terça-feira, 22 de maio de 2018

CFM alerta: Pós-graduação não garante obtenção de título de especialista

A simples existência de um curso de pós-graduação lato sensu, ainda que reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), não habilita o médico se anunciar como especialista, tendo somente valor acadêmico. Apenas duas formas podem levar o médico a obter a  especialização: 

  1. por meio de uma prova de títulos e habilidades das Sociedades de Especialidades filiadas pela Associação Médica Brasileira; 
  2. e/ou por residência médica reconhecidas pela Comissão Nacional de Residência Médica. 

O alerta é feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que debateu o assunto em Sessão Plenária  em Brasília. “O CFM está atento a propagandas de alguns cursos de pós-graduação que induzem interpretação equivocada”, afirmou o presidente da entidade.

A Plenária do CFM ressaltou que o médico somente poderá anunciar especialidade quando estiver registrado o título no Conselho Regional de Medicina em que estiver inscrito.

Seguem algumas perguntas e respostas importantes:

1. Fiz pós-graduação lato sensu em área que não é considerada especialidade médica pelo CFM. Posso anunciá-la?
R: Não. Por terem potencial para confundir o paciente, esses títulos não devem ser anunciados.

2. Tenho pós-graduação em geriatria, mas não possuo o título de especialista. Posso inserir a palavra "geriatria" em meu carimbo?
R: Não. Para se apresentar como geriatra ou profissional de geriatria é preciso ter o título de especialista em geriatria, adquirido por meio do programa de residência médica ou por
avaliação de sociedade de especialidade reconhecida pelo CFM. O paciente deve ter absoluta clareza sobre a formação do médico que o atende.

3. Sou psiquiatra. A medicina do sono é uma área de atuação da psiquiatria. Não tenho título de sociedade relacionado a esta área, mas fiz pós-graduação lato sensu neste campo. Posso anunciá-la, já que esta área do conhecimento tem relação com a minha especialidade?
R: Não. Para anunciar-se como profissional de determinada área de atuação faz-se necessário ter título adquirido por meio do programa de residência médica ou por avaliação de sociedade de especialidade reconhecida pelo CFM. Adicionalmente, este
título deve ser registrado no CRM local. 

4. Sou cardiologista e fiz um mestrado em psiquiatria. Posso fazer referência a esse título no material de meu consultório de cardiologia, nos cartões de visita e em outras peças de
publicidade e papelaria?
R: Não. A resolução o impede associar títulos acadêmicos à sua especialidade médica quando não são da mesma área. O CFM entende que o anúncio desse título confunde o paciente. Esse tipo de anúncio induz o paciente a crer, por exemplo, que o mestrado torna o profissional um psiquiatra ou cardiologista mais habilitado, o que não é verdade. De qualquer modo, você pode anunciar todos os títulos que possui relacionados à sua
especialidade. Eles só precisam ser previamente registrados no CRM local.

5. Os treinamentos que realizei, mas que não resultaram em título acadêmico, relacionados com minha especialidade, podem ser anunciados?
R: Sim. Antes de anunciá-los, no entanto, você deve registrá-los no CRM local.

Fonte: http://www.portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21661:cfm-alerta-pos-graduacao-nao-substitui-residencia-medica-na-obtencao-de-titulo-de-especialista&catid=3

Saiba mais com a Resolução CFM nº 1634/2002:
(http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2002/1634_2002.htm).

domingo, 20 de maio de 2018

Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga plano para eliminar gorduras trans produzidas industrialmente

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na segunda-feira (14) o REPLACE, guia com um passo-a-passo para eliminar os ácidos graxos trans produzidos industrialmente do suprimento global de alimentos. A eliminação das gorduras trans é fundamental para proteger a saúde e salvar vidas. A OMS estima que, a cada ano, a ingestão de gordura trans leve a mais de 500 mil mortes de pessoas com doenças cardiovasculares.

Gorduras trans produzidas industrialmente estão presentes nas gorduras vegetais hidrogenadas, como margarina e ghee, e em salgadinhos, alimentos assados e frituras. Os fabricantes costumam utilizá-las por terem uma vida útil mais longa do que outras gorduras. No entanto, alternativas mais saudáveis podem ser usadas, não afetando o sabor ou o custo dos alimentos.

“A OMS pede aos governos que usem o pacote de ação REPLACE para eliminar os ácidos graxos trans produzidos industrialmente do suprimento de alimentos”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A implementação das seis ações estratégicas do REPLACE ajudará a alcançar a eliminação da gordura trans e representará uma importante vitória na luta global contra as doenças cardiovasculares.

O pacote de ações REPLACE fornece seis ações estratégicas para assegurar a eliminação rápida, completa e sustentada das gorduras trans produzidas industrialmente a partir do suprimento de alimentos. O guia sugere revisar fontes alimentares com gordura trans produzidos industrialmente e o panorama para as mudanças políticas necessárias; promover a substituição de gorduras trans produzidas industrialmente por gorduras e óleos mais saudáveis; e legislar ou promulgar ações regulatórias para eliminar gorduras trans produzidas industrialmente.

Outras recomendações envolvem avaliar e monitorar o teor de gorduras trans no suprimento de alimentos e mudanças no consumo de gordura trans entre a população; conscientizar sobre o impacto negativo na saúde das gorduras trans entre formuladores de políticas, produtores, fornecedores e o público; e estimular a conformidade de políticas e regulamentos.

Vários países de alta renda praticamente eliminaram as gorduras trans produzidas industrialmente por meio de limites legalmente impostos sobre a quantidade que pode estar contida nos alimentos embalados. Alguns governos implementaram proibições de óleos parcialmente hidrogenados, a principal fonte de gorduras trans produzidas industrialmente.

Na Dinamarca, primeiro país a impor restrições às gorduras trans produzidas industrialmente, o teor de gordura trans dos produtos alimentares diminuiu drasticamente e as mortes por doenças cardiovasculares diminuíram mais rapidamente do que em países comparáveis da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“A cidade de Nova Iorque eliminou a gordura trans produzida industrialmente há uma década, seguindo a liderança da Dinamarca”, disse Tom Frieden, presidente e CEO da “Resolve to Save Lives”, uma iniciativa da “Vital Strategies”. “A gordura trans é um químico tóxico desnecessário, que mata, e não há razão para as pessoas no mundo todo continuarem expostas a ela”.

