quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O que um retiro de 10 dias em silêncio me ensinou - Por Luccas Pereira

Uma das experiências mais impactantes da minha vida. Relato completo de um retiro de meditação (vipassana) de 10 dias em silêncio, meditando cerca 10 horas por dia.
Atenção relato completo da experiência de realizar um vipassana. Não entramos em detalhes da técnica, já que esta só deve ser ensinada por um professor devidamente atribuído para tal. No final deste relato apontamos links de onde você pode encontrar tais locais devidamente preparados.
Réveillon, época de se esbanjar com comidas diferentes, estourar champanhe, fogos de artifício, pular 7 ondas e dar muita festa, correto?
E se eu te disser que existem pessoas que passaram em silêncio, sem ver nem ouvir fogos de artifício, sem vestir roupa branca e sem dizer feliz ano novo a meia noite do dia 31 de dezembro? Você vai dizer: loucos. Pois é, existiam 100 loucos lá. Foi dessa forma que eu e mais 99 pessoas passamos o réveillon dessa vez. 50 homens e 50 mulheres que decidiram sair completamente da sua zona de conforto e passar a virada do ano de uma forma bem diferente.
Vipassana é uma técnica de meditação redescoberta por Buda (Gotama) há mais de 2.500 anos. Significa “ver as coisas como realmente são”, que busca erradicar o sofrimento humano por completo, trata-se de uma arte de viver.
Para aprender vipassana é necessário um curso completo de 10 dias! Sim, você dedicará 10 dias da sua vida, e, além disso, 10 dias em silêncio. O que é silêncio? É não falar absolutamente nada, e mais que isso, além da não fala oral, não pode se comunicar com gestos e nem olhares. Ou seja, você está cercado de pessoas a seu redor, mas não pode falar com elas. Isso é feito por diversos motivos que são explicados durante o curso, mas o principal é aquietar a mente. Se já é difícil se concentrar em silêncio, imagina no meio de uma tagarelice. Além disso em todos os templos do mundo, de todas as culturas, meditação e fala não combinam. Acredito que desde quando aprendemos a falar quando éramos crianças e por nossa vida toda, não ficamos 10 dias em silêncio, aliás, nem metade disso.
Preparação
A preparação para o retiro começa bem antes, 3 meses, faz a inscrição on-line e aguarda ser aceito. E acredite as vagas se esgotam no mesmo dia que as inscrições são abertas. Portanto para quem vai realizar o curso em dezembro, no mês de setembro você tem que planejar a sua vida para passar 10 dias sem telefone, internet e sem nenhuma conexão com o mundo. É preciso muito desapego. Fique tranquilo você pode informar um número de telefone do local do retiro para seus familiares, e caso aconteça algo urgente elas podem entrar em contato com o local do retiro e eles irão te informar.
Eu já tinha feito este curso anteriormente, também no réveillon. O curso tem o ano todo, porém no período de 26 de dezembro à 06 de janeiro é a única que conseguia ficar 10 dias fora, e é a data preferida das pessoas por conta de trabalho, a maioria das empresas param para recesso coletivo e por isso fica mais fácil para fazerem o curso. Também prefiro essa data pois no final do ano ficamos muito introspectivos, fazemos um balanço de nossa vida, o que conquistamos, e o que desejamos a frente.
Para mim nesta segunda vez, estava sendo mais difícil ainda. Agora minha esposa estava fazendo o curso pela primeira vez. Ficaríamos 10 dias nos vendo a distância, sem poder conversar ou aproximar-nos. Então é normal ficar preocupado, querer saber se o outro está bem ou não. Mais um apego para ser superado.
Estrutura do local
Fizemos o curso em um local chamado Dhamma Santi em Miguel Pereira – RJ. Existem centros espalhados no mundo todo. No Brasil também tem em outros locais. A estrutura física é excelente. Tudo limpo, organizado, bem construído, alimentação ovo lacto vegetariana com um cardápio muito equilibrado, quartos individuais ou coletivos e banheiros e vestuários masculinos e femininos e para a felicidade da minha esposa: com chuveiro quente! É de se surpreender toda essa estrutura, pois afinal estamos em uma serra, cercados por mata virgem.
Tudo funciona muito bem. Quem dera as empresas tivessem essa organização. Tudo é dividido por áreas e responsáveis. E acredite, tudo, absolutamente tudo, desde os 33 hectares do terreno até quem trabalha no local é realizado por meio de trabalho voluntário e doações! Ninguém, incluindo os professores ganham 1 centavo sequer. Eles estão lá por outra recompensa: ajudar outras pessoas assim como foram ajudados. Um aluno que conclui o curso pode servir (trabalhar) em outros cursos. Os estudantes ficam tão contentes com os resultados do curso e com o impacto causado em suas vidas, que desejam compartilhar, desejam que outros também tenham essa experiência, afinal como é dito no filme “Na natureza selvagem” (Into the wild) “a felicidade só é real quando compartilhada”.
Quem pode fazer
O curso pode ser feito por qualquer pessoa de qualquer idade (inclusive existem cursos para crianças), e já foi ministrado até em presídios com excelentes resultados, e que rendeu um documentário (link no final do texto), e claro que estejam bem de saúde e dispostas fisicamente, pois apesar de ser um curso de meditação é uma grande prova para o corpo, suportar 10 horas por dia meditando. É difícil para a coluna, pés, joelhos, etc. Mas engana-se quem acha que isso é só para os jovens, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas mais velhas, tanto homens quanto mulheres. E a maioria deles já tinha feito vários cursos. Isso é normal entre os estudantes, após concluir o curso conversei com vários e trocamos contatos, inúmeros estavam realizado o curso pela 4ª, 8ª, 10ª vez e assim vai.
A experiência
