domingo, 27 de outubro de 2019

Microbioma intestinal: efeitos de uma dieta baseada em vegetais ricos em Inulina

Efeitos de uma dieta baseada em vegetais ricos em inulina na saúde intestinal e no comportamento nutricional em humanos saudáveis

Por vários anos, a microbiota intestinal tem sido apontada como um ecossistema atraente que desempenha um papel fundamental na fisiologia do hospedeiro. Alterações da composição intestinal microbiana têm sido associadas a uma ampla variedade de condições, como obesidade, diabetes tipo 2, doença inflamatória intestinal, autismo e distúrbios comportamentais. Na dieta, alguns carboidratos não digeríveis, chamados prebióticos, são fermentados pela microbiota intestinal, conferindo assim benefícios potenciais à saúde. 

Foi demonstrado que a suplementação dietética com frutanos purificados do tipo inulina (ITFs) exerce efeitos positivos na saúde em humanos, como melhora da permeabilidade intestinal, diminuição da massa gorda, aumento da produção de peptídeos de incretina no intestino que atuam na saciedade e melhora no controle do apetite. No entanto, pouco se sabe sobre o efeito da ITF no comportamento e no apetite, ao considerar o consumo de vegetais naturalmente ricos em ITF. Além disso, dados recentes sugerem que a fermentação da fibra alimentar pode levar ao desconforto intestinal, principalmente em pacientes com síndrome inflamatória intestinal.

Surpreendentemente, apenas alguns estudos tentaram analisar o impacto de prebióticos que ocorrem naturalmente em produtos alimentícios na composição e função da microbiota intestinal e na tolerância gastrointestinal. Os ITFs ocorrem principalmente nas raízes das plantas, como alcachofra-girassol , alho-poró ou cercefi, onde atuam como um polímero de armazenamento e de preservação do estresse.

OBJETIVOS DO ESTUDO

Neste estudo, foi desenvolvido um protocolo para uma intervenção dietética diária que durou 2 semanas com vegetais ricos em ITF para atingir uma ingestão mínima de pelo menos 9 g ITF/d em voluntários saudáveis. O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da intervenção nutricional na composição e atividade da microbiota intestinal, ingestão de nutrientes, comportamento relacionado a alimentos e sintomas gastrointestinais. A composição da microbiota intestinal estava relacionada aos sintomas gastrointestinais. Também foi avaliada a persistência dos efeitos 3 semanas após a conclusão da intervenção alimentar.

MÉTODOS

Um único grupo de estudos composto por 26 indivíduos saudáveis. Durante duas semanas, os participantes foram instruídos a aderir a uma dieta controlada baseada em vegetais ricos em ITF (fornecendo uma ingestão média de 15 g ITF/d). Foram organizados três dias de teste: antes e após a intervenção nutricional e três semanas após o retorno à dieta habitual. Foram avaliados a ingestão de nutrientes, comportamento alimentar, composição da microbiota fecal, fermentação microbiana e sintomas gastrointestinais.

RESULTADOS

As principais modificações microbianas durante a intervenção foram uma proporção aumentada do gênero Bifidobacterium, um nível reduzido de Clostridiales não classificados e uma tendência para diminuir as Oxalobacteraceae. Essas alterações foram revertidas três semanas após a intervenção. Os voluntários mostraram maior saciedade, um desejo reduzido de comer alimentos doces, salgados e gordurosos e uma tendência para aumentar as atitudes hedônicas em relação a alguns vegetais ricos em inulina. Apenas episódios de flatulência foram relatados durante a intervenção na dieta, enquanto o desconforto intestinal, inversamente associado ao Clostridium cluster IV e Ruminococcus callidus, foi melhorado ao final da intervenção.

CONCLUSÕES

Um maior consumo de vegetais ricos em ITF permite um aumento substancial de fibras alimentares bem toleradas, o que por sua vez pode melhorar o comportamento relacionado aos alimentos. Além disso, leva a modificações benéficas da composição e função da microbiota intestinal.

Este estudo está registrado em clinictrial.gov como NCT03540550. Am J Clin Nutr 2019; 109: 1683–1695.

A eficácia limitada do Balão-intragástrico quando não se há preocupação com o longo prazo


Muitos pacientes me perguntam se o balão intra-gástrico seria uma opção interessante para o tratamento da obesidade ou até uma alternativa à cirurgia. E a resposta é, na maior parte das vezes, não. Por que? 

👉Basicamente porque, independente da perda de peso obtida durante o período em que o #balaointragastrico está inserido (geralmente 6 meses), como a #obesidade é uma doença crônica, após sua retirada há uma tendência natural de recuperação de peso se não houver uma nova estratégia (por razões biológicas, fisiológicas, psicológicas e sociais, que sempre discuto por aqui). Um estudo Brasileiro de 2015 com mais de 3000 pacientes, mostra que 30% dos pacientes reganharam todo o peso no primeiro ano e 70% após 3 anos. 

👉E mesmo a #perdadepeso durante o período do balão é muito variável, e pode ser otimizada com um bom tratamento clínico, que raramente é realizado. Além disso, vejo muita gente sem indicação (por exemplo, com #compulsaoalimentar ou perfil beliscador clássico) colocando o balão e obtendo resultados mínimos, o que já seria esperado se houvesse uma avaliação clínica inicial. 