“Em países de baixa e média renda, onde o controle do uso de gorduras trans produzidas industrialmente é frequentemente mais fraco, são necessárias ações para garantir que os benefícios sejam vividos igualmente em todo o mundo.

O embaixador global da OMS para doenças crônicas não transmissíveis, Michael Bloomberg, ex-prefeito de cidade de Nova Iorque e fundador da Bloomberg Philanthropies, argumentou que “proibir gorduras trans na cidade de Nova Iorque ajudou a reduzir o número de ataques cardíacos sem mudar o sabor ou o custo dos alimentos”. Segundo ele, a eliminação de seu uso em todo o mundo poderia salvar milhões de vidas.

“Uma abordagem abrangente do controle do tabaco nos permitiu fazer mais progresso globalmente na última década do que quase todos pensavam ser possível. Agora, uma abordagem semelhante à gordura trans pode nos ajudar a fazer esse tipo de progresso contra as doenças cardiovasculares, outra das principais causas mundiais de morte evitável.”

A eliminação do suprimento global de alimentos com gorduras trans produzidas industrialmente foi identificada como uma das metas prioritárias do plano estratégico da OMS, que orientará o trabalho da organização entre 2019 e 2023.

O plano está na pauta da 71ª Assembleia Mundial da Saúde, a ser realizada em Genebra entre os dias 21 e 26 de maio. Como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a comunidade global se comprometeu a reduzir em um terço até 2030 as mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis. A eliminação global de gorduras trans produzidas industrialmente pode ajudar a atingir esse objetivo.

“Por que nossos filhos deveriam ter um ingrediente tão inseguro em seus alimentos?”, questionou Tedros. “O mundo está agora embarcando na Década de Ação da ONU sobre Nutrição, usando-a como uma bússola para melhorar o acesso à alimentação e à nutrição saudáveis. A OMS também está usando esse marco para trabalhar com governos, indústria alimentícia, academia e sociedade civil para garantir sistemas alimentares mais saudáveis para as gerações futuras, inclusive eliminando as gorduras trans produzidas industrialmente.”

Nota
Existem duas fontes principais de gorduras trans: fontes naturais (nos produtos lácteos e carne de ruminantes, como vacas e ovelhas) e fontes produzidas industrialmente (óleos parcialmente hidrogenados).

Os óleos parcialmente hidrogenados foram inicialmente introduzidos no suprimento de alimentos no início do século 20 como um substituto da manteiga, e se tornaram mais populares nos anos 1950 e 1970, com a descoberta dos impactos negativos na saúde dos ácidos graxos saturados. Óleos parcialmente hidrogenados são usados principalmente para frituras e como ingrediente em produtos assados; eles podem ser substituídos em ambos os casos.

A OMS recomenda que o consumo total de gordura trans seja limitado a menos de 1% do consumo total de energia, o que se traduz em menos de 2,2 g/dia em uma dieta de 2 mil calorias. As gorduras trans aumentam os níveis de colesterol LDL, um biomarcador bem aceito para o risco de doenças cardiovasculares, e diminui os níveis de colesterol HDL, que levam o colesterol das artérias e o transportam para o fígado, que o secreta para a bile.

Dietas ricas em gorduras trans aumentam o risco de doença cardíaca em 21% e de mortes em 28%. Substituir as gorduras trans por ácidos graxos insaturados diminui o risco de doença cardíaca, em parte, melhorando os efeitos negativos das gorduras trans nos lipídeos do sangue. Além disso, existem indicações de que a gordura trans pode aumentar a inflamação e a disfunção endotelial.

A OMS realiza até 1º de junho uma consulta pública on-line para revisar as orientações atualizadas sobre o consumo de ácidos graxos saturados para adultos e crianças.

Crianças também "descontam" emoções na comida, diz estudo e Usar a comida para acalmar seu filho pode levar à obesidade quando ele for mais velho


Você já recorreu à comida para aliviar sentimentos ruins?  Pois bem. Esse comportamento não é exclusividade dos adultos. Um estudo realizado nos Estados Unidos* revelou que as crianças também “descontam” suas emoções na comida. Ou seja, elas também buscam prazer ao comer. 

Para chegar a essa conclusão os pequisadores ofereceram quatro tipos de snacks a 91 crianças, na faixa etária entre 4 e 9 anos de idade. Separadas em grupos, elas assistiram a diferentes cenas da animação Rei Leão. Ao fim da exibição, os especialistas notaram que o tipo de clipe assistido influenciou diretamente as escolhas alimentares dos pequenos. A pesquisa detectou ainda que, quanto mais velha a criança, maiores as chances de sua alimentação ser influenciada pelos sentimentos.

Os grupos que comeram mais chocolate foram justamente os que assistiram a cenas tristes ou felizes. Enquanto isso, os que acompanharam trechos neutros preferiram biscoitos salgados. Mas por que as crianças tendem a preferir comidas mais calóricas quando são estimuladas emocionalmente? A nutróloga Liliane Oppermann explica que isso se deve a uma questão fisiológica: "Esses alimentos estimulam a liberação de neurotransmissores, como a serotonina, que ativam áreas do cérebro relacionadas ao prazer. Além de suprir a necessidade de nutrientes, algumas comidas também podem trazer sensação de recompensa".

Porém, como o próprio nome diz, a "fome emocional" não pode ser explicada apenas pela biologia. Para Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo (SP), a alimentação impulsionada por emoções também está relacionada a fatores culturais. "Desde muito pequenos, somos ensinados que o ato de comer é prazeroso. A amamentação, por exemplo, é sinônimo de proteção e aconchego. Por isso é natural que as crianças também usem a comida como meio de buscar conforto".

Como minimizar os efeitos da fome emocional

Confira as dicas das especialistas para que seu filho desenvolva uma relação saudável com  a comida:

1. Dê o exemplo
A consciência alimentar começa com o exemplo dos pais. "Não podemos pensar que ao mudar a alimentação das crianças, o problema estará resolvido. Quando falamos em comer bem, vale a comparação com as máscaras de oxigênio dos aviões: precisamos primeiro nos proteger, para depois ajudar as crianças", explica a nutróloga Liliane Oppermann. 

2. Não compare os hábitos alimentares do seu filho aos de outras crianças
Se você tem mais de um filho, saiba que a relação que eles têm com a comida não será igual. Por isso, não faça comparações entre as crianças. As carências e as necessidades de cada uma precisam ser analisadas individualmente.

