quarta-feira, 10 de julho de 2019

Conservante alimentar (propionato) pode elevar glicemia

O Propionato, um dos ácido graxo de cadeia curta, é um potente inibidor de fungos e é amplamente usado como conservante de alimentos, principalmente em pães.

Estudo duplo cego, placebo controlado crossover em adultos saudáveis voluntários avaliou se o propionato afetaria o metabolismo pós prandial da glicose e identificou seu mecanismo. Foram incluidos adultos entre 18 e 65 anos, saudáveis e com IMC entre 20 e 29kg/m². Os voluntários foram divididos em dois grupos e receberam uma refeição de 500 kcal livre de propionato, um dos grupos recebeu na forma suplementar 1000mg de propionato de calcio e o outro grupo recebeu um placebo. Após uma semana de washout os grupos eram trocados. Foram colhidas amostras de sangue no tempo 0, 15 minutos e a cada 30 minutos até completar 4 horas após a refeição, para avaliar a glicemia e a insulinemia. Também foi realizado estudo com cobaias (ratos)  para avaliar a resposta hormonal, o glicogênio hepático, a avaliação neuronal, secreção proteína ligante de ácidos graxos tipo 4 (FABP4), secreção de glucagon pelas células pancreáticas e produção de glicose pelos hepatócitos com a utilização de propionato.

Nos cobaias, a administração intraperitoneal (IP) de propionato, em comparação ao piruvato, aumentou a glicemia nos machos (p<0,005) e fêmeas (p<0,05), sendo que a admnistração oral apresentou resultados semelhantes. A administração retal apresentou menores efeitos, sugerindo efeito metabólico sistêmico aumentado pela via oral. O propionato não alterou a glicogenólise hepática.  A capacidade do propionato em aumentar acentuadamente a glicose no sangue foi relacionada à dose administrada. Para avaliação dos efeitos crônicos dessa ingestão, foi adicionada uma pequena dose de propionato na agua das cobaias durante seis semanas. Ao final desse período foi observado aumento do peso, da glicose sanguinea, da insulina, do glucagon e do FABP4. As concentrações plasmáticas de propionato se correlacionaram positivamente com a resistência à insulina, avaliado pelo HOMA-IR (Pearson r=0,156, p=0,049).

Nos 14 voluntários humanos estudados, a ingestão de propionato levou a um aumento de propionato sanguíneo, bem como de norepinefrina (p<0,05), de glucagon (p<0,05) e de FABP4 (p<0,005) em comparação à resposta com suplementação de placebo. Os autores discutiram que o aumento de insulina levou a uma redução da sensibilidade à insulina gerando um aumento compensatório da secreção desse hormônio e de peptideo-C, sendo que essa desrregulação culmina em uma hiperglicemia refrataria. Em um modelo linear geral ajustado para idade, sexo, IMC inicial e a extensão da perda de peso após 6 meses de intervenções dietéticas, um maior declínio no propionato sérico em 6 meses foi associada a uma melhora significativa na resistência à insulina (p = 0,008).

Assim, os autores concluiram que o propionato pode ativar um aumento, mediado por catecolaminas, nos sinais da contra-reguladores da insulina, levando à resistência a insulina e à hiperinsulinemia, que, ao longo do tempo, podem promover adiposidade e aletarações metabólicas.

Referência: Tirosh A et al. The short-chain fatty acid propionate increases glucagon and FABP4 production, impairing insulin action in mice and humans. Sci Transl Med. 2019 Apr 24;11(489). pii: eaav0120.

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