👉Particularmente, há sim situações em que ele pode ser usado. O balão uma opção válida em casos específicos, como uma ponte para quem precisa perder peso para uma cirurgia, ou quando há contraindicações a medicações ou pouquíssima resposta com estas em pessoas que têm indicação formal de saúde de perda de peso, porém o paciente deve entender que a colocação do balão é apenas a fase inicial de um processo de longo prazo, seguindo um tratamento clínico mantido (eventualmente com outras estratégias, inclusive medicamentosas). 

👉Infelizmente, a maioria das pessoas que o colocam o fazem como um processo que julgam resolutivo e comparável à cirurgia. Em geral se introduz o balão e o retira 6 meses depois, sem nenhum acompanhamento antes (para decidir indicações), durante (para otimizar o tratamento) e depois (para evitar o reganho) 

👉Ou seja, o balão intra-gástrico só será útil se for usada como parte inicial de uma estratégia de longo prazo bem definida, o que vejo que raramente é o caso! 

Ref: Busko, Brazil Study: gastric balloon valid option but outcomes not durable. Medscape2015

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico Endocrinologista

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/photos/a.614298932033894/1659459410851169/?type=3&theater

Associação Médica Brasileira (AMB) cria comissão para analisar questão de saúde pública que são os Anabolizantes



O uso de esteroides anabolizantes e similares (EAS), utilizados por alguns atletas de elite que visam aprimorar o condicionamento físico e por jovens que desejam melhorar a aparência, é um problema que precisa ser enfrentado pela comunidade médica. Por isso, a Associação Médica Brasileira (AMB), em parceria com Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), criou uma comissão para analisar o assunto.

O tema foi abordado durante a reunião do Conselho Científico da AMB, realizada na última terça-feira (8). De acordo com Clayton Macedo, endocrinologista e representante da SBEM, a comissão vai servir de apoio ao estudo e discussão sobre o uso de esteroides e anabolizantes. “O tema é gravíssimo e é pouco abordado como um problema de saúde pública. A ideia é que cada especialidade médica nomeie um representante e que essa comissão comece a trabalhar cientifica e politicamente a questão”.

O presidente da AMB, Lincoln Ferreira, reforça a importância da participação das sociedades de especialidade: “Como o uso de anabolizantes é um problema que traz impactos negativos para todo o corpo, muitas especialidades podem contribuir com a discussão, entre elas a psiquiatria, cardiologia, endocrinologia, nefrologia, ortopedia, medicina do esporte, pediatria e gastroenterologia”.

Um dos primeiros trabalhos da comissão será a organização de fórum, previsto para ser realizado em 2020, para debater soluções médicas e políticas para o tema. “A ideia é unir forças para combater essa epidemia”, finaliza Clayton Macedo.

#BombaTôFora

Para alertar as pessoas sobre esse grave problema, a SBEM criou o projeto “Bomba Tô Fora”, que tem como base um plano educacional de prevenção ao uso de esteroides anabolizantes e similares.

O programa fornece ferramentas de informação sobre os malefícios da utilização dessas drogas. O programa pode ser acessado no site https://www.bombatofora.com.br.  A campanha tem o apoio da AMB.

Fonte: https://amb.org.br/noticias/amb-cria-comissao-para-analisar-problemas-causados-por-anabolizantes/?fbclid=IwAR3MI2UXYxboIDMudOp81Bmta-9VIq5ZTJb8dslwqJnXbRHf9TiYraNW0c0

Mulheres com testosterona baixa. Seria uma epidemia? ⁣


Nunca antes visto, a quantidade de tal “diagnóstico” ecoa pelo mundo feminino na atualidade. Muitas, já “contaminadas” pela nova epidemia, exigem em consulta a solicitação de testosterona como exame de rotina. ⁣
E procede esse rastreio hormonal em nossas mulheres? Não. 🤦🏻‍♂️⁣
Inicialmente, vamos esclarecer fatos:⁣
O exame de testosterona apresenta um ensaio químico (processo analítico laboratorial) que tem a capacidade de detectar um limiar específico desse hormônio. Ou seja, o exame só tem precisão de avaliar a quantidade de testosterona em níveis mais altos. ⁣

Simplificando: Marcador de combustível nos carros antigos. Tanque vazio, luz de alerta acessa! Coloco 10 reais. Luz apaga? Não. 20 reais? Também não. 30 reais? Não. Até que em um determinado valor de dinheiro eu consigo “dosar” a quantidade de gasolina. Ou seja, enquanto eu não atinjo o “limiar” de quantidade de combustivel para sair da reserva (e a bendita luzinha apagar) eu não consigo saber o quanto existe naquele tanque. O combustível é a testosterona e o tanque é o ensaio clínico. ⁣

Hoje, os carros mais modernos conseguem fazer essa leitura precisa da quantidade de combustível, porém os ensaios clínicos não chegaram a essa evolução 🤷🏻‍♂️.

