sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Consulta: SOMENTE PRESENCIAL

Hoje fui avisado que estão aplicando um golpe utilizando o nome de alguns profissionais da área da saúde, médicos e nutricionistas. Os golpistas agem via instagram, prometendo consultas online com nutrólogos e nutricionistas, via whatsApp. Então uma pessoa que comprou um desses pacotes, entrou em contato comigo, perguntando se eu conhecia esse perfil: https://www.facebook.com/gouveia.sci
Que tal perfil estava anunciando no facebook que trabalhava no meu consultório. 

Esclareci que tal pessoa nunca trabalhou comigo, expliquei que consulta somente presencial, que tal prática é proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Tive que fazer um boletim de ocorrência e agora dar entrada com investigação na delegacia de crimes cibernéticos e a minha advogada entrará com denuncia no Conselho Regional de Medicina, para que apurem melhor os fatos e alertem os médicos sobre esse tipo de golpe.

Portanto, peço aos meus leitores e seguidores do blog: Não caiam nesse tipo de golpe. Médico decente respeita as regras do Conselho Federal. Se virem algum perfil anunciando esse tipo de serviço: consulta online, denunciem o perfil. 

Peço a todos que também denunciem esse perfil no facebook. As medidas judiciais cabíveis ja estão sendo tomadas.

att


Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 | RQE 11.915 - Médico nutrólogo 



segunda-feira, 26 de novembro de 2018

VITAL: vitamina D e ômega 3 não trazem benefícios para doença cardiovascular ou câncer

Mais pesquisas não mostram nenhum benefício significativo da suplementação com vitamina D para a prevenção da doença cardiovascular (DCV) ou de câncer – e pouco benefício com os suplementos de ômega 3 , visto que os dois esquemas terapêuticos não alcançaram seus desfechos primários.

O Vitamin D and Omega-3 Trial (VITAL) é um dos maiores ensaios clínicos randomizados controlados com placebo examinando essas associações em uma população diversificada. O estudo teve quase 26.000 participantes, dos quais 5.100 eram negros.

Os dois desfechos primários foram o câncer invasivo de qualquer tipo e os eventos cardiovasculares maiores, representados por um composto de acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) e morte por causas cardiovasculares. Nem os participantes que receberam 2.000 UI por dia de vitamina D3, nem os que receberam 1 g por dia de ácidos graxos marinhos n-3 (ômega 3) apresentaram incidência significativamente menor de qualquer desfecho ao longo de cinco anos de acompanhamento em comparação com os que receberam placebo.

De acordo com pesquisas anteriores, essas descobertas não foram tão surpreendentes, disse a primeira autora do estudo, Dra. JoAnn E. Manson, médica do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School em Boston, Massachusetts (EUA), ao Medscape.

As notícias foram um pouco mais otimistas para alguns dos desfechos secundários, com uma redução de 28% do risco de infarto agudo do miocárdio isolado em todo o grupo recebendo ômega 3, e uma redução de 77% do risco de infarto agudo do miocárdio entre os participantes negros no grupo ômega 3.

"Então, houve fortes evidências neste estudo de que o ômega 3 estava reduzindo o risco de infarto agudo do miocárdio", disse a Dra. JoAnn.

"Os ácidos graxos não reduziram o risco de acidente vascular cerebral e, por isso, o desfecho primário composto não foi alcançado, mas acho que é importante observar cada componente separadamente".

Houve também um sinal de redução da morte por câncer entre os participantes que receberam vitamina D, acrescentou a pesquisadora.

Convidado a comentar, o Dr. Steven E. Nissen, médico e diretor do Department of Cardiovascular Medicine at the Cleveland Clinic em Ohio, disse que não estar impressionado com nenhuma das observações, constatando que os únicos benefícios dessas substâncias foram encontrados em "subanálises de subanálises ou em desfechos secundários, sendo consideradas geradoras de hipóteses em vez de evidências científicas" de algum tipo de benefício.

"Os resultados são interessantes, porém especulativos, e não devem levar a alterações das diretrizes ou a outras mudanças importantes na prática clínica", disse ao Medscape o Dr. Steven, que não participou da pesquisa.

Dito isso, o comentarista observou que o estudo de fato estabelece bases para futuras pesquisas, especificamente sobre a suplementação com óleo de peixe e seus efeitos para os participantes negros.

"Eu certamente encorajaria que isso fosse feito. Esses tipos de estudos que geram hipóteses, sejam bem-sucedidos ou não, sempre levantam boas questões", disse.

Os resultados foram apresentados em 10 de novembro no American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2018 e foram simultaneamente publicados on-line em dois artigos no periódico New England Journal of Medicine.

Projeto fatorial dois-a-dois

Os pesquisadores inscreveram 25.871 participantes saudáveis (50,6% mulheres; com média de idade de 67,1 anos) e os acompanharam por uma média de 5,3 anos. No desenho fatorial dois-a-dois, os participantes foram aleatoriamente designados para um dos quatro grupos de tratamento:


  1. Dois ativos: 2.000 UI/dia de vitamina D3 (colecalciferol) mais 1 g/dia de ômega 3 em suplementos de óleo de peixe (Omacor/Lovaza, GlaxoSmithKline);
  2. Vitamina D ativa mais placebo de ômega 3;
  3. Placebo de vitamina D mais ômega 3 ativo ou;
  4. Só placebos.


Além dos desfechos coprimários mencionados, o estudo teve vários desfechos secundários, como componentes isolados dos principais eventos do composto de eventos cardiovasculares; eventos expandidos de doença cardiovascular, que acrescentaram revascularização coronariana; e mortalidade global por câncer.

