domingo, 10 de outubro de 2021

(Conteúdo para Médicos e Nutricionistas) - Creatina, muito além da força muscular - Por Prof. Valentim Magalhães

Por muito anos, o uso da Creatina (CR) foi acompanhado de muito receio e preocupações. Atualmente, diversos estudos indicam sua eficácia e segurança em diversas situações, incluindo patológicas. No post de hoje, trouxemos algumas aplicações da CR além do efeito ergogênico já amplamente discutido no contexto esportivo.
 
Prevenção de miopatia por estatina: Entre os efeitos negativos comuns e potencialmente perigosos da terapia com estatinas, há distúrbios musculares que podem ocorrer em diferentes níveis de gravidade: de um aumento “simples" e assintomático de enzimas indicando dano muscular, até necrose muscular grave com febre e rabdomiólise, em casos extremos. Um estudo cross-over mostrou que a suplementação de creatina é capaz de prevenir a miopatia induzida pela estatina. O tratamento foi de: 5g 2x dia por 5d (fase de carregamento) + 5g/dia.[1]
 
Atrofia muscular e sarcopenia: A sarcopenia em idosos, causa importantes limitações funcionais, diminuição de força e aumento de quedas. Uma metanálise indicou que a suplementação de 5 a 20g/dia por 12 a 14 semanas em conjunto com o treino resistido apresenta melhoras na força e atividades diárias.[2]
 
Declínio neurológico: Mesmo pessoas que não são afetadas por uma doença específica podem perceber diminuição do desempenho cognitivo com o avanço da idade. O uso de 5g/dia de CR em 32 idosos (média de 76 anos) gerou uma pontuação significativamente melhor que os controles em vários testes neuropsicológicos, incluindo testes de memória espacial de curto prazo, teste verbal de memória de curto prazo e teste de memória de longo prazo.[3]
 
Doenças hereditárias na síntese de CR, distrofias musculares, fadiga mental, AVC isquêmico, depressão e envelhecimento são outras situações onde a suplementação pode trazer benefícios. Doses ≥ 20g/d por períodos de até 2 anos em estudos randomizados e controlados não apontaram efeitos adversos graves. Entretanto, a suplementação de CR para pacientes com insuficiência renal grave não é indicado,  a menos que uma análise cuidadosa da relação risco-benefício seja favorável.[4]
 

REFERÊNCIAS:
 
1- Shewmon DA, Craig JM. Creatine supplementation prevents statin‐induced muscle toxicity. Ann Intern Med. 2010;153(10):690‐692.
 
2- Devries MC, Phillips SM. Creatine supplementation during resistance training in older adults—A meta‐analysis. Med Sci Sports Exerc. 2014;46(6):1194‐1203.
 
3- McMorris T, Mielcarz G, Harris RC, Swain JP, Howard A. Creatine supplementation and cognitive performance in elderly individuals. Neuropsychol Dev Cogn B Aging Neuropsychol Cogn. 2007;14(5):517‐528.
 
4- Balestrino, M., & Adriano, E. (2019). Beyond sports: Efficacy and safety of creatine supplementation in pathological or paraphysiological conditions of brain and muscle. Medicinal Research Reviews. doi:10.1002/med.21590 

Autor: Prof. Valentim Magalhães

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