sexta-feira, 20 de setembro de 2019

6 suplementos que, apesar das promessas, não melhoram resultados do treino

Vale a pena ler a reportagem: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/09/suplementos-que-nao-ajudam-voce-a-ter-melhores-resultados-no-treino.htm?fbclid=IwAR3svpBGrxV0WzkDIwlaCeYva4PsvUS9zdc-5S-2AK_zEglzerQmJGySmFc

Tempo seco


A vida não é só boleto




É importante considerar o alimento como fonte de nutrientes promotores da saúde, mas seu papel vai muito além disso. A comida tem funções simbólicas e culturais tão importantes quanto as funções biológicas - e somente ela possui realmente significados.

Comida é patrimônio cultural !

Dieta e treino durante o período menstrual

O ciclo menstrual é um processo natural do corpo que pode ser dividido em três fases: a folicular, a ovulatória e a lútea. E um estudo recente divulgado no periódico Journal of Applied Physology concluiu que treinos e alimentação balanceada em cada fase podem fazer com que os inconvenientes da flutuação hormonal sejam minimizados.

Durante a pesquisa, os cientistas avaliaram os efeitos do ciclo menstrual na produção de força e na fadiga dos extensores de joelhos em 30 mulheres jovens. As participantes foram testadas nos dias 2, 14 e 21 do ciclo menstrual. As análises hormonais confirmaram que no dia 2 havia uma baixa em todos os hormônios, no dia 14 houve um aumento do estrogênio e no dia 21 de ambos, tanto no estrogênio quanto na progesterona.

Os resultados mostraram que a força máxima gerada no teste de força mudou significativamente ao longo do ciclo menstrual, apesar do estrogênio promover um favorecimento da ativação muscular.

Quanto mais perto da menstruação as mulheres treinavam, menos força tinham para concluir exercícios de força

Por outro lado, a resistência à fadiga aumentou no período mais próximo à menstruação, junto com um aumento da progesterona. Percepções de fraqueza e falta de ânimo parecem ter um forte componente psicológico e não necessariamente fisiológico, o que confunde os resultados por serem difícil dissociá-los.

Com isso, é possível afirmar que a alimentação ao decorrer de cada ciclo precisa ser balanceada a fim de fornecer todos os nutrientes necessários.

A dieta para cada fase da menstruação

Fase folicular (primeira metade do ciclo)
Durante essa primeira fase, alguns alimentos merecem maior atenção das mulheres, como fontes de cálcio e ômega-3.

O cálcio pode reduzir as cólicas, melhorar o humor e a retenção de líquidos. Fontes alimentares do mineral são lácteos (queijos, leites e iogurtes) magros, folhas verdes e sementes como gergelim.

O ômega-3 é um potente anti-inflamatório, também reduz sensação de cólicas e retenção hídrica. Sardinha, salmão, chia, linhaça, atum, castanha e nozes devem ser adicionados na alimentação diária.

Fase ovulatória (12 a 36 horas)
Nessa fase ocorre o pico de liberação de estrogênio e a ovulação. Nela, também há a presença da serotonina, o hormônio que está relacionado ao sono, humor e apetite.

Ao decorrer da fase ovulatória, é importante também manter a alimentação balanceada e praticar exercícios físicos com frequência para manter o bem-estar e a saúde da mulher.

Fase luteínica ou lútea (segunda metade do ciclo)
É o momento de maior alteração de humor, retenção hídrica, podendo ser seguida de constipação, dores no corpo e mama.

Poupar o trabalho hepático, ou seja, do fígado, é a primeira estratégia. Como o metabolismo dos hormônios estrogênio e progesterona acontece nesse órgão, diminuir a quantidade de gordura, álcool e substâncias tóxicas pode diminuir automaticamente os sintomas.

Também é preciso ter cuidado com frituras, queijos amarelos, gordura aparente, creme de leite, manteiga ou margarina, embutidos, entre outros. Veja outras dicas a seguir para a sua dieta na menstruação.

Mais dicas para a dieta no final da menstruação

  • Compulsão por doces: Evite açúcar e carboidratos refinados para controlar os picos de insulina. Fracione as refeições para evitar longos períodos sem se alimentar e controlar a fome.
  • Consuma fibras: elas auxiliam na regulação da absorção dos carboidratos estendendo seu tempo de digestão e assimilando o controle da glicemia.
  • Cuidado com a cafeína: evite café, chás estimulantes, chocolate e bebidas energéticas.
  • Retenção hídrica: priorize a redução de alimentos ricos em sódio como industrializados e temperos prontos em cubos ou sachês, azeitonas, alcaparras, conservas em geral, sal de adição. Beba mais líquidos: opte pelo consumo de água, sucos diluídos, chás e água de coco, que auxiliam no bom funcionamento dos rins.
  • Para dores nas mamas: magnésio e B6 (piridoxina) são nutrientes importantes na redução deste inconveniente sintoma. Boas fontes de magnésio são sementes, cereais, carne, espinafre e pão integral. Para conseguir mais vitamina B6 consuma fígado e outras vísceras, ovos, soja, aveia, farelo de trigo, cenoura, amendoim e nozes.

*Andrea Zaccaro de Barros é nutricionista especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM – 1999); mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC (2012); fundadora e atual presidente da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE) e representante regional da Sociedade Paulista de Cardiologia (Nutrição) 2010. Atua na área de nutrição esportiva e é responsável por diversos atletas e equipes de alto rendimento, tais como triathlon, atletismo, lutas e esportes coletivos. É também diretora técnica e proprietária da Vianutri Consultoria Nutricional, coordenadora do curso de pós-graduação em Nutrição Esportiva ABNE/CEFIT e docente em diversos cursos e eventos na área de nutrição esportiva.

Referência bibliográfica:

Ansdell P. et al. Menstrual cycle-associated modulations in neuromuscular function and fatigability of the knee extensors in eumenorrheic women. Journal of Applied Physology, 2019.

Fonte: https://nutritotal.com.br/publico-geral/o-treino-e-a-dieta-durante-a-menstruacao/

Novos benefícios do consumo diário de iogurte

Cheio de vitaminas e minerais, o iogurte natural é uma excelente pedida para o café da manhã ou lanche entre as refeições. O alimento vai bem com frutas, cereais e granola, e mesmo quando consumido puro, é capaz de trazer benefícios para a saúde.

Segundo a nutricionista Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos, o iogurte é um alimento nutritivo, que pode proporcionar uma boa oferta de proteína e cálcio, nutrientes essenciais para o desenvolvimento muscular e ósseo do corpo humano.

Além disso, novos estudos estão descobrindo mais benefícios que esse alimento é capaz de oferecer. Listamos alguns a seguir.

4 super benefícios do iogurte

Que ele é nutritivo a gente já sabe, mas que ele pode ser um aliado contra o diabetes e a gordura no fígado são novidades que os estudos vêm revelando.

