terça-feira, 7 de dezembro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Endometriose - Por Prof. Valentim Magalhães

A endometriose, caracterizada pela presença de endométrio fora da cavidade uterina, é uma das doenças ginecológicas mais prevalentes, afetando 6–10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma doença caracterizada por dor associada à menstruação e relação sexual, desconforto ao urinar e infertilidade.

A inflamação desempenha papel fundamental na sua fisiopatologia, bem como na dor e na subfertilidade associadas. Mulheres com endometriose apresentam aumento do estresse oxidativo na cavidade peritoneal e no sangue, o que está associado a processos inflamatórios crônicos.

Estudos de associação revelaram que frutas, vegetais, laticínios e ômega-3 estão relacionados ao menor risco de desenvolver endometriose. Os fatores que aumentam o risco incluem o ácidos graxos trans, excesso de gorduras, carne vermelha e embutidos e álcool.

Em um ensaio clínico, 59 mulheres foram aleatoriamente designadas para receber por 8 semanas: 1200 UI de Vit E + 1000 mg de VitC ou placebo. Após a intervenção, a dor crônica melhorou em 43% dos pacientes e houve diminuição significativa nos marcadores inflamatórios do líquido peritoneal no grupo com antioxidantes (p=0,0055) em comparação ao placebo. No mesmo grupo, a dor associada à menstruação e ao sexo diminuíram em 37% e 24% das pacientes, respectivamente.

A retirada de soja, glúten e FODMAP foram associados a melhora da endometriose, mas apenas em relatos de caso (baixa qualidade científica) e em pacientes com endometriose e síndrome do intestino irritável associada. Entende-se que o aumento da inflamação e distensão abdominal em indivíduos com intolerâncias específicas piore os sintomas da endometriose. SOMENTE nesses casos, recomenda-se o manejo da dieta evitando esses alimentos.

A evidência que relaciona dieta e endometriose ainda é limitada, mas todos os nutrientes que se mostraram eficazes tiveram ações antiinflamatórias ou antioxidantes. Portanto, a Sociedade Alemã de Nutrição, bem como outros órgãos, recomenda uma dieta balanceada e anti-inflamatória, rica em antioxidantes, e retirada do álcool. A suplementação de vitaminas antioxidantes pode ser considerada individualmente quando o aporte além da alimentação for necessário.

Referências: 

1. Huijs, Emma, and A. W. Nap. "The effects of nutrients on symptoms in women with endometriosis: a systematic review." Reproductive BioMedicine Online (2020).
2. Caserta, D., et al. "Celiac disease and endometriosis: an insidious and worrisome association hard to diagnose: a case report." Clin Exp Obstet Gynecol 41.3 (2014): 346-348.
3. Chandrareddy, Ashadeep, et al. "Adverse effects of phytoestrogens on reproductive health: a report of three cases." Complementary Therapies in Clinical Practice 14.2 (2008): 132-135.
4. Moore, Judith S., et al. "Endometriosis in patients with irritable bowel syndrome: specific symptomatic and demographic profile, and response to the low FODMAP diet." Australian and New Zealand Journal of Obstetrics and Gynaecology 57.2 (2017): 201-205.
5. Santanam, Nalini, et al. "Antioxidant supplementation reduces endometriosis-related pelvic pain in humans." Translational Research 161.3 (2013): 189-195.
6. Jurkiewicz-Przondziono, Joanna, et al. "Influence of diet on the risk of developing endometriosis." Ginekologia polska 88.2 (2017): 96-102.

Autor: Prof. Valentim Magalhães

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