea (equinácea)
  • Ginkgo biloba (ginkgo)
  • Hypericum perforatum (hipérico)
  • Piper methysticum (kava-kava)
  • Serenoa repens (saw palmeto)
  • Tanacetum parthenium (tanaceto)
  • Valeriana officinalis (valeriana)
Aqui faço um adendo a um tema recorrente e que frequentemente vejo na prática clínica. Nutricionistas que trabalham com médicos que prescrevem anabolizantes e estimulam o uso. A prescrição, sugestão ou incentivo de medicamentos do grupo terapêutico dos esteróides ou peptídeos anabolizantes, quando realizada por nutricionista, pode ser enquadrada como CRIME contra a saúde pública, crime de exercício ilegal da medicina e crime de tráfico ilícito de drogas. Conforme: artigos 278 e 282 do Código Penal Brasileiro; Lei nº 11.343/2006 que define drogas como “substâncias ou produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União”; Portaria SVS/MS nº 344/1998, que incluem os esteroides e anabolizantes na lista de drogas e entorpecentes; e Lei nº 9.965/2000, que restringe a venda de esteroides ou peptídeos anabolizantes e dá outras providências e estabelece que estes só devem ser prescritos por médicos ou odontólogos em situações especificas.

Sexta diferença: prescrição de dietas

O nutrólogo trata das doenças ligadas à ingestão alimentar (doenças nutricionais ou como a ABRAN prefere denominar, doenças nutroneurometabólicas). O diagnóstico destas doenças deve ser feito por médicos e tratadas por médicos. Só depois de um diagnóstico, o médico encaminhará o paciente ao nutricionista para solicitar o acompanhamento nutricional.

Segundo parecer jurídico do Conselho Federal de Medicina, o médico está habilitado a prescrever dietas apenas em casos de doenças. Ou seja, quando envolve estética, é vetado a ele.

O Conselho Federal de Nutrição não entende dessa forma e defende que a prescrição de dieta via oral seja atividade privativa da nutriçãoconforme a lei que regulamenta a profissão.

Essa discussão na minha humilde opinião, acabará no Supremo Tribunal de Federal, já que há quase 1 século e meio, o primeiro item da prescrição médica é a dieta. Médicos vinham fazendo isso nos últimos 150 anos. A Nutrição surgiu assim como a fisioterapia, com a função de auxiliar a medicina e hoje caminha com as próprias pernas. Tornou-se uma grande ciência.

Não nego que o profissional mais habilitado para manejar alimentos e a prescrição deles sejam os colegas nutricionistas. Assim como reconheço que o profissional mais habilitado para manejar doenças nutricionais seja o nutrólogo. Mais habilitado e com abordagem mais completa, visto que inúmeras doenças nutroneurometabólicas dependem de intervenção medicamentosa e como já citado acima, apenas o médico poderá prescrever a medicação.

Sétima diferença: o número de consultas pelos planos de saúde

Infelizmente os planos de saúde não são obrigados a cobrir consultas ilimitadas com nutricionistas. Sendo assim, conforme as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o plano de saúde possui um teto no número de consultas com nutricionistas. Totalizando em 12 consultas anuis, desde que sejam respeitados os seguintes critérios

"São obrigatórias 12 consultas/sessões com nutricionistas, quando preenchidos os seguintes critérios pelos pacientes:
a) Diagnóstico confirmado de diabetes
b) Duas consultas médicas especializadas nos últimos 12 meses (endocrinologista /ou oftalmologista e/ou cardiologista e/ou nefrologista);
c)1 EGC (Eletrocardiograma) nos últimos 12 meses;
d) 2 exames de hemoglobina glicosilada nos últimos 12 meses;"

Já com médicos nutrólogos, o número de consultas é ilimitado. Caso o paciente queira ir semanalmente ou quinzenalmente pode comparecer. Como a nutrologia (diferente da ortomolecular) é uma especialidade médica, a ANS obriga que os planos disponibilizem nutrólogos para os pacientes. Apesar de que a cada dia está mais difícil encontrar nutrólogos pelos planos de saúde.

Abrangência da nutrologia e o que o nutrólogo trata

A abrangência de atuação dos nutrólogos envolve:
  1. diagnosticar e tratar as doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas)
  2. Identificar possíveis “erros” alimentares, hábitos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as interrelações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas;
O nutrólogo pode atuar tanto em nível ambulatorial (consultório) quanto em nível hospitalar (pacientes em enfermaria ou na Unidade de terapia intensiva). Podendo também atuar em nível de domicílio, no caso dos pacientes acamados.  Quando a atuação se dá no ambulatório denominamos de nutrologia clínica, enquanto a dentro de hospitais, de hospitalar.