Melhora a resistência à insulina
Um estudo feito na Universidade de Laval, em Quebec, no Canadá, apontou que o consumo frequente de iogurte pode proteger o corpo contra a resistência à insulina (um quadro que pode caracterizar o pré-diabetes), mais especificamente entre os jovens que se encontram em risco de obesidade. Os pesquisadores avaliaram ainda que essa relação acontece independentemente da composição corporal e dos fatores de estilo de vida medidos no estudo.

Combate a gordura no fígado
Outro estudo divulgado no periódico The American Journal of Clinical Nutrition comparou o consumo de iogurte com o de leite. Como resultado, descobriram que o iogurte teve resultados melhores que o leite na redução da gordura do fígado em mulheres obesas com doença hepática gordurosa não alcoólica e com síndrome metabólica.

Reduz inflamações
Mais um benefício apontado pelo estudo citado no item anterior é que o iogurte pode ser capaz de melhorar o metabolismo lipídico (das gorduras). Como consequência, ajuda a reduzir as inflamações e o estresse oxidativo no organismo, além de alterar de maneira benéfica a composição da microbiota intestinal.

Controla o apetite
De acordo com a nutricionista Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos, um dos benefícios apresentados pelo consumo diário de iogurte inclui a melhora no controle do apetite, mas somente quando utilizado nos intervalos das refeições.

Mas para aproveitar os benefícios do iogurte, só não vale exagerar
A nutricionista salienta que o iogurte, assim como todos os alimentos quando ingerido em excesso, pode aumentar a oferta de calorias e proteínas, potencializando o risco de ganho de peso. “A ingestão diária recomendada de produtos lácteos é de três porções. Assim, caso o individuo não consuma nenhuma outra fonte de cálcio, deve ingerir no máximo três iogurtes por dia”, pondera Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos.

Para um consumo com ainda mais sabor, você pode incluir o iogurte em receitas saborosas, como neste smoothie com frutas silvestres rico em antioxidantes.

Este conteúdo não substitui a orientação de um especialista. Agende uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos é nutricionista, coordenadora dos cursos GANEP de Especialização, mestre em Nutrição Experimental pela USP e especialista em Nutrição Clínica, Nutrição Parenteral e Enteral pela SBNPE.

Panahi S. et al. The relationship between yogurt consumption, body weight, and metabolic profiles in youth with a familial predisposition to obesity. Université Laval, 2019.

Chen Y. et al. Yogurt improves insulin resistance and liver fat in obese women with nonalcoholic fatty liver disease and metabolic syndrome: a randomized controlled trial. The American Journal of Clinical Nutrition, Volume 109, Issue 6, June 2019, Pages 1611–1619.


Fonte: https://nutritotal.com.br/publico-geral/material/novos-beneficios-do-consumo-diario-de-iogurte/

Vitaminas: para cada déficit, vários problemas

Do recém-nascido ao idoso, há a necessidade de uma alimentação adequada, que forneça todos os nutrientes necessários. E não podemos falar só de carboidratos, proteínas e lipídios, como também de outros componentes, incluindo-se aí as vitaminas.

Elas detêm funções importantíssimas na manutenção da saúde, prevenindo inúmeras doenças, regulando o funcionamento das células e por aí vai.
Na verdade, cada vitamina tem seus benefícios e peculiaridades. Na contramão, o déficit delas traz as mais variadas repercussões para o corpo.
Então vamos abordar aqui algumas dessas substâncias:

Vitamina A
Presente principalmente no fígado, no leite e na gema do ovo, ela é essencial para o funcionamento do organismo. A vitamina A é, por exemplo, fundamental para a criação de células sanguíneas, especialmente os linfócitos (que fazem parte do nosso sistema de defesa). A ingestão deficiente dessa vitamina, portanto, pode influenciar na resposta imunológica do organismo.

Além disso, a sua carência compromete a integridade do revestimento do trato pulmonar, gastrointestinal e urinário, facilitando a ocorrência de infecções graves.

Vitamina D
Considerada um hormônio, seu fator precursor está presente no óleo de peixe e de fígado de bacalhau e na gema de ovo. Ele é convertido na forma ativa da vitamina D por meio da exposição à luz solar.

Pessoas com deficiência de vitamina D sofrem maior ocorrência de infecções respiratórias. Perceba que essas doenças surgem com maior frequência no inverno, quando estamos menos expostos à radiação solar.

Além disso, a vitamina D tem um papel importante na regulação do sistema imunológico.

Vitamina E
Presente em vários alimentos de origem vegetal, como nos óleos de soja e de milho, tomate e vegetais verde-escuros, esse nutriente tem importante papel antioxidante. A falta dele pode acarretar disfunções no sistema imunológico, além de doenças neuromusculares e retinopatia, um problema que compromete a visão.

Vitamina K
A vitamina K participa da regulação dos processos de coagulação sanguínea, ajudando a controlar sangramentos. Encontrada nas hortaliças verdes, também pode ser sintetizada pelo organismo.

Vitamina B1 (tiamina)
Também conhecida como tiamina, ela tem entre suas funções o metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas. Mais do que isso, sua presença é fundamental para o sistema nervoso.

A vitamina B1 é encontrada em diversos alimentos de origem animal e vegetal. Carnes, vísceras (especialmente fígado e coração), gema de ovo e grãos integrais são algumas de suas principais fontes.

A deficiência dessa substância no organismo pode levar a uma doença chamada beribéri, que afeta os sistemas nervoso e cardiovascular.

Vitamina B2 (riboflavina)
Atua na formação das células vermelhas do sangue. Ela é especialmente importante durante a gravidez, a fase de lactação e nos anos de crescimento da criança.

A vitamina B2 pode ser encontrada em produtos derivados do leite, folhas verdes e vísceras.

Vitamina B3 (niacina)
Está aí uma vitamina que auxilia no aproveitamento adequado de carboidratos e proteínas, além de participar da síntese de gordura e do processo de respiração.

Sua deficiência pode acarretar anormalidades digestivas que levam à irritação e inflamação das mucosas da boca e do trato gastrointestinal. Como consequência, episódios de diarreia se tornam constantes.

A niacina está presente principalmente em carnes magras, aves, peixes, amendoins e leguminosas.

Vitamina B5 (ácido pantotênico)
Ela está relacionada com a síntese de colesterol, hormônios esteroides, neurotransmissores… Na indústria, é utilizada para a produção de dermocosméticos por sua capacidade de hidratar e reparar danos celulares.

Como é encontrada em diferentes tipos de alimentos (gema de ovo, leite, cereais, fígado de animais), são raros os casos de deficiência.

Em geral, o déficit de vitamina B5 ocorre em pessoas com problemas de absorção de nutrientes, em portadores de insuficiência renal que realizam diálise e em consumidores de grandes quantidades de bebida alcoólica.

Vitamina B6 (piridoxina)
Assim como a B2, ajuda a metabolizar proteínas, carboidratos e gorduras, ao mesmo tempo que faz o sistema nervoso central trabalhar direitinho. A vitamina B6 está presente em muitos alimentos, sendo suas principais fontes: aves, peixes, fígado, cereais e leguminosas.

