sábado, 31 de janeiro de 2015

Infertilidade x Nutrologia



Um livro baseado num estudo de Harvard traz um pouco de esperança a muitos casais que querem e não conseguem ter um filho.

Parece simples. Um óvulo, um espermatozóide e a vida acontece. A barriga começa a crescer, uns tempos depois o bebé nasce. Mas os caminhos da concepção são misteriosos, sobretudo em tempo de «fast-life« e «fast-food». Estima-se que a infertilidade afecte dez por cento da população portuguesa. O cenário poderá piorar nos próximos anos, profetizam os especialistas na matéria, preocupados com o avanço da idade média das mulheres na primeira gravidez e com o estilo de vida acelerado e pouco saudável dos casais modernos.

Uma constelação de factores interfere no processo da formação do embrião – fisiologia, hormonas e ambiente uterino – mas quem diria que a alimentação também pode desempenhar um importante papel nesta dança de células e emoções?
Diriam as nossas avós, boas conhecedoras das regras da Natureza, mas poucos cientistas lhes deram ouvidos. Até agora.

Um novo livro, «The fertility diet» (A dieta da fertilidade), baseado num respeitado estudo conduzido pela universidade de Harvard – The Nurse’s Health Study – estabelece, pela primeira vez de forma sólida, uma relação entre o que se come e a maior ou menor probabilidade de gerar uma vida. A obra identifica os nutrientes essenciais à concepção, como o ferro e as proteínas de origem vegetal, e destaca aqueles que todas as mulheres devem evitar, como as gorduras trans (gordura artificial presente em muitos alimentos processados).

Qual a probabilidade de o plano dar certo? O livro não diz. Isto porque todas as conclusões são baseadas em respostas a inquéritos, não em resultados de testes efectuados a mulheres inférteis. Contudo, tem o mérito de falar da boa nutrição.

Num artigo publicado na Newsweek no final do ano passado, Jorge E. Chavarro e Walter C. Willet, coordenadores do estudo, não garantem que as mulheres que sigam a estratégia proposta em «The fertility diet» engravidem mais facilmente do que se forem sujeitas a uma fertilização in vitro ou a qualquer outro método de reprodução assistida. Mas destacam as vantagens de se acreditar no poder da alimentação: é uma opção «virtualmente grátis, acessível a todos, sem efeitos secundários e que estabelece as bases de uma gravidez e vida saudáveis».

 Insulina e ovulação regular

 Por que razão a alimentação afecta a fertilidade, Chavarro e Willet não sabem ao certo. As conclusões apresentadas estão assentes num importante estudo de oito anos que envolveu perto de 19 mil enfermeiras. Uma investigação de longo curso coordenada pela Universidade de Harvard que teve por objectivo avaliar os efeitos da dieta alimentar e outros factores no desenvolvimento de condições crónicas, como o cancro e a doença cardíaca.

«Encontrámos algumas associações estatísticas muito interessantes», afirmou Jorge E. Chavarro ao U.S News. «As mulheres que tomavam multivitaminas contendo ácido fólico, por exemplo, tinham maiores probabilidades de engravidar. O mesmo acontecia com as mulheres que ingeriam altas quantidades de ferro, mas proveniente da fruta, dos vegetais, do feijão ou de suplementos, não da carne vermelha. As gorduras trans, presentes nos donuts, nas margarinas e noutros alimentos processados parecem ter um efeito prejudicial na fertilidade», explicou o investigador.

Os autores de «The fertility diet» acreditam que a saúde reprodutiva poderá estar relacionada com a hormona da insulina e o funcionamento dos ovários. Mulheres com níveis salutares de insulina apresentam maiores probabilidades de ovular normalmente; ao contrário, mulheres com resistência à insulina ou diabetes têm tendência a sofrer de uma ovulação irregular.

E há mais: «Vários estudos, incluindo o nosso, demonstraram que as mulheres que praticam exercício moderado, 30 minutos por dia, são menos propensas a ter problemas de fertilidade e nós sabemos como o exercício melhora os níveis de insulina.»

Chavarro e Willet ressalvam que, por enquanto, as recomendações do livro agora editado destinam-se apenas a mulheres com dificuldades na ovulação. «Não funcionam nos casos em que a infertilidade é causada por impedimentos fisiológicos, como a obstrução das trompas de Falópio.» Nem nesses, nem nas situações de infertilidade masculina, já que o The Nurses’s Health Study não inclui dados sobre os parceiros das voluntárias.