3. Não use a comida como moeda de troca
É comum que durante a infância os pais usem certos alimentos para "premiar" bons comportamentos. Essa forma de compensação pode ser um problema. Quando isso se torna um hábito, a saúde é afetada e distúrbios como a obesidade podem aparecer. Lembre-se sempre: a comida não deve ser sinônimo de recompensa emocional, ela serve apenas para matar a fome.

4. Explique a diferença entre desejo e necessidade
Para um adulto, é fácil perceber quando a fome têm origem emocional. No caso das crianças, a lógica não é tão simples assim. "Precisamos explicar que necessidade e desejo são coisas bem diferentes. A necessidade é um pedido do corpo por comida, enquanto o desejo é um luxo que traz sensação de contentamento", confirma a psicóloga Rita Calegari.

*O estudo foi desenvolvido em conjunto pelas universidades do Texas, de Michigan e do Leste do Michigan. 


Usar a comida para acalmar seu filho pode levar à obesidade quando ele for mais velho

O bebê nasce e uma das maiores preocupações dos pais é em relação ao peso. Será que está mamando o suficiente? Os meses passam e chega a tão esperada introdução alimentar. É hora de variar o cardápio e oferecer os alimentos preparados de diferentes maneiras. À medida em que os bebês ficam maiores e passam a entender que são seres diferenciados das mães surgem as descobertas e as “birras”, que acontecem porque as crianças ainda não têm maturidade suficiente para lidar com uma determinada frustração e acabam explodindo. Essa explosão vem em forma de choro incontrolável, gritos e aquela movimentação intensa difícil de conter. E é aí que mora o perigo: muitos pais já perceberam que oferecer um alimento que a criança gosta no exato momento da irritação ajuda a acalma-la, e isso passa a ser um hábito.

No entanto, essa calma, mantida à base de comida, pode até resolver o problema na hora, mas os riscos a longo prazo podem ser ainda maiores, já que afetam seus hábitos alimentares e podem levar a um ganho de peso excessivo no futuro. É o que sugere o estudo publicado pelo International Journal of Obesity, que examinou dados de 160 pares de mães e bebês.

Os pesquisadores estudaram como as mães acalmavam seus bebês aos seis meses e fizeram um acompanhamento desses bebês por um ano. Eles descobriram que certos bebês, cujas mães se voltavam para a comida com mais frequência para acalmá-los, tendiam a ganhar mais peso. Uma das autoras do estudo, Cynthia Stifter, disse ao site Science Daily que usar o alimento como calmante tende a tornar os bebês mais propensos a comer por falta do que precisam quando forem mais velhos. Segundo a pesquisadora, que também é professora de desenvolvimento humano e psicologia, comer é prazeroso, por isso, ao crescer tendo os alimentos como forma de calmante aumenta as chances de eles procurem pela comida na hora de resolver outras questões no futuro.

O estudo foi baseado em pesquisas anteriores que encontraram uma conexão entre temperamento de urgência e índice de massa corporal mais alto (e maior ganho de peso), e mostrou também como o temperamento de uma criança pode afetar o estilo de parentalidade da mãe e do pai.

"Quando os bebês respondem às coisas de uma determinada maneira, os pais percebem isso. Então, de muitas maneiras, o comportamento do bebê está influenciando o comportamento dos pais.” Na prática, significa que o bebê já espera receber um alimento em determinadas situações de choro, irritação e “birra”, e que os pais, por sua vez, já sabem que a comida irá acalma-los. Usando-a como estratégia quando outros métodos não funcionam tão bem assim.

A especialista também disse esperar que os resultados do estudo possam informar programas para educar os pais sobre o temperamento de seus filhos, e como isso pode afetar outros aspectos da vida, tanto para os pais quanto para os filhos.

Seja o exemplo, sempre

Pode até parecer mais fácil (e de fato ser!) manter o seu filho quieto quando ele está comendo algo que gosta. Mas, como vimos acima, esse comportamento pode estimular problemas maiores quando ele já estiver grande. A nutricionista infantil Karine Costa Durães, nutricionista especialista em pediatria pelo Instituto da Criança, da Faculdade de Medicina da USP, explica que quando a criança começa sua história com alimentação, ela imita o que os adultos fazem. “Então, se ela está irritada porque não quer ficar na cadeirinha e ganha comida para ficar calma, o recado que ela recebe é que ela pode acalmar as angústias com a alimentação. E esse recado fica, de certa forma, memorizado na criança para quando ela for adulta." Assim, aumentam as chances dela recorrer à comida para continuar resolvendo suas questões e frustrações.

Como virar esse jogo?

A nutricionista infantil recomenda que, antes de qualquer mudança, tanto os pais quanto a criança tenham uma rotina alimentar estabelecida. “O ideal é que a criança faça entre cinco a seis refeições diárias, sendo três refeições principais e os lanches intermediários”, diz. E no intervalo dessas refeições, ou seja, quando a criança não está comendo por uma questão biológica, ela deve manter o foco em outras atividades, especialmente nas brincadeiras. Se a criança já está acostumada a ganhar um petisco, uma bolacha ou snack, por exemplo, para poder se acalmar, seja qual for a situação, é preciso ir, aos poucos, retirando esse hábito. “Nomear o que ela está sentindo também é importante, pois assim você procura as soluções de acordo com as reais necessidades. Se ela está cansada, diga a ela: “você está cansada e, por isso, está irritada. Vamos descansar um pouco aqui comigo”, orienta. Claro que nem sempre será possível achar uma solução para cada caso. E pode ser também que a criança não aceite tão facilmente a mudança de comportamento, mas é importante que ela comece a perceber que a comida não é moeda de troca.

Diferenciar a fome real da emocional também é importante

A nutricionista orienta que, a partir dos 2 anos, quando a criança já começa a entender um pouco mais sobre ela mesma, os pais ou responsáveis comecem a perguntar se ela está satisfeita com a refeição (por exemplo: a barriguinha está satisfeita, filho? Você ainda está com fome ou já comeu o suficiente?), assim, ela vai conhecendo o próprio corpo, a fim de diferencial a fome real da emocional.

Porém, vale ressaltar que, como o próprio nome diz, a "fome emocional" tem como pano de fundo fatores culturais: "Desde muito pequenos, somos ensinados que o ato de comer é prazeroso. A amamentação, por exemplo, é sinônimo de proteção e aconchego. Por isso é natural que as crianças também usem a comida como meio de buscar conforto", lembra a psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo (SP).

