terça-feira, 11 de agosto de 2015

Qual a Diferença entre nutrólogo e nutricionista ?

Diferença entre nutrólogo e nutricionista ? por Dr. Frederico Lobo

Talvez essa seja uma das perguntas que mais ouço ao longo do meu dia, seja no consultório particular, seja no ambulatório que trabalho no SUS. Antes de tudo, quero deixar claro que AINDA não sou nutrólogo. Fiz pós-graduação de Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), porém apenas após ser aprovado na prova de título (que prestarei agora em Setembro/2015) é que poderei me intitular nutrólogo. Médico que não fez residência na área ou não tem o título de especialista, jamais pode se intitular especialista naquilo, pois configura infração ética, perante o Conselho Federal de Medicina.

Primeira diferença: A graduação

O nutrólogo é médico e nutricionista é nutricionista. A formação apesar de ser dentro da área da saúde e correlata à alimentação, possui enfoque diferente.

O médico leva 6 anos para se formar em medicina, posteriormente fica de 3 a 5 anos se especializando. O nutricionista conclui a graduação em 4 anos. Posteriormente faz pós-graduações ou residência multiprofissional com duração média de 2 anos.

Exemplo: O médico nutrólogo faz 6 anos de graduação de medicina, 2 anos de residência de clínica médica e 2 anos de residência de nutrologia. Ou então o médico tem outra formação de base, exemplo endocrinologia. Ele fez 6 anos de graduação em medicina, 2 anos de residência em clínica médica, 2 anos de residência em endocrinologia, 2 anos de residência em nutrologia OU pós-graduação da ABRAN, com posterior aprovação na prova de título de nutrologia.
Uma nutricionista clínica faz 4 anos de graduação em nutrição e depois 2 anos de pós-graduação em nutrição clínica. Ou então uma nutricionista especialista em hematologia. Ela faz 4 anos de graduação em nutrição e posteriormente residência multiprofissional em hematologia.

Segunda diferença: as áreas de atuação

A Nutrologia é uma das especialidades dentro da medicina. Dividindo-se em 2 sub-especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina: Nutrologia pediátrica e Nutrologia Parenteral e enteral. Porém a nutrologia pode adentar em praticamente todas as especialidades médicas: nutrologia geriátrica, nutrologia cardiológica, nutrodermatologia, nutrologia em doenças infecto-parasitárias, nutrologia em ginecologia e obstetrícia.

 Já o nutricionista é um profissional com formação generalista, humanista e crítica. É capacitado a atuar visando à segurança alimentar e à atenção dietética, em todas as áreas do conhecimento em que a alimentação e nutrição se apresentem fundamentais. Sua atuação visa a promoção, manutenção e recuperação da saúde através da nutrição. Além disso é parte essencial no processo de prevenção de doenças (em nível coletivo ou individual). A nutrição possui as seguintes áreas de atuação estabelecidas de acordo com a Resolução CFN nº 380/2005.
I - Alimentação Coletiva que se subdivide em:
1) Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN)
2) Alimentação Escolar
3) Alimentação do Trabalhador
II - Nutrição Clínica: Compete ao nutricionista, no exercício de suas atribuições em Nutrição Clínica, prestar assistência dietética e promover educação nutricional a indivíduos, sadios ou enfermos, em nível hospitalar, ambulatorial, domiciliar e em consultórios de nutrição e dietética, visando à promoção, manutenção e recuperação da saúde. Podendo o nutricionista clínico atuar em: 1) Hospitais, clínicas em geral, clínicas em hemodiálises, instituições de longa permanência para idosos e SPA; 2) Ambulatórios/consultórios; 3) Banco de leite humano (BLH); 4) Lactários/centrais de terapia nutricional; 5) Atendimento domiciliar.
III - Saúde Coletiva: Compete ao nutricionista, no exercício de suas atribuições na área de Saúde Coletiva, prestar assistência e educação nutricional a coletividades ou indivíduos sadios, ou enfermos, em instituições publicas ou privadas e em consultório de nutrição e dietética, através de ações, programas, pesquisas e eventos, direta ou indiretamente relacionados à alimentação e nutrição, visando à prevenção de doenças, promoção, manutenção e recuperação da saúde.
IV - Docência:
V - Atuação nas indústrias de alimentos:
VI - Nutrição Esportiva:
VII - Marketing na Área de Alimentação e Nutrição:

Terceira diferença: o tipo de diagnóstico 

Legalmente o nutricionista fica limitado ao diagnóstico nutricional (de acordo com a Lei nº 8234 de 17/09/1991 que regulamenta a  nutrição), enquanto o médico ao diagnóstico nosológico (da doença), mas também pode dar o diagnóstico nutricional, além de ser o responsável por instituir a terapêutica.

Quarta diferença: solicitação de exames

Ambos os profissionais podem solicitar exames laboratoriais para elucidação diagnóstica.
Entretanto o nutricionista não podem solicitar exames de imagem, eletrocardiograma, teste ergométrico, monitorização ambulatorial da pressão arterial, holter, exames laboratoriais que necessitem de monitoração médica durante a realização, polissonografia.

Mas os nutricionistas possuem competência legal para solicitar exames laboratoriais?  A resposta é Sim. Ele podem solicitar os exames necessários ao diagnóstico nutricional, à prescrição dietética e ao acompanhamento da evolução nutricional. Isso está prescrito nas seguintes normatizações: Lei Federal 8.234/91, artigo 4º, inciso VIII, Resolução CFN nº 306/03, Resolução CFN nº 380/05 e Resolução CFN nº 417/08. Exames que geralmente nutricionistas solicitam: Hemograma, Uréia, Creatinina, Ácido úrico, Glicemia de jejum, Insulina, Perfil lipídico, Transaminases, Gama-GT, Proteínas totais e frações, Dosagem sérica ou urinária de vitaminas, minerais, marcadores inflamatórios que tenham correlação com nutrientes como a homocisteína.

Enquanto a solicitação de exames por parte dos nutricionistas é limitada aos aspectos nutricionais, para o médico, ela é bem mais abrangente. E quase sempre exames não-laboratoriais são cruciais para a conclusão de alguns diagnósticos.