As principais patologias tratadas na nutrologia clínica são:
  1. Obesidade infanto-juvenil e Obesidade do adulto;
  2. Desnutrição do adulto, da criança e do idoso;
  3. Acompanhamento pré e pós-cirurgia bariátrica;
  4. Dificuldade para ganho de massa magra (adolescentes, adultos);
  5. Sarcopenia, Osteopenia e Osteoporose do idoso e em jovens;
  6. Transtornos alimentares: Anorexia nervosa, Bulimia nervosa, Vigorexia, Ortorexia, Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), Síndrome do Comer Noturno;
  7. Intolerância à glicose e Diabetes mellitus tipo 2;
  8. Dislipidemias: hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia;
  9. Síndrome metabólica;
  10. Esteatose hepática não-alcóolica (fígado gorduroso);
  11. Alergias alimentares;
  12. Intolerâncias à lactose;
  13. Erros inatos do metabolismo;
  14. Anemias carenciais (Ferropriva, por deficiência de B12, ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A, por metais tóxicos);
  15. Intoxicação crônica por metais tóxicos: Alumínio, Chumbo, Mercúrio, Arsênico, Cádmio;
  16. Deficiência e excessos de macronutrientes e micronutrientes;
  17. Criança com baixo peso;
  18. Constipação intestinal e Diarréia crônica;
  19. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos;
  20. Distensão abdominal crônica (gases intestinais);
  21. Disbiose intestinal e Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO);
  22. Síndrome do intestino irritável;
  23. Fadiga crônica;
  24. Orientações nutrológicas para nefropatas, hepatopatas, pneumopatas, cardiopatas;
Portanto, se você tem alguma dessas condições eu te oriento primeiro a procurar um nutrólogo para fechar o diagnóstico e determinar o tipo de terapêutica a ser utilizada. Posteriormente procurar um nutricionista com experiência em nutrição clínica, para que ele possa instituir uma abordagem nutricional para o seu caso e acompanhá-lo paralelamente com o nutrólogo.

Exemplos de atuação do nutrólogo

Uma forma  simples de explicar a diferença é através de exemplos. Imaginemos um paciente:
Sexo masculino, 25 anos, 1,80 110kg. Com queixa de obesidade, irritabilidade, deita tarde, sonolência durante o dia, sensação de que o sono não foi reparador, cansaço, diminuição da libido, alta ingestão de álcool nos finais de semana, baixa ingestão de água, hábitos alimentares errôneos.
História familiar de doenças cardiovasculares e diabetes tipo II. Tem apresentado elevação da pressão arterial ocasionalmente e aumento da frequência cardíaca.

A primeira conduta seria verificar quais as possíveis patologias podem estar presentes. Além da solicitação de exames para verificar como está a pressão arterial e atividade eletrofisiológica cardíaca. Isso um nutricionista conseguiria fazer? Não. Ou seja, o básico e essencial já estaria prejudicado caso o paciente recorresse primeiramente ao colega nutricionista. O risco cardiovascular desse paciente seria subestimado e isso poderia culminar em um desfecho desfavorável. A questão do sono é de crucial importância. A solicitação de uma polissonografia é crucial para determinar se o sono apresenta alterações como apnéia. Pois se o mesmo apresentar uma apnéia de moderada a grave, tanto a oscilação da pressão, quanto alteração na libido como irritabilidade podem ter uma justificativa. A apnéia deve ser corrigida. A pergunta é: o colega nutricionista vai intervir nisso? Ele sabe manejar isso? Não ! Ele sabe manejar parcialmente a obesidade, dentro do biônimo dieta + atividade física. E se esse paciente não responde bem apenas à dieta combinada com atividade física? E se esse paciente apresenta associado ao quadro, episódios de compulsão alimentar e faz-se necessário um tratamento medicamentos? Ele vai conseguir intervir? Mais uma vez, a resposta é não.

Vejam que em nenhum momento retiro a importância crucial do colega nutricionista no tratamento. A correção dos hábitos alimentares assim como a educação em saúde são fundamentais, sendo pilares no tratamento. Mas até que se institua o tratamento, várias coisas devem ser investigadas. Não apenas a ponta do iceberg (sinais e sintomas), como muitos nutricionistas e nutrólogos exercem.

Medicina nutricional se faz assim, com investigação minuciosa, compreensão das interrelações entre vias bioquímicas. Assim como nutrição clínica se faz com abordagem holística. Um profissional complementa o outro e quem ganha com isso é o paciente.


Autor: Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13.192)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A volta da perigosa dieta do HCG

O método prevê a aplicação de injeções diárias de hCG (doses entre 125 UI e 500 UI), associado a um regime de 500 a 600 calorias, com restrição de carboidratos, frutas doces, gorduras, alimentos processados e exercícios, durante 40 dias.

A proximidade do verão inaugura uma corrida contra o tempo e contra a balança. O desejo? Que os quilos extras acumulados ao longo do ano inteiro sumam rapidamente e de forma indolor para a chegada da temporada dos corpos à mostra. O cenário é perfeito para que as fórmulas milagrosas ganhem espaço. É o caso da dieta hCG. Com a promessa de emagrecer até 15 quilos em um mês, sem causar fome ou falta de energia, o perigoso método está em alta entre as brasileiras. "Muitas pacientes chegam aos consultórios perguntando sobre a dieta. Isso é preocupante porque não há evidências que confirmem a eficácia para a perda de peso. Por outro lado, temos muitas provas sobre os riscos à saúde", diz Alexandre Hohl, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

O hCG -- ou gonadotrofina coriônica humana -- é um hormônio produzido naturalmente durante a gravidez. Na gestação, o composto serve para criar um ambiente favorável para o desenvolvimento fetal. Mulheres que não estão grávidas e homens, contudo, possuem taxas quase indetectáveis no corpo. Para emagrecer, as pessoas se submetem à aplicação de injeções diárias do hCG e seguem uma alimentação extremamente restritiva. O cardápio não permite o consumo de carboidratos, frutas, doces, gorduras e alimentos processados. Por 40 dias, a ingestão diária não deve passar de 600 calorias e os exercícios também são proibidos.