“Ao dar um snack ou qualquer outro tipo de alimento para a criança comer porque ela está frustrada, estamos ajudando-a a fazer uma confusão entre a fome real e emocional", diz a nutricionista. E se para um adulto é fácil perceber quando a fome têm origem emocional, no caso das crianças, a lógica não é tão simples assim. "Precisamos explicar que necessidade e desejo são coisas bem diferentes. A necessidade é um pedido do corpo por comida, enquanto o desejo é um luxo que traz sensação de contentamento", confirma a psicóloga Rita Calegari. Por fim, vale ressaltar que o comer emocional, além de não resolver o problema, vai induzir a um comportamento que pode favorecer a obesidade quando ela for maior, ou alguma ligação com os distúrbios alimentares e outros problemas de saúde. 

De acordo com Academia Americana de Pediatria, dos 2 aos 18 anos, deve-se ingerir no máximo 25 gramas de açúcar diariamente



Muitos ainda não estão convencidos, então é preciso repetir: açúcar demais não é bom – inclusive na infância. O consumo em excesso pode levar à obesidade, que vem acompanhada de uma porção de outros problemas, como níveis elevados de colesterol, doenças cardíacas e alterações ortopédicas. Apesar de todos esses pontos negativos, há cada vez mais crianças acima do peso adequado em todo o mundo. É por esse motivo que a American Heart Association (EUA) decidiu reduzir a recomendação de ingestão diária de açúcar durante a infância.

Muitos ainda não estão convencidos, então é preciso repetir: açúcar demais não é bom – inclusive na infância. O consumo em excesso pode levar à obesidade, que vem acompanhada de uma porção de outros problemas, como níveis elevados de colesterol, doenças cardíacas e alterações ortopédicas. Apesar de todos esses pontos negativos, há cada vez mais crianças acima do peso adequado em todo o mundo. É por esse motivo que a American Heart Association (EUA) decidiu reduzir a recomendação de ingestão diária de açúcar durante a infância.

Antes, a entidade afirmava que 50 gramas (cerca de 12 colheres de chá) era o máximo de açúcar que poderia ser adicionado à alimentação infantil diariamente. Agora, porém, a recomendação passou a ser de apenas 25 gramas (ou 6 colheres de chá) – e isso vale dos 2 aos 18 anos. 

“Há associação entre açúcar adicionado aos alimentos e o aumento do risco de desenvolver doenças cardiovasculares na infância”, anunciou a instituição. E o alerta prossegue: “O açúcar adicionado deve ser evitado para as crianças menores de 2 anos”. Ou seja, bebês não precisam (e nem deveriam) ingerir açúcar, a não ser, é claro, aquele que já existe naturalmente em alimentos como o leite, por exemplo.

A recomendação é americana, mas não se engane pensando que apenas as crianças dos Estados Unidos se alimentam de maneira inadequada. “Estudos mostram que na América Latina a ingestão de açúcar está acima de 60 gramas por dia, o que é um valor bastante alto”, afirma o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo o médico, as bebidas adoçadas, como suco industrializado e refrigerante, contribuem muito para isso.

Para se ter ideia, uma caixinha de suco de 200 ml costuma ter cerca de 20 gramas de açúcar. Em uma lata de 365 ml de refrigerante, há 35 gramas aproximadamente. Fisberg ressalta ainda que não só as bebidas podem ser culpadas. Além delas, é preciso lembrar que o açúcar está em toda parte: chocolates, doces, produtos industrializados e até em receitas caseiras de bolos, pudins, tortas...

“Quando se fala em diminuição, não quer dizer retirada total. Mas é preciso estar atento à frequência e quantidade desse consumo", explica o pediatra Mauro Fisberg. "Ainda nos reuniremos na Sociedade Brasileira de Pediatria para discutir essa recomendação, mas posso adiantar que adotaremos, sim, uma conduta de orientação sobre as quantidades adequadas de açúcar."

Orientação sobre sucos: dar ou não à criança?

Uma palavra sobre os sucos:

Muitas mamães me perguntam em relação aos sucos: Dar ou não? A partir de que idade? Qual a quantidade? Fiz uma coletânea das recomendações de diretrizes nacionais e internacionais e artigos, tomei a liberdade de resumi-las aqui para vocês, e colocar as que considero mais relevantes e pertinentes. As referências estão ao final do post. Espero que ajude!

Recomendações dos principais órgãos:

Sociedade Brasileira de Pediatria – Brasil
  1. Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

Academia Americana de Pediatria – EUA
  1. Sucos não oferecem benefícios nutricionais para crianças menores de 6 meses e não devem ser oferecidos para as mesmas. (Veja os posts sobre benefícios do aleitamento materno e introdução alimentar).
  2. A fruta in natura deve ser oferecida em preferência ao suco. Sucos não oferecem nenhum benefício maior do que a fruta in natura para crianças maiores de 6 meses.
  3. Suco de fruta 100% natural pode ser parte de uma dieta saudável quando consumido como parte de uma dieta balanceada. Sucos de fruta artificiais ou de “caixinha” não são equivalentes ao suco de fruta natural e não são recomendados.
  4. Sucos não devem ser dados em mamadeiras, ou em recipientes de fácil transporte, de forma a estimular a sua ingesta ao longo do dia todo (o objetivo não é esse!)
  5. Não oferecer sucos na hora de dormir.
  6. Sucos não são apropriados para o tratamento de desidratação e diarreia.
  7. Consumo excessivo de sucos pode estar associado com diarréia, flatulência, distensão abdominal e cárie dentária, além de subnutrição.
  8. Sucos não pasteurizados podem conter bactérias (Escherichia coli, Salmonella e Cryptosporidium), responsáveis por doenças.
  9. A ingesta de suco deve ser limitada a 120 a 180ml por dia em crianças de 1 a 6 anos, e para crianças de 7 a 18 anos, de 200 a 350 ml, ou 2 copos por dia.
  10. Em crianças consideradas malnutridas, com diarreia crônica, flatulência excessiva, dor abdominal e má digestão o pediatra deve avaliar a criança e determinar a quantidade de suco consumida.
  11. A cárie dentária pode estar diretamente relacionada com a quantidade de suco ingerida, sem os cuidados necessários.