Vitamina B7 (biotina)
Também chamada de vitamina H ou biotina, ela regula a expressão dos nossos genes. Ainda está envolvida em processos como manutenção dos níveis de glicose no sangue e na composição de cabelos e unhas.

Essa vitamina, assim como a maioria das que integram o complexo B, é amplamente distribuída nos alimentos, sendo fontes importantes o fígado, os cereais, os grãos e os vegetais.

A carência da vitamina B7 provoca principalmente queda de cabelo, conjuntivite, perda do controle muscular e dermatite esfoliativa na região dos olhos, nariz e boca. Além disso, abre as portas para problemas neurológicos e gastrointestinais.

Vitamina B9 (ácido fólico)
O ácido fólico é, na verdade, a forma sintética da vitamina, que se encontra em vísceras, feijões e vegetais de folhas escuras, bem como em diversos alimentos fortificados.

O principal papel do ácido fólico está no metabolismo de aminoácidos e na síntese de DNA, que é fundamental para o desenvolvimento embrionário. Estudos mostram que a suplementação com ácido fólico na gestação previne defeitos do feto.

Vitamina B12 (cobalamina)
A vitamina B12, ou cobalamina, é encontrada em alimentos de origem animal, como produtos lácteos, carnes, frutos do mar, peixes e ovos. É responsável por importantes funções no organismo, garantindo o metabolismo das células, especialmente as do trato gastrointestinal, da medula óssea e do tecido nervoso.

Baixos níveis da substância não raro acarretam manifestações graves, como a anemia megaloblástica e anemia perniciosa. Grupos específicos, a exemplo de vegetarianos e veganos e pessoas com mais de 50 anos, são os mais vulneráveis à deficiência de vitamina B12. A suplementação, sempre com recomendação do especialista, pode ser uma boa estratégia para esses casos.

Vitamina C (ácido ascórbico)
Essa é das mais conhecidas. E não à toa: a vitamina C desempenha funções antioxidantes, atua na manutenção das paredes dos vasos sanguíneos, na reparação dos tecidos e na absorção do ferro, além de fortalecer o sistema de defesa contra infecções.

Ela não é produzida pelo organismo, portanto deve ser ingerida diariamente na alimentação. Presente na maioria dos alimentos de origem vegetal, especialmente nas frutas cítricas, é bastante sensível às variações de luz e temperatura. Isso significa que processos como o cozimento ou um longo tempo de espera entre o preparo e o consumo das preparações reduzem sua disponibilidade.

Um recado final (e muito importante)
Para saber se você anda ingerindo boas doses das mais variadas vitaminas, lembre-se de consultar um nutricionista, que é capaz de recomendar uma dieta saudável e segura para você e sua família.

Os suplementos vitamínicos só devem ser recomendados por profissionais de saúde especializados.

*Marisa Lipi é nutricionista e 1ª tesoureira da SBAN

Fonte: https://saude.abril.com.br/blog/alimente-se-com-ciencia/vitaminas-para-cada-deficiencia-varios-problemas/

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Setembro Amarelo














Risco de suicídio em médicos e Burnout

Nos dias 06 e 07 de Setembro de 2019 aconteceu em São Paulo o evento  Meeting the minds .

Os slides abaixo são da aula sobre Burnout ministrada pela Prof. Dra. Carmita Abdo, psiquiatra e sexóloga brasileira. Doutora e livre-docente em psiquiatria. 

A quantidade de médicos com Síndrome de Burnout é assustadora e o risco de suicídio entre médicos é duas vezes o risco da população. 
























terça-feira, 27 de agosto de 2019

Foto de antes e depois dos pacientes

Recentemente um profissional médico conseguiu na justiça o direito de publicar foto de antes e depois dos pacientes. 

Muitos não sabem mas esse tipo de postagem em redes sociais é proibido pelo código de ética médica e com razão. Na minha visão o conselho está correto e todos os outros conselhos da área da saúde deveriam seguir essa linha. 

Paciente não é troféu e portanto por mais que o paciente autorize o compartilhamento da sua imagem, isso não soa como ético. 

Há quem diga que antes e depois principalmente na Nutrologia sirva de exemplo para outros.  Na minha opinião raramente isso serve de exemplo. E pior: não é porque um paciente teve um bom resultado, que outros terão. As pessoas são diferentes, possuem histórias de vida diferentes, hábitos de vida diferente e respondem de forma diferente a dietas. 

Portanto a proibição é justa.

Na semana passada a justiça afirmou que a Normativa do CFM está correta e portanto foto de antes e depois, pelo menos na Medicina continua proibida. 


É possível reduzir a probabilidade de se ter demência ao levar um estilo de vida saudável? Novo estudo diz que sim

Um trabalho elaborado na Universidade de Exeter, na Inglaterra, com quase 200 mil pessoas indicou que o risco caiu em até um terço quando isso ocorreu, de acordo com resultados apresentados na Conferência Associação Internacional de Alzheimer.

Segundo os pesquisadores, isso é animador por apontar que pessoas que têm propensão a ter a doença não estão necessariamente condenadas a sofrer de demência, como é chamada a piora das funções cognitivas que uma pessoa pode desenvolver.

Os cientistas deram às pessoas uma pontuação de estilo de vida saudável com base em uma combinação de exercícios, dieta, álcool e tabagismo.

Assim, uma das pessoas bem pontuadas no estudo tinha a seguintes características: não fuma atualmente, pedala em ritmo normal por duas horas e meia por semana, tem uma dieta balanceada que inclui mais de três porções de frutas e vegetais por dia, peixe duas vezes por semana e carne processada raramente, beba até 560 ml de cerveja por dia.

E o que foi um estilo de vida considerado insalubre? Alguém que fuma regularmente, não faz exercício de forma rotineira, tem uma dieta com menos de três porções de frutas e vegetais por semana e duas ou mais de carne processada e carne vermelha por semana e bebe pelo menos 1,5 litro de cerveja por dia.

Sue Taylor, de 62 anos, viu o impacto da demência em sua família - tanto sua mãe quanto sua avó tiveram a doença. Por isso, hoje, ela faz aulas de ginástica no parque três vezes por semana - mesmo no inverno - e caminha 45 minutos para ir ao trabalho. "É preciso muito esforço, você tem que pensar sobre como encaixar essas atividades em sua vida", diz ela.

Mas Taylor afirma diz que vale a pena, especialmente pelos netos. "Só quero manter meu cérebro na melhor condição possível pelo maior tempo possível. Não quero que meus netos deixem de ter uma avó, tanto fisicamente quanto mentalmente."

Como foi feita a pesquisa

O estudo acompanhou 196.383 pessoas a partir dos 64 anos de idade por cerca de oito anos e analisou seu DNA para avaliar o risco genético de desenvolver a doença.

O estudo mostrou que havia 18 casos de demência a cada mil pessoas se eles nasceram com genes de alto risco e tinham um estilo de vida pouco saudável. Mas este índice caiu para 11 para cada mil pessoas durante o estudo, se as pessoas de alto risco tivessem adotado um estilo de vida saudável.