Sendo assim, não se solicita exame de testosterona de rotina para mulheres pois vai vir baixa!!!! E isso não significa que ela tem testosterona baixa (a não ser que seja comparadas a homens né pessoal? Embora muitas desejem chegar a níveis de testosterona masculinos - e algumas chegam- isso está longe de ser saudável)⁣

Quando se solicita testosterona para mulheres? Naquelas que apresentam síndromes hiperandrogênicas (ovários policísticos, hiperplasia adrenal, tumores ovarianos). E nesses casos a leitura do exame é fidedigna? Sim! Pois há produção excessiva dos hormônios masculinos nessas situações [por motivo de doença] a ponto de atingir o limiar de leitura do exame e o resultado ser preciso. ⁣
Alguns médicos adoram pedir testosterona para todas mulheres em consulta. Por qual motivo? Pois vai vir baixa (por uma falha de exame) e o convencimento para sua paciente usar fica muito mais fácil. Pense nisso!

Autor: Dr. Caio Villaça Carneiro - Médico endocrinologista em Sorocaba - SP

Fonte: https://www.facebook.com/endo.caio/photos/a.225174748355519/311674566372203/?type=3&theater

Portadores de TDAH talvez possam se beneficiar da prática de mindfulness

Vale a pena ler a reportagem: https://mindfulnessparaodiadia.blogosfera.uol.com.br/2018/10/17/pessoas-com-tdah-se-beneficiam-da-pratica-de-mindfulness/

Número de médicos geriatras não acompanha avanço de idade no Brasil

Entre 2011 e 2018 o Brasil ganhou 1.100 novos geriatras. Agora, de acordo com dados da Demografia Médica, levantamento realizado pela Faculdade de Medicina da USP, são 1.817 profissionais especializados no atendimento de uma população que não para de envelhecer – hoje são 41,69 milhões de pessoas com mais de 60 anos. 

Na ponta do lápis, isso quer dizer que o Brasil tem hoje 1 geriatra para cada 22.949 idosos. Não bastasse o número reduzido, há ainda uma má distribuição destes especialistas pelo território nacional. Para se ter uma ideia, o estado de Rondônia não tem nenhum geriatra. Já em São Paulo, o número de especialistas é de 647.

Apesar de ser considerada uma especialidade promissora, já que a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 25% da população seja formada por idosos em 2060, a procura por este tipo de especialização ainda é baixa. E se permanecer a média de 157 novos geriatras por ano, em 2060 o país terá cerca de 8 mil geriatras para atender uma população de 57 milhões de pessoas que chegaram à terceira idade.

O processo de envelhecimento no Brasil é mais acelerado em outros países do mundo. Um levantamento do demógrafo José Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Ciências e Estatísticas (ENCE-IBGE) mostrou que enquanto a França vai demorar 204 anos para quadruplicar a população com mais de 65 anos, no Brasil isso acontecerá em 50 anos. 

“O número de geriatras é baixo e dificilmente teremos uma quantidade ideal de profissionais para atender uma população que só cresce e requer cuidados específicos”, afirma André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. De acordo com ele, o Brasil ainda está longe de resolver problemas básicos de saúde e atender as doenças que afetam a população que envelhece.

“Temos um sistema de saúde que foi pensado para o atendimento de doenças do século passado, ou seja, as doenças agudas, como doenças infecciosas. Hoje há o acúmulo de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e o câncer”, afirma Uehara. Ele explica também que, diante do novo cenário, é preciso que sistema de saúde prefira a lógica de cuidado das doenças crônicas e continuadas para que os pacientes sejam atendidos periodicamente para acompanhamento e ajuste de medicações.

Mas também é preciso mudar o entendimento da população quanto à função do geriatra. “Ele cuida do processo de envelhecimento e não apenas de idosos doentes, como muita gente pensa. É um profissional com um olhar para as alterações decorrentes do envelhecimento e o impacto delas na saúde e na doença de uma pessoa. As pessoas envelhecem de forma diferente e é preciso levar isso em consideração”, afirma Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra do Hospital Israelita Albert Einstein. 

O trabalho deste especialista não é só aumentar os anos de vida de uma determinada pessoa, mas sim manter o aumento dos anos de vida com independência e qualidade.

Portanto, não é preciso esperar chegar aos 60 ou mais para procurar um especialista em geriatria. “Qualquer indivíduo que busque entender o impacto do envelhecimento sobre a sua funcionalidade, tem indicação para visitar um geriatra. É claro que as consultas vão aumentando de frequência conforme o avanço da idade. Mas é importante a participação deste médico em parceria com outros especialistas, especialmente quando há doenças associadas”, afirma Maysa. Ela conta que a procura de pacientes por este tipo de especialista tem aumentado. Normalmente os acompanhantes dos idosos ao se identificarem com a avaliação e orientações, também querem ser avaliados.

Se o número de pacientes interessados na especialidade é crescente, o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, afirma que o mesmo não acontece com os médicos. “Entre os profissionais, a procura por esta especialização é pequena por ela não trazer tanto retorno financeiro quanto outras especialidades”, diz André Uehara. Outro fator importante é a questão da paciência. Uma consulta com um idoso costuma ser mais longa e cheia de detalhes. “O médico precisa conversar com o paciente, com a família, conhecer o histórico de vida para poder fazer o acompanhamento”, completa.

Formação de profissionais

Há apenas duas formas de um médico se tornar especialista em geriatria. A primeira delas é escolher esta opção durante o período de residência médica, que tem dois anos de duração. A outra possibilidade é fazer o concurso da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) que consiste em provas teóricas e práticas, além de análise curricular para avaliação da trajetória do profissional em trabalhos relacionados ao envelhecimento. “Não podemos ter a expectativa de que formaremos médicos geriatras para a atender essa demanda. Temos de priorizar a capacitação de profissionais que já trabalham com este público em gerontólogos para qualificar o atendimento à população que está envelhecendo”, afirma o presidente da instituição.

