sábado, 5 de abril de 2014

1 agrotóxico: 10 mil animais


No dia 23/01/14, São Paulo tornou-se o primeiro estado Brasileiro a proibir o uso de animais para avaliação de segurança de cosmético. Não apenas cosméticos, usam animais para avaliação de segurança humana, mas também medicamentos e agrotóxicos.  Agrotóxicos são considerados extremamente relevante no modelo de desenvolvimento na agricultura no País. Colocando o Brasil o maior consumidor de produtos agrotóxicos no mundo. Em decorrência da significativa importância, tanto em relação ao uso e toxicidade. (Ministério do Meio Ambiente, 2014)

Na avaliação de segurança de um único agrotóxico usa-se em torno de 10 mil animais ao fim de obter informação como: mutagenicidade, carcinogenicidade, efeitos na reprodução, irritação e corrosão dérmica - ocular, DL50 e toxicidade inalatória.
A pergunta que não quer calar: é necessário mesmo o uso de tantos animais para obtenção de informações para a humanidade? A resposta é clara e objetiva. Não! 

No mundo todo, existem agências reguladoras para a substituição de uso de animais na experimentação de produtos. Atualmente, alguns modelos de métodos alternativos ao uso de animais são validados e aprovados por diretrizes como OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e centros internacionais que coordenam e avaliam métodos com intuito de substituir testes em animais, ECVAM (Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos). E por que o Brasil não usam então esses testes para esses tipos de avaliação? Essa resposta já é um pouco complicada. A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos  em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. 

No dia 2 de Abril de 2014, Brasília-DF, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) junto ao RENAMA (Rede Nacional de Métodos Alternativos), CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), BraCVAM (Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos) e SBMALT (Sociedade Brasileira de Métodos Alternativos á Experimentação Animal) realizaram um Workshop Internacional com o objetivos de discutir maneiras de implementar esses métodos as grandes empresas produtoras de agrotóxicos, e também, solicitar um posicionamento da ANVISA frente ao grande e desnecessário uso de animais em testes.
(ANVISA, 2014): A falta de conhecimento e medo pela mudança faz com que nós tenhamos um pé atrás frente aos métodos alternativos.

É mais fácil usar um animal e observar o que acontece com ele, do que padronizar, implementar e aplicar um método in vitro. A sociedade brasileira precisa ter conhecimento sobre tais interesses políticos e econômicos ao uso indevido de tantos animais para pesquisa. Solução a academia científica tem. Interesses governamentais não.

“a questão não é se os animais raciocinam ou se eles podem falar, mas se eles sofrem“. Marchall Hall

Autor: Rafael Ducas ( @rafaducas ) - Farmacêutico e bioquímico. Mestrando em Toxicologia Universidade Federal de Goiás. Ênfase em pesquisa de métodos alternativos a uso de animais a experimentação

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ovo


Um estudo publicado em 2011 no European Journal of Clinical Nutrition, seguiu 14185 indivíduos ao longo de 6 anos e constatou que não havia diferenças entre os grupos estudados no que toca a doença cardiovascular (infarto agudo do miocárdio, AVC ou cirurgia cardíaca e revascularização).Os grupos foram divididos conforme o consumo de ovo: 1) nenhum ovo por semana, 2) 2 a 4 ovos por semana e 3) 4 por semana. Foram avaliados 2 vezes ao ano durante 6 anos. Após ajuste para confundidores como sexo, idade, calorias ingeridas, adesão à dieta mediterrânica e outros fatores de risco cardiovascular, não foi encontrada qualquer associação entre o consumo de ovo (muito ou pouco) e as doenças cardiovasculares

Outro estudo, publicado em 2010 no Nutrition Journal buscou verificar o efeito do uso moderado (2 a 3 ovos por dia) na função endotelial e nos níveis de coltesterol e triglicérides em pacientes já portadores de dislipidemia. O estudo conclui que uso moderado de ovos (2 a 3/dia) não alterou função endotelial e dislipidemia de adultos dislipidêmicos.

O link pros 2 estudos está aqui nesse texto do meu blog: http://www.ecologiamedica.net/2011/05/ovos-colesterol-e-risco-cardiovascular.html

Infrações éticas

Para os colegas médicos: RESOLUÇÃO CFM Nº 1.974/2011 (Publicada no D.O.U. de 19 de agosto de 2011, Seção I, p.241-244) ➡ É VEDADO AO MÉDICO : " g)  Expor a figura de seu paciente como forma de divulgar técnica, método ou resultado de tratamento, ainda que com autorização expressa do mesmo, ressalvado o disposto no art. 10 desta resolução; "

Para os colegas nutricionistas:

Sejamos éticos ! Tenhamos compaixão pelo próximo.