Os números podem parecer pequenos, mas isso é porque pessoas em torno dos 60 anos são relativamente jovens em termos de demência. Os pesquisadores dizem que a redução das taxas de demência em um terço teria um impacto profundo nos grupos etários mais velhos, em que a doença é mais comum. "Isso pode equivaler a centenas de milhares de pessoas", diz o cientista David Llewellyn.

"Mesmo que você esteja preocupado com a demência, talvez tenha um histórico familiar, o que nossa pesquisa sugere é que isso não importa. É provável que você reduza substancialmente o risco de adotar para um estilo de vida saudável."

Apesar disso, esse tipo de pesquisa não pode provar definitivamente que o estilo de vida gera riscos diferentes de demência, simplesmente identifica um padrão nos dados. Mas os resultados, publicados no periódico Journal of American Medical Association se encaixam com pesquisas anteriores e recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Posso evitar completamente a demência?

Infelizmente, é possível que uma pessoa leve uma totalmente saudável e ainda assim tenha demência. O estilo de vida apenas afeta as chances de isso acontecer.

Ainda não existem medicamentos para alterar o curso desta doença, então, reduzir suas chances é o melhor que qualquer pode fazer no momento.

Mas isso se aplica a todos? As descobertas podem não ser válidas para pessoas com demência muito precoce, que começa quando se está na faixa dos 40 e 50 anos, dizem os pesquisadores. Mas eles acham que os resultados se aplicam a pessoas em grupos de idade avançada, quando a demência se torna mais comum.

Os cientistas dizem ainda que o estudo se aplica à demência em geral e não a formas específicas da doença, como a doença de Alzheimer ou a demência vascular.

No entanto, o pesquisador Elzbieta Kuzma, que participou do estudo, diz que esta foi a primeira vez que se demonstrou que é possível alterar um risco hereditário de demência.

Fiona Carragher, da Alzheimer's Society, uma organização de caridade dedica à pesquisa sobre esta doença, avalia que, com 10 milhões de pessoas desenvolvendo demência por ano no mundo, saber como reduzir esse risco pode ser vital. "Então, encha o prato de salada, troque um coquetel por um drink sem álcool e vá fazer exercícios!"

Carol Routledge, da Alzheimer's Research UK, a principal instituição dedicada à demência no Reino Unido, diz que as descobertas são "importantes".

"Esta é mais uma evidência de que há coisas que todos podemos fazer para reduzir nosso risco de desenvolver demência, mas a pesquisa sugere que apenas 34% dos adultos acham que isso é possível. Embora não possamos mudar os genes que herdamos, este estudo mostra que mudar nosso estilo de vida ainda pode ajudar a fazer com que as chances estejam a nosso favor."

Fonte: https://f5.folha.uol.com.br/viva-bem/2019/08/como-mudancas-no-estilo-de-vida-podem-ajudar-a-evitar-a-demencia.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Documentário What the health


A postagem abaixo foi extraída do facebook do Dr. Bruno Halpern, médico endocrinologista. Achei interessante pois com o advento da internet, redes sociais, youtube e netflix, muita informação em saúde circula e quem é leigo não consegue distinguir o que tem realmente evidência científica, daquilo que não passa de achismo. Ou indo mais além, extrapolações de estudos in vitro para a saúde humana. 

Quem me acompanha e me segue nas redes sociais desde 2009 sabe que já fui vegetariano e uma boa parcela dos meus pacientes no consultório são vegetarianos. Que o motivo pelo qual sou a favor do vegetarianismo é exclusivamente ambiental. Acredito que a redução do consumo de carnes pode sim auxiliar a reduzir os impactos ambientais e minimizar o sofrimento animal. 

Nutricionalmente não vejo superioridade da dieta vegetariana à dieta onívora ( a qual sigo hoje). Ambas tem riscos se não tiverem equilíbrio. A vegetariana com os riscos nutricionais (B12, Ferro) e a Onívora com o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, caso tenha excesso de carboidratos simples, gorduras saturada, gordura trans, alimentos industrializados. 

Acredito que a pessoa deva seguir a dieta que te faz bem e não lesa a própria saúde. É possível ter uma dieta vegetariana equilibrada desde que se faça suplementação de B12. Tenho centenas de pacientes que assim o fazem e estão bem do ponto de vista metabólico. 

O que não concordo é com o fanatismo e xiitismo de alguns grupos de vegetarianos. Muito menos com utilizar dados fakes ou baixo nível de evidência científica para fazer terrorismo e tentar "converter" onívoros. Isso é errado. Ninguém muda ninguém, ao longo desses anos tenho percebido isso claramente na prática clínica. 

Abaixo a tradução do Dr. Bruno Halpern do texto do profissional da saúde Ted Kyle do Site https://conscienhealth.org/

Att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 | RQE 11915

Sobre o documentário What the Health

Muito cuidado com alguns documentários sobre saúde que, passando em uma rede de streaming conhecida, podem parecer de alta credibilidade. E nem sempre é assim. No caso do “What the health” trata-se de um manifesto vegano, com evidências que não passam nem no mais básico escrutínio científico. 

👉Ted Kyle, do @conscienhealth apontou alguns erros que o tornam um “auto de fé” #vegano e não um documentário científico.

1 - Não, carnes processadas não são tão perigosas como o cigarro. Apesar da OMS ter colocado os processados como provavelmente carcinogênicos, o consumo excessivo pode aumentar em 16% o risco de câncer de cólon. Cigarro aumenta a prevalência de diversos cânceres na ordem de 4000%.

2 - Ovos não são perigosos como o cigarro! Cigarro matará, direta ou indiretamente, dois em cada 3 fumantes. Ovo está muito distante disso e o consumo moderado é nutritivo e seguro. Inclusive, o #colesterol que comemos não é a principal fonte de produção de colesterol no nosso corpo.

3 -Leite não causa câncer. Há diversas metanálises (compilações de estudos) que mostram de maneira clara que essa relação não existe. E evidências indiretas ligam o #leite #iogurte e derivados a um risco reduzido de obesidade, diabetes e risco cardiovascular.

4 - Peixes não irão te "envenenar". Infelizmente, é verdade que peixes em topo de cadeia alimentar (cação, peixe espada e um pouco menos o atum), podem conter maior quantidade de mercúrio e por isso de fato se recomenda moderação no consumo desses peixes (não mais de 1 vez por semana). Porém, outros peixes continuam sendo muito saudáveis, com gorduras benéficas (embora ômega3 em quantidades benéficas seja difícil de encontrar em peixes no Brasil).

👉Ted Kyle termina seu texto dizendo:
"Quando as linhas entre fatos, presunções e opiniões se confudem, a ciência se torna política. A propaganda (que tem um viés proposital de persuasão) invade o documentário. What the health é mais propaganda que documentário. Uma opção individual por uma dieta vegana pode ser uma opção saudável e pode ajudar a reduzir a pressão que estamos fazendo na Terra. Porém, propaganda corrompe mesmo causas nobres."