Posso confessar a vocês que não é fácil. E não é fácil pela primeira vez, não é fácil para quem faz pela segunda vez, e dizem que não é fácil para quem faz pela décima vez. Porém crescemos justamente nas dificuldades. Ao fazer um curso de vipassana você se supera a cada momento. Cada dia é diferente. Em alguns momentos sua meditação flui bem, em outros momentos você não consegue se concentrar, e às vezes você até pensa em ir embora! É preciso muita, muita determinação, isso é chamado de  Adhitthana – firme determinação. É falar para si mesmo: vou concluir não importa o que aconteça, seja a dor, tédio, calor, frio ou qualquer outra dificuldade. É falar para si mesmo a todo instante na meditação, não vou me levantar mesmo que minhas pernas doam. Esta mesma firme determinação que precisamos levar essa firme determinação para nossas vidas.
Nossa mente tenta arrumar diversas desculpas: ah estou com dor, está calor, fulano está se mexendo muito e está me atrapalhando, etc. É aí que superamos, é aí que nos mostramos forte e vencemos nossa mente.
Os alunos que já fizeram o curso uma vez ficam mais a frente, e os novos um pouco para trás. Isso é bom, pois servem de exemplo aos mais novos. Eu estava passando por alguns dias difíceis, de dor nas pernas, e quando olhava na fileira da frente tinha um senhor, aparentando cerca de 70 anos, e estava totalmente concentrado e imóvel. Ele chegava vagarosamente, andando cuidadosamente, se ajoelhava (cada um pode ficar na posição que preferir desde que mantenha a coluna ereta) e ficava imóvel por 30 minutos, 1 hora, 2 horas. Um exemplo! Ai eu pensava: E eu aqui reclamando. No final do curso fiz questão de conversar com ele, dizer que me inspirou muito nos momentos difíceis, mesmo sem saber seu nome, e nunca termos conversado, sua atitude me ajudou. E para minha surpresa descubro que ele estava no 26° curso! E com toda humildade disse: continua não sendo fácil.
Cada dia é uma nova experiência. As refeições e horários de meditação são avisados com o toque do sino. Nos primeiros dias, mal conseguia ouvir o sino, e tinha receio de perder a hora. Depois de alguns dias, o sino chegava a me incomodar de tão alto, parecia que estavam tocando na janela do meu quarto ou dentro do meu ouvido. Mas o volume sempre foi o mesmo, a diferença é que minha mente se tornou atenta a tudo. Percebi o quanto vivemos distraídos, e muitas vezes não percebemos as coisas que acontecem a nossa volta. Na sala de meditação, em total silêncio, é possível ouvir o engolir de saliva do seu colega ao lado. Você percebe sons que sempre estavam presentes, mas nunca conseguiu notar devido ao barulho externo, e devido ao barulho da sua mente.
Aprendemos humildade. Ficamos bravos quando a pessoa do nosso lado levanta e faz barulho e nos incomoda, mas em determinado momento precisamos ir ao banheiro e percebemos que por mais silenciosamente que levantemos, também vamos atrapalhar quem está do nosso lado.
Portanto ao realizar vipassana, além da maravilhosa técnica que você aprende você irá se conhecer mais, e aprender inúmeras outras coisas, que não cabe descrever aqui, afinal, para cada um é uma experiência diferente. Apenas vivendo você poderá comprovar.
Custo
Bom, a essa altura espero ter motivado você a conhecer esse curso. Espero ter colocado uma curiosidade em viver tudo isso. Comece a se planejar, não precisa de afobação, o curso tem o ano todo, programe-se com calma, o importante é ir. Então você deve estar se perguntando afinal quanto custa tudo isso, 10 dias de alimentação, hospedagem e curso. Aí vem a maior das surpresas. Lembra que te disse que todos que estão lá, incluindo os professores não são remunerados? Pois bem, o curso é pago com doações! Isso mesmo, você paga o quanto puder, sem limite mínimo nem máximo. Tem gente que doa pouco, tem gente que doa muito, tem gente que doa materiais, mantimentos, e tem gente que doa serviço. Cada um oferece o que pode! É isso que faz de tudo tão maravilhoso. E você deve pensar, ah mais isso não sobrevive. Pois bem é assim que esse local e inúmero outro vem fazendo e crescendo durante muitos e muitos anos. Provavelmente se eles cobrassem quantias absurdas ou estipulassem um preço não teriam sobrevivido por todo esse tempo.
A volta
Bom, claro que a volta ao “mundo real” é um pouco diferente. Ao sair à primeira coisa que estranhei foram os barulhos, carros, buzinas. Lá era tudo tão silencioso, ouvia os sons dos insetos, ouvia meu coração pulsando. Lá tudo funcionava bem, harmoniosamente, e aqui não é tudo assim. Temos nossos trabalhos, temos trânsito, etc. Como fica? É aí que entra a questão principal, técnica e prática devem caminhar juntas. Toda a filosofia do mundo não serve para  nada se não for aplicada. É no dia a dia que você vai se testar e ver os benefícios que o curso trouxe para a sua vida. Para mim demorou um tempo para tudo fazer sentido, não foi imediato. Quando terminei o primeiro curso não imaginava que voltaria tão rápido. Depois de um tempo que tudo fez sentido, e vi que precisava voltar e aprofundar na técnica.
Ao sairmos do Dhamma Santi pegamos um táxi e perguntamos para o motorista o que tinha acontecido no mundo nos últimos 10 dias. Afinal foram 10 dias desconectados, muita coisa deve ter acontecido, pensamos. E ele nos contou algumas coisas: “um acidente, aquela tragédia e outro escândalo”. Puxa, não mudou muita coisa. Ao ligar para a família, todos estavam bem e nada de muito diferente aconteceu. O que parecia um absurdo: 10 dias ausentes sem nenhum contato com o mundo externo, não foi tão absurdo assim.
Dê esse presente a você mesmo, permita-se viver uma experiência completamente diferente de tudo o que viveu até hoje. Ah, mas eu não tenho tempo, ah, mas eu não consigo ficar 10 dias sem falar, ah mais isso, ah mais aquilo… Vença as suas próprias objeções! Afinal para fazer vipassana, a superação começa muito antes da ida.
Que todos os seres sejam felizes!
Obs: Se você também já fez um curso de meditação vipassana conte a sua experiência nos comentários. Isso vai incentivar outras pessoas a participarem.
Links:
Site do local do retiro – Dhamma Santi
Datas do curso em Dhamma Santi (tem o ano todo, inscrições 3 meses antes dos cursos)