No total, 12.933 participantes receberam ômega 3 ativo em comparação a 12.938 que receberam placebo. Dentre eles, 386 dos primeiros e 419 dos últimos tiveram algum evento cardiovascular importante, o que não diferiu significativamente (hazard ratio, HR, de 0,92; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,80 a 1,06). Não houve redução significativa do risco de câncer.

Entre os desfechos secundários pré-especificados, houve redução do infarto agudo do miocárdio total com o tratamento (HR = 0,72; IC 95%, de 0,59 a 0,90; P nominal = 0,003). No entanto, não houve diferenças significativas entre os grupos de expansão do composto de doença cardiovascular, total de acidente vascular cerebral ou morte por doença cardiovascular.

Em outras análises, o consumo de ômega 3 foi associado a uma redução significativa de intervenção coronariana percutânea (HR = 0,78), infarto agudo do miocárdio fatal (HR = 0,50) e doença coronariana em geral, definida como infarto agudo do miocárdio + revascularização coronariana + morte por causas coronarianas (HR = 0,83). Embora estes desfechos tenham sido considerados como de interesse, não foram pré-especificados, então a Dra. JoAnn lembrou que devem ser interpretados com cautela.

Entre os subgrupos, houve uma redução de 40% do risco total de infarto agudo do miocárdio entre os membros do grupo do ômega 3, que consumiram menos de 1,5 porções de peixe por semana (P = 0,048), e uma redução de 19% dos principais eventos cardiovasculares.

"Acho que isso oferece respaldo adicional para a plausibilidade biológica" do suplemento, disse a Dra. JoAnn.

Além disso, a HR do total de infarto agudo do miocárdio foi de 0,23 para os participantes negros tomando ômega 3 em comparação com o placebo (número de eventos, 9 vs. 39, respectivamente; P = 0,001).

"Se essa descoberta for confirmada e reproduzida, isso poderá indicar uma abordagem muito promissora para a redução do risco coronariano entre os afro-americanos", disse Dra. JoAnn em um comunicado à imprensa.

A vitamina D ativa foi administrada em 12.927 dos participantes em comparação com 12.944 que receberam placebo. Não houve redução significativa dos desfechos de doença cardiovascular ou da incidência de câncer. Após a exclusão dos dois primeiros anos de acompanhamento (para levar em conta o período de latência do câncer), houve uma redução de 25% da morte por câncer entre os que receberam vitamina D (número de eventos, 112 vs. 149; P nominal= 0,02).

Por fim, não houve eventos adversos significativos com nenhum dos suplementos, nem aumento do risco de hipercalcemia com a vitamina D, nem aumento do risco de sangramento com o ômega 3. A média de adesão foi de 80% para todos os tratamentos ativos e os placebos.

Descobertas espúrias e especulativas

Após a apresentação da Dra. JoAnn em uma coletiva de imprensa, a Dra. Jane Armitage, médica da University of Oxford, no Reino Unido, observou que, embora este tenha sido um estudo bem conduzido e com poder estatístico adequado, uma população com diversidade étnica e um bom período acompanhamento, em geral foi expressivamente negativo.

"Me parece que precisamos aceitar que este foi um bom teste da hipótese de que a suplementação universal com uma dose decente de vitamina D não vale a pena", disse a Dra. Jane.

A médica acrescentou que, antes do início deste estudo, havia dados promissores provenientes de ensaios clínicos com o ômega 3, como uma metanálise de 10 grandes estudos e quase 78.000 participantes publicada em janeiro no periódico JAMA Cardiology.


Embora seus resultados não tenham mostrado redução significativa de nenhum evento de doença coronariana, como o número de infartos do miocárdio fatais ou não, alguns resultados ficaram próximos, disse a Dra. Jane.

No entanto, o desfecho negativo global dos grandes eventos cardiovasculares no estudo atual "foi um bom teste da hipótese, e praticamente refuta os benefícios que foram observados nos estudos observacionais", comentou.

"Embora o total de casos de infarto agudo do miocárdio tenha diminuído, esse é um desfecho secundário e, então, aprofundar isso é motivo de preocupação, porque me parece que sempre existe o risco de obter resultados espúrios", acrescentou a médica.

Dr. Steven ecoou estes comentários em uma entrevista para o Medscape, observando que o estudo, embora feito com rigor, mostrou benefícios apenas especulativos.

"Se você estudar um número suficiente de desfechos ou subgrupos secundários, encontrará sempre algo positivo. Portanto, essas análises de subgrupos e desfechos secundários não são evidências científicas confiáveis de benefícios", disse.

O Dr. Steven acrescentou que o estudo avaliou uma dose baixa de ômega 3, indo ao encontro de outros estudos que mostraram que "baixas doses de óleo de peixe dadas a pessoas que não são selecionadas por terem triglicerídeos altos não têm um efeito favorável nos desfechos cardiovasculares".

Ainda assim, o comentarista classificou este estudo como importante e disse estar feliz por ele ter sido realizado, especialmente por causa do grande número de norte-americanos que toma vitamina D todos os dias na esperança de se proteger do câncer ou da doença cardiovascular.

Dr. Steven acrescentou que "a ideia de que baixos níveis de vitamina D são, de alguma forma, deletérios, pode ser apenas um reflexo de que as pessoas com baixos níveis de vitamina D não tomam sol suficiente ou não saem de casa e se exercitam o suficiente. Não sabemos a resposta, mas sabemos que a administração da vitamina D neste grande e muito bem feito estudo não demonstrou nenhum benefício".

