terça-feira, 16 de julho de 2019

Nove questões para entender por que injetar testosterona causa vício, problemas mentais e morte


Aplicação de testosterona no corpo exige critérios rígidos e não existem motivos plausíveis para o uso no mundo fitness. 

Músculos saltados, voz grossa e potência sexual elevada são sinônimos de virilidade no mundo masculino. Essas características levam muitos homens a buscarem o ‘corpo perfeito’ e apelarem para resultados rápidos e fáceis gerados por anabolizantes - repudiados pela comunidade médica. Nesse universo, aparece a testosterona, hormônio importante para a maturação dos ossos, crescimento muscular e desenvolvimento das funções sexuais.

Apesar de parecer vantajoso para quem deseja ter o físico dos sonhos e aumentar a libido, essa substância só pode ser injetada no corpo quando há alguma deficiência, como no caso de alguns cânceres, defeitos genéticos, traumas testiculares e retardo na hipófise (glândula que controla a atividade de outras glândulas). É o que explica Clayton Macedo, doutor em endocrinologia clínica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O médico coordena o projeto Bomba? Tô Fora, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), focado em combater o uso de anabolizantes, e é especialista em tratar complicações causadas por essas substâncias. De acordo com ele, a testosterona causa efeitos colaterais imprevisíveis e pode ser “potencialmente fatal”.

Um dos distúrbios que mais pode intensificar os danos é a dependência química que o hormônio propicia, já que a substância externa bloqueia a glândula de produção interna, causando cansaço e resultados contrários ao esperado, como a queda da libido e a impotência. Assim, o usuário passa a aplicar mais e mais na tentativa de resolver o problema.

Macedo alerta ainda que alimentação saudável e exercícios físicos trazem saúde hormonal, e não existe comprovação de que alimentos e ervas elevam o nível de testosterona, desmentindo a ideia de ‘fonte de juventude’ vendida pela indústria fitness. “Esse comércio é caça-níquel. Vende uma eterna fonte da juventude ou um produto milagroso sem comprovação científica”, critica.

Veja abaixo oito perguntas e respostas sobre o uso de testosterona. Na entrevista, o especialista fala sobre mudanças comportamentais - como a tendência suicida - e problemas no fígado causados pela aplicação dela no corpo. Macedo explica também o impacto negativo que o uso de altas doses gera, uma vez que hipertrofia não só os músculos visíveis, mas também o do coração - ao ponto de levar à morte súbita.

1. Há homens que associam o uso de testosterona a mais virilidade e potência sexual. Como o senhor avalia isso?

A falta de testosterona diminui a libido e a potência sexual em quem tem um quadro clínico de deficiência desse hormônio. Mas esse não é o caso do homem que usa sem ter esse problema. Ele pode estar deprimido, sobrecarregado de trabalho, usando remédios que alteram a potência ou sofrer com obesidade, que atrapalha o desempenho sexual. Esse último ocorre porque existe uma enzima [a Aromatase] que metaboliza a testosterona na gordura.

Portanto, tudo isso afeta o sexo. Se o indivíduo está injetando testosterona sem ter problemas comprovados por um médico, a chance de ele melhorar o que quer com a injeção do hormônio é bem baixa, porque a causa é outra.

2. Em quais situações o uso de testosterona é adequado?

O indivíduo precisa ter uma doença cientificamente comprovada e consultar um especialista. Existe uma série de causas, como a orquite [inflamação do testículo por caxumba], um câncer que causou queda do hormônio, defeitos genéticos e varicocele [varizes na bolsa escrotal, que faz com que o órgão trabalhe menos]. Há ainda a hipófise, que controla as outras glândulas do corpo como a do testículo. Quando essa parte cerebral está doente, seja por tumor, cirurgia ou radioterapia, ela funciona menos e, consequentemente, estimula menos o testículo a produzir testosterona.

Existe também situações raras em que se poderia tentar usar testosterona em pacientes oncológicos, com HIV e aids em fase avançada.

3. O uso excessivo de testosterona pode levar à morte? Como?

Esse é o grande problema de quem usa testosterona sem ter uma deficiência. As pessoas acabam usando doses excessivas para terem o efeito anabolizante da hipertrofia muscular. Muitas vezes, as proporções são até cem vezes maiores do que as usadas por pacientes que realmente precisam repor o hormônio. Assim, as chances de haver efeitos colaterais aumentam de forma imprevisível e potencialmente fatal. Um dos riscos mais preocupantes é o vício. Cerca de 57% das pessoas podem ter dependência, porque a testosterona injetada interrompe a produção interna [da substância]. Com isso, a glândula fica bloqueada quando o indivíduo para de usar a medicação e ele sofre com a deficiência hormonal, levando-o a usar mais.

 4. E quais as consequências do vício?

A pessoa se sente mais cansada, perde a libido, sente fraqueza e isso a faz voltar a injetar testosterona. Um dos problemas nisso é que o cérebro humano tem muito receptor para esse hormônio e, como ele é um estimulante potente, o sujeito pode ter mudanças comportamentais, como agressividade, convulsões, irritabilidade, depressão, alucinações e tendência suicida. Além disso, nosso sistema cardiovascular e os outros músculos são extremamente sensíveis a esteroides. Então a testosterona não vai agir só na musculatura periférica, mas também no coração, podendo causar hipertrofia desse órgão, insuficiência cardíaca e morte súbita.

Vale ressaltar que os esteroides elevam o nível de colesterol ruim e triglicerídeos, aumentando as chances de haver doenças coronarianas e hipertensão. Ou seja, o ataque a essa musculatura pode induzir a morte. Há também danos no fígado, [já que esses produtos] influencia no metabolismo do órgão, causando hepatite medicamentosa [que pode ser fulminante] ou falência hepática aguda, que pode levar à morte ou gerar a necessidade de um transplante. Fora isso, jovens podem ter bloqueios na cartilagem de crescimento.

5. Foi bom o senhor ter falado sobre a juventude. Adolescentes com atraso hormonal podem injetar testosterona? Quais as diferenças do uso para cada sexo nessa faixa etária?

Essa é a população mais vulnerável para o uso de testosterona. A literatura médica mostra que os adolescentes são o público que mais usa anabolizantes… sempre com objetivos fitness. Há o caso da aplicação para reverter o atraso da puberdade, mas é bastante específico. Existe uma série de critérios para diagnosticar o atraso puberal, porque a testosterona pode trazer malefícios ao mesmo tempo que impulsiona o desenvolvimento: as doses são fisiológicas, ou seja, menos problemáticas, mas a estatura final do jovem pode ficar comprometida.

Hoje, parte da mídia faz um apelo muito grande ao corpo perfeito, principalmente blogueiros, artistas, atletas e cantores. Isso faz com que os adolescentes idealizem um perfil corporal que, muitas vezes, eles não estão fisiologicamente preparados para obter.

6. Em quais situações o senhor aconselha o uso de testosterona para quem faz academia?

Nunca. Só para quem tem deficiências. Esse apelo estético do uso de testosterona para definição muscular é o que está causando essa avalanche de complicações, e o brasileiro não está alertado. Os médicos que prescrevem testosterona normalmente não são endocrinologistas, porque quem é especialista não indica hormônio para ir à academia. Geralmente, são profissionais que fazem um cursinho de fim de semana, sem especialidade nenhuma, ou segue áreas não reconhecidas cientificamente, como as terapias antienvelhecimento e as ortomoleculares. Nelas, o nível de evidência é nulo e os efeitos colaterais são muito fortes.

7. Então é criminoso indicar testosterona para fins estéticos, certo?

A própria bula do medicamento não preconiza o uso de medicação para academia. Às vezes, sites da internet e o próprio educador físico comercializam. A receita [para injeção de testosterona] é controlada e precisa do CPF do médico e do Código Internacional da Doença (CID). Assim, o indivíduo precisa ter uma deficiência para justificar o uso do hormônio. Se ele não tem, é impossível o profissional colocar um código na receita. Então, para driblar isso, o doutor faz um acordo com [algumas] farmácias ou inventa um diagnóstico que não existe para a pessoa conseguir indicação clínica. Há um mercado negro que movimenta valores astronômicos [com esse crime].

Falsificar receitas médicas é um crime previsto no artigo 298 do Código Penal pelo Decreto Lei n° 2.848, com pena de multa e prisão por um a cinco anos.

8. É possível aumentar a produção de testosterona pela alimentação e atividades físicas?

Não diretamente. Mas uma alimentação saudável e exercícios melhoram a saúde hormonal. Chamo a atenção para o caso dos obesos: eles têm menores níveis de testosterona, pois existe uma enzima [a Aromatase] que metaboliza esse hormônio no tecido adiposo. Então o simples fato de ter uma atividade física já melhora a composição corporal, reduz o porcentual de gordura, diminui a atividade dessa enzima e o indivíduo melhora naturalmente o nível de testosterona.

Alimentos e ervas que empresas vendem dizendo que aumentam o nível de testosterona não possuem comprovação científica são da indústria fitness. Esse comércio é caça-níquel: vende uma eterna fonte da juventude, ou um produto milagroso sem comprovação científica.

9. Os efeitos da aplicação da testosterona em idosos são diferente?

É uma população extremamente vulnerável, porque as chances de contrair doenças se tornam elevadas pela idade. Então quanto mais doenças o idoso tem, maior a chance de ele ter uma complicação mais séria ao usar a testosterona. Esse público tem mais doenças cardiovasculares e de próstata. Então, a aplicação de testosterona no corpo pode amplificar esses problemas de saúde. Injetar o hormônio requer critérios rígidos, pois testosterona não é uma fonte de juventude. Fora isso, todos os problemas já falados se intensificam por conta da idade.