Feijão e leite gordo

Todas as mulheres que participaram no estudo da Universidade de Harvard estavam a tentar engravidar, mas uma em seis relataram problemas em consegui-lo, muitas delas referindo dificuldades na ovulação (um problema relacionado com a maturação ou a libertação dos óvulos). Os investigadores olharam para os regimes alimentares destas voluntárias e das que engravidaram rapidamente, para a prática regular de exercício físico e para outros aspectos relacionados com estilo de vida e compararam os resultados. Várias diferenças-chave emergiram. Chavarro e Willet explicam, no artigo da Newsweek, que essas discrepâncias foram depois traduzidas em estratégias de aumento de fertilidade.

Assim, recomendam que as mulheres que estão a tentar engravidar devem: optar pelos hidratos de carbono de absorção lenta – cereais integrais, feijão, vegetais e frutas – em detrimento dos açúcares rápidos – pão branco, batatas e refrigerantes; banir as gorduras trans do regime alimentar; aumentar a ingestão de proteína vegetal; beber um copo de leite gordo por dia; manter o peso corporal dentro dos limites saudáveis (nem demais, nem de menos) e fazer exercício físico. Todas estas opções estavam fortemente associadas, estatisticamente, a uma maior facilidade em engravidar.

«A nutrição é um todo»

Apesar de haver boas e fortes evidências da influência da alimentação na capacidade reprodutiva, há que ter em mente, contudo, que a «nutrição não é a solução da infertilidade», afirma Manuela Nona, nutricionista da Maternidade Alfredo da Costa.

«Não existem ‘dietas da fertilidade’, existem sim comportamentos saudáveis que promovem a saúde em geral, logo melhoram a fertilidade», ressalva a especialista, preocupada com os possíveis exageros da leitura do estudo de Harvard. «Nenhum alimento por si só incentiva a fertilidade», adverte, acrescentando: «A nutrição é um todo, os nutrientes interagem entre si». Para Manuela Nona, o livro «The fertility diet» tem sobretudo o mérito de chamar a atenção para a importância de não agredir o organismo através da alimentação, sob pena de, entre muitas outras coisas, comprometer a fertilidade...

 Se quer engravidar

  1. Evite as gorduras trans, presentes nas margarinas, fritos de pacote, doces industrializados, produtos processados (como as bolachas) e fast-food;
  2. Aumente o consumo de proteína vegetal (feijão, avelãs) e diminua a ingestão de proteína animal (carne vermelha);
  3. Prefira os cereais integrais;
  4. Beba um copo de leite gordo (substituível por qualquer outro produto lácteo, incluindo gelado) por dia;
  5. Evite os refrigerantes. 


Fonte: «The fertility diet», McGraw-Hill


Nutrientes indispensáveis para fazer bebes

AMINOÁCIDOS: Necessários para a produção de óvulos. Presentes nos alimentos proteicos.

VITAMINA A: Importante antioxidante que protege as células da ação dos radicais livres. Essencial para produzir hormonas femininas. Encontra-se nos ovos, frutas, legumes amarelos, leite gordo e produtos lácteos, legumes de folha verde-escura e peixe gordo.

VITAMINAS DO COMPLEXO B: Essenciais à produção e equilíbrio das hormonas sexuais. Destaque para a importância da vitamina B6 – presente no melaço, levedura de cerveja, cereais integrais, nozes, arroz castanho, gema de ovo, peixe, aves, leguminosas e sementes -, fundamental para a formação das hormonas femininas e para o funcionamento adequado do estrogénio e da progesterona. Importantes são também a vitamina B12 (existente apenas nos alimentos de origem animal, como o borrego, as sardinhas e o salmão) e o folato (ácido fólico), associado à prevenção de defeitos do tubo neural no embrião.

VITAMINA C: Eficaz na protecção das lesões celulares. Os citrinos, as cerejas, os rebentos de alfafa, o melão, os bróculos, as ervilhas, as batatas e os espinafres são boas fontes deste nutriente.

VITAMINA E: Considerada a ‘vitamina da fertilidade’. Em associação com a vitamina C pode melhorar a ovulação. Presente no azeite, gérmen de trigo, vísceras, melaço, ovos, batata-doce, legumes de folha, cereais integrais e abacate.

FERRO: Nutriente essencial à fertilidade. Pode ser encontrado nas carnes magras, nos ovos, no peixe, nas aves, nas cerejas, na couve, nas sardinhas e nas sementes de abóbora e girassol. Cuidado que o café, o chá e o tabaco inibem a absorção de ferro.