"As expectativas eram altas"

No editorial que acompanha o estudo, o Dr. John F. Keaney Jr., médico da University of Massachusetts Medical School, em Worcester, e o Dr. Clifford J. Rosen, do Maine Medical Center Research Institute, em Scarborough, escreveram que os resultados do estudo são oportunos e relevantes, especialmente por causa da inadequação dos dados de ensaios sobre os efeitos dos suplementos de ômega 3 na prevenção primária da doença cardiovascular para a população geral.

"O estudo VITAL preencheu essa lacuna de conhecimento", escreveram os editorialistas. Além disso, "as expectativas eram altas de que o VITAL, com poder estatístico de detectar uma incidência 15% menor de novos casos de câncer com o tratamento ativo comparado ao placebo, e que incluiu 10 vezes o número de participantes dos outros estudos, pudesse fornecer uma resposta definitiva".

Embora os desfechos primários não tenham sido alcançados, os editorialistas escreveram que "outros aspectos deste estudo são dignos de nota", incluindo o fato de a suplementação não ter demonstrado benefícios para a saúde em uma ampla gama de níveis séricos de vitamina D.

Os editorialistas acrescentaram que "os desfechos secundários, sem dúvida, chamarão a atenção", mas alertam contra considerar esses resultados como evidências.

"A literatura médica está repleta de desfechos secundários empolgantes que fracassaram quando foram subsequentemente testados formalmente como desfechos primários em ensaios clínicos randomizados adequados", escreveram Dr. John e Dr. Clifford.

Portanto, "é prudente concluir que a estratégia da suplementação alimentar com ácidos graxos n-3 ou vitamina D como proteção contra eventos cardiovasculares ou contra o câncer tenha sofrido com a deterioração dos sinais do VITAL", escreveram os editorialistas.

O estudo foi copatrocinado pelo National Cancer Institute and the National Heart, Lung, and Blood Institute, com financiamento adicional do Office of Dietary Supplements, do National Institute of Neurological Disorders and Stroke e do National Center for Complementary and Integrative Health. A Dra. JoAnn Manson informou ter recebido subsídios do National Institutes of Health e suporte não financeiro das empresas Pharmavite LLC, Pronova BioPharma e Quest Diagnostics. Os possíveis conflitos financeiros dos outros autores do estudo estão listados no artigo original. A Dra. Jane Armitage informou ser pesquisadora-chefe do estudo ASCEND, que avaliou o ômega 3 comparado ao placebo, e que as doações de pesquisa foram feitas diretamente à University of Oxford pelas empresas Solvay, Abbott, Myland e Bayer para o ASCEND e da empresa The Medicines Company para o ensaio clínico ORION 4. O Dr. John F. Keaney  Jr. e o Dr. Clifford J. Rosen são editores associados do New England Journal of Medicine. O Dr. Steven E. Nissen informou não ter relações financeiras relevantes, mas informou ser responsável por um estudo com 13.000 pacientes avaliando altas doses de outro tipo de ômega 3.

American Heart Association (AHA) Scientific Sessions 2018. Session LBS.01. Apresentado em 10 de novembro de 2018.

N Engl J Med. Publicado on-line em 10 de novembro de 2018. 

Estratégia para manutenção do peso perdido

No tratamento do excesso de peso e obesidade, muito mais complicado do que emagrecer é manter o peso perdido.

Sempre digo que as estratégias de perda são diferentes das estratégias de manutenção, e que a manutenção é um processo ativo e não passivo.

Entre as inúmeras estratégias que cientificamente se mostram eficazes está o auto-monitoramento do peso.

Muita gente não gosta de se pesar, mas para essa difícil parte do tratamento que é a manutenção, se pesar é fundamental, pois permite reconhecer padrões que são engordativos ou não, mas o mais importante, permite que se perceba uma tendência de recuperação de peso antes que ele se torne muito grande.

Alguns estudos sugerem que esse “peso alerta” deva ser cerca de 2 kgs acima do peso de manutenção, mas isso varia de indivíduo para indivíduo. E é claro que não adianta se pesar, se não houver estratégias claras para perder o peso quando se chegar ao alerta.

De toda forma, se pesar e estabelecer o peso alerta talvez seja uma das estratégias mais fáceis da manutenção de peso, mas mesmo assim muito eficaz.

Autor: Dr. Bruno Halpern - Médico endocrinologista

FDA aprova a alegação de prevenção de doenças cardíacas para óleos com altos teores de ácido oleico

Azeite e alguns óleos vegetais e de sementes recebem alegação de saúde qualificada

O consumo de óleo com elevado teor de ácido oleico pode reduzir o risco de doença cardíaca coronária quando substitui a gordura saturada, anunciou a FDA.

A alegação de saúde qualificada, que não atingiu o nível de uma alegação de saúde autorizada devido a evidência científica limitada, será permitida em rótulos de embalagens de alimentos para óleos comestíveis contendo pelo menos 70% de ácido oleico, anunciou a agência em um comunicado da FDA, comissário Scott Gottlieb, MD.

A gordura monoinsaturada é encontrada no azeite de oliva, no óleo de girassol com alto teor de oleico, no óleo de cártamo com alto teor oleico, no óleo de canola rico em oleico e no óleo de alga oleico elevado.

A alegação especifica que "evidências científicas de apoio, mas não conclusivas, sugerem que o consumo diário de cerca de 1 1/2 colher de sopa (20 gramas) de óleos contendo altos níveis de ácido oléico, pode reduzir o risco de doença cardíaca coronária".

Também deve incluir o aviso de que o benefício advém da substituição de gorduras e óleos por gorduras saturadas, sem aumentar o número total de calorias consumidas.