O uso de esteroides anabolizantes e similares em fitness é um grave e alarmante problema de saúde pública

Excelente texto do Prof.  Dr. Clayton Macedo sobre o uso de anabolizantes. Sempre deixo claro em minhas redes sociais que na Nutrologia existem situações específicas que se prescreve anabolizantes com fins terapêuticos e em hipótese alguma se deve prescrever para fins estéticos. As principais indicações  em Nutrologia são:
  1. Hipogonadismo: mas aí o paciente deve ser encaminhado para o Endocrinologista ou Urologista
  2. Caquexia: seja por HIV, Câncer, Doença pulmonar obstrutiva crônica, Miastenia gravis,
  3. Para o tratamento de anemias causadas pela produção deficiente de eritrócitos; anemia aplástica congênita, anemia aplástica adquirida, a mielofibrose e as anemias hipoplásticas;
  4. Insuficiência renal cursando com desnutrição, sarcopenia e caquexia
  5. Sarcopenia grave
  6. Angioedema hereditário
  7. Grandes queimados
Ou seja, prescrição para fins estéticos não faz parte do arsenal terapêutico da Nutrologia. A própria Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) é uma das apoiadoras do movimento Bomba Tô fora. 
O Dia dos Homens é comemorado anualmente em 15 de julho no Brasil. Esta data foi inspirada no Dia Internacional do Homem (19 de novembro), e tem o objetivo de conscientizar a população masculina sobre os cuidados que devem tomar com a sua saúde.


A SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (além de Sociedades Médicas apoiadoras) e o programa #BombaTôFora trazem como mensagem esse ano no dia do homem a temática: Uso de Anabolizantes!

A testosterona é o mais importante hormônio sexual produzido pelo homem.
Existem, sim, situações legítimas, diagnosticadas por um médico, em que se deve usar a testosterona. Nos casos em que há deficiência desse hormônio, o uso traz inúmeros benefícios ao homem, melhorando a qualidade de vida e a saúde.

Por outro lado, infelizmente, a testosterona é usada por homens saudáveis, sem qualquer indicação médica, com o objetivo de ganho de massa muscular, melhora do desempenho sexual e efeito antienvelhecimento.

A testosterona não está aprovada para uso nessas situações e seus riscos são maiores que seus benefícios, incluindo infertilidade, problemas cardíacos, hepáticos e prostáticos.

Portanto, o uso da testosterona deve ser feito nos casos em que há deficiência confirmada e sempre sob supervisão médica. O tratamento deve ser monitorizado periodicamente e cada consulta deve reconsiderar riscos e benefícios.

Att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 | RQE 11.915



O uso indiscriminado de esteroides anabolizantes e outras drogas similares (EAS) para ganho de performance e melhora da aparência em indivíduos atletas e não atletas é atualmente considerado na literatura mundial como um problema não apenas do esporte de elite, mas sim um grande problema social e de saúde pública.

Os esteroides anabolizantes androgênicos são derivados sintéticos da testosterona originalmente desenvolvidos no final dos anos 1930. Algumas condições clínicas específicas têm indicação médica para seu uso como o hipogonadismo masculino, raros tipos de anemia e em casos muito bem selecionados de portadores de doenças de consumo com grande perda de massa muscular, como câncer, AIDS, doença pulmonar grave, grandes queimados, entre outras.

O uso não-médico de EAS foi principalmente confinado a atletas de elite e fisioculturistas na década de 1960, que usavam como um meio para melhorar o desempenho. Nas últimas décadas, no entanto, o uso de EAS se espalhou para a população geral.

A taxa de prevalência global de uso de EAS ao longo da vida foi estimada em 3,3% de toda a população. A taxa de prevalência para os homens, 6,4%, foi significativamente superior à taxa para as mulheres, 1,6%. Os esportistas recreacionais apresentaram a maior taxa de prevalência global: 18,4%, seguidos por atletas: 13,4%, prisioneiros e detidos: 12,4%, e tóxico-dependentes: 8,0%. Além disso, a taxa de prevalência para os estudantes do ensino médio foi de 2,3%.  

Na visão do usuário dos EAS o uso é aceito porque a) a mídia exalta como modelo ideal um corpo definido, magro e musculoso, com exemplos de astros do esporte, atores e cantores e outros “popstars”, b) os riscos são considerados pequenos e podem ser controlados e minimizados, c) os benefícios são considerados significativos, d) os resultados parecem naturais e podem ser atribuídos a uma boa genética e treinamento adequado, e) o corpo parece ser a forma de obtenção de admiração e sucesso, f) as atitudes em relação ao uso de são neutras ou mesmo favoráveis no seu grupo de relacionamento, e) o controle é considerado negligenciável e flexível.

Muitos usuários de EAS estão de tal forma preocupados com a sua aparência que se acham insuficientemente grandes e musculosos, consumindo suas vidas por atividades destinadas a aumentar a musculatura, como halterofilismo, dieta e uso de drogas. A dismorfia muscular ou vigorexia, distúrbio que caracteriza esse quadro, foi incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edição, "DSM-5" como uma variante do transtorno dismórfico corporal.

A British Broadcasting Corporation informou recentemente que 10% dos membros masculinos de academias do Reino Unido apresentaram algum grau de dismorfia muscular. Um estudo americano evidenciou que até 10% dos fisioculturistas podem ser afetados, com estimativas conservadoras que relatam cem mil homens nos Estados Unidos.

Numerosos estudos identificaram fatores de risco para o uso dos EAS, incluindo imagem corporal negativa, idade mais jovem, o exemplo bem sucedido de outros usuários, o grande tempo gasto em treinamento físico,  a preocupação exagerada com a alimentação e o uso de outras drogas ilícitas. 

Um importante estudo da Islândia evidenciou uma forte correlação entre o uso de EA e de outras substâncias ilícitas e uma relação moderada com o consumo de álcool e cigarro. Alunos do ensino médio que participam de treinamento físico informal e fora de clubes esportivos formalmente organizados seriam o principal grupo de risco para o uso de EA e devem ser alvo de programas educativos e preventivos.

Embora os efeitos secundários dos EAS sejam raros ou leves em doses terapêuticas, os abusadores usam tipicamente doses 5 a 15 vezes maiores que as doses clínicas recomendadas. Em tais doses, os efeitos adversos podem ser severos e associados às trágicas complicações e mortes de atletas e não atletas.  

Os usuários de EAS acreditam que podem evitar efeitos colaterais indesejados ou maximizar os efeitos das drogas tomando-os de maneiras que incluem: a) ciclos - tomando doses por um período de tempo, parando por um tempo e reiniciando, b) associações - combinando dois ou mais tipos diferentes de esteroides e c) pirâmides - aumentando lentamente a dose ou frequência de abuso, atingindo um pico e, em seguida, diminuindo gradualmente. Não há evidência científica de que qualquer uma dessas práticas reduza as conseqüências médicas nocivas desses medicamentos.

Efeitos colaterais gerais incluem a supressão dose-dependente da função gonadal, infertilidade, hirsutismo, ginecomastia, hepatotoxicidade e perturbações psicológicas, como agressividade e violência, depressão, suicídio, dependência e efeitos cardíacos e metabólicos.

Calcula-se que a mortalidade entre os atletas que utilizam EAS é 6 a 20 vezes maior que a dos atletas limpos e aproximadamente um terço dessas mortes pode ser atribuída a causas cardiovasculares. Cardiomiopatia, infarto do miocárdio, dislipidemia, anormalidades da condução cardíaca e anormalidades da coagulação são efeitos colaterais cardiovasculares bem definidos dos EAS. 
O uso de EAS no esporte competitivo é rigidamente regulamentado, fiscalizado e penalizado, com inúmeras entidades e programas mundiais envolvidos. No entanto, o uso de EAS fora do esporte de elite não é abordado de forma adequada e programas e estratégias eficazes são mandatórias e urgentes para minimizar esse grave problema. 

O projeto #BombaTôFora, idealizado pelo grupo da Endocrinologia do Exercício da UNIFESP em parceria gratuita com a agência de publicidade Y&R, se propôs a abordar o tema de forma ampla, envolvendo a ciência, a comunidade e o Estado para que o uso de esteroides anabolizantes e similares seja minimizado, a população esclarecida e os usuários sejam adequadamente atendidos e reabilitados. 

O projeto foi, de imediato, apoiado pelas sociedades médicas envolvidas: SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes, SBMEE – Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, SBOTE – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia do Esporte e ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia, além do Conselho Federal de Medicina e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem.

Participe dessa corrente de ação contra o uso indevido dessas substâncias. Acesso o site: www.bombatofora.com.br. Visite nossas redes sociais, curta e compartilhe nossos posts. Juntos, vamos mostrar que os danos são bem maiores do que os ganhos. E diga sempre para amigos, familiares e pacientes: Bomba Tô Fora!

