sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Depressão: uma epidemia progressiva e silenciosa entre estudantes de medicina

No mês passado o Medscape postou sobre uma meta-análise com mais de 200 estudos acerca da incidência de depressão em estudantes de medicina. Ha dois anos venho percebendo um grande aumento do número de médicos no meu consultório, assim como de estudantes de medicina. Grande parte com altos níveis de ansiedade, estresse. Mas o que tem me assustado é que muitos deles ja estão apresentando transtornos psiquiátricos que tiveram como gatilho ansiedade. Depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtornos alimentares. Ao que parece somos grupo de risco para tais transtornos, talvez pela carga excessiva de trabalho (raramente um médico tem somente 1 emprego), cobrança excessiva por parte dos empregadores, amigos, família e geralmente associa-se a isso um perfeccionismo comum aos médicos. Outro fato que tem preocupado os psiquiatras é a alta incidência de suicídio entre médicos, bem acima da média.

Vale a pena ler o texto abaixo.


att

Dr. Frederico Lobo

Depressão: uma epidemia progressiva e silenciosa entre estudantes de medicina


Uma revisão sistemática e uma meta-análise de cerca de 200 estudos com a participação de 129.000 estudantes de medicina em 43 países mostraram que os índices de depressão entre esse grupo específico nos Estados Unidos e no mundo são altos.

Mais de um quarto dos estudantes de medicina sofre de depressão ou com sintomas da doença, e mais de um em cada 10 estudantes referem ter tido ideação suicida durante a faculdade, de acordo com a revisão. No entanto, apenas a minoria dos estudantes cujos resultados dos testes indicaram depressão procurou ajuda.

O estudo, foi publicado na edição de 6 de dezembro do JAMA, cujo tema é a educação médica.

Estudo seminal

Esta análise "provê o olhar mais abrangente já publicado sobre a prevalência da depressão e da ideação suicida, e também do tratamento psiquiátrico entre estudantes de medicina. Nosso estudo é uma espécie de resposta estrutural a esse respeito, por hora", afirmou ao Medscape o Dr. Douglas A. Mata, médico e mestre em saúde pública do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts.

O estudo mostra que o índice de "depressão e de ideação suicida é muito alto entre os estudantes de medicina, em comparação às pessoas da mesma faixa etária na população geral - que não são estudantes. Basicamente, o que temos é uma espécie de epidemia oculta em nossas mãos, que está escondida bem embaixo dos nossos narizes. Precisamos descobrir como vamos lidar com isso", disse o Dr. Mata.

Com base nos dados provenientes de 167 estudos transversais e 16 estudos longitudinais de 43 países, a prevalência global agrupada estimada de depressão ou de sintomas depressivos foi de 27,2% e variou de 9,3% a 55,9%, segundo os pesquisadores. A prevalência de sintomas depressivos permaneceu relativamente constante durante o período do estudo (de 1982 a 2015).

Os nove estudos longitudinais que avaliaram os sintomas depressivos antes e durante a faculdade de medicina mostram aumento absoluto médio dos sintomas de 13,5%. As estimativas de prevalência não diferiram acentuadamente entre os estudos feitos somente com estudantes do ciclo básico e os estudos feitos apenas com acadêmicos e internos (23,7% vs. 22,4%).

Entre os estudantes de medicina cujos resultados dos testes foram positivos para depressão, apenas 15,7% procuraram tratamento psiquiátrico.

Com base nos dados de 24 estudos transversais de 15 países, a estimativa da prevalência global combinada de ideação suicida foi de 11,1% e variou de 7,4% a 24,2%.

"Muitos trabalhos sobre o assunto reagem à depressão, em vez de promover a proatividade. Quando o aluno fica deprimido, eles o vinculam aos recursos terapêuticos, mas acho necessário fomentar intervenções de bem-estar mais proativas entre esses estudantes, de modo a tentarmos evitar que as pessoas fiquem deprimidas, antes de mais nada", disse o Dr. Mata.

Dr. Mata acredita que o sistema de formação acadêmica dos estudantes de medicina como um todo "precisa mudar. Isto pode significar a redução das horas de trabalho e da pressão sobre os estudantes, o que realmente lhes permitiria ter melhor desempenho. Isso já foi demonstrado em alguns estudos anteriores."

"As pessoas se concentraram em ensinar sobre bem-estar e cuidados pessoais, mas ignoraram as questões relativas ao ambiente existente nas faculdades de medicina e nos hospitais, que são justamente os que provocam esses problemas, como, por exemplo, a privação crônica do sono", acrescentou.

Fonte: http://portugues.medscape.com/verartigo/6500788?src=mkm_ptmkt_170120_mscpmrk_pttopfive_nl&uac=217917MV&impID=1275187&faf=1

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