A base para a alegação foi a constatação em seis dos sete pequenos estudos clínicos avaliados que o consumo de alto teor de óleo de ácido oleico baixou os níveis de colesterol se substituiu outros tipos de gorduras e óleos mais ricos em gorduras saturadas.

"Ao permitir tais alegações em rótulos de produtos alimentícios, nós da FDA também esperamos encorajar a indústria alimentícia a reformular produtos", disse Gottlieb em comunicado.

Os óleos com alto teor de ácido oleico não são relacionados ao Olestra, uma gordura artificial usada como aditivo alimentar que se tornou infame por causar diarréia intensa e vazamento anal.

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Metas muito altas de perda de peso afastam obesos de médicos

Não é fácil ser gordo. No trabalho, as pessoas pensam que você não vai ser tão produtivo quanto elas, já que não consegue dar conta nem de gerenciar o próprio corpo; na academia, que você não se esforça o suficiente para perder o excesso de peso; amigos e familiares enxergam uma espécie de fraqueza psicológica que impede que você siga regras simples, como comer menos e se mexer mais. 

Esse estigma não ajuda a maioria dessas pessoas a obter tratamento. Ao contrário, provoca isolamento —e são raras as pessoas que oferecem ajuda. Barreiras como essa estão cada vez mais presentes em debates travados por especialistas durante eventos como a Obesity Week, que aconteceu em Nashville (EUA) na semana passada.

Contra a obesidade parece que a discriminação é aceitável e não há vergonha em agir dessa forma. Dizem que a pessoa é preguiçosa. Esse sentimento é internalizado e fica ainda mais difícil promover mudanças”, diz Olivia Cavalcanti, diretora da Federação Mundial de Obesidade.

O preconceito contra as pessoas com sobrepeso e obesidade, afirmam os especialistas, não se sustenta se considerada sua fisiologia.

Mesmo quando uma pessoa perde peso, a tendência é que organismo reduza o gasto calórico e que a fome aumente, uma força de reação a todo o esforço realizado. Alguns dos estudos mais longos de dietas já conduzidos apontam que, mesmo em casos de sucesso, quase todo peso perdido é recuperado após alguns anos.

Depois de emagrecer a pessoa que era obesa ainda tem alterações no organismo que não deixam a doença ser apagada, diz o endocrinologista Bruno Halpern, que participou da Obesity Week, da mesma forma que uma pessoa não deixa de ser hipertensa por estar controlando a pressão com medicamentos.

“As pessoas pensam que, quando alguém emagrece, resolveu o problema e, se engordar de novo, será como engordar pela primeira vez. Não é. A tendência fisiológica é sempre engordar”, diz Halpern.

Ou seja, simplesmente adotar uma alimentação com menos calorias —uma das primeiras sugestões que especialistas e leigos dão ao obeso— é apenas parte da resposta.

“O gordo não tem culpa de engordar. Pouquíssimas pessoas sustentam o peso perdido só mudando padrão dietético e fazendo exercício —a taxa de sucesso é perto de zero. A pessoa se esforça, gasta dinheiro, se lasca, passa fome, mas ela acaba comendo mais e engordando porque é alavancada pelo instinto”, afirma o endocrinologista Antonio Carlos Nascimento.

MEDICAMENTOS

Drogas antiobesidade também têm eficácia limitada, com efeitos que chegam a até 9% do peso nos melhores casos —em média, as pessoas desejam perder 20%. Mesmo assim, muitos benefícios são observados em quem perde 10% do peso, como redução de risco de doenças cardiovasculares, melhor qualidade de sono e melhor controle das taxas de açúcar no sangue.

Apesar dos benefícios, o tratamento medicamentoso é 15 vezes mais raro entre pessoas com obesidade do que nas com diabetes, mesmo sendo doença subdiagnosticada e subtratada, diz Halpern.

Ou seja, há também um estigma ligado a essas drogas. Aí cria-se a oportunidade para suplementos alimentares que alegam benefícios na perda de peso —embora estudos robustos não mostrem benefício nesse sentido. “Muitas vezes o paciente toma remédio e não conta para ninguém, nem para outro médico, que não é a favor desse tratamento”, diz Nascimento. 

“O congresso foi uma excelente oportunidade para ver como a regulação fisiológica é complexa. Esquecemos que a pessoa, quando come menos, tem mais fome —e esquece de tratar a fome”, diz Halpern.

O tratamento da fome e outros que têm como alvo mecanismos cerebrais que controlam o gasto energético estão na mira da indústria e, se funcionarem, podem ser lançados daqui alguns anos, diz Kevin Grove, chefe da área de pesquisa em obesidade da farmacêutica Novo Nordisk. Os estudos, porém, estão ainda em fase bastante incipiente.

Uma pesquisa patrocinada pela empresa (apelidado de Action - Awareness, Care and Treatment In Obesity maNagement) e conduzido nos EUA com 3.600 pessoas aponta que, embora 71% dos obesos tenham procurado ajuda médica nos cinco anos anteriores para tratar do peso, apenas pouco mais da metade recebeu um diagnóstico formal de obesidade. E, no fim, apenas um quarto marcou retorno para tratar do assunto.

“Às vezes o paciente vai no ortopedista, no cardiologista, e eles falam para perder 20 kg. Parte dos médicos acham que, se não der certo, a falha é do paciente —e ele não volta ao médico, já que não perdeu o peso. Não se deve julgar o paciente, e sim acolhê-lo e tratá-lo”, afirma Halpern.