Fonte: http://desfruteavida.com.br/o-que-um-retiro-de-10-dias-em-silencio-me-ensinou/

ALERTA: Falsas promessas de cura do Diabetes Mellitus tipo 2



A Sociedade Brasileira de Diabetes vem sendo insistentemente acionada por um número crescente de questionamentos sobre FALSAS promessas de cura do diabetes, divulgadas por meio de diversas mídias e contrariando determinação expressa do Código de Ética Médica, que proíbe a prática de consultas e prescrições terapêuticas sem a devida avaliação clínica por parte do médico e equipe responsável.

No dia 24 de julho, o programa Domingo Espetacular da TV Record, divulgou uma matéria questionável sobre a suposta cura do diabetes, sendo essa abordada de forma imprudente. A Sociedade Brasileira de Diabetes desaprova tal conteúdo e alerta sobre os perigos das recomendações expostas nessa reportagem.

Esclarecemos que, quando o paciente é bem orientado por profissionais sérios e éticos, o diabetes pode sim ser controlado com medidas eficazes de educação em diabetes, alimentação saudável, prática de exercícios e tratamento farmacológico. Por outro lado, promessas de curas milagrosas e não fundamentadas, através da exploração inescrupulosa de pessoas menos informadas, constituem-se em risco considerável para a saúde pública, principalmente quando o agente infrator chega a recomendar a redução e/ou suspensão do tratamento farmacológico prescrito, sem nem mesmo conhecer as peculiaridades clínicas de cada paciente.

A Sociedade Brasileira de Diabetes já tomou as providências éticas cabíveis junto ao Conselho Regional de Medicina do Ceará, região de inscrição do médico citado na matéria, e está aguardando medidas urgentes para o devido encaminhamento ético e legal deste assunto.



São Paulo, 02 de agosto de 2016.


DR. LUIZ A. TURATTI
Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes

DRA. MARISTELA STRUFALDI I DRA. DEISE REGINA BAPTISTA
Coordenadoras do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes

ALERTA: Noz-da-índia

Foi publicado recentemente uma nota técnica da SES do Mato Grosso do Sul, dando um pouco mais de detalhes sobre o efeitos potencialmente perigosos associados ao uso da noz-da-índia (Aleurites moluccana L.). Vale a pena ler e divulgarem intensamente, para alcançarmos o maior número de pessoas possível. Serve de alerta à população.