A indicação do hcG para a perda de peso é antiga. Na década de 50, o médico britânico Albert Simeons observou que havia uma associação entre a administração do hCG em pacientes obesos e a eliminação dos quilos extras. As evidências apontadas por Simeons, porém, foram consideradas fracas pela comunidade científica. Desde então, vários levantamentos foram realizados com o objetivo de comprovar a eficácia do tratamento. O problema é que nenhum estudo realizado até agora conseguiu provar que o hormônio é capaz de intensificar a perda de peso, distribuir melhor a gordura ou reduzir o apetite.

"Funciona como um efeito placebo. A aplicação do hCG e seu suposto efeito na perda de peso é vendido apenas como uma ilusão, com o intuito de criar um estímulo - perigoso - para essas pessoas que estão em uma dieta tão restritiva. O emagrecimento em si acontece pela restrição calórica. É obvio que alguém ingerindo apenas 500 calorias durante 30 ou 40 dias irá emagrecer", explica Hohl.
Por ser um tratamento off-label (não indicado em bula), a utilização do hormônio para o emagrecimento não é aprovada pela Anvisa e também não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Por isso, faltam dados de quantas pessoas são adeptas ao regime. Atualmente, o uso do hCG como medicamento é aprovado apenas no tratamento de pessoas com infertilidade ou de meninos com criptotidismo (ausência do testículo na bolsa escrotal). "A aplicação do hCG em mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade serve para promover a maturação dos óvulos. Neste caso, sua ação é semelhante ao LH (hormônio luteinizante) e promove a ovulação. Nos homens, ele é utilizado em casos de atividade testicular ruim para estimular espermatogênese (formação de espermatozoides)", explica o médico Edson Borges, diretor clínico do Centro de Fertilização Assistida Fertility.

Além disso, a restrição calórica pode provocar anemia, perda de massa muscular e até mesmo desnutrição. De acordo com o endocrinologista, esses problemas podem aparecer em qualquer dieta restritiva quando não há acompanhamento de um médico ou falta de suplementação de vitaminas e sais minerais.

Por isso, quem quer emagrecer e manter o peso de uma forma saudável não deve acreditar em soluções rápidas e milagrosas. "As pessoas buscam fórmulas mágicas e frequentemente surgem dietas da moda com essa proposta, mas isso não existe. O caminho continua o mesmo: descobrir o que existe de errado com a pessoa e corrigir, por meio de reeducação alimentar e atividade física adequada", completou Hohl.


Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/a-volta-da-perigosa-dieta-do-hormonio-da-gravidez

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Escolha seu médico


Escolha seu médico... .

Dr. Hipócrita - não fez Endocrinologia, prescreve hormônio porque assistiu aulas de um médico que também não é Endocrinologista, mas se especializou em vender panaceias, deixando de cuidar de corações para cuidar de bolsos (especialmente o seu). Como não era bom na sua área e estava pouco se lixando para o juramento de Hipócrates (ou talvez o tenha confundido com o do Hipócrita), viu que prescrever hormônios com finalidades cosméticas é uma forma fácil e rápida de ganhar din din. Afinal, se já tem um monte de gente afim de tomar bomba, nada mais agradável do que fazer isso sob supervisão médica e com um nome bonitinho. Seus pacientes compram hormônios nas farmácias de manipulação parceiras, pois nas outras ficariam registradas as prescrições de doses cavalares de hormônios, o que geraria suspeita nos órgãos fiscalizadores. Ruim para o paciente, pois uma terapia de R$100 reais, acaba saindo por R$10.000. Bom para o médico, que ganha comissão em cima da venda e aproveita para enfiar uns manipuladinhos no receituário e aumentar sua arrecadação. Não cita evidências científicas para suas práticas, ou o faz de maneira torta e tendenciosa. Como sabe de sua incompetência e fragilidade técnica, vai usar imagens fortes e apelar para emoção, como se isso valesse de alguma coisa para comprovar a segurança do tratamento. .

Dr. Hipócrates – estuda e trabalha muito. Cuida tanto dos outros que às vezes não consegue cuidar de si mesmo. Além disso, a barriguinha avantajada pode ser devido à algo que fuja ao seu controle (genética, distúrbios hormonais, estresse, fatores psicológicos...), ou mesmo ele pode não se importar em ter um tanquinho, já que ser “sarado” não necessariamente é ser saudável. Por cumprir preceitos éticos e orientações do Conselho Federal de Medicina, não passa hormônio com finalidades cosméticas e nem faz propaganda nas redes sociais. Se considera bem sucedido, pois para ele ter sucesso é ser honesto e usar seu diploma e conhecimentos para melhorar a saúde das pessoas, e não posar de bonitão ao lado de celebridades. .

Fonte: Postagem do @drpaulogentil no Instagram

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Atividade física e TDAH em crianças

A atividade física pode melhorar os sintomas de pacientes com TDAH

Uma recente revisão sistemática avaliou estudos de investigação sobre o impacto e os efeitos benéficos de diferentes tipos de exercício sobre as crianças com Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e forneceu recomendações para as comunidades científicas e terapêuticas.

Foram revistos diversos artigos diferentes, que avaliaram os mais diversos tipos de atividade física, com intensidades variadas.

Os estudos, em sua maioria, encontraram efeitos benéficos dos exercícios com o funcionamento social e os sintomas dos pacientes.

Embora o projeto e as intervenções de exercício caracterizados nestes estudos variassem consideravelmente, todos mostraram que o exercício reduziu os sintomas de TDAH e levou a melhorias no comportamento social, nas habilidades motoras, na força e nos parâmetros neuropsicológicos.

