sexta-feira, 12 de abril de 2019

Da série: Fármacos anti-obesidade: Sibutramina (por Dr. Bruno Halpern)

O Dr. Bruno Halpern, endocrinologista e referência no tratamento e pesquisa da obesidade no Brasil, recentemente começou uma série de postagens sobre os fármacos anti-obesidade.

Há muito preconceito em cima das medicações e muitos mitos como por exemplo: se parar de tomar engorda tudo novamente.

É muito fácil leigos opinarem sobre o assunto quando não possuem experiência no tratamento da obesidade. Nesses 5 anos a frente do ambulatório de Nutrologia, foram mais de 4 mil pacientes atendidos e em sua maioria obesos. Os resultados no tratamento apenas com mudanças de estilo de vida são desanimadores. Menos de 10% dos pacientes conseguem realmente emagrecer (perder gordura) e sustentar essa perda após 2 anos, apenas com adoção de dieta hipocalórica e prática diária de atividade física.

Há casos de sucesso? Sim, tenho inúmeros. Mas sejamos francos, 90% vai “fraquejar” e é aí que entram as medicações anti-obesidade. Temos no Brasil um arsenal ainda limitado, seja por não-liberação da ANVISA, seja pelo custo alto.

Portanto achei louvável essa iniciativa do Prof.Dr. Bruno Halpern, para desmistificar o uso das medicações para emagrecimento.

Apenas um adendo: virou moda nutricionista querer prescrever MEDICAMENTO para obesidade. Nutricionista não tem permissão para prescrição de qualquer medicamento. Ou seja, cabe denúncia junto ao Conselho Regional de Nutrição. Nas últimas 3 semanas meu nutricionista recebeu 3 prescrições de medicamentos feito por nutricionistas em conchavo com farmácias de manipulação. 

Att.

Dr. Frederico Lobo



A sibutramina é um medicamento para tratamento da obesidade bastante controverso, por isso a importância de uma postagem para explicar os benefícios e os riscos

Ao contrário do que muitos pensam, ela não é um “inibidor do apetite”; ela aumenta a saciedade, por ações no cérebro, fazendo com que, ao comermos menos, possamos ficar satisfeitos por mais tempo. Ou seja, ela ajuda a dieta, mas tem pouco efeito em quem não se engaja em uma. Ao mesmo tempo, ela pode impedir parcialmente a redução de gasto energético que ocorre quando emagrecemos.

A resposta média é entre 4-5 kgs nos estudos, mas há bons e maus respondedores: 28% perdem mais que 10% do peso.

E quais os riscos? A maior preocupação com a sibutramina é o aumento de frequência cardíaca e pressão que pode ocorrer em alguns indivíduos, portanto é contra-indicada para quem tem a pressão descontrolada ou risco aumentado de doenças cardiovasculares.

Para quem não tem riscos, a preocupação é menor, até porque a perda de peso em si por vezes reduz a pressão, mas ainda assim é importante medir pressão e frequência de vez em quando.

Outra preocupação é com o uso concomitante de outras medicações de ação no cérebro, ou algumas doenças psiquiátricas, pois pode influenciar no tratamento. Não chega a ser sempre uma contra-indicação, mas é preciso cuidado.

Algo que vejo com frequência é pessoas falarem mal da sibutramina baseado em experiências com fórmulas manipuladas: muitas vezes, os efeitos colaterais vieram da combinação de diversas substâncias, mas é a sibutramina que leva a fama!

Ou seja, a sibutramina é uma opção viável para tratamento responsável da obesidade, com menos colaterais que muitos pensam, mas alguns cuidados são sempre importantes!

Sempre sob prescrição médica. 

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