Governo do Estado de Mato Grosso do Sul
Secretaria de Estado de Saúde
Superintendência Geral de Vigilância em Saúde
Coordenadoria Estadual de Vigilância em Saúde Ambiental
Centro Integrado de Vigilância Toxicológica - CIVITOX

Nota Técnica nº001/2016/CIVITOX/CVA/SGVS/SES/MS

Assunto: Intoxicação pelo uso da “Noz da Índia”

Também chamada de Nogueira de Iguape, Nogueira, Nogueira da Índia, Castanha Purgativa, Nogueira-de-Bancul, Cróton das Moluscas, Nogueira Americana, Nogueira Brasileira, Nogueira da Praia, Nogueira do Litoral, Noz Candeia, Noz das Moluscas, Pinhão das Moluscas.

O seu nome científico Aleurites moluccana L. (Willd.), da família Euphorbiaceae, é uma árvore exótica, natural da Indonésia, Malásia e Índia e largamente cultivada no Sul do Brasil, Argentina e Paraguai.

O seu uso vem sendo divulgado na Internet para emagrecimento, por suas propriedades laxativas, porém, existem diversas referências que citam sua toxicidade, principalmente das sementes não processadas, as quais contém saponinas (toxalbumina) e forbol. A dose tóxica é geralmente superior a 3 nozes, mas a sintomatologia tóxica já pode ser observada após a ingestão de apenas uma semente, porém isso vai depender de paciente para paciente, levando em consideração idade, peso e comorbidades.

Os sintomas ocorrem após 20-40 minutos após a ingesta. São eles: náuseas, vômitos, cólicas abdominais violentas, tenesmo e diarréia, evoluído para sede intensa, secura nas mucosas, letargia e desorientação. Nos casos mais graves: desidratação acentuada, dilatação das pupilas (midríase), taquicardia, taquipnéia, respiração irregular, cianose e aumento da temperatura corporal (hipertermia).

A diarréia intensa pode levar a disturbios hidroeletrolíticos graves, comprometimentos dos rins e alteração na condução cardíaca por perda de ions com o sódio e o potássio, essenciais na homeostase (equilibrio) do organismo. Quadros neurológicos compreendendo câimbras nos músculos dos membros, parestesias, sensação de formigamento, cefaléia e hiporreflexia, também são descritos. Lesões renais são observadas, geralmente como conseqüência dos graves distúrbios hidroeletrolíticos. Lesões irritativas em lábios e boca podem ocorrer devido às simples mastigação do caroço da semente.

Não existe no Brasil nenhum produto registrado contendo a espécie Aleurites moluccanus. Assim, os produtos que estão sendo divulgados em sites na internet encontram-se irregulares e não devem ser utilizados. Em um estudo realizado na Argentina, após a avaliação botânica de todas as espécies que eram divulgadas na internet como “ Noz da Índia” (Aleurites moluccana), descobriu- se que eram na verdade Thevetia peruviana (Nome popular: Chapéu de Napoleão). As sementes dessa planta quando ingeridas, são altamente tóxicas por possuírem grandes concentrações de glicosídeos cardiotônicos, estando proibido o seu uso em diversos países, como México, Austrália e Argentina.

O fato de o paciente perder peso não significa que está emagrecendo. Pelo contrário, está perdendo conteúdo importante para o organismo vivo, como água e eletrólitos. Os produtos “naturais” para emagrecer podem trazer diversos riscos à saúde e intoxicações graves, sendo CONTRA-INDICADO o seu USO.

O tratamento dos casos de intoxicação por essas plantas deve ser realizado em um ambiente hospitalar e notificado ao CIVITOX pelos telefones: 0800 722 6001/ 3386-8655/ 150.


Campo Grande, 05 de fevereiro de 2016

Dr. Alexandre Moretti de Lima
Professor Auxiliar em Dermatologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Médico Toxicologista do CIVITOX/MS

Karyston Adriel Machado da Costa
Coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental e Centro Integrado de Vigilância
Toxicológica – CIVITOX

Angela Cristina Cunha Castro Lopes
Superintendente Geral de Vigilância em Saúde
Secretaria de Estado de Saúde

Avenida do Poeta - Parque dos Poderes – Bloco 07
CEP: 79.031-902 – Campo Grande/MS
Telefones: (67) 3318-1737 (67) 3386-8655

Fonte: http://www.saude.ms.gov.br/2016/02/05/nota-tecnica-referente-a-intoxicacao-pelo-uso-da-planta-noz-da-india/

Pesquisa indica que poluição pode danificar cérebro e contribuir para Alzheimer


É sabido que ambientes poluídos provocam dificuldades respiratórias, problemas cardíacos e até morte prematura. Agora, um novo estudo traz mais um motivo de alerta: partículas de compostos de ferro oriundas da poluição do trânsito podem chegar ao cérebro.
Amostras do cérebro de corpos de pessoas que viveram e morreram na Cidade do México - que é um dos lugares mais poluídos do mundo e onde uma grande nuvem cinzenta paira no ar - foram analisados em um laboratório da Universidade de Lancaster, na Inglaterra.
Pequenas demais para serem vistas a olho nu, nanopartículas de um óxido de ferro chamado magnetita foram encontradas nos tecidos cerebrais. As amostras do México foram comparadas com o mesmo tipo de material coletado em Manchester.