Fonte: Acta Paediatrica, Volume 103, Issue 7, páginas 709-714, jul 2014

Influência da atividade física na prevenção de demências


Excelente post do meu amigo e tio (Dr. Reinaldo Nunes)

Novas pesquisam mostram que ser fisicamente ativo não só reduz o declínio cognitivo e melhora os sintomas neuropsiquiatricos em pacientes com Demência, mas podem realmente reduzir biomarcadores, incluindo amiloide e proteína Tau no cérebro de pacientes com Alzheimer.

Parte dessa nova pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer(AAIC).

Pesquisadores apresentaram resultados em teste neuropsiquiatricos : melhora de sintomas em 66 pacientes com Alzheimer leve a moderado que tiveram pelo menos 80% de adesão a um programa de exercícios aeróbios e mantidos a pelo menos 70% de sua freqüência máxima.

A melhora nestes pacientes foi significativa, mesmo naqueles que foram menos aderentes e não conseguiram obter a freqüência cardíaca prevista em relação ao grupo controle

O que é que a castanha do Pará tem?


Quem não conhece a castanha do pará? Também conhecida como castanha do Brasil. Seu principal atributo está na presença de selênio, que atua no combate os radicais livres. Embora esse nutriente tenha sua principal função ligada à atividade antioxidante, ele também atua no metabolismo da tireoide, uma vez que ele é essencial à atividade da deiodinase tipo II, que transforma os hormônios T4 em T3 (mais ativo).

Além do selênio, a castanha do Para possui uma série de nutrientes como as vitaminas do complexo B e E, fósforo, fibras e gorduras boas. Entre os benefícios, estão o antienvelhecimento precoce (ajuda no controle do tamanho dos telômeros), a melhora do sistema imunológico como um todo e a capacidade de evitar o surgimento de doenças como o Alzheimer.

Mas atenção! Ela não pode ser consumida em excesso devido aos possíveis efeitos adversos, o selênio é tóxico em doses elevadas, acima de 400µg ao dia. Isso pode ocorrer porque em cada castanha do para encontramos de 50 a 118µg. A toxicidade do selênio está associada a fragilidade, perda de cabelo e unha, irritabilidade, fadiga, aborto e infertilidade.

A recomendação de consumo de castanha do para é de 2 a 3 castanhas ao dia. Mas essa recomendação deve ser individualizada. Por isso, converse sempre com seu nutricionista para que ele possa recomendar o específico para você, ok?

Autora: Dra. Rita de Cassia Castro

Os produtos lácteos aumentam a eficácia dos probióticos

O sucesso dos probióticos para impulsionar a saúde humana pode depender, em parte, da comida, da bebida, ou de outro materiais levando probióticos, de acordo com a pesquisa publicada na Applied and Environmental Microbiology, um jornal da American Society for Microbiology.

"Nossos achados indicam que a maneira pela qual um probiótico é administrado - se no alimento ou na forma de suplemento alimentar ou - poderia influenciar o quão eficaz é esse probiótico para proporcionar os benefícios de saúde desejados", disse a autora para correspondência Maria Marco, PhD, professora associada ao Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, da Universidade da Califórnia em Davis.

No estudo, os investigadores investigaram a cepa probiótica Lactobacillus casei BL23 em um modelo de rato de colite, ou inflamação do cólon. Os ratos que ingeriram o probiótico no leite tinham reduzido os sintomas em comparação com aqueles que foram alimentados com leite sem o probiótico, e os que receberam o probiótico dentro de um suplemento não alimentar.

Os investigadores também fizeram um censo da microbiota antes e depois da ingestão de L. casei. "Isto não alterou significativamente as populações ou diversidade das bactérias intestinais residentes, sugerindo que os benefícios do probiótico envolvem um efeito directo de L. casei, ou de um produto metabólico destas bactérias sobre o epitélio do intestino, em vez de uma alteração global da microbiota intestinal nativa, disse Marco.

"As cepas de L. casei são comumente adicionadas aos produtos lácteos como probióticos e, enquanto a cepa BL23 não está disponível comercialmente, é geneticamente similar às cepas comerciais e também tem sido estudada por sua capacidade de prevenir ou reduzir a inflamação intestinal", acrescentou.

Segundo os pesquisadores, os produtos lácteos são as matrizes de alimentos mais populares para cepas probióticas. "Notavelmente, a questão de saber se faz alguma diferença consumir probióticos em produtos lácteos, em vez de outros alimentos ou suplementos nutricionais não foi sistematicamente ou mecanicamente investigado em estudos clínicos ou pré-clínicos. "Como sabemos que as bactérias podem se adaptar a seu ambiente, pensamos que as condições a que os probióticos são expostos antes da ingestão poderiam influenciar a sua capacidade de manter ou melhorar a saúde humana".

Fonte: http://www.medicalnewstoday.com/releases/296986.php

Uma noite sem dormir pode alterar os genes do relógio biológico nos tecidos

Investigadores suecos da Universidade de Upsala e do Instituto Karolinska descobriram que os genes que controlam os relógios biológicos nas células de todo o organismo são alterados depois de perder uma só noite de sono. Os resultados de seu estudo serão publicados no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.

"Pesquisas prévias demonstraram que nosso metabolismo é afetado negativamente pela perda de sono e esta foi associada a um incremento no risco de obesidade e diabetes de tipo 2. Dado que a ablação dos genes do relógio nos animais pode causar estes estados patológicos, nossos resultados atuais indicam que as mudanças em nossos genes do relógio podem estar associados a esses efeitos negativos causados pela perda de sono", diz Jonathan Cedernaes, autor principal no estudo e investigador na Universidade de Upsala.