As diferenças:

Geriatra: É a especialidade médica focada na promoção do envelhecer saudável até a reabilitação do idoso. O processo de envelhecimento impacta no comportamento orgânico, demandando abordagens diferenciadas, assim como crianças e jovens apresentam especificidades que são tratadas pelo pediatra

Gerontologista e Gerontólogo: O gerontologista é o profissional com formação de nível superior nas diversas áreas do conhecimento (Psicologia, Serviço Social, Nutrição, Terapia Ocupacional, Direito etc.) e apto para lidar com questões do envelhecimento e da velhice, com um olhar interdisciplinar a partir da sua área original de conhecimento. Já o gerontólogo é o profissional com graduação em gerontologia.

Gerontólogo: na fila da regulamentação

Embora o curso de graduação em gerontologia exista desde 2005 e a profissão seja reconhecida pelo Ministério do Trabalho, profissionais aguardam a regulamentação da ocupação. No dia 25 de setembro, depois um percurso que começou em 2013 no Senado Federal, o Projeto de Lei 9003/13 que define as regras sobre a atividade, requisitos da formação acadêmica e atribuições recebeu parecer positivo na Câmara dos Deputados, em Brasília. “Ele ainda precisa ser votado e não temos uma previsão de quando isso acontecerá”, afirma Rosa Chubaci, professora doutora do bacharelado em Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP).

A especialista acredita que a demora na regulamentação da profissão é reflexo da cultura de uma população que não está preparada para envelhecer. “Estas definições são importantes na definição de uma política pública para esta população que está envelhecendo. Temos poucos profissionais especialistas no processo do envelhecimento e a regulamentação pode impulsionar a procura por esta área”, diz.

Distribuição dos geriatras nos estados Brasileiros

Acre
1
Alagoas
24
Amapá
2
Amazonas
4
Bahia
52
Ceará
49
Distrito Federal
49
Espírito Santo
48
Goiás
56
Maranhão
9
Mato Grosso
25
Mato Grosso do Sul
7
Minas Gerais
229
Pará
22
Paraíba
21
Paraná
106
Pernambuco
57
Piauí
14
Rio de Janeiro
166
Rio Grande do Norte
25
Rio Grande do Sul
104
Rondônia
0
Roraima
2
Santa Catarina
69
São Paulo
647
Sergipe
13
Tocantins
6

10 coisas que você precisa saber sobre Nanismo para nunca mais rir ou contar piada de anão

Quase ninguém ainda sabe, mas o Brasil é um dos poucos países do mundo a dedicar uma data anual sobre o Nanismo - a condição de tamanho de uma pessoa cuja altura é abaixo de 1,40 m na idade adulta. A Lei 13.472/2017 foi sancionada em 31/07/2017 e instituiu o dia 25 de outubro como o Dia Nacional de Combate ao Preconceito à Pessoa com Nanismo. Parece um pequeno detalhe, mas foram ações como esta que ajudaram a mudar o jeito da sociedade ver e tratar pessoas com Síndrome de Down, antes chamadas pejorativamente como “mongoloide” ou um cadeirante que era chamado de “aleijado”.

Ainda hoje, alguns programas de TV, circos e humorísticos, insistem em colocar a figura do portador de Nanismo em situação de constrangimento ou como alvo de piadas. Peter Dinklage (que ilustra a capa desta matéria), o Tyrion Lannister da famosa série ‘Game of Thrones’, é uma das raras exceções. No Brasil, também temos nossos representantes que conquistaram espaço exclusivamente pelo talento.

A atriz Juliana Caldas ganhou destaque na novela 'O Outro Lado do Paraíso' com a personagem Estela. Giovanni Venturini é outro ator que já garantiu seu lugar ao sol em papéis importantes no cinema e na televisão, independentemente da estatura.

Informação é a melhor arma contra o preconceito e foi pensando nisso que surgiu o movimento Somos Todos Gigantes (STG). A campanha, que conta com o apoio do Curta Mais, começou no ano de 2017 em Goiânia, com a hashtag “SomosTodosGigantes e ganhou repercussão nacional através das redes sociais com a adesão de celebridades, até chegar ao Congresso Nacional e virar Lei com a conquista da data oficial.

O movimento, criado e coordenado pelo casal Juliana Yamin e Marlos Nogueira, atualmente conta com o primeiro site sobre Nanismo do Brasil e um dos maiores do mundo dedicado ao tema, além de levar a mensagem de conscientização por meio das redes sociais.

“A internet hoje é um dos meios onde a desinformação mais acontece e por isso estamos canalizando nossos esforços também neste ambiente com conteúdo informativo e de qualidade sobre o assunto”, explica Juliana. O casal tem três filhos e um deles nasceu com Nanismo.

Aos 13 anos, o estudante Gabriel virou porta-voz do movimento e hoje leva informação às escolas, igrejas e por onde passa. Um gigante!

Além de levar conteúdo relevante nas mídias, o movimento também organiza anualmente o Encontro Somos Todos Gigantes que este ano ocorre nos dias 1 e 2 de novembro em Goiânia e quem quiser conhecer mais sobre a causa, basta acessar o site www.somostodosgigantes.com.br

Antes de rir ou fazer alguma piada de anão, conheça aqui dez coisas que talvez você não sabia sobre Nanismo. Provavelmente a piada vai perder a graça.