Autor: Dr. Clayton Luiz Dornelles Macedo
Médico Endocrinologista
CRM-RS 14.857 - RQE 8.744
Doutorado em Endocrinologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP Especialista em Medicina do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Chefe do Núcleo de Endocrinologia do Exercício e Coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício, junto ao Serviço de Medicina do Esporte da UNIFESP
Professor Preceptor do Programa de Residência Médica e da PG em Medicina do Esporte da UNIFESP
Professor do Programa de Pós-graduação em Endocrinologia Clínica e Ciências Endocrinológicas da Disciplina de Endocrinologia da UNIFESP
Coordenador do Departamento de Diabetes, Exercício e Esporte da SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes 
Presidente da Comissão Temporária de Estudos em Endocrinologia do Exercício da SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Membro do Departamento de Atividade Física da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica – ABESO


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Conservante alimentar (propionato) pode elevar glicemia

O Propionato, um dos ácido graxo de cadeia curta, é um potente inibidor de fungos e é amplamente usado como conservante de alimentos, principalmente em pães.

Estudo duplo cego, placebo controlado crossover em adultos saudáveis voluntários avaliou se o propionato afetaria o metabolismo pós prandial da glicose e identificou seu mecanismo. Foram incluidos adultos entre 18 e 65 anos, saudáveis e com IMC entre 20 e 29kg/m². Os voluntários foram divididos em dois grupos e receberam uma refeição de 500 kcal livre de propionato, um dos grupos recebeu na forma suplementar 1000mg de propionato de calcio e o outro grupo recebeu um placebo. Após uma semana de washout os grupos eram trocados. Foram colhidas amostras de sangue no tempo 0, 15 minutos e a cada 30 minutos até completar 4 horas após a refeição, para avaliar a glicemia e a insulinemia. Também foi realizado estudo com cobaias (ratos)  para avaliar a resposta hormonal, o glicogênio hepático, a avaliação neuronal, secreção proteína ligante de ácidos graxos tipo 4 (FABP4), secreção de glucagon pelas células pancreáticas e produção de glicose pelos hepatócitos com a utilização de propionato.

Nos cobaias, a administração intraperitoneal (IP) de propionato, em comparação ao piruvato, aumentou a glicemia nos machos (p<0,005) e fêmeas (p<0,05), sendo que a admnistração oral apresentou resultados semelhantes. A administração retal apresentou menores efeitos, sugerindo efeito metabólico sistêmico aumentado pela via oral. O propionato não alterou a glicogenólise hepática.  A capacidade do propionato em aumentar acentuadamente a glicose no sangue foi relacionada à dose administrada. Para avaliação dos efeitos crônicos dessa ingestão, foi adicionada uma pequena dose de propionato na agua das cobaias durante seis semanas. Ao final desse período foi observado aumento do peso, da glicose sanguinea, da insulina, do glucagon e do FABP4. As concentrações plasmáticas de propionato se correlacionaram positivamente com a resistência à insulina, avaliado pelo HOMA-IR (Pearson r=0,156, p=0,049).

Nos 14 voluntários humanos estudados, a ingestão de propionato levou a um aumento de propionato sanguíneo, bem como de norepinefrina (p<0,05), de glucagon (p<0,05) e de FABP4 (p<0,005) em comparação à resposta com suplementação de placebo. Os autores discutiram que o aumento de insulina levou a uma redução da sensibilidade à insulina gerando um aumento compensatório da secreção desse hormônio e de peptideo-C, sendo que essa desrregulação culmina em uma hiperglicemia refrataria. Em um modelo linear geral ajustado para idade, sexo, IMC inicial e a extensão da perda de peso após 6 meses de intervenções dietéticas, um maior declínio no propionato sérico em 6 meses foi associada a uma melhora significativa na resistência à insulina (p = 0,008).

Assim, os autores concluiram que o propionato pode ativar um aumento, mediado por catecolaminas, nos sinais da contra-reguladores da insulina, levando à resistência a insulina e à hiperinsulinemia, que, ao longo do tempo, podem promover adiposidade e aletarações metabólicas.

Referência: Tirosh A et al. The short-chain fatty acid propionate increases glucagon and FABP4 production, impairing insulin action in mice and humans. Sci Transl Med. 2019 Apr 24;11(489). pii: eaav0120.

Massa muscular como preditora de mortalidade em idosos

Estudo conduzido por Santana avaliou a associação entre composição corporal por DXA e mortalidade em idosos. Para isso, foram selecionados 1025 idosos (>65 anos) que responderam a um questionário de estilo de vida, realizaram testes laboratoriais, avaliação de composição corporal por DXA (massa gorda, tecido adiposo visceral e massa magra apendicular) e radiografia espinhal.

Durante o seguimento de quatro anos, 132 (15,7%) dos indivíduos faleceram entre os 839 indivíduos que puderam ser contactados. Destes óbitos, 43,2% foi relacionado à doenças cardiovasculares. 

A análise univariada para todas as causas de mortalidade na população masculina mostrou que os pacientes que vieram a óbito eram mais velhos, apresentavam maior inatividade física e mais diabetes, tiveram mais quedas, mais eventos cardiovasculares, apresentavam maior consumo de álcool, maiores níveis plasmáticos de fósforo e menores de cálcio, albumina e 25OHD, maior prevalência de baixa massa muscular, menores valores de gordura total e maiores valores de gordura visceral. Após regressão multivariada com ajuste nas variáveis alteradas, tanto a baixa massa muscular quanto a gordura visceral aumentaram independentemente a mortalidade global e cardiovascular, enquanto a gordura total reduziu independentemente a mortalidade. 

A baixa massa muscular aumentou 11 vezes (OR 11.36, p=0.004) e a gordura visceral duas vezes (OR 1.99, p<0.001) a mortalidade global, enquanto a mortalidade cardiovascular foi aumentada 14 vezes (OR 14.84, p<0.001) pela baixa massa muscular e 1,5 vezes pela gordura visceral (OR 1.66, p<0.001). 

Enquanto isso, a gordura total reduziu pela metade a mortalidade (OR 0.48, p<0.001 mortalidade global e OR 0.57, p <0.001 mortalidade cardiovascular). Em mulheres, após ajuste de variáveis pela análise multivariada, somente a presença de baixa massa muscular se associou significativamente a mortalidade global e cardiovascular (OR 62.88, p<0.001 e OR 74.54, p <0.001, respectivamente).

Com isso, os autores demonstraram o papel da composição corporal avaliado por DXA na avaliação do risco de mortalidade na população idosa. O estudo sugere que baixa massa muscular é um fator de risco independente para o aumento da mortalidade em homens e mulheres idosas.

Referência: de Santana FM et al. Association of Appendicular Lean Mass, and Subcutaneous and Visceral Adipose Tissue With Mortality in Older Brazilians: The São Paulo Ageing & Health Study. J Bone Miner Res. 2019 Mar 13.

Ingestão de derivados de leite e o risco de Câncer de Bexiga

O trabalho investigou possíveis associações entre ingestão de laticínios e risco de câncer de bexiga (CB).No estudo os pesquisadores avaliaram 13 estudos de coorte que atenderam aos critérios de elegibilidade. Esses trabalhos contemplaram um número de 3590 indivíduos com CB e 593.637 indivíduos controles sadios. Foram analisados os dados alimentares destes indivíduos, bem como dados demográficos e se eram fumantes. Informações sobre consumo de leite e derivados foram coletadas dos formulários e quantificadas.

Os indivíduos com CB tinham idade média de 60,6 anos, sendo a maioria homem (75%). Nenhuma associação foi observada entre consumo de leite líquido, leite processado, ou produtos lácteos e risco do câncer. Quando os produtos lácteos foram analisados individualmente, não foi encontrada associação entre o consumo de creme de leite, queijo ou sorvete e aumento do risco de CB, entretanto, uma associação inversa foi observada apenas para consumo de iogurte quando comparados consumidores e não consumidores (RR 0,88), , independente do consumo ser moderado (54g/dia) ou alto (130g/dia).

Dessa maneira, os autores concluíram que não há evidência da associação de leite, leite processado, produtos lácteos (creme de leite, queijo ou sorvete), com o risco de câncer de bexiga. Ainda, encontraram uma evidencia sugestiva de que o consumo de iogurte pode reduzir o risco de CB.

Referência: Acham M et al. Intake of milk and other dairy products and the risk of bladder cancer: a pooled analysis of 13 cohort studies. Eur J Clin Nutr. 2019 Jun 17.

Resposta glicêmica não depende apenas do conteúdo de carboidrato das refeições

Estudo conduzido por Mendes-Soares descreveu a resposta glicêmica de indivíduos a diferentes grupos de alimentos considerando a fisiologia e o microbioma individual em adição às características nutricionais dos alimentos (calorias e carboidratos). 327 indivíduos com 18 anos ou mais, sem diabetes, sem problemas crônicos gastrointestinais e sem uso de determinados medicamentos foram incluídos no estudo. Os participantes forneceram uma amostra de fezes antes do inicio do acompanhamento e durante o estudo registraram sua alimentação e mediam sua glicemia. Todos foram orientados a manter seus hábitos alimentares normais, exceto por 4 refeições padronizadas fornecidas pela equipe de pesquisa, que deveriam ser consumidas como a primeira refeição do dia.

Das refeições ingeridas, a distribuição média de nutrientes foi de 43% em carboidratos, 18% em proteínas e 39% em gorduras. Os filos mais prevalentes na microbiota intestinal dos participantes foram Bacteroidetes, Firmicutes, Proteobacteria e Actinobacteria e os gêneros mais prevalente foram Bacteroides, Subdoligranulum, Blautia, Roseburia, Eubacterium, Faecalibacterium, Oscillobacter, Alistipes e Dorea, os quais estavam presentes em 95 a 100% dos participantes.