"Identificamos milhões de partículas de poluição no cérebro. Num grama de cérebro humano, haverá milhares de partículas. É um milhão de oportunidades para essas partículas provocarem danos nas células do cérebro", explica a professora Barbara Maher, da Universidade de Lancaster.
Magnetita pode ocorrer naturalmente no cérebro em pequenas quantidades, mas as partículas formadas ali têm um formato irregular distinto.
Já as partículas identificadas no estudo são bem mais numerosas e de formato diferente, arredondado e regular, características que somente poderiam ser criadas nas altas temperaturas de um motor de veículos ou sistema de freios.
"É uma descoberta. É toda uma nova área para ser investigada e entendida - se essas partículas de magnetita estão causando ou acelerando doenças neurodegenerativas."
Essas partículas são inaladas - as maiores são barradas no nariz, mas as menores vão parar nos pulmões e na corrente sanguínea. As minúsculas podem se conectar aos nervos e seguir direto para o cérebro, onde foram achadas nesse estudo.

Uma forte suspeita ainda não comprovada empiricamente é que essas partículas são capazes de quebrar conexões entre as células cerebrais, exatamente como acontece com doenças como o Alzheimer. Apesar de o estudo não provar que a poluição no cérebro automaticamente causa doenças, não está descartada essa possibilidade.
"Esse estudo mostra pela primeira vez que partículas da poluição podem parar no cérebro. Obviamente isso é muito importante, mas ainda não há evidência do papel delas no Alzeihmer. Isso é algo que não sabemos", diz Clare Walton, da organização Alzheimer Society.

"As causas da demência são complexas e até agora não houve pesquisas suficientes para dizer se viver em cidades ou áreas poluídas aumenta o risco da doença. "
Ela diz que formas práticas de reduzir os riscos de desenvolver demência incluem exercícios regulares, uma dieta saudável e evitar o fumo.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37285555

'Epidemia de câncer'? Alto índice de agricultores gaúchos doentes põe agrotóxicos em xeque


O agricultor Atílio Marques da Rosa, de 76 anos, andava de moto quando sentiu uma forte tontura e caiu na frente de casa em Braga, uma cidadezinha de menos de 4 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. "A tontura reapareceu depois, e os exames mostraram o câncer", conta o filho Osmar Marques da Rosa, de 55 anos, que também é agricultor. Seu Atílio foi diagnosticado há um ano com um tumor na cabeça, localizado entre o cérebro e os olhos. Por causa da doença, já não trabalha em sua pequena propriedade, na qual produzia milho e mandioca.

Para ele, o câncer tem origem: o contato com agrotóxicos, produtos químicos usados para matar insetos ou plantas dos quais o Brasil é líder mundial em consumo desde 2009. "Meu pai acusa muito esse negócio de veneno. Ele nunca usou, mas as fazendas vizinhas sempre pulverizavam a soja com avião e tudo", diz Osmar.

O noroeste gaúcho, onde seu Atílio mora, é campeão nacional no uso de agrotóxicos, segundo um mapa do Laboratório de Geografia Agrária da USP, elaborado a partir de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para especialistas que lidam com o problema localmente, não há dúvidas sobre a relação entre o veneno e a doença.

"Diversos estudos apontam a relação do uso de agrotóxicos com o câncer", diz o oncologista Fábio Franke, coordenador do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital de Caridade de Ijuí, que atende 120 municípios da região.

O glifosato é o agrotóxico mais usado no país, e fabricado pela Monsanto, que rechaça a relação do uso do produto com a doença.

A empresa diz tratar-se de "um dos herbicidas mais usados no mundo, por mais de 40 anos e em mais de 160 países", e que "nenhuma associação do glifosato com essas doenças é apoiada por testes de toxicologia, experimentação ou observações".

Já o Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), que representa os fabricantes de agrotóxicos, encaminhou o questionamento da BBC Brasil para a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que responde basicamente pelas mesmas empresas.

Em nota, a Andef afirma que "toda substância química, sintetizada em laboratório ou mesmo aquelas encontradas na natureza, pode ser considerada um agente tóxico" e que os riscos à saúde dependem "das condições de exposição, que incluem: a dose (quantidade de ingestão ou contato), o tempo, a frequência etc.".