Para o estudo, os investigadores analisaram a 15 homens saudáveis de peso normal que em duas ocasiões separadas foram ao laboratório para permanecer quase duas noites. Durante a segunda noite, os participantes dormiram em forma habitual (mais de oito horas) em uma das duas sessões, enquanto que se mantiveram acordados na outra dessas sessões, mas em ordem aleatória. Para minimizar a influência de diversos fatores ambientais, controlaram-se rigorosamente as condições de luz, a ingestão de alimentos e os graus de atividade no laboratório e os participantes foram limitados à cama quando se mantiveram acordados.

Depois da segunda noite nas duas ocasiões em que os homens foram estudados, obtiveram-se pequenas amostras de tecido adiposo superficial no ventre e de músculo da coxa, duas classes de tecido que são importantes para regular o metabolismo e controlar as concentrações de açúcar em sangue. Do mesmo modo, obtiveram-se amostras de sangue antes e depois que os participantes tinham consumido uma solução de açúcar para avaliar sua sensibilidade à insulina, um procedimento que no geral é realizado para descartar a apresentação de diabetes ou um estado metabólico chamado alteração da sensibilidade à insulina, que pode preceder ao diabetes tipo 2.

As análises moleculares das amostras de tecido obtidas demonstraram que a regulação e a atividade dos genes do relógio eram alteradas depois de uma noite de perda de sono. A atividade dos genes é regulada por um mecanismo chamado epigenético. Isto implica alterações químicas na molécula do DNA como os grupos metilo -um processo chamado metilação- que regula a forma em que os genes são ativados ou inativados. Os investigadores descobriram que os genes do relógio tinham um número crescente de tais marcas de DNA depois da perda de sono. Também observaram que estava alterada a expressão dos genes, que é indicativa de quanto produto de genes é elaborado.

"Até onde sabemos, somos os primeiros em demonstrar diretamente que as mudanças epigenéticos podem ocorrer depois da perda de sono em seres humanos, mas também nestes tecidos importantes", diz o Dr. Cedernaes. "É interessante que a metilação destes genes poderia alterar-se com essa rapidez, e que poderia ocorrer para estes genes do relógio biológico metabolicamente importante", continua.
As mudanças que os investigadores observaram foram, não obstante, diferentes no tecido adiposo e no músculo esquelético. "Isto poderia assinalar que estes relógios moleculares importantes já não estão sincronizados entre esses dois tecidos", diz o Dr. Cedernaes. "O 'assincronismo de relógio' entre os tecidos por si só foi associado a alterações metabólicas, por isso isto poderia indicar que estas mudanças específicas de tecidos estavam associadas a alterações da tolerância ao glicose que nossos participantes mostraram depois da noite que se mantiveram acordados".

Os investigadores nesta etapa não sabem o quão persistentes são estas mudanças. "Poderia ser que estas mudanças se restabelecessem depois de uma ou várias noites de sono satisfatório. Por outra parte, as marcas epigenéticas parecem poder funcionar como uma espécie de memória metabólica e se observou que são alteradas, por exemplo, em trabalhadores por turnos e pessoas que padecem diabetes tipo 2", afirma o Dr. Cedernaes. "Isto poderia significar que pelo menos alguns tipos de perda de sono ou de vigília estendida, como no trabalho por turnos noturnos, poderiam levar a mudanças no genoma dos tecidos que pode afetar o metabolismo por períodos mais prolongados", terminou dizendo o Dr. Cedernaes.

Referências: Jonathan Cedernaes et al, Acute sleep loss induces tissue-specific epigenetic and transcriptional alterations to circadian clock genes in men. JCEM. DOI:10.1210/JC.2015-2284

Fonte: http://www.medicalnewstoday.com/releases/297117.php

Hortas caseiras melhoram a qualidade da alimentação e criam uma nova relação das pessoas com o que comem

Nunca se buscou tanto uma alimentação saudável como agora. O aumento da longevidade e o avanço da medicina trouxeram a esperança por mais dias de vida e “a receita” para alcançá-los. A ciência já juntou A mais B para dizer como a escolha do que comer pode ser definidora de mais saúde e qualidade de vida. A atenção ao que se come ganhou outra dimensão e hoje, para muita gente, é essencial saber como alhos e bugalhos foram plantados, tratados e colhidos, até chegar ao prato. É nesse contexto que as hortas caseiras vão ganhando espaço, mesmo quando ele é tão pequeno para plantar tudo o que se deseja. Nutricionistas defendem que faz toda a diferença comer o que se planta, e quem entende de horta deixa claro: “Sim, é possível comer a alface que você viu germinar”.

A fisioterapeuta Nádia Fadini Serpa se considera uma “espalhadora de hortas”. Por gostar de cozinhar, já ensaiava plantar os temperos que sempre saía para buscar no meio de suas preparações. Mas o diagnóstico de um câncer e a necessidade de melhorar a alimentação foram definidores para enfiar a mão na terra. Depois da sua horta, ela já montou uma para o prédio onde mora, uma na casa da mãe e outra para a sogra. E é com essa mesma boa vontade que compartilha suas dicas com o Bem Viver. A horta de Nádia é um sucesso, mesmo em um apartamento pequeno. Uma prova de que é possível para todo mundo.

