segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Vinho tinto encabeça a lista de gatilhos comuns da migrânea

As bebidas alcoólicas, especialmente o vinho tinto, são consideradas um gatilho comum da migrânea, sugere uma nova pesquisa.

Em um estudo transverso com mais de 2.000 pacientes com crises de migrânea, as bebidas alcoólicas foram responsabilizadas por deflagrar as crises em mais de um terço (35,6%) dos entrevistados.

Entre as várias bebidas alcoólicas, o vinho – especialmente o vinho tinto – foi identificado como o que mais provavelmente provoca a migrânea (77,8%), enquanto a vodca foi a menos provável (8,5%). No entanto, apenas 8,8% dos participantes relataram que o vinho tinto sistematicamente provocou alguma crise.

"Pacientes com migrânea devem tomar cuidado ao beber vinho tinto durante as festas, para ficarem felizes em vez de sofrer com uma crise de migrânea depois do jantar", disse ao Medscape a Dra. Gisela Terwindt, neurologista do Leiden University Medical Center, na Holanda, e uma das autoras do estudo.

Os resultados foram publicados on-line em 18 de dezembro no periódico European Journal of Neurology.

"Não é como uma ressaca"
Na pesquisa, um terço dos 2.197 participantes disse que a migrânea geralmente começa três horas após o consumo de álcool e quase 90% disseram que o início da crise ocorreu em até 10 horas, independentemente do tipo de bebida alcoólica consumida.

"O fato de as crises começarem logo após a ingestão da bebida, mostra que não é como a cefaleia da ressaca e, portanto, o mecanismo subjacente é diferente do mecanismo da ressaca", observou a Dra. Gisela.

"É provável que exista uma combinação de gatilhos, incluindo fatores adicionais como a privação do sono e o período menstrual, que provocam crises de migrânea", acrescentou a pesquisadora.

A Dra. Gisela disse que também é importante observar que o consumo de bebidas alcoólicas não provocará crise todas as vezes. Ainda assim, um quarto dos pacientes disse que parou consumir bebidas alcoólicas ou nunca começou por causa dos supostos efeitos deflagradores.

Convidado a comentar o estudo para o Medscape, o Dr. Noah Rosen, médico e diretor do Northwell Health's Headache Center, em Great Neck, Nova York, disse que "é interessante o fato de a maioria das pessoas não achar que as bebidas alcoólicas deflagram crises, e menos pessoas ainda consideram isso um evento regular, mas uma minoria significativa ainda o faz.

"Mais pessoas evitam as bebidas alcoólicas por medo de desencadear uma crise, em vez do seu risco real, provavelmente porque a migrânea é um forte reforço negativo", disse Dr. Noah, que não participou do estudo.

O estudo sugere que "as pessoas que têm migrânea devem saber que as bebidas alcoólicas podem ser um fator de risco, particularmente quando associadas a outros gatilhos comuns como estresse, desidratação, falta de sono e pular refeições", acrescentou o comentarista.

"Se você optar por beber, deve ser com moderação, intercalando com bebidas não alcoólicas e espaçadamente", disse Dr. Noah.

O estudo foi financiado pelo Netherlands Organization for Scientific Research e pela European Community. A Dra. Gisela Terwindt informou ter recebido apoio independente das empresas NWO, ZonMW, Dutch Heart Foundation, Dutch Brain Foundation e da European Community. O Dr. Noah Rosen informou não ter conflitos de interesses relevantes.

Eur J Neurol. Publicado on-line em 18 de dezembro de 2018.

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