No estudo Action, mesmo entre os profissionais de saúde, há quase 30% que não se consideram responsáveis por auxiliar o paciente na briga contra o excesso de peso.

Idealmente, diz Halpern, deveria haver um acompanhamento pelo profissional para tentar manter o paciente motivado. “Muitas pacientes vão por um, dois, três meses no consultório. Vão muito bem e depois desaparecem. Todo mundo se acha entendido de obesidade. Vem o amigo e diz que há um jeito melhor… As pessoas dão muito palpite.”

“Muitas vezes o paciente pensa que vai ser acompanhado pelo médico por três meses e depois ir embora. Está errado. Não tem jeito: se o caso for grave, ou vai para a cirurgia ou vai ser um big brother com o profissional da saúde”, diz Nascimento.

Para especialistas, a melhor maneira de acabar com o estigma é por meio da educação, ao mostrar, com base em conjuntos de estudos, para profissionais e para o público, que a obesidade é muito mais complicada do que parece. 

Cerca de um terço dos adultos no mundo, ou 2 bilhões de indivíduos, têm obesidade ou sobrepeso.  O sobrepeso se dá quando o índice de massa corpórea (massa, em kg, dividida pelo quadrado da altura, em metros) é igual ou maior que 25 kg/m²; e a obesidade se o índice é igual ou maior que 30.

Sim, exercício físico realmente desempenha um papel na perda de peso

"O exercício não é realmente importante para a perda de peso" tornou-se um sentimento popular na comunidade de perda de peso. "É tudo sobre dieta", dizem muitos. "Não se preocupe tanto com exercícios."

Essa idéia surgiu em meio a infinitas teorias sobre dietas e perda de peso, e rapidamente ganhou popularidade, com apenas um artigo citando 60 estudos para apoiar e disseminar essa noção como um incêndio.

A verdade é que você absolutamente pode - e deve - colocar o exercício no seu caminho para a perda de peso. Então, por que alguém está dizendo o contrário?

Há 10 anos venho estudando a epidemia de tentativas frustradas de perda de peso e pesquisando o fenômeno de centenas de milhões de pessoas que estão embarcando em tentativas de perda de peso - depois desistindo. Enquanto isso, o exercício continua sendo a prática mais comum entre pessoas de rastreamento nacional que são capazes de manter a perda de peso com o tempo. 

Noventa por cento das pessoas que perdem peso significativo e conseguem manter o peso alcançado fazem exercício pelo menos uma hora por dia, em média.

Existem algumas razões que o exercício para perda de peso pegam uma fama ruim.

Primeiro, o público está procurando, em grande parte, uma solução rápida - e a indústria de dieta e perda de peso explora esse desejo do consumidor por uma solução imediata.

Muitos estudos demonstraram que o exercício altera a composição do seu corpo, melhora o seu metabolismo em repouso e altera as suas preferências alimentares. Esses fatos simples e simples resistiram ao teste do tempo, mas passam amplamente despercebidos em comparação com a maioria dos produtos dietéticos sensacionalizados (a mudança através do exercício ao longo do tempo é uma venda muito mais difícil do que uma “limpeza” de cinco dias). Além disso, muitas pessoas consideram que uma hora por dia para o exercício não é razoável ou pode ser impraticável, e procuram uma solução mais fácil em outro lugar.

Em segundo lugar, o desconhecido. Médicos e nutricionistas fizeram um péssimo trabalho em explicar a ligação entre exercício e hábitos alimentares, talvez porque eles geralmente existam como campos separados.

O exercício altera diretamente os nossos hábitos alimentares, o que significa que, na verdade, temos mais facilidade em fazer escolhas mais saudáveis ​​quando nos exercitamos ao longo do tempo. Sem exercício, mudanças abruptas nos hábitos alimentares, especialmente se resultarem em restrições calóricas, são muito difíceis de sustentar. Além disso, quanto mais tempo fizermos essas escolhas saudáveis, mais provável será que se tornem hábito.

Por exemplo, quando uma mulher de 42 anos de idade, com 1m65cm e 110 kg, decide perder peso por conta própria, é provável que ela se esforce para mudar abruptamente suas escolhas alimentares para legumes e peixe assado, principalmente porque sentir dores de fome esmagadoras (mas também por outras razões, como fadiga, dor, depressão e irritabilidade, entre outras coisas). 

Mas se levarmos essa mesma pessoa e aumentarmos a capacidade de exercício dele para um ponto crítico, essas escolhas se tornarão muito mais fáceis de suportar.

Em terceiro lugar, capacidade limitada. 

Exercício originalmente foi rebaixado após uma série de estudos que envolveu pessoas com sobrepeso ou obesidade procurando perder peso que tinham capacidade limitada para exercitar. 

Pedir a alguém com capacidade limitada de se exercitar para perder peso usando exercícios é como dizer a alguém para esvaziar uma piscina cheia de água com um copo de plástico. Não pode ser realizado em qualquer quantidade razoável de tempo. Então, quando você mede quanto peso eles podem “queimar” ao longo do tempo, a resposta não é muito, porque a maioria dos pacientes sedentários pode queimar 500 ou menos calorias por semana. 

Como resultado, a conclusão instável de que o exercício era menos importante para a perda de peso surgiu e foi rapidamente sensacionalizada.

O que falta nessa lógica, no entanto, é que as pessoas podem mudar a capacidade de exercício. À medida que a capacidade de exercício aumenta para um indivíduo sedentário e se aproxima de uma pessoa magra, a capacidade de perder peso com o exercício muda drasticamente.

É como dar ao participante de nosso exemplo de esvaziamento da piscina um balde ou até mesmo uma mangueira. 