A resposta à refeição padronizada variou substancialmente entre os participantes, mostrando que além do conteúdo de carboidratos, outros fatores individuais podem influenciar essa resposta. Como esperado, em refeições não padronizadas, quanto maior a quantidade de carboidratos, maior variação glicêmica. No entanto, extensas variações pessoais foram observadas para qualquer porcentagem de carboidratos na refeição, refletindo a individualidade dessas respostas.

Os autores sugeriram um modelo de previsão de resposta pós prandial personalizado, considerando as variações individuais observadas. Ao realizar a aplicar esse modelo observaram uma correlação com as variações glicêmicas substancialmente maior do que a previsão de resposta pós prandial que considera  o teor de calorias ou carboidratos das refeições (R = 0,34 para calorias e R = 0,40 para carboidratos)

Dessa maneira, os autores concluíram que um modelo preditivo personalizado que considera características únicas do indivíduo, como características clínicas, variáveis fisiológicas e microbioma, além do conteúdo de nutrientes, foi mais eficiente para prever impacto glicêmico do que as abordagens dietéticas atuais que se concentram apenas nas calorias ou carboidratos contidos nos alimentos. Fornecer aos indivíduos ferramentas para gerenciar suas respostas glicêmicas à alimentação baseada em previsões personalizadas de suas respostas glicêmicas pós prandiais pode permitir que eles mantenham seus níveis de glicose no sangue dentro de limites associados à boa saúde.

Referência: Mendes-Soares H et al. Assessment of a Personalized Approach to Predicting Postprandial Glycemic Responses to Food Among Individuals Without Diabetes. JAMA Netw Open. 2019 Feb 1;2(2):e188102

terça-feira, 9 de julho de 2019

Juízes empregam "constelação familiar" para tratar vícios e recuperar presos

Fonte: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/86637-juizes-empregam-constelacao-familiar-para-tratar-vicios-e-recuperar-presos?fbclid=IwAR1HOOYRglIPHwiwNZ7BxGR9ExjAlMYToOQEjrujE2F2rbmUHlpyPtbsQaI

Fazer um "diário de gratidão" aumentou o bem-estar de médicos residentes

Fazer um "diário de gratidão" aumenta a sensação de bem-estar, o que pode melhorar a qualidade de vida dos residentes de psiquiatria, sugere uma nova pesquisa.

"Descobri que escrever um 'diário de gratidão' ativa o lado racional do meu cérebro. É bom para aliviar o estresse e me faz olhar para as coisas boas da minha vida", disse ao Medscape a Dra. Kemper Schumacher, médica residente, do Harvard South Shore Psychiatry Residency Program, Harvard Medical School, em Boston.

Os resultados foram apresentados no encontro anual de 2019 da American Psychiatric Association (APA).

A preocupação com o bem-estar dos residentes está aumentando, mas há poucas ferramentas para ajudar a promover o bem-estar durante a residência médica. Estudos mostraram que, no momento do agradecimento, há melhor conectividade funcional entre as regiões cerebrais que regulam a emoção e a motivação. Os resultados indicaram que escrever um "diário de gratidão" leva à "reestruturação cognitiva", disse a Dra. Kemper.

Em um estudo piloto com 12 residentes de psiquiatria, a Dra. Kemper e dois colegas avaliaram o impacto de escrever um "diário de gratidão" na percepção da qualidade de vida dos residentes. Por meio de mensagem de texto enviadas todas as noites, foi solicitado que os participantes escrevessem cinco aspectos do dia pelos quais eles sentiam gratidão, com uma meta de 16 registros durante o mês do estudo.

Escrever o diário de gratidão levou a um aumento médio de sete pontos na qualidade de vida segundo o Quality of Life Enjoyment and Satisfaction Questionnaire, questionário para a avaliação de qualidade de vida, felicidade e satisfação.

A satisfação com o trabalho e, surpreendentemente, a condição econômica, tiveram a melhora mais expressiva, disse a Dra. Kemper. "Os residentes que escreveram o diário sentiram-se mais satisfeitos com o trabalho, e a percepção da própria condição financeira melhorou, apesar de não ter havido aumento salarial e de nada ter mudado em suas vidas; portanto, escrever um diário pode mudar a sua perspectiva sobre as coisas", disse ao Medscape a Dra. Kemper.

"O desafio é fazer os residentes escreverem regularmente sobre o que eles são gratos. Todos que fizeram o diário pretendiam continuar escrevendo, mas disseram que provavelmente não o fariam", acrescentou.

Voltar a ter tempo, retomar o controle

"Há mais conscientização sobre o bem-estar do médico; é absolutamente imperativo começarmos pela base da pirâmide", disse ao Medscape o Dr. Edward M. Ellison, médico e copresidente executivo da The Permanente Federation, uma organização norte-americana de liderança e consultoria para os oito grupos médicos da Permanente compostos de mais de 22.900 médicos.

"Estudos mostraram que os estudantes de medicina têm mais sensação de otimismo, bem-estar e resiliência quando entram na faculdade do que os estudantes ingressando em qualquer outro campo de estudo – ainda assim, no momento em que se formam, sua resiliência, otimismo e bem-estar são piores do que a dos graduados em outras áreas de estudo", disse o Dr. Edward.

"De modo geral, há vários trabalhos publicados sobre gratidão, e muitos dados indicando que dedicar poucos minutos por dia a escrever um diário de gratidão, ou mesmo apenas parar alguns minutos por dia para pensar em três coisas pelas quais você é grato pode fazer a diferença em seu bem-estar emocional", acrescentou.

Outras coisas que podem ajudar a promover o bem-estar e reduzir o burnout profissional não devem ser negligenciadas, Dr. Edward complementou, como sono e exercícios adequados, alimentação saudável e contato com as pessoas e coisas que você ama.

Também é importante oferecer flexibilidade na prestação de serviço e encontrar soluções para que os médicos retomem o controle e voltem a ter tempo durante o dia. A telemedicina, os atendimentos virtuais e o treinamento dos médicos para o uso mais eficiente do prontuário eletrônico de saúde devem ajudar a alcançar esses objetivos, disse o Dr. Edward.

"Os médicos são ensinados basicamente a nunca pedir ajuda, nunca admitir fraqueza; devem permanecer firmes e fortes e, claramente, isso não é certo. É de fato um ato de coragem pedir ajuda", disse o Dr. Edward.

Em termos de bem-estar, "os psiquiatras se saem muito bem", falou ao Medscape, o Dr. Bruce Schwartz, médico e presidente da APA. "Pesquisas mostram que os psiquiatras sentem menos burnout do que os médicos de outras especialidades, mas é muito importante mantermos o bem-estar em primeiro plano".

"Queremos que nossos médicos sejam produtivos e focados na própria saúde. O bem-estar é um foco importante, porque a taxa de suicídio entre os médicos não pode ser negligenciada, e perder médicos por suicídio, além de trágico, é um desperdício", disse Dr. Bruce.

O estudo não teve financiamento específico. A Dra. Kemper, o Dr. Edward e o Dr. Bruce informaram não ter relações financeiras relevantes.

American Psychiatric Association (APA). Abstract 54. Apresentado em 20 de maio de 2019.

Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo se posiciona sobre implante de gestrinona (chip da beleza)


A Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo entende que não há dados publicados na literatura médica a respeito da eficácia e da segurança do implante em questão. No presente momento, não há, disponível no mercado brasileiro, implante hormonal aprovado pela Anvisa, exceto o implante anticoncepcional composto por etonogestrel. A Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo desaconselha o uso de quaisquer tratamentos, hormonais ou não, que não possuam aprovação pela Anvisa.

A gestrinona foi estudada sob administração por via oral e para tratamento da endometriose, portanto, não existindo estudos referentes ao seu uso parenteral, em especial, por meio de implantes. Pela ausência de estudos de longa duração no tocante à sua real eficácia e, em especial, no que tange à sua segurança, ainda, não havendo estudos ou citações na literatura científica sobre uso da gestrinona como Terapia hormonal do Climatério, a Comissão não pode recomendar o uso de tais implantes.

Várias entidades médicas desaprovam o emprego de medicações feitas em farmácias de manipulação, sem aprovação de órgãos reguladores – como FDA (americano), EMEA (europeu), ANVISA. Sobre o uso de medicamentos manipulados (como é o caso deste implante), a Sociedade Internacional de Menopausa (IMS), deste modo, posicionou-se em 2016: 

“A prescrição de terapia hormonal manipulada não é recomendada devido à falta de controle de qualidade e supervisão regulatória associada a esses produtos, juntamente com a falta de evidência de segurança e eficácia.

As mulheres que solicitam terapia hormonal manipulada devem ser encorajadas a considerar produtos regulados contendo hormônios estruturalmente idênticos aos produzidos no corpo. Estes estão disponíveis em uma ampla gama de doses e vias de administração”.

A Sociedade Americana de Menopausa (NAMS), no ano de 2017, emitiu, em sua última declaração sobre medicamentos manipulados, o que segue:

“Terapias hormonais manipuladas são preparadas por um farmacêutico usando a prescrição de um provedor e podem combinar múltiplos hormônios (estradiol, estrona, estriol, de-hidroepiandrosterona [DHEA], testosterona, progesterona), usar combinações ou formulações não testadas e não aprovadas, ou serem administradas em vias de administração não padronizadas (não testadas), como implantes subdérmicos”.