HORTALIÇAS 

As hortas, claro, se adequam à quantidade de terra que se tem para oferecer. Cabe a quem planta e colhe escolher o mais apropriado à sua realidade e, claro, ao seu gosto. Uma das graças da horta é exatamente essa personalização: tem-se à mão o que mais se gosta. Pequenas hortas de ervas são as mais comuns, mas é possível ir além. Dá para plantar cenoura, embora as hortaliças folhosas sejam as de mais fácil cultivo. Aliás, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as hortaliças são aquele grupo de plantas de ciclo biológico curto, consistência tenra de folhas, não lenhosas e não cultivadas em áreas extensas, se comparadas a grandes culturas, como a soja. Popularmente, são conhecidas como verduras e legumes, sendo incluídas nesse grupo a batata, a batata-doce, o milho doce e verde, o melão, o morango e a melancia.

Preparamos um manual com dicas essenciais para quem quer começar. Anime-se! Sua comida vai ficar mais gostosa, e sua saúde, mais em dia.

FEIRA MODERNA

Para quem planeja ter uma horta em casa, a rede de alimentação saudável Salad lançou uma nova edição do Guia salad ou manual prático - Como fazer sua horta. O aplicativo para tablet e smartphone é gratuito e está disponível na App Store e Google Play. Com simplicidade, o objetivo é ensinar o usuário a criar e a manter uma horta orgânica em casa.

Marmita verde 
Além do ganho com a alimentação mais saudável, o cultivo de hortaliças e legumes é sustentável, pois diminui a emissão de poluentes com o transporte, por exemplo

Hortas em pequenos espaços vêm ganhando adeptos há muito tempo. O movimento, iniciado em grandes metrópoles mundiais, começou transformando lajes fora de atividade em telhados verdes. Em Londres, o hábito vem desde o fim dos anos 1980, com lotes vazios transformados em hortas comunitárias, com tarefas e produção compartilhadas. Mais recentemente, a disseminação de informação, a troca de experiência nas redes sociais e o comprometimento de alguns grupos com a oferta de oficinas gratuitas ampliaram o fenômeno, que ganhou ainda mais força com a moda das marmitas “repaginadas”. O mercado também está de olho na tendência: em Belo Horizonte, há imóveis de luxo com hortas planejadas para cada unidade. As pessoas descobriram que é possível ter mais do que um vasinho de manjericão na janela.

Segundo a doutora em botânica Marina Neiva Alvim, coordenadora do projeto Verde Comunitário, projeto de extensão do curso de biologia do Centro Universitário Izabela Hendrix, é possível manter um manejo agroecológico em uma horta caseira, sem uso de insumos químicos comuns na agricultura tradicional. “Escolhemos plantas que têm afinidade uma com a outra, aquelas que afastam pragas e, claro, o que mais se gosta de comer. O resultado são alimentos mais frescos e um maior acesso a nutrientes, porque o metabolismo da planta os destrói com o passar do tempo e o que compramos no supermercado não tem a mesma qualidade do que cultivamos”, explica. Para Marina, além do ganho com uma alimentação mais saudável, há um benefício indireto. “Quando plantamos o que comemos estamos diminuindo a emissão de poluentes com o transporte de alimentos”, diz.

As hortas caseiras são ainda uma ótima maneira de reciclar vasilhames. Segundo Marina, quase tudo dá para plantar em garrafas PET, colocadas de pé ou deitadas, em função do modo como cresce a raiz da planta. A única limitação é o sol: as hortaliças, em geral, precisam de três a cinco horas diárias de sol direto. O da manhã é o ideal, mas, se no seu apartamento ele só bate à tarde, também vai dar certo. No projeto Verde Comunitário, o plantio foi adaptado à realidade das moradias. “É possível plantar sem furar os vasos para a drenagem, já que isso sujaria as áreas e paredes dos apartamentos. Defendemos que quem planta aprenda a irrigar de forma a não encharcar o solo”, explica a especialista. A fisioterapeuta Nádia Serpa, de 36 anos, vê nesse cuidado uma forma de se envolver ainda mais com a produção do que se come.

MAIS VALOR 

Além de mais ricas em nutrientes, as hortaliças cultivadas pelo próprio consumidor aproximam o homem do seu alimento. Rosamara de Souza Gonçalves, coordenadora estadual da Fundação Mokiti Okada, que mantém o programa Horta em vasa e vida saudável, a vivência e o contato com a hortaliça é um dos objetivos. “Nossa filosofia é aproximar pessoas e natureza. Somos seres naturais e, quando plantamos nossa própria comida, nos aproximamos dessa essência”, defende. Fora o aspecto social. Nádia, por exemplo, se aproximou mais dos vizinhos do prédio desde que propôs fazer uma pequena horta de temperos na área comum. “Até o cheiro do lugar fica melhor”, comemora.

Oficinas gratuitas

Plantio em espaços alternativos
Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar de Belo Horizonte
Telefone: (31) 3277-4851/4779

Germinação e cultivo
Projeto Verde Comunitário, do Centro Universitário Izabela Hendrix
E-mail: verde.comunitario@izabelahendrix.edu.br

Programa Horta em casa e vida saudável
Fundação Mokiti Okada
E-mail: rosa_adv@yahoo.com.br

TRÊS PERGUNTAS PARA... Gabriela Kapim - nutricionista e apresentadora do programa Socorro, meu filho come mal

1) Qual é o consumo diário de hortaliças recomendado para uma alimentação saudável? Qual deve ser a quantidade, a qualidade e a variedade?