Oncologista Fábio Franke vê relação direta entre agrotóxicos e câncer

Um dos principais problemas é que boa parte dos trabalhadores não segue as instruções técnicas para o manejo das substâncias.

"Nós sempre perguntamos se usam proteção, se usam equipamento. Mas atendemos principalmente pessoas carentes. Da renda deles não sobra para comprar máscaras, luvas, óculos. Eles ficam expostos", diz Emília Barcelos Nascimento, voluntária da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Ijuí.

Anderson Scheifler, assistente social da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer da cidade (Aapecan), corrobora: "Temos como relato de vida dessas pessoas um histórico de utilização excessiva de defensivos agrícolas e, na maioria das vezes, sem uso de proteção".

'Alarmante epidemia'

Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) comparou o número de mortes por câncer da microrregião de Ijuí com as registradas no Estado e no país entre 1979 e 2003 e constatou que a taxa de mortalidade local supera tanto a gaúcha, que já é alta, como a nacional.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Rio Grande do Sul é o Estado com a maior taxa de mortalidade pela doença. Em 2013, foram 186,11 homens e 140,54 mulheres mortos para cada grupo de 100 mil habitantes de cada sexo.

O índice é bem superior ao registrado pelos segundos colocados, Paraná (137,60 homens) e Rio de Janeiro (118,89 mulheres).

O Estado também é líder na estimativa de novos casos de câncer neste ano, também elaborada pelo Inca - 588,45 homens e 451,89 mulheres para cada 100 mil pessoas de cada sexo.
Em 2014, 17,5 mil pessoas morreram de câncer em terras gaúchas - no país todo, foram 195 mil óbitos.


Especialistas ligam uso de agrotóxicos à alta incidência de câncer no RS

Anualmente, cerca de 3,6 mil novos pacientes são atendidos na unidade coordenada por Franke. Se incluídos os antigos, são 23 mil atendimentos. Destes, 22 mil são bancados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) - os cofres públicos desembolsam cerca de R$ 12 milhões por ano para os tratamentos.
Segundo o oncologista, a maioria dos doentes vem da área rural - mas o problema pode ser ainda maior, já que os malefícios dos agrotóxicos não ocorrem apenas por exposição direta pelo trabalho no campo, mas também via alimentação, contaminação da água e ar.

"Se esses números fossem de pacientes de dengue ou mesmo uma simples gripe, não tenho dúvida de que a situação seria tratada como a mais alarmante epidemia, com decreto de calamidade pública e tudo. Mas é câncer. Há um silêncio estranho em torno dessa realidade", afirma o promotor Nilton Kasctin do Santos, do Ministério Público da cidade de Catuípe.

"Milhares de pessoas estão morrendo de câncer por causa dos agrotóxicos", acrescenta ele, que atua no combate aos produtos.

Mas, segundo a Andef, "o setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo".

Salto no consumo


Mais de 1,1 mil pessoas morreram por intoxicação com agrotóxico no país em 8 anos
A comercialização de agrotóxicos aumentou 155% em dez anos no Brasil, apontam os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), estudo elaborado pelo IBGE no ano passado - entre 2002 e 2012, o uso saltou de 2,7 quilos por hectare para 6,9 quilos por hectare.

O número é preocupante, especialmente porque 64,1% dos venenos aplicados em 2012 foram considerados como perigosos e 27,7% muito perigosos, aponta o IBGE.

O Inca é um dos órgãos que se posicionam oficialmente "contra as atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil" e "ressalta seus riscos à saúde, em especial nas causas do câncer".
Como solução, recomenda o fim da pulverização aérea dos venenos, o fim da isenção fiscal para a comercialização dos produtos e o incentivo à agricultura orgânica, que não usa agrotóxico para o cultivo de alimentos.

Márcia Sarpa Campos Mello, pesquisadora do instituto e uma das autoras do "Dossiê Abrasco - Os impactos dos Agrotóxicos na Saúde", ressalta que o agrotóxico mais usado no Brasil é o glifosato - vendido com o nome de Roundup e fabricado pela Monsanto.

Segundo ela, o glifosato está relacionado aos cânceres de mama e próstata, além de linfoma e outras mutações genéticas.

"A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 80% dos casos de câncer são atribuídos à exposição de agentes químicos. Se os agrotóxicos também são esses agentes, o que já está comprovado, temos que diminuir ou banir completamente esses produtos", defende.

A Monsanto, entretanto, rechaça a opinião. Procurada pela BBC Brasil, a empresa afirma que o registro do glifosato na União Européia foi renovado por 18 meses, em junho.

A renovação, porém, não passou sem polêmica. A intenção inicial era que a renovação fosse por 15 anos. França, Itália, Suécia e Países Baixos foram contra. Um dos motivos é a recente classificação da Agency for Research on Cancer (IARC), parte da Organização Mundial da Saúde, que classificou o glifosato como "provavelmente cancerígeno para humanos".


