quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Posicionamento CFO sobre Modulação Hormonal

No dia 29/01/2019 o Conselho Federal de Odontologia (CFO) publicou uma resolução proibindo a realização de terapias hormonais por cirurgiões-dentistas fora da sua área de atuação.

O CFO se une às entidades médicas em prol da saúde da população e corrobora com aquilo que o Conselho Federal de Medicina (CFM) vem há quase uma década lutando contra. 
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
👉Link para o posicionamento do CFO:
http://sistemas.cfo.org.br/visualizar/atos/RESOLU%C3%87%C3%83O/SEC/2019/199 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Segundo as principais sociedades médicas brasileiras, em concordância com o CFM: não existe especialista em modulação hormonal. OU seja, não caia nessa! Não existe especialista em modulação hormonal e não há uma maneira segura de utilizar hormônio em quem não tem deficiência. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
👉 Para mais informações, consulte também os posicionamentos das entidades médicas sobre a “modulação hormonal” e a “medicina anti-aging”: ⠀

Conselho Federal de Medicina (CFM):
http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&id=23324)

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM):
https://www.endocrino.org.br/alerta-sbem-nao-existe-especialista-em-modulacao-hormonal/#.XC_dCrKMlik.facebook ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN):
http://abran.org.br/2018/07/04/posicionamento-sobre-a-modulacao-hormonal/ ⠀⠀

Sociedade Brasileira de Urologia (SBU):
http://portaldaurologia.org.br/medicos/destaque-sbu/nota-oficial/ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO):
https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/647-posicao-da-febrasgo-referente-ao-julgamento-da-segunda-turma-do-tribunal-regional-federal-da-5-regiao-sobre-o-tratamento-de-modulacao-hormonal-para-o-antienvelhecimento

Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBCO):
https://sboc.org.br/noticias/item/1461-posicionamento-da-sboc-sobre-o-nao-reconhecimento-de-especialista-em-modulacao-hormonal

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Posicionamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica sobre o não reconhecimento de especialista em modulação hormonal

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - SBOC segue preocupada com a divulgação de mensagens sobre o câncer por profissional autodeclarado "especialista em modulação hormonal".

A afirmação de não existência de células malignas, a atribuição do surgimento do câncer à carência de hormônio e a divulgação da cura da doença por meio do uso de reposição de testosterona são um absurdo científico e não encontram amparo em qualquer publicação médica respeitável. Mais que isso, são um desrespeito aos doentes que, na natural busca por tratamentos para seus males, veem-se sensibilizados a aceitar informações de indivíduos que oferecem promessas de cura.

A SBOC se vê na obrigação de esclarecer que a reposição de testosterora não tem ação significativa contra tumores, pode ter efeito deletério sobre o paciente em tratamento oncológico e, em alguns casos, tem mesmo a capacidade de acelerar a progressão do câncer e de aumentar o risco de morte.

A SBOC apoia o alerta emitido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM, em 4 de janeiro de 2019, sobre o não reconhecimento de especialista em modulação hormonal. O posicionamento da SBEM vem ao encontro da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1999/2012, que estipula que a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e com benefícios cientificamente comprovados.

Em face ao potencial dano da divulgação de supostos benefícios antitumorais da assim chamada modulação hormonal sobre pacientes com câncer, a SBOC acompanhará com atenção o desenrolar das denúncias já feitas junto aos órgãos criminais e de defesa profissional, com a expectativa de que tais afirmações sejam retiradas de circulação.

Dr. Sergio D. Simon
Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - SBOC

Fonte: https://sboc.org.br/noticias/item/1461-posicionamento-da-sboc-sobre-o-nao-reconhecimento-de-especialista-em-modulacao-hormonal?fbclid=IwAR2jhAe0hxfQpOpruzZsF312jB882LDcFOI6Lt3IaX2vuN6uY0iBGt9rlSg

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Atenção plena pode contribuir para a perda ponderal em obesos

Pessoas obesas tentando perder peso com os programas tradicionais poderiam ter resultados significativamente melhores se também aprendessem técnicas de mindfulness ou atenção plena, sugerem os resultados de um estudo feito no Reino Unido.

A Dra. Petra Hanson, pesquisadora do Warwickshire Institute for the Study of Diabetes Endocrinology and Metabolism no University Hospital Coventry, solicitou a mais de 50 pacientes obesos encaminhados para um programa de perda ponderal que participassem de sessões de atenção plena.

Os que completaram o curso de quatro semanas conseguiram perder significativamente mais peso em seis meses em comparação com os que não completaram o estudo ou com o grupo que não fez o curso.

Além disso, o estudo, publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em 18 de dezembro, mostrou que as pessoas que completaram o curso de atenção plena tinham maior autoestima e maior autoconfiança em relação à perda ponderal, e melhor relação com a alimentação.