Quinta diferença: o arsenal terapêutico 

O nutricionista tem como arsenal terapêutico:
  1. Orientações nutricionais com educação em saúde;
  2. Plano dietético;
  3. Prescrição de suplementos orais desde que respeitem as doses estabelecidas pela Agência nacional de vigilância sanitária (ANVISA). Os Níveis Máximos de Segurança de Vitaminas e ou Minerais estão dispostos no anexo da Portaria SVS MS 40/1999. 
  4. Prescrição de plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos: a prescrição de fitoterápicos e preparações magistrais, a partir de 2016, será uma atribuição exclusiva do nutricionista portador de título de especialista ou certificado de pós-graduação lato sensu. A prescrição de plantas medicinais e drogas vegetais pode ser realizada por nutricionista sem especialização.
É vedado ao nutricionista a prescrição de:
  1. Produto que use via de administração diversa do sistema digestório;
  2. Medicamentos ou produtos que incluam em sua fórmula medicamentos;
  3. Medicamentos à base de vitaminas e minerais sujeitos a prescrição médica;
  4. Suplementos com quantidades de nutrientes superiores aos níveis máximos regulamentados
  5. pela Anvisa ou na falta destes o Tolerable Upper Intake Levels – UL;
  6. Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica conforme a Instrução Normativa nº 5, de 12 de dezembro de 2008 da ANVISA
  7. Produtos que não atendam às exigências para produção e comercialização regulamentadas
  8. pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (exemplo suplementos importados que não foram aprovados pela ANVISA, por exemplo DHEA, Melatonina etç).
O médico nutrólogo tem além do arsenal citado acima:
  1. Prescrição de suplementos em doses mais altas ou exclusivos para prescrição médica;
  2. Prescrição de vitaminas, minerais e ácidos graxos em doses medicamentosas, que muitas vezes excedem as doses estabelecidas pela ANVISA. Exemplo: Citoneurim fornecendo 1mg de vitamina B12. Ácido fólico de 5mg prescrito na gestação. Ácido alfa-lipóico de 600mg prescrito para neuropatia diabética.
  3. Prescrição de: antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos, antitérmicos, corticóides, hipoglicemiantes, anti-hipertensivos, antiarritmicos, antiulcerosos, psicotrópicos, medicações endovenosas, intramusculares, nasais ou tópicas.
  4. Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica conforme a Instrução Normativa nº 5, de 12 de dezembro de 2008 da ANVISA :
  • Arctostaphylos uva-ursi (uva-ursina)
  • Cimicifuga racemosa (cimicífuga)
  • Echinacea purpurea (equinácea)
  • Ginkgo biloba (ginkgo)
  • Hypericum perforatum (hipérico)
  • Piper methysticum (kava-kava)
  • Serenoa repens (saw palmeto)
  • Tanacetum parthenium (tanaceto)
  • Valeriana officinalis (valeriana)
Aqui faço um adendo a um tema recorrente e que frequentemente vejo na prática clínica. Nutricionistas que trabalham com médicos que prescrevem anabolizantes e estimulam o uso.

A prescrição, sugestão ou incentivo de medicamentos do grupo terapêutico dos esteróides ou
peptídeos anabolizantes, quando realizada por nutricionista, pode ser enquadrada como CRIME
contra a saúde pública, crime de exercício ilegal da medicina e crime de tráfico ilícito de drogas.
Conforme: artigos 278 e 282 do Código Penal Brasileiro; Lei nº 11.343/2006 que define drogas como “substâncias ou produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União”; Portaria SVS/MS nº 344/1998, que incluem os esteroides e anabolizantes na lista de drogas e entorpecentes; e Lei nº 9.965/2000, que restringe a venda de esteroides ou peptídeos anabolizantes e dá outras providências e estabelece que estes só devem ser prescritos por médicos ou odontólogos em situações especificas.

Sexta diferença: prescrição de dietas

O nutrólogo trata das doenças ligadas à ingestão alimentar (doenças nutricionais). O diagnóstico destas doenças deve ser feito por médicos e tratadas por médicos. Só depois de um diagnóstico, o médico encaminhará o paciente ao nutricionista para solicitar o acompanhamento nutricional.

Segundo parecer jurídico do Conselho Federal de Medicina, o médico está habilitado a prescrever dietas apenas em casos de doenças. Ou seja, quando envolve estética, é vetado a ele. O Conselho Federal de Nutrição não entende dessa forma e defende que a prescrição de dieta via oral seja atividade privativa da nutrição, conforme a lei que regulamenta a profissão. Essa discussão na minha humilde opinião, acabará no Supremo Tribunal de Federal, já que há quase 1 século e meio, o primeiro item da prescrição médica é a dieta. Médicos vinham fazendo isso nos últimos 150 anos. A Nutrição surgiu assim como a fisioterapia, com a função de auxiliar a medicina.

Não nego que o profissional mais habilitado para manejar alimentos e a prescrição deles sejam os colegas nutricionistas. Assim como reconheço que o profissional mais habilitado para manejar doenças nutricionais seja o nutrólogo. Mais habilitado e com abordagem mais completa, visto que inúmeras doenças nutroneurometabólicas dependem de intervenção medicamentosa e como já citado acima, apenas o médico poderá prescrever a medicação.

Abrangência da nutrologia e o que o nutrólogo trata

A abrangência de atuação dos nutrólogos envolve:
  1. diagnosticar e tratar as doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas)
  2. Identificar possíveis “erros” alimentares, hábitos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as interrelações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas;
O nutrólogo pode atuar tanto em nível ambulatorial (consultório) quanto em nível hospitalar (pacientes em enfermaria ou na Unidade de terapia intensiva). Podendo também atuar em nível de domicílio, no caso dos pacientes acamados.  Quando a atuação se dá no ambulatório denominamos de nutrologia clínica, enquanto a dentro de hospitais, de hospitalar.

As principais patologias tratadas na nutrologia clínica são:
  1. Obesidade infanto-juvenil e Obesidade do adulto;
  2. Desnutrição do adulto, da criança e do idoso;
  3. Acompanhamento pré e pós-cirurgia bariátrica;
  4. Dificuldade para ganho de massa magra (adolescentes, adultos);
  5. Sarcopenia, Osteopenia e Osteoporose do idoso e em jovens;
  6. Transtornos alimentares: Anorexia nervosa, Bulimia nervosa, Vigorexia, Ortorexia, Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), Síndrome do Comer Noturno;
  7. Intolerância à glicose e Diabetes mellitus tipo 2;
  8. Dislipidemias: hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia;
  9. Síndrome metabólica;
  10. Esteatose hepática não-alcóolica (fígado gorduroso);
  11. Alergias alimentares;
  12. Intolerâncias à lactose;
  13. Erros inatos do metabolismo;
  14. Anemias carenciais (Ferropriva, por deficiência de B12, ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A, por metais tóxicos);
  15. Intoxicação crônica por metais tóxicos: Alumínio, Chumbo, Mercúrio, Arsênico, Cádmio;
  16. Deficiência e excessos de macronutrientes e micronutrientes;
  17. Criança com baixo peso;
  18. Constipação intestinal e Diarréia crônica;
  19. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos;
  20. Distensão abdominal crônica (gases intestinais);
  21. Disbiose intestinal e Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO);
  22. Síndrome do intestino irritável;
  23. Fadiga crônica;
  24. Orientações nutrológicas para nefropatas, hepatopatas, pneumopatas, cardiopatas;
Portanto, se você tem alguma dessas condições eu te oriento primeiro a procurar um nutrólogo para fechar o diagnóstico e determinar o tipo de terapêutica a ser utilizada. Posteriormente procurar um nutricionista com experiência em nutrição clínica, para que ele possa instituir uma abordagem nutricional para o seu caso e acompanha-lo paralelamente com o nutrólogo.

Exemplos de atuação do nutrólogo

Uma forma  simples de explicar a diferença é através de exemplos. Imaginemos um paciente:
Sexo masculino, 25 anos, 1,80 110kg. Com queixa de obesidade, irritabilidade, deita tarde, sonolência durante o dia, sensação de que o sono não foi reparador, cansaço, diminuição da libido, alta ingestão de álcool nos finais de semana, baixa ingestão de água, hábitos alimentares errôneos.
História familiar de doenças cardiovasculares e diabetes tipo II. Tem apresentado elevação da pressão arterial ocasionalmente e aumento da frequência cardíaca.

A primeira conduta seria verificar quais as possíveis patologias podem estar presentes. Além da solicitação de exames para verificar como está a pressão arterial e atividade eletrofisiológica cardíaca. Isso um nutricionista conseguiria fazer? Não. Ou seja, o básico e essencial já estaria prejudicado caso o paciente recorresse primeiramente ao colega nutricionista. O risco cardiovascular desse paciente seria subestimado e isso poderia culminar em um desfecho desfavorável. A questão do sono é de crucial importância. A solicitação de uma polissonografia é crucial para determinar se o sono apresenta alterações como apnéia. Pois se o mesmo apresentar uma apnéia de moderada a grave, tanto a oscilação da pressão, quanto alteração na libido como irritabilidade podem ter uma justificativa. A apnéia deve ser corrigida. A pergunta é: o colega nutricionista vai intervir nisso? Ele sabe manejar isso? Não ! Ele sabe manejar parcialmente a obesidade, dentro do biônimo dieta + atividade física. E se esse paciente não responde bem apenas à dieta combinada com atividade física? E se esse paciente apresenta associado ao quadro, episódios de compulsão alimentar e faz-se necessário um tratamento medicamentos? Ele vai conseguir intervir? Mais uma vez, a resposta é não.

