domingo, 7 de abril de 2019

Qual a real eficácia de mudanças de estilo de vida para perda de peso? Por Dr. Bruno Halpern

A obesidade é um problema de saúde pública e associa-se a diversas outras doenças, como DM2, doenças cardiovasculares, câncer, etc. 

Dessa forma, é natural que, ao receber um paciente em seu consultório para tratamento de alguma doença, se essa tem relação com a obesidade e seu paciente está acima do peso, se recomende a ele, até como estratégia principal da consulta, uma perda de peso substancial.

Acontece que apesar de nossas recomendações, a grande maioria dos pacientes tem dificuldade em perder peso. Há estudos que mostram que “aconselhamento nutricional” (isto é, simplesmente dizer ao seu paciente “fechar a boca e se mexer”) tem taxas de sucesso próximos a zero; e mesmo programas estruturados de mudança de estilo de vida, com acompanhamento médico, nutricional, de exercício físico e psicológico tem taxas baixas de sucesso; uma revisão de 2011 apontou uma efetividade de perda de peso ao redor de 3 kgs (1). 

Porém, é claro, existem indivíduos “bons respondedores”, mas estes são a minoria. Em um estudo em atenção básica, publicada no NEJM, foi demonstrado que cerca de 30% dos pacientes atingem 5% de perda de peso, e apenas 10% dos pacientes atingem 10% de perda de peso, após 1 ou 2 anos. 

Com isso, desafia-se aquela máxima de que basta se esforçar e os resultados aparecerão (2).

É necessário entender que o peso é controlado pelo hipotálamo, por centros da fome, e qualquer variação negativa é entendida pelo hipotálamo como perigosa. Assim, por meio de redução do gasto energético e aumento do apetite, há uma tendência natural de recuperação do peso (3).

Destaco esses dados para reforçar a importância de acompanhamento médico da obesidade, com potencial de uso de medicações e cirurgia bariátrica para casos mais graves. Discutirei esses assuntos em outras postagens.

Ref:

(1)Leblanc ES, O’Connor E, Whitlock EP, et al. Effectiveness of primary care-relevant treatments for obesity in adults: a systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. AnnIntern Med. 2011 Oct 4;155(7):434-47.

(2)Wadden TA, Volger S, Sarwer DB, et al. A two-year randomized trial of obesity treatment in primary care practice. N Engl J Med. 2011 Nov 24;365:1969-79.

(3)Polidori D, Sanghi A, Seeley RJ, et al. How strongly does appetite counter weight loss? Quantification of the feedback control of human energy intake. Obesity (Silver Spring). 2016 Nov;24(11):2289-95

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