Fabricante afirma que glifosato é seguro para a saúde

Procurada, a Monsanto afirma que "todos os usos de produtos registrados à base de glifosato são seguros para a saúde e o meio ambiente, o que é comprovado por um dos maiores bancos de dados científicos já compilados sobre um produto agrícola".

Três vezes mais

Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o brasileiro consome até 12 litros de agrotóxico por ano.

A bióloga Francesca Werner Ferreira, da Aipan (Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural) e professora da Unijuí (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul), alerta que a situação é ainda pior no noroeste gaúcho, onde o volume consumido pode ser três vezes maior.

Ela conta que produtores da região têm abusado das substâncias para secar culturas fora de época da colheita e, assim, aumentar a produção. É o caso do trigo, que recebe doses extras de glifosato, 2,4-D, um dos componentes do "agente laranja", usado como arma química durante a Guerra do Vietnã, e paraquat.


A agricultura é uma das atividades mais importantes para a economia do noroeste gaúcho
Segundo o promotor Nilton Kasctin do Santos, este último causa necrose nos rins e morte das células do pulmão, que terminam em asfixia sem que haja a possibilidade de aplicação de oxigênio, pois isso potencializaria os efeitos da substância.

"Nada disso é invenção de palpiteiro, de ambientalista de esquerda ou de algum cientista maluco que nunca tomou sol. Também não é invenção de algum inimigo do agronegócio. Sabe quem diz tudo isso sobre o paraquat? O próprio fabricante. Está na bula, no rótulo", alerta o promotor.

No último ano, 52 pessoas morreram por intoxicação por paraquat em terras gaúchas, segundo o Centro de Informação Toxicológica do Estado.

No Brasil, 1.186 mortes foram causadas por intoxicação por agrotóxico de 2007 a 2014, segundo a coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da USP, Larissa Bombardi.

A estimativa é que para cada registro de intoxicação existam outros 50 casos não notificados, afirma ela. A pesquisa da professora aponta ainda que 300 bebês de zero a um ano de idade sofreram intoxicação no mesmo período.

A Syngenta, fabricante do paraquat, não se manifestou sobre os casos de intoxicação e afirmou endossar o posicionamento da Andef.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37041324

A indústria do açúcar fez todo mundo de bobo


traduzido do New York Times. Veja o original clicando aqui.

Documentos históricos recentemente revelados mostraram que a indústria do açúcar pagou cientistas na década de 60 para minimizar a relação entre consumo de açúcar e doenças do coração, além de dizer que a gordura era a culpada.

Documentos internos da indústria do açúcar, recentemente descobertos por um pesquisador da Universidade da Califórnia e publicados nesta segunda no JAMA, sugerem que cinco décadas de pesquisas sobre o papel da alimentação e doenças cardíacas – incluindo as recomendações nutricionais atuais – talvez tenham sido direcionadas em grande parte pela indústria do açúcar.

“Eles conseguiram desvirtuar a discussão sobre o açúcar por décadas”, disse Stanton Glantz, professor de Medicina na UCSF e autor do artigo no JAMA.

Documentos mostram que um grupo chamado “Sugar Research Foundation” (Fundação para Pesquisas sobre o Açúcar), conhecido atualmente como “Sugar Association” (Associação da Indústria do Açúcar), pagou três cientistas de Harvard o equivalente a 50 mil dólares (em moeda atual) para que publicassem uma revisão sobre o açúcar, gordura e doenças cardíacas em 1967.

Os estudos usados nesta revisão foram “selecionados” pelo grupo e o artigo, publicado no prestigioso New England Journal of Medicine, minimizou a relação entre consumo de açúcar e doenças do coração, colocando a luz no papel da gordura saturada.

Oss cientistas de Harvard e os executivos da indústria do açúcar os quais eles ajudaram não estão mais vivos. Um dos cientistas pagos, D. Mark Hegsted, que depois se tornou o diretor de Nutrição do Departamento de Agricultura dos EUA, onde em 1977 ajudou a escrever o precursor das diretrizes alimentares do governo.

Outro cientista foi Frederick J Stare, chefe do departamento de Nutrição de Harvard.

Em um pronunciamento em resposta ao artigo publicado no JAMA, a Associação da Indústria do Açúcar comentou que esta revisão dde 1967 foi publicada em uma época em que os periódicos médicos não pediam aos pesquisadores que divulgassem as fontes de recursos nem conflitos de interesse. O New England Journal of Medicine começou a pedir este tipo de informação em 1984.

A indústria também “deveria ter sido mais transparente nestas atividades de pesquisa”, diz o pronunciamento. Ainda assim, defendeu as pesquisas financiadas pela indústria como importantes no debate científico. Disse ainda que muitas décadas de pesquisa haviam concluído que o açúcar “não tem um papel especial em doenças do coração”.

