sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Detox: moda ? ilusão?



Abaixo uma reportagem publicada essa semana na folha de São Paulo. O tema é complexo e sempre tem gente mandando e-mail perguntando se ofereço programas de detox. Por algum tempo acreditei que fossem 100% eficazes hoje já penso de forma diferente.

Primeiramente se o paciente quer se submeter a um programa de dieta "detox" ele terá que passar por uma avaliação médica minuciosa, solicitação de exames laboratoriais, exames de imagem, principalmente ultrassonografia de aparelho urinário (já atendi algumas pacientes que após iniciarem dietas detox tiveram precipitação de cálculos (pedras) nos rins, justamente pelo teor da dieta, rica em substâncias que favorecem a formação de cálculos).

Afastado os possíveis riscos, detectada as comorbidades aí sim o paciente pode se submeter a um processo de detoxificação. Entretanto pouquíssimos profissionais sabem fazer o processo da forma correta.

A dieta deve ser montada por um nutricionista funcional que conheça bem as vias de detoxificação, assim como todos os nutrientes essenciais que o fígado utiliza nas duas fases de detoxificação.

Quando o paciente é bem acompanhado, a dieta não fica restrita a apenas alimentos e/ou refeições líquidas. Detox não é sinônimo de dieta líquida. Isso é picaretagem. Muito menos detox é sinônimo de suplementos ditos naturais porém repletos de conservantes. Detox verdadeira é feita com COMIDA de verdade e não produtos alimentícios. São suplementados os nutrientes e muitas vezes fitoterápicos que auxiliam em todo o processo.

A dieta deverá durar poucos dias porém cabe ao médico e ao nutricionistas fazer inúmeras recomendações para que o processo não fique restrito a somente aqueles dias.

1) A utilização de alimentos consagrados como "bons" pro fígado deve ser estimulada;
2) Deve-se evitar a ingestão de alimentos sabidamente maléficos para nossa saúde, ou seja, alimentos que sobrecarreguem tanto o sistema digestivo como o fígado;
3) A carga tóxica, ou seja, exposição a poluentes ambientais deve ser minimizada;
4) Não existe organismo "limpo" com intestino preso, portanto a constipação intestinal deverá ser evitada, sempre que possível tratada com auxílio de gastroenterologista ou nutrólogo;
5) Não existe organismo "desintoxicado" sem uma hidratação adequada, sendo que a quantidade de água que você precisa será estabelecida pelo médico, principalmente se você possui algum problema cardíaco ou renal;

O maior erro dos que se submetem aos "processos de desintoxicação" é acreditar que não existe um "pós-detox".

Quando me perguntam quem indico pra Detox sempre recomendo minha ex-sócia a nutricionista Carol Morais ( http://www.falecomanutricionista.com.br ). Ela é uma das pioneiras no Brasil no programa de #detoxdeliverygourmet. O programa vai muito além de uma simples "desintoxicação", inclui toda uma mudança de hábitos de vida. Todos meus pacientes que se submeteram elogiaram. Não é a toa que ela roda todo o país com o serviço.

Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192/ CRM-DF 18620)

Abaixo a reportagem

Moda entre famosos, dietas e produtos 'detox' têm procura crescente no Brasil

Detox virou "carne de vaca" --embora o alimento seja um dos vilões eleitos por essas dietas e tratamentos que buscam eliminar as toxinas do organismo.

O termo --abreviatura de desintoxicação, em inglês-- tornou-se sinônimo de sucesso de vendas e hoje engloba de regimes alimentares a produtos para curar a ressaca.

A premissa dos tratamentos é que maus hábitos, como a ingestão de produtos industrializados e estresse, liberam toxinas e o organismo precisa de ajuda para eliminá-las.

A lista de celebridades que já aderiram a essas dietas só aumenta a fama do detox. Recentemente, a atriz americana Anne Hathaway perdeu 11 quilos com uma desintoxicação à base de rabanete e pasta de grão-de-bico que fez para viver a prostituta Fantine, no filme "Os Miseráveis".

or aqui, a atriz Giovanna Antonelli perdeu cinco quilos com um programa de "marmitas desintoxicantes" da empresa carioca Detox in Box, que vem lucrando com a popularização do termo.

"Estamos com quase todo o elenco de 'Salve Jorge' [atual novela das 21h da TV Globo]", comemora a chef e nutricionista Andrea Henrique, que não revela o nome de todas as celebridades que recebem diariamente caixas de comida detox no Projac (estúdios da TV no Rio). A comodidade sai por R$ 1.400 a semana, preço promocional.