1. O QUE É NANISMO?

Nanismo é ser pequeno. É o nome genérico dado para qualquer condição que implique em baixa estatura imperante. Menos de 1,40m para mulheres e menos de 1,45m para homens. Acontece em média 1 caso a cada 25.000 nascimentos.

2. POSSO CHAMAR DE ANÃO?

A maioria das pessoas com nanismo NÃO gostam de ser chamadas de anão. Então, como você não quer magoar ninguém, diga “ele/ela tem nanismo”ou “é uma pessoa com nanismo”.

3. EU POSSO TER UM FILHO COM NANISMO?

Sim! 80% das pessoas com nanismo são filhos de pais com estatura dentro da média da população.

4. EXISTEM TIPOS DIFERENTES?

Sim! Existem mais de 400 tipos de nanismo, com vários subtipos.

 5. NANISMO TEM CURA?

Na grande maioria dos casos NÃO. Alguns tipos são causados por questões hormonais. Só nesses casos o uso de hormônio de crescimento faz efeito.

6. QUAL A MELHOR FORMA DE COMBATER O PRECONCEITO?

Espalhando conhecimento! As pessoas geralmente falam do que não conhecem e quando se tem acesso à informação confiável é a forma mais eficiente de gerar conscientização. Pessoas com nanismo vêm sendo usadas como atração cômica ou pretensamente grotesca há muitos anos. Muitas piadas e até programas de TV os tratam com desrespeito e isso gera situações constrangedoras no dia a dia deles. Quando você entende que um filho seu ou mesmo você poderia (ou pode) estar na mesma condição, toda piada perde a graça.

7. ACESSIBILIDADE É UM PROBLEMA PARA QUEM TEM NANISMO?

E como! A baixa estatura faz com que atividades simples do dia a dia sejam complicadas para eles. Alcançar pias, balcões, prateleiras de supermercado, botoeiras de elevador são alguns exemplos. Esta é uma das lutas do Somos Todos Gigantes.

8. EXISTEM MUITOS ESPECIALISTAS NA ÁREA DE SAÚDE?

Não. Faltam médicos especialistas que entendam de nanismo. Segundo estimativas, existem no país aproximadamente 20.000 pessoas com nanismo.

9. O QUE COMEMORAM DIA 25 DE OUTUBRO?

A lei 13.472/2017 foi sancionada em 31/07/2017 e instituiu o dia 25 de outubro como o DIA NACIONAL DE COMBATE AO PRECONCEITO À PESSOA COM NANISMO.

Para nós é um dia importante para lembrarmos a todos que somos pessoas apenas com centímetros a menos, mas capazes de protagonizar nossas próprias histórias. Falar abertamente sobre o assunto que até pouquíssimo tempo atrás era um tabu. Espalhar informação é a maior arma contra o preconceito.

10. O QUE É O #SOMOSTODOSGIGANTES?

O movimento nasceu apenas como uma campanha digital de combate ao preconceito em 30/09/2015, criada por um casal, o advogado Marlos Nogueira e a empresária Juliana Yamin, cujo filho mais velho, Gabriel, tem o tipo mais comum de nanismo: acondroplasia. A campanha rapidamente se espalhou pelo Brasil e em 2016 se tornou o primeiro e único site no Brasil que fala exclusivamente sobre nanismo.

Fonte: http://www.curtamais.com.br/goiania/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-nanismo-para-nunca-mais-rir-ou-contar-piada-de-anao?fbclid=IwAR0D4HU5sV4McGpOYMFKHW29-74hGNOeiugiiuxk1WQz6cdyAHSvAXI8uqc

Mudança de peso na idade adulta em relação a todas as causas e causas de mortalidade específica: estudo de coorte prospectivo

Mudança de peso na idade adulta em relação a todas as causas e causas de mortalidade específica: estudo de coorte prospectivo

Abstrato: Objetivo Investigar a associação entre alterações de peso na idade adulta e mortalidade.
Projeto Estudo de coorte prospectivo. Definindo a Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES) 1988-94 e 1999-2014. Participantes 36 051 pessoas com 40 anos ou mais de idade com peso e altura medidos na linha de base e recordaram o peso na idade adulta jovem (25 anos) e na idade adulta média (10 anos antes da linha de base).

Principais medidas de resultado 

Mortalidade por todas as causas e mortalidade específica desde o início até 31 de dezembro de 2015.

Resultados

Durante um seguimento médio de 12,3 anos, ocorreram 10 500 mortes.

Comparados aos participantes que permaneceram com peso normal, os que passaram da categoria de não-obesos para obesos entre a idade adulta jovem e média tiveram 22% (taxa de risco 1,22, intervalo de confiança de 95% 1,11 a 1,33) e 49% (1,49, 1,21 a 1,83) ) maior risco de morte por todas as causas e mortalidade por doenças cardíacas, respectivamente.

A mudança do índice de massa corporal obeso para não obeso durante esse período não foi significativamente associada ao risco de mortalidade.

Um padrão de alteração de peso obeso a não obeso da idade adulta média para a tardia foi associado a um risco aumentado de mortalidade por todas as causas (1,30, 1,16 a 1,45) e mortalidade por doenças cardíacas (1,48, 1,14 a 1,92), enquanto a mudança de não-obesos para a categoria de obesos nesse período não se associou significativamente ao risco de mortalidade.