Health Canada – Canadá 
  1. Não recomenda sucos no primeiro ano. Depois de 1 ano, orientam dar suco de forma limitada e não oferecer bebida adoçadas. Se a criança estiver com sede, ofereça água a ela.
  2.  National Health and Medical Research Council – Austrália  
  3. Sucos são desnecessários e não se recomenda para crianças menores de 1 ano de idade.
  4. Bebidas adoçadas estão associadas com cáries dentárias.
  5. Chás e outras bebidas não tem benefícios conhecidos para a criança e podem ser potencialmente perigosos.

National Health Service (NHS) – Reino Unido
  1. Bebês abaixo de 6 meses não devem receber sucos de fruta.
  2. Sucos de fruta diluídos (uma parte de suco para 10 partes de água) podem ser oferecidos à criança com as refeições após os 6 meses. Gente eu coloquei isso aqui, mas por favor, não entendam mal! Não é para dar suco diluído como forma de refeição ou porção de frutas, seria mais como uma “água com gostinho” com o objetivo de hidratar (quando for dar água pode ser dessa forma…).
  3. Dica: dar água diluída com suco de fruta natural e frutas sempre in natura!
  4. Sucos in natura podem ser dados após as refeições para reduzir o risco de cárie, em pequena quantidade.
  5. O problema do excesso de suco: Excesso de suco pode levar a anemia e malnutrição (com excesso de açúcares e falta de outros nutrientes, como proteínas, carboidratos e vitaminas). Nessa situação imagine aquele bebê que se adapta perfeitamente ao suco, e acaba ficando “preguiçoso” para mastigar e comer outro alimento sólido, substituindo suco pelas refeições do dia. Nesse caso, o bebê pode ter dificuldade de ganhar peso, e ter falta de vários nutrientes importantes.
  6. O excesso de suco pode danificar o esmalte do dente, levando a cárie dentária, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  7. Excesso de suco pode provocar gases e diarréia.
  8. O consumo de mais de 350ml de suco por dia está associado a baixa estatura e obesidade.
  9. Sucos de fruta podem conter sorbitol e uma grande quantidade de frutose, que pode causar cólicas no bebê, pela produção de gases.
  10. Os açúcares podem causar problemas futuros pois mais tardiamente as crianças tem dificuldade de reduzir o carboidrato da dieta, incluído esses açúcares.
  11. Sucos têm alto índice glicêmico e crianças que ingerem grandes quantidades de suco tem risco de obesidade no futuro. É só pensarmos quantas laranjas precisamos para fazer 120ml de suco em média. Provavelmente 2 laranjas. E quantos bebês comeriam 2 laranjas inteiras assim, de uma vez?

Minha opinião como pediatra…

Prefiro a fruta in natura. Porque? A fruta in natura proporciona uma experiência muito mais interessante da criança com o alimento, com diferentes sensações: cor, cheiro, paladar, textura. Os sucos perdem isso. Além disso, as fibras são perdidas no processo de produzir o suco, bem como as vitaminas.

O suco “enche” a criança, mas não necessariamente é mais nutritivo. A tendência ainda é usar mamadeira para dar o suco (apesar de o indicado serem os copinhos de transição ou mesmo copos adaptados para criança), o que pode levar ao desmame.

Enfim, ao invés de nos perguntarmos porque não dar o suco, a pergunta deveria ser: porque dá-los à criança? Existe alguma vantagem? Espero tê-los convencido…Ah! Nem preciso dizer que isso se refere aos sucos in natura ok? Os de caixinha nem pensar!

Conclusões…
  1. A recomendação é que se dê suco para crianças acima de 1 ano, e ainda assim, numa quantidade limitada.
  2. A ingesta de suco excessiva pode contribuir para o desmame, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  3. Quando oferecida na mamadeira, principalmente à noite, pode contribuir para o surgimento de cáries.
  4. A água pode ser dada no copinho junto com suco natural diluído, como forma de hidratação e nunca como substituição da fruta in natura, na proporção de 1:10 (1 parte suco para 10 partes de água)
  5. Tudo isso só sobre suco, quanta informação! Espero ter esclarecido bem esse assunto, que tem causado muita dúvida nas mamães.  Continuem mandando suas duvidas e experiências aqui no blog, obrigada pela participação de vocês!

Espero que tenham aprendido bastante! Compartilhe para que outras pessoas também possam ter essa informação 😉

Autora: Dra. Kelly Marques Oliveira - Médica Pediatra

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A modinha da Oxandrolona


Primeiramente é muito importante alertar que MÉDICO DO ESPORTE não prescreve esteroides anabolizantes (EA) sem indicação formal para seu uso. Esteroides são proibidos em 99,9% dos esportes, isso se chama Doping. O médico do esporte está para cuidar da #SAÚDE de quem quer começar uma pratica de atividade física, de quem já pratica e de quem por algum motivo deixou de praticar e gostaria de voltar. Cuidando da saúde e deixando ela em estado pleno, o atleta como consequência GANHA #DESEMPENHO E #PERFORMANCE.

Masssss........ o que vemos por ai? Academias, Centros de Treinamento e Box com uma porcentagem de alunos que fazem uso de EA enorme e o que mais se fala hoje é a #OXANDROLONA. Dita como segura e que provoca poucos efeitos colaterais e danosos ao nosso organismo. Será verdade?

Na imagem acima temos 6 exemplos de efeitos colaterais e riscos que a Oxandrolona pode causar em homens e mulheres que fazem uso sem indicação formal. Mas a lista é bem maior...

"Ahh doutor, foi apenas um ciclo... eu tomei pouquinho, eu acompanhei com médico, eu tomei protetores, eu fiz terapia pos ciclo, eu não tive efeitos colaterais...."

Não existem estudos que mostrem dosagens seguras para quem nao tem indicação médica formal de uso. O efeito colateral pode nao ser imediato. Você pode ficar careca depois de 10 anos de ciclo por exemplo. Ou ter um tumor de fígado precoce depois de 20 anos do uso.

Tem quem usa muito e não acontece nada? TEM! E tem quem fuma muito e não acontece nada... Mas se sabe que a probabilidade (RISCO) é muito e muito elevada de acontecer alguma coisa com essa pessoa.

Já foi moda fumar, já foi moda usar roupa de pele de animais, já foi moda comer industrializado, ja foi moda tomar refrigerante toda hora e hoje a moda é tomar Oxandrolona.

Você quer ser a bobinha da "modinha"?

Estamos em um momento crítico com o uso abusivo de esteroides anabolizantes para uso estético e para fins de melhora no desempenho físico/esportivo. 