Vejam que em nenhum momento retiro a importância crucial do colega nutricionista no tratamento. A correção dos hábitos alimentares assim como a educação em saúde são fundamentais, sendo pilares no tratamento. Mas até que se institua o tratamento, várias coisas devem ser investigadas. Não apenas a ponta do iceberg (sinais e sintomas), como muitos nutricionistas e nutrólogos exercem.

Medicina nutricional se faz assim, com investigação minuciosa, compreensão das interrelações entre vias bioquímicas. Assim como nutrição clínica se faz com abordagem holística. Um profissional complementa o outro e quem ganha com isso é o paciente.


Autor: Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13.192)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Atividade física e TDAH em crianças

A atividade física pode melhorar os sintomas de pacientes com TDAH

Uma recente revisão sistemática avaliou estudos de investigação sobre o impacto e os efeitos benéficos de diferentes tipos de exercício sobre as crianças com Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e forneceu recomendações para as comunidades científicas e terapêuticas.

Foram revistos diversos artigos diferentes, que avaliaram os mais diversos tipos de atividade física, com intensidades variadas.

Os estudos, em sua maioria, encontraram efeitos benéficos dos exercícios com o funcionamento social e os sintomas dos pacientes.

Embora o projeto e as intervenções de exercício caracterizados nestes estudos variassem consideravelmente, todos mostraram que o exercício reduziu os sintomas de TDAH e levou a melhorias no comportamento social, nas habilidades motoras, na força e nos parâmetros neuropsicológicos.

Fonte: Acta Paediatrica, Volume 103, Issue 7, páginas 709-714, jul 2014

Influência da atividade física na prevenção de demências


Excelente post do meu amigo e tio (Dr. Reinaldo Nunes)

Novas pesquisam mostram que ser fisicamente ativo não só reduz o declínio cognitivo e melhora os sintomas neuropsiquiatricos em pacientes com Demência, mas podem realmente reduzir biomarcadores, incluindo amiloide e proteína Tau no cérebro de pacientes com Alzheimer.

Parte dessa nova pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer(AAIC).

Pesquisadores apresentaram resultados em teste neuropsiquiatricos : melhora de sintomas em 66 pacientes com Alzheimer leve a moderado que tiveram pelo menos 80% de adesão a um programa de exercícios aeróbios e mantidos a pelo menos 70% de sua freqüência máxima.

A melhora nestes pacientes foi significativa, mesmo naqueles que foram menos aderentes e não conseguiram obter a freqüência cardíaca prevista em relação ao grupo controle

O que é que a castanha do Pará tem?


Quem não conhece a castanha do pará? Também conhecida como castanha do Brasil. Seu principal atributo está na presença de selênio, que atua no combate os radicais livres. Embora esse nutriente tenha sua principal função ligada à atividade antioxidante, ele também atua no metabolismo da tireoide, uma vez que ele é essencial à atividade da deiodinase tipo II, que transforma os hormônios T4 em T3 (mais ativo).

Além do selênio, a castanha do Para possui uma série de nutrientes como as vitaminas do complexo B e E, fósforo, fibras e gorduras boas. Entre os benefícios, estão o antienvelhecimento precoce (ajuda no controle do tamanho dos telômeros), a melhora do sistema imunológico como um todo e a capacidade de evitar o surgimento de doenças como o Alzheimer.

Mas atenção! Ela não pode ser consumida em excesso devido aos possíveis efeitos adversos, o selênio é tóxico em doses elevadas, acima de 400µg ao dia. Isso pode ocorrer porque em cada castanha do para encontramos de 50 a 118µg. A toxicidade do selênio está associada a fragilidade, perda de cabelo e unha, irritabilidade, fadiga, aborto e infertilidade.

A recomendação de consumo de castanha do para é de 2 a 3 castanhas ao dia. Mas essa recomendação deve ser individualizada. Por isso, converse sempre com seu nutricionista para que ele possa recomendar o específico para você, ok?

Autora: Dra. Rita de Cassia Castro

Os produtos lácteos aumentam a eficácia dos probióticos

O sucesso dos probióticos para impulsionar a saúde humana pode depender, em parte, da comida, da bebida, ou de outro materiais levando probióticos, de acordo com a pesquisa publicada na Applied and Environmental Microbiology, um jornal da American Society for Microbiology.

"Nossos achados indicam que a maneira pela qual um probiótico é administrado - se no alimento ou na forma de suplemento alimentar ou - poderia influenciar o quão eficaz é esse probiótico para proporcionar os benefícios de saúde desejados", disse a autora para correspondência Maria Marco, PhD, professora associada ao Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, da Universidade da Califórnia em Davis.

No estudo, os investigadores investigaram a cepa probiótica Lactobacillus casei BL23 em um modelo de rato de colite, ou inflamação do cólon. Os ratos que ingeriram o probiótico no leite tinham reduzido os sintomas em comparação com aqueles que foram alimentados com leite sem o probiótico, e os que receberam o probiótico dentro de um suplemento não alimentar.

Os investigadores também fizeram um censo da microbiota antes e depois da ingestão de L. casei. "Isto não alterou significativamente as populações ou diversidade das bactérias intestinais residentes, sugerindo que os benefícios do probiótico envolvem um efeito directo de L. casei, ou de um produto metabólico destas bactérias sobre o epitélio do intestino, em vez de uma alteração global da microbiota intestinal nativa, disse Marco.

"As cepas de L. casei são comumente adicionadas aos produtos lácteos como probióticos e, enquanto a cepa BL23 não está disponível comercialmente, é geneticamente similar às cepas comerciais e também tem sido estudada por sua capacidade de prevenir ou reduzir a inflamação intestinal", acrescentou.

Segundo os pesquisadores, os produtos lácteos são as matrizes de alimentos mais populares para cepas probióticas. "Notavelmente, a questão de saber se faz alguma diferença consumir probióticos em produtos lácteos, em vez de outros alimentos ou suplementos nutricionais não foi sistematicamente ou mecanicamente investigado em estudos clínicos ou pré-clínicos. "Como sabemos que as bactérias podem se adaptar a seu ambiente, pensamos que as condições a que os probióticos são expostos antes da ingestão poderiam influenciar a sua capacidade de manter ou melhorar a saúde humana".

Fonte: http://www.medicalnewstoday.com/releases/296986.php

Uma noite sem dormir pode alterar os genes do relógio biológico nos tecidos

Investigadores suecos da Universidade de Upsala e do Instituto Karolinska descobriram que os genes que controlam os relógios biológicos nas células de todo o organismo são alterados depois de perder uma só noite de sono. Os resultados de seu estudo serão publicados no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.

"Pesquisas prévias demonstraram que nosso metabolismo é afetado negativamente pela perda de sono e esta foi associada a um incremento no risco de obesidade e diabetes de tipo 2. Dado que a ablação dos genes do relógio nos animais pode causar estes estados patológicos, nossos resultados atuais indicam que as mudanças em nossos genes do relógio podem estar associados a esses efeitos negativos causados pela perda de sono", diz Jonathan Cedernaes, autor principal no estudo e investigador na Universidade de Upsala.

