terça-feira, 20 de agosto de 2019

Mas afinal, o que faz um médico Nutrólogo e quando procurar um?



A Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. 

Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.

O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou em 1932 com o médico Josué de Castro que estudou problemas relacionados a nutrição no Brasil, influenciado pelo Nutrólogo argentino Pedro Escudeiro (o pai da Nutrição médica na América Latina). Dr. Josué foi responsável pelo primeiro estudo de inquérito alimentar no Brasil. Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil por 10 anos. Foi diretor cientifico dos Arquivos Brasileiros. Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Ele foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico e desde a década de 50 atua em nosso país. Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)

A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Uma associação médica que foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian). Porém só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM). 

A nutrologia acabou tendo uma forte ascensão no cenário médico nacional nos últimos 6 anos. Ascensão tão forte que a maioria dos que se intitulam Nutrólogos na verdade não são. Como dizia um outdoor aqui em Goiânia: “Especialize-se na especialidade do momento”.

A Nutrologia até alguns anos era uma especialidade um pouco desconhecida pela população e até mesmo pelos médicos.  Com o aumento do interesse por temas relacionados à alimentação e doenças nutroneurometabólicas o interesse pela área cresceu de forma exponencial.  Ao passo que hoje temos que lidar com um problema, que é a quantidade exorbitante de profissionais que se intitulam nutrólogos e na verdade não são. Médicos que apenas fizeram pós-graduações de Nutrologia ou nem isso. 

Saliento que só é especialista em Nutrologia/Nutrólogo quem fez residência médica em Nutrologia ou tem título de especialista pela ABRAN. Ou seja, aqueles que possuem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) junto ao Conselho Federal de Medicina. Isso pode ser verificado consultando o nome do profissional no site do Conselho Federal de Medicina. 

No Brasil a Especialidade relacionada à Nutrição médica é a Nutrologia. Porém há áreas de atuação dentro da Nutrologia. São elas:

  • Nutrição Parenteral e Enteral
  • Nutrição Parenteral e Enteral Pediátrica
  • Nutrologia Pediátrica

Mas afinal, o que faz um nutrólogo ?

O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico.

A Nutrologia estuda, pesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.

O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnóstico, prevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida.

Nossa abrangência engloba:


  1. O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos quando necessários.
  2. A identificação de possíveis “erros” alimentares, hábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as inter-relações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  3. O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. 
  4. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  5. Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.


Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentar?

Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.

O Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 

Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com risco nutricional. 

A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).

Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:


  • Nutroterapia no paciente cirúrgico (preparo pré-cirúrgico), pediátrica, geriátrica, esportiva,  oncológica,  materno-fetal, doenças hepáticas, doenças gastrintestinais,  doenças renais, doenças pulmonares, doenças cardíacas e vasculares, doenças neurológicas, doenças reumatológicas, doenças osteomusculares, doenças hematológicas, doenças alérgicas.

Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.

Quais doenças e situações tratamos ?

  1. Pacientes saudáveis que deseja melhorar hábitos dietéticos e salutares de vida.
  2. Pacientes saudáveis que desejam realizar check up nutricional, para detecção de falta ou excesso de nutrientes.
  3. Pacientes críticos e internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs), necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
  4. Pacientes restritos ao leito hospitalar e que necessitam de suporte nutricional adequado para se evitar desnutrição intra-hospitalar.
  5. Pacientes que serão ou foram submetidos a cirurgias.
  6. Orientações nutrológicas para pacientes oncológicos (os mais diversos tipos de câncer).
  7. Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia).
  8. Pacientes com gastrostomia ou jejunostomia.
  9. Magreza constitucional (baixo peso), em todas as fases da vida.
  10. Sobrepeso.
  11. Obesidade em todos os seus graus: em todas as fases da vida.
  12. Preparo pré-cirurgia bariátrica.
  13. Acompanhamento pós-cirurgia bariátrica.
  14. Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
  15. Bulimia, Anorexia, Síndrome do Comer Noturno, Vigorexia, Ortorexia: aspectos nutrológicos. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável
  16. Aspectos nutricionais da ansiedade, depressão, insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e o nutrólogo busca déficits nutricionais ou intoxicação por substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença).
  17. Intolerância à glicose, Diabetes mellitus tipo 2  e tipo 1.
  18. Dislipidemias: hipercolesterolemia (aumento do colesterol) e hipertrigliceridemia (aumento do triglicérides).
  19. Síndrome metabólica: Obesidade acompanhada de hipertensão, aumento da circunferência abdominal ou dislipidemia.
  20. Esteatose hepática não-alcoólica (gordura no fígado).
  21. Alergias alimentares.
  22. Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, rafinose e sacarose).
  23. Anemias carenciais (por falta de ferro, de vitamina B12, de ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A).
  24. Pacientes vegetarianos, veganos, ovolactovegetarianos, crudivoristas.
  25. Constipação intestinal (intestino preso).
  26. Diarreia aguda ou crônica.
  27. Síndrome do Intestino Curto.
  28. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão).
  29. Alterações da Permeabilidade intestinal (leaky Gut), Disbiose intestinal.
  30. Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).
  31. Síndrome do intestino irritável.
  32. Orientações nutrológicas em Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa.
  33. Aspectos nutrológicos da Fibromialgia.
  34. Pacientes portadores de Fadiga.
  35. Acompanhamento nutrológico pré-gestacional e gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior e fazer suplementações necessárias).
  36. Infertilidade (aspectos nutrológicos).
  37. Orientações nutrológicas para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial).
  38. Orientações nutrológicas para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística).
  39. Orientações nutrológicas em Hiperuricemia (aumento do ácido úrico), Gota.
  40. Orientações nutrológicas em Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.
  41. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com sarcopenia (baixa quantidade patológica de músculo).
  42. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com osteoporose ou osteopenia.
  43. Orientações nutrológicas para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca).
  44. Orientações nutrológicas em portadores de HIV em tratamento com antirretrovirais.
  45. Orientações nutrológicas para hepatopatas (Varizes esofagianas, Hipertensão portal, insuficiência hepática, Ascite, cirrose hepática).
  46. Orientações nutrológicas para nefropatas (Insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, glomerulonefrites, litíase renal, gota e hiperuricemia assintomática).
  47. Atletas

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 | RQE 11915

Para saber a diferença entre um Nutrólogo e um Nutricionista acesse: http://www.nutrologogoiania.com.br/a-nutrologia/nutrologo-e-nutricionista/

Entre um Nutrólogo e um Endocrinologista, acesse:


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