A Associação ainda questionou as motivações por trás do artigo da JAMA. “Ainda mais preocupante é o uso crescente de artigos ‘caçadores de cliques’ se sobrepor á qualidade da pesquisa científica”, disseram. “Estamos desapontados em ver um periódico como o JAMA entrar nesta onda”.

Apesar da venda de influência revelada nos documentos datar de 50 anos atrás, as revelações são importantes porque o debate a respeito dos danos causados pelo açúcar e gordura saturada continuam ainda hoje, disse o Dr. Glantz.

Por muitas décadas, as autoridades de Saúde encorajaram os americanos a melhorar sua dieta através da redução dos níveis de gordura, o que levou muitas pessoas a consumir alimentos low fat cheios de açúcar. Alguns especialistas acreditam que isso levou à crise atual de obesidade.

“Foi muito esperto por parte da indústria do açúcar, pois estas revisões, ainda mais se publicadas em periódicos de respeito, tendem a direcionar a discussão científica”, comentou.

O Dr. Hegsted usou sua pesquisa para influenciar as diretrizes alimentares do Governo, que diziam que a gordura saturada era um fator para doenças cardíacas enquanto que o açúcar era mostrado como uma caloria vazia relacionado à cárie dos dentes.

Ainda hoje, os avisos contra a gordura saturada se mantém como uma pedra fundamental das diretrizes alimentares, apesar de recentemente a AHA (American Heart Association), WHO (World Health Organization) e outras autoridades no assunto começarem a colocar o açúcar como algo que aumenta o risco de doença cardiovascular.

Marion Nestle, professora de Nutrição, estudos sobre alimentos e saúde pública da Universidade de Nova Iorque, escreveu um editorial dizendo que os documentos evidenciavam que a indústria do açúcar encomendaram as pesquisas para “tirar a culpa do açúcar como um importante fator de risco.”

“Acho isso absurdo”, disse, “Não se vê por aí exemplos tão claros. A quantidade de dinheiro que receberam é atordoante”.

A Dra. Nestle comentou ainda que os esforços da indústria para influenciar a ciência da Nutrição continuam atualmente.

Ano passado, um artigo do New York Times revelou que a Coca Cola, maior produtora de bebidas açucaradas, havia repassado milhões de dólares em financiamento para pesquisadores que buscavam minimizar a relação entre tais bebidas e obesidade.

Em Junho, a Associated Press noticiou que os fabricantes de doces estavam bancando estudos que concluíam que crianças que comem doces tendem a pesar menos que as outras.

O artigo no JAMA se baseou em milhares de páginas de correspondências e outros documentos que Cristin E. Kearns, um pós-graduando da UCSF, descobriu nos arquivos de Harvard, Universidade de Illinois e outros.

Os documentos mostram que em 1964, John Hickson, um executivo da indústria do açúcar, discutiu um plano com seus pares para mudar a opinião pública “através de nossas pesquisas, informação e programas legislativos”.

Naquela época, os estudos haviam começado a apontar o relacionamento entre dietas de alto teor de açúcar e as altas taxas de doenças cardíacas no país.

Em paralelo, outros cientistas, incluindo o famoso médico de Minnesota, Ancel Keys, investigavam a teoria de que a gordura saturada e colesterol da dieta que apresentavam o maior risco.

Hickson propôs contrapor as descobertas alarmantes sobre o açúcar com pesquisas financiadas pela indústria. “Assim podemos publicar os dados e refutar nossos inimigos”, escreveu.

Em 1965, Hickson encomendou a revisão ao pesquisadores de Harvard, a fim de acabar com os estudos anti-açúcar. Foram pagos cerca de 6,5 mil dólares – o equivalente a 49 mil atualmente. Hickson selecionou os artigos a serem colocados na revisão e deixou claro que ele gostaria de ver resultados a favor da indústria.

Dr Hegsterd, de Harvard, tranquilizou os executivos. “Estamos bem por dentro de seus interesses”, escreveu, “e vamos satisfazê-los da melhor maneira possível.”

Enquanto trabalhavam na revisão, os pesquisadores compartilhavam os rascunhos iniciais com os executivos, que respondiam que estavam gostando do resultado. Os cientistas diziam que os dados condenando o açúcar eram fracos e davam muito mais importância aos dados implicando a gordura saturada.

“Pode ficar tranquilo que é isso que queríamos e esperamos ansiosamente para que saiam na imprensa”, Hickson disse.

Após a revisão ser publicada, o debate sobre açúcar e doenças cardíacas murchou, enquanto que dietas low fat tiveram o apoio de muitas autoridades da saúde, contou Dr. Glantz;

“Pelos padrões atuais, eles agiram muito mal”, completou.

Fonte: http://www.comidadeverdade.com.br/blog/index.php/2016/09/12/industria-do-acucar-fez-todo-mundo-de-bobo/