Para o estudo, os investigadores analisaram a 15 homens saudáveis de peso normal que em duas ocasiões separadas foram ao laboratório para permanecer quase duas noites. Durante a segunda noite, os participantes dormiram em forma habitual (mais de oito horas) em uma das duas sessões, enquanto que se mantiveram acordados na outra dessas sessões, mas em ordem aleatória. Para minimizar a influência de diversos fatores ambientais, controlaram-se rigorosamente as condições de luz, a ingestão de alimentos e os graus de atividade no laboratório e os participantes foram limitados à cama quando se mantiveram acordados.

Depois da segunda noite nas duas ocasiões em que os homens foram estudados, obtiveram-se pequenas amostras de tecido adiposo superficial no ventre e de músculo da coxa, duas classes de tecido que são importantes para regular o metabolismo e controlar as concentrações de açúcar em sangue. Do mesmo modo, obtiveram-se amostras de sangue antes e depois que os participantes tinham consumido uma solução de açúcar para avaliar sua sensibilidade à insulina, um procedimento que no geral é realizado para descartar a apresentação de diabetes ou um estado metabólico chamado alteração da sensibilidade à insulina, que pode preceder ao diabetes tipo 2.

As análises moleculares das amostras de tecido obtidas demonstraram que a regulação e a atividade dos genes do relógio eram alteradas depois de uma noite de perda de sono. A atividade dos genes é regulada por um mecanismo chamado epigenético. Isto implica alterações químicas na molécula do DNA como os grupos metilo -um processo chamado metilação- que regula a forma em que os genes são ativados ou inativados. Os investigadores descobriram que os genes do relógio tinham um número crescente de tais marcas de DNA depois da perda de sono. Também observaram que estava alterada a expressão dos genes, que é indicativa de quanto produto de genes é elaborado.

"Até onde sabemos, somos os primeiros em demonstrar diretamente que as mudanças epigenéticos podem ocorrer depois da perda de sono em seres humanos, mas também nestes tecidos importantes", diz o Dr. Cedernaes. "É interessante que a metilação destes genes poderia alterar-se com essa rapidez, e que poderia ocorrer para estes genes do relógio biológico metabolicamente importante", continua.
As mudanças que os investigadores observaram foram, não obstante, diferentes no tecido adiposo e no músculo esquelético. "Isto poderia assinalar que estes relógios moleculares importantes já não estão sincronizados entre esses dois tecidos", diz o Dr. Cedernaes. "O 'assincronismo de relógio' entre os tecidos por si só foi associado a alterações metabólicas, por isso isto poderia indicar que estas mudanças específicas de tecidos estavam associadas a alterações da tolerância ao glicose que nossos participantes mostraram depois da noite que se mantiveram acordados".

Os investigadores nesta etapa não sabem o quão persistentes são estas mudanças. "Poderia ser que estas mudanças se restabelecessem depois de uma ou várias noites de sono satisfatório. Por outra parte, as marcas epigenéticas parecem poder funcionar como uma espécie de memória metabólica e se observou que são alteradas, por exemplo, em trabalhadores por turnos e pessoas que padecem diabetes tipo 2", afirma o Dr. Cedernaes. "Isto poderia significar que pelo menos alguns tipos de perda de sono ou de vigília estendida, como no trabalho por turnos noturnos, poderiam levar a mudanças no genoma dos tecidos que pode afetar o metabolismo por períodos mais prolongados", terminou dizendo o Dr. Cedernaes.

Referências: Jonathan Cedernaes et al, Acute sleep loss induces tissue-specific epigenetic and transcriptional alterations to circadian clock genes in men. JCEM. DOI:10.1210/JC.2015-2284

Fonte: http://www.medicalnewstoday.com/releases/297117.php

Hortas caseiras melhoram a qualidade da alimentação e criam uma nova relação das pessoas com o que comem

Nunca se buscou tanto uma alimentação saudável como agora. O aumento da longevidade e o avanço da medicina trouxeram a esperança por mais dias de vida e “a receita” para alcançá-los. A ciência já juntou A mais B para dizer como a escolha do que comer pode ser definidora de mais saúde e qualidade de vida. A atenção ao que se come ganhou outra dimensão e hoje, para muita gente, é essencial saber como alhos e bugalhos foram plantados, tratados e colhidos, até chegar ao prato. É nesse contexto que as hortas caseiras vão ganhando espaço, mesmo quando ele é tão pequeno para plantar tudo o que se deseja. Nutricionistas defendem que faz toda a diferença comer o que se planta, e quem entende de horta deixa claro: “Sim, é possível comer a alface que você viu germinar”.

A fisioterapeuta Nádia Fadini Serpa se considera uma “espalhadora de hortas”. Por gostar de cozinhar, já ensaiava plantar os temperos que sempre saía para buscar no meio de suas preparações. Mas o diagnóstico de um câncer e a necessidade de melhorar a alimentação foram definidores para enfiar a mão na terra. Depois da sua horta, ela já montou uma para o prédio onde mora, uma na casa da mãe e outra para a sogra. E é com essa mesma boa vontade que compartilha suas dicas com o Bem Viver. A horta de Nádia é um sucesso, mesmo em um apartamento pequeno. Uma prova de que é possível para todo mundo.

HORTALIÇAS 

As hortas, claro, se adequam à quantidade de terra que se tem para oferecer. Cabe a quem planta e colhe escolher o mais apropriado à sua realidade e, claro, ao seu gosto. Uma das graças da horta é exatamente essa personalização: tem-se à mão o que mais se gosta. Pequenas hortas de ervas são as mais comuns, mas é possível ir além. Dá para plantar cenoura, embora as hortaliças folhosas sejam as de mais fácil cultivo. Aliás, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as hortaliças são aquele grupo de plantas de ciclo biológico curto, consistência tenra de folhas, não lenhosas e não cultivadas em áreas extensas, se comparadas a grandes culturas, como a soja. Popularmente, são conhecidas como verduras e legumes, sendo incluídas nesse grupo a batata, a batata-doce, o milho doce e verde, o melão, o morango e a melancia.

Preparamos um manual com dicas essenciais para quem quer começar. Anime-se! Sua comida vai ficar mais gostosa, e sua saúde, mais em dia.

FEIRA MODERNA

Para quem planeja ter uma horta em casa, a rede de alimentação saudável Salad lançou uma nova edição do Guia salad ou manual prático - Como fazer sua horta. O aplicativo para tablet e smartphone é gratuito e está disponível na App Store e Google Play. Com simplicidade, o objetivo é ensinar o usuário a criar e a manter uma horta orgânica em casa.

Marmita verde 
Além do ganho com a alimentação mais saudável, o cultivo de hortaliças e legumes é sustentável, pois diminui a emissão de poluentes com o transporte, por exemplo

Hortas em pequenos espaços vêm ganhando adeptos há muito tempo. O movimento, iniciado em grandes metrópoles mundiais, começou transformando lajes fora de atividade em telhados verdes. Em Londres, o hábito vem desde o fim dos anos 1980, com lotes vazios transformados em hortas comunitárias, com tarefas e produção compartilhadas. Mais recentemente, a disseminação de informação, a troca de experiência nas redes sociais e o comprometimento de alguns grupos com a oferta de oficinas gratuitas ampliaram o fenômeno, que ganhou ainda mais força com a moda das marmitas “repaginadas”. O mercado também está de olho na tendência: em Belo Horizonte, há imóveis de luxo com hortas planejadas para cada unidade. As pessoas descobriram que é possível ter mais do que um vasinho de manjericão na janela.