MAGNÉSIO: A deficiência de magnésio provoca alterações ao nível do metabolismo celular. O peixe, a carne e o leite não contêm este mineral. É, por isso, importante consumir leguminosas, centeio, arroz castanho, bananas, figos, marisco e cereais integrais.

SELÊNIO: Mineral que pode ser encontrado no atum, no arenque, no gérmen de trigo e nas sementes de sésamo. A sua deficiência está associada à infertilidade feminina e a um risco aumentado de aborto.

MAGNÉSIO: Alguns estudos avançam a hipótese de a falta de magnésio poder levar a uma ovulação deficiente. Os alimentos ricos neste nutriente incluem legumes de folha verde, cenouras, gengibre, ananás, ovos, aveia e centeio. Pelo facto de competirem entre si pela absorção, fontes de magnésio e de ferro não devem ser ingeridas em conjunto.

ZINCO: Necessário para produzir óvulos de qualidade e manter o ciclo menstrual. Atenção que o ácido fólico e o ferro inibem a sua absorção. O consumo elevado de álcool e o uso rotineiro da pílula contribuem para um baixo nível de zinco no organismo. As carnes magras, o peixe, o marisco, a galinha, a salsa e os cogumelos são boas fontes deste mineral.

COENZIMA Q10: Importante para a produção de energia e melhoria do fluxo sanguíneo. Não é fácil obter, através da alimentação, quantidades suficientes deste nutriente, daí que ele deva ser consumido sob a forma de suplemento alimentar.

ÁCIDOS GORDOS ESSENCIAIS (AGE): Actuam como reguladores hormonais. As sementes de linhaça, os peixes gordos, as nozes e os legumes de folha verde são ricos em ómega-3.
O atum é a fonte mais rica, mas existe o risco de contaminação de mercúrio, pelo que as mulheres que estão a tentar engravidar não são aconselhadas a comer mais de duas doses semanais deste peixe. Por esta razão, há quem defenda que os AGE devam ser tomados sob a forma de suplementos alimentares, produtos facilmente testáveis e controláveis.

Fonte: «Fertilidade e concepção, o guia completo para engravidar», Zita West, Civilização



sábado, 10 de janeiro de 2015

Alimentos funcionais e diabetes



Post da minha colega nutróloga @drabeatrizlorenz (vale a pena seguir). O que é um alimento funcional ? "Alimento que contém substância biologicamente ativa que, ao ser incluído em uma dieta usual, modula processos metabólicos ou fisiológicos, resultando em redução do risco de doenças e na manutenção da #saúde." A terapia nutricional é fundamental na prevenção, tratamento e gerenciamento do #diabetes e tem como alvo o bom estado nutricional, saúde fisiológica e qualidade de vida do indivíduo, bem como prevenir e tratar complicações a curto e a longo prazo e comorbidades associadas. Indivíduos com #diabetes podem se beneficiar com a melhora do controle glicêmico e lipídico. A glicemia elevada pode provocar complicações a longo prazo e a dislipidemia pode contribuir para a doença cardiovascular , a principal causa de morte nesses pacientes.

Nas DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES 2013-2014 o #alimentofuncional já consta nas orientações dietéticas. Alguns alimentos funcionais mais pesquisados no diabetes:

ÔMEGA 3: O consumo de óleo de peixe favorece a redução de triglicerídeos plasmáticos e esta ligada a regulação imune, além de possuir propriedades antiinflamatórias.

O PSYLLIUM: (Plantago ovata) na dieta pode melhorar o controle glicêmico e lipídico. Além disso, é uma alternativa de substituição do #gluten para pacientes celíacos.

BATATA YACON: Oriunda da região andina, possui fibras alimentares solúveis e prebióticos, como frutooligossacarídeos (FOS) e inulina podendo modular a microbiota intestinal e melhorar a absorção de alguns minerais, como o cálcio. Além disto, possui pouco amido, baixa caloria e atividade #antioxidante.

AVEIA: Rica em fibras solúveis betaglucanas, pode reduzir a resposta glicêmica pós-prandial em diabéticos tipo 2. Tem a capacidade de aumentar a síntese de ácidos biliares e reduzir a absorção de colesterol, diminuindo o colesterol LDL.