A capacidade de correr por 30 minutos ininterruptos, ou andar de bicicleta por 60 minutos, é o que separa tantos supostos dietistas de suas contrapartes magras e é responsável pelas tentativas de perda de peso mais experimentadas e que falharam. 

Além disso, uma vez que a pessoa atinge um ponto crítico de capacidade de exercício, a experiência do exercício se torna mais agradável, e a experiência pode até ser divertida.

Então, você pode exercer o seu caminho para a perda de peso? 

Absolutamente. É claro que restrições abruptas de calorias resultarão em perda de peso a curto prazo, mas é extremamente difícil para as pessoas manter essa restrição por longos períodos de tempo, e a maioria acaba desistindo ou recuperando o peso perdido. 

Exercício, no entanto, é uma maneira testada e verdadeira de tornar as mudanças na dieta mais toleráveis. 

Concentrar-se no exercício e mudar a capacidade de exercício primeiro torna mais fácil, em última análise, fazer melhores escolhas alimentares e desfrutar de uma vida limpa, o que significa perda de peso significativa que pode ser mantida ao longo do tempo.

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Atividade física matutina mais comum entre adultos que mantêm a perda de peso

Adultos que mantêm a perda de peso têm padrões semanais mais consistentes de atividade física e são ativos no início do dia em comparação com outros grupos, de acordo com dados apresentados na reunião anual da ObesityWeek.

Os médicos devem estar promovendo a atividade física diária para quase todo mundo ”, disse Seth A. Creasy, PhD, um colega de pós-doutorado do Campus Médico da Universidade do Colorado em Anschutz, ao Endocrine Today. “A atividade física é particularmente importante para indivíduos que estão tentando gerenciar seu peso corporal. Os médicos podem usar essas informações para informar suas recomendações. ”

Creasy e seus colegas examinaram os padrões de atividade física de três grupos, concentrando-se em padrões diários e padrões temporais.

Na análise diária, os grupos foram compostos por mantenedores de perda de peso (n = 30; IMC médio de 23,7 kg / m²), que consistentemente mantiveram uma perda de pelo menos 13,6 kg por um ano ou mais; adultos com peso normal (n = 29; IMC médio de 22,7 kg / m²) e adultos com sobrepeso ou obesidade (n = 21; IMC médio de 32,9 kg / m²). A atividade física foi medida durante as horas de vigília por acelerômetro.

Diariamente, os participantes dos grupos mantenedor da perda de peso (P = 0,003) e peso normal (P = 0,002) tiveram menos tempo sedentário nos finais de semana em comparação com o grupo sobrepeso / obesidade. Os mantenedores de perda de peso também tiveram quantidades semelhantes de atividade física durante a semana e o fim de semana, enquanto os do grupo sobrepeso / obesidade tiveram um declínio na atividade física de dias úteis para dias de semana (P = 0,011).

Os pesquisadores também analisaram a atividade física por hora entre esses três grupos. Eles observaram que os mantenedores de perda de peso não apenas se envolviam em mais atividade física diária em comparação com os grupos de peso normal e sobrepeso / obesidade, mas também tinham um aumento significante na atividade dentro de 3 horas de acordar. Os mantenedores de perda de peso também estavam mais ativos no início da manhã e no início da tarde durante a semana e significativamente mais ativos durante a maioria de cada dia de final de semana.

Ficamos surpresos ao ver como os mantenedores ativos da perda de peso estavam no início da manhã. Embora especulativo, isso pode sugerir que o envolvimento na atividade pela manhã leva a níveis mais altos de atividade física diária ”, disse Creasy. “Você pode imaginar que uma pessoa que planeja fazer uma atividade à tarde pode ter barreiras que surgem e proibi-los de fazer sua atividade à tarde. Descobrimos também que os indivíduos que estão mantendo uma perda de peso significativa tomam quantidades semelhantes de passos nos dias úteis e fins de semana. Essa consistência no comportamento pode ser importante ”.

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O que os brasileiros sabem (e não sabem) sobre diabetes

Vale a pena ler a reportagem sobre uma pesquisa realizada acerca do tema: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-os-brasileiros-sabem-e-nao-sabem-sobre-diabetes/

Por que o risco de diabetes aumenta na gravidez? Que cuidados tomar? Por Cintia Cercato

Na semana do Dia Mundial de Diabetes, comemorado em 14 de novembro, acho importante falar sobre o diabetes gestacional. Trata-se de uma condição cada vez mais frequente, visto o aumento da obesidade entre as mulheres. O diabetes gestacional, como o próprio nome diz, é aquele que se inicia durante a gravidez. Mas por que na gestação aumenta o risco de diabetes?

Durante a gravidez, a placenta produz uma grande quantidade de hormônios que são importantes para o desenvolvimento fetal, mas que podem causar aumento na resistência à ação da insulina, principalmente nos dois últimos trimestres de gestação. O diabetes gestacional costuma aparecer por volta da 26ª semana de gravidez, quando a placenta começa a produzir maior quantidade desses hormônios

Algumas mulheres têm maior predisposição que outras para desenvolver o problema. De acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, são considerados importantes fatores de risco:

  1. Idade materna avançada;
  2. Sobrepeso, obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual;
  3. Deposição de gordura corporal na região abdominal;
  4. História familiar de diabetes em parentes de primeiro grau;
  5. Crescimento fetal excessivo, aumento do liquido amniótico, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual;
  6. Antecedentes obstétricos de abortamentos de repetição, malformações, morte fetal ou neonatal, macrossomia (bebês nascidos com mais de 4 kg) ou diabetes gestacional;
  7. Síndrome de ovários policísticos;
  8. Baixa estatura (menos de 1,5 m de altura).

