terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Quando engordamos ganhamos mais células de gordura, mas quando emagrecemos diminuímos apenas o tamanho delas (esvaziamos)


Ano passado, assisti uma excelente aula do pesquisador sueco Mikael Ryden, que explicou suas amplas pesquisas na biologia do tecido adiposo branco (a boa e velha gordura) e como diferenças individuais na capacidade de quebrar a gordura (lipólise) podem explicar porque algumas pessoas têm mais facilidade de ganhar peso ao longo dos anos que outras, principalmente mulheres.

Porém, ele também apresentou um dado importante e que explica porque a obesidade é unidirecional, isto é, populacionalmente, pessoas com peso “normal” ou com sobrepeso podem engordar, mas dificilmente alguém com obesidade volta a um IMC “normal” (ao menos que faça um programa específico de perda de peso e mesmo assim as taxas de recuperação de peso são muito altas).

Basicamente, ao comermos mais calorias que gastamos, ganhamos peso aumentando o número de células de gordura. Porém, ao perder peso, estas células não “desaparecem”, apenas reduzem de tamanho, e permanecem aptas para voltarem a crescer; além disso, as células de gordura secretam um hormônio chamado leptina, que reduz a fome e aumenta o gasto energético. 

Quando produzimos mais células, a leptina aumenta, mas o corpo passa a se tornar menos sensível a ela. Porém, ao emagrecermos, a rápida redução da leptina manda sinais para o corpo para comeross mais e reduzirmos o gasto, facilitando a recuperação do peso.

Por isso, a importância de entendermos a obesidade como doença crônica, em que os esforços para manter o peso perdido devem ser tão ou mais intensos que para perder peso; e que apenas “foco, força e fé”, como muito vejo em postagens, não são suficientes para um bom resultado

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/photos/a.1225419254255189/2065001760296930/

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Açúcar mascavo, demerara, light: É tudo açúcar, vai aumentar sua glicemia



Por vezes, ao perguntar a pacientes sobre o hábito de comer açúcar e doces, recebo como resposta: “como apenas mascavo”, ou demerara ou orgânico, como se isso fosse, de alguma forma, mais saudável. A diferença real, no entanto é mínima.

Por mais que alguns açúcares sofram menos refinamento que outros e possam conter mais minerais, a quantidade absoluta de açúcar puro que consumimos (baixa) não permite que esses minerais a mais façam qualquer diferença em saúde. Em termos calóricos também, não há qualquer diferença e mesmo que algum possa ser mais doce e, portanto, necessitar doses menores, ainda assim a diferença é mínima. Além disso, a própria ideia de que um tipo de açúcar pode ser mais saudável, ou que “engorda menos” pode levar a um consumo mais liberado, aumentando a quantidade total consumida e, portanto, um efeito contrário ao desejado.

Reduzir consumo de açúcar livre é fundamental para reduzir o aporte calórico, já que é um ingrediente calórico e com pouco poder de saciedade. Trocar por adoçantes não calóricos (embora haja críticas a eles devido a alguns estudos mecanísticos, as evidências de malefícios são ainda muito controversas e há estudos que demonstram q a troca de açúcar por adoçante melhora indicadores de saúde no curto e médio prazo) ou buscar não adoçar líquidos sempre serão opção melhor. 

Lembre-se também que quanto mais doce consome, mais vontade de consumir você tem, criando um circulo vicioso difícil de sair. Trocar um açúcar por outro é trocar seis por meia dúzia. Sem efeitos benéficos claros e ainda com o risco de você se enganar achando q está tomando a decisão correta. 


Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Bolo de macaxeira com coco


Receita elaborada por uma grande amiga de longa data, a professora de Yoga Claudia Sabbag. Vale a pena se inscrever no canal dela. Sempre postando receitas com comida de verdade, nutritivas e saborosas.

Ingredientes:

4 xícaras de mandioca/macaxeira crua e ralada no ralo grosso
2 xícaras e meia de coco ralado no ralo grosso
100 ml de leite de coco
5 colheres de sopa de xilitol (pode substituir por açúcar se quiser)
Pitadas de canela, cravo moído e noz moscada
1 xícara cheia de queijo sem lactose
5 ovos
3 colheres de sopa de manteiga ghee
2 colheres de sopa de farinha de coco
1 pitada de sal
20 cotas de estévia
1 colher de sopa de fermento químico para bolo

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Exercício físico ajuda realmente a emagrecer? Por Dr. Bruno Halpern


Essa é uma máxima fundamental no tratamento da obesidade, que precisa ser bem compreendida.
Quando falamos q o exercício físico regular é fundamental num tratamento, alguns imaginam q, ao iniciá-los, terão #perdadepeso rápida, e ao não ver isso, se frustram e o largam ou acreditam ter metabolismo lento.

O q vários estudos mostram, no entanto, é q o exercício físico costuma ter um impacto imediato limitado, e a perda de peso inicial tem mais relação com a restrição calórica.

Claro q o tipo e frequência do exercício também importam, mas meu comentário é mais geral pois vários estudos com diferentes tipos de exercício tendem a mostrar resultados similares. Claro também q o exercício pode ser motivador: se se sente melhor fazendo, melhora inclusive o padrão da alimentação.

De toda forma, se é possível, como disse, emagrecer sem exercício, é muito difícil manter o peso sem ele. E manter o peso é exatamente a parte mais difícil é mais duradoura do tratamento.
Com exercícios, você melhora sua composição corporal e, ao ter mais músculos, terá também um gasto metabólico maior, além, é claro, do gasto energético do próprio exercício e também porque ser fisicamente ativo melhora nossos sistemas internos de saciedade (um assunto complexo, tema de um outro post), além de permitir sempre novas motivações.

Estudos mostram que cerca de 90% das pessoas bem-sucedidas em manter o peso no longo prazo são fisicamente ativas (média de 300min/semana ou pelo menos o dobro do que se fazia antes do tratamento) e que o grau de exercício prediz aqueles com menores recuperações de peso no longo prazo. Mais: quando perguntados, os 10% que não são fisicamente ativos, respondem que compensam a falta de exercício com um controle alimentar absoluto, sem exceções em festas, férias e afins (imagino q a maioria não queria fazer parte desse grupo). Além disso, muitos dos benefícios do exercício na saúde também são independentes da perda de peso.

Assim, mesmo q o exercício não induza uma perda rápida, quanto antes de começar, mais chance de incorporar como rotina no longo prazo! 

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista