sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Metais tóxicos: problema de saúde pública e ignorado pelas autoridades


Toxicologistas, especialistas em Medicina do trabalho e praticantes da estratégia ortomolecular muitas vezes são os únicos médicos que suspeitam de intoxicações por metais tóxicos na vigência de um quadro clínico obscuro.

Mas afinal, o que são esses metais? Por que são tóxicos? Quais os principais metais tóxicos e suas conseqüências para a saúde humana?

Bem, talvez os metais sejam os agentes tóxicos mais estudados e conhecidos pelo homem. Acompanham o homem desde tempos remotos, não podem ser sintetizados (estão dispostos na natureza) e nem destruídos pelo homem. Com o advento da revolução industrial muitos deles começaram a ser mobilizados de suas fontes naturais e assim deslocados por todo globo terrestre. Ou seja, estão amplamente distribuídos na Terra (solo, água, ar, tintas, desodorantes, alimentos, fármacos, agrotóxicos).

Sendo assim, a chance de contaminação é grande. Nos últimos 50 anos a exposição humana aos metais tóxicos cresceu vertiginosamente. A indústria petroquímica em especial trouxe vários benefícios (e também malefícios) para a humanidade. Um desses malefícios é o aumento da exposição dos metais tóxicos à saúde humana.

Sabe-se que inúmeras são as vias metabólicas acometidas diante de uma contaminação, mas por terem uma característica de se acumularem, atrapalham principalmente as reações enzimáticas. Isso gera uma sintomatologia ampla e que muitas vezes passa despercebida pelos demais médicos.

Os sistemas mais sensíveis à contaminação são: sistema nervoso (central e periférico), sistema gastrintestinal, cardiovascular, sistema renal e sistema hematopoiético.

Antigamente acreditavam que apenas grandes doses dos metais tóxicos poderiam causar sintomatologia. Hoje a ciência mostra que doses mínimas de certos metais tóxicos já podem ter efeitos deletérios. Mas cada indivíduo responde de forma individual à contaminação.

As conseqüências dependem do estado nutricional do paciente, do metabolismo e da capacidade de destoxificação.

O diagnóstico pode ser feito via comprovação laboratorial do respectivo metal. Os exames mais comuns são: séricos (dosagem do metal no sangue), urinários (metal na urina de 24h) e o mineralograma capilar (exame do cabelo).

A retirada dependerá do metal em excesso, podendo ser utilizada a quelação Via oral (que age de forma lenta) ou endovenosa.

Os principais metais tóxicos encontrados nos mineralogramas são:

  1. Arsênico,
  2. Chumbo,
  3. Cádmio,
  4. Mercúrio,
  5. Alumínio.


Alguns outros minerais são essenciais para a saúde humana porém podem agir como contaminantes ambientais:

  1. Zinco,
  2. Ferro,
  3. Cobre,
  4. Cobalto,
  5. Cromo,
  6. Manganês.

Nos próximos parágrafos você saberá quais são alguns dos principais sintomas de intoxicação (aguda e/ou crônica) por metais tóxicos.

Sempre que houver suspeita de intoxicação por metal tóxico, procure um médico (toxicologistas, médico do trabalho, nefrologistas, ortomoleculares, nutrólogos). Provavelmente ele solicitará os exames adequados para a detecção e instituíra o tratamento correto.

ARSÊNICO (As): 

O que é e onde encontrar:

  • O arsênico é um metal de ocorrência natural, sólido, cristalino, de cor cinza-prateada. Exposto ao ar, perde o brilho e torna-se um sólido amorfo de cor preta.
  • Esse metal é utilizado como agente de fusão para metais pesados, em processos de soldagens e na produção de cristais de silício e germânio;
  • Produtos industriais: metais, tintas, corantes, cosméticos;
  • Solo contaminado;
  • Ar atmosférico com poluição industrial;
  • Águas de fontes contaminadas;
  • Vidros;
  • Pinturas;
  • Papel de parede;
  • Produtos farmacêuticos;
  • Peixes e crustáceos (na forma de arsenobetaína, que é uma forma atóxica);
  • Algas marinhas e mariscos;
  • Carnes de aves alimentadas por peixes,
  • Cereais e arroz plantados em solo contaminado ou regados com água contaminada;
  • Atividades vulcânicas;
  • Cogumelos produzidos em solo contaminado;
  • Fundição;
  • Queima de carvão;
  • Cigarro

O arsênico é usado na fabricação de munição, ligas e placas de chumbo de baterias elétricas.
Na forma de arsenito é usado como herbicida e como arsenato, é usado nos inseticidas.

Efeitos no organismo humano:

  • No homem produz efeitos nos sistemas respiratório, cardiovascular, nervoso e hematopoiético.
  • No sistema respiratório ocorre irritação com danos nas mucosas nasais, laringe e brônquios. Exposições prolongadas podem provocar perfuração do septo nasal e rouquidão característica e, a longo prazo, insuficiência pulmonar, traqueobronquite e tosse crônica.
  • No sistema cardiovascular são observadas lesões vasculares periféricas e alterações no eletrocardiograma.
  • No sistema nervoso, as alterações observadas são sensoriais e polineuropatias, e no sistema hematopoiético observa-se leucopenia, efeitos cutâneos e hepáticos.
  • Tem sido observada também a relação carcinogênica do arsênico com o câncer de pele e brônquios.

Quando suspeitar:

  • Astenias (fraquezas) inexplicáveis
  • Nos distúrbios digestivos: diarréias, vômitos, náuseas, dor em queimação na boca e na garganta, dores abdominais;
  • Nas dermatites;
  • Hipotensão;
  • Queda de cabelo ou quando o cabelo está seco, quebradiço e áspero;
  • Anemias idiopática associada a déficit do sistema imunológico;
  • Retardo do crescimento;
  • Nas dores musculares;
  • Neuropatia periférica;
  • Insuficiência renal e/ou hepática sem causa detectável;
  • Câncer de pele e/ou pulmão.

CHUMBO (Pb)

O que é e onde encontrar:

  • Há mais de 4.000 anos o chumbo é utilizado sob várias formas, principalmente por ser uma fonte de prata. Antigamente, as minas de prata eram de galena (minério de chumbo), um metal dúctil, maleável, de cor prateada ou cinza-azulada, resistente à corrosão. Compostos de chumbo são absorvidos por via respiratória e cutânea. Os chumbos tetraetila e tetrametila também são absorvidos através da pele intacta, por serem lipossolúveis;
  • Os principais usos estão relacionados às indústrias extrativa, petrolífera, de baterias, tintas e corantes, cerâmica, cabos, tubulações e munições;
  • O chumbo pode ser incorporado ao cristal na fabricação de copos, jarras e outros utensílios, favorecendo o seu brilho e durabilidade;
  • Também pode ser incorporado aos alimentos durante o processo de industrialização ou no preparo doméstico;
  • Tintas com base de chumbo e tinturas de cabelo;
  • Bateriais;
  • Cristais;
  • Vidros;
  • Tabaco;
  • Agrotóxicos;
  • Cremes dentais;
  • Latas de alimentos seladas com solda de chumbo;
  • Panelas elétricas;
  • Poluição do ar atmosférico por chumbo industrial e por fumaça de automóveis;
  • Inalação de gasolina;
  • Produtos de vinil e porcelana;
  • Água proveniente de canos de chumbo, de cobre ou com soldas de chumbo.

Efeitos no organismo humano: 

  • O sistema nervoso, a medula óssea e os rins são considerados órgãos críticos para o chumbo, que interfere nos processos genéticos ou cromossômicos e produz alterações na estabilidade da cromatina em cobaias, inibindo reparo de DNA e agindo como promotor do câncer. Por isso está ligado ao câncer de pele e/ou pulmão.
  • Seus efeitos no Sistema nervoso central (SNC) dependerá do tempo de exposição, da quantidade absorvida.
  • As principais síndromes ligadas ao chumbo são:
  • Síndrome encéfalo-polineurítica (alterações sensoriais, perceptuais, e psicomotoras),
  • Síndrome astênica (fadiga, dor de cabeça, insônia, distúrbios durante o sono e dores musculares),
  • Síndrome hematológica (anemia hipocrômica moderada e aumento de pontuações basófilas nos eritrócitos),
  • Síndrome renal (nefropatia não específica, proteinúria, aminoacidúria, uricacidúria, diminuição da depuração da uréia e do ácido úrico),
  • Síndrome do trato gastrointestinal (cólicas, anorexia, desconforto gástrico, constipação ou diarréia),
  • Síndrome cardiovascular (miocardite crônica, alterações no eletrocardiograma, hipotonia ou hipertonia, palidez facial ou retinal, arteriosclerose precoce com alterações cerebrovasculares e hipertensão),
  • Síndrome hepática (interferência de biotransformação).

Quando suspeitar:

  • Crianças e adultos com déficit de aprendizagem: déficit de atenção;
  • Crianças e adultos com desvio de comportamento: hiperatividade;
  • Crianças e adultos com redução do QI;
  • Crianças com retardado do desenvolvimento neuro-psico-motor;
  • Nas alterações cerebrais em adultos como: as perturbações mentais e redução da capacidade de concentração;
  • Nas cólicas gastrintestinais severas;
  • Nas gengivas com coloração azulada e/ou com sangramentos;
  • Fraqueza muscular idiopática e astenia intensa.
  • Paralisia das extremidades;
  • Redução da resposta do sistema imunológico; Osteoporose por preencher o espaço do cálcio no osso;
  • Impotência sexual ou infertilidade;
  • Presença de sabor metálico na boca;
  • Na artrite;
  • Alterações do sono tipo insônia

CÁDMIO (Cd)

O que é e onde encontrar:

  • O cádmio é encontrado na natureza quase sempre junto com o zinco, em proporções que variam de 1:100 a 1:1000, na maioria dos minérios e solos;
  • É um metal que pode ser dissolvido por soluções ácidas e pelo nitrato de amônio;
  • Quando queimado ou aquecido, produz o óxido de cádmio, pó branco e amorfo ou na forma de cristais de cor vermelha ou marrom;
  • É obtido como subproduto da refinação do zinco e de outros minérios, como chumbo-zinco e cobre-chumbo-zinco;
  • O cádmio existente na atmosfera é precipitado e depositado no solo agrícola;
  • Resíduos da fabricação de cimento, da queima de combustíveis fósseis e lixo urbano e de sedimentos de esgotos;
  • Na agricultura, uma fonte direta de contaminação pelo cádmio é a utilização de fertilizantes fosfatados. Sabe-se que a captação de cádmio pelas plantas é maior quanto menor o pH do solo (solo do cerrado). Portanto as chuvas ácidas são um fator determinante no aumento da concentração do Cádmio nos produtos agrícolas;
  • A água potável possui baixos teores de cádmio (cerca de 1 mg/L), o que é representativo para cada localidade;
  • A galvanoplastia (processo eletrolítico que consiste em recobrir um metal com outro) é um dos processos industriais que mais utiliza o cádmio (entre 45 a 60% da quantidade produzida por ano);
  • No cigarro e na fumaça do cigarro;
  • Na indústria, o cádmio está presente no revestimento de metais, na fabricação de plásticos, nas tintas pra pintar plásticos;
  • Esmaltes
  • Tinturas têxteis;
  • Baterias de Níquel-cádmio;
  • Ar atmosférico com poluição industrial;
  • Água armazenada em caixa galvanizada;
  • Alimentos cultivados em solo contaminado e/ou irrigados com água contaminada.
  • Varetas de reatores;
  • Fabricação de tubos para TV.

Efeitos no organismo humano: 

  • O cádmio é um elemento de vida biológica longa (10 a 30 anos) e de lenta excreção pelo organismo humano;
  • O órgão alvo primário nas exposições ao cádmio a longo prazo é o rim;
  • A principal forma de contaminação é por inalação;
  • Os efeitos tóxicos provocados por ele compreendem principalmente distúrbios gastrointestinais, hepáticos (fígado), diminuição da absorção de cálcio, aumento da excreção do cálcio e depleção de zinco;
  • A inalação de doses elevadas produz intoxicação aguda, caracterizada por pneumonite e edema pulmonar.
Quando suspeitar:
  • Dores articulares;
  • Na alteração ou insuficiência renal com perda de proteínas (proteinúria);
  • Alterações hepáticas;
  • Na alteração da densitometria óssea, como a osteoporose e a osteomalácia por deficiência na absorção ou fixação do cálcio biodisponível nos alimentos;
  • Nas alterações do trato gastrintestinal , como a diarréia e o vômito;
  • Hipertensão arterial;
  • Queda de cabelos;
  • Pele escamosa;
  • Perda do apetite;
  • Anemias ferroprivas (por deficiência de ferro) que não respondem à suplementação do Ferro (pois o Cádmio diminui a absorção do Ferro);
  • Nos fumantes ativos e/ou passivos;
  • No retardo do crescimento e na alteração da fertilidade;

ALUMÍNIO (Al)

O que é e onde encontrar: 

  • Embora na literatura não conste propriamente como um metal pesado, o Al vem sendo considerado um metal tóxico a partir de pesquisas que demonstraram sua importância na doença de Alzheimer;
  • Consiste no metal mais abundante na litosfera, mas seus níveis são baixos nas águas, vegetais e animais.
  • A carga de Al do organismo (cerca de 1g) não aumenta com a idade;
  • O metal está presente nos tecidos do feto;
  • Entra no organismo via trato gastrintestinal e pulmões (suspensões no ar). Sendo que sua absorção via trato digestivo é baixa, mas interfere na absorção de Ferro, fosfatos, cálcio, magnésio;
  • Não se conhece benefícios ou função orgânica do Al;
  • As principais fontes são:
  • Água;
  • Chuva ácida;
  • Panelas e utensílios de cozinha;
  • Cigarro;
  • Medicação antiácida;
  • Caixas de leite e sucos;
  • “Quentinhas”;
  • Desodorantes, Antiperspirantes;
  • Próteses dentárias;
  • Queijo parmesão e fundido;
  • Farinha refinada;

Efeitos no organismo humano:

  • As alterações de Al tem sido correlacionadas principalmente a alterações neurológicas. Pesquisas com crianças disléxicas mostram um aumento do índice de Al se comparado com o dos grupos controle;
  • Como já citei acima, tem sido encontrado um alto índice de Al em portadores de Alzheimer.
  • Provoca seborréia com queda de cabelos;
  • Envelhecimento precoce;
  • Irritabilidade;
  • Desloca o Cálcio e Magnésio dos ossos, o que leva a osteoporose;

Quando suspeitar:

  • Crianças com dislexias, nas hiperativas ou com déficit de atenção;
  • Na osteopenia e osteoporose;
  • Ma doença de Alzheimer ou neurodegeneração;
  • Nas alterações gastrintestinais e cólicas abdominais;
  • No raquitismo;
  • Na redução do metabolismo do cálcio;
  • Na dor óssea;
  • Irritabilidade acentuada;
  • Crises convulsivas;
  • Redução da capacidade mental;
  • Redução das funções hepáticas e renais;
  • Na anemia microcítica e hipocrômica mas sem deficiência de Ferro;
  • Esquecimentos;
  • Fraqueza muscular;
  • Intenso estresse oxidativo;
  • Hiperpermeabilidade intestinal e disbiose.

MERCÚRIO (Hg)

O que é e onde encontrar:

  • Mercúrio é um metal líquido à temperatura ambiente, conhecido desde os tempos da Grécia Antiga;
  • Seu nome homenageia o deus romano Mercúrio, que era o mensageiro dos deuses. Essa homenagem é devida à fluidez do metal;
  • A progressiva utilização do mercúrio para fins industriais e o emprego de compostos mercuriais durante décadas na agricultura resultaram no aumento significativo da contaminação ambiental, especialmente da água (garimpo) e dos alimentos;
  • Uma das razões que contribuem para o agravamento dessa contaminação é a característica singular do Ciclo do Mercúrio no meio ambiente. A biotransformação por bactérias do mercúrio inorgânico a metilmercúrio é o processo responsável pelos elevados níveis do metal no ambiente;
  • O Hg é um líquido inodoro e de coloração prateada. Os compostos mercúricos apresentam uma ampla variedade de cores;
  • Nos processos de extração, o Hg é liberado no ambiente principalmente a partir do sulfeto de mercúrio;
  • O trato respiratório é a via mais importante de introdução do Hg;
  • Demonstra afinidade por tecidos como células da pele, cabelo, glândulas sudoríparas, glândulas salivares, tireóide, trato gastrointestinal, fígado, pulmões, pâncreas, rins, testículos, próstata e cérebro;
  • A exposição a elevadas concentrações desse metal pode provocar febre, calafrios, dispnéia e cefaléia, durante algumas horas. Sintomas adicionais envolvem diarréia, cãibras abdominais e diminuição da visão. Casos severos progridem para edema pulmonar, dispnéia e cianose. As complicações incluem enfisema, pneumomediastino e morte; raramente ocorre falência renal aguda;
  • Pode ser destacado também o envolvimento da cavidade oral (gengivite, salivação e estomatite), tremor e alterações psicológicas. A síndrome é caracterizada pelo eretismo (insônia, perda de apetite, perda da memória, timidez excessiva, instabilidade emocional). Além desses sintomas, pode ocorrer disfunção renal.
  • O mercúrio e seus compostos são encontrados:
  • Produção de cloro e soda caústica (eletrólise);
  • Equipamentos elétricos e eletrônicos (baterias, retificadores, relés, interruptores etc);
  • Aparelhos de controle (termômetros, barômetros, esfingnomanômtros);
  • Tintas (pigmentos);
  • Amálgamas dentárias;
  • Fungicidas (preservação de madeira, papel, plásticos etc);
  • Lâmpadas de mercúrio;
  • Laboratórios químicos, preparações farmacêuticas;
  • Ar atmosférico poluído, resultante de atividade industriais e vulcânicas;
  • Combustão de combustíveis fósseis;
  • Peixes marinhos ou de água doce (de águas poluídas);
  • Solventes;
  • Plásticos;
  • Óleos lubrificantes, catalisadores;
  • Na extração de ouro;

Efeitos no organismo humano:

  • Interfere na síntese de Proteínas;
  • Sua forte afinidade pelos radicais sulfidrilas, amina, fosforil, carboxil provoca a inibição da síntese de proteínas, especialmente nos rins, a inativação de uma série de enzimas e lesão da membrana celular;
  • Seus principais efeitos deletérios decorrentes da deposição estão relacionados a sua poderosa ação nociva ao Sistema Nervoso Central.;
  • Provoca diminuição da síntese de proteínas no cérebro e aumento na liberação de diversos neurotransmissores, especialmente Dopamina, Ácido glutâmico e Gaba;
  • Existem fortes indícios em relação ao seu papel na etiologia da Esclerose múltipla (Desmielinização);
  • Além disso pode interferir nas funções no Selênio;
  • Agir como imunossupressor;
  • Formas inorgânicas podem provocar reações auto-imunes no rim;
  • O quadro clínico varia conforme a forma intoxicante:
  • Vapores de mercúrio elementar:
  • Mercúrio inorgânico;
  • Mercúrio Orgânico

Quando suspeitar:

  • Alterações comportamentais;
  • Alterações neurológicas;
  • Tremores;
  • Irritabilidade;
  • Na depressão associada com salivação, estomatite e diarréias;
  • Na perda da visão e na perda da audição;
  • Incoordenação motora progressiva;
  • Parestesias ao redor dos lábios, da boca e nas extremidades;
  • Ataxia ou andar cambaleante;
  • Nas dermatites;
  • Perda de peso;
  • Queda de cabelo;
  • Inapetência;
  • Alterações no trato gastrintestinal;
  • Perda de memória;
  • No déficit de atenção

NÍQUEL (Ni)

O que é e onde encontrar:

  • Níquel é um elemento químico de símbolo Ni, considerado um metal de transição;
  • Tem coloração branco-prateada, condutor de eletricidade e calor, dúctil e maleável porém não pode ser laminado, polido ou forjado facilmente, apresentando certo caráter ferromagnético;
  • É encontrado em diversos minerais, em meteoritos (formando liga metálica com o ferro );
  • O Ni presente no solo, passa para as plantas e para os animais e dessa forma pode ser consumido pelo homem;
  • Pode ser adicionado aos alimentos por meios de seus processamentos.
  • As principais fontes de contaminação são:
  • Fumaça de cigarros;
  • Combustão de moedas;
  • O trabalho de niquelagem;
  • Velas dos automóveis;
  • As resistências e as bateriais;
  • Ligas de tubulação em equipamentos odontológicos;
  • Jóias e bijoterias;
  • Gorduras e óleos hidrogenados (margarinas);
  • Liga do aço inox em panelas (portanto evite o cozimento de alimentos ácidos ou cítricos em panelas de inox);

Efeitos no organismo humano:

  • Alguns estudos correlacionam altos níveis de Ní com índices aumentados das imunoglobulinas IgG, IgA e IgM, e índices baixos de IgE;
  • As mulheres são mais predispostas à intoxicação;
  • Alguns dos efeitos são as dermatoses, dermatites de contato;
  • Alergias (eczemas, rinite, sinusite, conjuntivite);
  • Alguns trabalhos correlacionam o Ni com alterações tireoideanas e adrenais;
  • O gás Níquel carbamil está relacionado com o câncer dos seios paranasais e do pulmão, dermatites e epilepsia;
  • Os casos de intoxicação aguda produzem sintomas como: náuseas, vômitos, palpitação, fraqueza, vertigens, dor de cabeça;

Quando suspeitar:

  • Nas dermatites de contato e eritematosas;
  • Na hemorragia pulmonar;
  • No infarto agudo do miocárdio;
  • Nos cânceres do trato respiratório;
  • Na inalação de níquel carbonil;
  • Em todas as alergias

MANGANÊS (Mn)

O que é e onde encontrar:

  • O manganês é um metal cinza semelhante ao ferro, porém mais duro e quebradiço.
  • Os óxidos, carbonatos e silicatos de manganês são os mais abundantes na natureza e caracterizam-se por serem insolúveis na água.
  • O composto ciclopentadienila-tricarbonila de manganês é bem solúvel na gasolina, óleo e álcool etílico, sendo geralmente utilizado como agente anti-detonante em substituição ao chumbo tetraetila.
  • Utilizado em:
  • Fabricação de fósforos de segurança,
  • Pilhas secas,
  • Ligas não-ferrosas (com cobre e níquel),
  • Esmalte porcelanizado,
  • Fertilizantes,
  • Fungicidas,
  • Rações,
  • Eletrodos para solda,
  • Magnetos,
  • Catalisadores,
  • Vidros,
  • Tintas,
  • Cerâmicas,
  • Materiais elétricos e produtos farmacêuticos (cloreto, óxido e sulfato de manganês).
  • As exposições mais significativas ocorrem através dos fumos e poeiras de manganês.

Efeitos no organismo humano:

  • O trato respiratório é a principal via de introdução e absorção desse metal nas exposições ocupacionais.
  • 50% do Mn corporal está nos ossos.
  • No sangue, esse metal encontra-se nos eritrócitos, 20-25 vezes maior que no plasma, portanto não adianta dosar fora da hemácia, os melhores métodos para se avaliar a real concentração de manganês no organismo são: dosagem eritrocitária e mineralograma capilar.
  • Quando aumentado no mineralograma não significa necessariamente concentrações tóxicas no organismo, pois, geralmente pode aumentar em decorrência da deficiência de zinco ou perante a destruição excessiva (devido o estresse oxidativo) de uma enzima chamada SOD mitocondrial.
  • O solo do cerrado é muito rico em Manganês e portanto alguns ortomoleculares preferem evitar a sua prescrição nas fórmulas, por acreditarem que a dieta já consegue suprir as necessidades basais.
  • Fisiologicamente falando, o Mn atua  principalmente como co-fator para uma série de reações enzimáticas, entra na composição de uma enzima chamada Superóxido dismutase (mitocondrial) que atua na proteção das membranas celulares, em especial a membrana das mitocôndrias.
  • Facilita a formação de Dopamina, Gaba e Acetilcolina.
  • Apresenta uma baixa toxicidade quando ingerido pela dieta ou na suplementação.
  • Doses excessivas podem causar anemia ferropriva e deficiência de cobre, além de interferirem na utilização da Tiamina (vitamina B1) e aumentarem a necessidade de vitamina C.
  • A inalação é uma das vias de intoxicação. No Chile, conhece-se um quadro denominado de "Loucura Mangânica", caracterizado por: sinais e sintomas psiquiátricos: mania, agressividade, insônia, alucinações, quadro neurológico muito parecido com o do Parkinson. 
  • Os sintomas dos danos provocados pelo manganês no Sistema nervoso central (SNC) podem ser divididos em três estágios: 1º) subclínico (astenia (fraqueza), distúrbios do sono, dores musculares, excitabilidade mental e movimentos desajeitados); 2º) início da fase clínica (transtorno da marcha, dificuldade na fala, reflexos exagerados e tremor); 3º) clínico (psicose maníaco-depressiva e a clássica síndrome que lembra o Parkinsonismo).
  • Além dos efeitos neurotóxicos, há maior incidência de bronquite aguda, asma brônquica e pneumonia

Quando suspeitar:

  • Alterações comportamentais;
  • Alterações neurológicas;
  • Tremores;
  • Irritabilidade;
  • No déficit de atenção


Bibliografia:

  1. PASCALICCHIO, Aurea. Contaminação por metais pesados: Saúde pública. São Paulo. Annablume. 2002
  2. http://www.ecolnews.com.br/toxicos_POPs_e_metais_pesados.htm

Natural X Artificial


NUNCA (eu disse NUNCA) um nutriente artificial (manipulado ou até mesmo da indústria farmacêutica) será superior ao natural. Portanto, sempre que possível opte pelas fontes naturais. 

Exemplo bem simples é a Vitamina C. Na natureza não encontramos ácido ascórbico isolado e sim um complexo C (ácido ascórbico com bioflavonóides) no qual os componentes tem ação sinérgica. 

Exemplo 2: Selênio quelato e o selênio natural da castanha do Pará. Alguém já viu algum estudo decente com selênio quelato? A maioria é com selenito. Alguém já viu o selênio do paciente subir apenas com suplementação de selênio (metionina ou quelato) mesmo em doses mais altas? Eu não. Mas ja vi com o consumo de Castanha-do-Pará. 

Exemplo 3: Um outro exemplo é a Vitamina E (manipulada ou nos produtos da indústria, na maioria das vezes é vendida apenas como alfa-tocoferol). O Alfa tocoferol é apenas uma das frações da Vitamina E. a vitamina E é composta por quatro tocoferóis (alfa, beta, gama, delta) e quatro tocotrienóis (alfa, beta, gama, delta). Tem estudo mostrando que só a suplementação isolada de alfa-tocoferol pode elevar o risco de câncer de próstata. Pq? Pq não existe na natureza nenhum alimento com alfa-tocoferol isolado. Logo, a melhor forma de consumir Vitamina E é através da ingestão das fontes naturais.

Exemplo 4: Ômega 3 industrializado x in natura. Pouquíssimas marcas de ômega 3  cumprem o que promete, que é fornecer uma maior quantidade de ômega 3  por cápsula. A maioria tem menos de 60% da cápsula composto por ômega 3, os outros 40% é ômega 6. Já no atum e sardinha, que são fontes baratas e acessíveis no nosso meio, encontramos alto teor de ômega 3, além de proteínas, cálcio, magnésio, zinco. Coisa que provavelmente vc não encontrará no ômega 3 industrializado. 

Suplementação é importante? Sim, principalmente quando se tem a comprovação laboratorial da deficiência.

Mas sempre que possível opte por consumir alimentos e não suplementos. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mulheres e anabolizantes: em busca de um modelo de beleza supersarado, elas se arriscam a ter doenças como câncer de fígado e ataque cardíaco


A reportagem abaixo foi publicada na revista Marie Claire desse mês. Acho interessante postar aqui pra algumas pessoas entenderem o mínimo sobre os prováveis malefícios que tais substâncias podem ocasionar ao organismo.

Semanalmente recebo no meu consultório pacientes que desejam fazer modulação hormonal bioidêntica, reposição hormonal sem a devida comprovação laboratorial. Primeiro, não faço pq não sou endócrino. Segundo, mesmo se fosse endócrino só faria mediante necessidade e quando digo necessidade isso incluiu uma investigação prévia o porquê daquele hormônio estar reduzido. Inúmeras são as variáveis relacionadas ao aumento ou redução de um hormônio. Portanto não é nada lógico chegar de imediato e prescrever por exemplo uma testosterona.

Mas pq tantas mulheres estão querendo utilizar testosterona?

1º Pq a testosterona aumenta massa magra e reduz tecido adiposo. Além de melhorar a libido.
2º Pq existem médicos que prescrevem, mesmo quando não há comprovação de deficiência (via exame sanguíneo).
3º Pq essas mesmas mulheres veem amigas utilizando e tendo "bons" resultados a curto prazo e querem utilizar.

Minha pergunta é: Resultados bons a curto prazo às custas de que? Será que testosterona ou outros anabolizantes (oxandrolona, durateston) são tão inofensivos mesmo sob acompanhamento médico?
Sinceramente, acredito que não. Para algumas os efeitos colaterais nunca surgirão, para outras podem vir mais cedo ou mais tarde, na forma de uma virilização, câncer de fígado, transtornos psiquiátricos ou aumento do risco de doenças cardiovasculares. Nesse caso é mais prudente pecar pelo excesso de zelo.

att

Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192)


Mulheres e anabolizantes: em busca de um modelo de beleza supersarado, elas se arriscam a ter doenças como câncer de fígado e ataque cardíaco.

Coxas tão rígidas que dificultam a entrada de uma agulha. Mulheres com voz grave, maxilar largo e colesterol nas alturas. Na busca de um novo modelo de beleza, milhares de brasileiras comprometem sua saúde como uso de anabolizantes proibidos. Marie Claire investiga, na edição de novembro (já nas bancas) o que pensam, o que fazem e até onde podem chegar as garotas que fizeram dos supermúsculos um sinônimo de perfeição. E todos os riscos, de morte inclusive, que elas correm para atingir um padrão que vai contra a estrutura física feminina.

Quem usa anabolizantes tem como referência as musas que vêm do universo da TV (são participantes de reality shows e assistentes de palco que animam de biquíni os auditórios), dos grupos de funk e do fisiculturismo. O novo biotipo tem até apelido: mulher-rã, por causa da proporção entre as pernas muito grossas (e, por isso, separadas) e o restante do corpo. O problema é que essa estética desconsidera a genética feminina, que tem níveis mais altos de gordura porque ela é necessária para engravidar. Uma mulher saudável costuma ter cerca de 25% de gordura no corpo. Abaixo dos 15%, os hormônios femininos podem parar de ser produzidos, interrompendo a menstruação e trazendo sérios riscos para a saúde. Mas são justamente esses índices quase sobre-humanos que essa tribo almeja. E, para chegar aos resultados, muitas delas não só se alimentam de maneira supercontrolada e treinam muitas horas por dia: fazem também uso de anabolizantes proibidos. Essas substâncias são parte de uma classe de hormônios (sintéticos ou naturais), na maior parte derivados da testosterona.

Quando entra no corpo, o anabolizante diminui o efeito dos hormônios da mulher. Ela gradualmente perde as formas arredondadas, deixa de acumular líquidos e elimina gordura. “A pele adere aos músculos e as veias aparecem”, afirma a endocrinologista e nutróloga Vânia Assaly. Junto com as mudanças externas vêm as internas, perigosíssimas. No curto prazo, o colesterol entra em desequilíbrio imediato: o bom (HDL) cai e o ruim (LDL) sobe. Isso multiplica a chance de acidentes vasculares. A pressão arterial aumenta. O coração, que é um músculo, também sofre hipertrofia. No médio e longo prazo, rins e fígado são bastante comprometidos. É justamente nesse último que o esteroide é metabolizado, o que o leva a ficar “tóxico”. Em casos graves, há necessidade de um transplante. O pior de tudo: Vânia explica que muitos efeitos colaterais são permanentes, mesmo quando se interrompe o uso. “As mulheres sofrem um aumento da agressividade, ansiedade e competitividade”, afirma. “E, em pessoas que já têm a tendência, o uso de anabolizantes pode detonar transtornos psiquiátricos, como bipolaridade.”

Mulheres e músculos: nova mania nacional

Para entender o fenômeno, Marie Claire conversou com pessoas comuns como a estudante Ana Paula*, 21 anos, de Belo Horizonte, que começou a malhar há um ano. Pesava 50 quilos e se matriculou na academia apenas para definir suavemente as formas. O namorado, o técnico em agrimensura Marcello*, a incentivou. Rodeada por mulheres musculosas e que treinavam sem parar, entretanto, ela passou a admirar essa estética.

Apenas dois meses depois, decidiu fazer o primeiro ciclo com anabolizantes. “Comprei a agulha, limpei e coloquei (no músculo) sem nada, só pra ver se tinha coragem. No dia seguinte, foi para valer.” O ciclo, como é chamado o período em que a pessoa usa os esteroides, durou dois meses. Ana aplicava nas próprias pernas, semanalmente, 100 ml de uma substância chamada estanozolol, um derivado sintético da testosterona usado em cavalos, para aumentar a força do animal. No Brasil, a versão para humanos da substância também pode ser encontrada, mas seu uso é controlado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Por causa das graves consequências que podem trazer à saúde, os esteroides são usados em casos muito específicos, como, por exemplo, em pacientes de câncer ou portadores de HIV que perderam muita massa muscular. “Mesmo assim, é feito de forma controladíssima”, diz o médico infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Emilio Ribas, em São Paulo, referência em pesquisa e tratamento da aids. O limite é estipulado pelo próprio Conselho Federal de Medicina, que proíbe indicações de hormônios para fins estéticos ou de antienvelhecimento.

Mas não é o que acontece no dia a dia. Ana Paula comprou os produtos com uma receita médica assinada por seu endocrinologista (que ela preferiu manter anônimo à reportagem de Marie Claire). Ele pediu exames e prescreveu remédios para aplacar os efeitos colaterais. Mesmo assim, a voz engrossou (ela é rouca até hoje), a estudante parou de menstruar, sentiu calor excessivo por vários dias, teve espinhas e viu seu índice de colesterol ruim disparar. Ao todo, gastou R$ 1,5 mil em produtos, fora as consultas médicas e exames. “As pessoas se preocupam, tem gente que acha que eu estou exagerando. O que eu fico com medo mesmo é da ‘virilização’. Algumas meninas começam a ter pelo no rosto”, conta ela. “O resto eu sei que volta ao normal.”

Não é bem assim. Alguns dos efeitos, de fato, podem até se normalizar após um tempo – mas a endocrinologista Vania Assaly explica que não há garantia. “Se o anabolizante não for usado várias vezes, o colesterol pode até baixar e o comportamento agressivo tende a voltar ao normal. A sobrecarga do fígado também vai diminuir. Mas o volume do pescoço, por exemplo, aumenta e não volta mais”, diz ela, referindo-se a uma das principais características da “virilização”. “O maxilar também alarga para sempre.”

Em menos de três meses, o peso de Ana Paula saltou de 50 quilos para 69. “Os músculos começam a aparecer na quarta semana. Você vê que é rápido, que aquilo nunca aconteceria se não estivesse usando a droga. É tão bom que mexe com seu psicológico, você não quer parar mais.” O segundo ciclo aconteceu de junho a setembro deste ano. Na ocasião, a coxa dela estava tão rígida que dificultava a entrada da agulha. “Doía muito. Tive de pedir para o meu namorado aplicar para mim, no glúteo. Ele aprendeu vendo vídeos no YouTube.” Marcelo, o namorado – que também já utilizou esteroides –, não acha que a rigidez da coxa é um indício de exagero. “Se ela começar a ficar com traços masculinos, vou achar feio. Mas está longe disso. Acho que Ana pode evoluir mais um pouco ainda”, afirma. Alheio aos riscos, ele reclama das alterações de humor da garota. “Quando ela faz o ciclo, fica insuportável. Ela passa o dia inteiro nervosa e não posso falar nada que a gente briga. E nunca pede desculpa.” A endocrinologista Vânia explica que esse comportamento é um padrão de usuárias de esteroides. “De competitivas e vitoriosas, que é o que todas buscam, elas se tornam agressivas e impacientes.”

O que dizem os médicos?

Com o uso de esteróides, as chances de desenvolver câncer, especialmente no fígado, aumentam. “E como esta é uma região que recebe muito sangue, o risco de metástase é maior”, diz o médico Dr. Jomar Souza, especialista em medicina esportiva. Em seu consultório, ele recebe atletas profissionais e amadores e, nos últimos anos, um número crescente de mulheres dispostas a tomar esteroides. “Em 2000, não se via isso. De lá para cá, houve um boom de mulheres à procura dessas substâncias.” Às suas pacientes, Dr. Jomar explica que os danos permanentes não se resolvem com exames periódicos. “Não há nenhuma garantia de que os efeitos colaterais possam ser revertidos”, afirma. Além do caráter “roleta russa”, o uso pode causar dependência física e psicológica, diz. “A pessoa precisa de uma dosagem cada vez mais alta para manter os efeitos e, se para de tomar, não encontra mais o prazer que tinha ao se ver no espelho.”

Outro efeito colateral foi o aumento do clitóris, inchado por causa dos hormônios masculinos.
Essas mesmas substâncias podem ter efeitos devastadores numa gravidez, alerta a endocrinologista Vânia Assaly. “Pode haver má-formação fetal, alterando o desenvolvimento dos genitais do bebê”, diz. Para muitas usuárias, apenas o anticoncepcional não é suficiente para evitar a gestação. “É imprevisível a ação dos hormônios no fígado. Eles podem metabolizar de forma incompleta, anulando o efeito da pílula.” Sem contar as chances de uma menopausa precoce e osteoporose.

Tumores múltiplos 

O oncologista Sergio Renato Pais-Costa, cirurgião do Hospital de Base do Distrito Federal, relata casos de tumores em usuárias dessas substâncias. “Tive uma paciente jovem que precisou ser operada de tumores múltiplos causados pelo abuso de anabolizantes. Hoje ela está bem, mas poderia ter morrido por rotura dos tumores ou ter havido transformação maligna”, diz. Segundo a cardiologista Maria Janieire Alves, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor/SP), que desde 2009 pesquisa o tema, o corpo feminino sofre mais do que o masculino com o abuso de esteroides.“Na mulher, os sintomas mais comuns são a pressão arterial elevada, a dor no peito que pode evoluir para angina e infarto”, diz.

Nada disso, entretanto, parece preocupar garotas dispostas a moldar o corpo com drogas proibidas. A endocrinologista Vânia Assaly recebe muitas em seu consultório. Além de recusar receitas, tenta dissuadi-las. “Explico os riscos, mas elas me dizem que preferem ir para o caixão sem nenhuma celulite. Já tive paciente que me falou: ‘Prefiro enfartar a ter gordura na bunda’.”


Fonte: http://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2013/11/mulheres-e-anabolizantes-em-busca-de-um-modelo-de-beleza-supersarado-elas-se-arriscam-ter-doencas-como-cancer-de-figado-e-ataque-cardiaco.html

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Por que é tão fácil engordar, por Dr. Regina (nutróloga)

Numa longa trilha antropológica e bioquímica, a espécie humana desenvolveu um complexo mecanismo que permitia estocar energia (sob a forma de gordura) em épocas de fartura, para conseguir sobreviver durante as secas e os invernos.

O hormônio chamado insulina, produzido e segregado pelo pâncreas, é o responsável por este fato.

Cada vez que ingerimos um carboidrato (qualquer alimento de origem vegetal), ele é transformado em glicose através de enzimas presentes na saliva e sucos gástricos. A sua entrada na corrente sanguínea provocará um estímulo imediato para o pâncreas segregar insulina. A Insulina é o hormônio que vai administrar esta glicose. Uma parte (40 %) vai ser imediatamente utilizada como combustível. O restante sofrerá algumas transformações bioquímicas, propiciadas por enzimas do fígado e será transformado numa forma de açúcar própria para ser armazenado: o glicogênio. O glicogênio é um açúcar de cadeia longa que é depositado no fígado e nos músculos como reserva energética.

Os nossos ancestrais utilizavam constantemente esta reserva; ingeriam pouco alimento de cada vez, nunca grãos ou açúcares refinados e se movimentavam muito, tendo que enfrentar constantemente a fadiga e o frio.

Com delicadas tramas hormonais e cerebrais, que regulam a fome e a saciedade, a espécie humana desenvolveu mecanismos para garantir que as necessidades metabólicas do organismo fossem supridas. Existem no cérebro centros de fome e saciedade que nos estimulam a comer (centros da fome no hipotálamo) e a parar quando satisfeitos.

O nosso modo de vida confortável, que nos coloca frequentemente numa poltrona frente á televisão com uma enorme quantidade de pipoca na nossa frente, faz com que a nossa capacidade de estoque de glicogênio esteja constantemente saturada. E mesmo que as nossas reservas já sejam suficientes o estresse crônico, a falta de atividade física e a ansiedade, alteram o nosso equilíbrio bioquímico cerebral e faz com que ignoremos a saciedade e ataquemos constantemente chocolates e guloseimas.

Isto precipita uma enxurrada a cada poucas horas, de glicose na corrente sanguínea. Um novo estímulo à insulina que novamente começara o seu trabalho de “consome uma parte e guarda a outra”.

Mas onde guardar? Os nossos armazéns de glicogênio estão cheios, e continua entrando glicose no nosso sangue.

O fígado então vai começando a transformar este excesso de glicogênio em gordura, tri-acil-glicerol, os conhecidos triglicerídeos. Eles vão se depositar em volta do fígado, nos músculos e no tecido adiposo.

A função do tecido adiposo é a de estocar ácidos graxos e liberá-los quando necessário. Formando um estofamento isolante sob a pele, na cavidade abdominal e nos músculos, o tecido adiposo de um homem normal de 70 kg contém aproximadamente 15 kg de gordura. Essa quantidade representa 141.000 calorias, o suficiente para nos manter vivos por cerca de três meses.

Se os mecanismos de regulação de fome-saciedade estiverem alterados e o individuo continuar a comer mesmo satisfeito, a camada de gordura embaixo da pele continuara a aumentar.  Em indivíduos obesos, ela pode constituir até 70% do peso corporal.

Um cardápio que inclua achocolatado e pão francês pela manhã, alguns biscoitos o pães de queijo, sobremesa e café açucarados, refrigerante e lanche calórico acrescenta, facilmente, gramas extras ao nosso peso todos os dias.

Leia mais: http://www.dra-regina-nutrologa.com.br/news/porque-e-facil-engordar-/

sábado, 12 de outubro de 2013

Medicamentos que aumentam o apetite, por Dr. Paulo Giorelli


Quais são esses medicamentos?

Resumo dos principais medicamentos que podem levar ao ganho de peso:


  • Os antidepressivos: esses medicamentos agem por meio de neurotransmissores e promovem o desejo de comer.  Pessoas que tomam este alguns antidepressivos costumam ganhar peso, e esse seria o fator pode favorecer o aparecimento de ligado ao diabetes tipo 2. Outra possibilidade é de que os antidepressivos tenham algum tipo de interferência no nível de açúcar no sangue. As conclusões foram publicadas na revista científica “Diabetes Care“.
  • Os neurolépticos: esses medicamentos também agem sobre os neurotransmissores e provocam uma verdadeira ‘’fome’’.
  • Alguns medicamentos podem aumentar o apetite para doces e carboidratos, por exemplo: Remeron (Mirtazapina, Menelat), Tryptanol (Amytril, Amitriptilina), Tolvon (Mianserina), Zyprexa (Ziprazidona), Orap, Tegretol (Carbamazepina), Trileptal (Oxcarbamazepina, Oleptal), Depakote (Ácido Valpróico, Depakene), Tofranil (Imipramina), Anafranil (Clomipramina).
  • Alguns outros podem provocar aumento de peso depois de muitos meses de uso, por exemplo: Paroxetina (Cebrilin, Aropax, Paxil CR, Aotin, Benepax), Ácido Valpróico (Depakene, Depakote), etc.
  • Os Ansiolíticos e Hipnóticos Benzodiazepínicos não provocam ganho de peso, por exemplo: Rivotril, Clonazepam, Valium, Diazepam, Lexotan, Somalium, Bromazepam, Lorax, Lorazepam, Olcadil, Noctal, Frontal, Apraz, Alprazolam, Dalmadorm, Dormonid, Rohypnol, Midazolam, Flurazepam, Flunitrazepam, etc.
  • Com Efexor (Venlafaxina, Venlaxin, Venlift) e Cymbalta o ganho de peso não é freqüente.
  • Lexapro, Exodus, Escitalopram, Cipramil, Citta, Maxapan, Citalopram, Zoloft, Tolrest, Sertralina não costumam provocar aumento de peso.
  • A pílula anticoncepicional, age pelo sistema hormonal. As pílulas que contém estrógeno são as pílulas mais propensas a levar ao ganho de peso, quando comparadas às aquelas que contêm progesterona (minipílula), porque o estrógeno promove a retenção de água, e portanto, leva ao ganho de peso. No caso de você ganhar peso com o uso da pílula clássica, pergunte ao seu médico quanto ao uso da minipílula ou de outras técnicas de contracepção (como ex. o anel contraceptivo).
  • Os corticóides como a Prednisona (um tipo de cortisona). Essa classe de medicamentos possui um forte efeito antiinflamatório, sendo muito utilizado contra diversas doenças inflamatórias como a artrite (incluindo a poliartrite reumatóide). Infelizmente o seu uso pode desencadear diversos efeitos secundários como o ganho de peso. Se esse for o seu caso, converse com seu médico sobre a possibilidade de mudar o tratamento, por exemplo, o uso de Antiinflamatórios não-esteroidais (AINES) ou outra classe de medicamentos. O corticóide é o vilão no ganho de peso. “Pacientes que tomam doses altas de corticóide por um tempo prolongado podem ganhar até 20kg em um ano
  • Os ansiolíticos e/ou antihistamínicos: os medicamentos à base de difenidramina podem levar ao ganho de peso, pois essa molécula possui um efeito sedativo que diminui o consumo de energia (diminuição do metabolismo). Consequentemente, o organismo irá queimar menos calorias, o que vai levar ao ganho de peso.
  • Podem promover ganho de peso: Medicações para o tratamento do diabetes do tipo 2 (insulina, sulfoniluréias, tiazolidinedionas ), 
  • Antihipertensivos (diuréticos tiazídicos, diuréticos de alça, bloquedores de canal de cálcio, beta bloqueadores).Entre os medicamentos para pressão arterial que podem gerar ganho de peso estão o metoprolol, o atenolol, o propranolol, a amlodipina e a clonidina.
  • Remédios para transtornos de humor também acarretam ganho de peso. Entre eles estão os antipsicóticos clozapina, olanzapina, risperidona e quetiapina. Além destes, o uso prolongado de sais de lítio, o ácido valpróico e a carbamazepina também pode engordar Em geral os antidepressivos mais antigos são mais propensos a causar ganho de peso do que os ISRS [inibidores seletivos da recaptação de serotonina].

Medicamentos orexígenos (aumentam o apetite)

  • Acetato de megestrol (AM) é um derivado sintético, ativado por via oral, do hormônio progesterona. Este é o medicamento mais estudado dentre os orexígenos. Pode induzir o apetite pela estimulação do neuropeptídeo-Y (NPY), presente no cérebro e secretado pelo hipotálamo, com capacidade de estimular o apetite; e pela inibição de citocinas pró-inflamatórias, como interleucina 1 (IL-1), IL-6 e fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa). Tanto o NPY quanto as IL e o TNF podem levar à caquexia pela diminuição da ingestão alimentar direta ou por meio de mediadores anorexígenos, como leptina e serotonina. Os agentes corticosteróides incluem a prednisolona e a dexametasona. Seus mecanismos de ação envolvem a inibição da síntese ou da liberação de citocinas pró-inflamatórias, citadas acima. Ou seja, estimulam o consumo alimentar e diminuem o gasto de energia (1,2).


Eles podem atrapalhar uma dieta?

  • Sim!  Mas se o(s) medicamento(s) que estiver causando  aumento do apetite tiver sido prescrito pelo médico a substancia não deve ser interrompida a não ser que o médico que prescreveu autorize a interrupção do uso do medicamento


Existem alimentos que ajudam a diminuir o apetite causado por esses medicamentos?

  • Aliados da dieta, alguns alimentos têm a capacidade de suprimir o apetite, evitando ataques à geladeira, crises de gula.
  • Alimentos ricos em vitamina C apresentam propriedades que diluem a gordura, a qual pode ser expulsa pelo organismo com maior facilidade. Além disso, há uma substância presente nesses alimentos que diminui o nível de absorção de glicose pelo corpo, a Pectina. Essa fibra faz com que a absorção do açúcar ocorra mais lentamente, evitando assim que se transforme em gordura; e é obtida através da ingestão de frutas cítricas, maçã, pêssego e pêra.
  • Fibras solúveis compõem alimentos que ajudam no controle dos níveis de açúcar do sangue, como a aveia, feijão, legumes, ervilhas, maçãs e frutas cítricas; as quais em contato com a água se dissolvem e formam uma espécie de gel, aumentando o bolo alimentar e ocupando o organismo com a digestão, o que fornece a sensação de saciedade por um tempo prolongado. Assim, nutricionistas sempre indicam em suas receitas a ingestão de fibras e cereais pela manhã.
  • Carnes são importantes fontes de vitamina B12, a qual ajuda na perda de peso por queimar gorduras; sem contar que, quando se comem alimentos com proteínas as chances de perdas maiores de calorias aumentam. 
  • Pimenta-vermelha também se mostra um tempero que auxilia o emagrecimento; isso porque apresenta capsaicina, composto que aumenta a produção de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina, os quais diminuem o apetite e a ingestão de calorias durante as refeições.
  • A Alicina, substância presente no alho, dificulta o ganho do peso, sendo um ótimo tempero para ser usado no preparo de pratos. Essa substância é responsável pelo aroma do alho e por diminuir as gorduras além de impedir que o colesterol se fixe em paredes de vasos sanguíneos. Uma dica para reduzir o apetiteé, cerca de 20 minutos antes de se sentar à mesa para o almoço ou jantar, ingerir cenouras. A ingestão de um copo de água antes da alimentação também reduz o apetite, acelera o metabolismo e dilui as toxinas e o excesso de sódio no organismo, o que provoca a sensação de inchaço e por isso dará a sensação de saciedade mais rapidamente.
  • Molho de pimenta: quanto mais quente, melhor. Aproveite os molhos apimentados em todos os alimentos que for consumir, já que a picância evita que coma mais do que necessário e ainda ajuda a dar a sensação de saciedade prolongada.
  • Linhaça: com uma mistura nutricional de fibras solúveis e ácidos graxos essenciais, esta semente é perfeita para adicionar ao iogurte, vitamina ou salada. Por ser integral, ajuda a manter a energia e também a satisfação.
  • Salada: começar a refeição com uma salada, ajuda a sinalizar para o cérebro que você está ingerindo calorias e nutrientes. O cérebro leva cerca de 20 minutos para receber sinais do estômago dizendo que está cheio, fazendo com que a salada seja perfeita para cortar o sinal de fome com muitas fibras e poucas calorias.
  • Whey Protein: proteínas naturalmente suprimem o apetite, mas a proteína de soro de leite, conhecida mais popularmente como whey protein é ótima para tal finalidade. Pesquisas recentes mostraram que pessoas que consomem a proteína em alimentos líquidos tendem a ingerir menos calorias na próxima refeição.
  • Amêndoas: um punhado de amêndoas fornece antioxidantes, vitamina E e magnésio. Elas também aumentam a sensação de saciedade e ajudam a manter o peso, segundo estudo de 2006 do Encontro Anual da Sociedade de Obesidade.
  • Café: quando ingerido moderadamente, ajuda a acelerar o metabolismo e disfarçar a fome. Isso acontece porque a cafeína e os antioxidantes presentes no café fazem bem ao organismo quando ingerido puro. Dispense o chantilly e o leite.
  • Gengibre: as raízes de gengibre são usadas há séculos como um excelente digestivo. Quando adicionada nos alimentos e vitaminas, serve de estimulante e energizante, melhorando a digestão e reduzindo a fome.
  • Abacate: rica em fibras e gorduras monossaturadas, esta fruta reduz o apetite quando ingerida moderadamente, pois sua gordura manda mensagens de saciedade ao cérebro.
  • Pimenta Cayenne: segundo estudo do jornal Physiology & Behavior, meia colher de chá de pimenta cayenne acelera o metabolismo, levando à queima de dez calorias a mais do que o normal, além de evitar a ingestão de até 60 calorias na refeição seguinte naqueles que consomem o tempero regularmente, levando à perda de até 4 kg por mês em quem ingere a pimenta em duas refeições diárias.
  • Maçãs: são capazes de suprimir a fome por diversos motivos, como serem ricas em fibras e pectina, por regular a glucose e aumentar os níveis de energia e por precisarem de muita mastigação, o que faz com que o cérebro perceba mais rapidamente que está sendo alimentado e não precisa mais sentir fome.
  • Ovos: estudos dizem que pessoas que comem ovos no café da manhã se sentem mais satisfeitos por até 24 horas em comparação a quem come um pãozinho, além de tender a ingerir até 330 menos calorias ao longo do dia.
  • Água: uma pesquisa de agosto de 2010 descobriu que pessoas que bebem dois copos de água antes das refeições comem de 75 a 90 caloiras a menos por refeição.
  • Batata-doce: por conter substâncias resistentes às enzimas digestivas, a batata-doce permanece mais tempo no estômago, dando mais sensação de saciedade. Além disso, é rica em vitaminas A e C.
  • Ameixas umeboxi: azedinhas, estas ameixas são ricas em água e fibras e ajudam a detonar aquela vontade de comer doces. Podem ser encontradas em casas de produtos asiáticos.
  • Sopa de legumes: traz saciedade com uma quantidade mínima de calorias, além de hidratar. Experimente começar a refeição com um pouco de sopa e veja como sentirá menos vontade de atacar os demais pratos.
  • Tofu: o queijo de soja é uma excelente fonte de proteínas e isoflavonas que reduzem o apetite e a ingestão de alimentos.
  • Raiz forte: a picância da raiz forte ajuda a suprimir o apetite e também é um anti-inflamatório natural.
  • Chá verde: ajuda a inibir o movimento da glucose para dentro das células de gordura, prevenindo os picos de insulina e o estoque de gorduras, reduzindo o apetite. Também estimula a função intestinal e é rico em antioxidantes.
  • Aveia: mesmo sendo rica em carboidratos, a aveia demora para ser digerida, levando à sensação de saciedade contínua. Ela também supre o hormônio grelina, responsável pela fome, e é um alimento de baixo índice glicêmico.
  • Sucos de vegetais: antes de torcer o nariz, saiba que a combinação de vegetais e frutas ajudam a dar saciedade e aqueles que consomem estas bebidas antes da refeição ingerem até 135 menos calorias.
  • Verduras folhosas verde escuras: altamente nutritivas, são ricas em fibras e ajudam a manter a fome bem longe por horas.
  • Salmão: rico em ácidos graxos tipo ômega 3, este peixe aumenta a quantidade do hormônio leptina no corpo, que é um supressor de apetite.
  • Canela: salpique a especiaria sobre alimentos e bebidas para ajudar a diminuir os níveis de açúcar no sangue, controlando o apetite, e aumentar a velocidade do metabolismo.
  • Leite desnatado: ajuda a diminuir a vontade de comer doces durante a TPM. Estudos indicam que mulheres que bebem até um copo de leite desnatado todos os dias até duas semanas antes da menstruação reduzem significativamente a vontade de comer doces e carboidratos.


Autor: Dr. Paulo Giorelli - Médico, nutrólogo, presidente da ABRAN-Regional RJ. Diretor do Departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN)

Fonte: http://abran.org.br/para-profissionais/medicamentos-que-aumentam-o-apetite/

sábado, 5 de outubro de 2013

Europa discute o uso de substâncias que afetam o sistema hormonal

Publicado originalmente no Le Monde (5/10/2013)

É um caso tão polêmico que agora está nas mãos do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. Assim, sua conselheira científica, Anne Glover, deverá reunir nos próximos dias todos os cientistas envolvidos em uma grande controvérsia com importantes questões econômicas envolvidas: que posição os Estados-membros devem adotar em relação aos disruptores endócrinos?

Bruxelas deve decidir até o final do ano sobre as medidas destinadas a proteger os europeus dos efeitos dessas substâncias – plastificantes, cosméticos, pesticidas etc – que interferem no sistema hormonal, a exemplo do Bisfenol A, que será proibido definitivamente nas embalagens de alimentos na França em 2015.

A polêmica atingiu uma intensidade inédita nos últimos dias. Certos membros da comunidade científica acusam – veladamente – vários de seus pares de fazerem manobras a favor de interesses industriais, em detrimento da saúde pública.

"A ciência se tornou motivo de guerra"

A rixa começou neste verão com a publicação, em diversas revistas acadêmicas, de um artigo no qual dezoito toxicólogos (professores ou membros de órgãos públicos de pesquisa) criticavam as medidas em discussão em Bruxelas. Restritivas demais para muitas indústrias, estas seriam, segundo os autores, "precauções cientificamente infundadas". Os signatários, liderados pelo toxicólogo Daniel Dietrich (Universidade de Konstanz, Alemanha), contestam, por exemplo, que essas moléculas possam ter consequências nocivas em doses muito baixas.

No entanto, esses efeitos são o foco de inúmeras pesquisas científicas feitas nos últimos quinze anos e são reconhecidos por um relatório publicado conjuntamente em 2012 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Em especial, nos animais, a exposição in utero a algumas dessas moléculas em doses baixíssimas aumenta os riscos de ocorrência de determinadas patologias no decorrer da vida – câncer hormônio-dependente, obesidade, distúrbios neurocomportamentais etc.