Atenção plena e bem-estar

O autor sênior do artigo o Dr. Thomas Barber, também do Warwickshire Institute for the Study of Diabetes Endocrinology and Metabolism, disse em um comunicado que "a atenção plena tem um enorme potencial como estratégia para atingir e manter uma boa saúde e bem-estar".

"Com o crescente impacto das doenças crônicas no século XXI, muitas relacionadas com escolhas comportamentais do estilo de vida, é lógico que o foco seja permitir que a população tome decisões apropriadas sobre o próprio estilo de vida e capacitar as pessoas à subsequente mudança para um comportamento saudável", acrescentou.

"No contexto da obesidade e dos comportamentos relacionados à alimentação, demonstramos que as técnicas de atenção plena podem fazer exatamente isso".

Em entrevista para o Medscape, a Dra. Petra disse não ter ficado surpresa com a magnitude dos resultados, já que os participantes "adquiriram outras habilidades", como a consciência dos gatilhos emocionais para comer, passaram ter mais compaixão e aceitação de si mesmos e adotaram estratégias que contribuem para retomar o controle depois de uma eventual fuga da dieta.

"Sabemos que os pacientes obesos tendem a adotar um estilo de alimentação inconsequente, muitas vezes fazendo as refeições enquanto assistem televisão, comendo quando não estão com fome, e usando a comida como escape nas situações de estresse", disse a médica.

"Enorme potencial"

Destacando que se tornar mais consciente sobre os próprios hábitos alimentares não está relacionado com nenhum tipo de alimentação específica, a Dra. Petra afirmou que a atenção plena tem um enorme potencial de contribuir para a perda ponderal em longo prazo, não apenas reforçando a autoconfiança.

O enfermeiro Dan Howarth, chefe da instituição humanitária Diabetes UK, que não participou da pesquisa, comentou que "este estudo sugere que a atenção plena pode ser uma ferramenta útil para ajudar as pessoas a perderem peso e manterem hábitos alimentares saudáveis".

Dan disse ao Medscape que o estudo Diabetes UK's DiRECT mostrou que "a perda de peso feita com rigor pode fazer regredir o diabetes tipo 2 de alguns pacientes".

"Por isso, é fundamental descobrirmos mais acerca das contribuições psicossociais à perda ponderal, como a atenção plena, a fim de tornar a remissão uma opção realista para o maior número de pessoas com diabetes tipo 2".

Atenção plena ganha destaque

A atenção plena ou se concentrar no aqui e agora, tornou-se uma técnica amplamente adotada nos últimos anos, não apenas na psicoterapia, mas também para o tratamento de dor crônica, depressão e ansiedade.

Embora as mudanças no estilo de vida permaneçam, nas palavras dos pesquisadores, o "pilar do controle da perda ponderal" para pessoas obesas, elas são difíceis de implementar e não estão associadas a sucesso em longo prazo.


Desse modo, os pesquisadores partiram para determinar se a atenção plena poderia modificar os hábitos alimentares e a relação com a comida, além da autoconfiança em relação à perda ponderal.

Detalhes do estudo

Entre 2016 e 2017, os pesquisadores recrutaram 53 adultos com índice de massa corporal (IMC) > 35 kg/m² recém-encaminhados para um serviço especializado em controle de peso terciário no hospital universitário no qual atuavam.

Os pacientes participaram de quatro sessões em grupo, nas quais foram ensinados comportamentos alimentares baseados na atenção plena.

Os hábitos alimentares informados pelos próprios pacientes e o peso corporal foram avaliados no início do estudo, após a conclusão das sessões em grupo e no sexto mês do acompanhamento.

Dos 53 participantes, 33 completaram as quatro sessões de treinamento em atenção plena.

Os participantes que completaram o curso tiveram menos probabilidade de ser do sexo masculino do que os que não completaram (definidos como tendo comparecido a apenas uma ou duas sessões), com 21,2% versus 45,0%, respectivamente, e serem um pouco mais jovens, com uma média de idade de 44,4 anos em comparação aos 47,7 anos dos que não completaram.

Os que completaram as sessões também registraram menor peso no início do estudo do que os que não completaram, com 126,3 kg em relação a 147,7 kg (P = 0,03) e tiveram média mais baixa de IMC, 46,5 kg/m² vs. 51,6 kg/m² (P = 0,05), respectivamente.

A equipe observou que os participantes perderam significativamente mais peso durante o acompanhamento, com uma perda média aos seis meses em relação ao início do estudo de 3,1 kg (P = 0,002) em comparação a 0,9 kg entre os não que completaram (P = 0,34).

A conclusão do curso de atenção plena também foi associada a melhora significativa do estilo alimentar geral informado pelos próprios participantes, de 14,3 pontos (4%; P = 0,009), que ocorreu principalmente por mudanças nas atitudes em relação a comer besteiras.