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Mas afinal, o que faz um médico Nutrólogo e quando procurar um?



A Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. 

Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.

O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou em 1932 com o médico Josué de Castro que estudou problemas relacionados a nutrição no Brasil, influenciado pelo Nutrólogo argentino Pedro Escudeiro (o pai da Nutrição médica na América Latina). Dr. Josué foi responsável pelo primeiro estudo de inquérito alimentar no Brasil. Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil por 10 anos. Foi diretor cientifico dos Arquivos Brasileiros. Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Ele foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico e desde a década de 50 atua em nosso país. Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)

A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Uma associação médica que foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian). Porém só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM). 

A nutrologia acabou tendo uma forte ascensão no cenário médico nacional nos últimos 6 anos. Ascensão tão forte que a maioria dos que se intitulam Nutrólogos na verdade não são. Como dizia um outdoor aqui em Goiânia: “Especialize-se na especialidade do momento”.

A Nutrologia até alguns anos era uma especialidade um pouco desconhecida pela população e até mesmo pelos médicos.  Com o aumento do interesse por temas relacionados à alimentação e doenças nutroneurometabólicas o interesse pela área cresceu de forma exponencial.  Ao passo que hoje temos que lidar com um problema, que é a quantidade exorbitante de profissionais que se intitulam nutrólogos e na verdade não são. Médicos que apenas fizeram pós-graduações de Nutrologia ou nem isso. 

Saliento que só é especialista em Nutrologia/Nutrólogo quem fez residência médica em Nutrologia ou tem título de especialista pela ABRAN. Ou seja, aqueles que possuem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) junto ao Conselho Federal de Medicina. Isso pode ser verificado consultando o nome do profissional no site do Conselho Federal de Medicina. 

No Brasil a Especialidade relacionada à Nutrição médica é a Nutrologia. Porém há áreas de atuação dentro da Nutrologia. São elas:

  • Nutrição Parenteral e Enteral
  • Nutrição Parenteral e Enteral Pediátrica
  • Nutrologia Pediátrica

Mas afinal, o que faz um nutrólogo ?

O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico.

A Nutrologia estuda, pesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.

O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnóstico, prevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida.

Nossa abrangência engloba:


  1. O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos quando necessários.
  2. A identificação de possíveis “erros” alimentares, hábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as inter-relações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  3. O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. 
  4. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  5. Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.


Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentar?

Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.

O Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 

Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com risco nutricional. 

A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).

Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:


  • Nutroterapia no paciente cirúrgico (preparo pré-cirúrgico), pediátrica, geriátrica, esportiva,  oncológica,  materno-fetal, doenças hepáticas, doenças gastrintestinais,  doenças renais, doenças pulmonares, doenças cardíacas e vasculares, doenças neurológicas, doenças reumatológicas, doenças osteomusculares, doenças hematológicas, doenças alérgicas.

Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.

Quais doenças e situações tratamos ?

  1. Pacientes saudáveis que deseja melhorar hábitos dietéticos e salutares de vida.
  2. Pacientes saudáveis que desejam realizar check up nutricional, para detecção de falta ou excesso de nutrientes.
  3. Pacientes críticos e internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs), necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
  4. Pacientes restritos ao leito hospitalar e que necessitam de suporte nutricional adequado para se evitar desnutrição intra-hospitalar.
  5. Pacientes que serão ou foram submetidos a cirurgias.
  6. Orientações nutrológicas para pacientes oncológicos (os mais diversos tipos de câncer).
  7. Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia).
  8. Pacientes com gastrostomia ou jejunostomia.
  9. Magreza constitucional (baixo peso), em todas as fases da vida.
  10. Sobrepeso.
  11. Obesidade em todos os seus graus: em todas as fases da vida.
  12. Preparo pré-cirurgia bariátrica.
  13. Acompanhamento pós-cirurgia bariátrica.
  14. Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
  15. Bulimia, Anorexia, Síndrome do Comer Noturno, Vigorexia, Ortorexia: aspectos nutrológicos. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável
  16. Aspectos nutricionais da ansiedade, depressão, insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e o nutrólogo busca déficits nutricionais ou intoxicação por substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença).
  17. Intolerância à glicose, Diabetes mellitus tipo 2  e tipo 1.
  18. Dislipidemias: hipercolesterolemia (aumento do colesterol) e hipertrigliceridemia (aumento do triglicérides).
  19. Síndrome metabólica: Obesidade acompanhada de hipertensão, aumento da circunferência abdominal ou dislipidemia.
  20. Esteatose hepática não-alcoólica (gordura no fígado).
  21. Alergias alimentares.
  22. Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, rafinose e sacarose).
  23. Anemias carenciais (por falta de ferro, de vitamina B12, de ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A).
  24. Pacientes vegetarianos, veganos, ovolactovegetarianos, crudivoristas.
  25. Constipação intestinal (intestino preso).
  26. Diarreia aguda ou crônica.
  27. Síndrome do Intestino Curto.
  28. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão).
  29. Alterações da Permeabilidade intestinal (leaky Gut), Disbiose intestinal.
  30. Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).
  31. Síndrome do intestino irritável.
  32. Orientações nutrológicas em Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa.
  33. Aspectos nutrológicos da Fibromialgia.
  34. Pacientes portadores de Fadiga.
  35. Acompanhamento nutrológico pré-gestacional e gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior e fazer suplementações necessárias).
  36. Infertilidade (aspectos nutrológicos).
  37. Orientações nutrológicas para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial).
  38. Orientações nutrológicas para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística).
  39. Orientações nutrológicas em Hiperuricemia (aumento do ácido úrico), Gota.
  40. Orientações nutrológicas em Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.
  41. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com sarcopenia (baixa quantidade patológica de músculo).
  42. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com osteoporose ou osteopenia.
  43. Orientações nutrológicas para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca).
  44. Orientações nutrológicas em portadores de HIV em tratamento com antirretrovirais.
  45. Orientações nutrológicas para hepatopatas (Varizes esofagianas, Hipertensão portal, insuficiência hepática, Ascite, cirrose hepática).
  46. Orientações nutrológicas para nefropatas (Insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, glomerulonefrites, litíase renal, gota e hiperuricemia assintomática).
  47. Atletas

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 | RQE 11915

Para saber a diferença entre um Nutrólogo e um Nutricionista acesse: http://www.nutrologogoiania.com.br/a-nutrologia/nutrologo-e-nutricionista/

Entre um Nutrólogo e um Endocrinologista, acesse:


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Sensação de saciedade aumenta mais lentamente em obesos

Em uma nova pesquisa, pessoas obesas apresentaram uma percepção significativamente aguçada do prazer inicial de comer, ao passo que a redução gradual desta satisfação, que costuma ocorrer conforme a pessoa vai comendo – neste caso específico, chocolate – foi mais lenta do que em pessoas com peso normal ou sobrepeso.

