sábado, 6 de julho de 2013

Ato médico, pq dizem não?

Excelente relato da colega Raquel C Almeida sobre o ato médico:"Aos que dizem que não se ouvem as críticas dos representantes de outras profissões, perguntem aos próprios representantes, mas a todos que participaram ao longo de 11 anos de debates, não só aos que chegaram recentemente e nem sequer se dão ao trabalho ou à decência de conhecer e respeitar todo o trabalho já consolidado.

Depois de conseguirem muito do que pleitearam, e por não concordarem com tudo, assim como os médicos também não concordam com tudo- pois é impossível ter concordância absoluta em um tema complexo e cheio de nuances técnicas- os "do contra" ainda acham digno e justo simplesmente não regulamentar a única profissão de saúde não regulamentada.

 Além de ler a regulamentação da Medicina, sugiro que quem ainda tem dúvidas leia também as regulamentações de outras profissões, para ver como também se determinam como privativas suas próprias atividades, naturalmente... E ninguém impediu nem agrediu a classe quando determinaram o que lhes cabe de acordo com a sua formação, capacitação, função, responsabilidade- e não de acordo com importância para a saúde, ou capacidade "comparativa", como querem tentar colocar... Só exemplos, chefia de serviço de enfermagem também é privativa de enfermeiro; diagnóstico psicológico é privativo de psicólogo... Estudar algumas disciplinas "soltas" não capacita um profissional. Se fosse assim, médicos também poderiam exercer várias atividades que são privativas de outras profissões, e é claro que não podem, todos nós profissionais sabemos que a formação profissional é um conjunto elaborado de desenvolvimento de habilidades para o exercício de uma função, e não "pagar" duas ou três disciplinas soltas num currículo inteiro, integrado.

Destaco itens importantes do texto:
Art. 4 § 2º Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva.
§ 7º O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as
competências próprias das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia.

Participei de vários dos debates e audiências públicas ao longo do processo, desde 2006, quando o projeto já era "velho" e nem sabíamos o quanto ainda envelheceria. Ouvi muitas pessoas, de vários lados, vi muitas mudanças no texto, concordei e discordei de vários aspectos pontuais. Isso porque eu era apenas uma espectadora e interessada. Imaginem o trabalho de todos os que participaram mais ativamente na construção do texto e dos consensos. Peço por favor que não reduzam tudo isso a brados "apaixonados" e pouco informados. Se tiverem algo contra, argumentem, parem de "resumir" algo tão importante para ganharem adeptos contra a "elite médica alienada e coorporativista". Que canseira este "mesmo saco" onde vcs jogam tantos grupos de pessoas. Peço também, apenas, que nos ofereçam o mesmo respeito que gostam de receber. Aos médicos, e ao trabalho de 11 anos de construção da regulamentação da nossa profissão. Não é um joguinho qualquer passado por debaixo dos panos. Chega disso..."

"Então "não ao ato médico" e "sim à revogação das regulamentações de todas as outras profissões de saúde", né? Não apóio isso, mas só assim pra esta proposta ter algum fundo de sentido, de razão. Aí deixamos a Sociedade viver as consequências disso, tanto como profissionais quanto como pacientes, e depois do "recado dado" sentamos e conversamos tudo de novo... Certo? Uns muitos passos pra trás pra podermos andar pra frente? É disso que precisamos? Porque no fim vamos ter de resolver juntos mesmo. Como fizemos nos últimos 11 anos. Quem nega isso não conhece o processo, ou simplesmente não aceita não ter tudo do jeitinho que quer e prega. Repito que muitos médicos também não têm o texto do jeitinho que querem e pregam. Mas este foi o consenso depois de 11 anos. Aí quem já tem profissão regulamentada, e "ninguém mete o bedelho", simplesmente "é contra". E depois todos os médicos são os que saem chamados de arrogantes e donos da verdade. Talvez estes que são tão contra, se se virem sem sua própria regulamentação, e com todos os problemas que isso traz, possam ter a chance de entender a posição a que querem forçar os profissionais médicos. E se a Sociedade tem julgado os médicos errado, "pra mais" quando um pai com problemas afetivos classifica seu filhinho estudante de medicina de semi-deus nas festas de família e os outros acreditam, ou "pra menos" quando um profissional com a grande responsabilidade que tem não é respeitado na definição de suas funções, esse problema também não é só dos médicos, é de toda a Sociedade, e também vamos ter de resolvê-lo juntos."

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