É importante comer de cinco a seis hortaliças e de três a quatro frutas por dia, preferencialmente orgânicos. Esse consumo deve ser o mais variado possível, quanto ao tipo, cor, consistência e forma de preparo. Uma hortaliça, por exemplo, pode ser comida crua, assada ou cozida.

2) É possível alcançar esse consumo exclusivamente por meio de uma horta caseira? Se for preciso recorrer a outra fonte, qual a orientação?

Dificilmente conseguimos tudo em uma horta própria, principalmente no caso das frutas. O ideal é que tudo seja orgânico, mas, se não for possível, é melhor comer sem ser orgânico do que deixar de comer esses alimentos.

3) Em função dos pequenos espaços disponíveis para cultivo, o que você indica para plantio, de forma a garantir um consumo variado e equilibrado em termos de nutrientes?

As verduras são mais fáceis de se cultivar em uma horta caseira do que os tubérculos, que precisam de mais profundidade. Se o espaço for pequeno e não der para investir em uma variedade, acho uma hortinha de temperos bem bacana. Ter ervas orgânicas e frescas já faz toda a diferença no sabor das preparações. Além disso, com mais temperos à disposição, dá para variar nas receitas e diminuir o sal. Mas é preciso ter atenção para fazer uma horta já com sementes orgânicas.

Hortas em pequenos espaços 

O desenvolvimento de uma planta está diretamente relacionado ao seu potencial genético, ao manejo da cultura e aos fatores ambientais. O sucesso de sua colheita, portanto, depende de cuidados com todos esses aspectos


MATERIAL NECESSÁRIO

A escolha do minicanteiro depende do espaço disponível e da adequação à hortaliça. Seja qual for, o ideal é ter 20cm de profundidade. Algumas opções:

• tambores de latão ou de plástico
• canteiros de madeira suspensos
• latas e vasilhames recicláveis
• jardineiras de alvenaria
• canos de PVC
• garrafas PET
• baldes
• pneus

LUMINOSIDADE E TEMPERATURA

A luz é, provavelmente, o fator ambiental mais importante para o crescimento e a floração das plantas. Em função de sua necessidade de luminosidade, elas são divididas em plantas de dias longos, que precisam de maior tempo de exposição (cebola e alho); plantas de dias curtos, que necessitam de menor exposição (hortaliças folhosas, pimentas e pimentões) e neutras, que se desenvolvem bem em qualquer condição (tomate e quiabo).

BOAS OPÇÕES

• Hortaliças com parte aérea comestível e ciclo de vida curto: coentro, cebolinha, salsa, alface, chicória, almeirão, rúcula e espinafre
• Condimentares: alecrim, hortelã, erva cidreira, manjericão, alfavaca
• Hortaliças fruto: pimentão, tomate e pimenta
• Tubérculos: embora possível, não é recomendado para pequenos espaços, por necessitarem de canteiros com maior profundidade

PLANTIO DIRETO X MUDAS

As sementes podem ser plantadas diretamente no canteiro no caso de hortas em pequenos espaços. Coloque até três sementes por cova, em uma profundidade de até 1,5cm, ou distribuídas em sulcos com profundidade máxima de 1cm. Quando as mudas apresentarem de três a quatro folhas definitivas, realize o desbaste ou raleio das hortaliças, arrancando as mais fracas e deixando as demais num espaçamento próximo ao recomendado. Tenha cuidado para não afetar as raízes, puxando as mais fracas lentamente pela base. Regue logo após o procedimento. Se preferir, faça a horta a partir de mudas, colocando as sementes em copos descartáveis, com substrato próprio para cultivo de mudas. Geralmente, as mudas devem ser transplantadas para o canteiro quando tiverem de três a quatro pares de folhas definitivas.

NUTRIENTES

A falta ou insuficiência de alguns nutrientes atrasa o desenvolvimento ou impossibilita a planta de completar o seu ciclo de vida. Podem ser divididos em macronutrientes, necessários em maior quantidade (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes, em menor quantidade (carbono, cobre, cloro, manganês, zinco, molibdênio e ferro). É preciso cuidar ainda do índice de acidez (se o pH do solo não estiver na faixa adequada, entre 5,5 e 6,5, a raiz não consegue absorver os nutrientes, sendo necessário acrescentar calcário); umidade; disponibilidade dos nutrientes; aeração e temperatura do solo (a faixa favorável à absorção está entre 20°C e 35°C).

PREPARO DO SOLO

1º) Colete terra de barranco, de 20cm a 30cm de profundidade (considerada solo pobre, com pH baixo e livre de sementes de ervas daninha). Peneire para separar as partículas mais finas dos torrões.

2º) Escolha o adubo orgânico (esterco de boi ou cama de frango, desde que bem curtidos, para evitar contaminação) e o adubo químico (granulado NPK 4-14-8, de preferência, ou termofosfatado).

3º) Para cada 50 litros de terra de barranco, acrescente 100 gramas de calcário ou cal hidratada; 34 litros de esterco de gado ou 17 litros de esterco de galinha; 200 gramas de NPI, 4-14-8 ou 200 gramas de adubo termofosfatado.

SOLO ADEQUADO

Um solo fértil deve ter uma quantidade razoável de matéria orgânica, reter água e ser permeável e apresentar os minerais essenciais para o cultivo. Caso contrário, é recomendado acrescentar adubos orgânicos (fezes de animais ou restos vegetais) ou químicos (compostos de nitrogênio, fósforo e potássio), ou misturá-lo a solos mais férteis e regá-lo frequentemente. O solo ideal para plantas é uma mistura do arenoso (menor quantidade) e argiloso (maior quantidade). No entanto, a maior parte dos utilizados para o cultivo de hortaliças são os chamados terra de barranco, terra virgem ou solo virgem, geralmente de coloração vermelha ou amarelada e de baixa fertilidade.