A empresa tem um ano e atende cerca de 40 clientes semanalmente. As refeições são feitas com produtos orgânicos, sem lactose, glúten e gordura animal --ingredientes que, segundo a chef, prejudicam o fígado. "Não é um programa que desintoxica ninguém, só tiramos o que sobrecarrega", diz.

A alta demanda faz com que a empresária já pense na expansão para São Paulo. Atualmente, ela procura um imóvel nos Jardins para instalar a empresa.


LIMPEZA EM CÁPSULAS

Os produtos que prometem eliminar toxinas chegaram ao mercado brasileiro há pouco mais de um ano e têm procura crescente.

Na rede de lojas de produtos naturais Mundo Verde, as vendas de alimentos e fitoterápicos com função desintoxicante cresceram 50% em 2012. As opções vão de misturas prontas para sucos de vegetais e frutas, até cápsulas com vitaminas e minerais. Tudo anunciado com a promessa de auxiliar o fígado a eliminar toxinas.

Com três produtos detox no mercado, a empresa Smart Life vendeu, na primeira quinzena de janeiro, todo o estoque do mês (5.000 unidades) do seu programa de desintoxicação. O kit para 30 dias, com 60 cápsulas de vitaminas, minerais e clorofila, custa R$ 79,90.

Segundo o site da empresa, o produto é indicado para contribuir com "a busca do bem-estar do organismo". As cápsulas são classificadas pela Vigilância Sanitária como "alimento de propriedades funcionais" --não são consideradas remédios.

"As pílulas contêm fosfatidilcolina [tipo de proteína], que ajuda na redução da gordura depositada no fígado e acelera o processamento de toxinas", diz Lukas Fischer, suíço, diretor da empresa.

CADA UM COM SEU DETOX

Para a indústria, desintoxicação é sinônimo de sucesso de vendas; para terapias holísticas, uma forma de tratar de doenças e, para quem comeu demais, uma esperança de eliminar as consequências dos excessos ingeridos.

A diversidade de métodos que carregam o nome detox tende a confundir e a colocar ideias contrastantes sob a mesma alcunha.

A confusão mais comum é a de pensar que os métodos são uma forma de emagrecer. "A proposta não é o emagrecimento. A perda de peso acaba sendo uma consequência, mas não é o foco", diz Andrea Henrique. Segundo ela, ao cortar as gorduras, a perda de peso pode vir naturalmente.

Um ponto polêmico é a ideia de que o corpo precisa de ajuda para eliminar toxinas, o que não faz sentido, segundo o hepatologista Raymundo Paraná, da Universidade Federal da Bahia.

"O fígado dá conta. Do ponto de vista hepático, essas dietas não se justificam. O mesmo vale para pílulas 'hepatoprotetoras', não há comprovação científica", diz.

É o que também pensa David Bender, professor de bioquímica nutricional do University College London e autor de um artigo sobre o tema, publicado na revista científica "The Biologist".

"O pressuposto das 'dietas de desintoxicação' é que nós acumulamos toxinas. Isso deixaria o metabolismo 'lento', e assim engordaríamos. Essa ideia é um absurdo. Não acumulamos toxinas, a não ser em casos de contaminação por substâncias como chumbo ou arsênico", afirmou à Folha. Além do fígado, os rins e o intestino também cumprem um papel de limpeza interna.

MAL NÃO FAZ

Quando bem orientados, cardápios de desintoxicação são parecidos com outros regimes: cheios de frutas, verduras e com pouca gordura.

Às vezes, o detox pode servir como ritual de passagem, logo que uma mudança alimentar é adotada. Foi o que fez a corretora de imóveis Marcella Marini e seu marido, o empresário Felipe Marini, ambos com 33 anos. Durante três dias, com orientação, eles mantiveram alimentação à base de sopas, sucos desintoxicantes e frutas.

"Ficamos com fome, mas percebemos quais eram os nossos excessos. Perdemos bastante líquido", lembra.

Depois dos três dias, fizeram regime por um ano e emagreceram, juntos, 45 quilos. Do período, o casal adotou uma receita de suco de maçã, folhas verdes e cereais, que bebe até hoje.

"É muito gostoso. A gente toma no café da manhã da segunda-feira quando damos aquela exagerada no fim de semana", conta Marcella.

Para Vânia Assaly, endocrinologista e nutróloga, a chave está em evitar alimentos que provoquem inflamação no organismo, como frituras, corantes, enlatados e embutidos, e, ao mesmo tempo, aumentar a ingestão de alimentos ricos em antioxidantes --hábitos saudáveis conhecidos de longa data.

"A dieta funciona, assim como outras dietas saudáveis. O mundo precisa de tendências de mercado para fazer a mesma coisa com um novo encantamento", diz.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1221676-moda-entre-famosos-dietas-e-produtos-detox-tem-procura-crescente-no-brasil.shtml

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