 Esse é o caso do implante da gestrinona, como segue:

"O hormônio manipulado apresenta problemas de segurança, como regulamentação e monitoramento governamentais mínimos, superdosagem ou subdosagem, presença de impurezas ou falta de esterilidade, falta de eficácia científica e dados de segurança, e falta de um rótulo descrevendo os riscos!".

Também, em 2017, a Endocrine Society (Sociedade de Endocrinologia Americana) publicou seu posicionamento em atinência aos hormônios manipulados:

“A Endocrine Society está preocupada com o fato de os pacientes estarem recebendo informações potencialmente enganosas ou falsas sobre os benefícios e riscos dos hormônios manipulados. Portanto, a Sociedade apoia a regulamentação e supervisão da FDA de todos os hormônios, independentemente da estrutura química ou do método de fabricação. Isso deve incluir, mas não se limitar:

  • Pesquisas de pureza e precisão de dosagem.
  • Notificação obrigatória por fabricantes de medicamentos de eventos adversos.
  • Um registro de eventos adversos relacionados ao uso de preparações hormonais.
  • Inclusão de informações uniformes para os pacientes, como advertências e precauções, no acondicionamento de produtos hormonais”.

Dessa maneira, o implante de gestrinona não é uma opção recomendada pela Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo por não obedecer a padronização de medicamentos hormonais comercializados no Brasil, por não ter aprovação pela ANVISA e, ainda, por não haver publicações de dados referentes à sua eficácia e segurança na literatura científica médica. 

Referências

  1. Baber RJ, Panay N, Fenton the IMS Writing Group. 2016 IMS Recommendations on women’s midlife health and menopause hormone therapy,Climacteric2016;19(2):109-50,DOI:3109/13697137.2015.1129166
  2. The 2017 hormone therapy position statement of The North American
  3. Menopause Society Menopause: The Journal of The North American Menopause Society 2017; 24(7):728-53DOI: 10.1097/GME.0000000000000921 ß 2017 by The North American Menopause Society
  4. Huntley AL. Compounded or confused? Bioidentical hormones and menopausal health. Menopause Int. 2011;17:16-18.
  5. Bhavnani BR, Stanczyk FZ. Misconception and concerns about bioidentical hormones used for custom-compounded hormone therapy. J Clin Endocrinol Metab 2012;97:756-9.
  6. Endocrine Society – Position Statement, 2017. Available https://www.endocrine.org/-/media/endosociety/files/advocacy-and-outreach/position-statements/2017/position_statement_compound_bioidentical_hormone_therapy.pdf?la=en


75% dos casos dos transtornos psiquiátricos em adultos começam na infância

Um estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com escolas públicas de São Paulo e do Rio Grande do Sul, mostra que 80% dos estudantes com algum transtorno mental — como por exemplo ansiedade, fobias, déficit de atenção, hiperatividade ou esquizofrenia — não recebem tratamento médico nem psicológico. Os pesquisadores realizaram uma série de exames de neuroimagem, além de avaliações genéticas e psiquiátricas em 2.511 alunos com idades entre seis e 12 anos. Destes, 652 apresentaram pelo menos um transtorno mental, mas apenas 20% haviam recebido algum tipo de tratamento.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, um dos responsáveis pelo estudo, diz ser uma ameaça silenciosa, embora o tratamento primário (sem a necessidade de um especialista) baste na maioria dos quadros. A atenção é necessária de qualquer maneira, pois grande parte das condições é crônica, em 75% dos casos persistem até a vida adulta. “As instituições de ensino têm um papel-chave na identificação e intervenção quando há transtornos mentais. Nessa fase, a criança desenvolve habilidades sociais, empatia, capacidade de resolver problemas, autocontrole, cruciais para a vida adulta”, argumenta o pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) para o Jornal da USP no Ar.

Recursos no Brasil são escassos na educação, bem como no atendimento psicológico, segundo Polanczyk. “Nos Estados Unidos e na Europa, serviços de saúde mental estão na escola, assim os sintomas são encontrados com prontidão”, diz o psiquiatra. “Os transtornos podem se apresentar em diferentes condições: ansiedade, medo, fobia, ataques de pânico, depressão. E em outras formas menos frequentes, apesar de encontrados em amostras de adolescentes, como déficit de atenção, transtornos comportamentais, bipolar, obsessivo-compulsivo e esquizofrenia”, aponta. Os colégios deveriam não apenas trabalhar na prevenção, como promover a saúde mental.

O docente comenta que não existem dados representativos da população brasileira, mas que a pesquisa indica uma importante pista. Ele diz que “13% das crianças apresentaram transtorno clínico, outras 20% subclínico, que acontece quando há sintoma, no entanto, não ultrapassam a barreira diagnóstica, e 80% daquelas com o problema não receberam nenhum tratamento”. Um indicativo preocupante, já que a amostragem do ensaio está localizada em São Paulo e Porto Alegre — dois ricos centros urbanos. “No interior e estados mais pobres, as taxas de tratamento devem ser ainda menores”, estima Polanczyk.

O especialista estuda esse problema no Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para Infância e Adolescência (INPD), cujo  site pode ser acessado neste link. “ Lá, cientistas de várias universidades, USP e Unifesp entre elas, desenvolvem projetos de pesquisa e transmissão do conhecimento para a comunidade. Muita coisa já poderia e deveria ser aplicada, inclusive”, finaliza

Antidepressivos na geladeira? Ciência estuda como dieta afeta a saúde mental

Recostado no divã, um homem qualquer descreve um sentimento de ansiedade que o oprime todos os dias. Ele o descreve como se fosse um convidado faminto que não quer ir embora, uma visita indesejada que o obriga a colocar mais e mais aperitivos sobre a mesa, e não é só uma metáfora. Também fala de outros assuntos e relata estados passageiros de tristeza que não pode explicar facilmente. De repente, o psiquiatra tira os óculos, os coloca lentamente sobre a mesinha ao lado e faz uma estranha pergunta a seu paciente... “O que tem dentro de sua geladeira?”, diz. O olhar do homem revela um compreensível estranhamento diante do rumo do interrogatório, mas a questão da qualidade nutricional dos alimentos parece não ser insignificante no que se refere à saúde mental.

Há décadas que os cientistas conhecem os benefícios que uma dieta e nutrição adequadas têm no desenvolvimento das doenças cardiovasculares, digestivas e endócrinas. E não só os médicos são conscientes de que a saúde entra pela boca; a informação dirigida aos mortais comuns para cuidar de sua dieta é tudo, menos escassa. A situação é muito diferente no campo da psiquiatria, ainda que nos últimos anos um número crescente de pesquisas mostra que a alimentação não só tem um papel crucial em nossa saúde física como também na mental. Se levarmos em consideração que a depressão é uma das doenças que se relacionam com a qualidade nutricional da dieta, a ideia de que a felicidade está no prato não é tão disparatada.

Inflamação, um nexo de união entre dieta e doença

É óbvio que as emoções e a comida estão relacionadas; todos nós já fomos fortemente impelidos à geladeira em momentos de ansiedade, e a terapia para superar os momentos de tristeza à base de sorvete é um clássico nos filmes que giram em torno às decepções amorosas. As evidências são muito mais esquivas em uma ótica empírica, mas a comunidade científica começou a se perguntar por que a doença mental também não é tratada da perspectiva nutricional, e os especialistas encontraram um paradoxo muito interessante.

“As doenças psiquiátricas, como a depressão e a esquizofrenia, não são muito diferentes da diabetes se olharmos as mudanças que ocorrem no organismo a um nível molecular. As pessoas com diabetes e com depressão se encontram em um estado de inflamação sistêmica leve, mas crônica”, diz o professor de psiquiatria e psicologia médica da Universidade de Valência e membro do comitê executivo da Sociedade Internacional para a Pesquisa em Psiquiatria Nutricional Vicent Balanzá. “Assumindo isso, as intervenções com dieta e nutrição podem ser eficazes para corrigir a inflamação também nas doenças psiquiátricas e, em geral, para melhorar o prognóstico das pessoas que as sofrem. No final das contas, a divisão entre cérebro-mente e corpo não tem fundamento científico”, acrescenta o também pesquisador do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Saúde Mental.

Por isso médicos e pesquisadores de todo o mundo começaram a trabalhar sinergicamente para averiguar mais sobre as relações entre os nutrientes e a mente e englobaram o conhecimento adquirido sobre o termo de psiquiatria nutricional. Um dos maiores expoentes da disciplina emergente, o agricultor e psiquiatra da Universidade Columbia, em Nova York (EUA), Drew Ramsey, defende que uma dieta deficiente é um dos maiores fatores que contribuem à depressão. Nesse sentido, uma das metanálises mais recentes publicadas sobre os efeitos da nutrição na saúde mental, da qual participaram cientistas do mundo todo (incluindo dois grupos de pesquisa espanhóis), descobriu que “manter uma dieta saudável, em particular uma dieta mediterrânea tradicional, e evitar uma dieta proinflamatória parece dar certa proteção contra a depressão em estudos observacionais. Isso proporciona uma base de evidência razoável para avaliar o papel das intervenções dietéticas para prevenir a depressão”, diz o texto.

“O crescente campo da psiquiatria nutricional evidencia muitas consequências e correlações entre o que comemos com a forma como nos sentimos e como nos comportamos. É um assunto que ganha cada vez mais força”, diz a psiquiatra especialista em transtorno de vícios e medicina legal Paula Vernimmen. Mas podemos melhorar nossa saúde mental mudando nossa alimentação? Existem alimentos que nos fazem felizes e vice-versa?