IRRIGAÇÃO

O bom controle da irrigação é essencial, com o cuidado de não encharcar o solo. Se ele estiver pouco arejado, a respiração e produção de energia das plantas será prejudicada. Hortaliças, plantas de ciclo curto, precisam de irrigação constante, que varia com sua idade. Na produção de mudas, ela deve ser diária, com pouca água e maior frequência três vezes por dia. Com o desenvolvimento das plantas, a irrigação deve ser diminuída em frequência e aumentada em volume: as jovens devem receber água uma vez ao dia, e as adultas, de três a quatro vezes por semana. Com clima ameno, a frequência de irrigação deve ser menor; com temperaturas elevadas, maior

ONDE CULTIVAR

O plantio de hortas em pequenos espaços é uma alternativa ao método tradicional para quem não tem disponibilidade de canteiros. O cultivo deve ser feito onde há sol em pelo menos um período do dia (cerca de cinco horas) e luminosidade para a fotossíntese. Desde que atenda esses quesitos, é possível plantar em corredores externos, sacadas e beirais, varandas, janelas, terraços, garagens e fundos de quintal.


As pragas mais comuns em hortaliças são larvas e lagartas; pulgões; percevejos; besouros; mosca-branca; cochonilhas; paquinhas, grilos, gafanhotos e formigas; tripes; cupins, ácaros, lesmas e caracóis. Já as doenças mais recorrentes são provocadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides. Para evitá-los, deve-se garantir que a terra não esteja contaminada. No caso de ataque de pragas e incidência de doenças, alguns produtos naturais ou de preparo caseiro podem auxiliar, como o óleo ou extrato de plantas como neem, fumo, pimenta, cebola, cravo-de-defunto e camomila, além das caldas de sabão neutro ou sulfocálcica. O cultivo de plantas repelentes em torno também ajuda, como coentro, cebolinha, cravo-de-defunto e camomila. Tanto defensivos químicos quanto naturais demandam cuidado na utilização e um período de carência para consumo: cinco dias


Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/06/14/noticia_saudeplena,153756/hortas-caseiras-melhoram-a-qualidade-da-alimentacao-e-criam-uma-nova-r.shtml

Produção de copo de plástico gasta mais água do que lavar copo de vidro

A atitude de optar por copos de plástico no lugar dos de vidro, que tem se tornado comum em bares e restaurantes de São Paulo, não constitui uma contribuição verdadeira para se contornar a crise hídrica, como mostrou o SPTV nesta quarta-feira (11).  Devido aos cortes no abastecimento, moradores também aderiram à prática.

Mas para se se fazer um copinho o plástico precisa ser derretido, colocado em uma forma e resfriado. Esse processo exige bastante água. A maior parte dela é reutilizada. Mas, pelo menos, meio litro vai embora.
A produção de copo descartável chega a consumir 500 ml de água, enquanto a lavagem feita na pia utiliza 400 ml, como estimou a Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFSP) Itapetininga. A lavagem na máquina é ainda mais econômica e gasta apenas 100 ml por copo, isto é, apenas 20% do que é gasto para se produzir um copinho plástico.
Os copos mais procurados do mercado tem capacidade para 200 ml de plástico e custa R$ 0,02. O de 300 ml, que custa R$ 0,04, tem o tamanho mais parecido com o copo utilizado em casa. O copo de plástico mais firme, o cristal, custa R$ 0,16 centavos cada.

Para quem está passando pela falta de água para lavar louça, a compra pode ser a solução do momento. A longo prazo, pode contribuir para prejudicar ainda mais o abastecimento.
O Bom Dia São Paulo já mostrou estabelecimentos na Vila Mariana, na Zona Sul, e na Vila Madalena, bairro boêmio da Zona Oeste, já adotaram os copos de plásticos. Alguns consumidores não se acostumam e chegam até a levar o próprio copo de vidro para o momento do brinde.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/02/producao-de-copo-de-plastico-gasta-mais-agua-do-que-lavar-copo-de-vidro.html

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Portal Goiânia Mais Saúde

Em parceria com a nutricionista Cristiane Spricigo criei o Portal Goiânia Mais Saúde. Um site que visa facilita a vida dos profissionais da área da saúde, em especial médicos e nutricionistas. Quem trabalha com consultório nunca teve uma lista pronta e completa, com a relação de estabelecimentos comerciais de Goiânia que primam pela saúde e bem-estar do goianiense.

Muitas vezes os pacientes ficam perdidos, sem saber onde comprarão os itens da dieta, medicações, suplementos e outros produtos prescritos. Onde se alimentar ? Onde praticar atividade física ? Onde obter mais dicas de saúde e bem-estar ? Pensando nisso, nós do ‪#‎Goiâniamaissaúde‬ resolvemos facilitar a vida dos nossos colegas e do cidadão goianiense.

O Objetivo do site é listar todos os estabelecimentos que trabalham de forma direta ou indiretamente com saúde e bem-estar. Almejamos ampliar a lista a cada dia e contamos com a sua ajuda: cidadão, lojistas, proprietários de restaurantes, profissionais, donos de centros desportivos. Aceitamos sugestões e teremos o maior prazer em adicioná-lo às nossas categorias.

Para conhecer visite www.goianiamaissaude.com.br
Ocorreu um erro neste gadget