Como identificar?

É muito importante que as novas mamães saibam que já na primeira consulta pré-natal deve ser solicitado o exame de glicemia de jejum. Se o valor encontrado for maior ou igual a 126 mg/dl, será feito o diagnóstico de diabetes mellitus franco na gravidez. Se a glicemia em jejum for maior que 92 mg/dl e menor que 126 mg/dL, será feito o diagnóstico de diabetes gestacional. Mas se a glicemia for 92 mg/dL, a gestante deve ser reavaliada no segundo trimestre.

Por volta da 24ᵃ e 28ᵃ semanas, costuma-se realizar um teste de sobrecarga oral de glicose para as gestantes que tiveram seu exame inicial abaixo dos 92 mg/dl. Nesse teste é dosada a glicemia de jejum e depois a paciente toma líquido contendo 75 g de glicose (açúcar). Após uma e duas horas, a glicemia é analisada. Se um único resultado vier alterado, já é feito o diagnóstico do diabetes gestacional.

Que cuidados tomar?

Uma vez diagnosticado é fundamental iniciar o tratamento. A boa notícia é que a maioria das mulheres consegue controlar a doença com uma dieta adequada e atividade física regular. Deve-se dar preferência ao consumo de carboidratos complexos de baixo índice glicêmico, como alimentos integrais, ricos em fibra.

A melhor maneira de saber se tudo está correndo bem é monitorar a glicose no jejum e após as refeições. Isso é realmente muito importante. Se o controle estiver inadequado será necessário iniciar tratamento farmacológico.

No geral, as mamães são supercuidadosas nessa fase, afinal estão protegendo o seu maior tesouro. E vale a pena! O controle adequado do diabetes na gestação evita complicações obstétricas e fetais. E hoje em dia sabemos que o ambiente uterino interfere na saúde futura do bebê.


Níveis sanguíneos mais altos de ômega-3 estão associados a um envelhecimento saudável

Altos níveis séricos de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (AGPI n-3) estão associados ao envelhecimento saudável em adultos – definido como sobrevida livre de doenças crônicas, tais como doença cardiovascular, câncer, doença pulmonar ou doença renal crônica grave –, segundo achados de um novo estudo.

Pesquisadores mensuraram os níveis cumulativos do fosfolipídio AGPI n-3 no plasma de 2.600 adultos por três vezes num período de 13 anos e encontraram uma associação entre maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa e uma chance 18% menor de envelhecimento não-saudável.

Mais especificamente, os AGPI n-3 provenientes de frutos do mar, ácido eicosapentaenóico (EPA), ácido docosapentaenóico (DPA) e ácido docosahexaenóico (DHA), estão associados ao envelhecimento saudável.

"Observamos que níveis mais altos de ômega-3 estavam associados a maior probabilidade de envelhecimento saudável. Também vimos que pessoas com os níveis séricos mais altos de ômega-3 reportaram maior consumo de peixe; cerca de duas porções por semana", disse a autora principal Dra. Heidi Lai, Ph.D., fellow de pós-doutorado, Friedman School of Nutrition Science and Policy, Tufts University, Boston, ao theheart.org/Medscape Cardiology.

"Este estudo confirma a indicação de maior consumo de frutos do mar, contida nas atuais diretrizes nacionais", disse a autora.

O estudo foi publicado on-line em 17 de outubro no BMJ.

Importância dos biomarcadores

"Estamos vivendo mais, mas não necessariamente de forma saudável e a qualidade de vida na terceira idade está se deteriorando", disse Dra. Heidi.

"Além das preocupações com a qualidade de vida, a longevidade sem saúde aumenta os custos do setor saúde. Como pesquisadores, queremos começar a concentrar na qualidade de vida em vez de na longevidade – um conceito que chamamos de envelhecimento saudável, que significa sobrevida livre de doenças crônicas e disfunções cognitivas ou físicas", explicou.

"Sabemos que os AGPI ômega-3 encontrados, principalmente, nos frutos do mar, trazem benefícios para a saúde do coração, mas pouco exploramos a influência dele em outras doenças crônicas e no envelhecimento saudável".

A maioria dos estudos prévios foi baseada em questionários sobre alimentação respondidos pelos pacientes, e poucos utilizaram biomarcadores para prover "uma medida complementar ao relato, com menor viés de memória e erros de estimação", segundo os autores.

Além disso, os biomarcadores facilitam muito a pesquisa sobre os efeitos de AGPI n-3 específicos, que incluem EPA de cadeia longa, DHA de frutos do mar e DPA metabolizado endogenamente (de forma menos importante, também derivada de frutos do mar). Ainda incluído nesta categoria, o ácido α-linoleico das plantas.

Importante ressaltar que todos os estudos prévios com biomarcadores utilizaram apenas uma medida de AGPI n-3 em seu início, e não acompanharam tendências ou mudanças ao longo do tempo.

Por isso, os pesquisadores utilizaram medidas em série de biomarcadores AGPI n-3 do estudo Cardiovascular Health, uma coorte prospectiva multicêntrica de idosos nos Estados Unidos, recrutados a partir de amostras aleatórias de indivíduos participantes do Medicare – seguro de saúde pago pelo governo dos EUA para pacientes idosos – para estudar a associação entre níveis de fosfolípides AGPI n-3 circulantes e a probabilidade de envelhecimento saudável.

O estudo Cardiovascular Health começou com 5.888 pacientes adultos ambulatoriais, recrutados em 1992 e 1993.