Não procure um alimento milagroso, o importante é a dieta

Balanzá alerta que a relação entre os nutrientes e a depressão é muito complexa, e que não é tão direta como pode parecer. Entre outras coisas, porque no desenvolvimento da doença mental há a intervenção de numerosos fatores além desse. “Por exemplo, as diferenças genéticas entre os indivíduos que fazem com que os déficits nutricionais repercutam mais ou menos no risco de se adoecer. E nos últimos anos aprendemos que o mais relevante à saúde mental é o padrão dietético, a dieta, mais do que um alimento e um nutriente concretos. O que importa ao nosso cérebro é a diversidade e a harmonia entre eles. A dieta é como uma orquestra que pode emitir uma linda música, a saúde, se a cultivarmos”, diz o pesquisador.

E se a mediterrânea pode ter efeitos terapêuticos sobre a depressão, uma dieta inadequada poderia piorar seus sintomas? A resposta é sim, especialmente no caso das “dietas hipercalóricas, mas pobres em nutrientes, baseadas em produtos ultraprocessados e comida rápida”, confirma Balanzá. Uma dieta saudável, como a mediterrânea, “traz nutrientes fundamentais para o cérebro, como diversos minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais e ácidos graxos essenciais. São importantes porque têm efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores, que ajudam a combater melhor as consequências negativas do estresse. Mas a carência de nutrientes essenciais tem repercussões ao cérebro das pessoas em geral. Assim, o déficit de algumas vitaminas, como o folato e a vitamina B12, se relaciona com um estado de ânimo depressivo e com a deterioração cognitiva”, diz o especialista.

De fato, em um trabalho de 2015 publicado na BMC Medicine os cientistas observaram que uma ingestão menor de alimentos densos em nutrientes e uma maior de comida pouco saudável se associa a um menor volume do hipocampo esquerdo. “Essa foi a primeira demonstração em humanos de que a qualidade da dieta pode repercutir em estruturas cerebrais”, afirma Balanzá.

Diminuir o risco de depressão em até 35%
De acordo com a doutora Vernimmen, esse campo de pesquisa está proporcionando descobertas satisfatórias. Por exemplo, se sabe que “as pessoas que seguem dietas ricas em verduras, frutas, grãos sem processar, peixes e mariscos, que contêm poucas quantidades de carnes magras e laticínios, têm risco de depressão de 25% a 35% mais baixo. Além disso, uma má hidratação, o consumo de álcool, de cafeína e o hábito de fumar podem precipitar e estimular os sintomas de ansiedade”. A especialista acrescenta que os picos altos de açúcar “podem imitar de uma crise de ansiedade a um ataque de pânico”. Por último, “os períodos prolongados de jejum, em que são gerados estados hipoglicemiantes — caracterizados pela diminuição dos níveis de açúcar no sangue —, podem simular sintomas de depressão”.

Mas ainda que todas essas descobertas sejam, sem dúvida, emocionantes, é preciso lidar com elas com rigor acadêmico como o demonstrado por Balanzá, que vê essa nova tendência com otimismo moderado. “Não é suficiente pressupor que as vitaminas e os probióticos favorecem a saúde mental porque são naturais e saudáveis. Nos testes clínicos é preciso exigir o mesmo rigor metodológico que se pede aos remédios. Uma mensagem importantíssima à população é que melhorar a dieta por si só não irá curar os transtornos mentais e saber isso é vacinar-se contra as promessas dos charlatões e as pseudociências”.

Logo saberemos mais. Desde 2013 um grupo de 300 profissionais psiquiatras, epidemiologistas, nutricionistas, dietistas, psicólogos e pesquisadores básicos se reúnem anualmente para gerar e difundir conhecimento científico. Nesse ano o farão em Londres para falar, justamente, de psiquiatria nutricional. Será uma boa oportunidade para ver em que ponto está essa disciplina que já está ocupando espaços e gerando uma nova narrativa sobre a saúde mental.

Reducitarianismo: uma opção para quem deseja reduzir o consumo de carne vermelha

Para ler a reportagem acesse: https://claudia.abril.com.br/sua-vida/reducitarianismo-alternativa-reduzir-consumo-carne/?fbclid=IwAR1yUhFA1WnkWKIUJyAyPicgbTFoOOJGCOrO85NjECI0NtvWgR5SphMRAJc

Ministério da Agricultura proíbe venda de seis marcas de azeite

Azeite de oliva de seis marcas foram proibidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de serem vendidos no Brasil, após a fiscalização encontrar produtos fraudados e impróprios ao consumo. Os produtos das marcas Oliveiras do Conde, Quinta Lusitana, Quinta D’Oro, Évora, Costanera e Olivais do Porto devem ter os produtos recolhidos dos supermercados de todo o país até a próxima segunda-feira.

Caso a medida não seja cumprida, os comerciantes serão advertidos e posteriormente denunciados ao Ministério Público Federal, para eventual responsabilização criminal. Eles também podem receber multas de R$ 5 mil por ocorrência com acréscimo de 400% sobre o valor comercial dos azeites. 

As fraudes foram encontradas em oito estados, como Alagoas e Santa Catarina. Foram analisadas 19 amostras do Oliveiras do Conde; oito do Quinta Lusitana e duas da marca Évora. Da Costanera e Olivais do Porto, foram encontrados rótulos em uma fábrica clandestina, em Guarulhos, São Paulo. Os responsáveis pelas marcas são Rhaiza do Brasil Ltda, Mundial Distribuidora e Comercial Quinta da Serra Ltda.

Segundo o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Ministério, Glauco Bertoldo, a proibição aconteceu após uma operação realizada no início de maio, pela Delegacia de Polícia de Guarulhos (Demacro – PC/SP), que descobriu uma fábrica clandestina de azeites falsificados.
No local, os policiais encontraram uma mistura de óleos, sem a presença de azeite de oliva. “Atualmente, o azeite de oliva é o segundo produto alimentar mais fraudado do mundo, perdendo apenas para o pescado”, alerta o diretor. Glauco Bertoldo adverte que a adulteração e falsificação de azeite de oliva, além de ser fraude ao consumidor, é crime contra a saúde pública.

O Ministério alerta para que o consumidor desconfie de azeites mais baratos, pois podem ser fruto de fraudes. Glauco ressalta, ainda, que o verdadeiro azeite de oliva tem preço a partir de R$ 17, enquanto os falsificados custam em média entre R$ 7 e R$ 10.

Estudo da USP mostra a importância de manter massa muscular para longevidade

Pesquisadores da USP analisaram dados de 839 idosos com 65 anos ou mais para analisar como a quantidade de músculos influencia na longevidade de cada um. Eles concluíram que o risco de mortalidade foi quase 63 vezes maior entre as mulheres com pouca massa muscular. Entre os homens com menos massa muscular, a chance de morrer foi 11,4 vezes maior.

As primeiras medidas foram anotadas entre 2005 e 2007. Quatro anos depois, 132 dos voluntários haviam morrido. Desses, 43,2% faleceram por problemas no coração . Entre os homens, 20% morreram, enquanto entre as mulheres, 13%. De modo geral, os participantes que morreram eram mais velhos, faziam menos exercícios , tinham diabetes e doenças do coração.

— Quando a gente viu as causas de morte, cerca de 40% foram devido a doenças cardiovasculares , por insuficiência cardíaca. Há dois fatores por trás disso. O primeiro é que o sujeito que vai ter uma doença cardíaca tem menos músculos porque qualquer doença crônica é uma inflamação. E a inflamação diminui a produção muscular— explica Rosa Maria Rodrigues Pereira, professora da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora da pesquisa. — Em qualquer doença crônica você acaba produzindo menos músculos. Isso acontece também em doenças reumatológicas e diabetes, por exemplo. O segundo fator é que a atividade física é boa para a atividade cardiovascular.

Alimentação: carne, feijão e grão de bico ajudam a manter a massa muscular
A médica explica que a perda de massa muscular acontece naturalmente após os 40 anos, e pode passar despercebida com o ganho de peso de gordura. Estima-se que,  após os 50 anos, entre 1% e 2% da massa muscular seja perdida anualmente. Entre os fatores que podem acelerar o fenômeno estão sedentarismo , dieta pobre em proteínas , doenças crônicas e hospitalização.

Para recuperar a massa muscular perdida, a médica Maria Rodrigues indica uma rotina de exercícios físicos e uma dieta rica em proteínas .

— Não estamos falando aqui de dietas “low carb”, em que a pessoa aumenta demais o consumo de carne. O importante é que você tenha uma boa ingestão de proteínas, que podem ser tanto de origem animal quanto vegetal. É importante, a partir dos 60 anos, continuar comendo peixe, ovo, carne e frango. Ou proteínas de origem vegetal: feijão, grão de bico, lentilha e amêndoas, por exemplo. E a atividade física, com musculação, com pesos, que é uma coisa boa para aumentar a massa muscular.

Quase metade dos brasileiros perde músculos a partir dos 80 anos
O estudo foi feito na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Os cientistas avaliaram a quantidade de músculos que cada pessoa tinha nos braços e nas pernas, além da quantidade de gordura nas camadas abaixo da pele e entre os órgãos vitais. 

O grupo desenvolveu uma equação para determinar, com base nas características estatísticas da população estudada, quais indivíduos poderiam ser considerados com massa muscular abaixo da média. Cerca de 20% das pessoas que participaram da pesquisa tinham massa muscular abaixo da média.