Em seguida, os pesquisadores compararam os participantes que completaram o curso a um grupo de controle retrospectivo formado por 33 pessoas que tinham sido encaminhadas ao programa de perda ponderal sem fazer o treinamento de atenção plena.

Os autores observaram que os pacientes que fizeram o treinamento até o fim perderam em média 2,85 kg a mais do que os participantes do grupo de controle (P = 0,036), que perderam em média apenas 0,21 kg no mesmo período de acompanhamento.

Os participantes do grupo da atenção plena informaram ter gostado das sessões, valorizando a interação social com os outros pacientes e disseram ter aumentado a compaixão, a estima, o respeito e valorização de si mesmos.

Os participantes que fizeram o treinamento também disseram estarem mais aptos a planejar as refeições com antecedência e se sentiram mais confiantes e no controle da sua perda ponderal.

Não foi informado nenhum financiamento ou conflito de interesse.

J Clin Endo Metab 2018: jc.2018-00578. doi: 10.1210/jc.2018-00578

Fonte: https://portugues.medscape.com/verartigo/6503088?nlid=126984_4182&src=WNL_ptmdpls_190107_mscpedit_gen&uac=217917MV&impID=1854081&faf=1

Vinho tinto encabeça a lista de gatilhos comuns da migrânea

As bebidas alcoólicas, especialmente o vinho tinto, são consideradas um gatilho comum da migrânea, sugere uma nova pesquisa.

Em um estudo transverso com mais de 2.000 pacientes com crises de migrânea, as bebidas alcoólicas foram responsabilizadas por deflagrar as crises em mais de um terço (35,6%) dos entrevistados.

Entre as várias bebidas alcoólicas, o vinho – especialmente o vinho tinto – foi identificado como o que mais provavelmente provoca a migrânea (77,8%), enquanto a vodca foi a menos provável (8,5%). No entanto, apenas 8,8% dos participantes relataram que o vinho tinto sistematicamente provocou alguma crise.

"Pacientes com migrânea devem tomar cuidado ao beber vinho tinto durante as festas, para ficarem felizes em vez de sofrer com uma crise de migrânea depois do jantar", disse ao Medscape a Dra. Gisela Terwindt, neurologista do Leiden University Medical Center, na Holanda, e uma das autoras do estudo.

Os resultados foram publicados on-line em 18 de dezembro no periódico European Journal of Neurology.

"Não é como uma ressaca"
Na pesquisa, um terço dos 2.197 participantes disse que a migrânea geralmente começa três horas após o consumo de álcool e quase 90% disseram que o início da crise ocorreu em até 10 horas, independentemente do tipo de bebida alcoólica consumida.

"O fato de as crises começarem logo após a ingestão da bebida, mostra que não é como a cefaleia da ressaca e, portanto, o mecanismo subjacente é diferente do mecanismo da ressaca", observou a Dra. Gisela.

"É provável que exista uma combinação de gatilhos, incluindo fatores adicionais como a privação do sono e o período menstrual, que provocam crises de migrânea", acrescentou a pesquisadora.

A Dra. Gisela disse que também é importante observar que o consumo de bebidas alcoólicas não provocará crise todas as vezes. Ainda assim, um quarto dos pacientes disse que parou consumir bebidas alcoólicas ou nunca começou por causa dos supostos efeitos deflagradores.

Convidado a comentar o estudo para o Medscape, o Dr. Noah Rosen, médico e diretor do Northwell Health's Headache Center, em Great Neck, Nova York, disse que "é interessante o fato de a maioria das pessoas não achar que as bebidas alcoólicas deflagram crises, e menos pessoas ainda consideram isso um evento regular, mas uma minoria significativa ainda o faz.

"Mais pessoas evitam as bebidas alcoólicas por medo de desencadear uma crise, em vez do seu risco real, provavelmente porque a migrânea é um forte reforço negativo", disse Dr. Noah, que não participou do estudo.

O estudo sugere que "as pessoas que têm migrânea devem saber que as bebidas alcoólicas podem ser um fator de risco, particularmente quando associadas a outros gatilhos comuns como estresse, desidratação, falta de sono e pular refeições", acrescentou o comentarista.

"Se você optar por beber, deve ser com moderação, intercalando com bebidas não alcoólicas e espaçadamente", disse Dr. Noah.

O estudo foi financiado pelo Netherlands Organization for Scientific Research e pela European Community. A Dra. Gisela Terwindt informou ter recebido apoio independente das empresas NWO, ZonMW, Dutch Heart Foundation, Dutch Brain Foundation e da European Community. O Dr. Noah Rosen informou não ter conflitos de interesses relevantes.

Eur J Neurol. Publicado on-line em 18 de dezembro de 2018.