quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Diabetes e atividade física: o exercício é tão importante quanto o medicamento

Embora o diabetes geralmente seja associado apenas ao tratamento medicamentoso e à mudança dos hábitos alimentares, a prática de atividades físicas também deve ser considerada um tipo de terapia para a doença. “O exercício é tão obrigatório quanto tomar remédio”, diz João Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa, de São Paulo.

O endocrinologista comparou os cuidados da doença a uma cadeira, na qual cada pé tem sua devida importância: o tratamento, a educação do diabetes, a reeducação alimentar e o exercício físico. “Infelizmente, hoje essa cadeira não se mantém em pé no Brasil. As pessoas precisam entender que são necessários pelo menos três desses itens para conviver com a condição, e quatro deles para viver confortável com ela”, explica o médico.

A prática de exercício físico melhora o controle metabólico tanto do diabetes tipo 1 quanto do tipo 2. Isso porque a atividade expõe a célula muscular a um trabalho e automaticamente essa célula começa a captar glicose independentemente de insulina. “O diabetes é a falta da insulina, mas quando você a repõe, a glicose cai. A diferença aqui é que o exercício faz a glicose cair sozinha”, conta Salles.

O ideal é seguir a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde): fazer 150 minutos de exercício por semana. Mas não pense que, para atingir essa meta, basta caminhar 30 minutos por dia. De acordo com o endocrinologista, é preciso realizar treinos aeróbicos, como corrida e natação, e anaeróbicos, como a musculação. “Enquanto o aeróbico queima aquela glicose que está em excesso, tendo uma ação mais curta, o resistido melhora a massa muscular como um todo, que é justamente onde o corpo pega a glicose. Nesse caso, o resultado é mais duradouro.”

Segundo Marco Petti, diretor médico e chefe de pesquisa clínica da Novo Nordisk, movimentar-se também diminui o tecido gorduroso periférico, que está associado ao aumento da resistência à insulina, ou seja, o controle da doença se torna melhor. “O impacto da atividade física na terapia é nítida. Nós acompanhamos um time de ciclistas com diabetes tipo 1. Para se ter uma ideia, no dia em que eles pedalam, chegam a usar uma aplicação de insulina por dia, quando em um dia normal usam cinco”, conta ele.

Riscos e cuidados

Por causa do tratamento com a insulina, quem tem a diabetes deve tomar cuidado ao praticar atividades físicas. “Alguns tipos de insulina têm picos, o que aumenta os riscos de hipoglicemia. Como o músculo queima a glicose na hora do exercício, se o paciente aplicar uma injeção, vai sofrer uma hipo”, explica Salles.

É por esse motivo que é preciso fazer uma consulta com um médico antes de começar a se mexer, para saber quando e onde tomar — injeções na barriga podem diminuir os riscos de hipo, já que a glicose demora mais para ser absorvida do que quando é aplicada na perna– ou se deve se alimentar de outra forma antes do treino, como comer um carboidrato.

“Depende muito de cada caso, mas isso não deve impedir ninguém de sair do sofá”, garante o médico. “O problema maior é não se exercitar.”

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