Segundo a doutora em botânica Marina Neiva Alvim, coordenadora do projeto Verde Comunitário, projeto de extensão do curso de biologia do Centro Universitário Izabela Hendrix, é possível manter um manejo agroecológico em uma horta caseira, sem uso de insumos químicos comuns na agricultura tradicional. “Escolhemos plantas que têm afinidade uma com a outra, aquelas que afastam pragas e, claro, o que mais se gosta de comer. O resultado são alimentos mais frescos e um maior acesso a nutrientes, porque o metabolismo da planta os destrói com o passar do tempo e o que compramos no supermercado não tem a mesma qualidade do que cultivamos”, explica. Para Marina, além do ganho com uma alimentação mais saudável, há um benefício indireto. “Quando plantamos o que comemos estamos diminuindo a emissão de poluentes com o transporte de alimentos”, diz.

As hortas caseiras são ainda uma ótima maneira de reciclar vasilhames. Segundo Marina, quase tudo dá para plantar em garrafas PET, colocadas de pé ou deitadas, em função do modo como cresce a raiz da planta. A única limitação é o sol: as hortaliças, em geral, precisam de três a cinco horas diárias de sol direto. O da manhã é o ideal, mas, se no seu apartamento ele só bate à tarde, também vai dar certo. No projeto Verde Comunitário, o plantio foi adaptado à realidade das moradias. “É possível plantar sem furar os vasos para a drenagem, já que isso sujaria as áreas e paredes dos apartamentos. Defendemos que quem planta aprenda a irrigar de forma a não encharcar o solo”, explica a especialista. A fisioterapeuta Nádia Serpa, de 36 anos, vê nesse cuidado uma forma de se envolver ainda mais com a produção do que se come.

MAIS VALOR 

Além de mais ricas em nutrientes, as hortaliças cultivadas pelo próprio consumidor aproximam o homem do seu alimento. Rosamara de Souza Gonçalves, coordenadora estadual da Fundação Mokiti Okada, que mantém o programa Horta em vasa e vida saudável, a vivência e o contato com a hortaliça é um dos objetivos. “Nossa filosofia é aproximar pessoas e natureza. Somos seres naturais e, quando plantamos nossa própria comida, nos aproximamos dessa essência”, defende. Fora o aspecto social. Nádia, por exemplo, se aproximou mais dos vizinhos do prédio desde que propôs fazer uma pequena horta de temperos na área comum. “Até o cheiro do lugar fica melhor”, comemora.

Oficinas gratuitas

Plantio em espaços alternativos
Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar de Belo Horizonte
Telefone: (31) 3277-4851/4779

Germinação e cultivo
Projeto Verde Comunitário, do Centro Universitário Izabela Hendrix
E-mail: verde.comunitario@izabelahendrix.edu.br

Programa Horta em casa e vida saudável
Fundação Mokiti Okada
E-mail: rosa_adv@yahoo.com.br

TRÊS PERGUNTAS PARA... Gabriela Kapim - nutricionista e apresentadora do programa Socorro, meu filho come mal

1) Qual é o consumo diário de hortaliças recomendado para uma alimentação saudável? Qual deve ser a quantidade, a qualidade e a variedade?

É importante comer de cinco a seis hortaliças e de três a quatro frutas por dia, preferencialmente orgânicos. Esse consumo deve ser o mais variado possível, quanto ao tipo, cor, consistência e forma de preparo. Uma hortaliça, por exemplo, pode ser comida crua, assada ou cozida.

2) É possível alcançar esse consumo exclusivamente por meio de uma horta caseira? Se for preciso recorrer a outra fonte, qual a orientação?

Dificilmente conseguimos tudo em uma horta própria, principalmente no caso das frutas. O ideal é que tudo seja orgânico, mas, se não for possível, é melhor comer sem ser orgânico do que deixar de comer esses alimentos.

3) Em função dos pequenos espaços disponíveis para cultivo, o que você indica para plantio, de forma a garantir um consumo variado e equilibrado em termos de nutrientes?

As verduras são mais fáceis de se cultivar em uma horta caseira do que os tubérculos, que precisam de mais profundidade. Se o espaço for pequeno e não der para investir em uma variedade, acho uma hortinha de temperos bem bacana. Ter ervas orgânicas e frescas já faz toda a diferença no sabor das preparações. Além disso, com mais temperos à disposição, dá para variar nas receitas e diminuir o sal. Mas é preciso ter atenção para fazer uma horta já com sementes orgânicas.

Hortas em pequenos espaços 

O desenvolvimento de uma planta está diretamente relacionado ao seu potencial genético, ao manejo da cultura e aos fatores ambientais. O sucesso de sua colheita, portanto, depende de cuidados com todos esses aspectos


MATERIAL NECESSÁRIO

A escolha do minicanteiro depende do espaço disponível e da adequação à hortaliça. Seja qual for, o ideal é ter 20cm de profundidade. Algumas opções:

• tambores de latão ou de plástico
• canteiros de madeira suspensos
• latas e vasilhames recicláveis
• jardineiras de alvenaria
• canos de PVC
• garrafas PET
• baldes
• pneus

LUMINOSIDADE E TEMPERATURA

A luz é, provavelmente, o fator ambiental mais importante para o crescimento e a floração das plantas. Em função de sua necessidade de luminosidade, elas são divididas em plantas de dias longos, que precisam de maior tempo de exposição (cebola e alho); plantas de dias curtos, que necessitam de menor exposição (hortaliças folhosas, pimentas e pimentões) e neutras, que se desenvolvem bem em qualquer condição (tomate e quiabo).

BOAS OPÇÕES

• Hortaliças com parte aérea comestível e ciclo de vida curto: coentro, cebolinha, salsa, alface, chicória, almeirão, rúcula e espinafre
• Condimentares: alecrim, hortelã, erva cidreira, manjericão, alfavaca
• Hortaliças fruto: pimentão, tomate e pimenta
• Tubérculos: embora possível, não é recomendado para pequenos espaços, por necessitarem de canteiros com maior profundidade

PLANTIO DIRETO X MUDAS

As sementes podem ser plantadas diretamente no canteiro no caso de hortas em pequenos espaços. Coloque até três sementes por cova, em uma profundidade de até 1,5cm, ou distribuídas em sulcos com profundidade máxima de 1cm. Quando as mudas apresentarem de três a quatro folhas definitivas, realize o desbaste ou raleio das hortaliças, arrancando as mais fracas e deixando as demais num espaçamento próximo ao recomendado. Tenha cuidado para não afetar as raízes, puxando as mais fracas lentamente pela base. Regue logo após o procedimento. Se preferir, faça a horta a partir de mudas, colocando as sementes em copos descartáveis, com substrato próprio para cultivo de mudas. Geralmente, as mudas devem ser transplantadas para o canteiro quando tiverem de três a quatro pares de folhas definitivas.

NUTRIENTES

A falta ou insuficiência de alguns nutrientes atrasa o desenvolvimento ou impossibilita a planta de completar o seu ciclo de vida. Podem ser divididos em macronutrientes, necessários em maior quantidade (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes, em menor quantidade (carbono, cobre, cloro, manganês, zinco, molibdênio e ferro). É preciso cuidar ainda do índice de acidez (se o pH do solo não estiver na faixa adequada, entre 5,5 e 6,5, a raiz não consegue absorver os nutrientes, sendo necessário acrescentar calcário); umidade; disponibilidade dos nutrientes; aeração e temperatura do solo (a faixa favorável à absorção está entre 20°C e 35°C).

PREPARO DO SOLO

1º) Colete terra de barranco, de 20cm a 30cm de profundidade (considerada solo pobre, com pH baixo e livre de sementes de ervas daninha). Peneire para separar as partículas mais finas dos torrões.