Para o presente estudo, após a exclusão de participantes que faleceram, tinham informações incompletas ou não participaram do acompanhamento, 2.522 participantes (média de idade de 74,4 com desvio padrão de 4,8, anos; 63,4% brancos; 10,8% não brancos) foram elegíveis para análise.

Os pesquisadores analisaram os níveis cumulativos de fosfolípides AGPI n-3 no plasma utilizando cromatografia gasosa em 1992 e 1993, em 1998 e 1999, e em 2005 e 2006, expressas na forma de porcentagem do total de ácidos graxos, incluindo o ácido α-linoleico de plantas, EPA, DPA e DHA de frutos do mar.

As informações sociodemográficas coletadas foram: idade, sexo, etnia, local de acompanhamento, educação e renda.

Os fatores adicionais foram: índice de massa corporal, atividade física (excluindo tarefas diárias), pressão arterial, lipídeos, tabagismo, autoavaliação de saúde, história familiar de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão, drogas para controle de lipídeos, depressão, osteoporose, consumo de álcool e hábitos alimentares.

Novo estudo
Os participantes com maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa tinham mais chance de ser do sexo feminino, brancos, ter maior renda, maior nível educacional e seguir um estilo de vida mais saudável.

Os pacientes no grupo mais alto consumiram cerca de uma porção diária a mais de peixe quando comparados com o grupo mais baixo.

Ao início do estudo, os níveis de AGPI n-3 eram semelhantes entre os participantes com envelhecimento saudável e os não saudáveis (critério de exclusão).

Durante o acompanhamento de um total de 21.803 pessoas-ano, 89% dos participantes tiveram um envelhecimento não saudável e 11% envelheceram de forma saudável – um desvio positivo, segundo os autores.

Após ajuste de múltiplas variáveis demográficas, de estilo de vida, riscos cardiovasculares, hábitos alimentares e outros ácidos graxos fosfolípides, maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa foram associados a menor probabilidade de envelhecimento não saudável, apesar do ácido α-linoleico não ter mostrado esta associação.

No geral, os participantes do grupo com o nível mais alto de AGPI n-3 de cadeia longa teve um risco 18% menor de envelhecimento não saudável (IC 95%, 3% a 30%; P = 0,001), comparado com os pacientes com menor nível de AGPI n-3 de cadeia longa.

Quando os AGPI n-3 foram analisados separadamente, observou-se que os grupos com níveis mais altos de EPA ou DPA – mas não de ácido α-linoleico ou DHA – tiveram risco de envelhecimento não saudável menor em 24% (IC de 95%, de 11% a 35%; P < 0,001) e 18% (IC 95%, de 6% a 29%; P = 0,003), respectivamente, em comparação com o grupo de menor nível.

Modelos lineares revelaram que os maiores níveis de AGPI n-3 de cadeia longa, mas não de ácido α-linoleico, estavam consistentemente associados a menor probabilidade de envelhecimento não saudável, com o risco de envelhecimento não saudável diminuindo em 15% (para cada quintil) para EPA (IC 95%, de 6% a 23%), 16%  para DPA (IC 95%, de 5% a 24%), e 18% para AGPI n-3 de cadeia longa total (IC 95%, de 7% a 28%).

Após mais ajustes para potenciais mediadores, o DHA mostrou estar associado com um risco 12% menor para envelhecimento não saudável (IC 95%, de 0% a 23%), enquanto os resultados para os outros AGPI n-3 de cadeia longa permaneceram inalterados.

"Estudos prévios concentraram na relação entre o ômega-3 e os componentes individuais do envelhecimento saudável, mas nenhum os considerou em combinação", explicou Dra. Heidi.

"Nosso estudo traz novas evidências, avançando a pesquisa no campo do envelhecimento", disse.

"A segunda novidade do estudo é o uso de exames de sangue em série, em três pontos do estudo, que capturam a mudança ao longo do tempo, comparado com pesquisas que utilizam apenas uma medida no início".

Nenhuma conclusão sobre suplementação

O Medscape convidou Yeyi Zhu, cientista da divisão de pesquisa da Kaiser Permanente Northern California e professor adjunto assistente do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da University of California, em San Francisco (EUA), para comentar o estudo. Ele não fez parte do grupo de pesquisa.

Yeyi disse que este estudo "dá uma pista sobre a relação dos ácidos graxos ômega-3 provenientes dos frutos do mar e a maior probabilidade de envelhecimento saudável".


O cientista e coautor de um editorial que acompanha a publicação, fez uma ressalva; "Nota-se que o estudo focou nos níveis de ácidos graxos ômega-3 fosfolípides circulantes no plasma; não se pode fazer nenhuma conexão direta em relação à quantidade de alimentos consumidos ou mesmo de suplementos".

Dra. Heidi relatou que pesquisas prévias mostraram que a suplementação com ômega-3 não reduz o risco de doenças cardiovasculares.

Contudo, disse que, "nosso estudo não foi sobre suplementos, em vez disso consideramos os níveis séricos de ômega-3 provenientes de frutos do mar. Descobrimos que altos níveis estão ligados a maior chance de uma vida longa e saudável".

Esta pesquisa recebeu subsídios do National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). O estudo Cardiovascular Health recebeu subsídios do National Institute of Neurological Disorders and Stroke, com apoio adicional do National Institute of Ageing (NIA).

A Dra. Heidi Lai e o cientista Yeyi Zhu declararam não ter conflitos de interesses relevantes. As declarações dos outros autores constam na publicação original.

BMJ. Publicado on-line em 17 de outubro de 2018