A perda músculos associada ao envelhecimento é conhecida como sarcopenia. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indicam que 46% dos brasileiros acima de 80 anos sofrem disso.

Os voluntários que participaram da pesquisa da USP foram examinados por uma técnica conhecida como densitometria por emissão de raios X de dupla energia. Rápido e indolor, o exame não requer nenhum preparo especial e é realizado com baixa intensidade de exposição aos raios X. Esse tipo de densitometria fornece as informações de massa óssea, magra e de gordura do corpo inteiro ou de partes específicas, expressas em porcentagem da massa total. O equipamento foi adquirido com auxílio da Fapesp.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Novas diretrizes para redução do risco de demência

Não há tratamento eficaz para a demência, que afeta 50 milhões de pessoas em todo o mundo, mas a Organização Mundial de Saúde diz que pode ser feito muito para retardar ou retardar o início e a progressão da doença.

Em diretrizes divulgadas na terça-feira, a OMS divulgou suas primeiras recomendações para reduzir o risco de demência globalmente. Eles incluem exercício físico regular, não usar tabaco, beber menos álcool, manter a pressão arterial saudável e comer uma dieta saudável - particularmente uma dieta mediterrânea.

O órgão internacional de saúde também alertou contra a ingestão de suplementos alimentares, como vitaminas B e E, em um esforço para combater o declínio cognitivo e a demência.

Enquanto algumas pessoas são desafortunadas e herdam uma combinação de genes que torna altamente provável que desenvolvam demência, muitas pessoas têm a oportunidade de reduzir substancialmente seus riscos vivendo um estilo de vida saudável", disse a professora Tara Spiers-Jones, do UK Dementia Research Institute. O diretor e vice-diretor do Center for Discovery Brain Sciences da Universidade de Edimburgo, disse ao Science Media Center.

"A OMS examinou as evidências disponíveis e fez recomendações de que algumas mudanças no estilo de vida, em particular o aumento do exercício antes que qualquer sintoma cognitivo esteja presente, podem reduzir o risco de demência", acrescentou.

"Outras recomendações têm uma base de evidências menos forte, mas podem ter evidências de que não aumentam o risco ou o dano e, portanto, podem ser recomendadas com segurança, embora seu impacto no risco seja menos certo".

A OMS disse que há 10 milhões de novos casos de demência todos os anos, e este número deve triplicar até 2050. A doença é uma das principais causas de incapacidade e dependência entre pessoas idosas e "pode ​​devastar as vidas de indivíduos afetados, seus cuidadores e familiares", disse a organização.

A doença também exige um pesado custo econômico, com o custo de cuidar de pessoas com demência estimado em US $ 2 trilhões anualmente até 2030, segundo a OMS.

O que vai e não vai ajudar

O relatório de 78 páginas descreveu o que a OMS acredita que vai - e não vai - ajudar a reduzir o risco de demência, que tem sido descrito pelos ativistas como o maior desafio de saúde de nossa geração.

Recomendava atividade física, deixando de fumar, consumindo menos álcool e uma dieta saudável e equilibrada. Em particular, diz que se comprometer com uma dieta mediterrânea (simples cozimento à base de plantas, pouca carne e uma forte ênfase no azeite de oliva) poderia ajudar.

"A dieta mediterrânea é a abordagem dietética mais amplamente estudada, em geral, bem como em relação à função cognitiva", disse o relatório. "Várias revisões sistemáticas de estudos observacionais concluíram que a alta adesão à dieta mediterrânea está associada à diminuição do risco de comprometimento cognitivo leve e da doença de Alzheimer, mas a adesão modesta não é".

O relatório recomendou o manejo adequado do peso, hipertensão, diabetes e dislipidemia - níveis de colesterol insalubres ou desequilibrados - como medidas que poderiam potencialmente reduzir o risco de demência e declínio cognitivo.

Embora o relatório tenha enfatizado que a participação social e o apoio social estão fortemente ligados à boa saúde e ao bem-estar individual, ele disse que há evidências insuficientes ligando a atividade social a um risco reduzido de demência.

Da mesma forma, o estudo disse que o treinamento cognitivo poderia ser oferecido a adultos mais velhos, mas a evidência que o liga a um menor risco de demência é "muito baixa a baixa".

O relatório também alertou contra o uso de suplementos como vitaminas B, antioxidantes, ômega-3 e ginkgo.

"A recomendação negativa, advogando que as pessoas não usem suplementos vitamínicos ou dietéticos (a menos que sejam necessárias para um problema clínico) é bem-vinda, e é de se esperar que poupe muita gente de desperdiçar seu dinheiro", disse o professor Tom Dening. , diretor do Centro de Velhice e Demência do Instituto de Saúde Mental da Universidade de Nottingham.

Especialistas disseram que o parecer emitido pela OMS foi abrangente e sensato, mas alguns alertaram que a evidência de que esses passos reduziriam o risco de demência nem sempre era forte.

Continue fazendo as coisas que sabemos que beneficiam a saúde física e mental, mas entendemos que a evidência de que esses passos reduzirão o risco de demência não é forte", disse Robert Howard, professor de psiquiatria na Universidade College London, Centro de mídia.

"Como muitos colegas, eu já digo aos meus pacientes que o que é bom para os seus corações provavelmente é bom para seus cérebros".

“Compartilhar é se importar”
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Dieta balanceada e com baixo teor de gordura reduz o risco de morte por câncer de mama em mulheres na pós-menopausa


As mulheres que seguiram uma dieta pobre em gordura, rica em frutas, vegetais e grãos tiveram um risco menor de morrer de câncer de mama do que aqueles em uma dieta com alto teor de gordura, de acordo com os resultados do estudo divulgado na quarta-feira.

As conclusões, a partir da análise mais recente da Iniciativa de Saúde da Mulher financiada pelo governo federal, fornecem a primeira evidência aleatória de estudos clínicos de que a dieta pode reduzir o risco de morrer de câncer de mama na pós-menopausa, disseram os pesquisadores. Estudos observacionais anteriores, que não medem causa e efeito, tiveram resultados inconsistentes.

Os resultados "são empolgantes e fortalecedores para o paciente", disse Elisa Port, chefe de cirurgia de mama do Mount Sinai Health System, em Nova York, que não esteve envolvida no estudo. "Este é um alerta para as mulheres - há algo que elas podem fazer, em vez de apenas esperar que o sapato caia."

O julgamento envolveu mais de 48.000 mulheres que não tiveram câncer de mama quando se inscreveram no estudo e foram conduzidas em 40 centros nos Estados Unidos. De 1993 a 1998, as mulheres foram aleatoriamente designadas para seguir sua dieta habitual, em que a gordura representava 32% das calorias diárias em média, ou para tentar reduzir o consumo de gordura a 20% das calorias, consumindo porções diárias de vegetais e frutas. e grãos.

O grupo de intervenção dietética ficou aquém do objetivo; eles conseguiram reduzir seu consumo de gordura para cerca de 24,5%, e depois "chegaram a cerca de 29%", segundo o principal autor do estudo, Rowan Chlebowski, do Instituto de Pesquisa Biomédica de Los Angeles, no Harbor-UCLA Medical Center. Os membros do grupo perderam 3% do seu peso corporal em média. Ainda assim, as mulheres desse grupo que desenvolveram câncer de mama tiveram um risco menor de morte do que as mulheres desenvolveram a doença e seguiram suas dietas regulares.

Chlebowski disse que o estudo mostrou que as mulheres podem melhorar sua saúde modificando o que e quanto comem. “Isso é moderação na dieta. Não é como comer galhos e galhos ”, disse ele. “É o que as pessoas estavam comendo, digamos, 20 anos atrás, antes que você pudesse pegar 900 calorias em uma barra de chocolate.”

A intervenção dietética durou 8,5 anos e incluiu várias sessões com nutricionistas. A análise mais recente representa um acompanhamento de quase 20 anos.

Especialistas em câncer de mama geralmente elogiaram o estudo, mas expressaram algumas reservas.

Por um lado, o estudo foi projetado para determinar se uma dieta com baixo teor de gordura poderia reduzir o risco de desenvolver câncer de mama, em primeiro lugar, e não se proporcionou um benefício de mortalidade.

Dados divulgados anteriormente mostraram que uma dieta com baixo teor de gordura não resultou em um risco reduzido de desenvolver câncer de mama.

Os especialistas em câncer de mama também observaram que o benefício da mortalidade levou quase 20 anos para surgir, e alguns disseram que não estava claro qual componente da dieta era responsável pelo benefício - a gordura reduzida ou as frutas, legumes e grãos adicionais.

Os autores do estudo disseram que o grupo de modificação da dieta usou uma dieta semelhante a um chamado DASH - para abordagens dietéticas para parar a hipertensão - que é projetado para prevenir ou tratar a hipertensão arterial.

O novo estudo "acrescenta mais evidências sobre o impacto da dieta, mas eu não confiaria nela para recomendar uma dieta específica a um paciente", uma vez que as pessoas reagem diferentemente a diferentes dietas dependendo de sua biologia, disse Neil Iyengar, oncologista. no Memorial Sloan Kettering Cancer Center. "Eu digo aos pacientes se eles comem mais alimentos à base de plantas, menos carne vermelha, diminuem o álcool e mantêm um peso saudável, eles podem ter um risco reduzido de recorrência do câncer de mama ou morte".