2º) Escolha o adubo orgânico (esterco de boi ou cama de frango, desde que bem curtidos, para evitar contaminação) e o adubo químico (granulado NPK 4-14-8, de preferência, ou termofosfatado).

3º) Para cada 50 litros de terra de barranco, acrescente 100 gramas de calcário ou cal hidratada; 34 litros de esterco de gado ou 17 litros de esterco de galinha; 200 gramas de NPI, 4-14-8 ou 200 gramas de adubo termofosfatado.

SOLO ADEQUADO

Um solo fértil deve ter uma quantidade razoável de matéria orgânica, reter água e ser permeável e apresentar os minerais essenciais para o cultivo. Caso contrário, é recomendado acrescentar adubos orgânicos (fezes de animais ou restos vegetais) ou químicos (compostos de nitrogênio, fósforo e potássio), ou misturá-lo a solos mais férteis e regá-lo frequentemente. O solo ideal para plantas é uma mistura do arenoso (menor quantidade) e argiloso (maior quantidade). No entanto, a maior parte dos utilizados para o cultivo de hortaliças são os chamados terra de barranco, terra virgem ou solo virgem, geralmente de coloração vermelha ou amarelada e de baixa fertilidade.

IRRIGAÇÃO

O bom controle da irrigação é essencial, com o cuidado de não encharcar o solo. Se ele estiver pouco arejado, a respiração e produção de energia das plantas será prejudicada. Hortaliças, plantas de ciclo curto, precisam de irrigação constante, que varia com sua idade. Na produção de mudas, ela deve ser diária, com pouca água e maior frequência três vezes por dia. Com o desenvolvimento das plantas, a irrigação deve ser diminuída em frequência e aumentada em volume: as jovens devem receber água uma vez ao dia, e as adultas, de três a quatro vezes por semana. Com clima ameno, a frequência de irrigação deve ser menor; com temperaturas elevadas, maior

ONDE CULTIVAR

O plantio de hortas em pequenos espaços é uma alternativa ao método tradicional para quem não tem disponibilidade de canteiros. O cultivo deve ser feito onde há sol em pelo menos um período do dia (cerca de cinco horas) e luminosidade para a fotossíntese. Desde que atenda esses quesitos, é possível plantar em corredores externos, sacadas e beirais, varandas, janelas, terraços, garagens e fundos de quintal.


As pragas mais comuns em hortaliças são larvas e lagartas; pulgões; percevejos; besouros; mosca-branca; cochonilhas; paquinhas, grilos, gafanhotos e formigas; tripes; cupins, ácaros, lesmas e caracóis. Já as doenças mais recorrentes são provocadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides. Para evitá-los, deve-se garantir que a terra não esteja contaminada. No caso de ataque de pragas e incidência de doenças, alguns produtos naturais ou de preparo caseiro podem auxiliar, como o óleo ou extrato de plantas como neem, fumo, pimenta, cebola, cravo-de-defunto e camomila, além das caldas de sabão neutro ou sulfocálcica. O cultivo de plantas repelentes em torno também ajuda, como coentro, cebolinha, cravo-de-defunto e camomila. Tanto defensivos químicos quanto naturais demandam cuidado na utilização e um período de carência para consumo: cinco dias


Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/06/14/noticia_saudeplena,153756/hortas-caseiras-melhoram-a-qualidade-da-alimentacao-e-criam-uma-nova-r.shtml

Produção de copo de plástico gasta mais água do que lavar copo de vidro

A atitude de optar por copos de plástico no lugar dos de vidro, que tem se tornado comum em bares e restaurantes de São Paulo, não constitui uma contribuição verdadeira para se contornar a crise hídrica, como mostrou o SPTV nesta quarta-feira (11).  Devido aos cortes no abastecimento, moradores também aderiram à prática.

Mas para se se fazer um copinho o plástico precisa ser derretido, colocado em uma forma e resfriado. Esse processo exige bastante água. A maior parte dela é reutilizada. Mas, pelo menos, meio litro vai embora.
A produção de copo descartável chega a consumir 500 ml de água, enquanto a lavagem feita na pia utiliza 400 ml, como estimou a Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFSP) Itapetininga. A lavagem na máquina é ainda mais econômica e gasta apenas 100 ml por copo, isto é, apenas 20% do que é gasto para se produzir um copinho plástico.
Os copos mais procurados do mercado tem capacidade para 200 ml de plástico e custa R$ 0,02. O de 300 ml, que custa R$ 0,04, tem o tamanho mais parecido com o copo utilizado em casa. O copo de plástico mais firme, o cristal, custa R$ 0,16 centavos cada.

Para quem está passando pela falta de água para lavar louça, a compra pode ser a solução do momento. A longo prazo, pode contribuir para prejudicar ainda mais o abastecimento.
O Bom Dia São Paulo já mostrou estabelecimentos na Vila Mariana, na Zona Sul, e na Vila Madalena, bairro boêmio da Zona Oeste, já adotaram os copos de plásticos. Alguns consumidores não se acostumam e chegam até a levar o próprio copo de vidro para o momento do brinde.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/02/producao-de-copo-de-plastico-gasta-mais-agua-do-que-lavar-copo-de-vidro.html

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Portal Goiânia Mais Saúde

Em parceria com a nutricionista Cristiane Spricigo criei o Portal Goiânia Mais Saúde. Um site que visa facilita a vida dos profissionais da área da saúde, em especial médicos e nutricionistas. Quem trabalha com consultório nunca teve uma lista pronta e completa, com a relação de estabelecimentos comerciais de Goiânia que primam pela saúde e bem-estar do goianiense.

Muitas vezes os pacientes ficam perdidos, sem saber onde comprarão os itens da dieta, medicações, suplementos e outros produtos prescritos. Onde se alimentar ? Onde praticar atividade física ? Onde obter mais dicas de saúde e bem-estar ? Pensando nisso, nós do ‪#‎Goiâniamaissaúde‬ resolvemos facilitar a vida dos nossos colegas e do cidadão goianiense.

O Objetivo do site é listar todos os estabelecimentos que trabalham de forma direta ou indiretamente com saúde e bem-estar. Almejamos ampliar a lista a cada dia e contamos com a sua ajuda: cidadão, lojistas, proprietários de restaurantes, profissionais, donos de centros desportivos. Aceitamos sugestões e teremos o maior prazer em adicioná-lo às nossas categorias.

Para conhecer visite www.goianiamaissaude.com.br

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Ovo


Todo dia a mesma ladainha na hora de fazer as orientações nutricionais para pacientes com hipercolesterolemia(colesterol alto).

- O senhor pode comer de 1 a 3 ovos todos os dias.

Aí vem a pergunta clássica: "Mas doutor e o colesterol?".

Só me resta responder: Fica tranquilo pq não irá aumentar, já que os níveis séricos de colesterol não sofrem interferência do colesterol da dieta, na maioria dos indivíduos.

O ovo coitado, tinha que receber indenização por calúnia e difamação .

Um estudo publicado em 2011 no European Journal of Clinical Nutrition, seguiu 14185 indivíduos ao longo de 6 anos e constatou que não havia diferenças entre os grupos estudados no que toca a doença cardiovascular (infarto agudo do miocárdio, AVC ou cirurgia cardíaca e revascularização).
Os grupos foram divididos conforme o consumo de ovo: 1) nenhum ovo ou 1 por semana, 2) 2 a 4 ovos por semana,3) 4 por semana. Foram avaliados 2 vezes ao ano durante 6 anos. Resultado: não foi encontrada qualquer associação entre o consumo de ovo (muito ou pouco) e as doenças cardiovasculares.