O texto dos dezoito pesquisadores imediatamente provocou comoção. E uma suspeita considerável. "O problema das 'intenções dissimuladas' se acentuou, ao mesmo tempo em que aumentou a capacidade da ciência de influenciar na regulamentação dos poluentes e que a pesquisa acadêmica passou a depender cada vez mais do apoio financeiro da indústria", escreveram na revista "Environmental Health" Philippe Grandjean (Harvard Public School of Medicine, University of Southern Denmark) e David Ozonoff (Boston University), professores de saúde ambiental e responsáveis pela publicação. "A ciência se tornou motivo de uma guerra, com a maior parte de suas batalhas ocorrendo nos bastidores."

Nada menos que 18 contratos de consultoria entre 2007 e 2012

Na mesma edição da "Environmental Health", cerca de quarenta toxicólogos e endocrinologistas publicaram uma outra resposta cáustica, apontando que o texto de Daniel Dietrich e de seus coautores é produto de "uma vontade de influenciar nas decisões iminentes da Comissão Europeia". Uma centena de outros cientistas opinaram, em um editorial do último número da revista "Endocrinology", que o texto de Dietrich e de seus coautores "representa a ciência de maneira enganosa."

Acima de tudo, as réplicas dirigidas aos dezoito pesquisadores se indignam com o fato de que estes não divulgaram – como é de praxe nas revistas científicas – seus laços de interesse com as indústrias potencialmente afetadas por uma nova regulamentação. "É isso que fazem os 25 cientistas, dos quais faço parte, que redigiram em 2012 o relatório da OMS e do Pnuma", explica Ake Bergman (Universidade de Estocolmo). "É também o que fizeram todos os signatários – dos quais faço parte – da resposta enviada a Dietrich e seus coautores."

As ligações destes últimos com a indústria por fim vieram a público. No final de setembro, uma pesquisa da agência Environmental Health News (EHN) revelou que 17 dos 18 autores mantinham relações financeiras com "indústrias químicas, farmacêuticas, cosméticas, do tabaco, de pesticidas ou de biotecnologia."

Carta aberta à conselheira científica de Barroso

Alguns deles tiveram seus laboratórios financiados por empresas, outros receberam remunerações pessoais como consultores ou conselheiros científicos. O toxicólogo Wolfgang Dekant (Universidade de Würzburg, Alemanha), por exemplo, assinou, segundo informações reunidas pela EHN, nada menos que dezoito contratos de consultoria entre 2007 e 2012 com empresas cuja identidade ele não divulgou. E a lista não para por aí. Dietrich e seus coautores também estão na iniciativa de uma carta aberta a Anne Glover, assinada por cinquenta outros cientistas. De acordo com uma primeira análise efetuada pela EHN, pelo menos quarenta deles também têm ligações com indústrias.

"As estimativas mais recentes sugerem que quase mil moléculas poderiam ser disruptores endócrinos", explica Grandjean. "Logo, são vários os setores que podem ser implicados." O pesquisador, uma das referências em pesquisa em saúde ambiental, diz não estar surpreso com as colaborações de Dietrich e seus coautores com os meios industriais, mas se espanta com o fato de que "eles aparentemente não colaborem com ONGs ou associações de pacientes."

As zonas cinzentas também se estendem para dentro da Comissão

Dietrich não quis responder ao "Le Monde". Um dos coautores, Wolfgang Dekant, garante que não houve "nenhum envolvimento da indústria, formal ou informal", na iniciativa ou na redação do texto.

As zonas cinzentas se estendem também para dentro da Comissão. A deputada europeia Michèle Rivasi (Europe Ecologie-Les Verts), bem como outros parlamentares, vão endereçar nos próximos dias uma questão por escrito a José Manuel Barroso para exigir a publicação da declaração de interesses de Anne Glover, sua conselheira científica. Esses elementos por enquanto não foram comunicados no site da Comissão.

Em Bruxelas, afirma-se que somente os comissários são obrigados a redigir e tornar pública uma declaração de interesses. Foi explicado ao "Le Monde" que José Manuel Barroso havia escolhido Anne Glover após um "rigoroso processo de recrutamento".

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2013/10/05/europa-discute-o-uso-de-substancias-que-afetam-o-sistema-hormonal.htm

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Prevenção com ácido fólico na gravidez é rara e incorreta no Brasil


No SUS o protocolo de pré-natal da gestante estabelece como dose ideal: 5mg (5000mcg) por dia, dose "cavalar". Essa dose associada ao uso de sulfato ferroso acaba depletando os níveis de Zinco e favorecendo uma alteração imunológica no bebê, devido um desequilíbrio entre Linfócitos T Helper1 e T Helper2, aumentando a propensão a doenças alérgicas.

Vale a pena ler a reportagem.

Prevenção com ácido fólico na gravidez é rara e incorreta no Brasil

Uma medida simples para evitar malformações em bebês ainda é pouco adotada pelas brasileiras e será tema de campanha nacional com lançamento marcado para hoje em São Paulo.

Um levantamento com 500 mulheres realizado pelo médico Eduardo Borges da Fonseca, professor de obstetrícia da Universidade Federal da Paraíba, mostra que só 13,8% tomaram suplemento de ácido fólico antes de engravidar.

O uso dessa vitamina ao menos 30 dias antes do início da gestação, continuando até o terceiro mês, reduz em cerca de 75% a ocorrência dos defeitos de fechamento do tubo neural (a região do embrião que vai dar origem ao sistema nervoso central).

Hoje, 1 em 1.000 crianças nasce com algum desses problemas no país. Os mais comuns são espinha bífida (exposição dos nervos da medula espinhal) e anencefalia.

A anencefalia leva à morte do bebê. No caso da espinha bífida, a gravidade varia conforme a posição da lesão e a extensão. Algumas crianças não precisam de tratamento e outras podem ser submetidas a cirurgia logo após o parto. Mas muitas, mesmo após a operação, sofrem sequelas, como paralisia e dificuldades de aprendizagem.

No estudo, feito em João Pessoa, a maioria das que usaram o ácido fólico o fez de forma incorreta, muitas vezes com doses maiores dos que as ideais (de 400 microgramas por dia). Estudos com animais apontam que a suplementação em excesso pode levar a bebês com baixo peso.

Cerca de metade da amostra era de mulheres atendidas pelo SUS e a outra metade, de clínicas particulares. "Não houve diferença entre os grupos", afirma Fonseca, que é presidente da comissão de medicina fetal da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

"Os números que nós encontramos são muito semelhantes aos de um estudo feito em Pelotas (RS) há seis anos. A situação não melhorou desde então."

O fechamento do tubo neural acontece entre a segunda e a quarta semana de gravidez. No Brasil, segundo pesquisa da Fiocruz com 22 mil mulheres, 55% das gestações não são planejadas.

"Em geral, a mulher só chega ao médico de dois a três meses depois do início da gravidez, o que já é uma fase tardia para o início da suplementação", afirma o médico.

Por isso, um dos focos da campanha da Febrasgo é estimular médicos a informar as mulheres sobre a importância do suplemento durante as consultas anuais.

A fortificação de farinhas de trigo e de milho com ácido fólico, obrigatória no Brasil desde 2004, consegue reduzir em 39% a ocorrência das malformações.

"Mas essa medida não atinge a todas. Muitas mulheres hoje adotam dietas da proteína, com baixa ingestão de carboidrato. Por isso é melhor usar as duas formas de prevenção: a alimentação fortificada e a suplementação."

Estudo mostra como a privação do sono afeta a imunidade


Mais um estudo, evidenciando que sono = qualidade de vida. Há 16 anoss o professor e pesquisador Dr. Hélion Póvoa (um dos pioneiros da ortomolecular no Brasil, amigo de Linus Pauling) afirmava em seu livro Melatonina o relógio biológico (1996, Editora Imago), que a melatonina produzida durante o sono apresentava na época as seguintes funções:

  • Inibição da adesão e agregação plaquetária, diminuindo o risco trombótico
  • Aumenta a atividade de linfócitos T
  • Aumento da relação entre linfócito T Helper e Linfócito T supressor (CD4/CD8)
  • Aumento da imunidade celular
  • Aumento das células Natural Killers (in vivo)
  • Tem ação protetora contra a imunodepressão causada por estresse ou glicocorticóides
  • Estímulo à produção de Interleucina 2 e interferon gama
  • Estimula a fagocitose assim como a produção de fator estimulante de colônias de macrófagos e granulócitos
Mensalmente pesquisadores publicam artigos mostrando os benefícios do sono, que vão desde à diminuição do risco de obesidade, até diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Em resumo: quem dorme melhor, adoece menos.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) liberou os resultados de uma pesquisa feita pela FAPESP, transcrita abaixo e extraída do site http://agencia.fapesp.br/16303

A importância do sono para o bom funcionamento do sistema imunológico é conhecida, mas pouco se sabe sobre os mecanismos envolvidos. Uma pesquisa apoiada pela FAPESP e conduzida nos últimos anos tem mostrado como diferentes tipos de privação de sono interferem nas defesas do organismo.

Na primeira fase da pesquisa, para mimetizar situações comuns na sociedade os pesquisadores submeteram voluntários tanto à privação total por 48 horas – similar à que ocorre com pessoas que trabalham em sistema de plantão noturno – como à privação seletiva de sono REM (movimento rápido de olhos, na sigla em inglês), fase do sono em que prevalecem os sonhos, por quatro noites seguidas.

“Nas últimas décadas, houve diminuição progressiva e importante na média da duração do sono, principalmente na segunda metade da noite, quando prevalece o sono REM”, disse Francieli Ruiz da Silva, autora principal do estudo, feito durante o doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com Bolsa da FAPESP.

O estudo, orientado pelo professor Sergio Tufik, foi realizado no Instituto do Sono, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP. Os resultados do experimento foram publicados em artigo na revista Innate Immunity e apresentados na 23ª Reunião Anual da Associated Professional Sleep Societies, realizada nos Estados Unidos em 2009. O trabalho também foi premiado pela European Federation of Immunological Societies durante o 2º European Congress of Immunology, realizado na Alemanha no mesmo ano.

Em uma segunda fase da pesquisa, realizada com animais, os pesquisadores do Instituto do Sono investigaram os efeitos da privação de sono no desenvolvimento de resposta específica a um desafio imunológico. Os resultados dos experimentos com camundongos foram apresentados na 27ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada em agosto de 2012.

“O objetivo na primeira fase foi avaliar a alteração no perfil imunológico dos voluntários causada pela falta de sono. Para isso, realizamos leucograma – exame que mede a quantidade de leucócitos no sangue – antes e depois do experimento”, disse Ruiz.

Ao longo de uma semana, 30 voluntários saudáveis, entre 18 e 30 anos, permaneceram no laboratório distribuídos em três grupos. Aqueles do grupo controle dormiram normalmente e tiveram seu padrão de sono monitorado por meio do exame de polissonografia.

Os integrantes do grupo submetido à privação seletiva também tiveram o sono monitorado e foram acordados por uma campainha toda vez que o exame indicava a aproximação da fase REM.

“A primeira noite foi tranquila, mas à medida que a demanda do organismo por sono REM foi se acumulando, foi ficando difícil. Esse estágio aparecia cada vez mais cedo, efeito conhecido como rebote de sono REM. Na quarta noite, eles mal cochilavam e já entravam na fase REM”, contou Ruiz.

Já o grupo da privação total manteve-se alerta por 48 horas com a ajuda de videogames, jogos de cartas, internet e eventuais chacoalhadas. Nas três noites seguintes, dormiram normalmente e foram monitorados pela polissonografia para registrar o efeito rebote de sono.