Manter a obesidade durante a vida adulta foi consistentemente associado ao aumento do risco de mortalidade por todas as causas; a taxa de risco foi de 1,72 (1,52 a 1,95) da idade adulta jovem até a idade adulta média, 1,61 (1,41 a 1,84) da idade adulta jovem até a idade adulta média e 1,20 (1,09 a 1,32) da idade adulta média ao final da idade adulta.

O excesso de peso máximo teve uma associação muito modesta ou nula com a mortalidade na idade adulta.

Não foram encontradas associações significativas entre os vários padrões de alteração de peso e a mortalidade por câncer.

Conclusões 

A obesidade estável na idade adulta, o ganho de peso da idade adulta jovem até a idade adulta e a perda de peso da idade adulta média até a idade adulta mais velha foram associados ao aumento dos riscos de mortalidade.

Os resultados sugerem que a manutenção do peso normal durante a vida adulta, especialmente para impedir o ganho de peso no início da idade adulta, é importante para evitar mortes prematuras na vida adulta.

Introdução

A obesidade é um grande problema de saúde pública global.

A prevalência global de obesidade em adultos aumentou de 3% em 1975 para 11% em 2016 entre homens e de 6% para 15% entre mulheres.

Nos EUA, a prevalência de obesidade em adultos foi de 36% para homens e 38% para mulheres em 2016, em comparação com 11% para homens e 14% para mulheres em 1975.

A relação em forma de U ou J entre o índice de massa corporal (IMC) ) e a mortalidade está bem estabelecida.

No entanto, muitos estudos de coorte anteriores incluíram apenas uma única medida do IMC, que ignorou a característica dinâmica do peso corporal ao longo do tempo.

Assim, são necessários mais estudos para avaliar as consequências a longo prazo da mudança de peso durante certos períodos da vida.

Uma meta-análise recente de 26 estudos prospectivos em participantes com idades entre 40 e 65 anos na linha de base relatou que tanto a perda de peso quanto o ganho de peso entre a idade adulta e a velhice estavam relacionados ao risco elevado de mortalidade.

Outra metanálise de 17 estudos prospectivos em adultos com 60 anos ou mais chegou a conclusões semelhantes.

No entanto, os adultos ganham peso mais rapidamente da idade adulta jovem até a idade adulta, e o excesso de adiposidade ocorre principalmente nesse período, em comparação com o período entre a idade adulta média e tardia, quando o peso começa a se estabilizar ou até diminuir.

Além disso, impedir o ganho de peso da idade adulta jovem até a idade adulta média pode ser mais importante do que promover a perda de peso, pois é difícil atingir a perda de peso a longo prazo e mantê-la quando a pessoa se torna obesa.

Portanto, é importante avaliar o efeito a longo prazo da mudança de peso, particularmente o ganho de peso da juventude à meia idade adulta, na saúde futura.

Embora alguns estudos de coorte anteriores tenham relatado que o ganho de peso entre a idade adulta jovem e a meia-idade ou a idade adulta tardia estava associado ao aumento do risco de mortalidade, os resultados não foram inteiramente consistentes, com alguns estudos relatando não haver associação significativa.

Alguns estudos descobriram que a perda de peso estava associada ao aumento do risco de mortalidade, enquanto outros não.

Além disso, alguns estudos tiveram apenas duas medidas de peso (desde a idade adulta jovem, com cerca de 20 anos até a pesquisa inicial), utilizaram a abordagem de análise de trajetória quando mais de duas medidas de peso foram realizadas, ou realizadas em grupos específicos, e não na população em geral.

Um estudo anterior da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES) 1988-2004 avaliou as relações de todas as causas de mortalidade com status de peso aos 25 anos, 10 anos antes da linha de base, e na pesquisa de linha de base entre adultos com  idade na linha de base de 50 a 74 anos.

No entanto, este estudo se concentrou na modelagem estatística da história da obesidade e sugeriu que um modelo de duração teve bom desempenho na previsão da mortalidade.

Utilizando dados atualizados do NHANES 1988-2014, objetivamos examinar as relações de alterações de peso da idade adulta jovem (25 anos) à meia-idade (idade média 47 anos) e ao final da idade adulta (idade média 57 anos) com mortalidade por  todas as causas e causas específicas.

Discussão

Neste grande estudo prospectivo de adultos norte-americanos representativos nacionalmente, o menor risco de mortalidade foi em participantes normais estáveis, enquanto a obesidade estável na idade adulta e o ganho de peso da idade adulta jovem até a meia idade estiveram associados ao aumento do risco de mortalidade; além disso, a perda de peso do meio ao final da idade adulta estava significativamente relacionada ao aumento do risco de mortalidade.

Os resultados ressaltam a importância de manter o peso normal na idade adulta, especialmente a prevenção de ganho de peso no início da idade adulta, para reduzir o risco de mortalidade mais tarde na vida.

Comparação com outros estudos

A associação entre IMC e mortalidade tem sido extensivamente estudada em muitos estudos prospectivos de coorte.

No entanto, a maioria dos estudos foi realizada em participantes de meia-idade ou mais velhos e, em geral, foi relatada uma associação em forma de U.