Outro estudo, publicado em 2010 no Nutrition Journal buscou verificar o efeito do uso moderado (2 a 3 ovos por dia) na função endotelial e nos níveis de coltesterol e triglicérides em pacientes já portadores de dislipidemia. O estudo conclui que uso moderado de ovos (2 a 3/dia) não alterou função endotelial e dislipidemia de adultos dislipidêmicos. Já o que eles chamam de Ovo substituto apresentou benefícios, talvez por ter 12 vitaminas.

 Com isso percebe-se que existe uma fobia dos ovos por parte de alguns pacientes com alterações cardiovasculares prévia. Isso leva muitas pessoas a evitar seu consumo, sem necessidade. O ovo é rico nutricionalmente falando: possui Ácido fólico, B2, B12, Vit A, D, K, Colina, Luteína.
As formas mais saudáveis e que preferencialmente devem ser consumidas são: Ovo mexido, ovo escaldado, ovo cozido Dê preferência sempre a Ovos caipiras e se possível (se tiver na sua região) opte pelos caipiras enriquecidos com ômega 3.

Dica: o ovo tem gordura saturada e esta quando ingerida em excesso pode aumentar os níveis de LDL e com isso elevar o risco de eventos cardiovasculares. Portanto como tudo na vida: MODERAÇÃO é a chave. 

Comedores compulsivos anônimos - CCA



Comedores Compulsivos Anônimos (CCA) é uma Irmandade de indivíduos que, compartilhando experiências, força e esperança estão se recuperando do comer compulsivo.

Em CCA os membros dão as boas-vindas a todos que desejam parar de comer compulsivamente. Não há taxas ou mensalidades para ser membro de CCA, é um grupo totalmente gratuito.

São auto-sustentados por meio das próprias contribuições, não solicitando nem aceitando doações de fora. CCA não se filia a nenhuma organização pública ou privada, movimento político, ideologia ou doutrina religiosa; nem tomam posição em assuntos externos. O propósito primordial de CCA é abster-nos do comer compulsivo e transmitir esta mensagem de recuperação aos que ainda sofrem.
Há grupos (reuniões semanais e presenciais) de CCA nas principais capitais brasileiras.

Para conhecer mais visite o site deles: http://www.comedorescompulsivos.org.br/

Para os amigos de Goiânia: www.comedorescompulsivosanonimosgoiania.blogspot.com

sábado, 18 de abril de 2015

O que lesa seus rins ?


A Doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções renais. A sua real prevalência não é totalmente conhecida, mas cerca de 10% da população adulta tem algum grau de perda de função renal. Esse percentual pode aumentar para 30% a 50% em pessoas acima de 65 anos, deixando evidente que o risco para o seu aparecimento aumenta substancialmente com o envelhecimento. 

Segundo o IBGE, cerca de 10% da população brasileira tem mais de 65 anos de idade. Por esta razão, para este ano, o tema central da Campanha aborda o paralelismo entre o envelhecimento e a DRC. 

Tendo em vista tratar-se de uma Campanha cujo objetivo é a prevenção, torna-se fundamental dar publicidade aos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Entre esses fatores, deve-se destacar a hipertensão arterial, o diabetes melitus, obesidade, tabagismo e presença de história familiar de doença renal. 

Segundo o governo brasileiro, considerando a população brasileira maior de 18 anos, mais de 20% tem hipertensão arterial, cerca de 8% tem diabetes, 18% é tabagista e cerca de 50% metade tem excesso de peso. 

Os desfechos mais alarmantes da DRC são a mortalidade por doença cardiovascular e a necessidade de Terapia Renal Substitutiva (TRS). 

Para se ter uma ideia da gravidade cardiovascular da DRC, um jovem de 30 anos que esteja em diálise tem a mesma chance de morrer do coração que um senhor de 80 anos com a função renal esperada para a sua idade. 

A TRS consiste de hemodiálise, diálise peritoneal e transplante. De acordo com dados da SBN, em 2012 havia cerca de 100 mil brasileiros em diálise. Desses, 30% tinham mais de 65 anos de idade, sendo essa frequência três vezes mais elevada do que na população geral. 

#Nutrologia #Nefrologia #DoençaRenalCrônica

Terrorismo nutricional



Antes que venham me apedrejar, já digo que esse post é uma #Ironia. 

Ironia ao #TerrorismoNutricional que vivenciamos atualmente: #CarboFobia #GorduroFobia #GlutenFobia #LeiteFobia #SojaFobia 

Ninguém morre ou perde a saúde pq esporadicamente consome sorvete, chocolate, sanduíches, batata-frita, pizza, doces. Não há relato na literatura que alguém morreu por consumo. A questão é: #Quantidade e #Frequência.

São produtos alimentícios e alimentos saudáveis? Não. São proibidos ? Não ! Podem ser consumidos diariamente ? Não.

Podem ser consumidos semanalmente ? Talvez, dependerá de inúmeras variáveis: Seus hábitos alimentares ao longo da semana, sua digestão, sua capacidade de destoxificação, seu intestino, sua microbiota. Então na dúvida: se for consumir (principalmente pela questão de vida social), consuma ocasionalmente. 

Aos que não ingerem: Parabéns pela disciplina e força de vontade, mas apenas isso não te faz saudável. Há inúmeras variáveis, mas isso é assunto pra outro post.

#Nutrologia #ABRAN #NutrologiaMédica #Alimentação #EatClean #HealthyFood #Healthy #HealthyLiving #Ortomolecular

Medicações para tratamento da obesidade

Provavelmente essa não fez acompanhamento com nutrólogo ou endócrino que tem conhecimentos suficientes sobre obesidade, fisiopatologia e tratamento. 

Provavelmente essa é uma das que sempre recorre a nutricionista, não consegue seguir a dieta (muitas vezes sendo taxada como preguiçosa ou sem força de vontade pelo profissional), aí sempre recorre a medicações e retira por conta própria. 

É triste ver profissionais de saúde com essa visão, desconhecerem que obesidade é uma doença CRÔNICA, multifatorial e que precisa de intervenção por toda a vida. É triste ver gente desatualizada que vai contra as evidências científicas, como por exemplo o último guideline de tratamento da obesidade. 

Se apenas dieta balanceada e atividade física diariamente funcionassem tão bem, a pandemia de obesidade não estaria como está. O bom nutricionista atualizado sabe da importância do papel de cada componente no tratamento da obesidade. Sabe que o tratamento é multidisciplinar. 

E aqueles que discordarem, convido a me acompanharem durante uma semana no ambulatório de nutrologia do SUS. 64 pacientes/semana.


Por muitos anos tive preconceito com as medicações para tratamento da obesidade, até fazer a pós de Nutrologia. No meu consultório particular quase não prescrevo pois o público que me procura, prefere alternativas não-alopáticas, como fitoterápicos e suplementos que auxiliam no emagrecimento. Entretanto sempre deixo claro para os pacientes que muitas vezes os resultados não são satisfatórios e faz-se necessário utilizar medicações. 

 #Nutrologia #ABRAN #Endocrinologia #Obesidade #Emagrecimento #Obesofobia #Farmacofobia #Ignorância #MedicinaBaseadaEmEvidências #Obesity #Endocrinology #Guideline

Lactose


Muita gente gastando rios de dinheiro com produtos sem lactose, sendo que na maioria das vezes isso é desnecessário.

Razão? Lácteos com baixo teor de lactose para a maioria das pessoas não causam sintomas gastrintestinais. 

Como proceder? Consultar com um médico (nutrólogo, gastro, pediatra) para estratificação do grau de intolerância à lactose. Há 2 exames que podem ser solicitados: O teste de Hidrogênio expirado (mais confiável) e o teste de Tolerância à lactose (menos confiável mas que 100% dos planos de saúde cobrem).