Glúten, mito ou realidade?

Dentro do exercício da Medicina Baseada em Evidências não há evidências científicas que a retirada do glúten da alimentação promova perda de peso. Emagrecer é uma equação entre o que ingerimos e o que gastamos, resumindo de forma simplista (claro que há inúmeras variáveis envolvidas).

Precisamos reduzir a ingestão calórica dos alimentos e/ ou aumentar exercício físico (Gasto energético), promovendo balanço energético negativo.

A questão é: NÃO existe NENHUM estudo científico confiável em humanos mostrando que o grupo que cortou glúten emagreceu mais. Apenas poucos estudos com ratos. A maioria esmagadora de artigos na área são apenas ligados a exclusão de glúten em celíacos.

Talvez esteja na hora de realizarem pesquisas em humanos. Por que digo isso? Porque a ciência fala uma coisa, mas prática clínica  muitas vezes fala o oposto. Inúmeras vezes vi pacientes perdendo peso após a retirada do glúten, mesmo em dietas com a mesma quantidade de calorias. E aí ? Tem gente que se beneficia, tem gente que não. Sem contar que muitas vezes a tal "dieta sem glúten e sem lactose" pode até gerar estresse pela restrição dietética (sim, vários pacientes relatam que ficaram estressados pois acham difícil ficar controlando a seleção dos alimentos isentos de glúten e lactose).

Cortisol e contraceptivos: O mito do falso cortisol elevado por Dr. Flávio Cadegiani

Chega muito ao meu consultório a queixa de “cortisol elevado”. Normalmente são mulheres que usam anticoncepcional e que passaram por médicos ou nutricionistas que atribuíram a elevação do cortisol ao “perfil estressado” ou com “problemas pessoais” dessas mulheres.

Contudo, existe um detalhe nestas histórias que mudam completamente o cenário. O uso do anticoncepcional. Mas como assim?

O anticoncepcional, por exemplo, diminui a libido de muitas mulheres. E pelo mesmo motivo.
Estes hormônios, principalmente via oral, aumentam as proteínas e globulinas carreadoras de hormônios. Então uma parte maior dos hormônios circulantes estarão ligadas a estas partículas. E com isso, uma pequena parte somente estará livre para agir. Somente a fração livre dos hormônios tem ação biológica.

Com isso, existe o aumento da CBG (cortisol binding globulin, ou globulina carreadora do cortisol), diminuindo a fração livre do cortisol. Assim, o corpo nota essa “baixa” do total de cortisol “ativo” e por homestase manda produzir mais. Com isso, a concentração de cortisol total no sangue aumenta, porém sem ter aumento da fração livre. Por isso o cortisol na sangue (que mede somente o total) dá alto. Nestes casos, eu sempre sugiro confirmar a falsa elevação pelo cortisol salivar, que mede praticamente só a fração livre, e é feito por todos os laboratório e coberto pelo convênio.

Do mesmo modo, ocorre aumento do SHBG (sex hormones binding globulin ou globulina carreadora de hormônios sexuais) que se ligam à androgênios e diminuem a quantidade de testosterona livre, causando queda da libido de muitas mulheres.

Abraço,

Dr. Flávio Cadegiani CRM-DF 16.219
Endocrinologista com residência médica e título de especialista pela SBEM
Fellow em Adrenal pela Unifesp

Whey virou farinha ?

Páscoa só tem uma vez ao ano e o ser inventa de comer ovo com whey. Acho sem noção essa onda de receitas com whey. Salgado com whey... o problema é proteína?

Comida de verdade tem aos montes, a tabela abaixo (baseada na TACO 2011) mostra a quantidade de proteína existente em 100g dos respectivos tipos de carne. Além de ganhar proteína ingere fibras, minerais (Zinco, Magnésio, Manganês, Molibdênio), Vitaminas (Vitamina K2, Vitaminas do complexo B em especial B12), acidos graxos (ômega 3, 6).

Daqui uns tempos existirá até pasta de dente de whey.

#ComaComida #ComidaDeVerdade