BANANA VERDE A Biomassa de Banana Verde é obtida a partir do cozimento das bananas com casca que ainda não passaram pelo processo de amadurecimento. - Considerada um alimento funcional pois a polpa da fruta contém alto conteúdo de amido resistente que age de maneira similar a fibra alimentar, mas com benefícios extras! Baixo Índice Glicêmico: indicada para diabéticos e na perda e manutenção ponderal; Fonte de prebióticos, auxilia no trânsito intestinal adequado. Reduz absorção de gordura e colesterol; Promove saciedade.

Leite faz bem ou faz mal ?


No dia 28 de outubro de 2014, foi publicado na revista médica #BMJ um estudo sueco com resultado no mínimo muito interessante.

Durante um período mediano de 13 anos, foram acompanhados cerca de 45 mil homens, e durante um período mediano de 22 anos, foram acompanhadas cerca de 61 mil mulheres. Através de recordatórios alimentares, os pesquisadores puderam estimar o consumo diário de #leite e de outros derivados lácteos. Os dados foram ajustados para diversas variáveis como idade, fumo, composição corporal e atividade física.

Os pesquisadores verificaram que beber 3 ou mais copos de leite (desnatado ou integral) por dia quando comparado a beber menos de 1 copo aumenta o risco de #morte em 93% em mulheres e 10% em homens!

Além disso, as mulheres que mais consumiram leite tiveram aumento no risco de fraturas de quadril e em qualquer #osso.

QUANDO iogurte e queijos foram avaliados, o risco aumentado de morte e fraturas NÃO SE CONFIRMOU. Segundo os pesquisadores, um possível culpado seria a D-galactose, que, em estudos com animais, foi associada a envelhecimento precoce.

Contudo, antes que você queira tirar o leite da alimentação, o desenho do estudo sugere, mas não é capaz de confirmar com certeza absoluta que o leite faz mal.

Os próprios pesquisadores sugerem que mais estudos sejam feitos para confirmação dos dados. No nosso meio, onde são comuns as fraudes no leite, não custa, por via das dúvidas, aumentar o consumo de queijos brancos e iogurtes magros. Garantem-se assim os benefícios do cálcio para a saúde óssea e dos probióticos para a saúde intestinal.

via @drmateusendocrino

Artigo: KARL, M et al. Milk intake and risk of mortality and fractures in women and men: cohort studies, BMJ, 2014; 349:g6015.

Link para o artigo: http://www.bmj.com/content/349/bmj.g6015

Dicas do Dr. Frederico Lobo

Dica 1: NÃO RETIRE LATICÍNIOS da sua dieta se vc não tem alergia à proteína do leite de vaca detectada laboratorialmente ou por algum alergista.

Dica 2: Se você tem intolerância à lactose há no mercado a enzima (lactase) para ser utilizada quando for consumir lácteos. Médicos podem prescrever assim como nutricionistas. Há também no mercado inúmeros produtos sem lactose. Lembrando que queijos, iogurtes e coalhadas possuem pouca lactose e tendem a causar menos sintomas gastrintestinais.

Dica 3: Oriento meus pacientes a utilizarem 3 vezes por semana coalhada antes de deitar, já que ela fornece múltiplas cepas de probióticos vivos e não-estéreis. Auxiliando na saúde intestinal.

Pare de tentar mudar seus hábitos


Chega de tentar modificar todos os hábitos que você tem !

É, eu disse isso mesmo. Chega. Pode parar de tentar diminuir o açúcar, beber menos álcool ou comer menos batata frita. Não tente ficar menos estressado, assistir menos TV ou se desfazer de pensamentos negativos. Aliás, aproveitando a oportunidade, também sugiro que não resolva começar a correr ou tomar suco verde diariamente. Nem pense em aprender a meditar, beber mais água, fazer alongamentos ou incluir mais vegetais na sua alimentação. Chega de tantas promessas, resoluções e decisões categóricas.

Por quê? Sim, eu posso explicar. Aposto que você já falou ou ouviu alguém falando algo como “Essa é a última vez que faço isso! Juro. A partir de amanhã, serei outra pessoa!”.
Nem vem, seu donut danado, essa semana você não me pega! hehe
Nem vem, seu donut danado, essa semana você não me pega! hehe

Pode ser sobre nunca mais exagerar nos doces, deixar de se exercitar, ir dormir de madrugada ou adiar um compromisso importante. Mas, independente das promessas, logo depois lá está a pessoa… de volta aos doces em excesso, indo deitar depois das 3 da manhã, encontrando desculpas para não fazer a caminhada ou não atender algum prazo combinado. Quantas vezes já vimos isso acontecer?