"Nosso achado de que os participantes obesos, em média, tendem a relatar um nível maior de percepção gustativa para uma determinada quantidade de chocolate do que participantes sem obesidade pode, em parte, explicar por que as pessoas obesas comem mais do que as sem obesidade", disse a primeira pesquisadora Dra. Linnea A. Polgreen, Ph.D., em um podcast do periódico Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, que publicou o estudo em 30 de julho.

"Se pudermos generalizar as nossas descobertas para outros alimentos, isso pode ajudar a embasar futuras intervenções", disse a Dra. Linnea, que é professora do Department of Pharmacy Practice and Science da University of Iowa, nos Estados Unidos.

O estudo randomizado teve 290 adultos. Os participantes receberam amostras de chocolate, um pedaço de cada vez, e foram solicitados a classificar em uma escala de 1 a 10 a própria percepção sobre o chocolate.

Não houve um limite quanto à quantidade que os participantes poderiam consumir. Para facilitar a avaliação de como a percepção mudava com o aumento do consumo, pediu-se aos participantes que comessem o máximo que pudessem sem se sentirem desconfortáveis. Cerca de metade (N = 150) recebeu as informações nutricionais dos chocolates.

Dentre os participantes, 161 tinha índice de massa corporal (IMC) normal (< 25); 78 foram considerados com sobrepeso (IMC = de 25 a < 30); 51 eram obesos (IMC ≥ 30). Oitenta por cento dos participantes eram mulheres. A idade variou de 18 a 75 anos.

Embora a percepção do sabor tenha sido praticamente idêntica para os participantes com peso normal e para os com sobrepeso, as pessoas obesas relataram uma percepção significativamente mais aguçada do sabor inicial (P = 0,02).

Em geral, os participantes obesos atribuíram cerca de 0,5 ponto a mais para as amostras de chocolate na escala de 10 pontos do que os participantes não obesos.


O declínio da percepção do sabor, que ocorre de acordo com a quantidade de alimento consumida – um efeito conhecido como saciedade sensorial específica–, foi de cerca de 2,0 pontos por amostra no total, mas foi significativamente mais gradual nas pessoas com obesidade do que nas sem obesidade (P < 0,01).

A diminuição mais lenta na percepção do sabor pode resultar em um aumento no consumo de alimentos, disse em um comunicado o primeiro autor Dr. Aaron C. Miller, Ph.D. e professor assistente do Department of Epidemiology da University of Iowa.

"Nossos achados indicam que os participantes obesos precisaram consumir uma quantidade maior de chocolate do que os participantes sem obesidade para vivenciar um declínio similar na percepção do sabor", disse o Dr. Aaron.

"Especificamente, descobrimos que uma mulher com obesidade precisaria comer cerca de 12,5 pedaços de chocolate para chegar ao mesmo nível de percepção de sabor de uma mulher sem obesidade, que comeu apenas 10 pedaços, o que em nossa amostra corresponde a uma diferença de cerca de 67,5 calorias. O que pode, em parte, explicar por que as pessoas com obesidade comem mais do que as pessoas sem obesidade", disse ele.

A quantidade de chocolate consumida variou de 2 a 51 pedaços, embora não tenha havido diferenças significativas entre os grupos na quantidade de chocolate consumida. O consumo médio foi de 12,1 pedaços (P = 0,36).

Também não houve diferenças significativas na quantidade média de tempo gasto degustando os chocolates, que foi de 26,9 minutos no total, e em torno de 2,7 minutos por pedaço de chocolate (P = 0,28).

As mulheres tiveram declínios mais rápidos na percepção do sabor do que os homens, com decréscimos adicionais de 0,09 ponto por amostra para as mulheres em comparação com os homens.


Não houve diferenças significativas na percepção do sabor entre quem recebeu as informações nutricionais dos chocolates, uma descoberta que, de forma geral, é consistente com as evidências sugerindo que tais informações podem não ter tanta influência quanto o esperado, observaram os autores.

"Descobrimos que a informação nutricional, pelo menos quando fornecida sobre os pedaços de chocolate, não teve efeito sobre a percepção do sabor marginal", escrevem eles.

"Portanto, fornecer a informação nutricional por si só pode ser pouco eficaz em reduzir as taxas de obesidade."

A percepção do sabor foi influenciada, no entanto, pela fome. Os participantes relataram um aumento de 0,13 na classificação para cada ponto adicional na escala de fome.

Enquanto a grande maioria dos estudos anteriores sobre saciedade sensorial específica observou as percepções indicadas no início e no final da refeição, o estudo em questão foi inédito em observar as percepções gustativas instantâneas, bem como em avaliar como estas percepções mudam com o tempo, à medida que as pessoas comem mais, disseram os autores.

Entre as limitações do estudo, estão o fato de a amostra de participantes ter sido majoritariamente de mulheres, e de os voluntários terem sido recrutados com o propósito específico de comer chocolate. Além disso, os resultados podem não ser generalizáveis para outros tipos de alimentos, como os salgados ou os amargos.

Os achados todavia ressaltam os potenciais benefícios de concentrar os programas de perda de peso neste prazer exacerbado em comer que as pessoas com obesidade podem sentir, observaram os autores.

"De fato, estratégias com o objetivo de reduzir a obesidade podem ter de levar esta diferença na percepção do sabor em consideração; as estratégias que dão certo para as pessoas com peso normal ou sobrepeso podem não ser tão eficientes para as pessoas obesas caso elas realmente extraiam mais prazer ao ingerir quantidades adicionais de alimentos", disseram os autores.

Por exemplo, os nutricionistas podem orientar os pacientes obesos a selecionar ou pesar as porções antes de começar a comer para neutralizar o efeito da diferença nas percepções marginais.

"Se o declínio da percepção marginal é mais lento para as pessoas obesas, a decisão de parar de comer pode ser postergada durante um período de consumo contínuo", escreveram eles.

Nos estudos futuros, os autores sugeriram que uma consideração fundamental deve ser: o que acontece em primeiro lugar? A obesidade ou o aumento da sensibilidade gustativa?

"Os próximos estudos também devem buscar determinar se as diferenças na percepção do sabor são uma causa de obesidade ou se a obesidade eleva a percepção de sabor marginal dos alimentos", disseram eles.

O estudo não foi financiado. Os autores informaram não ter vínculos financeiros relevantes.

J Acad Nutr Diet. Publicado on-line em 30 de julho de 2019. Abstract

Livro: Além da Nutrição: O impacto da nutrição materna na saúde das futuras gerações” - ABRAN 2019



A  ABRAN publicou uma obra intitulada “Além da Nutrição: O impacto da nutrição materna na saúde das futuras gerações”. 

O livro foi escrito com muita cautela, todo embasado em evidências robustas e aceitas na comunidade cientifica, trazendo as principais informações sobre os benefícios da suplementação durante as fases de planejamento, gestação e amamentação.

O livro é fruto do trabalho realizado por renomados profissionais da saúde, com o reconhecimento científico da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e apoio da Bayer.