Em nosso estudo, chegamos a uma conclusão semelhante usando o IMC basal como a exposição quando a idade média dos participantes era de 57 anos.

No entanto, nosso estudo e vários outros estudos mostraram claramente que o IMC no início da idade adulta está linearmente associado a um maior risco de mortalidade mais tarde na vida.

Além disso, descobrimos que aproximadamente 80% dos participantes que eram obesos na idade adulta jovem permaneceram obesos na idade adulta média ou tardia (dados não mostrados); portanto, nossos resultados também são consistentes com estudos anteriores que mostram que uma maior duração da obesidade estava associada a maior risco de mortalidade.

Além do status de obesidade em um único momento, mais estudos estão agora focados em mudanças no peso corporal e nos resultados de saúde, porque as mudanças de peso são comuns na vida adulta.

Vários estudos com medidas repetidas de IMC relataram que a perda de peso e o ganho de peso em adultos de meia idade e mais velhos estavam associados a um risco aumentado de mortalidade, e um risco 45% e 7% maior mortalidade por todas as causas de foi relatado em uma metanálise 26 estudos de coorte em adultos de meia idade e mais velhos.

Também vimos resultados semelhantes em nossa análise recente na população chinesa de Cingapura.

No estudo relatado aqui, obesidade estável e perda de peso de um padrão obeso para não obeso do meio ao final da idade adulta apresentaram um risco de mortalidade 20% e 30% maior, respectivamente.

O ganho de peso extremo (≥20 kg) nos 10 anos anteriores à linha de base foi associado a um risco de mortalidade 36% maior, enquanto o ganho de peso baixo a moderado (variando de 2,5 kg a 20 kg) ou o ganho de peso de IMC não obeso a obeso não está significativamente associado ao risco de mortalidade.

Portanto, os resultados foram consistentes com os estudos anteriores.

Nosso estudo tem a característica única de examinar os padrões de mudança de peso no risco de vida adulta e mortalidade mais tarde na vida.

Descobrimos que as relações de obesidade estável e ganho de peso do IMC não obeso para obeso com a mortalidade eram geralmente mais fortes na idade adulta jovem até a idade adulta média do que no meio para idade adulta mais velha.

O ganho de peso em adultos ocorre principalmente da idade adulta jovem até a meia idade, mas ainda faltam estudos neste período crítico.

Um estudo realizado em 1657 homens finlandeses com idade média inicial de 47 anos relatou que o risco de mortalidade aumentou significativamente no trimestre mais alto do ganho de peso (≥15,0 kg) dos 25 anos à idade inicial, em comparação com o trimestre mais baixo.

No estudo da Southern Community Cohort com 56.868 participantes dos EUA com idades entre 40 e 65 anos, Hirko et al relataram que ser obeso com apenas 21 anos de idade ou na juventude e na idade adulta associava-se significativamente a maior risco de mortalidade, mas ganho de peso de não-obesidade à obesidade não era.

As razões para os resultados inconsistentes podem ser que este estudo utilizou a não-obesidade estável como grupo de referência e a maioria dos participantes eram americanos negros, nos quais os autores relataram anteriormente que a obesidade na idade adulta média ou tardia não estava associada a maior risco de mortalidade .

Usando dados da coorte do National Institutes of Health-AARP com 109 947 nunca fumantes com idade entre 50 e 71 anos na entrada, Adams et al descobriram que o ganho de peso estava positivamente relacionado à mortalidade, com associações mais fortes para ganho de peso entre 18 e 35 anos e dos 35 aos 50 anos do que dos 50 aos 69 anos.

O estudo do National Institutes of Health-AARP também constatou que a perda de peso no final da idade adulta, mas não no início da idade adulta, estava significativamente associada ao aumento do risco de mortalidade.

Nossos resultados são consistentes com esses estudos e indicam que evitar a obesidade em tenra idade e impedir o ganho de peso entre os jovens e a meia-idade pode ser uma estratégia importante para reduzir o risco futuro de mortalidade.

Vários estudos também investigaram a relação da mudança de peso entre o jovem e o final da idade adulta e o risco de mortalidade, mas os resultados não foram inteiramente consistentes.

Alguns estudos descobriram que o ganho de peso nesse período estava associado ao aumento do risco de mortalidade por todas as causas, enquanto outros estudos relataram que a perda de peso, mas não o ganho de peso, estava relacionada ao aumento do risco de mortalidade, que foi semelhante aos nossos resultados.

A inconsistência pode ser devida às diferenças no tamanho da amostra (variando de 2512 a 118 140) e a variações substanciais nas definições de mudança de peso entre os estudos, o que dificulta as comparações diretas.

Além disso, a idade basal variou em diferentes estudos e estudos anteriores mostraram que a associação obesidade-mortalidade tendia a declinar com o aumento da idade.

Como também demonstrado em nosso estudo, a associação entre ganho de peso e mortalidade atenuou à medida que as pessoas envelheciam, enquanto a associação com perda de peso se tornou mais forte e significativa no meio ao final da idade adulta.

Neste estudo, descobrimos que tanto o ganho de peso da não obesidade na idade adulta jovem até a obesidade na idade adulta média e a perda de peso da obesidade na idade adulta média à não obesidade na idade adulta tardia estiveram associados a maior risco de mortalidade por doenças cardíacas.

Os resultados foram consistentes com alguns estudos anteriores sobre mortalidade por doenças cardiovasculares.