Uma vez que o médico estratificou o grau, você deverá ir fazendo testes com os lácteos de acordo com o teor de lactose e verificar ao longo das 24 horas se apresenta sintomas (gases, diarréia, dor abdominal) ou não.

A maioria das pessoas só apresentam sintomas ao consumir lácteos com alto teor de lactose. 
 
Fontes: 
  1. NDC - National Dairy Council (Concelho Nacional de Lacticínios - EUA)
  2. www.nationaldairycouncil.org
  3. Mattar R, Mazo DFC. Intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Rer. Assoc. Med. Bras. 2010; 56(2): 230-6.
  4. Gasparin FSR, Teles JM, Araújo SC. Alergia à proteína do leite de vaca versus intolerância à lactose: as diferenças e semelhanças. Rev. Saúde e Pesquisa. 2010; 3(1): 107-14.

Leite, faz bem ou faz mal ? Por Dr. Frederico Lobo e Dr. Ricardo Martins Borges

O leite de vaca é um dos alimentos mais completos que existe. Tem uma grande variedade de nutrientes essenciais ao crescimento, desenvolvimento e manutenção de uma vida equilibrada e saudável. 

Sua composição é variada, devido à variação de cada animal e e também da maneira de criação (pastagem, tempo entra ordenhas, etc).

O leite de vaca contém em média 35g de proteínas por litro, divididas basicamente em lactoalbumina, lactoglobulina e caseína. É um alimento com proteínas de alto valor biologic por conter todos os aminoácidos essencias (valina, lisina, treonina, leucina, isoleucina, triptofano, fenilalanina e metionina). Quando analisado pela metodologia PDCAAS (Protein Digestibility Corrected Amino Acid Score) estabelecida pela OMS, o leite tem um “score”de 1,0 (segundo a PDCAAS, as proteínas que possuem score acima de 0,8 são consideradas de alto valor biológico).

Os carboidratos correspondem por 4,7% da composição do leite 4,70% do leite, sendo a lactose o principal. Ela ajuda a fornecer energia, promover a absorção do cálcio e desenvolver a flora microbiana intestinal adequada.

Os lipídios respondem por cerca de 3,0% a 6,0% do leite integral. Tanto no leite humano como no bovino a parte principal do conteúdo dos lipídios é formada por triacilgliceróis. A parte restante contém fosfolipídios (lecitina), esteróides, carotenóides, vitaminas lipossolúveis E , K e alguns ácidos graxos livres. O leite integral tem um teor elevado de gorduras o que aumenta seu valor caloric, já os semi-desnatados e desnatados corrigem isso.

Tanto o leite de vaca como o leite materno são pobres em ferro mas o ferro do leite materno está ligado à lactoferrina e apresente maior biodisponibilidade. O leite de vaca também apresenta baixo conteúdo de vitamina C, considerado um fator estimulador da absorção de ferro, e alto teor de cálcio e fósforo, fatores inibidores da absorção de ferro.

Os diferentes tipos de leite existentes no mercado são produtos à base de leite de vaca in natura, podendo ter sua composição modificada por meio de fortificação ou redução de nutrientes (ex.: isento de lactose; quanto ao teor de gorduras: integral, desnatado, semidesnatado, isento de colesterol; enriquecidos ou fortificados: cálcio, ferro, vitaminas A, D, E, B6, ômega-3, ômega-6).

Ou seja: leite faz bem a saúde? Leite faz mal a saúde???? Raios, e agora??????? Como tudo, o que faz bem ou mal a saúde é uma alimentação equilibrada, não um alimento em especial. O leite pode sim ser inserido em uma alimentação saudável e equilibrada! Ele não é um veneno nem uma poção milagrosa!

Programação Metabólica: Efeitos da Nutrição na saúde a longo prazo por Dra. Christiane Araujo Chaves Leite

Há robustas evidências científicas que identificam a nutrição precoce e fatores relacionados ao estilo de vida como indutores de efeitos duradouros na programação metabólica, culminando num maior risco de obesidade futura e doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão e doença cardiovascular (DCV).

A obesidade e suas comorbidades oferecem os melhores argumentos para buscar na programação metabólica não somente a gênese mas também a prevenção dessa epidemia.

A obesidade em crianças e adultos tem aumentado exponencialmente, tornando-se de imensa importância para a saúde pública. Ademais, a amplificação transgeracional da programação metabólica da obesidade acrescenta ainda mais relevância ao seu impacto nas gerações futuras.

Atualmente há três hipóteses propostas para explicar por que a nutrição precoce programa a obesidade e suas comorbidades. Estas não são mutuamente exclusivas e podem ter maior ou menor impacto em diferentes circunstâncias: (i) o combustível mediadoin utero, (ii) o acelerado ganho de peso pós-parto e (iii) a incompatibilidade.

A hipótese da teratogênese combustível-mediada propõe que a exposição intrauterina a um excesso de combustível, notadamente a glicose, provoca alterações fetais permanentes que levam à obesidade na vida pós-natal. Filhos de mulheres obesas e daquelas com ganho de peso excessivo durante a gravidez estão em maior risco de sobrepeso e obesidade.

Em relação à hipótese do acelerado ganho de peso pós-parto, muitos estudos observacionais demonstraram que o rápido ganho de peso na infância está associado com um risco aumentado de obesidade futura e outros efeitos adversos, tais como o risco de DCV.

O ganho de peso acelerado pós-natal pode resultar da elevada ingestão de nutrientes potencializadores do crescimento, como as proteínas, na dieta infantil. As evidências disponíveis sugerem que uma maior ingestão de proteínas eleva os níveis teciduais e plasmáticos de aminoácidos que estimulam a secreção de insulina, levando a um aumento de insulina e IGF-1 e, assim, culminando num maior ganho de peso e atividade adipogênica.

Uma metanálise de 9 estudos demonstrou que o aleitamento materno, que fornece menos proteína do que as fórmulas infantis convencionais, está associado a um risco 20% menor de obesidade futura. Um estudo conduzido por Koletzko et al.(2009), realizado em 5 países europeus, alocou randomicamente 1.138 lactentes saudáveis, alimentados com fórmula infantil (ou seja, não amamentados ao seio), para receber fórmula infantil com teor menor de proteína (em relação ao limite inferior do Codex Alimentarius) ou fórmula infantil com maior teor de proteína (utilizando-se essa mesma referência).

Constatou que, aos 24 meses de vida, a média do z-score do parâmetro peso-para-comprimento no grupo que ingeriu fórmula com quantidade proteica mais baixa foi menor do que no grupo que recebeu fórmula infantil contendo uma quantidade mais elevada de proteína e foi semelhante à do grupo de referência, representados por  lactentes em aleitamento materno. Esta diferença de peso-para-comprimento aos 2 anos é muito alvissareira, pois prediz um risco 13% inferior de obesidade na idade de 14-16 anos quando se utiliza uma fórmula infantil contendo menores teores de proteína.

Além disso, em vários estudos não-randomizados, o ganho de peso acelerado na fase de lactente se associou a aumento da massa gorda na infância tardia.

Por fim, a hipótese de incompatibilidade sugere que as pessoas que experimentam o desenvolvimento de um “casamento malsucedido” entre um ambiente subótimo pré-natal/lactente e uma infância em ambiente obesogênico têm predisposição maior para a obesidade e, especialmente, para suas comorbidades.

Artigo de referência: Early nutrition programming of long-term health. Koletzko B, Brands B, Poston LGodfrey K, Demmelmair H. Proc Nutr Soc. 2012 Aug;71(3):371-8.

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