Link para downloadClique aqui. 

domingo, 18 de agosto de 2019

Fake news em saúde


Nenhuma especialidade na Medicina apresenta mais fake news que a Nutrologia. Cada dia me surpreendo mais com algumas informações que os pacientes chegando questionando. Por isso sempre oriento os pacientes: SEMPRE DESCONFIEM do que veem na internet, em especial no facebook. Verifique se o texto apresenta referência bibliográfica, a credibilidade do site que compartilhou. 
Se aparenta não ser real, não compartilhe, não propague. 

A imagem acima não sei quem é o autor, é engraçada a brincadeira, mas fake news em saúde pode atrasar diagnósticos, prejudicar tratamentos e até levar à morte.  Está na dúvida, consulte um médico nutrólogo ou um nutricionista. Siga perfis de profissionais que não fazem terrorismo nutricional e prezam pelo equilíbrio. 

att

Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 | RQE 11915



Atendimento humanizado e o médico

Desconheço o autor

Médico Nutrólogo, quem pose se denominar especialista em Nutrologia ?


Deseja saber se o seu médico é realmente Nutrólogo? Leia esse texto de minha autoria: http://www.nutrologogoiania.com.br/a-nutrologia/seu-medico-e-nutrologo/

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

"Trocar" massa gorda por massa muscular ajudaria a perder peso pois aumenta o metabolismo ?



Essa postagem pode parecer um pouco árdua, a princípio, mas é uma interessante prova de conceito.

👉Não é incomum ouvir de profissionais de saúde que aumentar a massa muscular, por si só, levaria, num segundo momento, ao emagrecimento, pois estimularia o aumento do metabolismo. De fato, quem gasta mais energia no nosso corpo é o músculo, e reduzir gordura e aumentar músculo, deveria, sim, aumentar o metabolismo. 

👉O interessante é que está em desenvolvimento uma medicação muito interessante chamada bimagrumab, um anticorpo que se liga à uma substância, chamada miostatina, que em geral degrada músculo. Assim, ao se ligar à essa substância, impede que ela aja, facilitando a formação de massa muscular. Ela está sendo desenvolvida para #sarcopenia (baixa massa muscular), mas há um estudo em pessoas com #sobrepeso e resistência à insulina. 

👉De fato, a medicação é efetiva: ela aumenta a massa magra em 2,7% e reduz a massa gorda em 8%. Porém, não há reduções em peso. Se imaginarmos que essa “troca” aumentou o metabolismo, porque não houve perda de peso posterior? Provavelmente porque, ao aumentar o metabolismo, a fome aumenta na mesma proporção, mostrando como nossos sistemas são regulados! É por isso que não necessariamente quem tem metabolismo lento tem mais tendência a engordar: quem tem metabolismo acelerado tem mais fome, e reduzir o consumo pode ser tão difícil quanto! 

👉Quanto à medicação em si, essa “troca”’de gordura por músculo, é, por si só, bem interessante: houve redução da glicemia e da resistência à insulina, e é possível que outros parâmetros também melhorem. Alguns poderão dizer que é uma medicação que faria o que o #exercício faz! Não é bem assim, pois o efeito do exercício vai muito além de sua ação muscular! Mas pode ser uma opção para melhorar #massamagra em idosos ou pessoas que não podem praticar exercício regularmente. 

👉De toda forma, usei a medicação para desmistificar um conceito: que aumentar a massa magra leva, posteriormente, à maior perda de peso! 

Ref: Garito. Bimagrumab improves body composition and insulin sensitivity in IR individuals. Diab Obes Metab 2017 #massamagra #hipertrofia #ganharmusculos #perdergordura #perderpeso

Gases intestinais e distensão abdominal: queixa frequente no consultório do Nutrólogo


Talvez uma das queixas mais frequentes no meu consultório seja essa: Gases e distensão abdominal. Há anos venho me aprofundando no estudo desse sintoma, elaborando protocolos de investigação e tratamento em conjunto com outros Nutrólogos e a participação de amigos nutricionistas.

É uma queixa muito comum e muitas vezes negligenciada por alguns profissionais: médicos e nutricionistas. E muitas vezes por pura ignorância acreditam que dar probióticos pode melhorar o quadro, quando na verdade pode é piorar.

Nos últimos 3 anos é raro um dia que não atendo alguém com essa queixa. Brinco que virou o meu feijão com arroz no consultório.

Abaixo posto um vídeo de um amigo (Dr. Joffre Rezende Neto) que esclarece de forma clara e didática as principais causas de gases e distensão abdominal.

O nutrólogo geralmente é capacitado para investigar o sintoma e instituir um tratamento adequado de acordo com a etiologia. Só depois que o paciente apresenta um diagnóstico (que somente o profissional médico pode dar) encaminhamos para o Nutricionista elaborar um plano adequado para aquele quadro. 

Dr. Joffre Rezende Neto falando sobre Excesso de gases no tubo digestivo

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

USP avalia efeito da neuromodulação não-invasiva no tratamento da obesidade

Karina Toledo  |  Agência FAPESP – Uma das alternativas que têm sido testadas no tratamento da obesidade é a neuromodulação cerebral não invasiva por uma técnica conhecida como estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, na sigla em inglês). Estudos feitos até o momento indicam que o método de fato contribui para reduzir o apetite, a ingestão alimentar e o peso corporal, mas apenas em parte dos voluntários.

Novos dados publicados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) na revista Appetite ajudam a entender o motivo de tamanha variabilidade na resposta a esse tratamento.

“O perfil genético do paciente – particularmente as variações em um gene conhecido como COMT – parece ser um fator determinante para o resultado”, disse à Agência FAPESP Priscila Giacomo Fassini, primeira autora do artigo.

Durante seu pós-doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), Fassini conduziu – com apoio da FAPESP – um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, placebo-controlado para testar a eficácia da tDCS na redução do apetite e do peso. Nesse tipo de estudo, considerado padrão-ouro na avaliação de novas terapias, os voluntários são divididos aleatoriamente em dois grupos e nem mesmo os pesquisadores sabem antecipadamente quem de fato recebeu a intervenção ou apenas placebo. O trabalho foi supervisionado pela professora do Departamento de Clínica Médica Vivian Marques Miguel Suen.

A estimulação transcraniana por corrente contínua é feita por dois eletrodos (cátodo e ânodo) posicionados no couro cabeludo e ligados a um pequeno equipamento portátil capaz de gerar uma corrente galvânica que altera a atividade elétrica cerebral da área de interesse. No caso da obesidade, o objetivo é modular a excitabilidade dos neurônios localizados no córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo.

“Usamos em nosso ensaio uma corrente de apenas 2 miliamperes – tão baixa que nem é percebida pelos pacientes. Os membros do grupo placebo passavam pelos mesmos procedimentos, porém, recebiam uma corrente não ativa”, contou a pesquisadora.

Partindo de uma base inicial com quase 9 mil voluntários, o grupo selecionou 38 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, para participar das quatro fases do ensaio clínico. Todas tinham índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35, considerado como obesidade grau 1. Foram selecionadas apenas mulheres com o objetivo de reduzir a variabilidade de resultados e, assim, aumentar o poder do estudo.