Os padrões de alteração de peso não foram significativamente associados à mortalidade por câncer na idade adulta em nosso estudo, mas não tivemos dados sobre câncer incidente ou mortalidade por câncer específico no local, portanto ainda são necessários mais estudos para examinar as relações entre alteração de peso e risco de câncer.

Em nosso estudo, o excesso de peso máximo geralmente não estava significativamente relacionado ao risco de mortalidade.

Esse padrão de alteração de peso consistiu em três grupos heterogêneos e os resultados devem ser interpretados com cautela.

As relações positivas de sobrepeso estável e padrões normais a sobrepeso com a mortalidade foram atenuadas ou mesmo revertidas com o aumento da idade, o que foi consistente com nossa principal recomendação de prevenção do ganho de peso em idade precoce.

A perda de peso do excesso de peso ao peso normal foi consistentemente associada a um maior risco de mortalidade na idade adulta,

Pontos fortes e limitações do estudo

Este estudo teve vários pontos fortes, incluindo sua amostra grande e nacionalmente representativa, alta taxa de acompanhamento e análise detalhada da mudança de peso, desde a idade adulta jovem até a meia-idade e até a idade adulta tardia.

Nosso estudo mostra a importância de examinar os padrões de mudança de peso em diferentes períodos da vida, uma vez que as pessoas têm maior probabilidade de ganhar peso e acumular peso rapidamente da idade adulta até a meia idade adulta, enquanto o peso começa a se estabilizar ou até diminuir da idade adulta média para a adulta.

Além disso, o ganho de peso da idade adulta jovem até a idade adulta média reflete principalmente o acúmulo de massa gorda, enquanto a perda de peso na idade adulta média e tardia é geralmente acompanhada de comorbidades, diminuição da massa magra e aumento da massa gorda, portanto, os mecanismos subjacentes ao efeito prejudicial da mudança de peso em certos períodos da vida podem diferir.

Outra força de nossa pesquisa é que ajustamos um grande número de fatores de confusão em potencial, incluindo status socioeconômico e fatores de estilo de vida.

No entanto, alguns fatores, como atividade física, qualidade da dieta e estado de saúde autorreferido na linha de base, também podem ser mediadores das relações de status de peso e padrões de alteração de peso na juventude e na idade adulta com risco de mortalidade, porque podem ser influenciados por status de peso e alterações de peso na idade adulta jovem.

Nosso estudo também tem várias limitações. 

Primeiramente, nossa aproximação da idade adulta média (faixa etária 30-80 anos, faixa interquartil 36-56) se sobrepôs à idade adulta tardia (faixa etária 40-90, faixa interquartil 46-66).

No entanto, na análise estratificada pela idade basal, os resultados permaneceram e foram ainda mais fortes nos participantes com menos de 60 anos de idade, o que confirmou ainda que o ganho de peso e a obesidade estável na idade adulta mais jovem estavam associados a um maior risco de mortalidade.

Em segundo lugar, usamos dados de peso recordados e auto-relatados aos 25 anos e 10 anos antes da pesquisa de base do NHANES e, portanto, o viés de classificação incorreta pode ter sido introduzido.

No entanto, vários estudos de validação e uma meta-análise recente mostraram que o peso recordado na primeira infância poderia ser uma medida válida para uso na análise epidemiológica do curso da vida.

Em terceiro lugar, muitas covariáveis ​​estavam disponíveis apenas na linha de base, portanto, não podíamos usar covariáveis ​​com variação de tempo para capturar alterações em possíveis fatores de confusão ao longo do tempo.

Em quarto lugar, não foi possível diferenciar a mudança de peso intencional e não intencional, e informações adicionais sobre os motivos da mudança de peso podem permitir uma melhor interpretação dos resultados de estudos futuros e, portanto, estratégias de intervenção apropriadas.

Por fim, não avaliamos as relações de alterações de outros marcadores relacionados à adiposidade, como circunferência da cintura e massa gorda com mortalidade devido à falta de dados em diferentes momentos.

Estudos adicionais com dados repetidos sobre esses marcadores podem fornecer uma imagem mais abrangente das alterações no status da obesidade e no risco de mortalidade.

Conclusões e implicações na saúde pública

Nosso estudo constatou que a obesidade estável na idade adulta e o ganho de peso da idade adulta jovem até a idade adulta média estavam associados a riscos aumentados de todas as causas e mortalidade por doenças cardíacas, assim como a perda de peso entre a idade adulta média e a idade adulta tardia.

Estudos futuros são necessários para desvendar os mecanismos subjacentes à associação entre a mudança de peso na idade adulta e a mortalidade, particularmente as relações de alterações na composição corporal com a mortalidade.

Além disso, como a perda de peso é menos viável (apenas 1,4% dos participantes mudaram da categoria de obesos para não obesos da juventude para a idade adulta tardia), nossos resultados sugerem que a prevenção do ganho de peso pode ser mais importante.

Tomados em conjunto, os resultados indicam que a manutenção do peso normal ao longo da vida adulta, especialmente a prevenção do ganho de peso no início da idade adulta, deve ser incentivado a reduzir o risco de mortes prematuras.

Finalmente, ainda são necessários mais estudos para considerar outros resultados relacionados à saúde e à obesidade, e também são necessários ensaios clínicos sobre as conseqüências a longo prazo da perda de peso na saúde.

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