Mas essa substancia quando bem aplicada em suas indicações formais pode ajudar muitas pessoas e inclusive salvar vidas. (Vocês conseguem analisar o dilema que um médico que trabalha sério enfrenta perante essa situação? De um lado a cultura atual do uso irracional e de certa forma ignorante que impede a pratica séria. Do outro lado quando o uso é bem indicado, o paciente influenciado, interroga o uso e acha que o médico quer lhe prescrever "bomba".) 
Primeiro: Todos essas indicações devem ser feitas com #diagnóstico e investigação exclusivamente MÉDICA, amiguinho da academia não vale, muito menos amiguinho do fórum da internet. E de preferência por ENDOCRINOLOGISTA.

  • Síndrome do Turner é uma doença #genética que os sintomas incluem baixa estatura, puberdade tardia, infertilidade, malformações cardíacas e certas dificuldades de aprendizagem.
  • Hipogonadismo masculino e também o feminino podem ser tratados com essa substancia de forma primário ou suplementar a outros tratamento. Lembrando que #hipogonadismo não é só ter #testosterona baixa em exames de sangue. Geralmente a baixa de testosterona não é a causa mas sim a consequência de outros problemas e esses devem ser investigados e excluídos para assim acontecer a reposição.
  • Grandes queimados perdem muito tecido muscular e o uso desse esteroide pode ajudar nessa recuperação tecidual.
  • Caquexia: Independente da idade, #desnutrição severa é uma das principais causas de morte no mundo. O uso de oxandrolona aliado a terapia nutricional nesses casos salva vidas diretamente. 
  • Sarcopenia é descrita na literatura como baixa de massa muscular e queda em funções mecânicas de pessoas idosas mas hoje esse conceito vem mudando e qualquer pessoa com baixa muscular comprovada em testes de analise de composição corporal associado com disfunções de #força, mobilidade e outras aptidões também analisadas com seus... devidos exames e testes podem se beneficiar do uso de Oxandrolona.
  • Osteoporose: A perda da massa óssea durante o processo de envelhecimento, o que provoca a fragilização dos ossos de alguém com riscos de fraturas que podem levar a morte precoce se chama de osteoporose associado ao tratamento padrão para essa patologia o uso de oxandrolona vem mostrando bons resultados.

Autor: Dr. Sergio Pistarino - Médico, especialista em Medicina esportiva (USP-SP)
https://www.facebook.com/pistarinosergio/

Número de refeições por Dr. Bruno Halpern


Nessa foto, de uma aula dada em recente congresso, mostro os dados de número de refeições dos americanos nas últimas décadas. 

Basicamente, o número de refeições (em que se incluem lanches intermediários) aumentou muito, junto com o aumento da obesidade. 

O interessante é que embora os lanches tenham aumentado, a quantidade de calorias nas refeições principais não se reduziu. Embora esses sejam dados epidemiológicos, e portanto não é possível concluir causa e efeito, é um bom modelo natural que mostra que aumentar o número de lanches não é, por si só, uma estratégia efetiva para reduzir calorias ao longo de um dia. 

O autor sugere que não mais comemos por questões de fome e saciedade, e sim por prazer e disponibilidade constante de alimentos. 

Na aula, mostrei mais exemplos, de estudos feitos exatamente para isso, que não há evidências para se recomendar fracionamento de refeições como estratégia efetiva para perda de peso. 

É claro que é preciso individualizar, e existem perfis que de fato necessitam comer mais vezes, mas a recomendação de “comer de 3/3 horas” pode mais atrapalhar do que ajudar em inúmeros casos. 

Cada pessoa é única, e recomendações genéricas raramente são úteis. 

Ref: Popkin, et al. Does hunger and satiety drive eating anymore?Increasing eating occasions and decreasing time between eating occasions in the US. Am J Clin Nutr 2010

Fonte: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

sábado, 12 de maio de 2018

Atletas e médicos ganham guia elaborado por entidades médicas e esportivas e que ajuda a prevenir casos de doping


Os médicos e atletas brasileiros podem contar a partir desta sexta-feira (11) com um guia prático, com orientações objetivas, sobre os riscos do doping causado pelo uso de medicamentos e suplementos. O documento de 72 páginas foi produzido pela Câmara Técnica de Medicina do Esporte do Conselho Federal de Medicina (CFM) e contou com a contribuição de especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBMEE), do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

Clique aqui http://portal.cfm.org.br/images/PDF/medicina_esporte.pdf para baixar o documento.

Além do lançamento do guia, que acontece hoje durante o IV Fórum de Medicina do Esporte, o Conselho Federal de Medicina e as outras entidades devem anunciar ainda um esforço conjunto para combater o doping. A intenção é conscientizar de um lado os competidores sobre os riscos do uso inadvertido de fórmulas e os médicos e os profissionais da saúde sobre os efeitos que determinados medicamentos podem gerar. Para o presidente do CFM, Carlos Vital, a expectativa é criar uma rede colaborativa de ética e boas práticas esportivas.

"Esperamos que essa cartilha sirva de apoio não só para os profissionais especializados no tema, mas para todos os interessados. Certamente será um subsídio importante, principalmente para o médico assistente de atletas e de praticantes de exercícios físicos, além dos próprios esportistas e suas equipes de apoio", afirmou.

Lacuna – O trabalho, que será encaminhado a todos os médicos brasileiros, em especial aqueles que atuam em áreas como ortopedia, traumatologia, cardiologia e endocrinologia, preenche uma importante lacuna. O texto traz informações sobre substâncias consideradas válidas, mas com consumo não liberado entre competidores por interferirem em seu desempenho e por provocarem ganho de força, velocidade ou resistência.

Os atletas profissionais ou de alta performance de todas as modalidades são os mais vulneráveis pela ingestão indevida desses produtos, pois são rotineiramente submetidos a testes de doping. Contudo, os praticantes de atividade física amadores também podem ser prejudicados, com o aumento do rigor na fiscalização de provas específicas para esse grupo. De acordo com Hésojy Gley Pereira Vital da Silva, do CPB e responsável pela elaboração do documento, a tendência é que as análises para identificar casos de dopagem passem ser comuns em eventos não profissionais.

Situação do Brasil – Segundo a ABCD, o doping é caracterizado pela utilização de substâncias ou métodos proibidos capazes de promover alterações físicas ou psíquicas que melhoram artificialmente o desempenho esportivo do atleta. No Brasil, o Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem, criado em 2016, já puniu cerca de 30 atletas pelo uso de substâncias proibidas – alguns casos estão em grau de recurso. Ao todo, aproximadamente 70 processos tramitam na Corte.