Enquanto o grupo controle não apresentou alteração no perfil imunológico, como esperado, os voluntários do grupo submetido à privação total tiveram uma elevação no número de leucócitos, especificamente de neutrófilos, o primeiro tipo celular que responde à maioria das infecções. Também houve aumento de linfócitos T CD4, responsáveis pela imunidade adaptativa, específica para cada doença.

“Considerando que os leucócitos desempenham a função de defesa ao primeiro sinal de invasão por patógenos, observamos que a privação total de sono desencadeou um sinal de alerta no organismo. Ele entendeu como uma agressão e respondeu a um fantasma”, disse Ruiz.

Essa alteração foi revertida após as primeiras 24 horas de recuperação do sono. “Mas, para nossa surpresa, o número de linfócitos não voltou ao normal após as três noites de recuperação”, contou.

No grupo privado de sono REM, foi observada uma diminuição da imunoglobulina A (IgA) circulante no sangue durante todo o período do experimento. Esse efeito permaneceu após as três noites de recuperação do sono.

“Essa imunoglobulina, presente na secreção de mucosas, está diretamente relacionada à proteção contra a invasão por patógenos. Isso poderia explicar por que a privação de sono REM poderia estar relacionada a uma maior suscetibilidade a doenças como gripes e resfriados já descrita na literatura”, disse.

Desafio imunológico

Na segunda fase da pesquisa, os pesquisadores investigaram, em ratos, os efeitos da privação de sono no desenvolvimento de resposta específica a um desafio imunológico. “Precisávamos de um estímulo que desencadeasse uma resposta vigorosa e optamos por um modelo de transplante de pele entre duas linhagens diferentes e geneticamente incompatíveis de camundongos”, disse Ruiz.

Nesse modelo, de acordo com Ruiz, a rejeição do tecido enxertado pelo organismo do receptor é certa. Mas, enquanto os animais do grupo controle levaram entre 8 e 10 dias para expelir o tecido estranho, aqueles submetidos à privação de sono, seja ela total ou apenas da fase REM, levaram entre 15 e 18 dias.

“Isso representa um aumento de 80% no tempo de sobrevida do tecido, o que equivale ao efeito de drogas imunossupressoras como a ciclosporina”, disse Ruiz.

Para entender o que estava causando o prejuízo na resposta imunológica, os pesquisadores analisaram os órgãos linfoides dos animais e verificaram uma redução de 76,4% no número de linfócito T CD4 no grupo submetido à privação de sono REM. No grupo que sofreu privação total, a queda foi de 34% em relação ao grupo controle.

“Os linfócitos T são essenciais para que o processo de rejeição aconteça. Eles são ativados pelas células apresentadoras de antígenos (APCs) e, então, migram dos órgãos linfoides para a região afetada, onde desencadeiam o processo inflamatório que culmina com a rejeição”, explicou Ruiz.

As análises mostraram que nos dois grupos houve redução de aproximadamente 40% no número de linfócitos T no infiltrado inflamatório do enxerto de pele, ou seja, havia menos células de defesa na região.

Isso pode ser explicado por uma menor expressão da molécula MHC 2, essencial para a comunicação entre as APCs e os linfócitos. Além disso, houve redução de 40% na quantidade de receptores para a interleucina 2 (IL-2) na circulação sanguínea.

“Quando o linfócito migra para a área afetada, precisa se proliferar para atacar o tecido. Para isso libera a IL-2, principal mediador para essa proliferação. Portanto, uma menor quantidade desses receptores no sangue indica menor proliferação de linfócitos e prejuízo ao processo de rejeição”, disse Ruiz.

Para ter certeza de que o possível estresse causado pela privação de sono não estava por trás da imunossupressão, os pesquisadores avaliaram os níveis de corticosterona no sangue dos animais.

“Esse hormônio, nos camundongos, é o equivalente ao cortisol em humanos. Como os níveis não estavam mais elevados nos roedores privados de sono do que no grupo controle, acreditamos que o estresse não tenha interferido nos resultados”, afirmou.

O próximo passo da pesquisa é investigar por que a privação de sono diminui a expressão de MHC 2 e a proliferação dos linfócitos. Além disso, Ruiz pretende investigar, durante o pós-doutorado, também com Bolsa da FAPESP, o efeito da privação de sono na imunidade de pessoas que trabalham em turno e trocam o dia pela noite.

“A literatura indica que o sono durante o dia não é tão reparador como o noturno. Nossa intenção é vacinar esses voluntários e ver como a inversão dos períodos de descanso interfere na imunização”, disse.

Será que tenho deficiência ou excesso de algum mineral? Por Dr. Frederico Lobo

Na medicina utilizamos no nosso arsenal diversas substâncias sendo que as principais são: Minerais, Vitaminas, Aminoácidos, Ácidos graxos (gorduras), fitoterápicos. Um dos principais focos de um médico que trabalha com nutrientes é a atenção às manifestações clínicas decorrentes do déficit ou excesso de um mineral, pois, diferentemente dos carboidratos, alguns ácidos graxos e aminoácidos, os minerais são substâncias inorgânicas, ou seja, não podem ser produzidos por seres vivos.

Entre os mais conhecidos estão o cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, magnésio, ferro, cobre, zinco, selênio, cromo, cloro, manganês, molibidênio, lítio, boro e silício. Como o nosso organismo não é capaz de produzir minerais, eles devem ser adquiridos através de uma alimentação variada e saudável que forneça quantidades adequadas de cada um deles. O que muitas vezes é complicado, exigindo uma suplementação.

Abaixo listo as principais FUNÇÕES, FONTES e SINTOMATOLOGIA DA CARÊNCIA de alguns minerais.

As informações aqui contidas não substituem a consulta a um médico ou nutricionista. Só um profissional da área está  apto a diagnosticar um déficit mineral vigente. Na maioria das vezes os colegas nutricionistas é que detectam tais carências, talvez pelo fato dos médicos na faculdade aprenderem de forma bastante superficial sobre tais substâncias.


Cálcio:

Consiste no mineral mais abundante nos seres humanos. Mais de 99% do cálcio corpóreo está localizado nos ossos. O cálcio que está fora do esqueleto tem uma papel essencial na manutenção de estruturas e vias vitais como:
1) condução do impulso nervoso,
2) contração muscular,
3) coagulação do sangue,
4) permeabilidade da membrana celular,
5) além de atuar em diversas atividades enzimáticas e influenciar a secreção de diversos hormônios.

O cálcio também participa na proteção do organismo contra infecções, toxinas e substâncias estranhas. Quando está baixo pode ter inúmeras causas sendo a baixa ingesta a mais comum, porém pode decorrer da má absorção intestinal, deficiência de vitamina D (muito comum na atualidade) e Boro ou excesso de fósforo

São fontes de cálcio: leite e derivados, salmão, brócolis, gergelim, vegetais verdes folhosos, tofu, algas, amêndoas, lentilha. Para evitar a perda de Cálcio devemos evitar a ingesta de alimentos contendo fósforo em excesso (refrigerantes e enlatados), sódio e proteínas (em excesso).

Sintomas do déficit: Câimbras; Dor músculoesquelética; Cólicas menstruais; Bruxismo; Queda de Cabelos; Unhas frágeis e quebradiças; Dentes frágeis e cáries frequentes; Pontos brancos nas unhas, Síndrome de pernas inquietas; Insônia; Arritmias cardíacas e Palpitações; Osteoporose e Alteração da coagulação.

Magnésio:

O Magnésio está para a clorofila, assim como o ferro está para a nossa hemoglobina. É absolutamente essencial à vida pois é necessário para os principais processos biológicos. É importante também para a estabilidade elétrica das células, manutenção da integridade da membrana, contração muscular, condução nervosa e controle do tônus vascular.

São fontes de magnésio: Vegetais, grãos integrais, castanhas, carnes, frutos do mar. O Leite é pobre em magnésio.

Sintomas do déficit: Alterações da personalidade como ansiedade, irritabilidade, emotividade excessiva, quadros depressivos e agitação. Na infância pode causar hiperatividade; Perda de apetite; Azia; Náuseas,  Vômitos; Cansaço matinal; Fadiga; Fraqueza muscular; Cãibras; Tremores; Alteração do sistema nervoso central; Aumento d tônus vascular agravando quadros de hipertensão arterial; Aumento da agregação plaquetária, Aumento do colesterol e triglicérides; Osteoporose e osteopenia por diminuição da fixação do Cálcio ao osso; Sudorese excessiva; Pernas inquietas; Diminuição da capacidade de concentração.
São fontes de magnésio: O Magnésio está amplamente distribuído nos alimentos, está para a Clorofila assim como o ferro está para a hemoglobina que compõem os nossos glóbulos vermelhos. Seu maior teor é encontrado nos grãos integrais, nas folhas verdes e na banana. Há um déficit nutricional em todo o mundo devido o processamento dos alimentos, os grãos processados perdem mais de 80% do magnésio. O Leite de vaca é pobre em Magnésio e riquíssimo em cálcio.

Zinco:

É importante na formação do DNA ( herança biológica), desempenha uma função essencial em centenas de processos metabólicos. Da replicação celular à maturação sexual, passando pela imunidade, função tireoideana na conversão dos hormônios tireoideanos (t4 em t3, assim como o Selênio), manutenção do pH estomacal, co-fator para ação da insulina, ação importante na cicatrização de feridas, alterações da derme e cabelos e até mesmo para os sentidos do paladar e do olfato.

São fontes de zinco: Encontrado em maior quantidade em produtos de origem animal (melhor biodisponibilidade) e em menor quantidade nos grãos integrais, levedo de cerveja, farelo e germe de trigo. O excesso de fibras pode diminuir a absorção do Zinco.

Sintomas do déficit: Acne; Letargia; Apatia; Diminuição da memória e concentração; Dificuldade de concentração; Queda de cabelos; Unhas frágeis, quebradiças e com manchas brancas; Diminuição do Olfato, Paladar e Audição; Zumbidos; Dificuldade de Ereção; Oligospermia; Irregularidades Menstruais.

Cobre:

Desempenha um papel singular na respiração. Participa da produção de: 1) colágeno, a proteína responsável pela integridade funcional dos ossos, cartilagens, pele e tendões. 2) Elastina, a principal proteína responsável pelas propriedades elásticas dos vasos sanguíneos, pulmões e pele. 3) Neurotransmissor noradrenalina, uma molécula-chave para o funcionamento do sistema nervoso. Atua também na conversão de tirosina em melanina (pigmento encontrado na pele e nos cabelos). Síntese dos hormônios da tireóide; O cobre protege a bainha de mielina dos nervos. Tem uma ação antioxidante importante pois é um dos componentes da superóxido dismutase citoplasmática (SOD) que é uma enzima importante no combate aos radicais livres.

São fontes de cobre: Fígado , crustáceos, moluscos, nozes, frutas, ostras, rins e legumes secos.

Sintomas do déficit: Anemias; Dores Articulares; Fraqueza Muscular; Fadiga Fácil; Edema nos Tornozelos e Pulsos; Queda de Cabelos, Polidipsia; Apatia; Letargia; Cansaço fácil; Arritmias cardíacas e palpitações; Tendência a intestino preso; Alteração do turgor da pele; Manchas brancas precoces nos cabelos. O excesso de Zinco pode levar à diminuição do cobre

Ferro:

É essencial no processo de produção de energia (ATP). Desempenha papel na produção de colágeno e elastina (componentes necessários na integridade do tecido conjuntivo). Age na manutenção do sistema imunológico, produção e regulação de vários neurotransmissores cerebrais e na proteção contra danos provocados por radicais livres. Porém tem potencial oxidante se em excesso (forma radicais livres).