A questão principal é que, independente de quantas promessas sejam feitas, amanhã, na segunda-feira ou na semana que vem, você não vai ser outra pessoa. Não vai, magicamente, mudar seus hábitos alimentares e descobrir um desejo incontrolável por exercícios físicos. Não adianta, você vai continuar sendo você mesma. Planejar ser outra pessoa completamente nova e fazer coisas absolutamente diferentes em poucos dias não é o que considero o melhor começo.

E, antes que me ache maluca, eu não estou dizendo que é impossível mudar hábitos, mas que há algumas coisas a serem consideradas para começar da forma mais proveitosa possível essa tentativa.
Acredito que o mais importante antes de iniciar com as resoluções e cobranças, é se perguntar o porquê de fazer isso.

Por que você quer mudar esses hábitos? Qual a sua motivação? De verdade, pare de fazer tantas promessas a si mesma e permita-se parar e pensar um pouco. Sua vontade de mudar esse comportamento vem de razões externas ou internas? Por mais que incentivos externos, como aceitação e recompensas, possam ser grandes estimuladores para nós, eu acredito que não há nada mais motivador do que a nossa verdadeira vontade de fazer algo.

 Sinceramente… Nós, seres humaninhos, simplesmente adoramos fazer exatamente o que a gente quer. Do jeito que a gente quer. Na hora em que temos vontade. Por que com a mudança de hábitos seria diferente?
E é muito importante fazer a diferenciação entre o que nós realmente queremos e aquilo que só achamos que queremos.

Ter uma alimentação mais equilibrada pra se sentir bem e cheia de energia ou porque a matéria fitness disse que é preciso fazer dieta pra ter o corpo mais “bonito”? Começar a correr pra fortalecer os músculos e descobrir o próprio potencial ou porque o médico disse que tem que fazer atividade física? Beber mais água para descobrir as respostas do seu corpo a essa mudança ou só porque todo mundo disse que tem que ser assim? Mudar hábitos porque você acredita que vai ser melhor ou porque, em todo canto, alguém ou alguma coisa te diz que está errada se não fizer isso?


Ninguém muda porque acredita ser errado, fraco, sem atitude, digno de pena, preguiçoso ou incapaz. Na verdade, quanto mais são reforçadas essas ideias, me parece que temos menos ânimo e disposição para fazer novas tentativas. Por que eu pensaria em fazer algo diferente, se não tenho força de vontade nem posso confiar em mim mesma? Acredite: motivações negativas disfarçadas de incentivo benéfico não ajudam ninguém no processo da mudança de hábitos.

E, além de tudo, o mais importante de saber se você realmente quer fazer algo é ter a certeza de que você está pronta para fazer isso. Apesar das possíveis dificuldades ou falhas, você está pronta para assumir um compromisso consigo mesma e iniciar esse processo de mudanças. Quando fazemos promessas a nós mesmas antes de saber se estamos realmente prontas, acaba acontecendo o que vemos tanto por aí – as tentativas são dolorosas, o hábito dura pouco tempo e a falha é vista como falta de força de vontade. No fim das contas, você acaba se enxergando como errada e incompetente, enquanto, na verdade, nunca esteve realmente disposta a assumir o compromisso de fazer essa grande mudança.

Agora, aposto que você está bem aí com a seguinte pergunta na cabeça: “Mas como é que eu vou saber se realmente quero mudar ou se só estou achando que quero?

Antes de falar sobre isso, vou adiantar que você já sabe a resposta para ela. Ou ainda vai saber, quando for o momento. É o tipo de coisa que simplesmente sabemos, é sentido, e não precisamos de indicadores externos ou plaquinhas anunciando “Atenção! A hora é agora!”. Mas, se você quiser dicas sobre como notar essa diferença, sugiro que preste atenção em como você se sente em relação a essa possível mudança.

Mudar um hábito é algo que exige disposição, e, quando as motivações para fazer isso vêm de razões negativas externas, é comum que pareça uma ideia muito dolorosa. Se a simples ideia de fazer a caminhada todos os dias é algo praticamente insuportável, há uma grande chance de que você está fazendo isso porque alguém disse que estaria errada se não fizesse, e não porque você realmente quer. Se só pensar em mudar um hábito já te parece um enorme sacrifício, se causa dor e infelicidade, é porque você ainda não está pronta.

