quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) -Funções da vitamina B12 - Por Prof. Valentim Magalhães

A vitamina B12 desempenha suas funções através de suas duas formas de enzimas ativas: metilcobalamina e adenosilcobalamina. Vamos entender melhor essas reações bioquímicas e como elas se refletem em sinais clínicos.

Metilcobalamina: participa da metabolização da homocisteína em metionina, que será convertida na SAM. Portanto, a deficiência de B12 leva ao acúmulo de homocisteína (neurotóxica) e deficiência de SAM. Como a SAM é um doador de metil para reações do corpo, a deficiência de B12 leva à alteração da expressão genética por impactar as metilações do DNA. A SAM também influencia na síntese de serotonina, noradrenalina e dopamina, sugerindo que a deficiência de B12 possa também impactar neurotransmissores relevantes para o estado mental.

Essa mesma reação é necessária para conversão 5-MTHF em THF e 5,1O-MTHF, que participa da síntese de DNA. Por isso, a deficiência de B12, assim como de B9, afeta as células da medula óssea que se dividem rápido, levando à produção de células sanguíneas imaturas e aumentadas (resultado da síntese de DNA prejudicada) e subsequente anemia megaloblástica.

Na depleção de B12, o folato permanece preso como 5-MTHF (forma presente no plasma). Nessa situação, as células sofrem de pseudo-deficiência de folato, onde folato sérico pode estar alto, mas não está disponível síntese de DNA.

Adenosilcobalamina: atua como um co-fator para a enzima que converte o metilmalonil CoA em succinil CoA, um metabólito do ciclo de Krebs relacionado ao metabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e ácidos graxos.

A deficiência da B12 leva ao acúmulo de metilmalonil CoA e consequentemente de ácido metilmalônico (MMA). O MMA elevado leva à mielinização anormal, prejudicando o impulso nervoso e função neurológica.

A homocisteína e o MMA elevados são, portanto, marcadores funcionais da deficiência de B12, sendo o segundo mais caro e menos usado na prática clínica. No entanto, a homocisteína pode estar elevada por outros fatores, portanto deve ser correlacionada a avaliação clínica (análise dos fatores de risco e sinais e sintomas) e valores séricos de B12 e B9.

Referências: 
1. Hughes, Catherine F., et al. Vitamin B12 and ageing: current issues and interaction with folate. Annals of clinical biochemistry 50.4 (2013): 315-329.
2. Gröber, Uwe, Klaus Kisters, and Joachim Schmidt. "Neuroenhancement with vitamin B12 underestimated neurological significance." Nutrients 5.12 (2013): 5031-5045.
3. Bottiglieri, Teodoro. Folate, vitamin B₁₂, and S-adenosylmethionine. The Psychiatric Clinics of North America 36.1 (2013): 1-13.
4. Mischoulon, David, and Maurizio Fava. Role of S-adenosyl-L-methionine in the treatment of depression: a review of the evidence. The American journal of clinical nutrition 76.5 (2002): 1158S-1161S.
5. Azzini, Elena, Stefania Ruggeri, and Angela Polito. Homocysteine: its possible emerging role in at-risk population groups. International journal of molecular sciences 21.4 (2020): 1421.
6. Rizzo, Gianluca, et al. Vitamin B12 among vegetarians: status, assessment and supplementation. Nutrients 8.12 (2016): 767.
7. O’Leary, Fiona, and Samir Samman. Vitamin B12 in health and disease. Nutrients 2.3 (2010): 299-316.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

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