São fontes de ferro: Há dois tipos de ferro contido no alimento, o férrico (Ferro III ou não-heme) e o ferroso (Ferro II ou ferro Heme) . Sabe-se que o ferroso é melhor absorvido e está presente em abundância nas carnes, principalmente em algumas das carnes vermelhas (fígado). Também pode ser encontrado em aves e peixe. A maioria dos vegetais apresentam a forma férrica. Como a forma férrica não é bem absorvida pelo organismo, deve-se ingerir conjuntamente alimentos ácidos (alimentos ricos em vitamina C) a fim do ácido atuar sobre o Ferro férrico, transformando-o em Ferroso e assim facilitando sua absorção. Posteriormente o Ferroso será oxidado e voltará a ser Férrico. Existem alimentos que facilitam a absorção do ferro como já citei, a Vitamina C, além da Vitamina A. Outros dificultam a absorção: 1) taninos presente em chás, cafés, ervas e vinho tinto, 2) fitatos presentes em algumas leguminosas, oleaginosas e cereais, 3) oxalatos encontrados no espinafre, chocolate, cacau e beterraba, 4)cálcio presente nos laticínios.

Sintomas do déficit: Fadiga fácil; Cansaço; Anemia hipocrômica; Edema de tornozelos que piora com a posição ortostática durante o dia; Perversão do apetite (desejo por alimentos e substâncias não-comestíveis, Dores de cabeça, Taquicardia, Falta de ar, unhas quebradiças e com alteração no formato, cabelos fracos, diminuição da concentração, fraqueza muscular.

Manganês:

Participa da síntese de mucopolissacarídeos (cartilagem, matriz óssea), ação na coagulação (síntese de protrombina). Tem uma ação importante na gênese dos radicais livres pois é um cofator de uma das enzimas mais importantes que temos no combate aos radicais livres a Superoxido dismutase mitocondrial (SOD). Temos basicamente 2 tipos de SOD, uma que fica no citoplasma da célula e outra que situa-se na mitocôndria. O Manganês entra na formação da SOD mitocondrial. Mas qual a ação dessa SOD? Como já citado neste blog, os radicais livres gerados podem gerar outros radicais livres. Um desses radicais é o Superóxido que sob a ação da SOD não formará outras espécies reativas de Oxigênio. Ainda atua no metabolismo do colesterol, aumenta a sensibilidade dos receptores à ação do hormônio estrogênio.

São fontes de manganês: Grãos integrais e nozes.

Sintomas do déficit: Alterações da marcha (andar cambaleante); Deficiência de coordenação motora; Perda de equilíbrio; Diminuição da audição; Alterações na coagulação, Mudança na coloração de pelos (avermelhado), Crescimento lento de unhas e cabelos, Dermatite escamosa.

Cromo:

Mineral essencial no metabolismo dos açúcares e gorduras. É importante na prevenção da intolerância à glicose e diabetes, pois é um co-fator da insulina. Diversos estudos mostram a importância do cromo tanto no controle do diabetes quanto no controle da hipoglicemia. O cromo normaliza as taxas da insulina no sangue. Ele faz parte do fator de tolerância à glicose que auxilia no transporte plasmático da insulina, permitindo a sua melhor fixação nos receptores celulares da insulina, facilitando a sua ação. No indivíduo com hipoglicemia auxilia na normalização das taxas de insulina e glicose no plasma aliviando os sintomas da hipoglicemia.
Vários estudos têm evidenciado uma deficiência em cromo nos países industrializados. O consumo de alimentos refinados, principalmente de açúcar, agrava essa deficiência, pois além de apresentarem um teor muito baixo em cromo aumentam o consumo e as perdas do organismo. Sabe-se que durante os períodos de stress físico, o organismo aumenta a excreção urinária de cromo , contribuindo para criar ou agravar a deficiência em cromo. Seu déficit também é relacionado ao aumento das patologias cardíacas (aumento do colesterol total e diminuição do HDL-colesterol, hipertensão arterial, arritmias) e obesidade. No homem o déficit ocasiona diminuição do número de espermatozóides.

São fontes de cromo: Levedo de cerveja, cogumelo, aspargo, vinho, cerveja, ameixa, cereais integrais, carnes e condimentos (pimenta preta e tomilho).

Sintomas do déficit: Neuropatia periférica; Alteração do metabolismo dos carboidratos; Sudorese noturna; Sono agitado com pesadelos; Pânico e fobias; Diminuição da capacidade de concentração e memorização; Extremidades trêmulas e frias; Dor de cabeça tipo enxaqueca.

Selênio:
É um mineral essencial por tem papel crucial em diversas vias metabólicas do nosso organismo. Liga-se a algumas proteínas dando origem às Selenioproteínas. Atua como co-fator para a síntese de um dos maiores antioxidantes endógenos que temos, a Glutationa Peroxidase (GPX), esta enzima tem uma ação importantíssima no combate à formação de radicais livres. Atualmente fala-se muito no seu papel na tireóide pois sabe-se que a enzima (Iodotironina 5 deiodinase) que converte o hormônio tireoideano T4 (forma pouco ativa) em T3 (forma muito ativa) é Selênio-dependente. Tem ação no sistema imunológico, estimulando a formação de células de defesa. Estudos recentes mostram que solos pobres em Selênio (como o do Brasil) há uma maior incidência de alguns tipos de cânceres e acredita-se que isso decorra de uma possível ação reparadora ao DNA por parte das Selenioproteínas. Um estudo na Finlândia mostrou associação entre baixos níveis plasmáticos de Selênio e maior incidência de Infarto agudo de miocárdio. Atua também na síntese de testosterona

São fontes de Selênio: Inúmeros alimentos contêm selênio, mas o que determina o teor nos alimentos é a quantidade presente no solo. Isso pode ser um problema, pois como as plantas não necessitam de selênio para o seu crescimento, na agricultura moderna a adubação não é feita com esse mineral incorporado aos compostos utilizados na terra. O uso de alimentos industrializados também podem contribuir para a falta de ingestão de selênio, já que o refinamento de alimentos, assim como a escolha por uma alimentação rápida e processada trará uma ingestão de alimentos mais pobres no mineral. No Brasil a região norte, o litoral e o sul do país são as áreas que possuem o solo mais rico em selênio. A Castanha do Pará é um alimento riquíssimo em selênio, sendo nutricionalmente a nossa referência quando pensamos no nutriente e no alimento que o contém em maior quantidade (teoricamente 2 castanhas já suprem a nossa necessidade diária). Outras fontes são brócolis, couve, aipo, cogumelo, pepino, cebola, alho, rabanete, levedo de cerveja, grãos, peixes, miúdos.

Sintomas do déficit: Fraqueza muscular; mialgias; Queda de cabelos; Dermatites de pele e couro cabeludo; Dermatomicoses; Monilíase vaginal; Micoses de repetição com aumento da frequência de dermatite seborreica; Imunodepressão; Aumento do peso corporal; Fadiga; Cansaço fácil; Apatia; Embotamento; Pele seca e áspera; Massa ou nódulo em mamas; Bócio ou massa palpável em tireóide.

Fósforo:

Possui importantes e múltiplas funções nas reações químicas dos seres vivos. As reações de transferência de fosfato, enzimaticamente catalizadas são numerosas e vitais no metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas.  Atua em todas as células, tecidos e órgãos, porque faz parte das membranas celulares e das organelas na forma de fosfolípides, faz parte dos glóbulos vermelhos além de fazer parte da principal molécula do organismo, o trifosfato de adenosina, o famoso ATP, moeda de troca de todas as reações bioquímicas, dependentes de energia. Também desempenha papel importante no metabolismo do cálcio e nas reações do equilíbrio ácido-básico. Nos ossos desempenha funções cruciais no desempenho das atividades osteoblástica (construção óssea) e osteoclástica (destruição óssea). Sais de fósforo são importantes tampões por auxilia na excreção dos ions hidrogênio (H+). Importante salientar que uma dieta rica em fósforo diminui absorção do cálcio. Se os níveis de fosfato estão baixos no sangue, o cálcio eleva-se no sangue e diminui a deposição de sais de cálcio no osso. Quando os níveis de Fosfato aumentam no sangue, o cálcio é melhor depositado no osso. Isso é importante salientar pois geralmente meus colegas médicos só lembram do Cálcio na Osteoporose, como se o osso fosse composto apenas de Cálcio.

São fontes de fósforo: Geralmente todo alimentos ricos em proteínas (carnes, leite, ovos) são também ricos em fósforo. Em uma dieta normal ocidental, cerca de 65% do fósforo é proveniente do leite, carne, frango, peixe e ovos ; 20% dos cereais e legumes ; 10% das frutas e seus sucos e o restante do café, chá ,refrigerantes, etc. Dietas vegetarianas contém grandes quantidades de fósforo na forma de fitato, entretanto não dispomos da enzima fitase e não conseguimos liberar o fósforo desta dieta. Tanto as leveduras como vários tipos de bactérias contém Fitase e portanto conseguem liberar o fósforo no intestino e torna-lo biodisponível.

Sintomas do déficit: Como faz parte da molécula de ATP, seu déficit leva a uma queda global da "Energia" corporal e isso pode manifestar-se sob a forma de Diminuição da memória, atenção e Concentração; Irritabilidade; Tonteira (Vertigem); Fadiga e cansaço fácil; Perda de iniciativa(desiste fácil); Respiração curta com dificuldade; Edema de tornozelos; Dores articulares com limitação funcional; Náuseas, vômitos, Dificuldade na deglutição.

Lítio:

A essencialidade do lítio no organismo humano ainda não está claramente estabelecida. O lítio é importante na síntese de neurotransmissores cerebrais. Regiões dos EUA com aumento de lítio na água apresentam incidência menor de doenças cardíacas e aterosclerose, e também um menor número de internações psiquiátricas. A deficiência de lítio também é associada com aumento da agressividade. O lítio tem um efeito positivo nos distúrbios do humor e em estudos com animais, a deficiência de lítio foi associada com diminuição da expectativa de vida.

São fontes de Lítio: Água potável, algas, gengibre, frutos do mar.

Sintomas do déficit: Depressão oscilada com Mania (transtorno bipolar); Insônia; Dores musculares tensionais; Aumento dos sintomas da menopausa.

Boro:

É um micronutriente que foi considerado essencial ao homem em 1981. Na deficiência de boro ocorre uma diminuição dos hormônios femininos e masculinos. Na menopausa, a deficiência de boro acarreta uma diminuição da calcificação óssea agravando a osteopenia e a osteoporose, provavelmente porque ele potencializa a ação do estrogênio no metabolismo mineral. A reposição com boro contribui para a melhora da artrite e graças à diminuição do número de plaquetas, diminui a incidência de tromboses. Estudos mostram que o Boro influencia decisivamente no metabolismo do Cálcio (aumento da absorção intestinal), Magnésio e Fósforo, aumentando ou diminuindo a excreção destes. Modula a ação do paratormônio (PTH).

São fontes de boro: Maçã, pêra, pêssego, uvas, passas, tâmaras, nozes e soja. A problemática do refino é uma das maiores barreiras para ingesta adequada do Boro.

Sintomas do déficit: Ossos fracos devido Osteoporose; Dores articulares (artritismo)


Bibliografia

1) CARVALHO, Paulo Roberto. Medicina Ortomolecular: Um guia completo dos nutrientes e suas propriedades terapêuticas. 4ªEd. Rio de Janeiro, Nova Era: 2006.

2) WILKE, Berenice Cunha. Biblioteca de nutrientes. Disponível em: http://www.medicinacomplementar.com.br/bibliotecadenutrientes.asp

3) OLSZEWER, Efraim. Clínica ortomolecular. 2ª ed. São Paulo, Roca: 2008.

4) FAVIERE, Maria Inês. Nutrição na Visão da Prática Ortomolecular. Rio de Janeiro, Ícone: 2009.