Já o relatório mais recente publicado pela WADA (sigla em inglês da Agência Mundial Antidoping), também de 2016, dentre os 34 laboratórios certificados pela entidade espalhados em 29 países pelo mundo, o Brasil possui a 10ª menor média de Resultados Analíticos Adversos (AAF, na sigla em inglês), que são os casos onde foram identificadas substâncias proibidas nos exames de doping.

Das 9.465 amostras submetidas a exames de urina e sangue, 98 apresentaram resultados positivos (AAF), número que representa 1,04% do total das amostras. O número está abaixo da média mundial (1,60%), calculada a partir dos dados coletadas pelos 34 laboratórios certificados pela WADA. Cerca de 60% das amostras foram realizadas em competições oficiais e os outros 40%, fora de competições oficiais.

Além disso, outras 716 amostras foram coletadas para serem submetidas ao exame do Passaporte Biológico do Atleta (ABP), que analisa a saúde do atleta a partir de dados sanguíneos em busca de alterações. Com os avanços científicos e tecnológicos, o crescimento desse tipo de exame já é perceptível. Só no Brasil, os números saltaram de 101 coletas, em 2015, para 716 no ano seguinte.

Aumento de casos – Entre os anos de 2015 e 2016, houve um aumento expressivo do percentual de resultados positivos a nível mundial, saltando de 1,26% para 1,60%. Esse aumento, segundo aponta o próprio relatório da WADA, está diretamente ligado a inclusão do Meldonium entre as substâncias proibidas. O fármaco ficou mundialmente conhecido após a denúncia de doping da tenista russa Maria Sharapova.

Trata-se de uma substância usada para tratamento de pacientes com problemas cardíacos e normalmente é receitado para quem sofre de isquemia do coração, doenças neurodegenerativas, pulmonares e doenças do sistema imunológico. Dentre as 721 ocorrências de uso de substâncias classificadas como Moduladores Metabólicos e Hormonais, o Meldonium foi responsável por 71% dos casos.

Entre os atletas amadores, uma das substâncias mais comuns é a Eritropetina, um hormônio que eleva a produção de células vermelhas pelo sangue. Ao aumentar a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue, a substância, consequentemente, permite a produção de energia aeróbica e melhora o rendimento em provas longas e extenuantes.

O medicamento é indicado para doenças que afetam a produção de células vermelhas e o uso indevido pode acarretar em doenças como trombose, além de aumentar as chances de um infarto ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O caso mais famoso de dopagem por Eritropetina é o do ciclista americano Lance Armstrong, que ficou conhecido por ter vencido o Tour de France sete vezes (de 1999 a 2005). Armstrong teve todos seus títulos cassados e perdeu todos os patrocínios.

Nas academias, por exemplo, as substâncias mais comuns são os esteroides anabolizantes, hormônios produzidos sinteticamente a fim de substituir a testosterona. Nomes como androsterona, dianabol e drostanolona são recorrentes nesse meio e, inclusive, de fácil acesso em farmácias convencionais ou nas de manipulação.

Em geral, os efeitos buscados são a perda de gordura e o aumento da massa muscular, mas os efeitos colaterais são diferentes em homens e mulheres. Nas mulheres, há o desenvolvimento de características masculinas como o engrossamento da voz, crescimento de pelos e aumento da força física, assim como perda de gordura e aumento da massa muscular. Já nos homens ocorre o inverso. Ao injetar hormônios extras, o corpo masculino entende que não precisa mais produzir e isso leva a um atrofiamento dos testículos.

Em 2007, durante os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, a nadadora brasileira Rebeca Gusmão foi acusada no exame antidoping por altas taxas de testosterona no corpo. Na época, a nadadora perdeu as quatro medalhas conquistadas na competição – dois ouros, uma prata e um bronze, além de ser banida do esporte olímpico.

Debate – Com a aproximação de um dos maiores eventos esportivos do Mundo, a Copa do Mundo de Futebol, o CFM, juntamente com entidades médicas e esportivas, promove nesta sexta-feira (11) o IV Fórum de Medicina do Esporte, em Brasília (DF), durante o qual será lançado o guia.

A expectativa é reacender as discussões sobre as regras básicas relacionadas ao doping e à suplementação alimentar nas modalidades de alta performance. Para o coordenador da Câmara Técnica de Medicina do Esporte do CFM, Emmanuel Fortes, muitos atletas são pegos em exames antidoping porque usaram medicamentos prescritos por médicos que não são do clube e não tinham conhecimento das substâncias proscritas no esporte. 

Segundo ele, o Brasil já esteve entre o grupo dos dez países com maior número de casos de doping registrados pela WADA, entidade esportiva internacional que fiscaliza o tema. "Hoje esse é um problema contra o qual as autoridades brasileiras estão mais atentas. No entanto, infelizmente o doping tem alcançado muitos adeptos no esporte amador, principalmente entre aqueles que buscam notoriedade nas redes sociais", lamentou.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Porque eu não atendo planos de saúde


Diariamente o telefone aqui da clínica toca mais de 30 vezes com pessoas questionando qual plano de saúde atendo. 

Eu se pudesse atenderia plano de saúde e com qualidade, porém o valor pago por uma consulta médica pelos planos é irrisório. Cerca de 50 a 70 reais bruto. 

Para se ter uma noção do tempo gasto com cada paciente: fico cerca de 1h a 1:30h na primeira consulta (as vezes 2h), fico mais 30 minutos lendo os questionários dos pacientes em casa e no retorno ainda fico mais 1h. 

A pergunta que fica: Como atender quase 3 horas pelos valores pago pelos planos? Impossível! A não ser que alguém pague minhas contas e eu pague para trabalhar. 

Sou adepto do movimento Slow Medicine, que visa resgatar a tradicional medicina. Primo por um bom atendimento, na velocidade adequada, sem pressa. Assim deveria ser a Medicina e é assim que exerço a minha no meu consultório particular. Portanto consultas: somente particular. 

Aqueles que não podem pagar o investimento na minha consulta, podem se consultar comigo no SUS, ou seja, antes que venham me criticar e me intitular de ganancioso como muitos gostam de rotular médicos, saibam que ha 10 anos atuo no SUS, sou concursado e ali deixo minha contribuição social. Infelizmente a fila de espera é longa e nada posso fazer para mudar isso. Não tenho culpa se médicos nutrólogos não fazem questão de trabalhar no SUS. Eu trabalho e amo. 