“Os critérios de inclusão foram bastante rigorosos. Excluímos usuários de medicamentos e portadores de doenças que poderiam influenciar nos resultados. Além disso, como a terceira fase do estudo envolvia internação hospitalar durante duas semanas, nem todos os interessados tinham disponibilidade para participar”, disse Fassini.

Ao todo, as voluntárias selecionadas receberam 17 sessões de 30 minutos de tDCS ao longo de um mês e tiveram o apetite e o peso monitorados durante seis meses. Segundo Fassini, pesquisas anteriores haviam investigado apenas os efeitos imediatos da estimulação transcraniana no apetite, com um número menor de sessões e sem um período de seguimento.

O papel da dopamina

Na primeira fase do ensaio clínico, as voluntárias receberam uma única sessão de tDCS e, logo em seguida, foram submetidas a testes de desempenho da memória de trabalho, que permite o armazenamento temporário de informações visando o cumprimento de tarefas específicas. Segundo Fassini, o objetivo era confirmar se a região correta do cérebro estava sendo estimulada, pois o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo está relacionado tanto à memória de trabalho como à regulação do apetite. Em ambos os casos, há evidências de que o efeito da neuromodulação é mediado pela liberação de dopamina, uma das substâncias produzidas pelos neurônios (neurotransmissores).

“A dopamina desempenha um papel fundamental na regulação da recompensa alimentar, alimentação e peso corporal. Está bem estabelecido na literatura científica que alimentos apetitosos ativam o sistema de recompensa do cérebro, contribuindo para a liberação de dopamina. Ao que tudo indica, a neuromodulação é capaz de mimetizar esse efeito”, disse a pesquisadora.

Nas duas semanas seguintes, as voluntárias receberam outras 10 sessões de tDCS pela manhã (uma vez ao dia, de segunda a sexta-feira), podendo retomar a rotina normal após a intervenção. Já na terceira fase, foram internadas por duas semanas e submetidas a uma dieta hipocalórica individualizada e supervisionada, com redução de 30% da ingestão energética. Paralelamente, receberam mais seis sessões de tDCS em dias alternados (segundas, quartas e sextas-feiras).

A quarta etapa da pesquisa consistiu no acompanhamento do peso e do apetite durante os seis meses seguintes ao término da intervenção. O efeito sobre o apetite – durante e após o período de neuromodulação – foi medido por meio de escalas padronizadas para avaliação da fome, da saciedade, do desejo de comer e do consumo de alimentos.

Ilustração: Fábio Otubo

Desvendando os resultados

Após concluir toda a coleta de dados no Brasil, Fassini seguiu, com apoio da FAPESP, para um estágio de pesquisa na Harvard Medical School, nos Estados Unidos. Sob a supervisão do professor Miguel Alonso-Alonso – um dos pioneiros nos estudos com tDCS em obesidade – foi feita a análise dos resultados. Também participaram Júlio Sérgio Marchini (FMRP-USP), Sai Krupa Das (Tufts University, Estados Unidos) e Greta Magerowski (Harvard Medical School).

Com base em amostras de sangue coletadas na primeira fase do ensaio, o material genético das voluntárias foi sequenciado. Como já se conhecia a importância da dopamina para o mecanismo de ação da tDCS, o grupo decidiu investigar, nas voluntárias, a presença de formas variantes (polimorfismos) do gene COMT, responsável por codificar uma enzima – a catecol o-metiltransferase – que participa do processo de degradação desse neurotransmissor no córtex pré-frontal.

“Estudos anteriores haviam mostrado que um polimorfismo conhecido como Valina158Metionina [Val158Met] afeta a atividade da enzima, tornando-a menos eficaz para degradar a dopamina. Ou seja, em pessoas com essa variante do gene COMT, a disponibilidade de dopamina extracelular no córtex pré-frontal é maior”, disse Fassini.

De fato, os dados mostraram que as únicas participantes que apresentaram uma redução significativa do apetite ao longo do tempo foram as portadoras do alelo Met do gene COMT que receberam neuromodulação ativa. “Elas respondem melhor ao tratamento pela maior disponibilidade de dopamina, exibindo níveis mais baixos de fome, menor desejo de comer e menor consumo de alimentos ao longo do tempo”, disse Fassini.

Para a pesquisadora, porém, a descoberta mais notável do ensaio clínico foi o efeito paradoxal observado nas voluntárias que não tinham o alelo Met do gene COMT. Ou seja, nessas mulheres, a tDCS teve o efeito oposto ao esperado, aumentando a fome, o desejo de comer e o consumo alimentar durante toda a intervenção.

“Esse efeito paradoxal foi observado em avaliações repetidas e estava presente 23 horas após a administração da sessão de tDCS, e não de forma aguda. Os mecanismos potenciais subjacentes ainda não são claros”, comentou Fassini.

Os resultados também mostraram uma correlação entre o desempenho nos testes de memória de trabalho da fase 1 com a mudança de apetite de uma maneira dependente do genótipo COMT. “Melhorias de velocidade durante a tarefa de memória previram aumento de apetite em indivíduos portadores do alelo Met e redução de apetite em não portadores”, disse.

O efeito do tratamento sobre o peso corporal das participantes ainda está sendo analisado e será tema de um artigo a ser publicado em breve. “Não observamos muita diferença entre os grupos até o fim da intervenção, o que era esperado, pois todas passaram por dieta supervisionada. Contudo, estamos notando diferenças em relação à manutenção do peso nos seis meses de acompanhamento”, contou Fassini.

O grupo da FMRP-USP continua a acompanhar as voluntárias e, em breve, o estudo completará um ano.

“Esses primeiros resultados já ajudam a entender por que somente algumas pessoas respondem ao tratamento com tDCS. Vimos que diferenças genotípicas afetam a disponibilidade de dopamina e interferem totalmente no efeito da técnica. É possível que existam outros fatores, que ainda precisam ser investigados em estudos futuros”, disse Fassini.

Outra questão a ser respondida é se as alterações no funcionamento cerebral induzidas pela neuromodulação permanecem no longo prazo e alteram a plasticidade cerebral (a forma como o cérebro se organiza) de forma definitiva. Segundo a pesquisadora, esse tipo de conhecimento é fundamental para que a técnica possa ser prescrita com segurança e eficácia no tratamento da obesidade.

Embora ainda seja considerada experimental nesse contexto, a tDCS já tem sido usada na prática clínica para o tratamento de condições neuropsiquiátricas, como depressão e esquizofrenia. O método é considerado seguro e não tem efeitos colaterais conhecidos.


O artigo Appetite effects of prefrontal stimulation depend on COMT Val158Met polymorphism: A randomized clinical trial, de Priscila Giacomo Fassini, Sai Krupa Das, Vivian Marques Miguel Suen, Greta Magerowski, Júlio Sérgio Marchini, Wilson Araújo da Silva Junior, Shen Changyu e Miguel Alonso-Alonso, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195666319302193?via%3Dihub
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.