quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Por que é tão fácil engordar, por Dr. Regina (nutróloga)

Numa longa trilha antropológica e bioquímica, a espécie humana desenvolveu um complexo mecanismo que permitia estocar energia (sob a forma de gordura) em épocas de fartura, para conseguir sobreviver durante as secas e os invernos.

O hormônio chamado insulina, produzido e segregado pelo pâncreas, é o responsável por este fato.

Cada vez que ingerimos um carboidrato (qualquer alimento de origem vegetal), ele é transformado em glicose através de enzimas presentes na saliva e sucos gástricos. A sua entrada na corrente sanguínea provocará um estímulo imediato para o pâncreas segregar insulina. A Insulina é o hormônio que vai administrar esta glicose. Uma parte (40 %) vai ser imediatamente utilizada como combustível. O restante sofrerá algumas transformações bioquímicas, propiciadas por enzimas do fígado e será transformado numa forma de açúcar própria para ser armazenado: o glicogênio. O glicogênio é um açúcar de cadeia longa que é depositado no fígado e nos músculos como reserva energética.

Os nossos ancestrais utilizavam constantemente esta reserva; ingeriam pouco alimento de cada vez, nunca grãos ou açúcares refinados e se movimentavam muito, tendo que enfrentar constantemente a fadiga e o frio.

Com delicadas tramas hormonais e cerebrais, que regulam a fome e a saciedade, a espécie humana desenvolveu mecanismos para garantir que as necessidades metabólicas do organismo fossem supridas. Existem no cérebro centros de fome e saciedade que nos estimulam a comer (centros da fome no hipotálamo) e a parar quando satisfeitos.

O nosso modo de vida confortável, que nos coloca frequentemente numa poltrona frente á televisão com uma enorme quantidade de pipoca na nossa frente, faz com que a nossa capacidade de estoque de glicogênio esteja constantemente saturada. E mesmo que as nossas reservas já sejam suficientes o estresse crônico, a falta de atividade física e a ansiedade, alteram o nosso equilíbrio bioquímico cerebral e faz com que ignoremos a saciedade e ataquemos constantemente chocolates e guloseimas.

Isto precipita uma enxurrada a cada poucas horas, de glicose na corrente sanguínea. Um novo estímulo à insulina que novamente começara o seu trabalho de “consome uma parte e guarda a outra”.

Mas onde guardar? Os nossos armazéns de glicogênio estão cheios, e continua entrando glicose no nosso sangue.

O fígado então vai começando a transformar este excesso de glicogênio em gordura, tri-acil-glicerol, os conhecidos triglicerídeos. Eles vão se depositar em volta do fígado, nos músculos e no tecido adiposo.

A função do tecido adiposo é a de estocar ácidos graxos e liberá-los quando necessário. Formando um estofamento isolante sob a pele, na cavidade abdominal e nos músculos, o tecido adiposo de um homem normal de 70 kg contém aproximadamente 15 kg de gordura. Essa quantidade representa 141.000 calorias, o suficiente para nos manter vivos por cerca de três meses.

Se os mecanismos de regulação de fome-saciedade estiverem alterados e o individuo continuar a comer mesmo satisfeito, a camada de gordura embaixo da pele continuara a aumentar.  Em indivíduos obesos, ela pode constituir até 70% do peso corporal.

Um cardápio que inclua achocolatado e pão francês pela manhã, alguns biscoitos o pães de queijo, sobremesa e café açucarados, refrigerante e lanche calórico acrescenta, facilmente, gramas extras ao nosso peso todos os dias.

Leia mais: http://www.dra-regina-nutrologa.com.br/news/porque-e-facil-engordar-/

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