Mapa da Obesidade



Uma das maiores autoridades (no Brasil) em Obesidade na atualidade é o endocrinologista Dr. Bruno Halpern, filho do  Prof. Dr. Alfredo Halpern. Toda semana o Dr. Bruno posta artigos interessantes sobre o tema na sua página do facebook: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

Hoje ele postou um mapa bem interessante. A imagem é difícil de entender, mas ela é muito ilustrativa. Consiste basicamente em um “Mapa da Obesidade”, que discute a complexidade da doença, e todas suas inter-relações, tanto biológicas, psicológicas e culturais.

Quando alguém diz que emagrecer é simples, só comer menos e se mexer mais, ou que quer um remédio que “tire a fome e a vontade de comer” seria interessante que Nutrólogos e Endócrinos mostrassem essa imagem para a pessoa entender o tamanho da complexidade da doença.

O interessante é que mesmo que você corte algumas das vias, sempre será possível chegar a um ponto por outras. Sendo assim, o tratamento deve ser multidisciplinar e englobar questões de mudança de estilo de vida, tanto alimentares como exercício, com medicações (quando bem indicadas), estratégias comportamentais, vigilância e assim por diante.

Desconfie de quem tem soluções simples e únicas, e desconfie de quem diz que devemos “ouvir nosso corpo”. Embora atenção plena e entender porque comemos algumas coisas é importantíssimo, para pessoas com genética favorável ao ganho de peso, ouvir os sinais do corpo de nada servirá

Link para a imagem: http://www.shiftn.com/obesity/Full-Map.html

sábado, 5 de maio de 2018

Novidades: E-book Mitos em saúde


Novidades: estou coordenando a elaboração de um e-book gratuito sobre Mitos em saúde. O e-book estará disponível em breve aqui no blog, no site do Desconstruindo Mitos em saúde e no blog dos meus amigos que estão no corpo editorial.

O corpo editorial é composto por:

1. Amanda Weberling – Médica Nutróloga
2. Breno Rocha Coimbra – Médico pós-graduado em Endocrinologia e Bacharel em Biomedicina
3. Clayder Louzada – Médico do esporte
4. Daniella Costa – Médica nutróloga
5. Delmir Rodrigues – Médico Pediatra, Endocrinopediatra, Nutrólogo pediátrico
6. Diana Sá – Médica Endocrinologista
7. Estela Jatene - Médica Endocrinologista
8. Flavia Tortul – Médica Endocrinologista
9. Flavio Cadegiani - Médico Endocrinologista
10. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
11. Gustavo Louzano – Médico Nutrólogo e Gastroenterologista
12. Haroldo Falcão – Médico Nutrólogo
13. Joffre Rezende Neto – Médico Gastroenterologista
14. Jordana Rodrigues – Médica endocrinologista
15. Karol Calfa – Médica Nutróloga
16. Leandro Marques – Médico Nutrólogo
17. Leonidas Silveira – Médico Nutrólogo
18. Ludmila Queiroz - Médica Endocrinologista
19. Mateus Dorneles - Médico Endocrinologista
20. Natalia Jatene - Médica Endocrinologista
21. Patrícia Peixoto - Médica Endocrinologista
22. Pedro Prudente – Médico do esporte e pós-graduado em Nutrologia Esportiva
23. Priscila Abelha – Médica Nutróloga
24. Rafael Leal – Médico Nutrólogo
25. Reinaldo Nunes – Médico Endocrinologista e Nutrólogo
26. Renata Machado – Médica Pediatra e Endocrinopediatra
27. Renata Mattar – Médica Gastroenterologista
28. Rodrigo Costa – Médico Nutrólogo, Nefrologista
29. Samira Santos - Médica Endocrinologista
30. Tatiana Abrão - Médico Endocrinologista e Nutróloga
31. Yuri Galeno - Médico Endocrinologista
32. Audie Nathan – Médico residente de Nutrologia IAMSPE e Nutricionista
33. Luciana Stocco – Médica residente de Nutrologia IAMSPE
34. Leandro Figueiredo – Médico residente de Nutrologia IAMSPE
35. Junior Rodrigues – Médico residente de Nutrologia IAMSPE

E os temas que serão abordados são os seguintes:

Módulo de Endocrinologia
1. Solicitação de exames em Endocrinologia: Testosterona para Mulheres e Homens
2. Uso de Testosterona em Mulheres
3. Chip “Da Beleza”
4. Uso de Testosterona em Homens com finalidade estética
5. Solicitação de exames em Endocrinologia: T3 Livre, T3 Reverso e Anticorpos
6. Uso De Lugol
7. Solicitação de Exames em Endocrinologia:  Hormônio do Crescimento (Gh)
8. Uso de Hormônio do Crescimento com Finalidade Estética:
9. Riscos da Terapia com Gh em Crianças e Adultos:
10. Solicitação de exames em Endocrinologia: Cortisol e o Mito da Fadiga Adrenal
11. Uso de DHEA
12. Uso rotineiro de Melatonina

Módulo de Nutrologia
13. Consumo de Gordura Saturada e Risco Cardiovascular
14. Azeite Aquecido
15. Dieta Vegetariana
16. Leite
17. Gluten
18. Óleo de Côco
19. Qual o Melhor Tipo de Gordura
20. Sal Rosa do Himalaia
21. Adoçantes
22. Dietas Da Moda
23. Dieta Low Carb X Dieta Hipocalórica
24. Jejum Intermitente
25. Dieta HCG
26. Mitos no tratamento farmacologico da Obesidade
27. Uso de Polivitamínicos e Poliminerais
28. Uso de Antioxidantes
29. Alergia Alimentar X Intolerância Alimentar
30. Testes de Intolerância Alimentar
31. Biorressonância
32. Testes Nutrigenéticos

Módulo de Medicina Esportiva
33. Cafeína
34. Whey Protein
35. Creatina
36. Beta-Alanina
37. Bicarbonato
38. Nitrato
39. Glutamina
40. BCAA
41. Esteróides e dopagem

Módulo de Ética Médica
42.   O que é RQE?
43.   Divulgação de especialidade que não possui - Implicações jurídicas e éticas
44.   Divulgação de especialidade inexistente - Implicações éticas
45.   Fotos de antes e depois - Implicações éticas
46.   Venda de substâncias em consultório/clínica  - Implicações jurídicas e éticas