O estudo não analisou o efeito da dieta sobre o risco de recidiva do câncer de mama. Um estudo separado está analisando se a perda de peso, obtida através da redução de calorias e do aumento da atividade física, leva a uma redução no risco de recorrência. O Instituto do Câncer Dana-Farber está liderando o Estudo de Perda de Peso do Câncer de Mama.

O estudo vem em meio a mais evidências sobre a ligação entre excesso de peso ou obesidade e vários tipos de câncer. Ser obeso e com excesso de peso - há muito implicado em doenças cardíacas e diabetes - tem sido associado nos últimos anos a um risco aumentado de pegar pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo cânceres de estômago, pâncreas, colorretal e hepático, bem como câncer de mama na pós-menopausa.

O estudo será apresentado nas próximas semanas na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago.

Hora de dormir em crianças em idade pré-escolar e risco de obesidade na adolescência

Com as taxas de obesidade infantil alta, muitos estudos têm investigado os fatores de estilo de vida que podem fazer a diferença - que aumentam o risco e quais os reduzem.

Além da dieta, a falta de sono tem sido associada ao ganho de peso tanto em adultos quanto em crianças, por isso é importante que as crianças fiquem tranquilas, mesmo com suas agendas lotadas.

Como o horário de despertar de uma criança geralmente é determinado por quando a creche ou escola começa e não pode ser facilmente alterada, é necessário dormir mais cedo para garantir que as crianças tenham o sono de que precisam, segundo pesquisa publicada no Journal of Pediatrics .

Depois de acompanhar quase mil crianças desde o nascimento até os 15 anos, os pesquisadores descobriram que a atenção ao sono precisa começar nos anos pré-escolares. Por exemplo, crianças de 4 anos de idade que foram dormir antes das 8 da noite reduziram seu risco de obesidade pela metade em comparação àquelas que foram dormir depois das 21h. Essa modificação simples no estilo de vida pode fazer uma diferença de saúde para toda a vida.

Compreensivelmente, é mais fácil falar do que fazer quando um ou ambos os pais trabalham até tarde, o que pode atrasar as atividades do jantar e da noite. Assim, os pais podem precisar fazer compromissos ou ajustes pelo menos durante a semana, quando há menos oportunidades para o tempo da família.

Dada a ligação entre o sono e um peso saudável, além de seus muitos outros benefícios para o bem-estar das crianças, definir as oito horas da noite pode valer a pena para que isso aconteça.

Necessidades Diárias de Sono para Crianças

Bebê a 12 meses: 12 a 16 horas, incluindo sestas
Idade 1 a 2: 11 a 14 horas, incluindo sestas
3 a 5 anos: 10 a 13 horas, incluindo sestas
6 a 12: 9 a 12 horas
13 a 18 anos: 8 a 10 horas

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Objetivo do estudo: Determinar se as crianças em idade pré-escolar com mais de hora de dormir têm um risco menor para a obesidade na adolescência e se essa redução de risco é modificada pela sensibilidade materna.

Desenho de estudo: Os dados de 977 dos 1364 participantes do Estudo sobre Cuidados Infantis e Desenvolvimento Juvenil foram analisados. Nascimentos únicos saudáveis ​​em 10 locais dos EUA em 1991 foram elegíveis para inscrição.  Em 1995-1996, as mães relataram a típica hora de dormir dos pré-escolares (média = 4,7 anos) da criança, e a interação mãe-filho foi observada para avaliar a sensibilidade materna.  Com uma idade média de 15 anos, a altura e o peso foram medidos e a obesidade na adolescência definida como um índice de massa corporal específico do sexo para a idade ≥ percentil 95 da referência dos EUA.

Resultados: Um quarto das crianças em idade pré-escolar tiveram o horário de dormir cedo (20h00 ou mais cedo), metade teve o horário de dormir depois das 20h00 mas às 9:00 da noite, e um quarto tinha o horário de dormir tardiamente (depois das 9:00 da noite).  O horário de dormir das crianças foi semelhante, independentemente da sensibilidade materna (P = 0,2).  A prevalência de obesidade adolescente foi de 10%, 16% e 23%, respectivamente, entre os grupos precoces e tardios.  O risco relativo ajustado multivariável (IC 95%) para obesidade na adolescência foi de 0,48 (0,29; 0,82) para pré-escolares que dormiram cedo em comparação com pré-escolares com o tempo de dormir tardiamente.  Este risco não foi modificado pela sensibilidade materna (P = 0,99).

Conclusões:  As crianças em idade pré-escolar com um horário de dormir precoce na manhã da semana eram metade da probabilidade de as crianças que dormem mais tarde serem obesas como adolescentes.  A hora de dormir é uma rotina modificável que pode ajudar a prevenir a obesidade.

Transplante fecal para tratar obesidade e diabetes?

O transplante de microbiota fecal (FMT) pode ajudar no tratamento da obesidade e diabetes?

Dois estudos apresentados esta semana na Digestive Disease Week demonstraram que a FMT pode levar a mudanças seguras nos microbiomas dos receptores. 

Se isso vai se traduzir em realmente ajudar os pacientes a perder peso ou tratar seu diabetes, no entanto, continua a ser uma interrogação.

Atualmente, há uma escassez de terapias farmacológicas eficazes [para tratar a obesidade] e, embora a cirurgia esteja disponível, é invasiva e acompanhada por morbidade significativa ", disse Jessica Allegretti, MD, MPH, Diretora do Programa de Transplante de Microbiota Fecal do Brigham and Women's Hospital  , Boston, durante uma das apresentações: "Realmente sentimos que há uma necessidade urgente de novas estratégias de tratamento direcionadas à patologia subjacente".

Em seu estudo piloto, Allegretti e seus colegas avaliaram 22 indivíduos obesos (IMC ≥ 35), sem quaisquer condições associadas à obesidade, como diabetes ou síndrome metabólica.

Neste teste de 12 semanas, metade dos participantes recebeu uma indução de 30 cápsulas de FMT, com doses adicionais de 12 cápsulas às 4 e 8 semanas, enquanto as outras receberam placebo.

As cápsulas de FMT vieram de uma doadora feminina "magra" com um IMC de 17.

Os desfechos primários do estudo foram a segurança do procedimento e seus efeitos sobre o peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), que está associado ao reflexo da saciedade e associado ao ganho e perda de peso.

Embora o procedimento parecesse relativamente seguro (sem eventos adversos piores do que o grau 1), não houve aumento na área sob a curva para o GLP-1 em nenhum dos grupos em 12 semanas em comparação com o valor basal.

E nenhuma mudança no peso corporal médio foi visto.

Mas a microbiota dos participantes mudou com o FMT, com a composição microbiana das fezes tornando-se mais parecida com a do doador.

Allegretti e colegas também notaram alterações nos perfis de ácidos biliares dos pacientes.

Allegretti disse que seu grupo acreditava que 12 semanas não eram suficientes para ver mudanças no peso corporal e, portanto, não foi o desfecho primário do estudo.

 "Eu acho que isso é realmente um estudo gerador de hipóteses", disse Allegretti.  "Há muita coisa que não sabemos. Quem são os pacientes que se beneficiarão disso? Essa é a coorte certa de pacientes obesos que se beneficiarão com essa terapia? Acho que não está claro".

"Também fomos com a hipótese do doador enxuto", observou ela.  "É o doador certo e essa é a dose certa? O próximo passo óbvio para nós é fazer mais trabalho de determinação de dose."

Os resultados foram semelhantes no segundo estudo, liderado por Elaine Yu, MD, do Massachusetts General Hospital e da Harvard Medical School, em Boston.  

Realizado durante 12 semanas, seu objetivo também foi avaliar se as cápsulas de FMT alterariam o microbioma intestinal do receptor e afetariam certos biomarcadores metabólicos - particularmente a sensibilidade à insulina - em pessoas obesas.

Como no estudo de Allegretti, o enxerto de FMT foi bem-sucedido, mas os resultados metabólicos permaneceram inalterados, levando Yu a concluir que "a manipulação microbiana por cápsulas de FMT sozinhas pode não alterar significativamente os resultados metabólicos em receptores obesos não selecionados".

Estas duas descobertas são realmente consistentes com as anteriores que foram publicadas, que é que o transplante fecal não vai ser uma bala de prata para a obesidade ", disse Amir Zarrinpar, MD, PhD, da Universidade da Califórnia, San Diego, que moderou a sessão no DDW.

Zarrinpar disse ao MedPage Today que esses dois estudos, assim como os anteriores, "têm sido investigacionais, no sentido de que eles fizeram transplantes fecais sem fazer o que normalmente faríamos para tratar a obesidade, que é ter um nutricionista e tê-los  passar por terapia comportamental também ".

A FMT poderia ser eficaz se realizada “da mesma forma que testaríamos uma droga, que é colocá-la em cima dessas intervenções normais”, disse ele, acrescentando que não esperaria um benefício para perda de peso da FMT “se  é apenas a sós com nada, em termos de afetar o peso ou afetar o diabetes ".

Mas, disse Zarrinpar, "ainda há potencial lá? Talvez".

Ele observou ainda que, embora os estudos mostrem que a FMT realmente altera o microbioma de alguma forma, a questão permanece se as bactérias certas estão sendo alteradas.

"Tanta digestão ocorre no intestino delgado, e o que estamos dando a esses pacientes é essencialmente a bactéria que está no intestino grosso", disse Zarrinpar.  

"Podemos selecionar melhor o que está sendo transplantado?"

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