Mas calma! Há tempo. Mudanças duradouras acontecem em pequenos passos, e o primeiro deles é realmente se preparar para elas. Seja flexível, seja gentil consigo mesma, entenda de onde vem a sua vontade de mudar, aprenda como você funciona e que caminho é o melhor no seu caso. Sinceramente, eu acho muito mais proveitoso levar um tempo analisando suas motivações e desejos do que pular de cabeça em uma mudança de hábito qualquer.

Ah… e agora você quer saber como realmente querer fazer essas mudanças, não é? O que nos leva a sinceramente desejar mudanças positivas na nossa vida?

Bom, para isso, a resposta é muito simples… autoestima e amor próprio.
Sim, isso mesmo. Parece contraditório, mas apenas quando aceitamos e gostamos de quem somos, exatamente como somos neste momento, é que surge a vontade de mudar positivamente. Para se cuidar e para buscar, cada dia mais, o seu melhor!


Pense comigo, o que parece mais proveitoso: pensar “você precisa mudar, sua preguiçosa sem força de vontade!” ou “eu gosto de mim, por isso quero o melhor para minha saúde e minha vida.”?
Quando nos forçamos a fazer mudanças e tomar decisões sob pressões negativas externas, não demora muito para que encontremos formas de sabotar a tentativa e recomeçar o ciclo de culpa e frustração. É nossa forma de avisar pra gente mesmo que aquilo ali não está dando certo, que tem alguma coisa faltando. Mas, uma vez que você conhece realmente seus motivos e intenções, os passos necessários para fazer a mudança se tornam claros e alcançáveis. A ideia deixa de ser um sacrifício, e você passa a encarar essa possibilidade com ânimo e disposição. Faça uma tentativa! É hora de descobrir o que você realmente quer.

Fontehttp://asaudesimples.com.br/2014/08/26/mudar-habitos/

Álcool versus Ganho de massa magra


É raro uma semana em que algum paciente não faz a seguinte queixa: “- Dr, tem 1 ano que estou treinando corretamente e não vejo resultado”. Aí vc olha o recordatório alimentar de 7 dias do ser e lá tem:

- Cerveja, wisky, vinho...

Quase sempre no final de semana e em quantidades consideráveis.  

Assim não existe milagre. Abaixo um ótimo post do @fischerbruno explicando o porquê do álcool e hipertrofia serem incompatíveis quando a quantidade do consumo é alta.

“Eu já havia escrito um post falando sobre a influência que o álcool exerce no ganho de gordura, hoje o assunto é sobre o seu efeito na capacidade de hipertrofia.

Os hormônios possuem papel fundamental em diversos aspectos relacionados ao ganho de massa muscular, como por exemplo produção, uso e estoque de energia, manutenção do equilíbrio interno e desenvolvimento e crescimento tecidual (ex. músculos e tendões). O processo hipertrófico é completamente dependente de uma perfeita coordenação na função de determinadas glândulas e tecidos alvo, necessitando de uma perfeita sintonia entre a quantidade e momento de liberação. E o álcool afeta isso!!! Abaixo os principais pontos que a birita pode prejudicar os ganhos de hipertrofia:
- Reduz a capacidade do fígado em produzir glicose a partir da gliconeogênese o que pode comprometer a síntese protéica durante a recuperação muscular;
- A intoxicação por etanol e consequente formação de acetaldeídeo afeta negativamente a síntese protéica em taxas de 15-20% após 24 h do consumo;
- Compromete a habilidade da insulina e IGF-1 em reduzir o catabolismo muscular além de inibir a síntese protéica via eixo mTor;
- A miostatina, potente inibidor do crescimento muscular, pode ser aumentada após exposição ao etanol;
- Altas doses de etanol podem suprimir a produção de testosterona em 23% após 10-16 horas da ingestão, mas parece que essa diminuição é dose dependente. Altas doses (5-6 copos de cerveja) são necessárias para que essa supressão ocorra;
- Aumento considerável na produção de cortisol, que é um hormônio catabólico;
- É possível que o etanol afete negativamente a produção de hormônio do crescimento.

E aí? quer encher a cara de álcool ou ganhar massa muscular? Faça sua escolha!”


Fonte: Bianco et al. Alcohol consumption and hormonal alterations related to muscle hypertrophy: a review. Nutrition & Metabolism 2014, 11:26


Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192 - CRM-DF 18620) - Ambientalista, médico, clínico geral